segurança pública Archives - Página 3 de 6 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

segurança pública

Governo promete uma arma para cada policial. Como assim?

Por Wanfil em Segurança

07 de Abril de 2017

Tinha Hilux, mas faltava o básico – Foto: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará

Cada policial do Ceará terá uma arma até o final do próximo ano. Foi o que prometeu o governador Camilo Santana nesta semana, atendendo a pedidos dos próprios policias.

O problema não é de hoje. Uma pesquisa do Ministério da Justiça, feita em 2013, mostrou que em seis estados – somente seis – a Polícia Militar não tinha uma para cada agente. No Ceará, ainda de acordo com o governador, é uma arma para dois ou três policiais revezarem.

Ninguém deve governar olhando somente para o passado, entretanto, não se deve fechar os olhos aos erros cometidos, para que não se repitam na hora de elaborar novas políticas. Nos anos em que a violência cresceu vertiginosamente no Ceará, o governo rebatia críticas alegando que nunca se investira tanto no setor. De fato, havia o investimento, o problema estava na qualidade dele: carros de luxo, patinetes na Beira-Mar…

Ações de governo são naturalmente criticadas pela oposição, imprensa e outros setores. Críticas que podem inclusive ser úteis, se ajudam a perfeiçoar programas. O debate faz parte. Se tem convicção no que faz, a gestão deve seguir em frente, mas se com o tempo os resultados não aparecem, e ainda mais se os índices pioram, é preciso humildade dos responsáveis para mudar a linha de trabalho.

Antes tarde do que nunca.

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A verdadeira causa da onda de policiais assassinados

Por Wanfil em Segurança

21 de novembro de 2016

O portal Tribuna do Ceará mostra que 27 policiais foram assassinados no Ceará em 2016, a maioria quando estava de folga, vítima de latrocínio.

Segundo o secretário de Segurança Delci Teixeira, esses mortes estão relacionadas a “fatores inesperados” que provocaram o “instinto policial” das vítimas. O problema é que se nos limitarmos a essa leitura, as vítimas acabam prioritariamente responsabilizadas pelas próprias mortes, tomadas então como meras fatalidades. E não é bem assim que a coisa acontece: esses assassinatos decorrem, antes, do intenso volume de assaltos no Ceará. Em outra palavras: a grande quantidade de mortes de policiais de folga é resultado direto e proporcional ao aumento geral de assaltos.

Segundo a SSPDS, de janeiro a outubro deste ano foram registrados 60.847 casos de “crimes violentos contra o patrimônio”, já próximo ao que foi contabilizado em 2015, com 60.964 registros. São números impressionantes e que muito provavelmente são subnotificado, uma vez que nem todos que são assaltados fazem Boletim de Ocorrência.

Se fosse o caso de hierarquizar causas, o “instinto policial” é acionado como ação de legítima defesa face ao “instinto violento” dos assaltantes. Se os assaltos estivessem diminuindo no estado, as reações causadas por esse tipo de crime – bem como as mortes – também diminuiriam. E o que temos é o contrário disso.

Nesse, digamos, ambiente degradado, o mais grave é perceber que o risco aumenta justamente quando o agente de segurança está de folga ou na reserva, não obstante o fato de que a exposição à violência é algo inerente à profissão. Chegamos ao ponto de ser mais seguro, para um policial, está de serviço.

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Crimes recuam, mas o medo não diminui: por isso segurança ainda é tema eleitoral relevante no Ceará

Por Wanfil em Segurança

13 de outubro de 2016

Passa eleição, volta eleição, o medo da violência é um estado permanente. Imagem: O Grito, de Edvar Munch

Passa eleição, volta eleição, o medo como um estado permanente. Imagem: O Grito, de Edvar Munch

O Governo do Ceará divulgou, na última terça-feira (11), redução de 33% de homicídios do mês de setembro no Estado, em comparação com o mesmo período de 2015. Em Fortaleza, o recuo de impressionantes 57%. Diante desses números, intriga como a segurança continua no centro do debate eleitoral na disputa pela prefeitura da Capital.

