segundo turno Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

segundo turno

Camilo nega rompimento, mas endossa fala de Cid: “Eu também sempre fui um crítico”

Por Wanfil em Eleições 2018

17 de outubro de 2018

(FOTO: Divulgação/Facebook/Camilo Santana)

Buscando conter o estrago dos ataques que Cid Gomes fez ao PT em reunião pró-Haddad, na última segunda-feira (15), em Fortaleza, o governador Camilo Santana disse que a seu ver não existe possibilidade de rompimento do PT com o PDT no Ceará.

Sobre as cobranças do senador eleito pelo PDT e seu padrinho político, que deram munição para Jair Bolsonaro (PSL), Camilo Santana afirmou, segundo o jornal Valor Econômico, que o “desabafo” de Cid não é motivo para inviabilizar a aliança, “até porque eu também sempre fui um crítico e dei declarações no sentido de que era importante o PT reconhecer alguns erros que foram cometidos”.

É verdade, porém, o tom dos pedidos de autocrítica do governador nunca foi, evidentemente, hostil. Já a contundência, a forma agressiva e o momento (em pleno segundo turno) escolhido por Cid correspondem sim, no conjunto, a um rompimento. É inegável que a relação entre as direções nacionais do PT e do PDT azedou de vez.

A entrevista foi concedida em Brasília, após reunião para destravar recursos com o senador Eunício Oliveira, do MDB, que acabou derrotado em sua campanha à reeleição, mesmo com o apoio do governador, pois não contou com o engajamento do grupo político liderado por Cid.

Camilo age com cuidado para preservar sua base de apoio, porém, ao dar razão a Cid nesse episódio, afaga o PDT por um lado, mas por outro deixa as lideranças do PT cearense, que optaram por não responder os ataques para não prejudicar Haddad, em posição constrangedora.

O certo é que diante de tantas arestas, quanto mais falam, mais se complicam. A roupa suja entre PT, PDT e MDB no Ceará será lavada depois da eleição.

(Texto produzido para o Portal Tribuna do Ceará)

Publicidade

Cid mira no PT e acerta em Camilo Santana: “Só foi governador porque o PDT apoiou!”

Por Wanfil em Eleições 2018

16 de outubro de 2018

Cid Gomes cobrou o apoio dado para eleger Camilo Santana (FOTO: Reprodução)

O discurso em que Cid Gomes, senador eleito pelo PDT, esculhamba o PT e os petistas durante evento de apoio a Fernando Haddad, em Fortaleza, ganhou repercussão nacional. A cobertura foca o ressentimento dos pedetistas com Lula e o PT (assunto que tratei em outro artigo no final de semana: PT e PDT se estranham: em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão), deixando escapar um aspecto local de grande relevância para os cearenses. É que ao mirar no PT, Cid humilhou o governador reeleito Camilo Santana, petista e anfitrião do encontro realizado na noite desta segunda-feira (16), no hotel Marina Park.

Depois de dizer que o PT merecia perder por não se desculpar pelas “besteiras” que fez, referência eufemística aos crimes cometidos pelo partido, Cid criticou a natureza hegemônica do petismo e se colocou como contraponto vivo dessa prática: “Nós sempre fomos democratas. Nós nunca quisemos ser hegemônicos. Nós sempre compartilhamos o poder. Quer prova maior? Eu votei no PT em Sobral!”.

Continuando com o que seriam exemplos de renúncia em benefício do PT, disparou:

“O Camilo só foi governador – com todos os méritos que ele tem, porque também não teria escolhido se não tivesse talento, se não tivesse competência, se não fosse amigo do povo – porque o PDT, compreendendo momentos políticos e sem ser partido hegemônico, apoiou a candidatura do Camilo”.

Na verdade, ao cobrar publicamente a eleição e a reeleição de Camilo, diminuindo a autoridade do governador diante da própria base aliada, Cid expressou uma compreensão particular de hegemonia, em que aliados são colocados em cargos eletivos por uma espécie de concessão política do seu grupo familiar. O recado foi claro: quem manda é quem tem voto.

