segurança pública Archives - Página 4 de 6 - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

segurança pública

BRICS terá 7 mil agentes de segurança. Pena que é nuvem passageira

Por Wanfil em Economia

15 de julho de 2014

Sai de cena a festa da Copa do Mundo e entra em campo a aridez dos temas econômicos, com Fortaleza sediando a 6ª Cúpula do BRICS, o grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do sul. No fundo, é o grupo resulta mesmo da política externa de Chia e Rússia, potências militares que sonham com a liderança no concerto da geopolítica mundial. Mas essa é outra história, jogo de gente grande. Para nós do Ceará o que importa é que esses eventos são indiscutíveis oportunidades de consolidar o nome do estado na rota do turismo mundial: a Copa com o lazer, o BRICS com as chances de negócios.

Segurança
Por isso Fortaleza está um brinco, pelo menos no entorno do Centro de Eventos, onde a limpeza e a pavimentação germânicas (para usarmos um padrão da moda), assim como a segurança, não deixam nada a desejar. O Governo do Estado anunciou que ao todo 7.689 agentes atuarão para que tudo ocorra na mais perfeita tranquilidade. São 4.444 de seu próprio contingente, que contam com o reforço de outros 3.245 profissionais vindos de parcerias com órgãos como a Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ministério da Defesa e Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), entre outros.

Basta andar nas ruas próximas ao local para conferir como tudo está tinindo para proteger e impressionar os chefes de estado esperados para o encontro. Temos que causar boa impressão, mirando em futuros investimentos, claro. Nada contra. Quem dera memso essas ações preparadas para o BRICS durassem o ano inteiro e fossem ampliadas para todo o Ceará.

O negócio é tão bacana, que o risco agora é ver essas impressões se confundirem com a realidade. Porém, todo esse arranjo é passageiro, já que a reunião acaba na quarta-feira (16).  Por isso, é bom a gente ficar ligado: assim como promover uma copa não significa dizer que temos uma grande seleção, sediar o encontro do BRICS não é garantia de que temos uma economia equilibrada ou que moramos em lugar seguro.

Economia
Sobre segurança, não é preciso dizer muito. Todos sabem como andam as coisas no Ceará e no Brasil. Já na economia, começamos a sentir no bolso o peso do baixo crescimento e das políticas fiscal e monetária do governo federal. Os dados falam por si. Entre os países do BRICS, o Brasil é o que apresentou pior desempenho econômico nos últimos anos, com a pior taxa de investimentos.

Crescimento (média 2011-2013)
B
rasil – 2%
Rússia – 3%
Índia – 5,4%
China- 8,2%
África do Sul – 2,6%

Taxa de investimento (% PIB)
Brasil – 18%
Rússia – 23%
Índia – 30%
China- 49%
África do Sul – 19% – Fonte: Exame/Abril

O risco inflacionário
O Brasil aparece bem em relação ao PIB per capita e a taxa de pobreza (6%), comparado com o resto do grupo (na China a taxa dobra). Mas essas conquistas estão ameaçadas pela inflação, que já estourou o teto da meta este ano e que no primeiro semestre superou o rendimento da poupança.

Futuro
No futebol, a derrota terminou com a demissão de Felipão e de toda a comissão técnica. Na economia, o debate começa agora, com as eleições entrando de vez no calendário da torcida brasileira. O nome do técnico é Guido Mantega.

Publicidade

Segurança Pública: o que dizem os programas de governo dos candidatos

Por Wanfil em Eleições 2014

07 de julho de 2014

Os partidos e as coligações que disputarão o governo do Ceará nas eleições de outubro entregaram à Justiça Eleitoral suas propostas de governo. No geral, são textos de pouca informação técnica, repletos de clichês, mas que servem para indicar mais ou menos o tom da abordagens de cada um sobre diversas áreas.

Para ler na íntegra as quatro propostas registradas, basta ir ao site do Tribuna Superior Eleitoral. Aqui no blog selecionei trechos referentes ao tema Segurança Pública, área que promete ser um dos temas centrais das campanhas. Seguem abaixo, reproduzidos na cor azul, tópicos de cada candidatura a respeito do assunto, acompanhados de breves comentários meus.

Camilo Santana – PT – Coligação Para o Ceará Seguir Mudando

– Definir a atuação da política de segurança pública de forma integrada com as demais políticas públicas atuando de forma sistêmica no território, criando nos locais mais vulneráveis ações relacionadas à segurança, saúde, educação, emprego e infraestrutura pública, envolvendo as Secretarias de Governo;
– Estudar o fortalecimento do Programa Ronda do Quarteirão, baseado na cultura da paz e não violência;
– Estabelecer parcerias permanentes com o Governo Federal, através do Programa “Crack é possível vencer” e com os governos municipais;
– Desenvolvimento de um SISTEMA GESTOR OPERACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA. Esse sistema deverá ter a capacidade de saber “quantos e onde estão posicionados cada PM e PC, carros, motos, equipamentos em qualquer dia do ano, bem como todas as operações realizadas no estado do Ceará com acompanhamento de resultados, além de acompanhar, monitorar e avaliar a performance das Áreas Integradas de Segurança.