É que o tema já predomina desde as eleições para o governo estadual em 2006, quando Cid Gomes foi eleito. Em 2014, com Camilo Santana, não foi diferente. A grande novidade foi a inversão nas taxas de homicídios verificada na atual administração, após a explosão de violência registrada na gestão de Cid Gomes. Mesmo assim o medo persiste, como indicam pesquisas de opinião.

Se por um lado merece reconhecimento ações de Camilo na área, como a retomada do diálogo com os policiais , as promoções, os investimentos (apesar da crise) e a transparência na divulgação dos números,  por outro há algo nos dados oficiais que escapa ao sentimento das pessoas.

A resposta pode estar, talvez, nas ações midiáticas do chamado crime organizado. No mesmo dia em que a redução nos índices foram anunciados, homens armados invadiram uma delegacia em Fortaleza, resgataram sete presos, roubaram um policial e quatro pessoas que faziam boletins de ocorrência e ainda levaram uma viatura e armas. Dois dias antes, um grupo já havia resgatado sete presos da carceragem do prédio da Superintendência de Polícia. Da Superintendência!

São ações que pela ousadia e desrespeito ao poder constituído, geram medo e ofuscam os dados oficiais. Sem contar as rebeliões de março em penitenciárias que ensejaram a presença da Guarda Nacional no Ceará para controlar a situação. Hoje o governo comunicou que irá transferir presos das delegacias para esses presídios, para tentar conter as fugas.

Por fim, ainda existe a suspeita, muito comentada nas ruas, de que a redução nos homicídios é fruto, em parte, de acordos entre quadrilhas para organizar melhor o tráfico, negada com veemência pelas autoridades locais. O fato é que a insegurança, apesar dos números (e o próprio governo é o primeiro a reconhecer – isso também é novidade em relação à gestão anterior – que muito ainda precisa ser feito), continua a fazer do tema o grande vetor eleitoral no Ceará.

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Os bandidos de Sobral

Por Wanfil em Segurança

30 de junho de 2016

A população de Sobral foi surpreendida na última terça-feira por uma inusitada passeata de bandidos, que celebravam um acordo de paz entre gangues de traficantes.

Para quem não é do Ceará, Sobral é uma das principais cidades do Estado, situada na região norte, famosa por ser o berço da família de Ciro Gomes. Na ocasião, quase cem pessoas foram presos por incitação ao crime.

Em entrevistas, tanto o prefeito Veveu Arruda como o governador Camilo Santana, ambos do PT, sugeriram que o episódio poderia ter ligação com interesses eleitorais.

Hã? Como assim? Naturalmente, seus opositores farão criticas, uma vez que não se tem notícia de outro caso igual. Agora, daí a insinuar que o desfile de criminosos tenha sido articulado e coordenado por políticos ou partidos, há uma grande distância. Quais são os indícios? O que a polícia diz? Por que não prendem os supostos responsáveis? Até o momento, não existem fatos concretos que autorizem as ilações de Veveu e Camilo.

Vale lembrar ainda que esse tipo de bandido não precisa de voto. Isso é para outra categoria.

No mais, além de inútil, essa conversa faz lembrar a gestão do ex-governador Cid Gomes. Toda vez que os índices de violência pioravam, o governo se justificava com acusações genéricas contra adversários políticos, como se fossem vítimas indefesas de forças poderosas agindo nas sombras. Milícias, um ou outro deputado, inimigos que em breve seriam desmascarados. Deu no que deu.

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Homicídios caem no Ceará após 17 anos: veja como foi a evolução da violência nesse período

Por Wanfil em Segurança

12 de Janeiro de 2016

O Ceará registrou em 2015 uma queda de 9,5% no número de “Crimes Violentos Letais Intencionais”. O próprio governo reconhece que ainda são índices ainda são muito altos, mas sem bem observadas as circunstâncias e a conjuntura, estancar o aumento de homicídios é um feito que merece reconhecimento, devidamente creditado a atual gestão.

