segurança Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

segurança

A cinco meses da eleição governo propõe Superintendência de Pesquisa para Segurança

Por Wanfil em Segurança

09 de Maio de 2018

Corrida contra o tempo: segurança e eleições terão novo encontro em outubro

A Assembleia Legislativa aprovou nesta quarta-feira o pedido de urgência para a tramitação de um projeto enviado pelo Governo do Estado, que cria a Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública do Ceará (SUPESP).

O objetivo, de acordo com o texto enviado aos deputados, é “realizar pesquisas, estudos, projetos estratégicos e análise criminal para o fortalecimento da formulação da política de segurança pública“.

A urgência é compreensível. Faltam pouco menos de cinco meses para as eleições e de sete meses para o fim da atual gestão.

É bom saber que passados quase três anos e meio desde a eleição passada, quando a segurança pública foi o principal tema, e continuando a experiência dos oito anos do governo anterior, a formulação da política de segurança pública será finalmente fortalecida com pesquisas, estudos, projetos estratégicos e análise criminal.

Publicidade

Força-Tarefa no Ceará: a palavra-chave é Controle

Por Wanfil em Segurança

19 de Fevereiro de 2018

A Força-Tarefa com 36 homens enviada pelo Governo Federal ao Ceará para ajudar (ou assumir?) a área da inteligência na segurança pública é boa notícia, pois a necessidade realmente existe. Isso é consenso. A questão, política, está no intervalo entre o anúncio desse reforço e seus resultados. Esse intervalo será palco de uma disputa de “narrativas” na composição dos discursos eleitorais.

De cara, a iniciativa repercute politicamente nas seguintes questões: 1) há o reconhecimento de que o Estado não tem mesmo condições de combater sozinho as facções, ou seja, nem tudo está sob controle como garante o governo; 2) essa responsabilidade está doravante compartilhada com o governo federal, que assume o controle na frente investigativa, embora todos neguem que haja transferência de controle; 3) o governo cearense ganha tempo diante das cobranças por redução nos crimes (e se for o caso, qualquer ônus por eventual insucesso será transferido para os federais); 4) reforça, neste início, a imagem do senador Eunício Oliveira, que controla a mediação entre o presidente Michel Temer e Camilo Santana. Em caso de insucesso, ou de agravamento nos índices, o senador poderá ser cobrado junto com o Governo Federal.

O risco, como já disse, reside na possibilidade de fracasso. Foi gerada muita expectativa em cima da atuação federal. Em tese, a oposição poderia se beneficiar, mas precisa tomar cuidado e controlar a ansiedade para não ser acusada de torcer contra, portanto, tem que se mostrar propositiva e até, por incrível que pareça, colaborativa. Por outro lado, sem prazos definidos ou metas claras (na primeira entrevista nada foi apresentado nesse sentido), a presença da Força-Tarefa pode alimentar aquele tipo de lorota que os cearenses escutam há onze anos, de que tudo está sendo feito e que os efeitos pacificadores vão aparecer logo, logo. Tomara que dessa vez apareçam, é claro, pelo bem de todos.

Resumindo, o governo diz que tem o controle da situação, mesmo assim pede a ajuda da Força-Tarefa para manter o controle, sem que se anunciem quais são as metas para o controle de avaliação, na expectativa de reduzir o controle das facções.

Publicidade

Governo atarantado após Chacina das Cajazeiras

Por Wanfil em Segurança

29 de Janeiro de 2018

As entrevistas e declarações de autoridades cearenses depois da chacina das Cajazeiras, em Fortaleza, foram desastrosas para a imagem do governo do Ceará, pelo menos nesse primeiro instante. Se a intenção foi conter danos, o tiro saiu pela culatra. Tiro no sentido metafórico.

