SRH Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

SRH

Sugestão aos deputados para vistoria das barragens rachadas no Ceará: perguntem pelos responsáveis

Por Wanfil em Política

14 de Fevereiro de 2019

Parede da barragem no açude Lima Campos, em Icó (CE): Onde estão os responsáveis?

Após a repercussão da tragédia na barragem de rejeitos minerais da Vale em Brumadinho (MG), os cearenses descobriram que oito barragens de armazenamento de água no estado são consideradas de alto risco pela Agência Nacional das Águas (ANA).

Para tranquilizar a população, o secretário Francisco Teixeira, dos Recursos Hídricos (SRH), explicou que por causa do baixo volume nesses reservatórios, efeito da seca, não há risco de rompimento. Pois é.

Mesmo assim, deputados estaduais da base aliada protocolaram requerimentos solicitando vistorias nesses equipamentos. Perfeito. Mostram sintonia com um problema que não vem de hoje, mas que demanda ação das autoridades.

Os parlamentares podem ir além e buscar informações sobre os caminhos que levaram essas estruturas – estaduais e federais – a essa situação de degradação. Afinal, não existe efeito sem causa. Alguém tem que dar explicações e, se for o caso, ser afastado das funções.

Para isso, basta fazer perguntas básicas do jornalismo: De quem é a responsabilidade pela manutenção e fiscalização das barragens públicas no Ceará? E quem, nos últimos anos, foram os políticos que os indicaram para ocupar cargos o Dnocs e na Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh)? É só uma sugestão. Talvez sejam nomes de aliados dos deputados, certamente um constrangimento. Mas nesse caso, qualquer lapso nesse sentido poderia no final, contrariando as melhores intenções, encobrir responsabilidades.

É que no Brasil, a omissão e a impunidade sempre estão à frente da prevenção e da punição (que tem inegável efeito pedagógico). Por isso tragédias e prejuízos se repetem.

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Governo compra salas sem licitação em Sobral. Daqui pra frente, nada vai ser diferente

Por Wanfil em Ceará

03 de Janeiro de 2014

No que concerne à política, dois fatos fazem 2014 no Ceará parecer velho, quase um “cadáver adiado que procria”, como dizia Fernando Pessoa. São eles a adutora de Itapipoca que não funcionou e agora a compra de um andar inteiro de um prédio de salas comerciais em Sobral, sem licitação. Vistos com atenção, os casos trazem à tona um deja vu de patrimonialismo e compadrio político seculares.

A adutora arruinada

Como todos sabem, 2013 acabou marcado pelo fiasco do vazamento na adutora de Itapipoca. A obra, que custou 18 milhões de reais aos cofres públicos, após reparos de emergência, funciona distante da vazão prevista. O projeto, importante para amenizar os efeitos da seca, virou, literalmente, uma grande e cara gambiarra.

O pior é que, administrativamente, nenhuma providência foi tomada até o momento. Não adianta o governador mergulhar em tanques ou pedir investigação policial para as empresas envolvidas, se simultaneamente optar por passar a mão nas cabeças dos gestores responsáveis pela fiscalização e pelos pagamentos da obra que virou sucata antes de funcionar.

Procura-se para explicações

O secretário de Recursos Hídricos do Ceará, César pinheiro, indicado ao cargo por Eunício Oliveira, e o superintendente da Sohidra, senhor Leão Montezuma, que tem relações estreitíssimas com o ex-prefeito de Sobral, Leônidas Cristino, até agora não se pronunciaram. Por algum bom motivo, Cid Gomes não cobra a dupla publicamente. E assim, apesar de serem legalmente os responsáveis pelo contrato da adutora, continuam firmes em seus cargos, gerenciando obras e recursos públicos. Procurados pela TV Jangadeiro, os dois evitam falar sobre o assunto.

 

César Pinheiro, da SRH,  e Leão Montezuma, da Sohidra. Foto: Governo do Estado

César Pinheiro, da SRH, e Leão Montezuma, da Sohidra . Fotos: Governo do Estado


Desse jeito, fica a impressão de que o governo do Ceará procura, por conveniência, preservar arranjos políticos eleitoreiros em detrimento da competência administrativa.

Um luxo

Como se não bastasse isso, o ano novo já começa com a notícia de que o governo estadual comprou um andar inteiro de um prédio em Sobral para abrigar uma sede regional. Aí, dois detalhes chamam a atenção: primeiro, inexplicavelmente, houve dispensa de licitação; segundo, a obra só ficará pronta no final de 2015, um ano depois de encerrada a gestão Cid Gomes.

Não há como alegar urgência para justificar a compra, que custou R$ 2 milhões ao contribuinte. Fora o condomínio das 18 salas adquiridas numa obra de luxo diretamente junto a uma construtora às vésperas do ano eleitoral. Em entrevista à Veja, em novembro do ano passado, o próprio governador Cid Gomes disse que quantos mais concorrentes em uma licitação, melhor para evitar direcionamentos e sobrevalorizações.

Pois é. Falar é fácil. Nomear apadrinhados políticos de partidos aliados e torrar dinheiro do contribuinte também. Dar explicações e cobrar competência técnica é que parece difícil.

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Como conter os vazamentos invisíveis da gestão? Demitindo os incompetentes, ora!

