Tasso Jereissati Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Tasso Jereissati

Destaque cearense na derrota de Renan

Por Wanfil em Política

04 de Fevereiro de 2019

Eduardo Girão, Tasso Jereissati e Davi Alcolumbre – Foto: Agência Senado.

A ruidosa derrota de Renan Calheiros (MDB-AL) na disputa pela presidência do Senado, em sessão marcada por polêmicas, foi a ilustração perfeita do choque entre o “velho que não quer passar” e o novo que tenta chegar (adaptando uma célebre frase de Ernest Bloch).

Mais do que a vitória do desconhecido Davi Alcolumbre (DEM-AP), o que marcou essa eleição foi mesmo a repulsa da opinião pública contra a chamada “velha política”, da qual Renan – com sua extensa ficha de acusações, processos e escândalos – é um dos expoentes.

A ideia de renovação permeou os discursos e enfrentamentos em sessão acompanhada (e comentada nas redes) ao vivo por milhões de eleitores. E talvez nenhuma bancada tenha representado melhor esse momento do que a do Ceará.

Por mais uma vez, o novo presidente do Senado agradeceu a Tasso Jereissati (PSDB) pelos conselhos e pela articulação política que mudou a correlação de forças na Casa. Aliás, o próprio Renan, de dedo em riste, apontou Tasso como um dos responsáveis pela mudança: “A culpa é sua!”, gritou ainda na sexta-feira.

Eduardo girão (de saída do PROS para o Podemos) foi decisivo para manter viva a campanha pelo voto aberto, que prevaleceu até ser proibida por Dias Toffoli, do STF. Responsável pela coleta de assinaturas pela transparência na eleição, Girão não recuou. E se os senadores contrários a Renan não mostrassem o voto para as câmeras, a pressão do público, via redes sociais, não surtiria o mesmo efeito.

Cid Gomes foi mais comedido durante a votação e destoou ao não defender o voto aberto. Tasso e Girão mostraram o voto em Davi Alcolumbre. De todo modo, ainda no início do processo eleitoral Cid trabalhou para montar um grupo independente que foi importante para mostrar que a disputa era possível.

É certo que o Senado, assim como o Brasil, ainda será palco para o enfrentamento entre práticas antigas e novas ideias. A história mostra que grandes mudanças não acontecem por obra de rupturas repentinas, mas por derivarem de processos lentos que se desenvolvem ao longo dos anos até culminarem em eventos marcantes. Nesse caminho, erros e acertos, avanços e retrocessos podem acontecer. Porém, mesmo lentas, é certo que estão em curso neste instante. E a maior característica dessa onda de mudanças é o peso da cobrança dos representados, sobre seus representantes.

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Após ataques ao PT, Cid procura Tasso

Por Wanfil em Política

07 de novembro de 2018

A escolha do substituto de Eunício Oliveira (MDB) na presidência do Senado, em fevereiro do ano que vem, já movimenta os bastidores da política em Brasília. Um dos nomes bem cotados entre senadores consultados pela imprensa é o do senador Tasso Jereissati (PSDB), em razão do perfil moderado, com credibilidade política e junto ao mercado e independente, seja em relação a oposição ou ao governo.

O Senado, diferentemente das assembleia legislativas, onde os governos estaduais praticamente nomeiam seus presidentes, possui uma dinâmica própria, que exige negociação e diálogo. Até agora Tasso não falou em candidatura. É cedo e o momento é de avaliação, de estudo, mas a lembrança espontânea indica que o tucano se mantém como uma das lideranças da Casa.

De certo modo, esse processo serve também de amostra para novos posicionamentos políticos que se desenham entre os partidos, com inevitáveis reflexos no Ceará.

O senador eleito Cid Gomes (PDT) procurou e foi recebido por Tasso na semana passada, informação revelada pelo portal Focus.Jor. Dias depois, Carlos Lupi, presidente do PDT, confirmou que uma frente de partidos de oposição pode apoiar o tucano para a presidência do Senado. Se isso ajuda ou atrapalha, ainda é cedo para dizer, mas o fato é que essa frente exclui o PT, que por sua vez apoia Renan Calheiros (MDB).

