SSPDS Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

SSPDS

Milagres: as mesmas respostas de sempre

Por Wanfil em Segurança

10 de dezembro de 2018

O governador cearense Camilo Santana pediu desculpas às famílias dos seis reféns mortos durante um pesado tiroteio entre policiais e bandidos que tentavam roubar um banco em Milagres, no dia 7 de dezembro, em razão das declarações precipitadas e desencontradas que fez sobre o episódio. Está certíssimo, porém, mais uma vez, com atraso. Em cerimônia no Instituto do Câncer, nesta segunda (10) Camilo também informou que 12 policiais envolvidos no caso foram transferidos temporariamente de suas funções e que uma equipe foi formada para investigar o ocorrido.

De fato é necessário aguardar as apurações. As circunstâncias, as eventuais imponderabilidades ou falhas, a qualidade do treinamento aos agentes, o planejamento e acompanhamento da inteligência e do comando no decorrer da operação que conduziu a força policial de encontro a quadrilha de assaltantes, tudo isso precisa ser esclarecido. Ninguém discorda.

Mas se tem algo que desde já pode ser constatado é o modelo de reação do governo estadual diante de acontecimentos constrangedores relacionados à segurança pública. Sejam chacinas, rebeliões ou mortes de inocentes, e principalmente quando os casos ganham repercussão nacional, as primeiras declarações das autoridades no Ceará seguem um padrão defensivo, jamais admitindo nem sequer a hipótese de erros ligados a gestão. A determinação com que tentam convencer o público e a si mesmos dessa, digamos, imunidade, é impressionante e reveladora de profunda insegurança.

No evento de Milagres, após as declarações do primeiro momento, carentes ainda de maiores informações para serem proferidas, e que enalteciam o impedimento do roubo quando a tragédia estava na morte dos reféns, apenas seguiram um roteiro pré-formatado. Só depois, constatada a repercussão negativa, é que vem o segundo passo: o silêncio. As postagens diárias nas redes sociais cessam. É o tempo de pensar um novo discurso para reduzir o estrago de imagem. O novo discurso, invariavelmente, diz que tudo será investigado e que medidas administrativas (que nunca chegam ao comando) foram tomadas.

Aguardemos as investigações, mais uma vez. Enquanto isso a Secretaria de Segurança e o Governo do Ceará podem rever seus protocolos de comunicação para emergências nessa área. Se existe uma certeza, infelizmente, é de que as chances de que outros casos dessa natureza aconteçam é muito considerável.

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Roubos caem, apreensão de drogas e armas sobe, mas homicídios disparam no Ceará: seguro ou inseguro?

Por Wanfil em Segurança

18 de julho de 2017

Números oficiais apontam para direções opostas na Segurança (Divulgação SSPDS)

O secretário de Segurança Pública, André Costa, divulgou nesta -terça-feira em coletiva de imprensa números relativos ao trabalho de combate ao crime no primeiro semestre de 2017, em comparação com o mesmo período do ano passado:

Apreensão de drogas: amento de 117,6%
Apreensão de armas: aumento de 26,6%
Prisões qualificadas (assaltantes, traficantes, homicidas e pessoas portando armas):  aumento de 8,9%
Latrocínios: queda de 8,2%
Roubos e furtos a bancos: queda 12,1%

São bons números, é inegável. Ocorre que na contramão desses resultados positivos, os homicídios têm registrado grande aumento. De acordo com dados da própria SSPDS divulgados no início de julho, os assassinatos aumentaram 31,9% no primeiro semestre de 2017. Em junho, os números subiram 91% em relação ao mesmo mês do ano passado. Na capital, o crescimento foi de 217,7%.

Nesse caso o problema, e sempre existe um problema, é que os relatórios nacionais e internacionais de segurança pública levam em consideração, na hora de fazer os rankings da violência, o índice de homicídios, onde o Ceará tem aparecido nas primeiras colocações.

