terrorismo Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

terrorismo

Antes tarde do que nunca

Por Wanfil em Segurança

14 de Janeiro de 2019

Os esforços em conjunto feitos pelo governo do Ceará e o governo federal mostram que certas  responsabilidades devem mesmo pairar acima de divergências políticas e até mesmo ideológicas. Crises agudas pedem ações imediatas.

Na Assembleia Legislativa do Ceará, situação e oposição se uniram em sessão extraordinária para aprovar (e ampliar) mensagens do Executivo estadual. Apoio irrestrito.

Tudo isso sinaliza a construção de uma maturidade política que, como toda e qualquer maturidade, leva tempo para ser consolidada, resultante de aprendizados colhidos na observação de erros e acertos no tempo. Por isso, é importante não deixar que grupos políticos tentem reescrever (ou apagar) erros e acertos conforme suas conveniências.

Nos últimos dez anos poucas vozes no parlamento e na imprensa apontaram para os equívocos nas políticas de segurança pública, que apesar de serem evidentes e gritantes, eram solenemente ignorados ou mesmo desprezados pelos governistas, que agora se apresentam como vigilantes infalíveis.

A verdade é que ao longo desses anos, deputados e ex-deputados estaduais como Heitor Férrer, Tomás Filho, Ely Aguiar e Capitão Wagner, que cito de memória, foram duramente criticados por apontarem discrepâncias entre os altos investimentos e a piora nos índices de violência. Foram acusados de alarmismo irresponsável, de torcerem contra os cearenses, de inveja e oportunismo. A maioria preferia aplaudir tudo o que sucessivos governos anunciavam. Deu no que deu.

Se hoje o governo e sua base aliada na Assembleia Legislativa tomam às pressas medidas corretas no enfrentamento ao crime organizado, é porque no passado insistiram teimosamente no que não estava dando certo. Mesmo sem a devida a autocrítica, antes tarde do que nunca.

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Terrorista no Ceará. Era só o que faltava

Por Wanfil em Brasil

21 de julho de 2016

A Polícia Federal prendeu 10 suspeitos de planejar um atentado terrorista no Brasil. O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, informou que o grupo é amador e um dos seus membros é do Ceará. Os nomes não foram revelados.

É muito provável que os suspeitos não passem de fracassados (social, psicológica e profissionalmente falando) em busca do que acreditam ser uma grande realização que possa compensar sua baixa autoestima. Esse é o perfil desses terroristas recrutados, segundo o psicólogo israelense Ariel Merari, estudioso do assunto. Fanáticos religiosos são os seus recrutadores, que não se arriscam nos atentados.

O fato de serem amadores e fracassados não deve ser menosprezado, pelo contrário. No mundo louco de hoje em dia, isso pode até potencializar o risco, como ficou provado no ataque em Nice, na França, quando um desses radicais recém-convertidos matou 80 pessoas com um caminhão.

De qualquer forma, já não bastassem os atentados contra ônibus, policiais e prédios públicos feitos pelo crime organizado, agora surge um terrorista no Ceará. Era só o que faltava.

 

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Os Demônios

Por Wanfil em Livros

13 de setembro de 2014

Os Demônios, de Dostoiévski (1872) - Editora 34

Os Demônios, de Dostoiévski (1872) – Editora 34

Os Demônios, obra de Fiodor Dostoiévski inspirada no noticiário sobre o assassinato de um estudante por membros de um grupo político clandestino e niilista chamado Justiça Sumária do Povo, em 1869, liderado por Sergei Nietcháiev, autor do tenebroso e fanático O Catecismo de um Revolucionário, de onde podemos extrais ilustrativas amostras de uma natureza política e moral influente até os dias de hoje: “Um revolucionário despreza toda a teoria; renuncia à ciência atual e abandona-a para as gerações vindouras. Não conhece senão uma só ciência: a da destruição”. De algo assim, nada de bom pode sair mesmo.

Pois bem, ao esboçar uma crítica a esse tipo de radicalismo, o autor de Crime e Castigo denunciou ali o germe da manipulação da intolerância e da baixa autoestima como instrumentos políticos para arregimentar e insuflar pessoas dispostas a tudo por um ideal. Esse idealismo é denunciado, com toda razão, como mero pretexto para o uso supostamente racional da violência.

