Tasso Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Tasso

Caso Aécio: senador não é o Senado

Por Wanfil em Política

20 de outubro de 2017

A decisão do Senado de barrar as medidas cautelares impostas pelo STF ao senador mineiro Aécio Neves, do PSDB, nesta semana, contou com a seguinte composição: o corporativismo da maioria do legislativo, a proteção dos colegas de partido e o interesse próprio de uma penca de senadores investigados ou réus na justiça. Uns por esperteza, outros por amizade e mesmo alguns movidos pela ideia equivocada de que a independência do Senado estava em jogo, confundindo o Senado com um de seus membros, gravado pedindo dinheiro a Joesley Batista.

Desse conjunto, apenas os que estão enrolados com a lei, a começar pelo próprio Aécio, têm o que comemorar. Para o resto, o estrago foi gigantesco. O Senado passou a ser visto como antro de impunidade e o PSDB conseguiu ficar pior no filme que o PT, protagonista maior da Lava Jato, junto com o PMDB. 

A perceberem o erro, talvez tarde demais, parte do Senado cobra agora que Aécio responda ao Conselho de Ética da Casa por quebra de decoro, e parte do PSDB quer que o mineiro renuncie à presidência da sigla, da qual está apenas afastado, aprofundando a divisão entre os tucanos governistas, ligados a Temer e Aécio, e os que pedem a independência do partido, ligados ao presidente interino Tasso Jereissati. Segundo Tasso, a situação chegou ao limite, é o que informa a Folha de São Paulo. Aliás, a imprensa nacional afirma que Aécio está chateado com Tasso, que seguiu o partido e votou contra as medidas cautelares. Como recompensa, ganharam a maior crise de imagem que já experimentaram.

Para os que festejam, em silêncio, a impunidade de Aécio (gente de todos os partidos, diga-se), quanto mais todos forem vistos como farinha do mesmo saco, melhor. A conversa de políticos em maus lençóis de que suas pessoas são a quintessência das instituições que deveriam respeitar, é truque para diluir entre seus pares os ônus de seus erros particulares.

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Pesquisa mostra que o pessimismo avança no Brasil

Por Wanfil em Política

19 de Janeiro de 2016

No final de 2015 conversei com o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), em entrevista para a Tribuna Band News FM (101.7). Destaquei aqui no blog o fato de Camilo definir a si mesmo, por diversas vezes, como um otimista, mesmo diante de tantos problemas no Brasil e no Ceará. Para governistas em geral, sem discurso e sem apoio popular, o otimismo virou profissão de fé.

Naturalmente, a situação é inversa para a oposição, como é possível perceber na  entrevista que o senador Tasso Jereissati (PSDB) concedeu ao jornal O Povo, publicada na segunda (18) e marcada, a meu ver, por um sentimento de pessimismo já próximo ao desalento, com a conjunção de um governo sem rumo e um sistema político incapaz de apontar saídas para a crise. Situação destacada pelo jornal já no título da matéria: “‘Um impeachment de Dilma é improvável‘, afirma Tasso Jereissati.”

É que, de acordo com o senador, “na hora da luta pelo poder mesmo, e aí existe muito fisiologismo e clientelismo, ela [Dilma] tem maioria. Não existe maioria parlamentar para derrubá-la”. ou seja: a situação é tão ruim que mesmo com todos os descalabros, o governo se sustenta na base do velho toma lá, dá cá.

A pesquisa
Por falar em pessimismo e otimismo, por coincidência o jornal O Estado de São Paulo publicou nesta terça (19) um editorial sobre o tema. Reproduzo trecho:

“Esse desânimo crescente foi detectado por uma pesquisa do Ibope Inteligência em parceria com a Worldwide Independent Network of Market Research, feita em 68 países, a respeito das expectativas para 2016. Entre os brasileiros, a fatia dos que acreditam que este ano será melhor do que 2015 é de 50%, abaixo da média mundial, que é de 54%. Já os pessimistas, isto é, aqueles que acham que 2016 será pior, chegam a 32% da população, enquanto na média dos países pesquisados essa fatia é de apenas 16%.”