Em entrevista coletiva, o governador Camilo Santana ressaltou o peso desses dados: “Depois de 17 anos — eu gosto de frisar esse número porque 17 anos não são 17 meses nem 17 dias — nós conseguimos uma redução.

É verdade. Por isso mesmo é preciso situar muito bem esses dados, para não correr o risco de repetir erros passados, identificando quando e como a situação degenerou a ponto de fazer do Ceará um dos estados mais violentos do Brasil.

Tempo senhor da razão
Se por um lado é justo que o governo ressalte os 17 anos de crescimento da violência para mostrar o tamanho do desafio, por outro não se pode perder de vista que a evolução da criminalidade nesse período não foi diluída gradualmente, em partes iguais, como se fosse fenômeno dissociado da atuação de governos locais.

Pelo contrário, houve saltos que foram registrados na linha do tempo, como podemos ver no Mapa da Violência, com informações coletadas entre 2002 e 2012.

Tagela Mapa da Violência

Não é o caso de comparar a pesquisa com os números da Secretaria de Segurança, pois as metodologias podem ser distintas. O que vale aqui é o paralelo entre os anos e os demais estados comparados dentro de uma mesma metodologia.

Pelo Mapa, as taxas de homicídios no Ceará passaram a crescer mais aceleradamente a partir de 2006, último ano da gestão Lúcio Alcântara, então no PSDB. Foi aí que Cid Gomes, na época candidato pelo PSB, apareceu prometendo resolver o problema.

Entretanto, uma vez eleito, foi justamente nessa gestão que a situação piorou, degringolando de vez entre 2011 e 2012, quando a taxa subiu impressionantes 36,5% (o dobro do segundo maior aumento, em Sergipe), saltando de 32,7 para 44,6 mortes por grupo de 100 mil habitantes.

Outras amostras
Em outro levantamento, feito pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, a taxa de homicídios no Ceará em 2014, último ano de Cid no governo, chegou a 46,76 por 100 mil habitantes.

tabela-taxa-homicidios 2

Já pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a taxa em 2014 chegou a 48,6.

Tabela anuário

Conclusão
Em 17 anos, a violência cresceu, é fato. Como também é fato que ela explodiu mesmo nos oito anos que precederam 2015. E o que isso significa? Que esse período deve ser estudado como um case invertido, um modelo de como não proceder em segurança pública.

De certa maneira, isso até aumenta a dimensão do feito em 2015, pois a gestão Camilo recebeu o Estado em posição crítica, no pior momento da segurança em sua História.  A construção desse desastre, pelos números, foi uma soma que em determinado momento se agravou localmente de modo intenso, o que revela relação direta entre a insegurança e um modo de fazer política que, se em outras áreas foi bem sucedido, fracassou na segurança como nunca antes se viu, não obstante tentativas de acerto.

Ter isso em mente foi o primeiro passo para começar a reverter esse quadro.

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Quem diria: agora o Capitão Wagner é gente boa

Por Wanfil em Segurança

09 de Janeiro de 2015

As voltas que o mundo dá… Há menos de um mês o Capitão Wagner, liderança entre policiais do Ceará, era apontado pelo agora ex-governador Cid Gomes e seu irmão Ciro Gomes como causa principal dos problemas de segurança no Ceará nos últimos anos, sendo acusado de liderar uma suposta milícia e de agir com interesses meramente eleitorais. Pois agora o governador Camilo Santana (PT) fez o que parecia inimaginável: recebeu Wagner no Palácio da Abolição, na condição de deputado estadual eleito pelo PR e interlocutor legítimo para assuntos de segurança.