Por Wanfil em Ceará

25 de dezembro de 2013

A imagem do governador Cid Gomes de enxada na mão trabalhando para conter o vazamento de uma adutora que ao ser inaugurada rompeu devido a pressão da água, é o retrato de uma calamidade silenciosa: o governo investe alto, mas serviço fica aquém do esperado da expectativa. As fotos estão publicadas no portal Tribuna do Ceará.

Cid Gomes de enxada na mão para conter vazamento em adutora em Itapipoca. Foto: Eldem/Tribuna do Ceará

Cid Gomes de enxada na mão para conter vazamento em adutora em Itapipoca. Foto: Eldem/Tribuna do Ceará

 

O episódio aconteceu na última segunda-feira, em Itapipoca, cidade onde os moradores estão sem água por causa da seca. Lá, um garrafão de água mineral com 20 litros custa R$ 25,00. Ao saber do fiasco, o governador foi ao local e arregaçou as mangas para conter o vazamento de uma obra que custou R$ 19,8 milhões aos cofres públicos. Cid determinou ainda a abertura de inquérito administrativo e policial para investigar o caso.

O empenho da autoridade máxima do Estado nesse instante de sufoco é louvável e serve, simbolicamente, de recado para sua própria equipe: Será que eu (Cid) preciso fazer tudo? A resposta, todos sabem: não!

Vejam o caso da Segurança Pública: o governador não precisa patrulhar as ruas pessoalmente para conter a onda de violência. Tem é que administrar, eleger prioridades e dar as condições para especialistas trabalharem, nem que para isso, tenha que mudar o secretário ou o comando da polícia, caso os resultados não apareçam.

Em relação à seca, é a mesma coisa. A secretaria de Recursos Hídricos, responsável pela adutora, através da Sohidra, e a própria secretaria de agricultura, se mostraram até agora dois grandes fiascos.

Existe ainda um segundo recado na atitude de Cid. Ir ao local e trabalhar como operário foi uma forma de mostrar solidariedade com os moradores de Itapipoca, e de forma mais ampla, com as vítimas da seca. Um jeito de dizer “estou aqui com vocês”.  Mas reclamar, fazer torcida ou pegar na enxada não adianta. Tem é que botar para correr quem não mostra operacionalidade, enquanto a investigação esclarece se o que aconteceu foi apenas uma soma de incompetências, ou se houve má fé, como a utilização de material inapropriado para baratear o empreendimento e embolsar a diferença.

Obras que se desfazem antes de começarem a funcionar são a materialização de outros vazamentos, de rachaduras e de remendos mal feitos, invisíveis aos olhos do público, pois atuam na estrutura administrativa do Estado, que deve ser fiscalizada pelos secretários e, em última instância, pelo governador.

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Como conter os vazamentos invisíveis da gestão? Demitindo os incompetentes, ora!

Por Wanfil em Ceará

25 de dezembro de 2013

A imagem do governador Cid Gomes de enxada na mão trabalhando para conter o vazamento de uma adutora que ao ser inaugurada rompeu devido a pressão da água, é o retrato de uma calamidade silenciosa: o governo investe alto, mas serviço fica aquém do esperado da expectativa. As fotos estão publicadas no portal Tribuna do Ceará.

Cid Gomes de enxada na mão para conter vazamento em adutora em Itapipoca. Foto: Eldem/Tribuna do Ceará

Cid Gomes de enxada na mão para conter vazamento em adutora em Itapipoca. Foto: Eldem/Tribuna do Ceará

 

O episódio aconteceu na última segunda-feira, em Itapipoca, cidade onde os moradores estão sem água por causa da seca. Lá, um garrafão de água mineral com 20 litros custa R$ 25,00. Ao saber do fiasco, o governador foi ao local e arregaçou as mangas para conter o vazamento de uma obra que custou R$ 19,8 milhões aos cofres públicos. Cid determinou ainda a abertura de inquérito administrativo e policial para investigar o caso.

O empenho da autoridade máxima do Estado nesse instante de sufoco é louvável e serve, simbolicamente, de recado para sua própria equipe: Será que eu (Cid) preciso fazer tudo? A resposta, todos sabem: não!

Vejam o caso da Segurança Pública: o governador não precisa patrulhar as ruas pessoalmente para conter a onda de violência. Tem é que administrar, eleger prioridades e dar as condições para especialistas trabalharem, nem que para isso, tenha que mudar o secretário ou o comando da polícia, caso os resultados não apareçam.

Em relação à seca, é a mesma coisa. A secretaria de Recursos Hídricos, responsável pela adutora, através da Sohidra, e a própria secretaria de agricultura, se mostraram até agora dois grandes fiascos.

Existe ainda um segundo recado na atitude de Cid. Ir ao local e trabalhar como operário foi uma forma de mostrar solidariedade com os moradores de Itapipoca, e de forma mais ampla, com as vítimas da seca. Um jeito de dizer “estou aqui com vocês”.  Mas reclamar, fazer torcida ou pegar na enxada não adianta. Tem é que botar para correr quem não mostra operacionalidade, enquanto a investigação esclarece se o que aconteceu foi apenas uma soma de incompetências, ou se houve má fé, como a utilização de material inapropriado para baratear o empreendimento e embolsar a diferença.

Obras que se desfazem antes de começarem a funcionar são a materialização de outros vazamentos, de rachaduras e de remendos mal feitos, invisíveis aos olhos do público, pois atuam na estrutura administrativa do Estado, que deve ser fiscalizada pelos secretários e, em última instância, pelo governador.