Pessimismo crescente
Em outro trecho, o editorial demonstra o avanço do pessimismo durante as gestões do PT:

“O porcentual dos que se dizem pessimistas no País era de apenas 6% em 2011, quando Dilma debutou no Planalto. No ano seguinte passou para 8%, chegou a 14% em 2014, atingiu 26% em 2015 e agora passou dos 30%. Em compensação, a fatia dos que acreditavam na melhora das condições de vida recuou de 73% em 2011 para 57% em 2014 e depois para 49% em 2015. Agora está em 50%, uma melhora insignificante. Ou seja, enquanto o sentimento positivo em relação ao futuro está estagnado, o pessimismo galopa.”

A última esperança
É isso. O próprio arrefecimento da ideia de impeachment, pelo menos por enquanto, como solução para a crise, é sintoma do que o Estadão chama de “expansão acelerada do sentimento negativo em relação ao futuro”.

Se as investigações sobre crimes eleitorais no TSE não derem em nada, resta ainda a esperança de que o pior tem data para acabar, pois forçosamente o mandato de Dilma acaba, no máximo, em três anos. Até lá, restará saber quanto nos custarão seus erros.

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As estratégias de campanha na primeira semana do horário eleitoral

Por Wanfil em Eleições 2014

22 de agosto de 2014

A horário eleitoral de 2014 começou, com aquele conjunto de regras e conceitos estéticos muito bem demonstrados pelo humorista Marcelo Adnet no vídeo Propaganda Eleitoral Gratuita A Verdadeira. As músicas, os enquadramentos, os testemunhos de sempre estão todos lá, com variações de cor, direção e qualidade, mas sem inovações.

Como a campanha ainda está no começo, a estratégia das campanhas consiste na apresentação dos candidatos.  É o momento de tentar fixar as primeiras impressões. Assim, resumo em poucas linhas o que foi, a meu ver, essa semana de estreias das principais candidaturas, segundo as últimas pesquisas de opinião:

PRESIDENTE

Dilma Rousseff (PT): foram os melhores programas para essa disputa. Não me refiro ao conteúdo político, mas ao  objetivo primordial de promover uma candidatura, sua estrutura técnica e estratégica. Neles, Dilma surge como a gestora eficiente que também é sensível e gosta de cozinhar, aquele que venceu (verbo no passado) a crise internacional e que toca grandes obras. A campanha sacrifica a imagem de liderança que se espera de um presidente, para reforçar a condição de ministra escolhida por Lula. É a continuação previsível da propaganda de 2010. Não por acaso, Lula aparece para referendar a candidata e acusar a impressa de agir como oposição, com o evidente intuito é desqualificar críticas e cobranças que deverão ser feitas no decorrer da disputa pelos adversários.

Aécio Neves (PSDB): ainda não disse a que veio. É apresentado como bom moço, político jovem e experiente, popular e competente governador de Minas Gerais. Não conseguiu ainda estabelecer contrastes com Dilma. de modo genérico fala em retomada de crescimento e intolerância contra a inflação. Pode ser estratégia, com o típico jeitinho mineiro de comer pelas beiradas, chegando de mansinho, como quem não quer nada. Enfoca bastante a expressão “bem-vindo”, para reforçar a ideia de novidade e provocar a hospitalidade do eleitor. Só depois de ganhar a confiança do público é que os programas devem ser mais incisivos.

– Marina Silva (PSB): é a surpresa do momento. Não precisa dizer nada, pois a cobertura sobre a morte do candidato Eduardo Campos a colocou em evidência. Trabalha para aparar arestas internas em sua coligação. Como já era conhecida da eleição passada, seu recall é alto.

GOVERNADOR

Eunício Oliveira (PMDB): foram os melhores programas para governador nesse começo, também no sentido estratégico, sem avaliar conteúdo político. Eunício é apresentado como um autêntico self made man. A narrativa cinematográfica é construída, com começo meio e fim. Apresenta o candidato na casa humilde em que nasceu, com direito a dramatização, seguido de uma trajetória de sucesso. É um roteiro que o público aprova. Busca testemunhos de populares e da família. No geral, os programas procuram mostrar que Eunício concilia capacidade administrativa e experiência política, tendo como maior qualidade a disposição para ouvir. Mostrou ainda imagens ao lado de Lula, de quando foi ministro do ex-presidente~. Até o momento, nem o PT, nem Lula, reclamaram.

