Secretaria da Saúde Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Secretaria da Saúde

Pacientes morrem por falta de condições de trabalho nos hospitais do Ceará: tome uma atitude, governador!

Por Wanfil em Saúde

14 de dezembro de 2017

Candidatos à reeleição, Eunício e Camilo pedem dinheiro ao governo Temer para custeio de hospital inaugurado na gestão Cid, enquanto pacientes sofrem sem remédios e cirurgias nos outros hospitais (Foto: divulgação)

O paciente Valcides Pereira, de 58 anos, internado no Hospital de Messejana à espera de um transplante de coração, morreu no dia 7 de dezembro porque faltou material para a realização da cirurgia. O caso ganhou repercussão nacional no jornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo.

Relatos de interrupção de tratamentos, de internações e de realização de cirurgias também foram registrados nos últimos meses em muitos outros hospitais públicos. Entidades como o Conselho de Medicina e o Sindicato dos Médicos já fizeram alertas públicos sobre riscos de morte em razão dessa precariedade crônica.

Recebi ontem pelo Whatsapp a seguinte mensagem um médico, que prefiro não identificar: “Enquanto o Camilo fica no Facebook, vejo pacientes morrendo por falta de tudo, insumos básicos, antibióticos. César Cals, HGF e Messejana nesse estado”.

No início do mês uma médica, que também não identifico para evitar retaliações (essa é uma preocupação constante entre os profissionais de saúde com que falo), me enviou esta outra mensagem: “Falta papel higiênico aqui no hospital. Vários anti-hipertensivos, morfina e Tramal, que são duas medicações importantes para dor forte, também estão faltando”.

Outro relato: “Dá vontade até de largar o trabalho! Mudamos antibióticos o tempo todo, conforme disponibilidade na farmácia. Exames então? Suspeita de infarto não tem dosagem de troponina, uma enzima cardíaca que altera na condição”.

A Secretaria da Saúde diz contra todas as evidências que são problemas pontuais e culpa fornecedores. É sempre a mesma conversa sem jamais reconhecer erros próprios. Ninguém é responsabilizado pelas licitações sem parâmetros de segurança para atrasos e desabastecimento (se fornecedores falham, pacientes estão condenados? Não existem alternativas para compras de emergência? O controle é feito apenas de um mês para o outro?); ninguém é cobrado pelo controle de estoque desse material. DE QUE SERVE O ISGH? Não seria a entidade, contratada a peso de ouro, responsável pela administração e distribuição dos insumos para os hospitais? Nada se faz.

Fica tudo por isso mesmo. Pior: pela ótica de nossos governantes está tudo muito bem, obrigado. Tanto que o secretário da Saúde, Henrique Javi (coincidentemente ex-presidente do ISGH), foi homenageado em novembro na Câmara Municipal de Fortaleza, pelos serviços realizados, apesar da profunda crise no setor. É inacreditável.

Ontem o governador Camilo e seu novo aliado Eunício Oliveira conseguiram a liberação de R$ 30 milhões para o custeio de atividades no Hospital de Quixeramobim, obra eleitoreira inaugurada em 2014 e que não funciona por falta de verbas. Notícia importante, sim, mas reveladora de uma situação constrangedora: autoridades concentram esforços para cobrir falhas de planejamento nas gestões de Cid e Dilma, enquanto pacientes morrem agora em hospitais de referência por falta de remédios e insumos. Médicos, enfermeiros e técnicos sofrem com o estresse no trabalho. Sem contar que colocar mais dinheiro nas mãos de quem não consegue suprir o básico, é temerário. Ia esquecendo: o governo estadual fez palanque festivo recentemente para anunciar a assinatura de autorização para a construção de um hospital regional em Limoeiro do Norte. A ideia de expandir uma rede com problemas de funcionamento não parece sensata.

A essa altura não adianta esperar mais do que desculpas esfarrapadas por parte da Secretaria ou do secretário. Cabe ao governador, candidato à reeleição, tomar uma providência.

