socialismo Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

socialismo

O significado da morte de Fidel Castro

Por Wanfil em História

26 de novembro de 2016

Morreu Fidel Castro, aos 90 anos. Em 1957, pouco antes de assumir o poder com a revolução em Cuba, Fidel declarou, em entrevista ao jornalista Herbert Matthews, do New York Times: “O poder não me interessa. Depois da vitória, quero regressar à minha cidade e retomar minha profissão de advogado”. Acabou desmentido pelo apego ao poder, do qual só abriu mão quando a idade o impediu de governar.

A morte de Fidel significa um ditador a menos no mundo. A utopia sangrenta do Século 20, que incensou Lênin, Stálin e Mao, morre com seu último garoto propaganda. Há quem considere haver ditadores do bem e ditadores do mal. Há quem defenda a ideia de que as ditaduras podem ser divididas entre as bem intencionadas e as pervertidas por interesses econômicos. E ainda existem os que consentem com ditaduras por simpatizarem com o sinal ideológico que estas representam (quando à esquerda) e por seus supostos bons frutos.

A História mostra que não existem ditaduras do bem. Fidel morreu e temos um ditador a menos no mundo, porém, Cuba permanece uma ditadura, governada por Raul Castro. Não por acaso, irmão daquele abnegado comunista que dizia não ter interesse pelo poder.

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Cid Gomes e o socialismo caviar do PSB cearense

Por Wanfil em Ceará, Ideologia

14 de agosto de 2013

Durante alguns anos guardei alguma desconfiança sobre a adesão de Cid e Ciro Gomes à social democracia e depois ao socialismo. Seria convicção ou conveniência? Mas nada como a prova do tempo para esclarecer certas dúvidas. Hoje tenho certeza absoluta que se trata dos mais genuíno socialismo, não apenas como ideal utópico, mas como prática experimentada na vida cotidiana.

Não há líder socialista no mundo que, uma vez no poder, ao mesmo tempo em que critica a burguesia e os capitalistas e jura fidelidade aos pobres, adere sem crise de consciência aos hábitos de consumo e ao estilo de vida dessas mesmas elites.

Mansões, joias, carros de luxo, viagens em jatos, hotéis caríssimos, roupas de marca, entre outros mimos, estão na lista dos desejos que invariavelmente, excetuando-se talvez o atual presidente do Uruguai, faz a alegria desses combatentes da exclusão e da desigualdade social.

Assim, não há surpresa em saber que o Governo do Estado do Ceará firmou contrato de um ano com um buffet, ao custo de quase três milhões e meio de reais, para despesas com comidas para festas e solenidades, o que equivale a aproximadamente R$ 10 mil reais por dia.

Muito provavelmente o governador não acompanha essas miudezas, mas é evidente que quem autoriza esses contratos respeita uma concepção de poder. O gabinete do governador pode até dispor dos devidos meios para promover eventos requintados, tudo dentro da lei, no entanto, são gastos que chocam pelos contrastes que suscitam: o Estado que banca jantares refinados, festas suntuosas, viagens turísticas e shows milionários é o mesmo onde a penúria e a necessidade extrema castigam as vítimas da seca.

Ser perdulário com o dinheiro alheio não é pensar grande, como imaginam os nossos governantes, é sinal de miudeza, de deslumbre que encobre um mal disfarçado complexo de inferioridade. Esse estado psicológico, bem como a prática de ceder aos encantos do consumo de bens e serviços de alto padrão e valor às custas de terceiros foi maravilhosamente demonstrado por George Orwell em A Revolução dos Bichos, quando os porcos lideram uma revolta contra os humanos, para depois tomar-lhes o lugar na sede da fazenda, deixando os companheiros do passado na pobreza de sempre.

No campo dos simbolismos ideológicos, portanto, o governo socialista que hoje comanda o Ceará, ao esbanjar verbas oficiais com caviar e camarão, iguarias típicas das aspiração mais aristocráticas, confirma a sua natureza, com a peculiaridade de que, no ideário igualitarista do PSB cearense, o progressismo começa pela cozinha.

O apóstolo São Paulo ensinou: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”. A lição deveria servir também para gestores do dinheiro público.

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Morre Hugo Chávez, ficam as paixões de um tempo que já passou

Por Wanfil em Internacional

05 de Março de 2013

A morte do presidente venezuelano Hugo Chávez é o assunto do momento. O estilo polêmico, os discursos longos, o alinhamento ideológico com Fidel Castro, a retórica anticapitalista (sem abrir mão dos lucros advindos do abundante petróleo na Venezuela), o posicionamento antiamericanista (sem cortar laços comerciais com o Tio Sam), e a promessa de um novo socialismo – o bolivarianismo, fizeram de Chávez um ícone da esquerda latino americana, um símbolo a encarnar toda a frustração acumulada com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética. Morre o homem e fica o personagem para o noticiário. Como entrará para a História, só o tempo dirá.