Camilo Santana (PT): os programas lembram muito a campanha de Roberto Cláudio para prefeito de Fortaleza, em 2012: texto, música, cores e cenários parecidos, talvez para compensar o fato de que o candidato é pouco conhecido, correndo o risco de não construir uma identidade própria para o candidato. O tempo dos programas é dividido entre falas curtas de Camilo, testemunhos de Cid Gomes e membros do governo estadual, e do prefeito Roberto Cláudio. Os programas mostram obras e projetos das secretarias que foram comandadas por Camilo, para conferir sentido à escolha de Cid Gomes. Curiosamente, Camilo destaca sua capacidade de ouvir, uma reação que tenta anular o discurso de Eunício Oliveira.

Eliane Novais (PSB): é apresentada simplesmente como a candidata do partido de Eduardo Campos. Boa parte do seu tempo foi marcado por homenagens, que além de compreensíveis, ajudam a fazer uma associação da candidata com o líder agora mais do que conhecido do público. Os textos também ressaltam a coragem como qualidade inata da candidata.

Senador

Tasso Jereissati (PSDB): como dispensa apresentações para eleitores acima de 30 anos, a mensagem dos programas focou o público jovem. A aposta é deixar a história política do candidato falar por ele, mostrando imagens de realizações de Tasso enquanto governador e projetos aprovados no Senado. A imagem de político independente, sem padrinhos e com liderança própria, consciente de sua responsabilidade e apaixonado pelo Ceará é trabalhada de forma ágil e leve. Ao mostrar que foi o responsável por obras como o Porto do Pecém e o Castanhão, a campanha busca resgatar empreendimentos que até hoje aparecem na propaganda governamental, mas que aos mais jovens pareciam realizações de gestões mais recentes.

Mauro Filho (Pros): sua propaganda vem no conjunto da coligação de situação. Mauro é o candidato do Camilo, que por sua vez é o candidato do Cid. Os programas não focam, portanto, na liderança, mas na capacidade técnica do candidato, construindo um perfil que conjuga na mesma pessoa o professor acadêmico com o político e o gestor público. Também recorre aos padrinhos para ficar mais conhecido, o que é natural nessa situação, diga-se. No começo, é isso, uma escolha de confiança do governo.

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Datafolha no Ceará: início sem surpresas para o Senado

Por Wanfil em Pesquisa

16 de agosto de 2014

Foram divulgados neste sábado os números do Datafolha para as eleições ao Senado, no Ceará. O levantamento foi publicado pelo jornal o povo.

– Tasso Jereissati (PSDB_– 53%
– Mauro Filho (Pros) – 18%
– Raquel Dias (PSTU) – 5%
– Geovana Cartaxo (PSB) – 3%
– Branco/nulo – 9%
– Não sabe – 10%

Esse é o cenário que antecede o início do horário eleitoral, na próxima terça-feira. O desafio agora é traçar as estratégias certas, especialmente no caso das principai9s coligações.

A vantagem de Tasso é considerável. Se Mauro conseguisse conquistar todos os indecisos e reverter brancos e nulos, ainda ficaria 16 pontos atrás, praticamente o seu índice atual. Isso não significa que a fatura esteja certa, mas mostra o tamanho do desafio do candidato da situação.

Não existem agora as condições favoráveis que embalaram as candidaturas governistas em 2010. Naquele ano, o governo federal tinha aprovação recorde e a oposição estava isolada. A conjuntura hoje é bem diferente. Dilma chega ao quarto ano de seu mandato em situação de queda de popularidade. Pode vencer, mas não empolga e não desperta paixões. A economia desandou: o país não cresce, a inflação pressiona. Em 2014, no Ceará, ainda existe um componente adicional: a oposição ganhou o reforço do PMDB, ex-aliado ao governo estadual. Ganhou tempo e estrutura que não tinha antes.