A busca de reaproximação com Tasso, mesmo que não resulte em aliança formal, revela mais uma vez o pragmatismo com que Ciro e Cid conduzem seu projeto político. Quando a Era Lula começou, ainda na campanha de 2006, Tasso foi isolado por ser oposição ao PT. Agora que o ciclo petista se encerrou, os irmãos, atualmente no PDT, voltam a procurar o ex-aliado. Pode ser a senha para, mais adiante, tentar pelo menos a neutralidade do PSDB em Fortaleza nas eleições municipais de 2020, com a estratégia de reduzir espaços da oposição. Se vai dar certo, só o tempo dirá.

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A arte de esperar: Eunício espera por Tasso, que espera por Eunício, que espera por Camilo, que espera por Cid, que espera por Ciro…

Por Wanfil em Política

21 de outubro de 2017

Entre as várias artes da política – falo das habilidades desenvolvidas dentro da legalidade – a de esperar é uma das mais difíceis de administrar. E quanto mais confusos o ambiente e o período, maior a necessidade de saber esperar até o último minuto, para não queimar etapas ou perder oportunidades. E como toda espera gera ansiedade, é comum que os espíritos fiquem mais sensíveis a todo tipo de interpretação, sugestão, indícios e especulações.

Atualmente, descontadas as manchetes que refletem as excitações do momento, o que temos no Ceará é um conjunto de esperas que se misturam. O senador Eunício Oliveira, que disputará uma das duas vagas em jogo para continuar no Senado, precisa de um nome que atue como carro-chefe para ao governo estadual, puxando as demais candidaturas da chapa oposicionista. Assim, espera que o senador Tasso Jereissati concorra ao Executivo: é conhecido e tem mandato garantido no Senado por mais quatro anos após as eleições.

Tasso, por sua vez, espera que Eunício feche antes com a oposição para depois escolher alguém para disputar o executivo no Estado. A estrutura de campanha e o recall de ambos fariam alavancar a candidatura oposicionista ao Palácio da Abolição.

Camilo espera que Eunício feche com o governo para enfraquecer a oposição. Eunício espera que esse flerte pressione Tasso a concorrer ao governo. Se isso não acontecer, Eunício espera que Camilo possa convencer Cid Gomes, também candidato ao Senado, por uma aliança com o ex-aliado. Cid não veta por antecipação porque espera ver como a candidatura de Ciro à Presidência da República se encaminha para então decidir o que fazer.

Nesse jogo, qualquer declaração definitiva, no estilo ou vai ou racha, será precipitação.

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Ciro mira Tasso, mas acerta Camilo

Por Wanfil em Política

16 de outubro de 2017

Com tantos alvos na mira, fica difícil manter a pontaria

Ciro Gomes afirmou, durante a convenção estadual do PDT, que uma possível candidatura do senador Tasso Jereissati ao governo do Ceará seria traição ao petista Camilo Santana. A lógica é a seguinte: o atual secretário de Planejamento, Maia Júnior, é filiado ao PSDB. Uma candidatura do partido representaria, por essa ótica, deslealdade, em razão do cargo.

Pois é. A cautela recomenda evitar comentários sobre especulações, para não passar recibo de preocupação e não produzir efeitos indesejados. É o que tem feito, por exemplo, o governador Camilo. Como Ciro é mais impulsivo, ao antecipar juízo de valor sobre o que ainda não passa de boato, acabou atingindo, involuntariamente, seu aliado. Façamos uma leitura mais atenta das implicações desse caso, por partes:

1) A nomeação de Maia Júnior não se deu por acordo fisiológico para cooptação do PSDB. Foi antes uma escolha de viés técnico, como sempre pontuaram governador e secretário. A cobrança de alinhamento eleitoral em troca da secretaria, como fez Ciro, depõe contra a postura ética do governo na formação de seu secretariado;