A conversa foi mais uma entre os vários encontros individuais que o governador tem feito com deputados estaduais, mas, de todas, a audiência com Wagner, policial militar que liderou uma paralisação da categoria entre o final de 2011 e início de 2012, era a que gerava mais expectativas.

É simplesmente o mais inteligente a ser feito. Se de um lado realmente é preocupante a existência de movimentos que ameacem o sentido de hierarquia nas corporações militares, de outro é inegável que a relação da gestão Cid com os policiais se desgastou até se transformar numa crise de autoridade que degenerou para uma crise institucional, que por fim agravou ainda mais a insegurança no estado, já cambaleante, com índices obscenos de criminalidade, políticas públicas equivocadas e investimentos caros sem retorno. Assim, ao tentar personalizar esse processo na figura de uma única pessoa para fazê-la de bode expiatório da violência, a gestão Cid acabou catapultando a liderança do Capitão – em que pese eventuais críticas ao seu discurso -, para além dos limites da militância corporativa. A reação intempestiva e inábil das autoridades fez com que parte considerável do eleitorado passasse a ver nele o contraponto de protesto contra a situação precária da segurança e o elegesse com votações recordes para vereador e deputado estadual.

Por tudo isso, a nova gestão, ao contrário da anterior, não pretende, ao que tudo indica, enveredar pelo caminho da confrontação. Seria burrice. Os militares também acenam com uma postura mais amistosa. Para não ficar apenas nas palavras, no mesmo dia do encontro o governo anunciou a troca no comando da PM. O novo secretário de Segurança, Delci Teixeira, já trocou elogios públicos com o Wagner. Ficou decidido ainda que o deputado será recebido pelo chefe de gabinete Hélcio Batista e pela vice-governadora Isolda Cela, para tratar sobre reivindicações dos policiais e questões de segurança pública. Como dizem os mais jovens: bufo!

Ao ver essa mudança, fico aqui pensando nos comissionados e terceirizados pendurados nas repartições públicas (herança que lamentavelmente não entrou, por questões políticas, no corte dos gastos de custeio da nova administração), bem como em alguns secretários, assessores e deputados que saíram pelas redes sociais esculhambando o Capitão Wagner na campanha eleitoral. E agora? Poderiam ficar indignados e pedir para saírem, ou romperem com o governo acusando traição, mas algo me diz que ficarão caladinhos. São lindos, eles.

Se esse movimento de diálogo e aproximação vai render dividendos, eu não sei. Espero, pelo bem geral, que sim. Agora é possível dizer apenas que os primeiros passos rumo a uma solução estão sendo dados. Governo e policiais parecem ter consciência de que a intransigência é o pior caminho para quem deseja realmente negociar. Enquanto isso, resta esperar e torcer para que tudo se desenrole de maneira positiva e que enfim os responsáveis pela segurança pública – autoridades, oficiais e tropa -, possam finalmente focar sua atenções no combate ao crime e na redução dos índices de violência. Isso é o que realmente interessa.

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O crime cresce no Ceará e o que fazem o Executivo e o Legislativo? Reduzem penas para os criminosos!

Por Wanfil em Segurança

06 de dezembro de 2014

Nesta semana a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou o projeto de lei, de iniciativa do Executivo, que prevê a redução de pena para detentos que lerem obras literárias. Para cada livro, quatro dias a menos de cadeia, podendo chegar a 48 dias por ano. Por que um livro vale quatro dias e não três ou cinco? Não sei e acredito que nenhum parlamentar saiba. No entanto, vale aqui refletir sobre a essência da matéria.

A ideia de ajudar presos a voltarem ao convívio social é válida como princípio humanista. Isso não se questiona. Se reduzir penas contribui para isso, aí é discutível. Especialistas têm posições diversas a respeito. José Dirceu leu um monte de livros na Papuda. Se hoje é uma pessoa melhor, é um mistério. A questão, nesse caso do Ceará em particular, é o modo e a hora. O “quando” e o “como”, sem esquecer ainda o “quem”. Vou explicar melhor o raciocínio.