O deputado federal petista José Guimarães disse no Twitter que “acabou a liança no Ceará”. Depois apagou a postagem, mas o registro já estava feito. E Camilo, como reagiu? Cid deixou o palanque sem anunciar formalmente apoio a Haddad. Logo depois o governador foi chamado para discursar e mandou ver:

“Boa noite! Tá um calor danado aqui, não tá. Quem tá com calor aí levanta o braço! (…) Queria cumprimentar e agradecer a presença de todos pedindo uma salva de palmas a todos vocês que estão aqui: prefeitos, prefeitas, vice-prefeitos prefeitos, vereadores, lideranças, deputados estaduais e deputados federais. (…) E queria cumprimentar o nosso senador Cid Ferreira Gomes, o senador mais votado proporcionalmente no País”.

Já imaginou alguém fazendo o mesmo quando Cid era governador? O fato é que agora Camilo terá que decidir entre PT e PDT. Não precisa romper, mas um posicionamento é inevitável. O governador, ao seu estilo conciliador, disse entender Cid, ressaltando que o momento é de união. Não é, definitivamente, o que Cid pensa sobre a relação entre seus partidos. Fingir que nada aconteceu, dizer que nem concorda e nem discorda, fragiliza a posição de quem precisa mostrar, por força do cargo, liderança e brilho próprio.

(Texto publicado originalmente no Portal Tribuna do Ceará)

Publicidade

Segundo turno: presença (e ausência) de aliados nas propagandas revela estratégias opostas na reta final

Por Wanfil em Eleições 2016

25 de outubro de 2016

Na reta final do segundo turno em Fortaleza o candidato Capitão Wagner (PR) levou ao seu programa eleitoral seus apoiadores Tasso Jereissati, do PSDB, na semana passada, e Eunício Oliveira, do PMDB, nesta semana. Já nas peças de Roberto Cláudio (PDT) as figuras do governador Camilo Santana (PT) e dos ex-governadores Ciro e Cid Gomes (PDT) curiosamente ainda não apareceram.

Não obstante as qualidades e defeitos dos candidatos e de toda a comunicação feita até o momento, a presença ou a ausência de aliados nas propagandas pode ser determinante, uma vez que a disputa será decidida pelos indecisos. Todo detalhe agora é mais importante do que nunca.

Daí a opção de apresentá-los ou não, de associar imagens ou de evitar essas associações, na expectativa de agregar votos ou de evitar perdê-los. São decisões tomadas, claro, com base em pesquisas internas. Bem observadas as escolhas feitas neste segundo turno, há muito nelas que dizem respeito às próximas eleições, em 2018.

Publicidade

Wagner e RC: ataque como estratégia eleitoral funciona?

Por Wanfil em Eleições 2016

17 de outubro de 2016

O clima esquentou de vez no segundo turno da disputa eleitoral pela Prefeitura de Fortaleza. Desde o final de semana propagandas veiculadas pela coligação do Capitão Wagner (PR) apresentam ataques e denúncias contra o rival Roberto Cláudio (PDT), cuja campanha, por sua vez, revidou.

Apesar do tom emotivo para mobilizar o eleitorado, existe uma lógica racional a orientar esse acirramento. Não se trata de ser bom ou mal, vermelho ou azul, rico ou pobre: é estratégia, ainda que se possa, naturalmente, discordar de seu conteúdo e eficácia.

O fato é que Roberto Cláudio encerrou o primeiro turno à frente de seu concorrente, Wagner. Se ambos mantivessem as mesmas abordagens de comunicação, o resultado provavelmente se repetiria. Aliás, isso tem sido constatado nas pesquisas. Situação que interessa ao pedetista, óbvio. Nesse caso, a pressão por mudança pesa mais sobre o candidato republicano.

Não significa dizer, porém, que vale tudo, seja do ponto de vista legal ou da conveniência eleitoral. Apontar eventuais erros ou desvios do concorrente, ou supostos erros e desvios, faz parte do jogo. Mas sempre existe o risco do excesso e do feitiço virar contra o feiticeiro. Na ponta inversa, é preciso ainda saber como reagir: ignorar, mostrar-se superior, posar de vítima ou partir para o enfrentamento? Vai depender do potencial de estrago.

