Secretaria de Segurança Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Secretaria de Segurança

A cinco meses da eleição governo propõe Superintendência de Pesquisa para Segurança

Por Wanfil em Segurança

09 de Maio de 2018

Corrida contra o tempo: segurança e eleições terão novo encontro em outubro

A Assembleia Legislativa aprovou nesta quarta-feira o pedido de urgência para a tramitação de um projeto enviado pelo Governo do Estado, que cria a Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública do Ceará (SUPESP).

O objetivo, de acordo com o texto enviado aos deputados, é “realizar pesquisas, estudos, projetos estratégicos e análise criminal para o fortalecimento da formulação da política de segurança pública“.

A urgência é compreensível. Faltam pouco menos de cinco meses para as eleições e de sete meses para o fim da atual gestão.

É bom saber que passados quase três anos e meio desde a eleição passada, quando a segurança pública foi o principal tema, e continuando a experiência dos oito anos do governo anterior, a formulação da política de segurança pública será finalmente fortalecida com pesquisas, estudos, projetos estratégicos e análise criminal.

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Ceará bate recorde de homicídios e nenhuma ação é anunciada até agora. Nada! É incrível

Por Wanfil em Segurança

16 de Janeiro de 2018

Na última sexta-feira a Secretaria de Segurança divulgou que foram registrados 5.134 homicídios no Ceará em 2017. O número é um triste e alarmante recorde. Até agora, a reação do governo se limitou a mais do mesmo: culpar as fações (cuja presença por aqui era negada pelas autoridades até pouco tempo atrás) e o Governo Federal (que somente a partir do impeachment passou a ser responsabilizado pelo problema, embora o descontrole na área já perdure há 11 anos).

O governador Camilo Santana, que sempre afirma estar “agarrado ao problema”, estava de férias em Nova York. De todo modo, o lamentável recorde já havia sido batido antes mesmo da consolidação dos números de dezembro. E ainda assim não houve mobilização para deliberações emergenciais ou para a montagem de um gabinete de crise diante desse quadro de guerra. Tudo continua absolutamente como está. Permanecem as os mesmos gestores e as mesmas diretrizes para a segurança pública no Estado. Até as “soluções” são as mesmas de sempre: anúncios de investimentos, concursos e nomeações, que embora importantes, não bastam, como comprovam os dados oficiais.

Essa postura aparentemente conformada, a insistência numa estratégia equivocada, abre espaço para três perguntas:

1) O Governo do Ceará é incapaz de pelo menos conter, por conta própria, o avanço do morticínio e do crime organizado?

2) Se é capaz, o que será feito de diferente agora?

3) Se não é, por que não admite?

E para efeito de avaliação sobre medidas tomadas em 2017, seguem mais três perguntinhas:

1) A divulgação do WhatsApp do secretário para a população contribuiu efetivamente para o quê?

2) Quais os resultados obtidos após o lançamento, pelo governo, de um aplicativo para que vítimas de crimes acionem a polícia?

3) A nova lei de segurança bancária, que obriga a instalação de vidros blindados e proíbe o uso de óculos escuros dentro das agências, impediu que quadrilhas continuassem a explodir bancos e a atacar delegacias?

Se o recorde de violência não ofende o governo, não serão essas poucas perguntas a fazê-lo.

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Mistério: o governo só acerta e a segurança só piora

Por Wanfil em Segurança

18 de setembro de 2017

A segurança entre o discurso e a realidade: tapando o sol com a peneira

A ampliação dos Batalhões Raio e a criação das Unidades Integradas de Segurança (Uniseg) no Ceará são apresentadas como medidas eficazes para a melhoria da segurança pública no Ceará. É natural, uma vez que todo e qualquer governo tende a enaltecer as próprias iniciativas. No entanto, soa artificial quando discurso e realidade andam em descompasso. Pior ainda se colidem frontalmente.