O secretário de Segurança Pública, André Costa, comparou o episódio aos atentados terroristas nos países desenvolvidos, igualando crimes de naturezas distintas. O governador Camilo Santana se irritou com um repórter da Folha de São Paulo durante entrevista coletiva, que perguntou sobre a capacidade de controle do Estado diante desse quadro de violência. Segundo Camilo, tudo está sob controle e o governo “tem todas as informações em relação ao que acontece de homicídios, todos os dias no Estado, por área, por hora, por região, por cidade e por bairro”. Há uma evidente confusão entre informação e controle, no sentido de contenção, de afirmação do poder público sobre o todo o território no estado.

Manifestações precipitadas, disparadas (sentido literal, novamente) no calor do momento, revelam que a reação diante da repercussão negativa na imprensa nacional e internacional, especialmente no Jornal Nacional, da Rede Globo, se deu na base do improviso. Nada disso aconteceu quando se anunciou o balanço de homicídios de 2017, com alta de 50% em relação ao ano anterior, perfazendo o recorde de cinco mil assassinatos. Ninguém deu coletiva ou formou força-tarefa. Nada aconteceu, embora os índices exigissem medidas emergenciais. Se agora é diferente, é por causa da repercussão em ano eleitoral.

Pela complexidade do problema, com a multiplicidade de diagnósticos e de intervenções possíveis, a segurança pede mesmo um profundo debate com setores organizados da sociedade, como se propõe a fazer a força-tarefa anunciada às pressas pelo governo. Mas ao fazer isso somente no último ano da atual gestão, tem-se a impressão de que o governo perdeu o timing para propor mudanças. Acossado pelos fatos, corre atarantado, batendo cabeça, atrás de novas desculpas e novos culpados para a escalada da violência no Ceará.

Publicidade

A diferença da segurança pública cearense no Facebook e no mundo real

Por Wanfil em Segurança

23 de agosto de 2017

No Facebook

Todas as terças o governador Camilo Santana interage com internautas via Facebook. A ideia é bacana e naturalmente as ações de governo são apresentadas ao público. No que diz respeito a segurança pública, Camilo cita investimentos e faz declarações sobre o combate contra a criminalidade.

Disse em abril passado que deseja”botar o bandido na cadeia ou botar o bandido pra correr do estado do Ceará“. Ontem anunciou novidades: “Já foram entregues nove batalhões fixos, regionalizados, com equipes de até 35 homens. A ação do Raio tem sido tão eficiente, positiva, que tomamos a decisão de implantar o sistema em todos os municípios com mais de 50 mil habitantes”.

Essa é a segurança pública do Ceará no Facebook: um prodígio de ações e determinação.

No mundo real

Os homicídios aumentaram 6,8% no Brasil, na comparação entre o primeiro semestre de 2016 e deste ano. Pernambuco – com aumento de 38%; Ceará – com alta de 32%; e Rio Grande do Norte – com 26%, puxaram os índices para cima. A informação foi divulgada pelo Estadão, a partir de dados fornecidos pelas secretarias estaduais de segurança. 

Para quem diz que o problema é nacional, insinuando que se repete em todo o país com a mesma intensidade, vale destacar que em Tocantins os assassinatos caíram 42%. E no próprio Nordeste há bons resultados, como em Sergipe, que reduziu os assassinatos em 12% e na Paraíba, com recuo de 10%.

Confira a tabela do Estadão:

Os investimentos existem, assim como acontecia no governo Cid Gomes, com resultados desastrosos. O Raio sozinho não pode compensar as deficiências de planejamento e gestão da Segurança e da Justiça. Como podemos ver, não são os bandidos que estão correndo, mas os homicídios.

A distância entre o virtual e o real pode ser explicada pela necessidade de se construir um discurso político e também eleitoral para a segurança.

Publicidade

Autoridades em busca de explicações para a insegurança no Ceará

Por Wanfil em Segurança

11 de julho de 2017

O governador Camilo Santana defendeu a criação de uma lei que obrigue bancos gastem mais com segurança, de modo a inibir ataques a agências no interior do Ceará. Embora pareça uma solução, seria apenas um paliativo, já que as quadrilhas continuariam a cometer crimes, variando talvez de método e de alvos. A ideia foi anunciada em entrevista à rádio Tribuna Band News nesta terça-feira (11).

