segurança pública Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

segurança pública

Adiada decisão sobre forças federais no Ceará durante as eleições

Por Wanfil em Eleições 2018

27 de agosto de 2018

Tropas federais (FOTO: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O governador Camilo Santana (PT) informou no Facebook que, após reunião com o comando do TRE no Ceará, ficou decidido que uma nova reunião será realizada para definir sobre o eventual reforço de tropas federais netas eleições para os municípios de Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Juazeiro do Norte e Sobral.

Juízes eleitorais consultados pelo Tribunal recomendam que o Governo do Estado solicite o apoio nessas cidades. Segundo Camilo, um plano estadual de segurança será apresentado ao TRE para avaliar o pedido.

O caso é delicado, pois segurança é um dos temas centrais da campanha deste ano. Nessas horas, o melhor é não confundir gestão com eleição. A solicitação não partiu de partidos de oposição ou de candidatos adversários, mas do Poder Judiciário. É possível que adversários apontem fragilidades locais? Sim, mas isso é do debate. Governistas podem, inclusive, alegar que reclamam por esse reforço há tempos, como parte de uma política nacional contra a insegurança.

Além disso, é fato que existem áreas onde motoristas são obrigados a trafegar de vidros abertos e motociclistas sem capacete; onde famílias são expulsas de suas casas por facções; onde estudantes são impedidos de frequentar escolas porque bandidos não admitem alunos que residam em bairros dominados por quadrilhas rivais.

A polícia procura enfrentar essas situações, mas hoje trava uma guerra particular contra o crime organizado. Diante de tudo isso, e observando os índices elevados de violência no Ceará, é preciso reconhecer que nesses lugares será muito difícil garantir eleições realmente livres de pressões e de intimidações.

Os fatos são o que são, o resto é política e eleição.

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Ceará é destaque nacional de insegurança, principal tema das eleições

Por Wanfil em Eleições 2018

09 de agosto de 2018

O Fórum Nacional de Segurança Pública divulgou seu novo Anuário com números sobre a violência no Brasil e nos estados. Como sabemos, o tema tem sido o principal assunto das propagandas eleitorais no Ceará desde 2006.

O governador Camilo Santana, candidato à reeleição, faz constantes alertas sobre o que seria, a seu ver, oportunismo de adversários que cobram resultados diante dos investimentos realizados pelo governo estadual.

Seguem alguns dados compilados pelo Fórum, relacionados ao Ceará:

1. A taxa de mortes por 100 mil habitantes no Brasil é 30,8; mas praticamente dobram no Ceará, chegando a 59,1. Em Fortaleza chega a 77,3;

2. Somente 12 estados apresentaram crescimento das mortes violentas, ajudando a elevar a taxa nacional. O Ceará ocupa a 3ª posição nesse ranking. Outras 15 unidades da federação reduziram assassinatos (cinco na região Nordeste);

3. O Ceará registrou o maior crescimento da violência no Brasil, com 48,6%.

São números que fragilizam o discurso das autoridades cearenses, afinal, a comparação indica que o papel dos governos estaduais pode agravar, reduzir ou inverter o crescimento da violência.

De todo modo, apesar da importância do tema, resultados negativos nessa área não definem eleições. O peso de outras áreas, das coligações e da eficiência da propaganda (a responsabilizar o Governo Federal), pode amenizar o estrago na imagem do Governo do Estado e renovar, para parte do eleitorado, a esperança de que o mesmo grupo será capaz, nos próximos quatro anos, mudar o que não conseguiu até agora.

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Camilo reconhece que segurança pública será o grande tema das eleições no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2018

01 de agosto de 2018

Camilo Santana reconhece que segurança será tema central nas eleições 2018. (FOTO: Tribuna Band News)

Durante evento com aliados na última segunda-feira (30), quando os ataques promovidos por facções criminosas completavam o quarto dia seguido, o governador Camilo Santana (PT) causou suspense entre os presentes ao anunciar que falaria sobre segurança pública.

