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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

traição

Por falar em traição

Por Wanfil em Política

06 de setembro de 2016

O ex-governador Cid Gomes acusou o senador Eunício Oliveira de trair a ex-presidente Dilma Rousseff, segundo informação do Blog do Eliomar. A traição política, como podemos perceber, é um ponto de vista, já que o próprio Cid é acusado do mesmo pecado por inúmeros ex-aliados, dos mais variados partidos. A questão aqui neste post, porém, não é tanto Cid ou Eunício, mas Dilma.

No dicionário, trair pode significar “não cumprir promessas”. Portanto, o golpe da refinaria da Petrobras no Ceará foi uma traição de Dilma e Lula. Pela lógica, quem não rompeu com a dupla após a revelação do embuste optou voluntariamente por virar sócio de traidores.

Outra acepção do verbete trair é “falsear”. Por essa, quando a então candidata à reeleição Dilma afirmou que a economia estava bem, embora maquiasse a contabilidade para esconder o rombo nas contas públicas, fraude que lhe custou o mandato, traiu seus eleitores e a própria nação. Os que buscam ignorar ou relevar esses fatos apostam, portanto, na falsidade como método de gestão, em prejuízos dos traídos.

Guardadas as incomensuráveis proporções históricas e os personagens, o historiador romano Plutarco dizia que César amava as traições, mas odiava os traidores. Pois é.

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Sobre Judas e o preço da traição nos dias de hoje

Por Wanfil em Crônica

30 de Março de 2013

A captura de Cristo - por Caravaggio (1602). O Beijo de Judas durante a Prisão de Jesus. No passado, a traição como crime imperdoável, no presente da política nacional, é garantia de sucesso.

A captura de Cristo – pintura de Caravaggio (1602). O beijo de Judas durante a prisão de Jesus. No passado, a traição vista como crime imperdoável, no presente da política nacional, é garantia de sucesso.

A Semana Santa é uma celebração que, a exemplo do Natal, tem Jesus Cristo por figura principal. No entanto, nesse feriado, o protagonismo do enredo religioso é dividido, por contraste, com o vilão Judas Iscariotes, o apóstolo que traiu Cristo por 30 dinheiros e que por isso há dois mil anos é queimado pelos cristãos.

Desvio rápido

Faço aqui um breve desvio. Na perspectiva formal da técnica narrativa da história de Jesus, Judas cumpre uma missão singular e fundamental, que é a de conferir uma carga dramática adicional e um sentido aos eventos finais da vida do Salvador.  Sem a fraqueza de Judas não haveria o a paixão e o sacrifício de Cristo, peças fundamentais para a estruturação da liturgia e teologia católica. Sem o episódio da traição, Jesus não teria como oferecer a Deus o seu martírio pela salvação dos homens.

Judas poderia ter escolhido a lealdade e o caminho da fé? Pelo princípio do livre arbítrio, sim. Mas se o fizesse, como ficaria a previsão de Jesus, pela qual um dos seus que ali estavam o entregaria aos romanos? De qualquer forma, coube a Judas realizar a profecia, para depois então, atormentado, cometer o suicídio. No fim, não deixa de ser paradoxal: sem Judas não haveria Semana Santa.

A simbologia da traição

Deixando essas ponderações de lado e voltando ao roteiro inicial do raciocínio que me fez escrever este post, fico a pensar no valor simbólico de Judas em nossa cultura atual, especialmente no campo da política, onde a traição é quase uma regra.

Se no plano religioso Judas encarna o repúdio ao que é vil e desonesto, no plano material da vida secular essa aversão não se incorporou, pelo menos entre nós brasileiros, como um valor moral de amplo espectro, capaz de atuar ativamente sobre outras esferas da vida comum. Na verdade, costumamos a ser bem tolerantes com certos vícios, alguns dos quais apelidamos carinhosamente de “jeitinho”.

Quantos traidores não estão por aí alegres e faceiros, muito bem colocados nos mais altos postos da República e do Estado, vendendo diariamente a confiança que lhes fora depositada pelos eleitores? Na Assembleia Legislativa do Ceará, por exemplo, deputados diretamente envolvidos em escândalos de fraudes e desvios de verbas destinadas à população mais pobre não apenas continuam a ser eleitos e reeleitos, mas gozam de prestígio incomum. Em Brasília, uma figura basta para personalizar, como síntese, a apoteose de crimes que prospera na vida pública nacional: Renan Calheiros. Não é o único, mas é o mais bem sucedido.

Existem ainda as traições de valor intelectual e ideológico, perfeitamente representadas na pessoa do ex-presidente Lula da Silva, o socialista (construção forçada) que, uma vez eleito, aderiu a tudo quanto criticava, de questões econômicas a condutas éticas. Ao contrário da saga cristã, a traição faz bem aos políticos brasileiros

Judas e os traidores do presente

Não podemos generalizar, claro, mas são muitos os que agem assim sem que nada façamos para queimá-los na fogueira do repúdio ao que é imoral. Pelo contrário, não é incomum a crucificação dos mais honestos, nessa terra de traidores, romanos e os fariseus.