2) ao reclamar publicamente da possibilidade eleitoral, Ciro deixou a impressão de que não confia no potencial eleitoral do governador frente a oponentes fortes. No futebol, o treinador sempre diz que adversário não se escolhe, justamente para mostrar que não teme ninguém e que aposta mais no trabalho do seu time;

3) a necessidade “proteger” o governador reforça a velha desconfiança que acompanha toda gestão de continuidade, qual seja, a de que seus fiadores tutelam o escolhido, condição que fragiliza a imagem de independência e de liderança que se espera de um chefe do Executivo;

4) a reação desproporcional serviu para criar mais expectativas sobre uma eventual candidatura de Tasso ao governo, o que pelo menos aumenta seu papel como apoiador de outra candidatura.

Sobre o outro boato do momento, que diz respeito a um possível acordão entre governistas no Ceará e o PMDB de Eunício Oliveira, inimigos de Ciro, nada se disse. Silêncio que acabou percebido como uma autorização tácita para negociações. Nesse caso, vejam só que conveniente para o PDT, qualquer acerto será debitado na conta do governador e do PT.

Com aliados assim, quem precisa de oposição?

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Quem ganha e quem perde no Ceará com a condenação de Lula?

Por Wanfil em Política

12 de julho de 2017

Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão pelo juiz Sérgio Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex. Cabe recurso. Se a decisão for confirmada em segunda instância, o ex-presidente fica inelegível.

De todo modo, existem implicações políticas que interferem desde logo no processo eleitoral. Especialmente para seus aliados. E por incrível que pareça, no Ceará, alguns desses são os que mais podem lucrar com a condenação de Lula.

O principal adversário de Lula no Estado sempre foi o senador Tasso Jereissati, que não concorre ano que vem. E mesmo assim, sua votação se deu mais em função de méritos próprios que por contraposição a outros nomes. Nesse caso, a condenação é eleitoralmente indiferente para o tucano.

Eunício Oliveira sempre foi próximo a Lula. Foi eleito, inclusive, com seu apoio. Mas após romper com o PT do Ceará e com o impeachment de Dilma, o senador naturalmente se afastou do petista. Não é aliado, mas também não é adversário.

Ciro Gomes, ex-ministro de Lula, é quem pode se beneficiar com a condenação de Lula. Mal nas pesquisas, o pedetista pode herdar parte dos votos do ex-presidente, se este sair do páreo. A ruína de um viabiliza a candidatura do outro à Presidência. Assim, o PDT defenderá Lula, mas sem exagero. Sem contar que um bom desempenho de Ciro ajuda a puxar votos para seu grupo no Estado.

Por falar nisso, o governador Camilo Santana, por sua vez, mesmo ainda estando no PT, não tem muito a perder, afinal, sua imagem é mais atrelada a Cid Gomes, de quem foi secretário, do que propriamente de Lula.

Assim, quem mais perde mesmo são as lideranças locais do PT. O partido foi rejeitado nas eleições municipais, quando perdeu metade das prefeituras que tinha. Resta-lhes a figura de Lula, que paira acima do próprio petismo. Por isso mesmo falam em complô. É questão de sobrevivência política.

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Petistas divulgam carta cobrando Camilo por declarações de apoio a Tasso. É jogo de cena!

Por Wanfil em Partidos

02 de junho de 2017

O grupo no PT liderado pela deputada federal Luizianne Lins divulgou carta aberta cobrando o alinhamento de Camilo Santana com a campanha por eleições diretas agora para a Presidência da República. É que o governador cearense recentemente elogiou o nome do senador Tasso Jereissati (PSDB), caso aconteçam eleições indiretas, como determina a Constituição, mas que o PT oficialmente rejeita.