Há nisso tudo uma boa dose de cálculo, para definir a intensidade da propaganda de desconstrução. O certo é que ninguém fica indiferente a essa nova situação, o que mostra que a esperança de um lado e o temor de outro por seus resultados são uma realidade.

Se vai dar certo,isso é impossível dizer, pois depende de inúmeras variáveis. Pode gerar desconfiança contra o alvo dos ataques em certos segmentos do eleitorado, ao tempo em que junto a outros grupos pode criar antipatia em relação a quem os desfere.

Uma decisão liminar da Justiça Eleitoral suspendeu, temporariamente, algumas propagandas do PR contra o candidato do PDT. Os advogados de Wagner prometem recorrer. A difícil missão de arbitrar uma disputa que envereda por esse caminho pede pressa e muito cuidado. Pressa porque o tempo é curto, cuidado porque críticas ou denúncias fazem parte da política, desde que amparadas nos fatos e colocadas em termos adequados.

De resto, caberá ao eleitor decidir sobre a conveniência e a eficácia dessa estratégia.

Publicidade

Datafolha mostra como largam RC e Wagner no 2º turno: nova corrida, novas estratégias

Por Wanfil em Pesquisa

10 de outubro de 2016

Segundo turno é nova corrida. RC larga com 48% e Wagner com 34%, segundo o Datafolha. O desafio agora é dosar a energia, a agressividade e o oxigênio

Segundo turno é nova corrida. RC larga com 48% e Wagner com 34%, segundo Datafolha.

A primeira pesquisa Datafolha feita após o início do segundo turno em Fortaleza, encomendada pelo jornal O Povo, mostra Roberto Cláudio (PDT) com 48% das intenções e Capitão Wagner (PR) com 34%. Ao  longo da campanha, os dois só fizeram crescer, com o candidato à reeleição mantendo no primeiro turno uma distância mais ou menos constante em relação ao principal adversário, ali na casa dos 10%.

A propaganda de Roberto Cláudio, que tem maior recall por já ter disputado a prefeitura em 2012, repetiu as campanhas do grupo político liderado pela família Ferreira Gomes: obras, imagens aéreas, as cores de sempre, ilustrando o perfil realizador do candidato. Já a campanha de Wagner, que possui menor recall, centrou esforços para apresentá-lo, com ênfase no apelo à emoção, com enfoque na segurança pública para colocá-lo no centro do debate e, ao mesmo tempo, com gravações do candidato como professor na sala de aula e cidadão que anda nas ruas, para ampliar a dimensão de sua imagem.

Deu certo para ambos. Na prática, suas campanhas priorizaram uma abordagem de autoafirmação, com menos espaço para a desconstrução de adversários. Agora deve ser diferente. É comum dizer que segundo turno é nova eleição. Assim, o que funcionou antes não garante sucesso agora. Nesse sentido, a pesquisa Datafolha registra o posicionamento inicial para uma corrida de velocidade, disputada após um corrida de fundo. Os competidores agora traçam suas estratégias a partir dessa condição.

A vantagem, evidentemente, é de Roberto Cláudio, que conseguiu ampliar a distância de largada para Wagner. É sobre  o candidato do PR, portanto, que a pressão pela desconstrução – leia-se ataque – do concorrente é maior, afinal, não basta conseguir mais votos: é necessário tirar votos dele. Acertar o tom e a intensidade desse ataque é fundamental, porém, difícil. Para RC, o risco é a acomodação, a mesmice, uma vez que sua liderança não é incontornável e Wagner já não é o desconhecido do primeiro turno.

Como a propaganda eleitoral voltou a ser veiculada somente na última sexta-feira, seu impacto ainda não foi captado pelo Datafolha. E imagem é tudo, como diz o bordão. Será preciso esperar pelo menos uma semana para ver como ela pode interferir junto aos eleitores. Assim, para os candidatos, é hora de controlar os nervos e, principalmente, os aliados mais afoitos. Qualquer erro agora, pode ser fatal, pois não haverá tempo para corrigi-lo. Agora a corrida é de velocidade.Nada de poupar energia.