Vamos começar pelo “quem”. A política de segurança pública da gestão Cid Gomes, idealizadora do projeto, é um retumbante fracasso, não obstante acertos e méritos em outras áreas. Nunca o crime cresceu tanto como nos últimos oito anos. Segundo o  Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2014, o Ceará tem a segunda maior taxa de homicídios do Brasil. Em 2006 o Estado era o 15º nesse ranking. Pois bem, a pedido dessa gestão, a proposta foi endossada pela base aliada na Assembleia Legislativa. Somente os deputados Heitor Férrer (PDT) e Daniel Oliveira (PMDB) foram contra. Trata-se da mesma base que fechou os olhos para a degradação dos índices de segurança durante esse tempo e que acusou de “pessimistas” os críticos da política em vigor. Faltam-lhes, pois, condições de liderança para agir nesse sentido.

De qualquer jeito, são esses que aparecem agora no último mês do último ano de mandato (olha o “quando”), no apagar das luzes da atual legislatura, para posarem de autoridades ciosas e operantes, preocupadas com a reinserção de presos. No fundo, estão a repetir a cantilena de que tudo não passa de uma questão social, de compreender a psicologia e a sociologia do crime, de ser menos ostensivo e mais compreensivo, de modo que a presente situação possa ser imputada aos limites da condição humana e não à incompetência administrativa e política dessas mesmas autoridades. Como se isso fosse a prioridade do momento. Ora, ajudem a melhorar, senhores, as condições de trabalho da polícia e dos presídios! Seria bem mais útil.

Agora vamos ao “como”. Eu já disse que o debate sobre a ressocialização de presos é legítima. Ocorre que, diante de uma crise de segurança como a que vivemos é preciso antes discutir como reduzir a criminalidade. É tautológico, mas é isso. O italiano Cesare Beccaria já dizia no clássico Das Penas e dos Delitos (1746), que “o rigor das penas deve ser relativo ao estado atual da nação”. Com efeito, o atual estado no Ceará é de conflagração aberta, com vantagem para os criminosos. Beccaria também acreditava que a melhor forma de prevenir os crimes “é a certeza do castigo”. Ou seja, a impunidade estimula o criminoso. No Ceará, existem quase 60 mil mandados de prisão em aberto, segundo o Ministério Público. Boa parte da onda de violência nasce dessa incapacidade de punir bandidos. Mas para o Executivo e o Legislativo no Ceará, a solução é abrandar as penas daqueles que, eventualmente, foram presos. Depois ficam surpresos como tanto investimento em segurança não gerou resultados.

PS. Não estou pregando aqui a violência contra detentos, maus tratos, essas coisas. A prisão deve refletir o sentido de Justiça para proteger, acima de tudo, as pessoas de bem. Se der para recuperar, ótimo, se não der, que o indivíduo seja segregado do convívio com os demais. O momento é de mostrar rigor na aplicação da lei. “Tolerância Zero”. E isso vale também para o Judiciário na hora de ajudar a debelar essa crise. Pedir com jeitinho não vai assustar bandido. É preciso a certeza da punição, da prisão que não seja chamada de “engorda” ou que seja vista como mero contratempo, para intimidar a criminalidade. 

 

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Camilo diz que governo sabe quando e onde os crimes acontecem. Ótimo! Se é assim, só falta agir!

Por Wanfil em Segurança

21 de novembro de 2014

Atenção para a fala do governador eleito Camilo Santana (PT), em entrevista concedida após reunião com a equipe de transição, na quinta-feira (20), para avaliar a situação da segurança pública.

“Hoje o nível de tecnologia, o nível de organização da polícia hoje no Ceará na segurança evoluiu tanto, que hoje a gente sabe onde é que são as áreas mais críticas, os horários que acontecem o maior número de homicídios ou de crimes.”

