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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

truque

Depois do PAC, lá vem o PIL: é o marketing de governo tentando sobreviver ao marketing eleitoral

Por Wanfil em Política

10 de junho de 2015

Lembram do PAC? O Programa de Aceleração do Crescimento lançado originalmente em 2007 e relançado diversas vezes pelo governo federal, com a promessa de bilhões e bilhões de reais em obras? Lembram que esse seria o arremate final rumo ao paraíso prometido pela gestão petista? Pois é, submetido ao teste do tempo, o programa de nada serviu para acelerar o crescimento, pelo contrário: a economia foi desacelerando até estagnar em 2014 e para 2015 a única dúvida agora é saber o tamanho da retração.

É preciso reconhecer que, como peça de marketing eleitoral, o PAC foi eficiente, brilhando em três campanhas, com candidatos alardeando mais bilhões e bilhões de reais nisso e naquilo. Deu certo por um tempo, mas não cola mais. Hoje, as principais obras do PAC se dividem nessas entre as que não foram concluídas, as que aumentaram muito de preço, as que nem começaram e as que são objeto de investigações sobre corrupção. A Transposição do São Francisco e as refinarias da Petrobras são alguns exemplos dessa, digamos, marca de ineficiência.

Truque velho
Com a gestão de Dilma Rousseff mergulhada em recordes de impopularidade, a turma da propaganda decidiu então que a saída, na falta do que mostrar, é mudar a cara da promessa lançando o PIL – Programa de Investimento em Logística. Com essa nova palavra mágica o governo promete – surpresa! – investir bilhões e bilhões de reais em obras magnânimas.

Para o Ceará está previsto nada menos do que R$ 1,98 bilhão para o Aeroporto Pinto Martins, o mesmo que deveria ter sido ampliado para a Copa do Mundo e que acabou com um puxadinho de lona e escombros de obra abandonada. Mas as manchetes foram garantidas: “Dilma garante bilhões” e por aí vai. Boa parte da imprensa embarca na conversa, na esperança de ver algo dar certo. Ocorre que o descompasso entre discurso e realidade nos últimos anos, repletos de anúncios desse tipo, desgastou não apenas o programa, mas a credibilidade dos próprios governantes. Quem é que ainda acredita nessas promessas?

Privatização
Faço aqui um adendo sobre o fato de o aeroporto entrar no projeto de concessões anunciado pela presidente. Como todos sabem, privatizações ou, como queiram, a transferência de serviços públicos para a iniciativa privada, foi algo condenada, desde sempre, pelo PT e por Dilma. A contradição não revela um erro de visão do partido, corrigido mediante uma explicação e uma revisão programática. Pelo contrário: suas lideranças dizem que estavam certas quando eram contra e que estão certas quando estão a favor. O que fica revelado, portanto, é uma questão de caráter. A depender das circunstâncias, o que era pecado se transforma em virtude, desde que seja de interesse do partido.

Otimista
O governador Camilo Santana, no compreensível papel de gestor aliado e de político correligionário de Dilma, disse que está muito otimista e satisfeito com as medidas do PIL. Não duvido das boas intenções de ninguém, afinal, os governos precisam mostrar algum serviço, claro. O problema é que se o padrão de execução for o mesmo do PAC, fica difícil manter o otimismo, muito menos a satisfação.

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Governo brasileiro mostra como subir na vida com pouco dinheiro – Ou: A arte de iludir

Por Wanfil em Brasil

03 de Maio de 2013

Focalize o ponto no centro da imagem e mova a cbeça para a frete e para atrás. Tudo parece se mover, mas na realidade nada sai do lugar. É ilusionismo, truque comum entre os nossos governantes.

Focalize o ponto no centro e mova a cabeça para a frente e para trás. Tudo parece se mover, mas na verdade nada sai do lugar. É ilusionismo, truque comum entre os nossos governantes.

Como não resolver um problema e ainda assim parecer eficaz? E como elevar a condição social de milhões sem promover o crescimento da economia? A resposta é simples: com ilusionismo retórico. E o melhor exemplo é o alardeado combate a miséria promovido pelo governo Dilma Rousseff.

De acordo com recente pesquisa divulgada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, o sujeito com renda de aproximadamente 500 dólares mensais é oficialmente classificado de “alta classe média”. Com 441 reais por mês no bolso, a pessoa passa a ser considerada, mui graciosamente, membro da “baixa classe média”. Com sorte, com mais 200 reais, perfazendo quase um salário mínimo, ascende para a categoria de “média classe média”.

Truque eleitoral

As autoridades brasileiras estão se especializando na arte de substituir feitos por slogans repletos de termos pomposos, no intuito de esconder o contraste, cada vez mais evidente, entre a magnificência daquilo o que é anunciado e a escassez do que é realizado. É a arte de falar muito para não dizer nada.

Não é preciso ser economista, técnico ou possuir qualquer formação acadêmica para saber que essas estratificações de classe não passam de truque que, somados a outros mais, servirá de estofo para a propaganda para a reeleição de Dilma: “A presidente que acabou com a miséria”.

