sem-vergonha Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

sem-vergonha

Depois do susto, a farra dos sem-vergonha

Por Wanfil em Brasil

18 de setembro de 2013

Se durante os protestos de junho a classe política se viu obrigada a aprovar uma ou outra medida para acalmar o público, depois que as coisas voltaram acalmaram, um conjunto de decisões casuísticas e desassombradas mostram que a pele de cordeiro não é mais necessária para iludir o rebanho.

Cito alguns de memória, pois se pesquisasse a lista seria demasiadamente longa.

1) Solidariedade ao deputado presidiário – De cara, deputados federais se recusaram a cassar um colega que cumpre pena em presídio (uma daquelas exceções que no fim confirmam a regra da impunidade). Como a coisa pegou mal (resquícios dos protestos), rapidinho os excelentíssimos aprovaram nova lei que determina a cassação imediata de parlamentares presos, exceto – atenção! – para os crimes de enriquecimento ilícito e tráfico de influência, em que são notórios especialistas. Legislaram, portanto, em causa própria.

2) A esperança dos mensaleiros – Em outra frente, o país assiste atônito a imensa dificuldade de suas instituições democráticas em colocar a turma do mensalão na cadeia. Isso se conseguirem… No Brasil, parafraseando Arnaldo Jabor, corruptos confiam na justiça.

3) Uma reforma eleitoral malandra – Como se não bastasse, foi aprovada no Senado, uma minirreforma eleitoral que, na prática, legaliza algumas práticas até então criminosas e imorais, ao permitir que empresas sócias de concessionárias de serviços públicos façam doações a candidatos. É a aprovação do financiamento público de campanha por meio de laranjas. É escandaloso. A matéria segue agora para a Câmara.

4) A CPI de araque – No Ceará, para mostrar algum serviço ao distinto contribuinte, os deputados estaduais aprovaram a CPI da telefonia, muito embora a área seja controlada legislação e órgãos federais. Enquanto isso, bons companheiros que são, o parlamento estadual deixa de fiscalizar o executivo estadual, dando de ombros para denúncias de dispensas irregulares de diversas licitações ou de abusos em gastos com viagens e buffets.

As manifestações de rua, todos viram, saíram do controle das organizações pelegas que sempre controlam esses eventos. Por isso, assustaram, mas não o bastante para mudar a natureza dos lobos.

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Depois do susto, a farra dos sem-vergonha

Por Wanfil em Brasil

18 de setembro de 2013

Se durante os protestos de junho a classe política se viu obrigada a aprovar uma ou outra medida para acalmar o público, depois que as coisas voltaram acalmaram, um conjunto de decisões casuísticas e desassombradas mostram que a pele de cordeiro não é mais necessária para iludir o rebanho.

Cito alguns de memória, pois se pesquisasse a lista seria demasiadamente longa.

1) Solidariedade ao deputado presidiário – De cara, deputados federais se recusaram a cassar um colega que cumpre pena em presídio (uma daquelas exceções que no fim confirmam a regra da impunidade). Como a coisa pegou mal (resquícios dos protestos), rapidinho os excelentíssimos aprovaram nova lei que determina a cassação imediata de parlamentares presos, exceto – atenção! – para os crimes de enriquecimento ilícito e tráfico de influência, em que são notórios especialistas. Legislaram, portanto, em causa própria.

2) A esperança dos mensaleiros – Em outra frente, o país assiste atônito a imensa dificuldade de suas instituições democráticas em colocar a turma do mensalão na cadeia. Isso se conseguirem… No Brasil, parafraseando Arnaldo Jabor, corruptos confiam na justiça.

3) Uma reforma eleitoral malandra – Como se não bastasse, foi aprovada no Senado, uma minirreforma eleitoral que, na prática, legaliza algumas práticas até então criminosas e imorais, ao permitir que empresas sócias de concessionárias de serviços públicos façam doações a candidatos. É a aprovação do financiamento público de campanha por meio de laranjas. É escandaloso. A matéria segue agora para a Câmara.

4) A CPI de araque – No Ceará, para mostrar algum serviço ao distinto contribuinte, os deputados estaduais aprovaram a CPI da telefonia, muito embora a área seja controlada legislação e órgãos federais. Enquanto isso, bons companheiros que são, o parlamento estadual deixa de fiscalizar o executivo estadual, dando de ombros para denúncias de dispensas irregulares de diversas licitações ou de abusos em gastos com viagens e buffets.

As manifestações de rua, todos viram, saíram do controle das organizações pelegas que sempre controlam esses eventos. Por isso, assustaram, mas não o bastante para mudar a natureza dos lobos.