Repare que o novo governador enfatiza bem o tempo presente com a repetição do advérbio “hoje”. É um tributo ao ainda governador Cid Gomes (Pros), seu padrinho político. Não há o antes, só o agora dotado de qualidades inéditas. Se é assim, é uma boa notícia, uma vez que sabendo onde e quando os crimes acontecem, basta agora partir para a ação. Fica até difícil explicar por qual razão os índices de criminalidade não caíram vertiginosamente. Por incrível que pareça ao governador eleito, o Ceará hoje é o segundo estado mais violento do Brasil, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em 2006, o Estado ocupava a 15ª posição.

O problema desse excesso de zelo para não ferir suscetibilidades é deixar de ver a realidade. Isso não implica em falta de reconhecimento a respeito desses investimentos, mas se não houver a aceitação de que o modelo adotado hoje falou, não será possível fazer as devidas correções para o próximo ano, para o amanhã.

A experiência dos últimos oito anos mostra que esse investimento em equipamentos e tecnologia não foi o bastante. Evidentemente Camilo não precisa sair criticando a gestão Cid, que isso seria deselegante, mas é importante ter em vista que o desastre – e a palavra é essa mesmo – na segurança pública do Ceará é político. Na verdade, faltam rumo e liderança. E isso não pode ser comprado.

É preciso deixar claro desde o início que a política da nova gestão é de tolerância zero, que polícia e governo são parceiros, que a máquina está realmente organizada para atuar de forma coordenada. A crise de segurança, repito quantas vezes for necessário, é antes uma crise de autoridade que só pode ser debelada com pulso firme e sem tergiversações.

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O Ceará no limbo: governo Cid acabou, gestão Camilo é mistério

Por Wanfil em Ceará

13 de novembro de 2014

Velhos problemas, poucas certezas e muitas dúvidas.

Velhos problemas, poucas certezas e muitas dúvidas.

Na semana em que o Anuário Brasileiro de Segurança Pública confirmou o Ceará como o segundo estado mais violento do Brasil (16% de aumento no número de homicídios em um ano), o governador Cid Gomes postou uma série de fotos com obras como a reforma do Cine São Luiz, o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, um viaduto e uma escola profissionalizante em Maranguape. Tudo muito bacana e bonito, mas o silêncio sobre a violência contrasta com a gravidade dos índices anunciados. Enquanto isso, a Guarda Municipal de Fortaleza deixou o programa “Crack, é Possível Vencer”, feito em parceria com a Secretaria de Segurança, por falta de condições de trabalho. Na Via Expressa, tradicional ponto da bandidagem em Fortaleza, cidadãos continuam sendo assassinados. No interior, policiais são executados. De certo modo, o governo Cid não tem mais o que fazer mesmo nessa área e segue agora em modo automático. Resta esperar e contar os mortos.

Após oito anos, o clima parece ser de prestação de contas informal, de despedida. Bons números sempre existem, especialmente em relação a infraestrutura, mérito reconhecido nas urnas. Numa época de desconfiança generalizada contra políticos, Cid foi um governador razoavelmente bem avaliado pela população. Segundo o Datafolha, durante a campanha eleitoral, quando os feitos da administração são realçados pela propaganda, o governador conseguiu média 6,6 e sua gestão foi aprovada por 47% dos entrevistados (em 2010 a aprovação era de 65%). Não é brilhante, mas no contexto atual, foi bom.

Restando menos de dois meses para o fim do governo, nada de impactante será discutido ou anunciado, pois o compasso é de espera. Assim, até janeiro, os cearenses vivem um limbo de comando: o atual governante se despedindo, o novo, Camilo Santana, do PT, se preparando para assumir. E aí é que são elas. Mesmo sendo de continuidade, o governo Camilo é uma incógnita até o momento, por diversas razões. Como dividir a estrutura administrativa entre o PT, que certamente anseia por maior participação, e o Pros, sigla de aluguel que abriga o grupo cidista? Camilo realmente terá independência e autonomia para contrariar interesses? Os conflitos internos na base acontecerão e sua liderança será testada. Esse é outro fator que gera expectativa, pois até hoje o governador eleito nunca liderou grupos políticos. Autoridade não se transfere: ou o sujeito a emana naturalmente, ou não. A força da caneta bastará? Para Dilma, não bastou e sua autoridade, em que pese o estilo pessoal da presidente, não se estabeleceu de fato, pois seus comandados sempre esperam pela palavra de Lula. Que secretários serão mantidos? Aliás, será mesmo bom manter secretários de uma gestão anterior? Mais: quais serão devidamente dispensados? Cargos serão distribuídos para compensar aliados não eleitos?