Além do mais, o Datafolha confirma uma regra clássica das pesquisas: fica na frente quem é mais conhecido, que é o caso de Tasso. A seu favor conta a qualidade desses números: a liderança se confirma em todos os estratos e segmentos pesquisados.

Por sua vez, Mauro Filho teve a candidatura definida na última hora, em substituição ao nome de José Guimarães, seu aliado, por causa do arranjo político entre o Pros e PT, que ficou com Camilo Santana na cabeça de chapa. O fato de ser menos conhecido pode ser revertido com o horário eleitoral. Porém, esse ponto não se configura como grande vantagem, pois os tempos das coligações são parecidos. O problema mesmo é o pouco tempo para reverter a situação.

Se por um lado Tasso e Eunício possuem capital político próprio e não dependem de terceiros, por outro Mauro e Camilo dependem muito do engajamento de seus padrinhos políticos Cid e Ciro Gomes. Talvez por isso os irmãos já tenham partido para o ataque, com aquele estilo peculiar de sempre, em palanques e nas redes sociais. Agem como protagonistas da disputa, enquanto seus indicados ficam calados, na esperança de enfraquecer os adversários.

Isso também não é surpresa. Estando atrás, os governistas precisam arriscar. E o risco é saber combinar as doses de propaganda positiva a favor de seus indicados e propaganda negativa contra opositores que remete o leitor à imagem de ex-companheiros traídos por quem soube se aproveitar deles. Em eleições, assim como nos filmes, o público costuma a simpatizar com a vítima.

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Afinal, Tasso é ou não é candidato?

Por Wanfil em Eleições 2014

23 de Abril de 2014

A respeito de uma possível candidatura de Tasso Jereissati ao Senado, é preciso prestar atenção nas palavras escolhidas pelo ex-governador na reunião da Executiva Nacional do PSDB em Brasília. Tasso afirmou que se fosse “imprescindível”, poderia sair candidato. A chave para compreender esse enigma, portanto, é o adjetivo “imprescindível”, que pode assumir variados sentidos, a depender de como olhamos o cenário.

Seria imprescindível para garantir um palanque ao candidato do partido à Presidência da República, o mineiro Aécio Neves, ou seria imprescindível a presença de um nome forte nesse palanque, capaz de puxar votos? São situações bem diferentes. No primeiro caso, outro candidato que topasse abrir espaço para Aécio eliminaria a necessidade de uma volta de Tasso. No segundo, pelas pesquisas, ele seria indispensável, mesmo com um palanque garantido.

O fato é que se a possível candidatura do ex-senador não é uma realidade, pois está condicionada a circunstâncias externas, ela altera o jogo da sucessão.

Com o Pros do governador Cid Gomes e o PMDB do senador Eunício Oliveira em rota de colisão no Ceará, e com o PT de José Guimarães condicionando seu apoio a quem lhe ceder a candidatura ao Senado, a entrada de um concorrente de peso, de novo segundo as pesquisas, lança mais incertezas nas projeções eleitorais: com Tasso Jereissati na chapa, o PSDB lançaria candidato próprio ao governo estadual ou apoiaria alguém do PR ou do PMDB? Não há definição. E até que ponto essas possibilidades poderiam forçar um segundo turno? Tudo é incógnita.

A forma como essa história vem sendo conduzida por Tasso guarda coerência com o discurso de que uma volta às disputas eleitorais seria concessão a um apelo do PSDB nacional, para dar competitividade ao nome de Aécio no Ceará, contrariando seu desejo pessoal de permanecer afastado da vida pública. Acreditando-se ou não nessa versão, o elemento novo aí é que o líder do PSDB cearense deixou aberta a possibilidade de vir a concorrer em outubro.

Aí você, caro amigo, me pergunta: afinal, Tasso será candidato ou não? E eu respondo: sinceramente, acho que nem ele sabe ainda.

Esse é o texto base de minha coluna desta quarta-feira na Tribuna Band News FM 101,7.