“Eu queria colocar aqui um tema, que pra mim é muito precioso, porque talvez seja o grande debate que ocorrerá esse ano, nessas eleições, que é o problema da segurança.”

Logo em seguida, a frustração. Candidato à reeleição, Camilo evitou falar dos acontecimentos que mobilizavam até a grande imprensa nacional. Disse que o problema é complexo e envolve os poderes Legislativo e Judiciário, e que o combate ao tráfico de drogas é constitucionalmente uma obrigação do Governo Federal. Entretanto, no que diz respeito ao Estado, o governador se mostrou otimista.

“Eu tenho dito pras pessoas, da mesma forma que o Ceará construiu uma política de sucesso na educação, eu não tenho dúvida que também nós estamos construindo uma política de segurança pública que a médio e longo prazo nós seremos uma referência para o País, eu não tenho dúvida disso”.

O lapso sobre os ataques não foi casual, é claro. O governador coloca a questão de modo mais abrangente para prevenir maiores desgastes de imagem. Até mesmo a oposição anda cautelosa, para não parecer que torce pelo pior. Aliás, ela sabe que a simples cobertura dos acontecimentos já gera um impacto considerável junto a opinião pública.

Apesar do silêncio sobre os ataques, o governador acertou em cheio quando disse que segurança será o tema central da campanha. Assim, para que o debate seja realmente frutífero, tão importante quanto compreender que o assunto é difícil, é saber que a prevalência do tema não se dá por indução ou manipulação política de adversários ou de “oportunistas”, mas pela imposição nua e crua dos fatos. E das facções.

(Texto originalmente publicado no portal Tribuna do Ceará).

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O fim de semana em que cearenses ficaram entre facções e convenções

Por Wanfil em Eleições 2018

29 de julho de 2018

Fortaleza foi palco de onda de ataques entre a noite de sexta e a madrugada de domingo (FOTO: Arquivo)

O final de semana no Ceará foi marcado pela realização de convenções e encontros partidários e pelos ataques a ônibus e a prédios públicos e privados, ao que tudo indica, por obra de facções criminosas.

Nada poderia ser mais representativo de uma realidade do que o encontro entre essas agendas. Eleições e segurança, protagonizam o noticiário político desde a disputa de 2006, quando Cid Gomes foi eleito com seu Ronda do Quarteirão.

Nem sempre os ataques ocorrem em sincronia com o calendário eleitoral. Todo ano é a mesma coisa. Mas agora, com a recente onda chamando a atenção do noticiário nacional desde a sexta-feira, o assunto se coloca como imposição dos fatos.

Nos encontros dos partidos de oposição, não faltaram críticas e cobranças. Mais do que normal, é necessário. Foi assim com o PSL e também na convenção do PSDB e Pros. Já na reunião do PT, no sábado, a principal pauta foi a acomodação de aliados na chapa governista.

Nada mais representativo de uma realidade.

(Texto publicado no portal Tribuna do Ceará)

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Atenção candidatos! FIEC realiza encontro sobre segurança pública no Ceará

Por Wanfil em Ceará

24 de julho de 2018

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) promove, nos dias 24 e 25 de julho, encontro com especialistas para discutir uma “Rota Estratégica da Segurança Pública”. A iniciativa faz parte do projeto Rotas Estratégicas Setoriais, que trata dos temas mais importantes para a indústria cearense, de olho no futuro, mais precisamente, no direcionamento de ações até 2025.

Com efeito, além dos riscos à vida de todos e das implicações psicológicas decorrentes do constante estado de alerta que vivemos, os altos níveis de insegurança têm impacto direto na economia e nos custos de produção. Segurança privada, monitoramento de cargas, limitação de investimentos em áreas perigosas, e por aí vai.

Idealizado pelo presidente da entidade, o empresário Beto Studart, o projeto já traçou cenários sobre questões como água, meio-ambiente e energia, entre outros. E o momento para falar de segurança não poderia ser mais apropriado, às vésperas do início da campanha eleitoral de 2018.