É visível o constrangimento no texto da coligação governista, que procura passar uma mensagem de mudança ao mesmo tempo em que precisa dizer que as escolhas do atual governo foram corretas. A primeira proposta é simplesmente uma cópia do programa Pacto pela Vida, implantado em Pernambuco pelo ex-governador Eduardo Campos (PSB), desafeto de Cid e Ciro Gomes, padrinhos de Camilo Santana. Talvez por isso o devido crédito não tenha sido dado, o que é uma desonestidade intelectual.

Manter o Ronda do Quarteirão e uma cultura de não violência é uma homenagem forçada ao que não deu certo na gestão Cid. Dizer que fará parcerias com o governo federal é discurso velho: essa aliança já existe há oito anos e não deu resultados na área. Por fim, dizer que será desenvolvido um sistema de gestão operacional implica em reconhecer que passados dois governos, esse sistema não existe ou não funciona adequadamente. É mais um confissão de má administração do que uma promessa.

Eunício Oliveira –PMDB – Coligação Ceará de Todos

– Basear os esforços pela segurança pública no binômio gente e gestão;
– Aperfeiçoar a inteligência e eficácia da investigação científica;
– Qualificar a gestão da segurança pública;
– Valorizar os profissionais de segurança;
– Aumentar a mobilidade e a presença dos policiais nas ruas.

Por enquanto, são generalidades sem efeito prático. Quem pode dizer que é contra o aperfeiçoamento da segurança e a valorização de seus agentes? De boas intenções, como sabemos, o inferno está cheio. O último tópico é o que mais se parece com uma proposta efetiva: para aumentar a presença da polícia, é presumível um aumento do contingente.

No programa de governo apresentado pela coligação que apoia Eunício Oliveira faz um bom diagnóstico do problema, mas ainda precisa melhorar suas proposições se quiser convencer o eleitor de que pode resolvê-lo.

Leia mais

Publicidade

Enquanto bandidos caçam policiais no Ceará, políticos homenageiam políticos

Por Wanfil em Política

03 de junho de 2014

Enquanto o pau canta no Ceará, políticos trocam homenagens entre si: medalhas e títulos para comemorar o quê?

O pau canta no Ceará e políticos trocam homenagens entre si: comemoram o quê? (Arte sobre imagem/Internet)

Uma rápida olhada no noticiário basta para compreender que o descrédito de políticos e partidos em geral não é de graça. Há uma profunda dissonância cognitiva entre a forma como eleitores e eleitos enxergam a realidade. No Ceará, quando o assunto é segurança pública, governantes acreditam, ou procuram acreditar, que tudo está sendo bem conduzido em suas gestões, que os resultados estão por aparecer e atribuem problemas a terceiros: ou é sabotagem de inimigos ou invenção da imprensa. Aos cearenses, resta sentir na pele o que é viver num dos estados mais violentos do Brasil.

Policiais como alvo
Essa dissonância, evidentemente, tende a agravar a situação. Os representados cobram por solução, os representantes tentam mudar de assunto. Nesse processo de degradação a novidade agora é que bandidos publicam anúncios em redes sociais oferecendo até 5 mil reais para quem matar um policial no Ceará. Que tal? A ameaça ganha maior credibilidade quando sabemos que nos últimos dias, cinco policiais foram vítimas de criminosos. Um morreu e quatro estão internados.

No sábado policiais civis decretaram estado de greve. Pedem, entre outras coisas, condições de trabalho. Em resposta, o governo diz que não reconhece o movimento. Outra notícia que mostra a gravidade do momento são as paralisações de motoristas e cobradores de ônibus em protesto contra a onda de assaltos a coletivos em Fortaleza.

Autoridades comemoram
Diante desse quadro, o que fazem aqueles que são responsáveis por resolver o problema? Reconhecem os erros e pedem ajuda? Não, nada disso. Fecham os olhos para os fatos constrangedores e, como se tudo estivesse muito bem, preferem trocar salamaleques entre si, promovendo farta distribuição de medalhas e títulos de cidadania em cerimônias devidamente registradas pelo exército de assessores que os acompanham em sites oficiais, com apoio de rádios e TVs públicas.

Na semana passada Ciro Gomes (Pros) recebeu título de cidadania em Fortaleza. Palmas e sorrisos. Seu irmão e correligionário, Cid Gomes, foi agraciado em Itapipoca. Fotos e abraços. No final de semana, Eunício Oliveira (PMDB) recebeu igual homenagem, junto com o presidenciável Eduardo Campos (PSB), em Juazeiro do Norte. Ontem (2), foi a vez de Zezinho Albuquerque, pré-candidato ao governo estadual pelo Pros e presidente da Assembleia Legislativa, ser laureado como cidadão fortalezense. Segundo o site da Câmara, é a “consagração” de uma “trajetória”. E tome discursos, elogios e brindes.