Vamos aos fatos. A escalada de violência continua no Ceará. Os homicídios em agosto deste ano cresceram 58% em relação ao mesmo período do ano passado. Os roubos aumentaram 27%. E entre janeiro e agosto 3.235 pessoas foram assassinadas no Ceará. Três mil, duzentas e trinta e cinco! Números de guerra, divulgados na última sexta-feira.

Acuados pelos números, governantes e governistas apontam sistematicamente causas de fora para explicar o problema, como a lentidão do Judiciário, a frouxidão das leis, supostas milícias, hipotéticas sabotagens da oposição, o crime organizado e, mais recentemente, a falta de repasses federais. Só quem nunca erra é o governo estadual. Nunca! E ainda assim, vejam só, ignorando a competência da gestão e desde antes da crise econômica, quando os repasses aconteciam a contento, os índices só pioraram. 

“O problema é nacional”, desculpam-se sem atentar que isso depõe contra eles mesmos, governistas, já que nesse quadro geral de violência a maioria dos outros estados, mesmo no Nordeste, está em situação menos pior do que a do Ceará. E assim continuam entoando a cantiga esquizofrênica, na esperança de mais quatro anos no poder: quando mais o governo acerta, mais a segurança piora.

 

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Roubos caem, apreensão de drogas e armas sobe, mas homicídios disparam no Ceará: seguro ou inseguro?

Por Wanfil em Segurança

18 de julho de 2017

Números oficiais apontam para direções opostas na Segurança (Divulgação SSPDS)

O secretário de Segurança Pública, André Costa, divulgou nesta -terça-feira em coletiva de imprensa números relativos ao trabalho de combate ao crime no primeiro semestre de 2017, em comparação com o mesmo período do ano passado:

Apreensão de drogas: amento de 117,6%
Apreensão de armas: aumento de 26,6%
Prisões qualificadas (assaltantes, traficantes, homicidas e pessoas portando armas):  aumento de 8,9%
Latrocínios: queda de 8,2%
Roubos e furtos a bancos: queda 12,1%

São bons números, é inegável. Ocorre que na contramão desses resultados positivos, os homicídios têm registrado grande aumento. De acordo com dados da própria SSPDS divulgados no início de julho, os assassinatos aumentaram 31,9% no primeiro semestre de 2017. Em junho, os números subiram 91% em relação ao mesmo mês do ano passado. Na capital, o crescimento foi de 217,7%.

Nesse caso o problema, e sempre existe um problema, é que os relatórios nacionais e internacionais de segurança pública levam em consideração, na hora de fazer os rankings da violência, o índice de homicídios, onde o Ceará tem aparecido nas primeiras colocações.

Estamos diante de um contraste estatístico que aponta duas direções aparentemente opostas. A não ser que a morte de bandidos numa guerra de quadrilhas esteja puxando os demais índices para baixo, algo difícil de conceber, posto que seria a bandidagem tratando de reduzir a criminalidade à bala.

Resta ainda a possibilidade de que o aumento nas apreensões esteja relacionado a um provável aumento na circulação de armas e drogas, decorrente de um ambiente mais inseguro.

Por fim, resta saber se o cidadão se sente mais ou menos seguro. Se tivesse que apostar, diria que o impacto dos homicídios ofuscam a melhora nos demais itens.

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Conselho Penitenciário critica gestão de presídios e política de segurança no Ceará. Quem haverá de responder?

Por Wanfil em Segurança

17 de julho de 2017

O Conselho Penitenciário do Ceará (Copen), órgão vinculado à Secretaria de Justiça, divulgou nota no sábado com críticas à gestão dos presídios estaduais. Publico alguns trechos (grifos meus):

“O sistema penitenciário cearense, é hoje, ao invés de fator de redução da incidência de criminalidade, como o esperado, um significativo fator do aumento dessa mesma criminalidade.”

“A gestão tem minimizado o problema e adotado medidas meramente reativas e paliativas às demandas do sistema penitenciário.”

“No âmbito maior da política de segurança pública, assistimos ações de caráter meramente midiático, de promoção da imagem institucional da gestão, mas sem efetividade de resultados. Os números falam alto e por si!”