Publicidade

Segundo turno: A polêmica das camisas com o Capitão América

Por Wanfil em Eleições 2016

05 de outubro de 2016

Se fosse cearense, Steve Rogers (Chris Evans) não poderia votar em Fortaleza,

Dura Lex: Capitão América é barrado nas eleições em Fortaleza.

A Justiça Eleitoral no Ceará proibiu o uso de camisetas com símbolos que possam ser associados aos candidatos que disputam o segundo turno em Fortaleza. A polêmica surgiu por causa de eleitores do Capitão Wagner que usaram camisetas com a imagens alusivas ao Capitão América, personagem fictício associado ao candidato pela patente, iniciativa interpretada como propaganda irregular.

Assim, no próximo dia 30, data na eleição, a camiseta do Capitão América está banida, assim como a tradicional estrela do PT.

A legislação eleitoral realmente busca evitar ações que influenciem eleitores no dia da votação. E de fato, o próprio candidato Capitão Wagner fez uso da imagem do personagem Capitão América. Não há o que discutir.

Mesmo assim, vale lembrar que as campanhas costumam utilizar formas mais sutis de padronização de roupas, símbolos e gestos, para que seus eleitores possam se identificar a caminho das urnas e assim causar a impressão de volume nas seções eleitorais. O uso de uma cor, por exemplo, é clássico. Verde, laranja, azul, amarelo, vermelho, são as mais usadas. O grupo de eleitores de Roberto Cláudio usa o amarelo. Petistas fizeram do vermelho uma marca registrada.

Nesses casos, a associação é menos direta, sem o concurso de informações objetivas como números, marcas ou símbolos. Mas, de todo modo, é inegável que se trata de uma forma de propaganda, digamos, subliminar. Felizmente o bom senso prevalece e o artifício não gera maiores problemas. Já imaginou?

Publicidade

Segundo turno: o apoio do PT ajuda ou atrapalha? Eis a questão

Por Wanfil em Eleições 2016

04 de outubro de 2016

Nas cidades onde acontece segundo turno, é natural que os candidatos que continuam na disputa busquem o apoio daqueles que ficaram pelo meio do caminho. Em Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT) e Capitão Wagner (PR) trabalham para conquistar parte dos 15% obtidos por Luizianne Lins (PT), terceira colocada no primeiro turno. Lideranças do PT prometem uma definição para esta quarta-feira. A decisão, porém, não é simples.

A ex-prefeita, que controla o Diretório Municipal do partido, não contou com a ajuda do governador Camilo Santana, que apoiou Roberto Cláudio, que  pertence ao grupo político liderado por Ciro Gomes, desafeto de Luizianne.

Em 2012, o PT chegou a sondar o então vereador Capitão Wagner para ser vice de Elmano de Freitas contra Roberto Cláudio, mas em 2016, o apoio do PMDB e do PSDB à deputado do PR dificulta o diálogo com os petistas.

Assim, embora o ex-presidente Lula e o deputado José Guimarães, que controla a Executiva Estadual do PT, defendam abertamente a aliança com o PDT, para Luizianne, qualquer escolha que não seja a neutralidade guarda contradições com sua trajetória política.

Além do mais, é preciso avaliar até que ponto o apoio ostensivo do PT realmente pode ajudar. A sigla vive sua maior crise de imagem e tenta sobreviver ao duro golpe sofrido nessas eleições, quando perdeu nas principais capitais e viu seu tamanho reduzir em todo o país.

É claro que neste segundo turno Wagner e RC querem atrair os eleitores de Luizianne. O desafio será como fazer isso sem afugentar aqueles que rejeitaram o PT nas urnas. Não foram poucos.

Publicidade

Eleições 2016: Fortaleza já tem um derrotado e um vencedor

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

A eleição para a Prefeitura de Fortaleza será decidida no próximo dia 30 de outubro, em segundo turno. Continuam na disputa o prefeito Roberto Cláudio (PDT), que terminou o primeiro turno com 40% dos votos, e Capitão Wagner (PR) com 31%.