Vergonha
Esses foram alguns casos colhidos em rápida passagem pelo noticiário, que demonstram a total falta de sintonia entre as atitudes da classe política e os anseios da população.

Cerimônias oficiais em que políticos homenageiam outros políticos em ano eleitoral deveriam mesmo ser proibidas por lei. No mínimo, pela coincidência no calendário, são eventos que servem à promoção de possíveis candidatos. Mas, diante da insegurança que assola o Ceará (média de 10 assassinatos diários, maior taxa de homicídios do Nordeste e população sem transporte por causa de assaltos), o bom senso deveria bastar para impedir essas mesuras inúteis. Ou então, na ausência deste, um pouco daquele alerta moral conhecido como vergonha na cara não faria mal.

Mas bom senso e vergonha andam em falta.

Publicidade

Mapa da Violência 2014 mostra desastre na segurança: é assim que a gente faz, um novo Ceará…

Por Wanfil em Segurança

28 de Maio de 2014

Ceará-mapaUma prévia do Mapa da Violência 2014 divulgada nesta terça-feira (27) mostrou o Ceará como o segundo estado brasileiro com maior crescimento em números de homicídios, com uma alta de 37,7% entre 2011 e 2012. Ficou ainda na terceira posição no índice de assassinatos, com uma taxa de 44,6 por grupo de 100 mil habitantes. Ao ler isso, imediatamente me veio à mente aquela canção da propaganda: “é assim que a gente faz, um novo Ceará…” É… O marketing realmente toca fundo nos labirintos da mente.

O estudo foi realizado pela Faculdade Latino-America de Ciências Sociais, a partir de dados consolidados pelo Ministério da Saúde em todo o país, relativos ao ano de 2012. Como em 2013 o quadro degenerou ainda mais no Ceará, conforme estatísticas da própria Secretaria de Segurança, a situação tende a piorar na edição de 2015. Mas o que temos já basta para comprovar a realidade que o cearense vive.

O todo e as partes
De modo geral, a violência cresceu no Brasil como um todo. Pulou de 49 mil homicídios em 2002 para 56 homicídios em 2012. São números estarrecedores, de guerra civil, que servem ainda para dar verossimilhança ao argumento defendido pelo governador Cid Gomes e seus liderados, para explicar a onda de crimes no Ceará. Para as nossas autoridades locais, como o fenômeno é nacional, com especial gravidade no Nordeste, a responsabilidade dos governos estaduais nesses resultados acabaria reduzida. Ocorre que o quadro geral esconde a heterogeneidade da distribuição desses crimes  no território nacional.

Ceará é o pior do NE
O aspecto mais interessante do Mapa da Violência é a oportunidade de comparar dados entre os estados. Assim, enquanto no Ceará a Taxa de Homicídios cresceu 36,5% entre 2011 e 2012, em Pernambuco esse índice caiu 5,1%, na Paraíba recuou 6,2% e em Alagoas despencou 10,4%! Nos demais estados do Nordeste que registraram alta nos assassinatos, todos ficaram abaixo do Ceará. Na região, a segunda maior taxa é de Sergipe, com 18,3%, metade da cearense! Ou seja, se a situação é ruim no Brasil como um todo e no Nordeste em particular, no Ceará é pior ainda. A diferença, nesses casos, é preciso dizer, tem nome: gestão!

Segurança e eleições
O tema segurança pública é o assunto das eleições estaduais neste ano. O governo tem buscado ações de curto prazo, um esforço na comunicação institucional e no campo político, vem procurando rebater com mais energia críticas de adversários.

Recentemente, o próprio governador Cid Gomes acusou de eleitoreiras as propagandas partidárias da oposição que tocaram no tema. O problema é que contra fatos, não há argumentos. Dizer que fez tudo o que era possível não cola mais, pois basta comparar nossa situação com a dos vizinhos. Pior ainda é insistir na conversa de que nunca tantos recursos foram investidos na área. É verdade, mas olhando os resultados obtidos, isso aos mais como uma confissão de incompetência. Pedir mais tempo é ridículo, afinal, lá se vão sete anos e meio de gestão (entre 2002 e 2012, os homicídios no Ceará cresceram 166%).

Eu poderia dar sugestões de como abordar o tema de outra forma. Mas aí seria pretensão demais. Afinal, o que não faltam no governo são equipes de assessores e de consultores de segurança, comunicação e marketing (“é assim que gente faz…”) muito bem pagos para orientar a gestão Cid Gomes como explicar a situação. Sabe como é: sem resultados concretos para apresentar, a saída é apostar na velha e boa lábia.