“As ações de gestão são adotadas sem planejamento prévio e a necessária discussão com os outros atores da Execução Penal.”

“As medidas adotadas pelas diversas gestões são meramente cosméticas.”

A nota fala ainda em superlotação, efetivo de agentes insuficiente, baixo orçamento e prisões sem estrutura adequada, problemas já bem conhecidos por todos.  O que traz de novidade – para um órgão estadual – é o reconhecimento da relação direta de causa e efeito entre a precariedade da situação carcerária com os índices de violência fora das unidades de custódia, nas ruas.

Por enquanto, ninguém no governo, ou nas secretarias da Justiça ou de Segurança, respondeu à nota. Silêncio. Quem cala, consente.

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Aumento nos homicídios coloca em risco “trunfo” da gestão Camilo

Por Wanfil em Segurança

13 de junho de 2017

Os homicídios no Ceará aumentaram 65% em maio, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram nada menos que 471 assassinatos. Em abril foram 377 mortes, contra 274 de 2016. Certamente especialistas não faltam para sugerir medidas e fazer análises técnicas sobre a nova escalada de violência.

Do ponto de vista político, de imagem para a gestão e consequentemente para o governador Camilo Santana, provável candidato à reeleição, os números atingem um dos poucos setores que, nesse momento de crise, gerou resultados positivos, devidamente reivindicados pelo governo estadual.

Agora o discurso de eficiência nas ações de segurança está em risco, na medida em que a inversão da tendência reforça a hipótese bastante difundida de que a redução dos homicídios teria sido consequência de um acordo de paz entre facções criminosas. O governo sempre negou essa possibilidade, mas a dinâmica dos índices casa com as informações sobre o suposto pacto entre bandidos.

Na tentativa de explicar a má notícia, autoridades locais reclamam do governo federal. E assim, se antes o sucesso era fruto de esforços locais, hoje o discurso mudou. Dificilmente esse conveniente deslocamento de responsabilidade surtirá efeito aos olhos do cidadão cearense. Fazer da lamentação o centro de uma explicação defensiva não parece boa estratégia de comunicação. Afinal, se nada pode fazer contra a violência a não ser esperar por ajuda federal, o que o governo estadual dirá aos eleitores no ano que vem? Que fez tudo o que podia e só nos resta aguardar? Sem contar que, na campanha passada, ninguém disse que a redução dos crimes estaria vinculada a fatores externos.

Certamente o governo tem o que mostrar. Governos sempre pensam nisso. E há realizações como as promoções de policiais e criação de equipes do Raio no interior. O problema é quando os investimentos não são correspondidos pelos índices. No que diz respeito às eleições, não é possível dimensionar o impacto desses fatos. O que é possível dizer agora é que o governo tem que trabalhar para construir uma nova abordagem sobre uma área, a segurança, que parecia figurar como trunfo.

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Segurança pública no Ceará: o novo e o velho

Por Wanfil em Segurança

05 de Janeiro de 2017

Delegado aposentado da Polícia Federal, Delci Teixeira deixa o comando da Secretaria de Segurança. Assume o posto André Costa, jovem delegado da Polícia Federal.

O legado de Teixeira pode ser resumido na quebra da escalada dos homicídios no Estado, com dois anos consecutivos de uma gradual redução nesse tipo de crime, e no restabelecimento do diálogo com os policiais, patrocinado pelo governador Camilo Santana. Por outro lado, os assaltos continuam a crescer, assim como as mortes de policiais.

Além disso, o fortalecimento do crime organizado a partir do caos no sistema penitenciário, área da Secretaria da Justiça, é uma realidade que afeta a segurança pública como um todo. No ano passado, de dentro dos presídios, facções ordenaram ataques a ônibus, delegacias e prédios públicos. Colocaram um carro com dinamites ao lado da Assembleia Legislativa. Organizaram ainda na maior rebelião da História no Ceará, obrigando o governo estadual a pedir o socorro de tropas federais. É um problema nacional que, por sua vez, encontra solo fértil nos estados mais violentos.