Desvio
Antes, uma rápida digressão. Como todos sabem, Camilo opera em consonância com Ciro Gomes, que também optou por externar publicamente preferência por Tasso, e também contrariando seu partido, o PDT. Sincronia que sugere estratégia, premeditação. Muitos viram nas declarações um gesto de aproximação com o antigo aliado, mas na política, nem sempre o que parece é. Pode haver outras razões, como expor Tasso à intrigas dentro do PSDB ou com o próprio PMDB, incomodado com as articulações de substituição a Temer. Quem vai saber?

De volta
Voltando ao assunto inicial, o PT acena com “Diretas, já” para o público, mas opera com os fatos reais nos bastidores. Em Brasília, o partido quer emplacar Aldo Rebelo (PCdoB) como vice de Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados, para o caso de eleições indiretas. Maia também é investigado na Lava Jato, onde Lula já figura como réu. Porém, esse seria um plano B, pois o ideal mesmo seria deixar Temer sangrando na Presidência: recordista de impopularidade, não ousaria ser candidato e ainda atrapalha qualquer aliado.

Por isso tudo, a carta aberta dos petistas cearenses é apenas uma satisfação de lideranças locais, especialmente de Fortaleza, para as cobranças da militância e manobra estratégia para desgastar o comando do partido, ligado ao deputado federal José Guimarães, além do próprio o governador, aliado dos Ferreira Gomes, inimigos de Luizianne. No fundo, é teatro para as bases e fogo-amigo contra a direção estadual. Bastar ler o trecho final da para isso ficar claro:

“É obrigação nossa e de nossa direção defender o PT, estancando a afronta expostas pelas declarações do governador que atordoam nossos militantes que estão nas ruas lutando contra o governo do golpe”.

Para ler a carta na íntegra, clique na imagem.

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Tasso, Meireles ou Maia no lugar de Temer: muita especulação e pouco fato

Por Wanfil em Política

30 de Maio de 2017

As especulações sobre uma eventual substituição de Michel Temer na Presidência da República, por via indireta como determina a Constituição, retroalimentam novas especulações que geram mais incertezas.

Naturalmente, sendo uma possibilidade, as conversas acontecem e a expectativa geral procura nomes. Tasso Jereissati, Henrique Meireles ou Rodrigo Maia, entre outros, despontaram como possibilidades. Tasso e Meireles pela experiência administrativa, Maia como o preferido dos deputados federais, apesar (ou por isso mesmo, quem sabe) de figurar como investigado na Lava Jato.

É improvável que Temer, mesmo com todo o desgaste, renuncie (novas denúncias podem aparecer) e qualquer julgamento, seja no TSE ou no Congresso, está sujeito a ritos que podem durar meses e meses.

Mesmo assim, com a queda do presidente virou pauta, declarações de apoio aos nomes apontados ganham espaço. Tasso foi elogiado pelo governador Camilo Santana e pelo ex-governador Ciro G0mes, embora seus respectivos partidos, PT e PDT, defendam eleições diretas, mesmo sem previsão constitucional.

Manifestações de boa convivência à parte, o mais lógico é imaginar que ao PT e ao PDT interessa mesmo a permanência de um Michel Temer enfraquecido no cargo. Estratégia inconfessável publicamente, é claro. Impopular e queimado pela JBS, Temer não poderia ser candidato e seu apoio seria um peso. É o adversário perfeito. Até desviou as atenções do público de Lula para o PMDB. Nesse sentido, qualquer outro nomes representaria uma incógnita. Vai que o sucessor se viabilizasse para 2018, não é mesmo?

O resto é bola rolando. Apostas liberadas.

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Segundo turno: presença (e ausência) de aliados nas propagandas revela estratégias opostas na reta final

Por Wanfil em Eleições 2016

25 de outubro de 2016

Na reta final do segundo turno em Fortaleza o candidato Capitão Wagner (PR) levou ao seu programa eleitoral seus apoiadores Tasso Jereissati, do PSDB, na semana passada, e Eunício Oliveira, do PMDB, nesta semana. Já nas peças de Roberto Cláudio (PDT) as figuras do governador Camilo Santana (PT) e dos ex-governadores Ciro e Cid Gomes (PDT) curiosamente ainda não apareceram.