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Cid critica Tasso e repercute propaganda da oposição

Por Wanfil em Política

07 de novembro de 2013

Na última segunda-feira (4), na propaganda partidária do PSDB cearense veiculada em rádio e televisão, o ex-senador Tasso Jereissati, sem citar nomes, deu o mote da crítica que a sigla deverá explorar em 2014: “Não dá pra ficar brincando de política. O Ceará merece respeito”. Dois dias depois, o governador Cid Gomes respondeu em sua página no Facebook: “Penso, sinceramente, e é o que farei até o final do meu governo, que alguém na condição de ex-Governador (sic) como Tasso deveria se dar ao respeito”. Por fim, o governador fez alusão depreciativa às privatizações da Coelce e do BEC (que, na verdade, foi privatizado por Lula e Antônio Palocci).

Não fica claro por qual motivo Tasso estaria impedido de criticar a atual gestão, coisa natural nas democracias. Também não se sabe porque isso seria falta de respeito. Aliás, os questionamentos na propaganda do PSDB focam temas administrativos, sem enveredar nas searas dos escândalos, das questões particulares ou das acusações de corrupção. Se fosse com o PT na oposição, aí sim o negócio seria pesado, com direito a adjetivações contundentes.

Pois bem, em sua resposta aparentemente intempestiva, Cid interpreta essa oposição comedida como agressão, o que é uma forma pouco tolerante de enxergar as divergências. Entre pedir respeito ao Ceará e mandar alguém se dar ao respeito, onde está a agressão?

O governador também desafiou Tasso a comparar suas respectivas gestões: “O desafio vale para qualquer área: Educação, Saúde, Emprego, Estradas, Habitação, Saneamento, Aeroportos, Recursos Hídricos, etc.”. Ainda que tenha feito mais – e não estou concordando ou discordando, pois essas comparações são arriscadas porque tratam de conjunturas distintas –, isso não invalida os questionamentos de opositores sobre, por exemplo, segurança pública, item que não foi relacionado por Cid no texto.

Tiro no pé ou esperteza?

No que tange às consequências desse, digamos assim, desabafo, com as informações disponíveis até o momento, tanto é possível dizer que a abordagem foi um tiro no pé, na medida em que jogou uma lente de aumento nas críticas do PSDB, como também é permitido suspeitar que existam outras motivações nas declarações, como a intenção de pautar o debate eleitoral na área de infra-estrutura, evitando, naturalmente, questões espinhosas, como a explosão da criminalidade no Ceará. Na prática, a oposição quer discutir resultados, o governo quer falar de investimentos. Se a intenção é mudar o foco do debate, a isca foi lançada.

O fato é que a propaganda eleitoral do PSDB cearense dispõe de apenas 10 minutos de inserção, diluídos em 20 comerciais de 30 segundos a serem exibidos no mês de novembro. Sem deputados estaduais ou vereadores para repercutirem seu conteúdo, faltava aos tucanos alguém que pudesse chamar a atenção geral para o seu discurso. Foi exatamente o que Cid Gomes fez: jogou luz no que carecia de iluminação própria. O resultado da estratégia do governador é de difícil avaliação, pois o fato é recente, mas já é considerável a quantidade de comentários negativos no Facebook do governador com referências aos problemas da administração.

Especulações

É preciso ainda considerar subjetividades no episódio. Não é do estilo de Cid agir ou reagir de forma açodada. Assim, o tom de orgulho ferido da resposta deixa transparecer o que parece ser uma contrariedade de caráter pessoal. São as emoções que fazem da política uma atividade imprevisível.

Outra frente de interpretações nos bastidores sugere que a reação desproporcional não se resume a uma resposta ao programa do PSDB, mas a uma articulação de várias frentes contra o governo estadual, que envolveria, além de Tasso, Eduardo Campos (governador de Pernambuco), os senadores Aécio Neves (PSDB) e  Eunício Oliveira (PMDB), e membros do Centro Industrial do Ceará (CIC). Nada confirmado. Tudo ao sabor das especulações da hora, de olho nas eleições do ano que vem.