Estamos diante de um contraste estatístico que aponta duas direções aparentemente opostas. A não ser que a morte de bandidos numa guerra de quadrilhas esteja puxando os demais índices para baixo, algo difícil de conceber, posto que seria a bandidagem tratando de reduzir a criminalidade à bala.

Resta ainda a possibilidade de que o aumento nas apreensões esteja relacionado a um provável aumento na circulação de armas e drogas, decorrente de um ambiente mais inseguro.

Por fim, resta saber se o cidadão se sente mais ou menos seguro. Se tivesse que apostar, diria que o impacto dos homicídios ofuscam a melhora nos demais itens.

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A verdadeira causa da onda de policiais assassinados

Por Wanfil em Segurança

21 de novembro de 2016

O portal Tribuna do Ceará mostra que 27 policiais foram assassinados no Ceará em 2016, a maioria quando estava de folga, vítima de latrocínio.

Segundo o secretário de Segurança Delci Teixeira, esses mortes estão relacionadas a “fatores inesperados” que provocaram o “instinto policial” das vítimas. O problema é que se nos limitarmos a essa leitura, as vítimas acabam prioritariamente responsabilizadas pelas próprias mortes, tomadas então como meras fatalidades. E não é bem assim que a coisa acontece: esses assassinatos decorrem, antes, do intenso volume de assaltos no Ceará. Em outra palavras: a grande quantidade de mortes de policiais de folga é resultado direto e proporcional ao aumento geral de assaltos.

Segundo a SSPDS, de janeiro a outubro deste ano foram registrados 60.847 casos de “crimes violentos contra o patrimônio”, já próximo ao que foi contabilizado em 2015, com 60.964 registros. São números impressionantes e que muito provavelmente são subnotificado, uma vez que nem todos que são assaltados fazem Boletim de Ocorrência.

Se fosse o caso de hierarquizar causas, o “instinto policial” é acionado como ação de legítima defesa face ao “instinto violento” dos assaltantes. Se os assaltos estivessem diminuindo no estado, as reações causadas por esse tipo de crime – bem como as mortes – também diminuiriam. E o que temos é o contrário disso.

Nesse, digamos, ambiente degradado, o mais grave é perceber que o risco aumenta justamente quando o agente de segurança está de folga ou na reserva, não obstante o fato de que a exposição à violência é algo inerente à profissão. Chegamos ao ponto de ser mais seguro, para um policial, está de serviço.

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Secretaria afirma que homicídios reduziram em 2013 no Ceará; eu provo que aumentaram

Por Wanfil em Ceará, Segurança

06 de agosto de 2013

A Secretaria da Segurança divulgou nesta segunda-feira (5), números que mostram redução de quase 10% na quantidade de homicídios dolosos registrados no segundo trimestre de 2013, em comparação com o primeiro trimestre do mesmo ano. “Entre janeiro e março foram registrados 1.074 crimes de morte no Estado contra 962 nos três meses seguintes”, informa a SSPDS.

Numa área carente de boas novas, a notícia sugere, se não uma solução, pelo menos um alívio. A primeira impressão que decorre dessa divulgação é a de que 2013 apresenta, finalmente, um recuo que pode indicar, quem sabe, o início de uma tendência declinante. Mas se o números não mentem, as aparências enganam. E assim, se compararmos esses dados com o mesmo período do ano passado, a coisa muda de figura.

De abril a junho de 2012, foram registrados 868 homicídios dolosos, contra 962 deste ano, um crescimento aproximado de 11%.  Então o que parece diminuição da violência, quando visto de forma mais ampla, se torna, na verdade, aumento da criminalidade. Os dados podem ser conferidos no site da própria secretaria.

Selecionar um período em que os números possam apresentar estatísticas aparentemente positivas não chega a ser propriamente uma mentira, mas é uma conveniência que beira a manipulação e que deixa no ar a impressão de o governo busca induzir o público a uma leitura equivocada dos números. A suspeita pode ainda ser reforçada pelo fato do secretário Francisco Bezerra ir à Assembleia Legislativa na quarta-feira (7), falar sobre as ações de segurança no Estado.