Não obstante as qualidades e defeitos dos candidatos e de toda a comunicação feita até o momento, a presença ou a ausência de aliados nas propagandas pode ser determinante, uma vez que a disputa será decidida pelos indecisos. Todo detalhe agora é mais importante do que nunca.

Daí a opção de apresentá-los ou não, de associar imagens ou de evitar essas associações, na expectativa de agregar votos ou de evitar perdê-los. São decisões tomadas, claro, com base em pesquisas internas. Bem observadas as escolhas feitas neste segundo turno, há muito nelas que dizem respeito às próximas eleições, em 2018.

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Camilo 47%; Eunício 46%: a máquina e o sentimento de mudança

Por Wanfil em Eleições 2014

06 de outubro de 2014

O segundo turno no Ceará não foi exatamente uma surpresa, afinal, as pesquisas mostravam uma disputa acirrada. No sábado, véspera da eleição, o Ibope apontava empate técnico no limite, com ligeira vantagem para o peemedebista Eunício Oliveira: 50% a 44% contra o petista Camilo Santana. A tendência se repetiu no Datafolha: 49% a 45%. Os dois levantamentos apontavam uma apertada possibilidade de segundo turno, fato que se confirmou nas urnas, mas com posições invertidas: Camilo ficou com 47,81% dos votos, e Eunício com 46,41%.

Decisão nos detalhes
Vamos falar mais adiante sobre as causas dessa flutuação nas intenções de voto registrada no dia da votação. Mas antes chamo a atenção para a diferença entre os candidatos que continuam na disputa, em números absolutos: 59.734 votos. Para se ter uma ideia do que isso representa, basta observar que Eliane Novais (PSB) e Ailton Lopes (PSOL) terminaram juntos com 46.901 votos (5,79% do total), quatro vezes mais do que a soma de votos que separam Eunício de Camilo. Significa dizer que o segundo turno será decidido nos detalhes.

Mudança
A mudança de posições será naturalmente capitalizada pelo governo estadual como um sinal de aprovação da gestão Cid Gomes, mas é preciso cautela. Se compreendermos que os votos de Eliane e Ailton são essencialmente contrários à gestão atual, teremos uma inversão de tendência: 52,2% de não votos na candidatura oficial, contra 47,8% conferidos ao indicado do governador Cid Gomes.

É também significativo o fato de que o candidatado a deputado estadual mais votado no Ceará tenha sido Capitão Wagner (PR), justamente o maior opositor ao governo estadual. E ainda é possível contabilizar nesse quadro a votação conferida ao senador Tasso Jereissati (PSDB), outro nome de oposição que, com 2.314.796 votos (57,91%), conseguiu mais sufrágios que os candidatos ao governo.

Isso mostra que existe um sentimento de mudança no ar, mas não significa dizer que a votação desses candidatos seja integralmente transferida para Eunício no segundo turno. Não existe essa lógica linear em política e é exatamente por isso que o candidato da situação fala em mudança, para buscar seduzir esse grupo. Todavia, com a disputa acirrada, esse é o caminho para a oposição: mostrar que pode ser realmente diferente. Já o governo precisa sinalizar que mudanças devem ser feitas com cuidado, por quem já conhece o que está sendo feito; só não pode falar em continuísmo.

A máquina
Se existe um sentimento de mudança, por que então o crescimento da candidatura governista na reta final? As pesquisas estavam erradas? Bom, é preciso algumas considerações. A precisão das pesquisas tende a se volatilizar em eleições muito disputadas e com abstenção elevada. No Ceará, esse índice foi de 20% nesta eleição (igual a 2010). Não é possível afirmar em quais candidatos esses eleitores que, por diversos motivos, não compareceram às urnas, iriam votar. Por ser um grande contingente, é possível que essa ausência tenha alterado o resultado final. De qualquer modo, as tendências se confirmaram: indefinição no primeiro turno e Tasso eleito senador.