Sobre isso, o governo federal lançou um programa para a modernização das penitenciárias estaduais, após a repercussão internacional do massacre de presos em Manaus, decorrente de uma guerra entre criminosos. Pode ser que algo melhore. Vamos aguardar.

De resto, a mudança na Secretaria de Segurança acontece menos de um mês após a saída de Andrade Júnior, também a pedido, do cargo de Delegado-Geral da Polícia Civil. Aparentemente, para quem acredita em coincidências, não há correlação entre essas baixas.

A novidade que chega e o ano que se inicia se deparam com alguns velhos problemas de anos que se prolongam. Por tudo isso, boa sorte ao novo secretário André Costa.

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A lógica do crime organizado contra o Estado do Ceará: imagem é tudo

Por Wanfil em Segurança

19 de julho de 2016

É óbvio que a recente onda de ataques contra delegacias, viaturas e ônibus são ações para desmoralizar a Segurança Pública no Ceará. Lembra a natureza das ações militares de guerrilha: não podendo eliminar o exército inimigo, o objetivo passa a ser destruir o moral de suas tropas, colocando a opinião pública em estado de alerta por causa do efeito psicológico dos atentados.

No caso mais recente, uma carta com ameaças ao governador Camilo Santana foi deixada com o motorista de um ônibus incendiado em Fortaleza. O texto, que também reclama da situação de “irmãos” nos presídios, é assinado pelo “Crime”, ou seja, sujeito indefinido e difuso que naturalmente infere medo na população.

Camilo afirma que tudo isso é uma reação do crime organizado contra a atual política de segurança. O secretário Delci Teixeira disse que as ordens partem dos presídios e que os responsáveis foram identificados, sem dar, porém, maiores detalhes. É normal o sigilo para não atrapalhar as investigações, coisa e tal, mas é preciso que o governo entenda que uma guerra de imagem está em curso. Os bandidos sabem que seus crimes serão noticiados e que haverá pressão sobre o Estado por respostas.

Assim, a demora em dar explicações precisas, quando não o silêncio como resposta de quem atua como se não precisasse dar satisfações ao público, como se isso fosse um favor, apenas alimentam a sensação de que as autoridades de segurança estão um passo atrás dos bandidos.

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Governo do Ceará processa policiais que declaram voto na oposição: perseguição que apequena a gestão

Por Wanfil em Eleições 2014

23 de outubro de 2014

O TSE pediu reforço de tropas do Exército para o segundo turno no Ceará, por entender que as autoridades locais não possuem as condições de garantir a normalidade do processo eleitoral. Numa atitude sensata, o governo estadual concordou com a medida, reconhecendo, ainda que indiretamente, que as coisas realmente fogem ao seu controle. De certo modo, deu a entender que deseja a restauração de um ambiente de relativa tranquilidade, contribuindo para acalmar os ânimos mais exaltados.

O surto de sensatez, porém, durou pouco, pois logo em seguida a Secretaria de Segurança abriu processo administrativo contra 18 policiais militares que apoiaram publicamente o ​Capitão Wagner, eleito deputado estadual com votação recorde, e Flávio Sabino, eleito deputado federal. Ambos são do PR e apoiam Eunício Oliveira para o Governo do Estado. Segundo a SSPDS, PMs não podem fazer manifestações político-partidárias. É estranho, uma vez que podem ser candidatos. Mas o problema mesmo é que o rigor da medida recai apenas sobre policiais ligados à oposição, pois os que declararam publicamente apoio ao candidato governista Camilo Santana, do PT, não foram incluídos na lista de processados. São dois pesos e duas medidas. É inegável, portanto, que se trata de perseguição política.

É mais um capítulo na crise de comando entre governo e setores das polícias no Ceará. Ainda que acredite estar com a razão, o momento escolhido para processar os policiais, na véspera de uma votação e com todas as suspeitas que existem de parcialidade, foi inadequado. Além disso é inadmissível permitir que a estrutura administrativa responsável pela área seja contaminada pelo calor das emoções da disputa eleitoral, agindo como agente político, colocando gasolina na fogueira e deixando de lado qualquer pudor sobre a isenção que se espera dos órgãos de estado.