Evidentemente, tudo pode acontecer. De todo modo, se por um lado a disputa continua, por outro é possível dizer que o maior derrotado na capital foi o PT, que ainda viu sua bancada na Câmara reduzir de quatro para dois vereadores. Para ser justo, a terceira posição de Luizianne Lins, com 15,06% dos votos válidos, foi resultado que superou a maioria dos candidatos petistas em outras capitais, mas insuficiente para avançar ao segundo turno.

Assim, paradoxalmente, o grande vencedor na capital pode ser o governador Camilo Santana, que pode ampliar sua influência na sigla no momento em que José Guimarães e Luizianne estão enfraquecidos, desde que haja disposição e apetite para isso. A sorte, como dizia Napoleão, sorri para os audazes.

Muito se especula a respeito de uma possível saída de Camilo do PT para o PDT. Parece lógico, dada a sua proximidade com os Ferreira Gomes. Porém, no PDT, o governador nunca será uma liderança, pois esse papel atualmente cabe aos irmãos Ciro e Cid. Já o PT no Ceará, mais do que nunca, precisa de Camilo. Mas para tanto, a vitória do aliado Roberto Cláudio é fundamental, pois fortalece a parceria entre petistas e cidistas, contra a qual Luizianne lutou.

Por ironia, para que isso se confirme de vez, é preciso conquistar os eleitores da ex-prefeita.

Publicidade

Datafolha também sinaliza cheirinho de segundo turno em Fortaleza

Por Wanfil em Pesquisa

26 de setembro de 2016

Pelas pesquisas, eleitores adiarão o fim das eleições em Fortaleza

Pelas pesquisas, eleitores devem adiar o fim das eleições em Fortaleza para 30 de outubro. Pelas pesquisas…

Pesquisa Datafolha em Fortaleza, contratada pelo jornal O Povo e divulgada no final de semana, mostra Roberto Cláudio (PDT) e Capitão Wagner (PR) isolados na liderança, com 34% e 28% respectivamente.

Luizianne Lins (PT) marca 15% e Heitor Férrer (PSB) tem 6%. Ronaldo Martins (PRB) aparece com 3% e João Alfredo (PSOL) com 1%. Francisco Gonzaga (PSTU) e Tin Gomes (PHS) não pontuaram. Brancos e nulos representam 6%; não sabem ou não responderam, também 6%.

Assim como o Ibope, a segunda pesquisa do Datafolha para a capital nesta campanha mostra um cenário que converge para a realização de um segundo turno entre Roberto Cláudio e Capitão Wagner. Significa então que haverá segundo turno? Não. Além de estarmos pisando no terreno das probabilidades, o eleitorado de Fortaleza é dado a mudanças de última hora.

De todo modo, as campanhas precisam estar preparadas para essa contingência, sobretudo quando ela se mostra bastante possível. Implica dizer que o planejamento financeiro das campanhas precisa ter fôlego até o dia 30 de outubro e que as estrategistas políticos deverão pensar nos eleitores daqueles candidatos que não passarem para o eventual segundo turno.

Nesse sentido, dificilmente RC e Wagner atacarão Luzianne Lins ou Heitor Férrer nessa reta final, para não criar ressentimentos. O momento é de afiar armas estudando tendências, curvas, abstenção, rejeição, histórico, entre outros, na tentativa de enxergar para onde esses votos podem ir e formas de conquistá-los ou, pelo menos, de impedir que migrem para o adversário.

Como fazer isso fica para um próximo texto. Não vamos colocar  o carro à frente dos bois. Por enquanto, aguardemos o desenrolar desta última semana. Pelos números, Roberto Cláudio pode tentar um esforço final para resolver a parada no primeiro turno, o que parece muito difícil de acontecer. Já Wagner precisa manter o ritmo de crescimento para forçar um novo turno, já que uma virada agora também soa improvável. Mas como eu já disse, Fortaleza é imprevisível, especialmente nas 48 horas que antecedem a votação.