Publicidade

O que não dá pra disfarçar é a insegurança

Por Wanfil em Segurança

11 de Abril de 2014

O governo do Estado lançou na quinta-feira (10) o Programa em Defesa da Vida, que já vinha funcionando em “caráter experimental” desde janeiro. É o conjunto de ações implementadas pelo secretário Servilho Paiva, importado de Pernambuco para tentar estancar a sangria nos índices de violência no Ceará, com destaque para divisão do Estado em 18 áreas de segurança e a remuneração extra para policiais que alcançarem as metas estabelecidas.

Na ocasião, o governador Cid Gomes afirmou, em tom de desabafo, que gostaria de andar disfarçado para ver como funciona a criminalidade. Trata-se, claro, de uma figura de linguagem que não deve ser levada ao pé da letra. Na verdade, o desejo aí expressado é uma forma oblíqua de dizer que a complexidade da insegurança ultrapassa a efetividade das ações empreendidas na área até o momento. Indo mais longe um pouco, não deixa de ser um reconhecimento de que a autoridade constituída não sabe o que fazer. Daí a necessidade de um programa em “caráter experimental” lançado no último ano de sua segunda gestão.

A frustração do governador é compreensível. Certamente, ninguém mais do que ele gostaria de acertar o rumo, mas isso não basta, como atestam os números surreais no setor. E com poucos meses restando para o fim do mandato, é praticamente impossível alguma mudança de impacto ainda na a gestão Cid Gomes. Resta tentar estabilizar o quadro e reduzir os danos de imagem aferidos em pesquisas, já que estamos em ano eleitoral.

Consciente disso, o governo busca um novo discurso para amenizar as inevitáveis críticas de opositores de até de aliados. A conversa batida sobre grandes investimentos, apesar de verdadeira, não cola mais, uma vez que os resultados não apareceram. Aliás, soa mesmo como uma confissão de que os recursos não foram bem utilizados. Por isso agora o reforço de argumentação, com o anúncio de novas metodologias baseadas em análises científicas. A prioridade agora é reunir material para os marqueteiros trabalharem.

Só que aí relatórios de organismos internacionais (até a ONU!) teimam em ofuscar o discurso oficial, classificando o Ceará como um do lugares mais perigosos do mundo. Se o governador quisesse mesmo andar disfarçado, isso seria fácil, porém, perigoso. Difícil mesmo é enxergar uma saída até outubro ou até o final da gestão. Se tem algo que não tem como disfarçar de jeito nenhum, é a nossa insegurança.

Publicidade

‘Coletivo Seguro’ chega com sete anos e sete ônibus incendiados de atraso

Por Wanfil em Segurança

19 de Fevereiro de 2014

Um dos sete ônibus recentemente incendiados em Fortaleza, onde bandidos atacam secretaria e serviço público de transporte. Imagem: Tribuna do Ceará

Um dos ônibus incendiados em Fortaleza, onde bandidos atacam secretaria estadual e o serviço público de transporte. Imagem: Tribuna do Ceará

Entre o último domingo (16) e a terça-feira (18) criminosos promoveram um ataque a balas contra a sede da Secretaria de Justiça e atearam fogo em sete ônibus na capital do Ceará. Ninguém sabe ao certo ainda o motivo para os atentados. Em resposta, foram presos cinco suspeitos e a Secretaria de Segurança deu início a operação Coletivo Seguro.

Desmoralização

De acordo com o secretário Servilho Paiva, nomeado no final do ano passado, os crimes podem estar relacionados a disputas entre traficantes. O que eles ganhariam com isso é impossível dizer. Fica a impressão de que os bandidos estão enviando recados às autoridades ou a outros grupos criminosos. Ou aos dois. Hipótese tanto mais plausível pelo estado de desmoralização do poder público nessa área.

Um dos ônibus foi incendiado nas proximidades do Fórum Clóvis Beviláqua, símbolo do Judiciário. No ano passado, uma testemunha que acabara de prestar depoimento no Fórum foi executada a tiros, no que parece ter sido um acerto de contas. E os disparos contra a Secretaria de Justiça lembram os constantes ataques a delegacias no interior, feitos por quadrilhas de assaltantes de bancos. Ou seja, o crime não teme a Justiça ou o Executivo. Pelo contrário, afronta-os descaradamente.

Atentado é coisa bem diferente de assalto

Servilho Paiva agiu bem ao mostrar que os atentados contra coletivos serão investigados e combatidos, buscando assim impedir que a moda pegue. Mas é bom deixar claro que esses crimes possuem uma natureza distinta dos tradicionais assaltos a ônibus e vans, que segundo números oficiais apresentados pelo secretário, reduziram 39% em Fortaleza, somente em janeiro, repetindo o milagre da redução dos crimes violentos contra o patrimônio, que teriam caído 45%. Nesse ritmo incrível, faço aqui um breve parêntese, daqui a dois meses os assaltos registrados em coletivos terão acabado, por coincidência, bem no ano eleitoral.