Desse modo, denúncias de que o governo estadual e a prefeitura de Fortaleza estariam pressionando seus funcionários a apoiarem Camilo Santana ganham força, afinal, se até policiais são perseguidos, imagine o resto. E as denúncias existem. Se não correspondem aos fatos, pelo menos agora possuem verossimilhança. O governo assim dá um tiro no próprio pé e perde a credibilidade quando se apequena no papel de instituição a serviço de uma militância partidária. Para complicar a situação e desacreditar de vez qualquer ideia de neutralidade institucional, o governador Cid Gomes, que deveria zelar pela ordem e pela imagem da gestão, deixou o cargo justamente para fazer… campanha eleitoral! Os liderados refletem as ações da liderança.

E por fim, essa confusão atrapalha mesmo o próprio candidato oficial, pois ao fazer da eleição um componente de acirramento na crise de comando na segurança, ao apostar na divisão entre governistas e oposicionistas dentro das corporações policiais, o governo acaba inviabilizando o diálogo de Camilo com a categoria, sua principal promessa para a área.

Depois alguns governistas mais afoitos saem acusando os outros de armação, sem perceber que os fatos têm consequências que ultrapassam a passionalidade das campanhas eleitorais.

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‘Coletivo Seguro’ chega com sete anos e sete ônibus incendiados de atraso

Por Wanfil em Segurança

19 de Fevereiro de 2014

Um dos sete ônibus recentemente incendiados em Fortaleza, onde bandidos atacam secretaria e serviço público de transporte. Imagem: Tribuna do Ceará

Um dos ônibus incendiados em Fortaleza, onde bandidos atacam secretaria estadual e o serviço público de transporte. Imagem: Tribuna do Ceará

Entre o último domingo (16) e a terça-feira (18) criminosos promoveram um ataque a balas contra a sede da Secretaria de Justiça e atearam fogo em sete ônibus na capital do Ceará. Ninguém sabe ao certo ainda o motivo para os atentados. Em resposta, foram presos cinco suspeitos e a Secretaria de Segurança deu início a operação Coletivo Seguro.

Desmoralização

De acordo com o secretário Servilho Paiva, nomeado no final do ano passado, os crimes podem estar relacionados a disputas entre traficantes. O que eles ganhariam com isso é impossível dizer. Fica a impressão de que os bandidos estão enviando recados às autoridades ou a outros grupos criminosos. Ou aos dois. Hipótese tanto mais plausível pelo estado de desmoralização do poder público nessa área.

Um dos ônibus foi incendiado nas proximidades do Fórum Clóvis Beviláqua, símbolo do Judiciário. No ano passado, uma testemunha que acabara de prestar depoimento no Fórum foi executada a tiros, no que parece ter sido um acerto de contas. E os disparos contra a Secretaria de Justiça lembram os constantes ataques a delegacias no interior, feitos por quadrilhas de assaltantes de bancos. Ou seja, o crime não teme a Justiça ou o Executivo. Pelo contrário, afronta-os descaradamente.

Atentado é coisa bem diferente de assalto

Servilho Paiva agiu bem ao mostrar que os atentados contra coletivos serão investigados e combatidos, buscando assim impedir que a moda pegue. Mas é bom deixar claro que esses crimes possuem uma natureza distinta dos tradicionais assaltos a ônibus e vans, que segundo números oficiais apresentados pelo secretário, reduziram 39% em Fortaleza, somente em janeiro, repetindo o milagre da redução dos crimes violentos contra o patrimônio, que teriam caído 45%. Nesse ritmo incrível, faço aqui um breve parêntese, daqui a dois meses os assaltos registrados em coletivos terão acabado, por coincidência, bem no ano eleitoral.

Enquanto isso não acontece, volto ao tema central, é bom diferenciar atentados de crimes comuns. Se até o momento não é certo a motivação desses primeiros, o certo é que eles só acontecem em ambientes em que a segurança pública vive avançado estado corrosão. Antes de causar insegurança, são efeitos dela.