Esse é um ponto. Existe outro mais polêmico que também atuou na eleição, especialmente no domingo (5): a força da estrutura política mobilizada pelas máquinas administrativas. A ação de um exército de aliados, funcionários com cargos comissionados, militantes profissionais, prestadores de serviços, enfim, os inquilinos do poder, não pode ser menosprezada.

Abusos e falta de autoridade
Quanto mais acirrada a eleição, mais passionais ficam esses agentes. Até o próprio governador do Ceará, embora licenciado do cargo na última semana de campanha para atuar como cabo eleitoral (o único no Brasil a fazer isso), virou notícia nacional ao aparecer numa delegacia para ajudar um vereador acusado de fazer boca de urna em Sobral. Se a principal autoridade do Estado se rebaixa a esse tipo de atuação, imagine o resto.

Assim, outros casos chamaram a atenção neste final de semana, como o assessor do vereador de Fortaleza Evaldo Lima coagindo eleitores, a acusação de compra de votos contra o vereador Carlos Mesquita, denúncia de distribuição ilegal de material de campanha, carreatas irregulares e malas de dinheiro no interior, e por aí vai. Coincidentemente, esses episódios são ligados à candidatura de Camilo, fato que deveria ser levado em consideração pela justiça eleitoral. Para evitar suspeitas de ação coordenada, o governador procurou desqualificar os agentes envolvidos na contenção desses casos, acusando o Capitão Wagner de usar a polícia contra o governo, numa inacreditável confissão de carência de autoridade por parte de quem deveria, constitucionalmente, ter o comando das forças de segurança no Estado.

A impressão que ficou neste primeiro turno é de que na hora de votar, tudo o que é proibido não passa de detalhe sem importância para quem se acha acima das regras. Desse modo, o que mais impressiona mesmo é que, apesar de tudo, ainda haverá segundo turno. Se eu fosse candidato de oposição, diria que votar no candidato da situação seria optar por continuar assim como está: sem lei e sem comando. Se eu fosse governista, diria que tudo é armação do Capitão Wagner e dos institutos de pesquisa.

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Datafolha no Ceará: entre expectativas e frustrações

Por Wanfil em Pesquisa

21 de setembro de 2014

A mais recente pesquisa Datafolha para as eleições no Ceará, publicada pelo jornal O Povo neste sábado, mostra uma tendência à estabilidade na disputa, com 34% para Camilo Santana (PT), e 41% para Eunício Oliveira (PMDB), que mantém a dianteira.

O Datafolha confirma, por assim dizer, a análise que fiz na rádio Tribuna Bandnews  no dia 03 de setembro sobre a pesquisa anterior do instituto. Camilo havia avançado 12 pontos (pulando de 19% para 31%), dando a impressão de que uma onda favorável se formava. Entretanto, alertei que esse aumento se tratava ainda de transferência de votos do governador Cid Gomes para o seu escolhido. Quem quer que fosse o candidato governista, ele estaria ali na casa dos 30%, talvez um pouco mais, por herdar a preferência de parte dos que aprovam a atual gestão. Dali por diante, portanto, Camilo teria que conquistar seus próprios votos. E aí vimos que o ritmo caiu e o candidato agora apenas oscilou dentro da margem de erro de 3 pontos, frustrando aliados que nos bastidores já falavam em virada, probabilidade que causava inegável apreensão entre os partidários de Eunício.

Como eu já havia dito, o processo de transferência de Cid para Camilo atingiu o teto. Por outro lado, Eunício dá sinais de que também encontrou seu limite de intenção de voto. Se não caiu, deixando a impressão de que encontrou seu piso, também não conquistou indecisos, que são 13% dos entrevistados. Um feito, diga-se, pois descontados votos brancos e nulos, o peemedebista estaria eleito em primeiro turno com 51% das intenções de votos, contra um adversário que tem o apoio do governador e do prefeito de Fortaleza

Nessa reta final, faltando duas semanas para a eleição, um problema adicional para Camilo é o noticiário desfavorável criado pela reação desastrada de Cid Gomes,  seu fiador, no caso das denúncias do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A pesquisa não avalia o impacto do caso, mas é razoável suor que isso reduza o peso da imagem do governador como principal puxador de votos para o petista.