Autoengano de massas

É comum governos e pessoas superestimarem a si mesmos, destacando exageradamente o que consideram ser aspectos positivos de suas ações, ao mesmo tempo em que minimizam eventuais erros ou fracassos. O problema é cair na tentação esquizofrênica de confundir a realidade com desculpas nascidas para disfarçar a ausência de competência.

No plano individual, qualquer um que fuja do mundo real para buscar abrigo no mundo dos desejos acaba por prejudicar  a si mesmo, quando muito, aos seus familiares. No entanto, numa inversão psicótica da relação entre causa e efeito, quando o engodo é praticado por governos no Brasil, no lugar do natural descrédito, os responsáveis são agraciados com altos índices de popularidade, num fenômeno que demonstra no Brasil um desejo generalizado pelo autoengano.

Por isso, vemos prosperar por aí a ideia de que há autossuficiente de petróleo, ou que a energia é barata, que o Brasil é mais rico que a Inglaterra, que a miséria está em vias de acabar, que a classe média não para de crescer alucinadamente, etc., etc.

E assim, descobrimos que um cidadão, trocando o desemprego (nunca tantos empregos foram criados, diz a propaganda), por uma vaga de gari ou de motorista de ônibus, salta instantaneamente da condição de miserável para a de classe média, enquanto o PIB continua, estranhamente, estagnado.

Discernimento torto

Para encerrar, uma frase do poeta Henry W. Longfellow, seguida de uma reflexão minha:

Julgamos a nós mesmos pelo que nos sentimos capazes de fazer, enquanto os outros nos julgam pelo que já fizemos.

Por aqui, na ânsia de ser o que ainda não somos, julgamos os governos pelo que eles dizem ser capazes de fazer e não pelo que eles fazem, ou deixam de fazer.

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Governo brasileiro mostra como subir na vida com pouco dinheiro – Ou: A arte de iludir

Por Wanfil em Brasil

03 de Maio de 2013

Focalize o ponto no centro da imagem e mova a cbeça para a frete e para atrás. Tudo parece se mover, mas na realidade nada sai do lugar. É ilusionismo, truque comum entre os nossos governantes.

Focalize o ponto no centro e mova a cabeça para a frente e para trás. Tudo parece se mover, mas na verdade nada sai do lugar. É ilusionismo, truque comum entre os nossos governantes.

Como não resolver um problema e ainda assim parecer eficaz? E como elevar a condição social de milhões sem promover o crescimento da economia? A resposta é simples: com ilusionismo retórico. E o melhor exemplo é o alardeado combate a miséria promovido pelo governo Dilma Rousseff.

De acordo com recente pesquisa divulgada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, o sujeito com renda de aproximadamente 500 dólares mensais é oficialmente classificado de “alta classe média”. Com 441 reais por mês no bolso, a pessoa passa a ser considerada, mui graciosamente, membro da “baixa classe média”. Com sorte, com mais 200 reais, perfazendo quase um salário mínimo, ascende para a categoria de “média classe média”.

Truque eleitoral

As autoridades brasileiras estão se especializando na arte de substituir feitos por slogans repletos de termos pomposos, no intuito de esconder o contraste, cada vez mais evidente, entre a magnificência daquilo o que é anunciado e a escassez do que é realizado. É a arte de falar muito para não dizer nada.

Não é preciso ser economista, técnico ou possuir qualquer formação acadêmica para saber que essas estratificações de classe não passam de truque que, somados a outros mais, servirá de estofo para a propaganda para a reeleição de Dilma: “A presidente que acabou com a miséria”.

Autoengano de massas

É comum governos e pessoas superestimarem a si mesmos, destacando exageradamente o que consideram ser aspectos positivos de suas ações, ao mesmo tempo em que minimizam eventuais erros ou fracassos. O problema é cair na tentação esquizofrênica de confundir a realidade com desculpas nascidas para disfarçar a ausência de competência.

No plano individual, qualquer um que fuja do mundo real para buscar abrigo no mundo dos desejos acaba por prejudicar  a si mesmo, quando muito, aos seus familiares. No entanto, numa inversão psicótica da relação entre causa e efeito, quando o engodo é praticado por governos no Brasil, no lugar do natural descrédito, os responsáveis são agraciados com altos índices de popularidade, num fenômeno que demonstra no Brasil um desejo generalizado pelo autoengano.

Por isso, vemos prosperar por aí a ideia de que há autossuficiente de petróleo, ou que a energia é barata, que o Brasil é mais rico que a Inglaterra, que a miséria está em vias de acabar, que a classe média não para de crescer alucinadamente, etc., etc.

E assim, descobrimos que um cidadão, trocando o desemprego (nunca tantos empregos foram criados, diz a propaganda), por uma vaga de gari ou de motorista de ônibus, salta instantaneamente da condição de miserável para a de classe média, enquanto o PIB continua, estranhamente, estagnado.

Discernimento torto

Para encerrar, uma frase do poeta Henry W. Longfellow, seguida de uma reflexão minha:

Julgamos a nós mesmos pelo que nos sentimos capazes de fazer, enquanto os outros nos julgam pelo que já fizemos.

Por aqui, na ânsia de ser o que ainda não somos, julgamos os governos pelo que eles dizem ser capazes de fazer e não pelo que eles fazem, ou deixam de fazer.