Enquanto isso não acontece, volto ao tema central, é bom diferenciar atentados de crimes comuns. Se até o momento não é certo a motivação desses primeiros, o certo é que eles só acontecem em ambientes em que a segurança pública vive avançado estado corrosão. Antes de causar insegurança, são efeitos dela.

Sete anos depois…

Se traficantes pintam e bordam no Ceará, isso é consequência da falta de uma política de segurança eficiente. A ousadia dos criminosos, pois, aumenta à medida que o poder público não consegue contê-los. E assim, o crime agora tenta acuar instituições e serviços públicos, como já fez no Rio de Janeiro.

Por fim, uma observação. Não deixa de ser autoexplicativa a necessidade de se uma operação batizada com o nome Coletivo Seguro, após setes anos de uma gestão eleita justamente com o discurso de promover mais segurança. Mas, como dizem os otimistas, antes tarde do que nunca.

Publicidade

Eita! SSPDS diz que assaltos diminuíram 45% no Ceará. Mágica?

Por Wanfil em Segurança

05 de Fevereiro de 2014

Quando assumiu a Secretaria de Segurança do Ceará (SSPDS), em setembro do no passado, Servilho Paiva disse que os altos índices de criminalidade no Estado não seriam reduzidos com mágica. Diante da pressão geral por resultados, o secretário buscava ganhar tempo, dentro do pouco tempo que resta à gestão Cid Gomes.

No início do ano, Paiva anunciou um plano de ações que dividia o Estado em áreas de policiamento e prometia prêmios para policiais. Pois bem, a assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança divulgou agora no começo de fevereiro, boletim com a seguinte notícia:

Ceará registra queda de 45% em Crimes Violentos Contra o Patrimônio.

A comparação é entre janeiro de 2013, quando foram registrados 5005 casos, e janeiro de 2014, com 2745 casos. De acordo com a SSPDS, a criação de 18 Áreas Integradas de Segurança (AIS), cada uma com três responsáveis (um policial militar, um policial civil e um bombeiro), foi o principal motivo para a redução.

Parece ou não parece mágica? Quem diria que uma simples reorganização faria o que milhões e milhões de investimento, especialmente em luxuosas Hilux, não conseguiu ao longo de sete anos. O problema da mágica, todos sabem, é que ela não passa de ilusão. Nesse ritmo de 45% ao mês, em março não haverá mais registro de assaltos no Ceará…

Não estou dizendo que os dados são falsos. Mas tudo parece simples demais e talvez haja uma certa pressa em divulgar algo positivo para uma área demasiadamente carente de boas novas. Ao ler esses dados, algumas dúvidas me vieram à mente:

1 – As prisões por esse tipo de crime aumentaram (subindo consideravelmente a população carcerária) ou foram os bandidos desistiram de agir nessa modalidade?

2 – Teriam os assaltantes abandonado a prática de crimes diante da nova organização policial, ou depois de um ano lucrativo, teriam resolvido, bem no ano eleitoral, tirar férias?

3 – Outros tipos de crime também tiveram os índices reduzidos?

4 – Não seria mais apropriado dizer que não foram os crimes em si que caíram, mas seus registros oficiais? Até que ponto as vítimas simplesmente não deixaram de comunicar os assaltos por absoluta certeza de que nada será investigado? O sujeito que tem, por exemplo, o celular roubado, sem perder os documentos, ainda faz um Boletim de Ocorrência?

Eu acredito no secretário Servilho Paiva: não existe mágica. Por isso, é preciso uma certa dose de ceticismo ao analisar estatísticas. Não tanto por desconfiança, mas por segurança.

Para encerrar ilustrando o perigo das ilusões, publico uma singela imagem. Mire no ponto vermelho, sem piscar os olhos, por alguns segundos. A faixa azul desaparecerá, mas não se engane. Ela continua lá.

Ilusão de Ótica

Publicidade

Ibope: Cid é aprovado pelos cearenses com nota 5,2; mas governo é reprovado com 3,8

Por Wanfil em Pesquisa

14 de dezembro de 2013

O Ibope divulgou pesquisa de opinião nesta sexta-feira (13) para avaliar a popularidade do governo federal e dos governos estaduais em todo o Brasil. O levantamento foi encomendado pela Confederação Nacional da Indústria e tem margem de erros de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Raio X no Ceará

No Ceará, o resultado foi o seguinte: 52% dos entrevistados aprovam a maneira de Cid Gomes governar e 48% confiam no governador, mas o índice dos que consideram governo bom cai para 34% e para 4% entre os que o entendem como ótimo. Com efeito, existe muita gente que gosta do governador mas que avaliam a gestão como regular (34%), além dos que a consideram ruim (9%) ou péssima (11%). Levando em conta a anemia e a desorganização da oposição, é uma situação pouco confortável.