Publicidade

Esqueça o “se bater, perde”, a moda agora é “desconstruir” o adversário

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de outubro de 2014

Os brasileiros acostumaram-se com a regra de ouro do publicitário Duda Mendonça para campanhas eleitorais: quem bate, perde. Foi assim que ele criou o personagem “Lulinha Paz e Amor”, para eleger até então candidato petista derrotado três vezes para a Presidência da República. O resto da história todos conhecem e Duda lucrou bastante com recursos não contabilizados pagos a sua  empresa offshore Dusseldorf, com sede nas Bahamas.

Ocorre que esse modelo só funciona em condições específicas de temperatura e pressão. Se o candidato estiver com vantagem relativamente segura, acima da margem de erro, a crítica mais incisiva não rende, pois antipatiza o emissor e vitimiza o oponente. Trocando em miúdos, fica a impressão de quem está atrás apelou para o jogo sujo. No entanto, como estamos vendo neste exato instante, se a disputa está acirrada, com candidatos tecnicamente empatados dependendo dos eleitores indecisos, a coisa muda de figura e surge então o recurso da “desconstrução do adversário”.

Por desconstruir o adversário entenda-se anular a imagem esculpida pela comunicação dele junto ao eleitorado. Se o opositor é visto como mudança pelos eleitores que desejam mudança, a saída é apresentá-lo como ameaça de instabilidade; se a candidata oficial diz que a inflação está sob controle, é preciso mostrar os índices verdadeiros para desmascarar o truque. Acontece que, na prática, o artifício da “desconstrução” virou eufemismo para as mentiras e para o vale-tudo que embalam o festival de baixaria nestas eleições.

Foi o que aconteceu com a candidata Marina Silva, do PSB, no primeiro turno, vítima da propaganda agressiva da candidata Dilma Rousseff, do PT, candidata à reeleição, que não pensou em duas vezes antes de bater com força e sem limites éticos na concorrente. Alguém realmente acredita que Marina estava mancomunada com um grupo de banqueiros para tirar a comida da mesa dos pobres? Marina seria a perversa criatura que iria prejudicar os investimentos em educação acabando com a exploração do pré-sal? Claro que não, mas para boa parte do eleitorado, notadamente os com menos instrução e menor renda, a mistificação grosseira assustou. A decisão de não responder na mesma moeda custou a Marina a chance de seguir adiante na eleição.

Agora no segundo turno não é diferente. Esqueça o “quem bate, perde” de Duda Mendonça. Agora, com a surpresa do empate entre Dilma e Aécio Neves, do PSDB, o que vale é a “desconstrução” de João Santana, marqueteiro do PT. Como a onda de ascensão do oposicionista foi contida, segundo as pesquisas, a ordem é manter a artilharia contra o inimigo, misturando críticas aceitáveis com ataques pessoais, como os que foram vistos nos debates. Já Aécio decidiu adotar a tática do “bateu, levou”, para evitar o mesmo destino de Marina.

O problema é que isso rebaixa o próprio confronto de ideias que deveria prevalecer nas eleições. O confronto, o ataque, as contestações e as denúncias fazem parte do jogo eleitoral, mas devem, ou deveriam, atinar para os problemas reais do país. Não é o que estamos vendo. Dizer que Aécio não gosta dos pobres ou que o Bolsa Família não tem parentesco algum com os programas de compensação instituídos por FHC no passado, para insinuar que essas iniciativas serão cortadas, é apelação. É claro que os governistas não assumem a responsabilidade por essa situação e sua candidata, que antes acusou Marina de ser despreparada para o exercício da Presidência por ser excessivamente sensível, agora posa de vítima.

Com isso, todos acabam igualados na baixaria e ninguém discute a sério a estagnação da economia, os efeitos da pressão inflacionária, a corrupção nas estatais e os índices obscenos da violência no país. Para o indeciso saber quem tem razão nessa troca de acusações, basta fazer a seguinte perguntar: a quem interessa desviar desses assuntos? A resposta não é difícil. Embarcar no bate-boca eleitoral só beneficia quem não quer falar sobre os problemas urgentes do Brasil.