Por fim, a segurança pública poderá ter um novo rumo? O anuário deste ano tem como base nos dados de 2013. No Ceará, ainda que os índices melhorem na próxima edição, eles são de tal forma ruins, que a única certeza é de que este ainda será o maior desafio da próxima gestão. Passadas as eleições, sem a pressão da disputa, Camilo pode avaliar o que realmente deu errado (e que nunca foi admitido pelo governo estadual) e pensar em mudanças nas políticas públicas para a área. Se fechar os olhos para as falhas da gestão que se encerra, corre o risco de repetir o que não deu certo. E para fazer isso, é necessário não temer melindres. “Reconhecer é aprender, meu amor”, diz o roqueiro Nasi. Janeiro está logo ali.

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Denúncia sobre milícia é blefe para desviar atenção do eleitor

Por Wanfil em Eleições 2014

15 de outubro de 2014

Existe mesmo uma milícia atuando no Ceará com objetivos eleitorais? De acordo com Cid e Ciro Gomes, governador e do secretário da Saúde do Ceará, a resposta é sim. E de acordo com os irmãos Ferreira Gomes, o líder do grupo seria o vereador Capitão Wagner, eleito deputado estadual com a maior votação da história no Estado.

Como nenhuma prova da existência dessa tal milícia é apresentada, a acusação sobrevive apenas como retórica política, sem sustentação material. Tanto é assim que Ciro Gomes pediu ajuda a um grupo militantes partidários, divulgando o próprio telefone para receber denúnciasÉ o disque-me-ajude-a-provar-o-que-eu-digo. Eis um factoide em busca de indícios que lhe sirvam de justificativa. Assim, a imagem de um policial prendendo um aliado do governo por crime eleitoral será utilizada como prova de que, num caso inédito no mundo, a oposição no Ceará persegue a situação com instrumentos do Estado.

Cortina de fumaça

Como a suposta milícia existe somente nas palavras de autoridades envolvidas no processo eleitoral, é preciso verificar os efeitos práticos dessas acusações feitas sem o mínimo rigor investigativo.

De imediato, podemos constatar que: 1) a polêmica desvia o foco do debate sobre políticas de segurança no Ceará, tema evitado na campanha governista por motivos óbvios; 2) a questão acaba reduzida a uma briga entre Ciro Gomes e o Capitão Wagner, evitando uma discussão racional sobre o problema; 3) a baixaria encobre o fato escandaloso de que a grande maioria dos crimes eleitorais ocorridos no primeiro turno envolveu aliados do governo, conforme atesta o próprio Ministério Público Eleitoral. Em resumo, a presepada é tática diversionista para proteger o candidato do governo. O que parece desequilíbrio é, na verdade, método.

Oposição tímida

A denúncia sem prova que toma conta do noticiário durante as eleições também prospera à medida que a oposição não denuncia a armação, única reação eficiente nesses casos, como ensina  Arthur Schopenhauer em suas considerações sobre a dialética erística. Diante de um sofisma, o debatedor deve alertar o público para a manipulação das premissas, de modo a criar nele a desconfiança sobre as conclusões do adversário.

O candidato ao governo Eunício Oliveira (PMDB) poderia dizer, por exemplo, algo assim: “Meu adversário se esconde atrás das agressões feitas por Cid e Ciro, posando de pacífico, mas sem nunca contestar o que dizem, para fugir do debate responsável e profundo sobre segurança pública”.