De qualquer modo, como podemos ver, o governador Cid Gomes é maior do que seu próprio governo. Existe aí um fenômeno de dissociação que é algo comum nesse tipo de pesquisa. O brasileiro costuma a ser mais benevolente com as pessoas e mais rigorosos com os governos. É como o professor que simpatiza com o aluno, mas que apesar disso não pode aprová-lo.

Assim, na avaliação dos cearenses, o que temos, em termo mais populares, é mais ou menos isso: metade dos cearenses gostam da imagem pública do indivíduo Cid Gomes e o consideram mesmo um bom sujeito, mas somente 38% estão satisfeitos com seu governo.

No contexto, desempenho é mediano

Apesar de não ser uma grande aprovação, é preciso situar esse desempenho no contexto geral do país. Comparado a outros estados, o Ceará fica na 10ª posição, o que, convenhamos, não é ruim. Pelo contrário, se considerarmos que este ano foi marcado politicamente pelos protestos de junho, quando os brasileiros foram às ruas dizer que não confiam em seus representantes.

No entanto, se a base de comparação for o governo de Pernambuco, de Eduardo Campos (PSB), ou o desempenho local do governo federal, aí a coisa muda de figura.

A gestão de Campos é aprovada por 58% dos pernambucanos, uma vantagem de 20 pontos para o ex-aliado Cid, hoje no Pros. Já 59% dos cearenses aprovam a gestão da presidente Dilma (nacionalmente, esse número cai para 43%). São 21 pontos percentuais de diferença para o governo estadual.

O peso da Segurança e Saúde

A explicação para isso pode estar em dois setores sensíveis para a população. Segundo o Ibope, o Ceará apresenta o segundo maior percentual de moradores que escolheram a Segurança Pública como área de pior desempenho em seu estado, com 55%, seguida de 38% que acham que o combate às drogas é a maior falha do governo. É um desgaste considerável.

Papara os cearenses, pior do que a insegurança só mesmo o serviço estadual de saúde, apontado como ponto fraco da gestão por 61% dos entrevistados.

No geral, independente de qual é a pior área, saúde e segurança no estado são reprovadas por 72% da população. É muito.

 Conclusão

Os números da pesquisa Ibope jogam luzes sobre recentes decisões administrativas e políticas do governador Cid Gomes.

Primeiro, a popularidade maior do governo Dilma no Ceará (superando o governo estadual) explica em boa medida a “lealdade” no apoio à reeleição da petista, em detrimento das pretensões de Eduardo Campos. O pernambucano não transfere votos no Ceará, ao contrário da presidente, além, claro, do tradicional apelo da máquina.

Segundo, as mudanças nas pastas da Segurança e da Saúde, com Ciro Gomes atuando como consultor na primeira e depois assumindo a segunda, mostra claramente que o sinal vermelho acendeu neste semestre.

A sorte da gestão Cid é não ter, como foi dito, uma oposição de peso, organizada, pois as fissuras que podem abalar as estruturas do seu apoio popular estão aí. Por enquanto, a pesquisa mostra que as pessoas até entendem que existe boa intenção nas ações do governo, mas começam a mostrar que não há como ficar satisfeito quando os resultados não aparecem.

Publicidade

Violência: Ceará é destaque negativo no El País

Por Wanfil em Ceará, Imprensa

02 de dezembro de 2013

O jornal espanhol El País, um dos mais importantes do mundo, publicou matéria neste domingo (1º), mostrando a contradição na teoria que aponta as desigualdades sociais como principal motivo para o aumento da violência e da criminalidade no Brasil.

Mesmo com redução na taxa de desemprego, elevação do PIB per capita e com aumento no orçamento para segurança nos últimos anos, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes voltou a crescer e hoje chega a 24,3. Para efeito de comparação, o jornal lembra que nos EUA (onde a compra de armas é liberada), essa taxa é de 5 para 100 mil pessoas, enquanto que na maioria dos países europeus não chega a 3.

Na reportagem, o Ceará aparece como destaque negativo:

“Quatro dos cinco Estados mais violentos no Brasil estão situados no Nordeste uma das regiões mais turísticas do país. Alagoas com 64,47 assassinatos por 100 mil habitantes, e Ceará, com 40,6, estão no topo desse ranking.”

O jornal também publicou alguns gráficos com números do Fórum Brasileiro da Segurança Pública e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Reproduzo abaixo dois deles:

– Gráfico comparativo entre os estados brasileiros, com suas respectivas taxas de homicídios de 2012 e a diferença em relação ao ano anterior.

