Secretaria de Assuntos Estratégicos Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Secretaria de Assuntos Estratégicos

Governo brasileiro mostra como subir na vida com pouco dinheiro – Ou: A arte de iludir

Por Wanfil em Brasil

03 de Maio de 2013

Focalize o ponto no centro da imagem e mova a cbeça para a frete e para atrás. Tudo parece se mover, mas na realidade nada sai do lugar. É ilusionismo, truque comum entre os nossos governantes.

Focalize o ponto no centro e mova a cabeça para a frente e para trás. Tudo parece se mover, mas na verdade nada sai do lugar. É ilusionismo, truque comum entre os nossos governantes.

Como não resolver um problema e ainda assim parecer eficaz? E como elevar a condição social de milhões sem promover o crescimento da economia? A resposta é simples: com ilusionismo retórico. E o melhor exemplo é o alardeado combate a miséria promovido pelo governo Dilma Rousseff.

De acordo com recente pesquisa divulgada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, o sujeito com renda de aproximadamente 500 dólares mensais é oficialmente classificado de “alta classe média”. Com 441 reais por mês no bolso, a pessoa passa a ser considerada, mui graciosamente, membro da “baixa classe média”. Com sorte, com mais 200 reais, perfazendo quase um salário mínimo, ascende para a categoria de “média classe média”.

Truque eleitoral

As autoridades brasileiras estão se especializando na arte de substituir feitos por slogans repletos de termos pomposos, no intuito de esconder o contraste, cada vez mais evidente, entre a magnificência daquilo o que é anunciado e a escassez do que é realizado. É a arte de falar muito para não dizer nada.

Não é preciso ser economista, técnico ou possuir qualquer formação acadêmica para saber que essas estratificações de classe não passam de truque que, somados a outros mais, servirá de estofo para a propaganda para a reeleição de Dilma: “A presidente que acabou com a miséria”.

Autoengano de massas

É comum governos e pessoas superestimarem a si mesmos, destacando exageradamente o que consideram ser aspectos positivos de suas ações, ao mesmo tempo em que minimizam eventuais erros ou fracassos. O problema é cair na tentação esquizofrênica de confundir a realidade com desculpas nascidas para disfarçar a ausência de competência.

No plano individual, qualquer um que fuja do mundo real para buscar abrigo no mundo dos desejos acaba por prejudicar  a si mesmo, quando muito, aos seus familiares. No entanto, numa inversão psicótica da relação entre causa e efeito, quando o engodo é praticado por governos no Brasil, no lugar do natural descrédito, os responsáveis são agraciados com altos índices de popularidade, num fenômeno que demonstra no Brasil um desejo generalizado pelo autoengano.

Por isso, vemos prosperar por aí a ideia de que há autossuficiente de petróleo, ou que a energia é barata, que o Brasil é mais rico que a Inglaterra, que a miséria está em vias de acabar, que a classe média não para de crescer alucinadamente, etc., etc.

E assim, descobrimos que um cidadão, trocando o desemprego (nunca tantos empregos foram criados, diz a propaganda), por uma vaga de gari ou de motorista de ônibus, salta instantaneamente da condição de miserável para a de classe média, enquanto o PIB continua, estranhamente, estagnado.

Discernimento torto

Para encerrar, uma frase do poeta Henry W. Longfellow, seguida de uma reflexão minha:

Julgamos a nós mesmos pelo que nos sentimos capazes de fazer, enquanto os outros nos julgam pelo que já fizemos.

Por aqui, na ânsia de ser o que ainda não somos, julgamos os governos pelo que eles dizem ser capazes de fazer e não pelo que eles fazem, ou deixam de fazer.

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Governo brasileiro mostra como subir na vida com pouco dinheiro – Ou: A arte de iludir

Por Wanfil em Brasil

03 de Maio de 2013

Focalize o ponto no centro da imagem e mova a cbeça para a frete e para atrás. Tudo parece se mover, mas na realidade nada sai do lugar. É ilusionismo, truque comum entre os nossos governantes.

Focalize o ponto no centro e mova a cabeça para a frente e para trás. Tudo parece se mover, mas na verdade nada sai do lugar. É ilusionismo, truque comum entre os nossos governantes.

Como não resolver um problema e ainda assim parecer eficaz? E como elevar a condição social de milhões sem promover o crescimento da economia? A resposta é simples: com ilusionismo retórico. E o melhor exemplo é o alardeado combate a miséria promovido pelo governo Dilma Rousseff.

De acordo com recente pesquisa divulgada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, o sujeito com renda de aproximadamente 500 dólares mensais é oficialmente classificado de “alta classe média”. Com 441 reais por mês no bolso, a pessoa passa a ser considerada, mui graciosamente, membro da “baixa classe média”. Com sorte, com mais 200 reais, perfazendo quase um salário mínimo, ascende para a categoria de “média classe média”.

Truque eleitoral

As autoridades brasileiras estão se especializando na arte de substituir feitos por slogans repletos de termos pomposos, no intuito de esconder o contraste, cada vez mais evidente, entre a magnificência daquilo o que é anunciado e a escassez do que é realizado. É a arte de falar muito para não dizer nada.

Não é preciso ser economista, técnico ou possuir qualquer formação acadêmica para saber que essas estratificações de classe não passam de truque que, somados a outros mais, servirá de estofo para a propaganda para a reeleição de Dilma: “A presidente que acabou com a miséria”.

Autoengano de massas

É comum governos e pessoas superestimarem a si mesmos, destacando exageradamente o que consideram ser aspectos positivos de suas ações, ao mesmo tempo em que minimizam eventuais erros ou fracassos. O problema é cair na tentação esquizofrênica de confundir a realidade com desculpas nascidas para disfarçar a ausência de competência.

No plano individual, qualquer um que fuja do mundo real para buscar abrigo no mundo dos desejos acaba por prejudicar  a si mesmo, quando muito, aos seus familiares. No entanto, numa inversão psicótica da relação entre causa e efeito, quando o engodo é praticado por governos no Brasil, no lugar do natural descrédito, os responsáveis são agraciados com altos índices de popularidade, num fenômeno que demonstra no Brasil um desejo generalizado pelo autoengano.

Por isso, vemos prosperar por aí a ideia de que há autossuficiente de petróleo, ou que a energia é barata, que o Brasil é mais rico que a Inglaterra, que a miséria está em vias de acabar, que a classe média não para de crescer alucinadamente, etc., etc.

E assim, descobrimos que um cidadão, trocando o desemprego (nunca tantos empregos foram criados, diz a propaganda), por uma vaga de gari ou de motorista de ônibus, salta instantaneamente da condição de miserável para a de classe média, enquanto o PIB continua, estranhamente, estagnado.

Discernimento torto

Para encerrar, uma frase do poeta Henry W. Longfellow, seguida de uma reflexão minha:

Julgamos a nós mesmos pelo que nos sentimos capazes de fazer, enquanto os outros nos julgam pelo que já fizemos.

Por aqui, na ânsia de ser o que ainda não somos, julgamos os governos pelo que eles dizem ser capazes de fazer e não pelo que eles fazem, ou deixam de fazer.