Comentei na rádio Tribuna BandNews sobre os muitos Judas que atuam no presente. Mas agora, ao traçar estas linhas, mudei de ideia. A comparação entre o apóstolo caído e os farsantes de hoje é uma injustiça com o primeiro. É que com seu ato deplorável, Judas Iscariotes acabou por contribuir, ainda que por caminhos tortos, com a consolidação da doutrina cristã, e uma vez arrependido do mal que praticou, penitenciou a si mesmo com a mais dura das penas. Já da roubalheira de verbas públicas que se fez cultura nacional, nada de positivo se aproveita ou se levanta, nem mesmo a indignação de quem é roubado. Não há arrependimentos e muito menos punições exemplares. Entre nós, não há redentores.

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A traição como doutrina política e as eleições em Fortaleza

Por Wanfil em Crônica, Eleições 2012

12 de agosto de 2012

Cena de A Rainha Margot: Fazendo-se amiga de Henrique de Navarra, Catarina de Médici busca transformar a traição em virtude. Qualquer semelhança com as eleições…

Num dos diálogos mais cínicos do cinema, no filme A Rainha Margot (1994), Catarina de Médici diz ao genro e futuro rei da França, Henrique de Navarra: “Que é a traição? A habilidade de se adaptar aos acontecimentos”. O ardil tinha por intenção transformar o erro em virtude para justificar a falta de princípios no ambiente sórdido da corte francesa no ano de 1572, quando as disputas sem limites pelo poder e a desmesurada ambição da nobreza fizeram dessa trama, baseada em fatos reais, símbolo perfeito do vale tudo para se dar bem.

Deixando o século XVI e voltando ao XXI, viajando da França monarquista para a República brasileira, e mais precisamente para as eleições municipais em Fortaleza, capital do Ceará, recordo também de Karl Marx: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Apesar da distância e guardadas devidas as proporções históricas, os candidatos em evidência na atual disputa eleitoral preservam esse elemento clássico das relações de poder: o signo da traição na política.

Conveniências da hora

Não vou citar nomes, pois esta reflexão diz respeito a uma forma generalizada, embora a cada época, possua seus protagonistas de sucesso. Pense um pouco, amigo leitor, quantos candidatos que agora posam de críticos convictos dos descaminhos da gestão de Luizianne não estavam, até poucos dias atrás, com seus partidos controlando secretarias e órgãos municipais, administrando verbas públicas e principalmente, caladinhos, sem nada verem de errado na administração da qual eram sócios menores. Quantos não foram fiadores do governo que agora repudiam, colocando a própria credibilidade a serviço da reeleição da petista, garantindo aos eleitores que era esse o melhor caminho, apesar das fragilidades que já se faziam sentir naquele momento.

A gestão atual, evidentemente, não é vítima passiva. Leia mais

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PSB e PT cearenses encenam trama antiga de aliança e traição

Por Wanfil em Eleições 2012, Partidos, Política

30 de Março de 2012


Ivo Gomes e Luizianne Lins unidos pelas circunstâncias em passado recente, agora afastados. O que mudou? As circunstâncias, claro.

A aliança vitoriosa entre PSB e PT no Ceará obedece a uma velha prática do frágil partidarismo brasileiro: é baseada em circunstâncias, não em convicções. Onde se lê aliança programática, entenda-se divisão de espaços (e verbas) na máquina pública. Essa realidade não resulta de um desvio ocasional ou particular, mas atende, sobretudo, a essa nefasta regra geral em nosso país, que pode se mostrar mais ou menos acentuada, a depender do governo avaliado.

Garantia expirada
No Ceará, a parceria entre o PT dono do poder federal e o PSB comandado pela família Ferreira Gomes, em 2006, derrotou a longa hegemonia do PSDB no Estado. Os fiadores desse projeto foram o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins, que sem maiores dificuldades administraram a desconfiança mútua que seus grupos – adversários no passado – nutrem um pelo outro no presente. No entanto, agora que os líderes desse processo não concorrerão mais a uma reeleição, as expectativas e especulações sobre uma nova configuração de poder aumentam.

Com popularidade em baixa (o que siginifica pouca capacidade de transferir votos), Luizianne não consegue emplacar um discurso de continuidade e nem apresenta um nome viável de sua confiança para sucedê-la.

Sem perdão
Os Ferreira Gomes, naturalmente, sentiram a oportunidade proporcionada pelo momento. E assim começam a escalar os próceres de seu grupo político, Ivo, Ciro e Arialdo Pinho, para criticar a gestão petista na capital cearense. A intenção óbvia é tentar descolar a imagem do PSB e do governador da gestão petista em Fortaleza, como se não tivessem tido responsabilidade alguma nas duas eleições de Luizianne. Não se trata de ser leal ou ingrato. É sobrevivência, é projeto de poder. É feio, mas é assim. Embarcar numa candidatura bancada por uma liderança fragilizada é um risco.