Gráfico compara o crescimento da violência nos estados brasileiros. Fonte: El País

Gráfico compara o crescimento da violência nos estados brasileiros. Fonte: El País

 

– Gráfico com evolução/redução dos gastos com segurança por estado:

Gastos com segurança no Brasil por estado. Fonte: El País

Gastos com segurança no Brasil por estado. Fonte: El País

 

Nota – Wanfil

Existem nessa história dois paradoxos:

1) Apesar dos gastos com segurança no Ceará terem aumentado 53,1%, a taxa de homicídios cresceu 32,2% no mesmo período. As autoridades gostam de lembrar que esses investimentos demandam tempo para apresentar resultado. É um bom argumento quando se trata de uma gestão que inicia, e não de uma que segue para o último ano de um segundo mandato. Não há como fugir da conclusão: faltou competência política e administrativa ao governo;

2) Se os indicadores sociais crescem e a violência não diminuiu, é sinal de que outros fatores, além do econômico, concorrem para essa realidade. Particularmente, incluo nessa conta o lixo ideológico progressista que prega a glamorização da criminalidade como uma suposta forma de resistência de classe (um traficante chamado Marcinho VP virou celebridade festejada pelos bacanas que o viam assim como um Robin Hood brasileiro). Bandido é bandido, seja José Genoino ou Fernandinho Beira-Mar. O resto é conversa mole.

Publicidade

O grande salto: Ceará é o 3º mais violento e o 4º mais dependente do Bolsa Família

Por Wanfil em Ceará

06 de novembro de 2013

Seguem os dados puxados de dois levantamento publicados nos últimos dias, feitos com base em informações oficiais:

Violência – Relatório do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na terça-feira (6):

– O Ceará é o estado em que a violência mais cresceu em 2012, com 32% de aumento nas mortes violentas;
– O Ceará é o 3º estado mais violento do Brasil, com taxa de 42,5 homicídios por grupo de 100 mil habitantes.

Pobreza – Pesquisa do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), divulgada na última sexta (1º):

– O Ceará é o 4º no ranking dos estados com mais pessoas assistidas pelo programa Bolsa Família;
– São 3,8 milhões de cearenses dependentes do Bolsa Família, cerca de 44,6% da população.

Desafios

Não é questão de ser otimista ou pessimista, nem de fechar os olhos para as qualidades da sociedade cearense ou de valorizar apenas problemas: são os números que atestam a situação crítica em que vivemos. É certo que as experiências pessoais e as paixões políticas podem nos pregar peças, porque acabam expostas a uma boa dose de subjetividade. Mas os números, ainda que possam carecer de interpretação, são objetivos.

De qualquer modo, essas informações devem pautar a campanha eleitoral do ano que vem, pelo fato de serem os desafios do momento. A insegurança e a pobreza (que pode ser associada ao desastre da seca), são realidades inegáveis no Ceará. O problema é que geralmente a dinâmica eleitoral distorce os números com interpretações confusas e simplistas. É aguardar para ver como esses temas serão tratados.

Segurança

Sobre a violência, embora o fenômeno seja percebido por todos no dia a dia, a pesquisa dimensiona o quadro demonstrando em seu histórico uma evolução assustadora dos crimes. Disso, o que mais desanima é justamente essa tendência de forte crescimento. Alagoas, por exemplo, lidera o ranking dos homicídios, mas registra um recuo de 14% em sua taxa. No Ceará, tudo indica, teremos um 2013 pior que 2012, ano base para o relatório. E olha que esses são números oficiais. A chance de haver subnotificação é grande.

Bolsa Família

Resta claro que tanta gente pendurada em um programa assistencialista (concebido originalmente para ser um programa compensatório) evidencia uma situação de indigência crônica. Essas pessoas não conseguem renda própria para se emancipar da ajuda governamental. Trata-se de um programa importante e, ao meu ver, bem mais barato que a grana fácil que o BNDES distribui para grupos econômicos como, por exemplo, o de Eike Batista. Mas a essa altura, com o Bolsa Família já está incorporado à cultura econômica dos mais pobres, como prometer essa emancipação sem ser acusado de planejar o fim do programa? Enquanto isso, continuamos assim, entregues as migalhas.

No mais, fica explicado o pouco empenho do governo federal para cumprir promessas como a refinaria e a transposição do São Francisco. Se metade da população precisa de assistência financeira, o segredo é entregar esse dinheirinho direto para o distinto público, sem atravessadores. Como dizia o jornalista Themístocles de Castro, quem dá dinheiro nunca é impopular.

Contexto

Não se trata também de dizer que antes éramos uma maravilha e que agora degringolamos de vez. A violência é grande em todo o país, classificado em 7º lugar entre os mais perigosos, com 50 mil homicídios por ano. Executivos americanos ou europeus de grandes multinacionais só aceitam trabalhar no Brasil se receberem um pacote de segurança para eles e seus familiares.

Vivemos ainda no Nordeste, região pobre como um todo, com baixos índices de desenvolvimento social. Sucessivos governos falharam no planejamento de uma ação contra as desigualdades regionais nesse país continental que é o Brasil.

No entanto, se comparados com nossos vizinhos, que experimentam a mesma conjuntura, atravessamos sim um momento de piora nesses setores. Se a economia cearense cresce mais do que a Brasileira, isso não tem servido para os mais pobres como deveria. Se a violência é questão nacional, nossa decadência nesse sentido é mais intensa. O nível de investimento é alto, mas os resultados são esses que vemos. Na campanha, pode esperar, será dito que os resultados estão aí chegando já, já, na esquina do porvir.

