Senado Federal Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Senado Federal

Tasso pergunta, Dilma responde

Por Wanfil em Política

30 de agosto de 2016

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) alegou inocência em sessão do impeachment no Senado. Ao responder aos senadores, seguiu o roteiro traçado pela defesa, assumindo o papel de vítima de forças poderosas, vingança e sabotagem. Como o jogo já está jogado (a essa altura não existe senador com dúvida), o objetivo estratégico das falas foi criar uma retórica a ser repetida doravante pelos agentes de influência das esquerdas nas escolas, sindicatos, movimentos sociais, igrejas, redações e onde quer que possam operar.

Um dos bons momentos na sessão foi quando o senador cearense Tasso Jereissati (PSDB) questionou o argumento de que a recessão brasileira foi a continuação de uma crise econômica internacional, agravada por aqui em razão de um “boicote” do Congresso Nacional na hora de votar medidas que amenizariam seus efeitos.

Tasso mostrou que no mesmo período economias de outros países emergentes e de vizinhos da América do Sul cresceram, enquanto o PIB do Brasil zerava até ficar negativa mais adiante. Sem saída, Dilma voltou a acusar o Legislativo, especialmente a oposição e o PMDB, por não votarem com o governo.

Pelas regras do julgamento, os senadores não puderam fazer réplica, o que demandaria muito tempo. Uma pena. Seria uma oportunidade para lembrar a presidente de que muitas vezes o próprio PT votou contra o governo nas chamadas “pautas bombas”, enquanto o PMDB votava a favor. Também seria interessante avisar que a oposição, pela natureza de sua função, não pode ser cobrada por não se unir aos governistas.

Ao tentar transferir responsabilidades para terceiros, a presidente fugiu do fato de que sem controlar aliados e o próprio partido, sem popularidade após tomar medidas que nas eleições jurou que não tomaria e acusada no TCU pela maior fraude fiscal da História do Brasil, ela perdeu as condições de governar não por causa de uma conspiração parlamentar, mas por falta de credibilidade. Sabe como é: são fatos que não combinam com o roteiro.

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Pimentel na CPI dos outros é refresco

Por Wanfil em Política

20 de Maio de 2014

Senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e José Pimentel (PT-CE). Um presidiu a CPI dos Correios, o outro será relator da CPI da Petrobras.

Senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e José Pimentel (PT-CE). Um presidiu a CPI dos Correios, o outro será relator da CPI da Petrobras. Foto: divulgação/assessoria PT

O senador José Pimentel (PT), um dos representantes do Ceará na Casa, é o relator da CPI que investiga lambanças na Petrobras, criada na semana passada. A oposição reluta em indicar nomes, pois pretende criar uma CPI mista, com a participação de deputados federais. Isso é lá com eles.

Por aqui, importa dizer que o senador cearense tem sobre si as luzes da ribalta. Naturalmente, ele diz que terá uma atuação técnica. Mas dado o histórico de causas impopulares que Pimentel já assumiu no passado, como a cobrança de contribuição de aposentados e pensionistas em 2003, o anúncio de seu nome causou desconfianças. Ou, como está no título, a impressão geral é de que Pimentel na CPI dos outros é refresco. Trata-se, claro, de uma especulação que só poderá ser confirmada, ou não, pelos fatos.

Recordo a CPI dos Correios, em 2005, presidida pelo senador Delcídio Amaral, do PT do Mato Grosso do Sul. Um dos raros casos em que uma CPI não acabou em “pizza”. O relatório final da investigação serviu de base para a acusação no julgamento do mensalão. Delcídio revelou depois ter sofrido pressões e ameaças dos próprios companheiros, além de ter sido espionado e abandonado na campanha ao governo de seu estado em 2006. Na ocasião, ficou claro que o senador não sacrificou sua reputação para salvar a turma da Papuda.

De certa forma, com os devidos descontos, essa é mais ou menos a situação que vive hoje o senador José Pimentel. Ainda mais depois que o jornal o Estado de São Paulo revelou que ele recebeu um milhão de reais da empreiteira Camargo Corrêa. A doação foi legal, diga-se, mas é que a construtora é uma das fornecedoras da Petrobras na refinaria de Pernambuco. Uma situação constrangedora, sem dúvida. (Em nota, Pimentel se defendeu e disse ser a favor do financiamento público de campanha, mas que enquanto isso não acontece, ele aceita grana de empreiteiras. Assim: o parlamentar não acha certo, mas devido às circunstâncias, faz…).

Agora é esperar para ver. Pimentel terá coragem de atuar como o companheiro Delcídio ou atuará como pizzaiolo de CPI?

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Renan Calheiros na luta contra o preconceito

Por Wanfil em Política

01 de Fevereiro de 2013

Retorno triunfante: Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

O senador Renan Calheiros, que dispensa apresentações, foi eleito – com folga – presidente do Senado Federal. No entanto, há um clima de constrangimento no ar, como se o alagoano fosse o primeiro político sem escrúpulos a ocupar cargo de tamanha importância. Não é, claro. Basta dizer que ele sucede a José Sarney. Qual a novidade?