Os admiradores de Chávez enxergam nele a coragem de enfrentar adversários poderosos. Seus críticos o tomam como um sabotador do regime democrático e inimigo da imprensa livre.

Enquanto cronistas a favor e contra atiçam paixões políticas e os jornais publicam os obituários pré-editados do presidente que morreu após longa enfermidade, me atenho aqui a um aspecto mais, digamos, cultural, presente e atuante na América Latina.

Alguns fatos bastam como sinalizadores do atual estágio de maturidade política que vivemos no continente. Nesse instante, todos se perguntam: para onde vai a Venezuela? Com efeito, Chávez foi uma liderança que ofuscou novas lideranças e a Venezuela carece de mais estabilidade institucional. Ninguém sabe ao certo quem assume o poder no país. E isso em si é bastante revelador.

De certo modo, Chávez e as reações que ele provoca, boas ou más, justas ou injustas, é a expressão de um atraso: vivemos, todos, imersos numa cultura que é subproduto da Guerra Fria da segunda metade do século passado. A América Latina é a lata de lixo da História. Aqui ainda discutimos se o socialismo é melhor que o capitalismo e aplaudimos a miséria cubana como ato de resistência. Nas áreas de ciências humanas das universidades, lemos os mesmos livros de 20, 30 anos, presos no universo marxista sem o estímulo para ultrapassar suas fronteiras arcaicas. Lemos Eduardo Galeano como se fosse uma revelação. Cultuamos dualismos e maniqueísmos que o resto do mundo já superou.

O problema não é saber se Hugo Chávez foi democrata ou autoritário. O problema é perder tempo com isso, é ver presidentes pairando acima das instituições, o personalismo que procura salvadores messiânicos em toda esquina.

Hugo Chávez morreu, mas o pano de fundo para explorar ressentimentos continua. Na América Latina, olhamos para trás e quase nunca para frente.

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Morre Hugo Chávez, ficam as paixões de um tempo que já passou

Por Wanfil em Internacional

05 de Março de 2013

A morte do presidente venezuelano Hugo Chávez é o assunto do momento. O estilo polêmico, os discursos longos, o alinhamento ideológico com Fidel Castro, a retórica anticapitalista (sem abrir mão dos lucros advindos do abundante petróleo na Venezuela), o posicionamento antiamericanista (sem cortar laços comerciais com o Tio Sam), e a promessa de um novo socialismo – o bolivarianismo, fizeram de Chávez um ícone da esquerda latino americana, um símbolo a encarnar toda a frustração acumulada com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética. Morre o homem e fica o personagem para o noticiário. Como entrará para a História, só o tempo dirá.

Os admiradores de Chávez enxergam nele a coragem de enfrentar adversários poderosos. Seus críticos o tomam como um sabotador do regime democrático e inimigo da imprensa livre.

Enquanto cronistas a favor e contra atiçam paixões políticas e os jornais publicam os obituários pré-editados do presidente que morreu após longa enfermidade, me atenho aqui a um aspecto mais, digamos, cultural, presente e atuante na América Latina.

Alguns fatos bastam como sinalizadores do atual estágio de maturidade política que vivemos no continente. Nesse instante, todos se perguntam: para onde vai a Venezuela? Com efeito, Chávez foi uma liderança que ofuscou novas lideranças e a Venezuela carece de mais estabilidade institucional. Ninguém sabe ao certo quem assume o poder no país. E isso em si é bastante revelador.

De certo modo, Chávez e as reações que ele provoca, boas ou más, justas ou injustas, é a expressão de um atraso: vivemos, todos, imersos numa cultura que é subproduto da Guerra Fria da segunda metade do século passado. A América Latina é a lata de lixo da História. Aqui ainda discutimos se o socialismo é melhor que o capitalismo e aplaudimos a miséria cubana como ato de resistência. Nas áreas de ciências humanas das universidades, lemos os mesmos livros de 20, 30 anos, presos no universo marxista sem o estímulo para ultrapassar suas fronteiras arcaicas. Lemos Eduardo Galeano como se fosse uma revelação. Cultuamos dualismos e maniqueísmos que o resto do mundo já superou.

O problema não é saber se Hugo Chávez foi democrata ou autoritário. O problema é perder tempo com isso, é ver presidentes pairando acima das instituições, o personalismo que procura salvadores messiânicos em toda esquina.

Hugo Chávez morreu, mas o pano de fundo para explorar ressentimentos continua. Na América Latina, olhamos para trás e quase nunca para frente.