Na terça passada (4), o presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, afirmou que o secretário de Segurança, André Costa, “precisa da ajuda da população para que seu projeto tenha sucesso”. Bom, se dependesse da vontade consciente da população, a violência jamais teria chegado aos patamares atuais, não é mesmo?

Já o secretário Costa, comentando na última sexta (7) o aumento de 91% nos homicídios em junho deste ano, comparado com junho de 2016, criticou o judiciário e a superlotação carcerária. Em resposta, o presidente do Tribunal de Justiça, Gladyson Pontes, disse que falta de educação para os jovens.

Fica evidente que apesar das boas intenções, e delas o inferno está cheio, cada autoridade aponta para um lado. Não há um discurso coeso, uma avaliação compartilhada. Na mesma entrevista à Band News, Camilo avaliou que a insegurança é uma combinação de causas diversas, no que tem razão. O desafio, portanto, é unir ações a partir de valores e de políticas públicas consensuais entre os responsáveis por encaminhar saídas para o problema.

Não é o que parece acontecer. O programa Ceará Pacífico, inspirado na experiência de Pernambuco, ensaiou caminhar nesse sentido, mas os números e as falas mostram o contrário.

Publicidade

O direito à verdade segundo Jean Cocteau e o crime organizado no Ceará

Por Wanfil em Segurança

05 de Maio de 2017

“Existem verdades que a gente só pode dizer depois de ter conquistado o direito de dizê-las”. O aforismo sempre atual é do escritor francês Jean Cocteau, que morreu em 1963. Certas verdades precisam mesmo ser respaldadas pelo histórico de quem as enunciam.

Conquistar o direito a dizer algumas verdades exige tempo, que testa a coerência das convicções de quem fala. De outro modo, a verdade acaba sujeita às conveniências de um ou outro momento, especialmente quando o assunto é política.

Nesta semana mesmo o governador Camilo Santana responsabilizou o governo federal pelas falhas no combate ao tráfico de drogas no Brasil e no Ceará: “Esses crimes contra a ordem social, como o tráfico de drogas, são crimes federais. A responsabilidade disso é do Governo Federal”.

É verdade, pelo menos em parte, já que os governos estaduais têm naturalmente sua parcela de responsabilidade no assunto. De fato o governo federal deixa muito a desejar e não é de hoje. Porém, não se tem notícia de ninguém do PT no Ceará dizendo isso quando Lula ou Dilma presidiam o País. E mais: o desastre na política de segurança da gestão do aliado Cid Gomes, que ajudou a criar o ambiente ideal para a expansão do crime no Estado, é suprimido na hora de apontar as causas do crescimento do tráfico e do crime organizado por aqui.

A verdade, dita assim, quando convém, fica parecendo desculpa. Perde a força.

Publicidade

Cartão de visitas do crime

Por Wanfil em Segurança

08 de Fevereiro de 2017

Os homicídios voltaram a crescer no Ceará. No mês passado o novo secretário de Segurança, André Costa, ganhou notoriedade ao participar de ações policiais de “Operação Cartão de Visitas’. Em seguida, causou alguma polêmica ao afirmar, em entrevista coletiva, que criminosos poderiam decidir entre a rendição ou o enfrentamento com a polícia, situações colocadas na ocasião como escolha entre Justiça ou cemitério.

Ao comentar aqui no blog sobre as declarações do secretário, que considero até mesmo um tanto tautológica, pois é mais do que justo que policiais reajam a ataques de criminosos, adverti para a “grande distância entre falar o que a maioria quer ouvir e efetivamente resolver o problema”.

Pois bem, o Governo do Ceará, como tem feito mensalmente, sempre com a presença do governador Camilo Santana, divulgou nesta segunda o número de homicídios no Estado. Em janeiro de 2017 o aumento foi de 46,5%, em relação com dezembro de 2016, quebrando a sequência de reduções do ano passado. Em Fortaleza, o aumento foi de 26,8%, em comparação com janeiro de 2016.