Desse modo, não apenas o governo, que vem amargando recordes negativos na área, mas também os candidatos para a disputa deste ano poderão ter em mãos uma valiosa contribuição apartidária. No encontro, especialistas debaterão “ações em diversos eixos, tais como prevenção à violência, sistema de segurança e defesa social, sistema prisional, sistema socioeducativo e governança”.

Somente a lembrança de discutir o sistema prisional, tema que sempre passa batido nas campanhas, mas que nesses tempos de facções é central na atual crise de segurança, já vale a iniciativa.

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Virou rotina

Por Wanfil em Crônica

27 de Março de 2018

A rotina da insegurança e a lição de Santo Tomás: “o hábito aperfeiçoa a malícia”

Em resposta à recente onda de ataques criminosos no Ceará, o governador Camilo Santana voltou ao Facebook para defender as iniciativas de sua gestão. Uma rápida pesquisa no Google mostra que essa dinâmica de agressões ao Estado seguidas de explicações oficiais nas redes sociais virou uma espécie de rotina. Vez por outra se repete, não obstante os esforços e investimentos anunciados.

Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica IV, explica que “o hábito mau é pior do que os atos viciosos que logo passam”, porquanto “o hábito aperfeiçoa o ato em sua bondade ou em sua malícia”.

É claro que o governo não tem intenções maldosas no que diz respeito à crise na segurança, mas isso não muda o fato de que estamos diante de um mau hábito involuntário, no sentido de rotina. Assim, ser fizermos um paralelo com o tomismo, mais preocupante do que os atos criminosos em si, coordenados a partir de grupos organizados, é a sua repetição sistemática. Ônibus e prédios públicos como alvos para criar medo e constrangimento político.

Dito de outra forma, o problema é a falta de solução eficaz ou de ações que pelo menos o amenizem. Ainda de acordo com São Tomás de Aquino, “o hábito está no meio entre a potência e o ato”. Existe, portanto, o mal em potencial. Na comparação com os problemas de segurança pública no Ceará e no Brasil, essa potência se apresenta nas articulações do crime organizado, especialmente dentro dos presídios. Para que o mal não degenere em hábito, é preciso pois separar a potência do ato.

Amém.

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Segurança pública e eleições no Ceará: novas ideias, novas conquistas

Por Wanfil em Eleições 2018

20 de Março de 2018

Os péssimos resultados na área da segurança pública obrigaram o Governo do Ceará a reescrever seu discurso, com o duplo objetivo de reduzir o desgaste de imagem e impedir que opositores possam se beneficiar eleitoralmente da situação.

Seguidas campanhas eleitorais alimentaram na população uma expectativa de soluções de curto e médio prazos que não se concretizou, gerando imensa frustração. A menos de oito meses para as eleições, dificilmente o quadro agudo de insegurança será revertido. Não podendo mudar a realidade em tempo hábil, o jeito é mudar a conversa.

Dessa forma, mais do que meras desculpas de gestores sem resultados, as cobranças de apoio federal e as explicações sobre a complexidade do problema, com “décadas de falta de planejamento”, procuram constituir antes uma vacina contra eventuais candidaturas da oposição.

Convencer o público de que ninguém – notadamente governos estaduais – é capaz de resolver o problema da segurança, sugerindo que agora, somente agora, promessas nesse sentido são demagógicas e “exploração da desgraça”, é a melhor forma de desestimular, no eleitor, a vontade de mudar.

São novas ideias para novas conquistas… eleitorais.

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Foi Camilo quem pediu votos prometendo uma política de segurança pública. Se não cumpriu…

Por Wanfil em Segurança

31 de Janeiro de 2018

O empenho da gestão Camilo Santana em terceirizar responsabilidades pelo caos na segurança pública do Ceará é tão intenso e nervoso que acaba tendo efeito contrário, fica parecendo desculpa. Ainda mais quando nenhuma autocrítica é feita. Inacreditavelmente governador e assessores (muitos sem experiência política) insistem em dizer que as melhores medidas foram adotadas, que tudo está sob controle e coisas do tipo, sem explicar como tantos acertos conseguiram produzir os piores índices para a área. O discurso não se encaixa nos fatos, isso é óbvio.