Sete anos depois…

Se traficantes pintam e bordam no Ceará, isso é consequência da falta de uma política de segurança eficiente. A ousadia dos criminosos, pois, aumenta à medida que o poder público não consegue contê-los. E assim, o crime agora tenta acuar instituições e serviços públicos, como já fez no Rio de Janeiro.

Por fim, uma observação. Não deixa de ser autoexplicativa a necessidade de se uma operação batizada com o nome Coletivo Seguro, após setes anos de uma gestão eleita justamente com o discurso de promover mais segurança. Mas, como dizem os otimistas, antes tarde do que nunca.

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‘Coletivo Seguro’ chega com sete anos e sete ônibus incendiados de atraso

Por Wanfil em Segurança

19 de Fevereiro de 2014

Um dos sete ônibus recentemente incendiados em Fortaleza, onde bandidos atacam secretaria e serviço público de transporte. Imagem: Tribuna do Ceará

Um dos ônibus incendiados em Fortaleza, onde bandidos atacam secretaria estadual e o serviço público de transporte. Imagem: Tribuna do Ceará

Entre o último domingo (16) e a terça-feira (18) criminosos promoveram um ataque a balas contra a sede da Secretaria de Justiça e atearam fogo em sete ônibus na capital do Ceará. Ninguém sabe ao certo ainda o motivo para os atentados. Em resposta, foram presos cinco suspeitos e a Secretaria de Segurança deu início a operação Coletivo Seguro.

Desmoralização

De acordo com o secretário Servilho Paiva, nomeado no final do ano passado, os crimes podem estar relacionados a disputas entre traficantes. O que eles ganhariam com isso é impossível dizer. Fica a impressão de que os bandidos estão enviando recados às autoridades ou a outros grupos criminosos. Ou aos dois. Hipótese tanto mais plausível pelo estado de desmoralização do poder público nessa área.

Um dos ônibus foi incendiado nas proximidades do Fórum Clóvis Beviláqua, símbolo do Judiciário. No ano passado, uma testemunha que acabara de prestar depoimento no Fórum foi executada a tiros, no que parece ter sido um acerto de contas. E os disparos contra a Secretaria de Justiça lembram os constantes ataques a delegacias no interior, feitos por quadrilhas de assaltantes de bancos. Ou seja, o crime não teme a Justiça ou o Executivo. Pelo contrário, afronta-os descaradamente.

Atentado é coisa bem diferente de assalto

Servilho Paiva agiu bem ao mostrar que os atentados contra coletivos serão investigados e combatidos, buscando assim impedir que a moda pegue. Mas é bom deixar claro que esses crimes possuem uma natureza distinta dos tradicionais assaltos a ônibus e vans, que segundo números oficiais apresentados pelo secretário, reduziram 39% em Fortaleza, somente em janeiro, repetindo o milagre da redução dos crimes violentos contra o patrimônio, que teriam caído 45%. Nesse ritmo incrível, faço aqui um breve parêntese, daqui a dois meses os assaltos registrados em coletivos terão acabado, por coincidência, bem no ano eleitoral.

Enquanto isso não acontece, volto ao tema central, é bom diferenciar atentados de crimes comuns. Se até o momento não é certo a motivação desses primeiros, o certo é que eles só acontecem em ambientes em que a segurança pública vive avançado estado corrosão. Antes de causar insegurança, são efeitos dela.

Sete anos depois…

Se traficantes pintam e bordam no Ceará, isso é consequência da falta de uma política de segurança eficiente. A ousadia dos criminosos, pois, aumenta à medida que o poder público não consegue contê-los. E assim, o crime agora tenta acuar instituições e serviços públicos, como já fez no Rio de Janeiro.

Por fim, uma observação. Não deixa de ser autoexplicativa a necessidade de se uma operação batizada com o nome Coletivo Seguro, após setes anos de uma gestão eleita justamente com o discurso de promover mais segurança. Mas, como dizem os otimistas, antes tarde do que nunca.