Os mais pudicos poderão objetar: Wanfil, a diferença é que a presença de Renan não salva nem mesmo as aparências do decoro, uma vez que ele já renunciou para não ser cassado. Ora, eu respondo que essa talvez seja a virtude da eleição de Calheiros.

A política no Brasil é isso, uma atividade que afasta os homens sérios e atrai os de caráter duvidoso. Renan é o desprezo pelas aparências hipócritas, é a nossa alma política sem maquiagens. É a celebração das habilidades mais valorizadas no trato das questões de interesse público, como a capacidade de atiçar interesses e direcioná-los aos interesses de qualquer governo.

Rejeitar Renan na condição de presidente do Senado é preconceito contra políticos que, mesmo enrolados, não desistem de ocupar seus espaços sendo o que são. Ele é o homem certo no lugar certo, é o governista profissional, o craque dos arranjos espertos, da sedução do poder, dos favores especiais, da manipulação de vaidades. Renan Calheiros é o tipo que saiu do armário. “Fui pego, mas não fujo”.  Destemido, infla o peito e diz: “Vocês vão ter que me engolir”.

Quantos Renans enrustidos não andam por aí, eminências pardas que vivem nas sombras por temerem os jornais? Onde estão os responsáveis pelos escândalos dos banheiros fantasmas, no Ceará? O que aconteceu com a turma dos consignados? Andam por aí, ocupando cargos públicos, mas silenciosos, chateados por serem importunados, quando apenas fizeram o que tantos outros fazem. Esses agora podem inspirar-se em Renan Calheiros!

Renan Calheiros é um basta no furor moralizante do julgamento do mensalão. “Aqui, não!”. Renan Calheiros é a redenção de quem andava preocupado com os limites morais da opinião pública.

O pior é que nós todos somos um pouco Renan. Sim. Os Renans são eleitos, e no poder, se associam entre si e ao presidente da República. Como se dessem um grito de liberadade, os senadores eleitos por nós elegeram Renan Calheiros a quintenssência da legislatura no Senado.

Deixemos o preconceito de lado e aceitemos a nossa condição de povo que se submete aos caprichos de gente como o senador Renan Calheiros, o nosso perfeito espelho. É assim que somos enquanto nação.  Parafraseando a propaganda do governo federal: Brasil, um país de todos; Brasil, uma país de Renans. Finalmente assumimos a nossa decadência.

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Renan Calheiros na luta contra o preconceito

Por Wanfil em Política

01 de Fevereiro de 2013

Retorno triunfante: Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

O senador Renan Calheiros, que dispensa apresentações, foi eleito – com folga – presidente do Senado Federal. No entanto, há um clima de constrangimento no ar, como se o alagoano fosse o primeiro político sem escrúpulos a ocupar cargo de tamanha importância. Não é, claro. Basta dizer que ele sucede a José Sarney. Qual a novidade?

Os mais pudicos poderão objetar: Wanfil, a diferença é que a presença de Renan não salva nem mesmo as aparências do decoro, uma vez que ele já renunciou para não ser cassado. Ora, eu respondo que essa talvez seja a virtude da eleição de Calheiros.

A política no Brasil é isso, uma atividade que afasta os homens sérios e atrai os de caráter duvidoso. Renan é o desprezo pelas aparências hipócritas, é a nossa alma política sem maquiagens. É a celebração das habilidades mais valorizadas no trato das questões de interesse público, como a capacidade de atiçar interesses e direcioná-los aos interesses de qualquer governo.

Rejeitar Renan na condição de presidente do Senado é preconceito contra políticos que, mesmo enrolados, não desistem de ocupar seus espaços sendo o que são. Ele é o homem certo no lugar certo, é o governista profissional, o craque dos arranjos espertos, da sedução do poder, dos favores especiais, da manipulação de vaidades. Renan Calheiros é o tipo que saiu do armário. “Fui pego, mas não fujo”.  Destemido, infla o peito e diz: “Vocês vão ter que me engolir”.

Quantos Renans enrustidos não andam por aí, eminências pardas que vivem nas sombras por temerem os jornais? Onde estão os responsáveis pelos escândalos dos banheiros fantasmas, no Ceará? O que aconteceu com a turma dos consignados? Andam por aí, ocupando cargos públicos, mas silenciosos, chateados por serem importunados, quando apenas fizeram o que tantos outros fazem. Esses agora podem inspirar-se em Renan Calheiros!

Renan Calheiros é um basta no furor moralizante do julgamento do mensalão. “Aqui, não!”. Renan Calheiros é a redenção de quem andava preocupado com os limites morais da opinião pública.

O pior é que nós todos somos um pouco Renan. Sim. Os Renans são eleitos, e no poder, se associam entre si e ao presidente da República. Como se dessem um grito de liberadade, os senadores eleitos por nós elegeram Renan Calheiros a quintenssência da legislatura no Senado.

Deixemos o preconceito de lado e aceitemos a nossa condição de povo que se submete aos caprichos de gente como o senador Renan Calheiros, o nosso perfeito espelho. É assim que somos enquanto nação.  Parafraseando a propaganda do governo federal: Brasil, um país de todos; Brasil, uma país de Renans. Finalmente assumimos a nossa decadência.