O estrago na última década foi grande demais para ser resolvido de uma hora para outra.

Publicidade

Turismo em queda no Ceará

Por Wanfil em Segurança

04 de agosto de 2016

Matéria do jornal O Povo desta quinta-feira (4), sobre queda, no Ceará,  de 5,3% no fluxo de turistas nacionais e de 1,4% entre os internacionais entre no primeiro trimestre de 2016, segundo dados divulgados pela Fecomercio.

Arialdo Pinho, secretário do Turismo do Estado, acredita que a falta de divulgação e de mais voos internacionais são fatores que prejudicam a atratividade turística internacional.

O turismo nacional, claro, sofre com a crise econômica. Já o internacional, além das justificativas apontadas pelo secretário, é preciso lembrar outro fator bastante incômodo: Fortaleza está entre as capitais mais violentas do Brasil e do mundo.

O turista estrangeiro interessado em conhecer o Brasil nas Olimpíadas pode encontrar na Forbes, por exemplo, a informação de que Fortaleza lidera a taxa de homicídios no País: “Within the top 50, Brazil’s most violent cities are mainly in the north, far from the Olympic city of Rio de Janeiro“.

É bom não menosprezar o efeito causado pelo medo, na hora de pesar as razões dessa redução.

Publicidade

Policiais mortos no Ceará: o luto e a luta

Por Wanfil em Segurança

01 de julho de 2016

Três policiais foram mortos e um foi baleado em Quixadá por uma quadrilha de roubos a carros-fortes, na tarde de ontem, quinta-feira. Outros dois foram feitos reféns e depois soltos.

Na prática, os policiais não tiveram chance ao cumprir sua missão de combater o crime. As quadrilhas que agem na região do Sertão Central usam armamento pesado, muito pesado. A Segurança Pública está de luto. Quixadá e os cearenses estão de luto.

A caçada aos bandidos promete ser intensa. O caso, no entanto, enseja reflexões que não visam criticar ninguém, pois o momento é de unir forças, mas que precisam ser encaradas de frente. Divido com vocês, e sei que muitos policiais acompanham o blog, algumas delas:

1 – A unidades do interior do Ceará estão preparadas, com o devido treino, apoio e armamento, para enfrentar esses grupos?
2 – Os procedimentos de abordagem a suspeitos de assaltos dessa natureza nas nossas estradas devem mudar?
3 – Não será o caso de buscar um intercâmbio com estados do Sudeste que lidam a mais tempo com quadrilhas desse tipo?

Não sou especialista em Segurança, falo apenas como alguém profundamente consternado com a morte desses policiais, que nos faz lembrar a importância da corporação. Aliás, o próprio governador mostrou seu pesar no Facebook.

A gestão Camilo Santana começou sob pressão na área da segurança pública, dada a herança que recebeu, mas conseguiu mostrar resultado. Restabeleceu a autoridade do governo no setor, pacificou a relação entre comando e tropa, conseguiu punir maus profissionais sem causar crises e tem reduzido os homicídios no Estado.

Ocorre que os assaltos a banco e a carros-fortes ameaçam reforçar o que chamamos de sensação de insegurança. Portanto, a reação do presente precisa levar em conta o planejamento para o futuro. Que o sacrifício dos agentes em serviço não tenha sido em vão.

Publicidade

Força Nacional de Segurança no Ceará: decisão certa que não apaga erros

Por Wanfil em Segurança

24 de Maio de 2016

O pedido de reforço do governo estadual feito à Força Nacional de Segurança após a carnificina do final de semana nos presídios de Itaitinga e Caucaia, na Grande Fortaleza, que deixaram saldo provisório de 18 mortos segundo a Secretaria de Justiça, é plenamente justificável e acertado. O momento é de “estabilizar” o sistema carcerário, como bem enfatizaram o governador Camilo Santana e a Secretaria de Justiça, comandada pelo advogado Hélio Leitão.