A questão é que não é possível cobrar governos passados. Aliás, alguns até chegaram a reduzir pobreza e violência, que agora voltam a crescer. Só é possível cobrar, ainda que com as devidas ressalvas, quem hoje está no poder.

Publicidade

O grande salto: Ceará é o 3º mais violento e o 4º mais dependente do Bolsa Família

Por Wanfil em Ceará

06 de novembro de 2013

Seguem os dados puxados de dois levantamento publicados nos últimos dias, feitos com base em informações oficiais:

Violência – Relatório do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na terça-feira (6):

– O Ceará é o estado em que a violência mais cresceu em 2012, com 32% de aumento nas mortes violentas;
– O Ceará é o 3º estado mais violento do Brasil, com taxa de 42,5 homicídios por grupo de 100 mil habitantes.

Pobreza – Pesquisa do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), divulgada na última sexta (1º):

– O Ceará é o 4º no ranking dos estados com mais pessoas assistidas pelo programa Bolsa Família;
– São 3,8 milhões de cearenses dependentes do Bolsa Família, cerca de 44,6% da população.

Desafios

Não é questão de ser otimista ou pessimista, nem de fechar os olhos para as qualidades da sociedade cearense ou de valorizar apenas problemas: são os números que atestam a situação crítica em que vivemos. É certo que as experiências pessoais e as paixões políticas podem nos pregar peças, porque acabam expostas a uma boa dose de subjetividade. Mas os números, ainda que possam carecer de interpretação, são objetivos.

De qualquer modo, essas informações devem pautar a campanha eleitoral do ano que vem, pelo fato de serem os desafios do momento. A insegurança e a pobreza (que pode ser associada ao desastre da seca), são realidades inegáveis no Ceará. O problema é que geralmente a dinâmica eleitoral distorce os números com interpretações confusas e simplistas. É aguardar para ver como esses temas serão tratados.

Segurança

Sobre a violência, embora o fenômeno seja percebido por todos no dia a dia, a pesquisa dimensiona o quadro demonstrando em seu histórico uma evolução assustadora dos crimes. Disso, o que mais desanima é justamente essa tendência de forte crescimento. Alagoas, por exemplo, lidera o ranking dos homicídios, mas registra um recuo de 14% em sua taxa. No Ceará, tudo indica, teremos um 2013 pior que 2012, ano base para o relatório. E olha que esses são números oficiais. A chance de haver subnotificação é grande.

Bolsa Família

Resta claro que tanta gente pendurada em um programa assistencialista (concebido originalmente para ser um programa compensatório) evidencia uma situação de indigência crônica. Essas pessoas não conseguem renda própria para se emancipar da ajuda governamental. Trata-se de um programa importante e, ao meu ver, bem mais barato que a grana fácil que o BNDES distribui para grupos econômicos como, por exemplo, o de Eike Batista. Mas a essa altura, com o Bolsa Família já está incorporado à cultura econômica dos mais pobres, como prometer essa emancipação sem ser acusado de planejar o fim do programa? Enquanto isso, continuamos assim, entregues as migalhas.

No mais, fica explicado o pouco empenho do governo federal para cumprir promessas como a refinaria e a transposição do São Francisco. Se metade da população precisa de assistência financeira, o segredo é entregar esse dinheirinho direto para o distinto público, sem atravessadores. Como dizia o jornalista Themístocles de Castro, quem dá dinheiro nunca é impopular.

Contexto

Não se trata também de dizer que antes éramos uma maravilha e que agora degringolamos de vez. A violência é grande em todo o país, classificado em 7º lugar entre os mais perigosos, com 50 mil homicídios por ano. Executivos americanos ou europeus de grandes multinacionais só aceitam trabalhar no Brasil se receberem um pacote de segurança para eles e seus familiares.

Vivemos ainda no Nordeste, região pobre como um todo, com baixos índices de desenvolvimento social. Sucessivos governos falharam no planejamento de uma ação contra as desigualdades regionais nesse país continental que é o Brasil.

No entanto, se comparados com nossos vizinhos, que experimentam a mesma conjuntura, atravessamos sim um momento de piora nesses setores. Se a economia cearense cresce mais do que a Brasileira, isso não tem servido para os mais pobres como deveria. Se a violência é questão nacional, nossa decadência nesse sentido é mais intensa. O nível de investimento é alto, mas os resultados são esses que vemos. Na campanha, pode esperar, será dito que os resultados estão aí chegando já, já, na esquina do porvir.

A questão é que não é possível cobrar governos passados. Aliás, alguns até chegaram a reduzir pobreza e violência, que agora voltam a crescer. Só é possível cobrar, ainda que com as devidas ressalvas, quem hoje está no poder.