Na ânsia de projetar falhas nos outros, o governo esquece de reconhecer os próprios equívocos. Isso não exime o Governo Federal de sua parcela de responsabilidade nesse quadro. O problema é que da forma como o assunto é denunciado por autoridades locais, e na medida em que o governo Federal diz que pode ajudar se o Estado pedir, a impressão é de que todos estão mais preocupados nesse momento de crise em fugir de cobranças do que em resolver mesmo o problema.

Sem contar que os discursos do presente não combinam com as abordagens de outros momentos, principalmente os períodos eleitorais, o que aumenta a desconfiança geral. Se hoje o Governo do Ceará reclama ostensivamente do Governo Federal, é bom lembrar que até 2016 (ano do impeachment) isso era proibido, por pura conveniência política, pois as estatísticas no Estado já estavam entre as piores do país desde 2007, sem que jamais os então aliados do Palácio do Planalto associassem segurança pública com as gestões Lula ou Dilma. Se antes não havia conexão direta, agora fica complicado tentar estabelecê-la.

Outro ponto: entre o final do governo Cid e o início da gestão Camilo, quando houve uma breve redução nos homicídios, resultado de um frágil acordo entre as facções (que o governo negava na intenção de levar todos os méritos), ninguém do Executivo parabenizou o Judiciário, o Legislativo ou a Polícia federal. Era tudo pois obra do governo estadual. Assim, por que não haveria também de ser quando as coisas pioram?

Por último, nas campanhas eleitorais os principais candidatos sempre destacam o protagonismo do Estado nas políticas de segurança, prometendo ações, programas e liderança. Com Camilo não foi diferente. Por isso tudo, a repentina lembrança de que existe uma divisão de responsabilidades acaba com jeito de tentativa de inverter culpas.

Não adianta. Quem prometeu e não cumpriu sempre estará em dívida. Fica a lição para as próximas eleições.

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Repita: “Nunca se investiu tanto em segurança no Ceará”

Por Wanfil em Segurança

27 de dezembro de 2017

Tirei uns dias de folga neste final de ano, mas acompanhei como ouvinte a entrevista do governador Camilo Santana (PT) à Band News FM, nesta quarta-feira. De modo que voltei apenas para comentar, rapidamente, um dos pontos abordados, pela importância do tema.

Camilo disse que “nunca se investiu tanto em segurança como agora”, para explicar como o Governo do Ceará enfrenta a onda de homicídios que bateu recorde em 2017. Sabe aquela sensação de familiaridade que nos surpreende diante de algo que deveria ser novidade? Aquilo que o franceses chamam de déjà vu (já visto)? Pois é. Nesse caso, tal percepção é facilmente identificada, uma vez que é mesmíssima resposta dada pelo ex-governador Cid Gomes (PDT) nas suas gestões.

De fato os investimentos aumentaram ano após ano. Tanto é que ninguém acusa algo nesse sentido. Revela, como atenuante,  que as tentativas de acerto existem, mas o problema é que apesar da boa vontade, a violência também cresce, e muito. Só para lembrar, em 2006, ano da primeira eleição de Cid ao governo estadual, o total de homicídios no Ceará não chegava a 1.800 por ano (segundo o Atlas da Violência). Por isso mesmo prometeram o Ronda do Quarteirão. Agora, estamos na casa dos cinco mil/ano!, de acordo com dados oficiais do próprio governo estadual.

Assim, apresentar a ampliação de recursos como prova de ação enquanto os resultados pioraram em proporção muito maior, não parece lá uma boa estratégia. Significa dizer que se gasta mais para fazer pior. É o que indicam os números. Insistir no mesmo discurso é fazer como no poema de Drummond: “Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução”. Insistir no investir pode até rimar, mas não garante solução.

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Lei estadual de segurança nos bancos impede uso de óculos escuros nas agências. Agora vai!