E olha que a situação pode ser ainda pior. É que o IPEA divulgou o Mapa dos Homicídios Ocultos no Brasil, mostrando que, em 15 anos, cerca de 2,6 mil homicídios deixaram de ser contabilizados no Ceará.

A gravidade do momento que vive o Estado, o medo, as mortes, os assaltos e tudo mais, exige absoluta transparência e franqueza em tudo o que for relacionado a área de segurança, para que se possa ter a real dimensão do problema e o encaminhamento de soluções viáveis. Truques estatísticos podem até gerar uma falsa sensação de melhoria que, não obstante, no dia a dia, ninguém constata nas ruas, aumentando o descrédito das autoridades. É tiro no pé.

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A eminência parda e a rainha da Inglaterra na Secretaria de Segurança do Ceará

Por Wanfil em Ceará, Segurança

08 de Abril de 2013

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) agora conta com a ajuda extraoficial do ex-governador e ex-ministro Ciro Ferreira Gomes, que ultimamente tem comparecido ao órgão com frequência com a missão de acompanhar as ações da pasta, embora até o momento não haja nomeação alguma nesse sentido no Diário Oficial do Estado.

Segundo o governador Cid Gomes, irmão mais novo e herdeiro político de Ciro, a contribuição é voluntária e atende a um pedido pessoal do próprio governador.

Sem desculpas

É inegável que Ciro Gomes, que no passado já foi uma das maiores promessas políticas do Brasil, tem todo o  direito de querer ajudar o irmão a escapar do completo fiasco na área da segurança pública, bandeira de campanha mais famosa do governador. Pior que o mais implacável crítico e o mais ferrenho opositor (caso ainda exista um), é parecer fracassado diante da população que apostou suas fichas nessa gestão. E o fato é que a incompetência do governo em prover soluções para a alta da criminalidade no estado não pode mais ser disfarçada com pirotecnias ou desculpas.

Aliás, diga-se de passagem, o próprio pedido de ajuda do governador ao irmão mais experiente é sinal reluzente de que o incômodo que a sociedade vive nessa área finalmente chegou ao centro das preocupações governo. Talvez seja tarde demais para a atual administração. De qualquer forma, o sinal vermelho acendeu.

Quem manda na SSPDS?

O problema é que a informalidade da presença de Ciro na secretaria cria um quadro de confusão e de incertezas que termina por complicar ainda mais a situação. Afinal, Ciro presta contas a quem? Somente ao governador? Qual sua autoridade para emitir eventuais ordens ou determinações? O fato é que essa participação sem lastro oficial acaba criando a figura da eminência parda, ou seja, abre um comando paralelo que termina por enfraquecer o próprio secretário Francisco Bezerra, que agora fica com cara de rainha da Inglaterra, mero enfeite burocrático sem poder de fato.

Tanto isso é verdade, que Cid Gomes já precisou vir à público dizer que não pretende promover mudanças na cúpula da Segurança. Ora, quando um gestor se vê na situação de negar a possível demissão de um secretário é porque já existem pressões nesse sentido atuando fortemente. Além disso, fica a desconfiança de que a mudança não será necessária justamente porque é Ciro quem dá as cartas no órgão.

Comando disperso

Nas questões de poder, não existe vácuo. Se o secretário Francisco Bezerra e Ciro Gomes divergirem em algum ponto, muito provavelmente a opinião do irmão do governador prevalecerá. Mas existe o outro lado da moeda. Ciro talvez não possa assumir oficialmente cargos na Segurança por não possuir liderança sobre o efetivo policial. Durante a greve que paralisou a Polícia Militar e o governador Cid Gomes no início de 2012, Ciro bateu de frente com a categoria. Em um de seus arroubos característicos, chamou os grevistas de marginais fardados. Assim, o ex-governador pode até contar com o aval do irmão para atuar, mas sua presença ali é causa de constrangimento diante dos comandados. Daí a necessidade de manter uma rainha da Inglaterra no organograma da pasta.