De modo brilhante, quase sobrenatural, Dostoiévski antecipa aos seus contemporâneos, em Os Demônios, escrito em 1872, as bases de um processo de degradação social que terminaria, quase cinco décadas depois, na eclosão da  Revolução Russa e seu legado de horror: 30 milhões de vítimas do comunismo, somente naquele país. Mais do isso, o escritor revela a gênese de qualquer movimento radical que tenha no ímpeto destruidor sua razão de existir, delineando um perfil que pode identificar desde agentes do nazismo até os terroristas islâmicos do nosso presente, no que eles têm em comum: o ódio e a intolerância com o contraditório. Mudam nas formas externas, mas a essência é a mesma.

Dostoiévski, óleo sobre tela (1872), por Vasily Perov.

Dostoiévski, óleo sobre tela (1872), por Vasily Perov.

Basicamente, o livro narra o início e o desenvolvimento das atividades do que poderíamos chamar de célula política com função desestabilizadora. No começo, parecem patéticos, pois são poucos, embora saibam que outras células existam por aí (eles não devem manter contato entre si, para em caso de fracasso, não delatar as demais). Seus membros se imiscuem em vários órgãos do Estado e sua missão é criar problemas, de forma a excitar o descontentamento geral. No entanto, esses indivíduos atuam sobre a tessitura de uma sociedade onde a elite (no caso, a aristocracia russa), vive alienada da realidade, perdida em bailes, salamaleques, viagens à Europa e solenidades de condecorações, enquanto a população sofre com a pobreza e a ignorância. É o ambiente perfeito para prosperar as teses racistas ou de luta de classes, que objetivam personificar culpados em determinados grupos sociais.

Quando governos estão dissociados dos anseios de um povo, o ressentimento pode ser facilmente manipulado. Daí que o título de Os Demônios seja uma referência ao evangelho de Lucas (8, 32-36): ” Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos; rogaram-lhe, pois que lhes permitisse entrar neles, e lho permitiu. E tendo os demônios saído do homem, entraram nos porcos; e a manada precipitou-se pelo despenhadeiro no lago, e afogou-se. Quando os pastores viram o que acontecera, fugiram, e foram anunciá-lo na cidade e nos campos. Saíram, pois, a ver o que tinha acontecido, e foram ter com Jesus, a cujos pés acharam sentado, vestido e em perfeito juízo, o homem de quem havia saído os demônios; e se atemorizaram. Os que tinham visto aquilo contaram-lhes como fora curado o endemoninhado”.

A alegoria é clara: os demônios estão soltos à procura de porcos, de desavisados que caminham sem perceber para a própria desgraça. Na política, ela pode se manifestar assim, como nessa profética passagem destacada na orelha da edição que li: “No esquema dele cada membro da sociedade vigia o outro e é obrigado a delatar. Cada um pertence a todos, e todos a cada um. Todos são escravos e iguais na escravidão. Nos casos extremos recorre-se à calúnia e assassinato, mas o principal é a igualdade. A primeira coisa que fazem é rebaixar o nível da educação, das ciências e do talento. O nível elevado das ciências e das aptidões só é acessível aos talentos superiores, e os talentos superiores são dispensáveis. Os talentos superiores sempre tomaram o poder e foram déspotas. Os talentos superiores não podem deixar de ser déspotas, e sempre trouxeram mais depravação que utilidade; eles serão expulsos ou executados. A um Cícero corta-se a língua, a um Copérnico furam-se os olhos, um Shakespeare mata-se a pedradas – eis o chigaliovismo”.

No Brasil de hoje, o descompasso entre as aspirações da população e governantes hipnotizados pelos jogo do poder pelo poder já mostrou suas feições mais impulsivas nos protestos de junho de 2013. É nesse descontentamento com a corrupção e a ineficiência administrativa que apostam os defensores de uma reforma política que, ao final, será útil a grupos que repudiam o mérito como força construtiva e celebram o controle do Estado como realização máxima. Gente que vê nas leis, no Congresso e nas instituições democráticas, entraves para a evolução de seus projetos. Basta ficar atento, que tudo está acontecendo agora, neste instante.

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Os Demônios

Por Wanfil em Livros

13 de setembro de 2014

Os Demônios, de Dostoiévski (1872) - Editora 34

Os Demônios, de Dostoiévski (1872) – Editora 34

Os Demônios, obra de Fiodor Dostoiévski inspirada no noticiário sobre o assassinato de um estudante por membros de um grupo político clandestino e niilista chamado Justiça Sumária do Povo, em 1869, liderado por Sergei Nietcháiev, autor do tenebroso e fanático O Catecismo de um Revolucionário, de onde podemos extrais ilustrativas amostras de uma natureza política e moral influente até os dias de hoje: “Um revolucionário despreza toda a teoria; renuncia à ciência atual e abandona-a para as gerações vindouras. Não conhece senão uma só ciência: a da destruição”. De algo assim, nada de bom pode sair mesmo.