Assim é que, após quase oito anos de aliança, aparecem os três, muito surpresos com tantos problemas e preocupados com o bem-estar da população, apontando dificuldades administrativas e até corrupção. Isso mesmo. Ivo Gomes afirmou que dinheiro público é repassado a um hospital particular apenas para beneficiar um vereador, que seria o seu dono (bem que a Câmara de Vereadores poderia convidar o Chefe de Gabinete do governador do Estado, autoridade com imensas responsabilidades, para explicar melhor essa história e dar nomes aos bois, afinal, se trata de dinheiro do contribuinte).

É esperar pra ver
O fato é que a relação entre PT e PSB é a crônica de uma traição anunciada, assim como foi o pacto Ribbentrop-Molotov, tratado de não agressão firmado entre Rússia e Alemanha pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Como tal, a questão é saber quem quebrará o acordo primeiro. Os canhões de ataque já estão perfilados, pressionando a prefeita. O PT, que sempre teve no PSB uma mera força de apoio, irá capitular e deixar que o governador indique o nome que disputará pela atual coligação? Quem sabe. Em termos políticos, eu nunca subestimo Luizianne. No entanto, como diz a musiquinha, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

*Texto meu publicado originalmente no blog Polítika, da jornalista Kézya Diniz.

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PSB e PT cearenses encenam trama antiga de aliança e traição

Por Wanfil em Eleições 2012, Partidos, Política

30 de Março de 2012


Ivo Gomes e Luizianne Lins unidos pelas circunstâncias em passado recente, agora afastados. O que mudou? As circunstâncias, claro.

A aliança vitoriosa entre PSB e PT no Ceará obedece a uma velha prática do frágil partidarismo brasileiro: é baseada em circunstâncias, não em convicções. Onde se lê aliança programática, entenda-se divisão de espaços (e verbas) na máquina pública. Essa realidade não resulta de um desvio ocasional ou particular, mas atende, sobretudo, a essa nefasta regra geral em nosso país, que pode se mostrar mais ou menos acentuada, a depender do governo avaliado.

Garantia expirada
No Ceará, a parceria entre o PT dono do poder federal e o PSB comandado pela família Ferreira Gomes, em 2006, derrotou a longa hegemonia do PSDB no Estado. Os fiadores desse projeto foram o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins, que sem maiores dificuldades administraram a desconfiança mútua que seus grupos – adversários no passado – nutrem um pelo outro no presente. No entanto, agora que os líderes desse processo não concorrerão mais a uma reeleição, as expectativas e especulações sobre uma nova configuração de poder aumentam.

Com popularidade em baixa (o que siginifica pouca capacidade de transferir votos), Luizianne não consegue emplacar um discurso de continuidade e nem apresenta um nome viável de sua confiança para sucedê-la.

Sem perdão
Os Ferreira Gomes, naturalmente, sentiram a oportunidade proporcionada pelo momento. E assim começam a escalar os próceres de seu grupo político, Ivo, Ciro e Arialdo Pinho, para criticar a gestão petista na capital cearense. A intenção óbvia é tentar descolar a imagem do PSB e do governador da gestão petista em Fortaleza, como se não tivessem tido responsabilidade alguma nas duas eleições de Luizianne. Não se trata de ser leal ou ingrato. É sobrevivência, é projeto de poder. É feio, mas é assim. Embarcar numa candidatura bancada por uma liderança fragilizada é um risco.

Assim é que, após quase oito anos de aliança, aparecem os três, muito surpresos com tantos problemas e preocupados com o bem-estar da população, apontando dificuldades administrativas e até corrupção. Isso mesmo. Ivo Gomes afirmou que dinheiro público é repassado a um hospital particular apenas para beneficiar um vereador, que seria o seu dono (bem que a Câmara de Vereadores poderia convidar o Chefe de Gabinete do governador do Estado, autoridade com imensas responsabilidades, para explicar melhor essa história e dar nomes aos bois, afinal, se trata de dinheiro do contribuinte).

É esperar pra ver
O fato é que a relação entre PT e PSB é a crônica de uma traição anunciada, assim como foi o pacto Ribbentrop-Molotov, tratado de não agressão firmado entre Rússia e Alemanha pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Como tal, a questão é saber quem quebrará o acordo primeiro. Os canhões de ataque já estão perfilados, pressionando a prefeita. O PT, que sempre teve no PSB uma mera força de apoio, irá capitular e deixar que o governador indique o nome que disputará pela atual coligação? Quem sabe. Em termos políticos, eu nunca subestimo Luizianne. No entanto, como diz a musiquinha, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

*Texto meu publicado originalmente no blog Polítika, da jornalista Kézya Diniz.