O Datafolha desta semana é isso: frustração para quem sonhava com uma virada e renovação das expectativas para os que a temiam.

Senado
Para o Senado, Tasso Jereissati (PSDB) subiu mais quatro pontos e aparece com 58% da preferência dos eleitores, aumentando a diferença para o segundo colocado, Mauro Filho (Pros), que registrou 19%. A diferença, de 39 pontos, quase três vezes o número de indecisos, que é de 14%. Contando somente os votos válidos, Tasso fica com 74%, contra 24% de Mauro.

A pesquisa mostra que essa é uma tendência que se repete em todos os segmentos avaliados. Como os governistas devem concentrar seus esforços na campanha de Camilo, a situação de Mauro fica mais difícil. Tasso caminha para retornar ao Senado, salvo reviravoltas monumentais de última hora.

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Datafolha no Ceará: entre expectativas e frustrações

Por Wanfil em Pesquisa

21 de setembro de 2014

A mais recente pesquisa Datafolha para as eleições no Ceará, publicada pelo jornal O Povo neste sábado, mostra uma tendência à estabilidade na disputa, com 34% para Camilo Santana (PT), e 41% para Eunício Oliveira (PMDB), que mantém a dianteira.

O Datafolha confirma, por assim dizer, a análise que fiz na rádio Tribuna Bandnews  no dia 03 de setembro sobre a pesquisa anterior do instituto. Camilo havia avançado 12 pontos (pulando de 19% para 31%), dando a impressão de que uma onda favorável se formava. Entretanto, alertei que esse aumento se tratava ainda de transferência de votos do governador Cid Gomes para o seu escolhido. Quem quer que fosse o candidato governista, ele estaria ali na casa dos 30%, talvez um pouco mais, por herdar a preferência de parte dos que aprovam a atual gestão. Dali por diante, portanto, Camilo teria que conquistar seus próprios votos. E aí vimos que o ritmo caiu e o candidato agora apenas oscilou dentro da margem de erro de 3 pontos, frustrando aliados que nos bastidores já falavam em virada, probabilidade que causava inegável apreensão entre os partidários de Eunício.

Como eu já havia dito, o processo de transferência de Cid para Camilo atingiu o teto. Por outro lado, Eunício dá sinais de que também encontrou seu limite de intenção de voto. Se não caiu, deixando a impressão de que encontrou seu piso, também não conquistou indecisos, que são 13% dos entrevistados. Um feito, diga-se, pois descontados votos brancos e nulos, o peemedebista estaria eleito em primeiro turno com 51% das intenções de votos, contra um adversário que tem o apoio do governador e do prefeito de Fortaleza

Nessa reta final, faltando duas semanas para a eleição, um problema adicional para Camilo é o noticiário desfavorável criado pela reação desastrada de Cid Gomes,  seu fiador, no caso das denúncias do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A pesquisa não avalia o impacto do caso, mas é razoável suor que isso reduza o peso da imagem do governador como principal puxador de votos para o petista.

O Datafolha desta semana é isso: frustração para quem sonhava com uma virada e renovação das expectativas para os que a temiam.

Senado
Para o Senado, Tasso Jereissati (PSDB) subiu mais quatro pontos e aparece com 58% da preferência dos eleitores, aumentando a diferença para o segundo colocado, Mauro Filho (Pros), que registrou 19%. A diferença, de 39 pontos, quase três vezes o número de indecisos, que é de 14%. Contando somente os votos válidos, Tasso fica com 74%, contra 24% de Mauro.

A pesquisa mostra que essa é uma tendência que se repete em todos os segmentos avaliados. Como os governistas devem concentrar seus esforços na campanha de Camilo, a situação de Mauro fica mais difícil. Tasso caminha para retornar ao Senado, salvo reviravoltas monumentais de última hora.