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A Saúde no chão: quem são os culpados?

Por Wanfil em Ceará

11 de Maio de 2015

As más notícias e as denúncias sobre o sistema de saúde pública do Ceará se acumulam em velocidade atordoante. Logo de cara, basta dizer que a secretaria está sem secretário: Carlile Lavor pediu demissão há uma semana e o governo procura um substituto. É a expressão política e administrativa de uma realidade que se impõe como desgraça sobre a população. Vejamos os pontos abaixo.

O Sindicato dos Médicos divulga diariamente boletins com o número de pacientes atendidos em corredores nas emergências dos hospitais de Fortaleza. Sempre na casa das centenas. A diretoria do HGF ameaçou suspender cirurgias eletivas por falta de insumos básicos, como seringas e antibióticos (médicos receberam em maio, o salário de fevereiro). Em Juazeiro do Norte, a Justiça determinou uma intervenção no setor para apurar possíveis irregularidades em licitações. Os hospitais regionais não funcionam como deveriam, isso quando funcionam (prefeitos são unânimes em dizer que não há como os municípios custearem esses equipamentos). A quantidade de leitos do SUS diminuiu. As UPAS estão lotadas de pacientes que não conseguem vagas no hospitais. No IJF, pacientes são atendidos no chão – isso mesmo, no chão! O hospital nega a falta de macas, assim como a Secretaria da Saúde nega a crise, que para o resto dos cearenses é real e inegável. Diante desse quadro desolador, emergencial e desesperador, cabe perguntar: quem são os culpados por tudo isso?

Vamos começar pelo óbvio: não são os pacientes que insistem em ficar doentes, nem os médicos que trabalham sem condições adequadas. (Aqui vale um adendo. Lembram do programa Mais Médicos? Pois é. Tudo lorota para dar a impressão de que o problema era a má vontade dos médicos).

Agora vamos aos suspeitos:

1) Governador Camilo Santana (PT) – Pelo cargo que ocupa é o nome a ser cobrado. No entanto, convenhamos, Santana está apenas no quinto mês de seu mandato. Parafraseando Nelson Rodrigues, crises assim não se improvisam, são produzidas por anos de desacertos. Apesar disso, mesmo tendo herdado o abacaxi, Camilo não pode alegar inocência, afinal, é aliado da gestão passada, elogiada como referência na saúde durante sua campanha eleitoral;

2) Ex-secretário Carlile Lavor – Vale o mesmo raciocínio, com a diferença de que o ex-titular da área pode alegar que assumiu sem saber que a situação estava tão ruim. Mesmo assim, por ter desistido poucos meses depois, também não pode alegar inocência. No mínimo, contribuiu para agravar o quadro com uma crise política;

3) Ex-governador Cid Gomes – principal suspeito. Governador por dois mandatos, precedeu a atual gestão. É responsável pelo atual desenho da estrutura da saúde no Ceará, com investimentos elevados na construção de hospitais regionais e unidades menores de atendimento pelo interior, que supostamente desafogariam os hospitais da capital. Não deu certo. De todo modo, todos os avanços desse modelo alegados pela propaganda eleitoral de Camilo Santana foram atribuídos a Cid. Se ele agora não funciona, é razoável que se faça a mesma deferência;

4) Ex-secretário Ciro Gomes – Sem entender da área, Ciro assumiu a pasta da saúde no final do segundo mandato de Cid na condição de irmão do governador e de liderança com “costas largas”, conforme ele mesmo se definiu. Se Cid foi o responsável maior pelas ações de saúde, como foi dito na propaganda de Camilo, Ciro foi seu principal aliado na hora de maquiar problemas que já começavam a estourar no ano passado. Conseguiu disfarçar o quadro até depois das eleições;