Já o Capitão Wagner, atendendo ao chamado à passionalidade feito por Ciro, apenas morde a isca do diversionismo. O melhor seria cobrar ao secretário Servilho Paiva, por via judicial, informações sobre a existência ou não de investigação formal sobre as supostas milícias e se o seu nome consta nelas, para depois trazer a discussão de volta ao que interessa: por que os investimentos em segurança não deram os resultados esperados? E como fazer para corrigir o desastre dos últimos anos? Isso é tudo o que o governo quer evitar, o que tem sido feito com sucesso até agora.

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Denúncia sobre milícia é blefe para desviar atenção do eleitor

Por Wanfil em Eleições 2014

15 de outubro de 2014

Existe mesmo uma milícia atuando no Ceará com objetivos eleitorais? De acordo com Cid e Ciro Gomes, governador e do secretário da Saúde do Ceará, a resposta é sim. E de acordo com os irmãos Ferreira Gomes, o líder do grupo seria o vereador Capitão Wagner, eleito deputado estadual com a maior votação da história no Estado.

Como nenhuma prova da existência dessa tal milícia é apresentada, a acusação sobrevive apenas como retórica política, sem sustentação material. Tanto é assim que Ciro Gomes pediu ajuda a um grupo militantes partidários, divulgando o próprio telefone para receber denúnciasÉ o disque-me-ajude-a-provar-o-que-eu-digo. Eis um factoide em busca de indícios que lhe sirvam de justificativa. Assim, a imagem de um policial prendendo um aliado do governo por crime eleitoral será utilizada como prova de que, num caso inédito no mundo, a oposição no Ceará persegue a situação com instrumentos do Estado.

Cortina de fumaça

Como a suposta milícia existe somente nas palavras de autoridades envolvidas no processo eleitoral, é preciso verificar os efeitos práticos dessas acusações feitas sem o mínimo rigor investigativo.

De imediato, podemos constatar que: 1) a polêmica desvia o foco do debate sobre políticas de segurança no Ceará, tema evitado na campanha governista por motivos óbvios; 2) a questão acaba reduzida a uma briga entre Ciro Gomes e o Capitão Wagner, evitando uma discussão racional sobre o problema; 3) a baixaria encobre o fato escandaloso de que a grande maioria dos crimes eleitorais ocorridos no primeiro turno envolveu aliados do governo, conforme atesta o próprio Ministério Público Eleitoral. Em resumo, a presepada é tática diversionista para proteger o candidato do governo. O que parece desequilíbrio é, na verdade, método.

Oposição tímida

A denúncia sem prova que toma conta do noticiário durante as eleições também prospera à medida que a oposição não denuncia a armação, única reação eficiente nesses casos, como ensina  Arthur Schopenhauer em suas considerações sobre a dialética erística. Diante de um sofisma, o debatedor deve alertar o público para a manipulação das premissas, de modo a criar nele a desconfiança sobre as conclusões do adversário.

O candidato ao governo Eunício Oliveira (PMDB) poderia dizer, por exemplo, algo assim: “Meu adversário se esconde atrás das agressões feitas por Cid e Ciro, posando de pacífico, mas sem nunca contestar o que dizem, para fugir do debate responsável e profundo sobre segurança pública”.

Já o Capitão Wagner, atendendo ao chamado à passionalidade feito por Ciro, apenas morde a isca do diversionismo. O melhor seria cobrar ao secretário Servilho Paiva, por via judicial, informações sobre a existência ou não de investigação formal sobre as supostas milícias e se o seu nome consta nelas, para depois trazer a discussão de volta ao que interessa: por que os investimentos em segurança não deram os resultados esperados? E como fazer para corrigir o desastre dos últimos anos? Isso é tudo o que o governo quer evitar, o que tem sido feito com sucesso até agora.