Por Wanfil em Segurança

15 de dezembro de 2017

Agência destruída por quadrilha em Baturité. Portas giratórias nada podem contra dinamites (Tribuna do Ceará)

Millôr Fernandes escreveu, em 1978, um texto sobre prevenção e segurança no Rio de Janeiro, em que dizia: “Como os assaltos crescem dia-a-dia, não podendo contê-los, a PM, sabiamente, dá conselhos aos cidadãos para serem menos assaltados”.

Em seguida listou as orientações repassadas ao público naquela ocasião. Destaco duas: “Não demonstre que carrega muito dinheiro”; “Evite aglomerações. Nos locais em que todos se acotovelam os punguistas agem”.

Por fim, sem duvidar das boas intenções das autoridades, mas com sua clássica ironia, concluiu: “Depois de ler com extrema atenção estas instruções oficiais, acrescento as minhas, ou melhor, resumo: 1) Não saia de casa. 2) Se possível, não saia do quarto. 3) De preferência, não saia do cofre“.

No Ceará, onde assaltos a bancos na capital e no interior acontecem semanalmente, geralmente de madrugada, fora do horário de expediente, com direito a explosões de dinamite e ataques a delegacias, não podendo contê-los, o Governo do Estado informa à população: “Camilo Santana sanciona lei inédita no Brasil para regulamentar segurança bancária“.

Li o projeto no site da Assembleia Legislativa. Entre as medidas, além da blindagem dos vidros das agências, a lei proíbe, no seu Artigo 4, inciso II, “o uso de óculos escuros ou espelhados com finalidade meramente estética” nos estabelecimentos financeiros. Agora vai!

Repetindo Millôr, acrescento sugestões para novas leis contra o crime: 1) É proibido ter dinheiro nos bancos; 2) É proibido ao cidadão o acesso a agências e caixas eletrônicos; 3) É proibido transportar dinheiro ou cartões, no máximo, será permitido portar vales-transporte.

Pronto. Problema resolvido.

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Lei estadual de segurança nos bancos impede uso de óculos escuros nas agências. Agora vai!

Por Wanfil em Segurança

15 de dezembro de 2017

Agência destruída por quadrilha em Baturité. Portas giratórias nada podem contra dinamites (Tribuna do Ceará)

Millôr Fernandes escreveu, em 1978, um texto sobre prevenção e segurança no Rio de Janeiro, em que dizia: “Como os assaltos crescem dia-a-dia, não podendo contê-los, a PM, sabiamente, dá conselhos aos cidadãos para serem menos assaltados”.

Em seguida listou as orientações repassadas ao público naquela ocasião. Destaco duas: “Não demonstre que carrega muito dinheiro”; “Evite aglomerações. Nos locais em que todos se acotovelam os punguistas agem”.

Por fim, sem duvidar das boas intenções das autoridades, mas com sua clássica ironia, concluiu: “Depois de ler com extrema atenção estas instruções oficiais, acrescento as minhas, ou melhor, resumo: 1) Não saia de casa. 2) Se possível, não saia do quarto. 3) De preferência, não saia do cofre“.

No Ceará, onde assaltos a bancos na capital e no interior acontecem semanalmente, geralmente de madrugada, fora do horário de expediente, com direito a explosões de dinamite e ataques a delegacias, não podendo contê-los, o Governo do Estado informa à população: “Camilo Santana sanciona lei inédita no Brasil para regulamentar segurança bancária“.

Li o projeto no site da Assembleia Legislativa. Entre as medidas, além da blindagem dos vidros das agências, a lei proíbe, no seu Artigo 4, inciso II, “o uso de óculos escuros ou espelhados com finalidade meramente estética” nos estabelecimentos financeiros. Agora vai!

Repetindo Millôr, acrescento sugestões para novas leis contra o crime: 1) É proibido ter dinheiro nos bancos; 2) É proibido ao cidadão o acesso a agências e caixas eletrônicos; 3) É proibido transportar dinheiro ou cartões, no máximo, será permitido portar vales-transporte.

Pronto. Problema resolvido.