Desse jeito, a ajuda tal voluntária de Ciro acaba por se transformar em mais um ponto de dispersão de energia (e recursos) que tanto caracteriza a gestão Cid Gomes na Segurança Pública, sem que apareçam os devidos resultados.

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A eminência parda e a rainha da Inglaterra na Secretaria de Segurança do Ceará

Por Wanfil em Ceará, Segurança

08 de Abril de 2013

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) agora conta com a ajuda extraoficial do ex-governador e ex-ministro Ciro Ferreira Gomes, que ultimamente tem comparecido ao órgão com frequência com a missão de acompanhar as ações da pasta, embora até o momento não haja nomeação alguma nesse sentido no Diário Oficial do Estado.

Segundo o governador Cid Gomes, irmão mais novo e herdeiro político de Ciro, a contribuição é voluntária e atende a um pedido pessoal do próprio governador.

Sem desculpas

É inegável que Ciro Gomes, que no passado já foi uma das maiores promessas políticas do Brasil, tem todo o  direito de querer ajudar o irmão a escapar do completo fiasco na área da segurança pública, bandeira de campanha mais famosa do governador. Pior que o mais implacável crítico e o mais ferrenho opositor (caso ainda exista um), é parecer fracassado diante da população que apostou suas fichas nessa gestão. E o fato é que a incompetência do governo em prover soluções para a alta da criminalidade no estado não pode mais ser disfarçada com pirotecnias ou desculpas.

Aliás, diga-se de passagem, o próprio pedido de ajuda do governador ao irmão mais experiente é sinal reluzente de que o incômodo que a sociedade vive nessa área finalmente chegou ao centro das preocupações governo. Talvez seja tarde demais para a atual administração. De qualquer forma, o sinal vermelho acendeu.

Quem manda na SSPDS?

O problema é que a informalidade da presença de Ciro na secretaria cria um quadro de confusão e de incertezas que termina por complicar ainda mais a situação. Afinal, Ciro presta contas a quem? Somente ao governador? Qual sua autoridade para emitir eventuais ordens ou determinações? O fato é que essa participação sem lastro oficial acaba criando a figura da eminência parda, ou seja, abre um comando paralelo que termina por enfraquecer o próprio secretário Francisco Bezerra, que agora fica com cara de rainha da Inglaterra, mero enfeite burocrático sem poder de fato.

Tanto isso é verdade, que Cid Gomes já precisou vir à público dizer que não pretende promover mudanças na cúpula da Segurança. Ora, quando um gestor se vê na situação de negar a possível demissão de um secretário é porque já existem pressões nesse sentido atuando fortemente. Além disso, fica a desconfiança de que a mudança não será necessária justamente porque é Ciro quem dá as cartas no órgão.

Comando disperso

Nas questões de poder, não existe vácuo. Se o secretário Francisco Bezerra e Ciro Gomes divergirem em algum ponto, muito provavelmente a opinião do irmão do governador prevalecerá. Mas existe o outro lado da moeda. Ciro talvez não possa assumir oficialmente cargos na Segurança por não possuir liderança sobre o efetivo policial. Durante a greve que paralisou a Polícia Militar e o governador Cid Gomes no início de 2012, Ciro bateu de frente com a categoria. Em um de seus arroubos característicos, chamou os grevistas de marginais fardados. Assim, o ex-governador pode até contar com o aval do irmão para atuar, mas sua presença ali é causa de constrangimento diante dos comandados. Daí a necessidade de manter uma rainha da Inglaterra no organograma da pasta.

Desse jeito, a ajuda tal voluntária de Ciro acaba por se transformar em mais um ponto de dispersão de energia (e recursos) que tanto caracteriza a gestão Cid Gomes na Segurança Pública, sem que apareçam os devidos resultados.