Nessas horas, governos costumam hesitar por medo de parecerem inoperantes ou incapazes. Cabe então o registro de que nesse momento crítico o governo estadual priorizou a busca por uma solução do problema, com o apoio de outras instituições, como o Ministério Público. Parece uma tautologia, mas não custa lembrar que na greve dos policiais em 2011 o governo, sem comando, conseguiu piorar o que já era ruim.

A decisão acertada, no entanto, não apaga os erros que resultaram no espetáculo de selvageria dentro dos presídios. O estopim desse barril de pólvora que é a superlotação das prisões foi aceso por agentes penitenciários que, em greve, impediram as visitas aos presos. Deu no que deu. As devidas responsabilidades deverão ser apuradas assim que o quadro volte a uma normalidade mínima.

Mas é fato que emparedado pelo caos, o Governo do Estado recuou e aceitou as reivindicações da categoria. Ora, se havia possibilidade de acordo, faltou capacidade das partes na condução das negociações. Impasse que resultou em mortes.

Quanto a superlotação, boa parte do problema é causado pela lentidão do judiciário: 70% dos presos são provisórios à espera de julgamento. Muitos poderiam cumprir penas alternativas, a depender da gravidade do crime. Daí que essa seja uma questão nacional. De todo modo, cabe ao executivo gerir o amontoado que se avoluma nas penitenciárias, cadeias e delegacias, que por sua vez, são precárias, inseguras e ineficientes, como atestam as fugas semanais que acontecem por todo o Ceará.

O problema dos presídios precisa sim de um profundo debate que exige até mesmo mudanças na legislação. Antes disso, porém, toda essa tragédia exigirá mudanças locais mais imediatas assim que tudo se estabilize. Ficar como estava é que não tem condição.

Publicidade

Força Nacional de Segurança no Ceará: decisão certa que não apaga erros

Por Wanfil em Segurança

24 de Maio de 2016

O pedido de reforço do governo estadual feito à Força Nacional de Segurança após a carnificina do final de semana nos presídios de Itaitinga e Caucaia, na Grande Fortaleza, que deixaram saldo provisório de 18 mortos segundo a Secretaria de Justiça, é plenamente justificável e acertado. O momento é de “estabilizar” o sistema carcerário, como bem enfatizaram o governador Camilo Santana e a Secretaria de Justiça, comandada pelo advogado Hélio Leitão.

Nessas horas, governos costumam hesitar por medo de parecerem inoperantes ou incapazes. Cabe então o registro de que nesse momento crítico o governo estadual priorizou a busca por uma solução do problema, com o apoio de outras instituições, como o Ministério Público. Parece uma tautologia, mas não custa lembrar que na greve dos policiais em 2011 o governo, sem comando, conseguiu piorar o que já era ruim.

A decisão acertada, no entanto, não apaga os erros que resultaram no espetáculo de selvageria dentro dos presídios. O estopim desse barril de pólvora que é a superlotação das prisões foi aceso por agentes penitenciários que, em greve, impediram as visitas aos presos. Deu no que deu. As devidas responsabilidades deverão ser apuradas assim que o quadro volte a uma normalidade mínima.

Mas é fato que emparedado pelo caos, o Governo do Estado recuou e aceitou as reivindicações da categoria. Ora, se havia possibilidade de acordo, faltou capacidade das partes na condução das negociações. Impasse que resultou em mortes.

Quanto a superlotação, boa parte do problema é causado pela lentidão do judiciário: 70% dos presos são provisórios à espera de julgamento. Muitos poderiam cumprir penas alternativas, a depender da gravidade do crime. Daí que essa seja uma questão nacional. De todo modo, cabe ao executivo gerir o amontoado que se avoluma nas penitenciárias, cadeias e delegacias, que por sua vez, são precárias, inseguras e ineficientes, como atestam as fugas semanais que acontecem por todo o Ceará.

O problema dos presídios precisa sim de um profundo debate que exige até mesmo mudanças na legislação. Antes disso, porém, toda essa tragédia exigirá mudanças locais mais imediatas assim que tudo se estabilize. Ficar como estava é que não tem condição.