subserviência Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

subserviência

Dilma bate recorde de aprovação? Agora é que o Ceará fica sem nada mesmo

Por Wanfil em Ceará

20 de Março de 2013

Diante de um governo federal com popularidade recorde, a maioria das forças estaduais se rende ao pragmatismo da subserviência.

Diante de um governo federal com popularidade recorde, a maioria das forças estaduais se rende ao pragmatismo da subserviência.

O Ibope divulgou nova pesquisa mostrando que o governo da presidente Dilma é aprovado por 63% dos brasileiros. No nordeste, esse número sobe para 85%. É um recorde que explica muito sobre a dinâmica da política feita no Ceará nos últimos anos.

Governismo profissional

Um dos efeitos mais evidentes é o fato de que todos por aqui, com raríssimas exceções, querem ser aliados do governo federal, independente de eventuais diferenças locais, de escrúpulos morais ou ideológicos. Aliás, o segredo é ser, quando menos, amoral e apartidário. De resto, no Brasil, é muito mais fácil e cômodo ser eleito a qualquer cargo quando se está nas fileiras do governismo.

Como consequência dessa disposição adesista, a nova oposição, sem o esteio de estratégias de ocupação de espaços na sociedade civil e longe das benesses oficiais, enfraqueceu a ponto de virar espécie em risco de extinção. E assim nessa toada, conseguimos a proeza de ter uma das bancadas federais mais obedientes vontades do poder central, sem que isso se traduza em prestígio político. Pelo contrário, quanto mais se mostram servis, mais são desprezados.

Cadê a refinaria, senhores governistas?

Prova disso é a surrada promessa da refinaria que a Petrobras construiria no Ceará. Trata-se do mais acintoso estelionato eleitoral já visto no estado, sobre o qual não se ouve uma miserável crítica das nossas autoridades, que teimam em citar a obra inexistente como prova de compromisso e de força política.

Aliás, por falar nisso, a Petrobras divulgou seu plano de negócios até 2017. Sobre novas refinarias, está lá o seguinte (grifos meus):

A carteira em implantação prevê investimentos de US$ 43,2 bilhões no Abastecimento, sendo os principais projetos a Refinaria Abreu e Lima e a primeira fase do Comperj. (…) Os investimentos em expansão da capacidade de refino da carteira em avaliação avançaram na maturidade da fase de elaboração dos seus respectivos projetos. Atualmente, passam por otimização buscando o alinhamento com métricas internacionais.

Traduzindo: a refinaria prometida aos cearenses não sairá do papel.

Servidão voluntária

Com o Executivo estadual a coisa não é muito diferente. O governador Cid Gomes abriu uma dissidência interna no PSB para minar a pré-candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República, o que facilita o projeto de reeleição de Dilma. Entre o correligionário e a presidente popular, fez-se uma escolha, digamos assim, pragmática. É um estilo político que garante sucesso no curto prazo, mas que com o tempo gera desconfiança, tanto que o grupo do governador não consegue se estabelecer como liderança nacional em partido algum.

Como explicar a popularidade do governo federal no Ceará? Simples, sem opositores e com aliados bem comportados, a distribuição de dinheiro através de programas assistencialistas dá conta do recado. São ações que aliviam a miséria, mas não a eliminam. Politicamente, entretanto, servem para garantir a elevada aprovação da presidente e a subserviência de seus companheiros estaduais. Como dizem, o rio corre para o mar. O risco, nesse caso, é o mar engolir o rio.

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Dilma bate recorde de aprovação? Agora é que o Ceará fica sem nada mesmo

Por Wanfil em Ceará

20 de Março de 2013

Diante de um governo federal com popularidade recorde, a maioria das forças estaduais se rende ao pragmatismo da subserviência.

Diante de um governo federal com popularidade recorde, a maioria das forças estaduais se rende ao pragmatismo da subserviência.

O Ibope divulgou nova pesquisa mostrando que o governo da presidente Dilma é aprovado por 63% dos brasileiros. No nordeste, esse número sobe para 85%. É um recorde que explica muito sobre a dinâmica da política feita no Ceará nos últimos anos.

Governismo profissional

Um dos efeitos mais evidentes é o fato de que todos por aqui, com raríssimas exceções, querem ser aliados do governo federal, independente de eventuais diferenças locais, de escrúpulos morais ou ideológicos. Aliás, o segredo é ser, quando menos, amoral e apartidário. De resto, no Brasil, é muito mais fácil e cômodo ser eleito a qualquer cargo quando se está nas fileiras do governismo.

Como consequência dessa disposição adesista, a nova oposição, sem o esteio de estratégias de ocupação de espaços na sociedade civil e longe das benesses oficiais, enfraqueceu a ponto de virar espécie em risco de extinção. E assim nessa toada, conseguimos a proeza de ter uma das bancadas federais mais obedientes vontades do poder central, sem que isso se traduza em prestígio político. Pelo contrário, quanto mais se mostram servis, mais são desprezados.

Cadê a refinaria, senhores governistas?

Prova disso é a surrada promessa da refinaria que a Petrobras construiria no Ceará. Trata-se do mais acintoso estelionato eleitoral já visto no estado, sobre o qual não se ouve uma miserável crítica das nossas autoridades, que teimam em citar a obra inexistente como prova de compromisso e de força política.

Aliás, por falar nisso, a Petrobras divulgou seu plano de negócios até 2017. Sobre novas refinarias, está lá o seguinte (grifos meus):

A carteira em implantação prevê investimentos de US$ 43,2 bilhões no Abastecimento, sendo os principais projetos a Refinaria Abreu e Lima e a primeira fase do Comperj. (…) Os investimentos em expansão da capacidade de refino da carteira em avaliação avançaram na maturidade da fase de elaboração dos seus respectivos projetos. Atualmente, passam por otimização buscando o alinhamento com métricas internacionais.

Traduzindo: a refinaria prometida aos cearenses não sairá do papel.

Servidão voluntária

Com o Executivo estadual a coisa não é muito diferente. O governador Cid Gomes abriu uma dissidência interna no PSB para minar a pré-candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República, o que facilita o projeto de reeleição de Dilma. Entre o correligionário e a presidente popular, fez-se uma escolha, digamos assim, pragmática. É um estilo político que garante sucesso no curto prazo, mas que com o tempo gera desconfiança, tanto que o grupo do governador não consegue se estabelecer como liderança nacional em partido algum.

Como explicar a popularidade do governo federal no Ceará? Simples, sem opositores e com aliados bem comportados, a distribuição de dinheiro através de programas assistencialistas dá conta do recado. São ações que aliviam a miséria, mas não a eliminam. Politicamente, entretanto, servem para garantir a elevada aprovação da presidente e a subserviência de seus companheiros estaduais. Como dizem, o rio corre para o mar. O risco, nesse caso, é o mar engolir o rio.