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Cid critica Tasso e repercute propaganda da oposição

Por Wanfil em Política

07 de novembro de 2013

Na última segunda-feira (4), na propaganda partidária do PSDB cearense veiculada em rádio e televisão, o ex-senador Tasso Jereissati, sem citar nomes, deu o mote da crítica que a sigla deverá explorar em 2014: “Não dá pra ficar brincando de política. O Ceará merece respeito”. Dois dias depois, o governador Cid Gomes respondeu em sua página no Facebook: “Penso, sinceramente, e é o que farei até o final do meu governo, que alguém na condição de ex-Governador (sic) como Tasso deveria se dar ao respeito”. Por fim, o governador fez alusão depreciativa às privatizações da Coelce e do BEC (que, na verdade, foi privatizado por Lula e Antônio Palocci).

Não fica claro por qual motivo Tasso estaria impedido de criticar a atual gestão, coisa natural nas democracias. Também não se sabe porque isso seria falta de respeito. Aliás, os questionamentos na propaganda do PSDB focam temas administrativos, sem enveredar nas searas dos escândalos, das questões particulares ou das acusações de corrupção. Se fosse com o PT na oposição, aí sim o negócio seria pesado, com direito a adjetivações contundentes.

Pois bem, em sua resposta aparentemente intempestiva, Cid interpreta essa oposição comedida como agressão, o que é uma forma pouco tolerante de enxergar as divergências. Entre pedir respeito ao Ceará e mandar alguém se dar ao respeito, onde está a agressão?

O governador também desafiou Tasso a comparar suas respectivas gestões: “O desafio vale para qualquer área: Educação, Saúde, Emprego, Estradas, Habitação, Saneamento, Aeroportos, Recursos Hídricos, etc.”. Ainda que tenha feito mais – e não estou concordando ou discordando, pois essas comparações são arriscadas porque tratam de conjunturas distintas –, isso não invalida os questionamentos de opositores sobre, por exemplo, segurança pública, item que não foi relacionado por Cid no texto.

Tiro no pé ou esperteza?

No que tange às consequências desse, digamos assim, desabafo, com as informações disponíveis até o momento, tanto é possível dizer que a abordagem foi um tiro no pé, na medida em que jogou uma lente de aumento nas críticas do PSDB, como também é permitido suspeitar que existam outras motivações nas declarações, como a intenção de pautar o debate eleitoral na área de infra-estrutura, evitando, naturalmente, questões espinhosas, como a explosão da criminalidade no Ceará. Na prática, a oposição quer discutir resultados, o governo quer falar de investimentos. Se a intenção é mudar o foco do debate, a isca foi lançada.

O fato é que a propaganda eleitoral do PSDB cearense dispõe de apenas 10 minutos de inserção, diluídos em 20 comerciais de 30 segundos a serem exibidos no mês de novembro. Sem deputados estaduais ou vereadores para repercutirem seu conteúdo, faltava aos tucanos alguém que pudesse chamar a atenção geral para o seu discurso. Foi exatamente o que Cid Gomes fez: jogou luz no que carecia de iluminação própria. O resultado da estratégia do governador é de difícil avaliação, pois o fato é recente, mas já é considerável a quantidade de comentários negativos no Facebook do governador com referências aos problemas da administração.

Especulações

É preciso ainda considerar subjetividades no episódio. Não é do estilo de Cid agir ou reagir de forma açodada. Assim, o tom de orgulho ferido da resposta deixa transparecer o que parece ser uma contrariedade de caráter pessoal. São as emoções que fazem da política uma atividade imprevisível.

Outra frente de interpretações nos bastidores sugere que a reação desproporcional não se resume a uma resposta ao programa do PSDB, mas a uma articulação de várias frentes contra o governo estadual, que envolveria, além de Tasso, Eduardo Campos (governador de Pernambuco), os senadores Aécio Neves (PSDB) e  Eunício Oliveira (PMDB), e membros do Centro Industrial do Ceará (CIC). Nada confirmado. Tudo ao sabor das especulações da hora, de olho nas eleições do ano que vem.