Publicidade

Esqueça o “se bater, perde”, a moda agora é “desconstruir” o adversário

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de outubro de 2014

Os brasileiros acostumaram-se com a regra de ouro do publicitário Duda Mendonça para campanhas eleitorais: quem bate, perde. Foi assim que ele criou o personagem “Lulinha Paz e Amor”, para eleger até então candidato petista derrotado três vezes para a Presidência da República. O resto da história todos conhecem e Duda lucrou bastante com recursos não contabilizados pagos a sua  empresa offshore Dusseldorf, com sede nas Bahamas.

Ocorre que esse modelo só funciona em condições específicas de temperatura e pressão. Se o candidato estiver com vantagem relativamente segura, acima da margem de erro, a crítica mais incisiva não rende, pois antipatiza o emissor e vitimiza o oponente. Trocando em miúdos, fica a impressão de quem está atrás apelou para o jogo sujo. No entanto, como estamos vendo neste exato instante, se a disputa está acirrada, com candidatos tecnicamente empatados dependendo dos eleitores indecisos, a coisa muda de figura e surge então o recurso da “desconstrução do adversário”.

Por desconstruir o adversário entenda-se anular a imagem esculpida pela comunicação dele junto ao eleitorado. Se o opositor é visto como mudança pelos eleitores que desejam mudança, a saída é apresentá-lo como ameaça de instabilidade; se a candidata oficial diz que a inflação está sob controle, é preciso mostrar os índices verdadeiros para desmascarar o truque. Acontece que, na prática, o artifício da “desconstrução” virou eufemismo para as mentiras e para o vale-tudo que embalam o festival de baixaria nestas eleições.

Foi o que aconteceu com a candidata Marina Silva, do PSB, no primeiro turno, vítima da propaganda agressiva da candidata Dilma Rousseff, do PT, candidata à reeleição, que não pensou em duas vezes antes de bater com força e sem limites éticos na concorrente. Alguém realmente acredita que Marina estava mancomunada com um grupo de banqueiros para tirar a comida da mesa dos pobres? Marina seria a perversa criatura que iria prejudicar os investimentos em educação acabando com a exploração do pré-sal? Claro que não, mas para boa parte do eleitorado, notadamente os com menos instrução e menor renda, a mistificação grosseira assustou. A decisão de não responder na mesma moeda custou a Marina a chance de seguir adiante na eleição.

Agora no segundo turno não é diferente. Esqueça o “quem bate, perde” de Duda Mendonça. Agora, com a surpresa do empate entre Dilma e Aécio Neves, do PSDB, o que vale é a “desconstrução” de João Santana, marqueteiro do PT. Como a onda de ascensão do oposicionista foi contida, segundo as pesquisas, a ordem é manter a artilharia contra o inimigo, misturando críticas aceitáveis com ataques pessoais, como os que foram vistos nos debates. Já Aécio decidiu adotar a tática do “bateu, levou”, para evitar o mesmo destino de Marina.

O problema é que isso rebaixa o próprio confronto de ideias que deveria prevalecer nas eleições. O confronto, o ataque, as contestações e as denúncias fazem parte do jogo eleitoral, mas devem, ou deveriam, atinar para os problemas reais do país. Não é o que estamos vendo. Dizer que Aécio não gosta dos pobres ou que o Bolsa Família não tem parentesco algum com os programas de compensação instituídos por FHC no passado, para insinuar que essas iniciativas serão cortadas, é apelação. É claro que os governistas não assumem a responsabilidade por essa situação e sua candidata, que antes acusou Marina de ser despreparada para o exercício da Presidência por ser excessivamente sensível, agora posa de vítima.

Com isso, todos acabam igualados na baixaria e ninguém discute a sério a estagnação da economia, os efeitos da pressão inflacionária, a corrupção nas estatais e os índices obscenos da violência no país. Para o indeciso saber quem tem razão nessa troca de acusações, basta fazer a seguinte perguntar: a quem interessa desviar desses assuntos? A resposta não é difícil. Embarcar no bate-boca eleitoral só beneficia quem não quer falar sobre os problemas urgentes do Brasil.