Pois bem, ao esboçar uma crítica a esse tipo de radicalismo, o autor de Crime e Castigo denunciou ali o germe da manipulação da intolerância e da baixa autoestima como instrumentos políticos para arregimentar e insuflar pessoas dispostas a tudo por um ideal. Esse idealismo é denunciado, com toda razão, como mero pretexto para o uso supostamente racional da violência.

De modo brilhante, quase sobrenatural, Dostoiévski antecipa aos seus contemporâneos, em Os Demônios, escrito em 1872, as bases de um processo de degradação social que terminaria, quase cinco décadas depois, na eclosão da  Revolução Russa e seu legado de horror: 30 milhões de vítimas do comunismo, somente naquele país. Mais do isso, o escritor revela a gênese de qualquer movimento radical que tenha no ímpeto destruidor sua razão de existir, delineando um perfil que pode identificar desde agentes do nazismo até os terroristas islâmicos do nosso presente, no que eles têm em comum: o ódio e a intolerância com o contraditório. Mudam nas formas externas, mas a essência é a mesma.

Dostoiévski, óleo sobre tela (1872), por Vasily Perov.

Dostoiévski, óleo sobre tela (1872), por Vasily Perov.

Basicamente, o livro narra o início e o desenvolvimento das atividades do que poderíamos chamar de célula política com função desestabilizadora. No começo, parecem patéticos, pois são poucos, embora saibam que outras células existam por aí (eles não devem manter contato entre si, para em caso de fracasso, não delatar as demais). Seus membros se imiscuem em vários órgãos do Estado e sua missão é criar problemas, de forma a excitar o descontentamento geral. No entanto, esses indivíduos atuam sobre a tessitura de uma sociedade onde a elite (no caso, a aristocracia russa), vive alienada da realidade, perdida em bailes, salamaleques, viagens à Europa e solenidades de condecorações, enquanto a população sofre com a pobreza e a ignorância. É o ambiente perfeito para prosperar as teses racistas ou de luta de classes, que objetivam personificar culpados em determinados grupos sociais.

Quando governos estão dissociados dos anseios de um povo, o ressentimento pode ser facilmente manipulado. Daí que o título de Os Demônios seja uma referência ao evangelho de Lucas (8, 32-36): ” Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos; rogaram-lhe, pois que lhes permitisse entrar neles, e lho permitiu. E tendo os demônios saído do homem, entraram nos porcos; e a manada precipitou-se pelo despenhadeiro no lago, e afogou-se. Quando os pastores viram o que acontecera, fugiram, e foram anunciá-lo na cidade e nos campos. Saíram, pois, a ver o que tinha acontecido, e foram ter com Jesus, a cujos pés acharam sentado, vestido e em perfeito juízo, o homem de quem havia saído os demônios; e se atemorizaram. Os que tinham visto aquilo contaram-lhes como fora curado o endemoninhado”.

A alegoria é clara: os demônios estão soltos à procura de porcos, de desavisados que caminham sem perceber para a própria desgraça. Na política, ela pode se manifestar assim, como nessa profética passagem destacada na orelha da edição que li: “No esquema dele cada membro da sociedade vigia o outro e é obrigado a delatar. Cada um pertence a todos, e todos a cada um. Todos são escravos e iguais na escravidão. Nos casos extremos recorre-se à calúnia e assassinato, mas o principal é a igualdade. A primeira coisa que fazem é rebaixar o nível da educação, das ciências e do talento. O nível elevado das ciências e das aptidões só é acessível aos talentos superiores, e os talentos superiores são dispensáveis. Os talentos superiores sempre tomaram o poder e foram déspotas. Os talentos superiores não podem deixar de ser déspotas, e sempre trouxeram mais depravação que utilidade; eles serão expulsos ou executados. A um Cícero corta-se a língua, a um Copérnico furam-se os olhos, um Shakespeare mata-se a pedradas – eis o chigaliovismo”.

No Brasil de hoje, o descompasso entre as aspirações da população e governantes hipnotizados pelos jogo do poder pelo poder já mostrou suas feições mais impulsivas nos protestos de junho de 2013. É nesse descontentamento com a corrupção e a ineficiência administrativa que apostam os defensores de uma reforma política que, ao final, será útil a grupos que repudiam o mérito como força construtiva e celebram o controle do Estado como realização máxima. Gente que vê nas leis, no Congresso e nas instituições democráticas, entraves para a evolução de seus projetos. Basta ficar atento, que tudo está acontecendo agora, neste instante.