5) Prefeitos – Estão mais para vítimas do que para culpados. Como a maioria é governista e passou os últimos anos elogiando a política de saúde implementada pela gestão Cid Gomes, carrega consigo o feito de cavar a própria sepultura, pois precisam explicar aos seus eleitores agora, porque as coisas chegaram a esse ponto, se eles diziam que estava tudo melhorando. Essa condição não serve, entretanto, para a capital Fortaleza, que possui realidade orçamentária distinta;

6) Presidente Dilma Rousseff – é a principal responsável pelo corte de verbas que sufoca estados e municípios hoje, por causa do ajuste fiscal executado para cobrir cobrir o rombo nas contas públicas causados pelos erros da própria presidente. Não figura como suspeita, pois é notoriamente culpada. Resta ver quem foram seus cúmplices no desmantelamento do sistema de saúde brasileiro.

7) Bancadas estadual e federal cearense: a pior representação federal da história, com uma ou duas exceções, se notabilizou pela omissão e a capacidade de aplaudir governadores e presidentes, cobrindo-os de elogios e prometendo aos eleitores dias de fartura. A representação estadual mais submissa ao Executivo de que se tem notícia (novamente com raras exceções) foi pródiga em elogiar sem fiscalizar. O resultado é esse que temos agora. São incapazes de cobrar ou denunciar qualquer problema, quiçá de reconhecer que o problema existe.

8) Todos juntos: pelo tamanho, intensidade e gravidade, o mais justo, a meu ver, é  reunir os suspeitos acima e considerá-los, juntos, responsáveis pelo colapso na saúde do Ceará, variando aí apenas o tamanho da responsabilidade de cada um, com a verificação de atenuantes e agravantes.

Na prática, o grupo político que deixou o Ceará com os piores índices de violência da história, é o mesmo que deixou a saúde assim, literalmente no chão, conforme fotos dos IJF que circulam desde o domingo nas redes sociais. Encerro por aqui. Olhem a imagem e tirem suas conclusões:

A saúde no chão: pacientes no IJF
A saúde no chão: pacientes no IJF
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Nepotismo esclarecido

Por Wanfil em Ceará

09 de setembro de 2013

Ciro Gomes é o novo secretário de Saúde do Ceará. Apesar de ser irmão do governador Cid Gomes, o caso não configura nepotismo. É algo estranho, pois a nomeação de parentes de um governante para cargos públicos é crime, como disposto na Súmula Vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal.

Acontece que o próprio STF entendeu que, no caso de funções eminentemente políticas, a contratação de parentes é permitida. A questão foi definida em 2009, justamente por causa da nomeação de Ivo Gomes, outro irmão do governador do Ceará, para cargo de confiança. Família unida é assim mesmo, reza a tradição brasileira.

O precedente

Ninguém questiona a competência dos irmãos do governador. O problema é o precedente que brecha cria, já que, na prática, dá margem para que prefeitos nomeiem seus parentes, valendo-se exatamente desses cargos políticos, mais precisamente, de secretários. Até em Fortaleza isso acontece, com o prefeito Roberto Cláudio também indicando um irmão para a sua equipe. Tudo legal, evidentemente. É impressionante como sempre se dá um jeitinho para que tudo permaneça como sempre foi.

Na Europa do Século XVIII, o modelo que mesclava o poder absoluto dos reis com algumas ideias reformistas ficou conhecido como despotismo esclarecido. No Brasil, com a ajuda do nosso querido Ceará, criou-se, em pleno Século XXI, o nepotismo esclarecido. O sujeito nomeia a parentada, mas com a devida ressalva de que é tudo gente boa e da mais alta competência.

Pouco tempo e muita cobrança

Deixando essa questão um pouco de lado e olhando para a conveniência política da escolha de Ciro para a Saúde, trata-se uma opção arriscada, dado o perfil polêmico do ex-governador. É o tipo de aliado normalmente escalado para atuar na linha de frente em casos de crises, para o confronto de ideias.

De todo modo, é possível dizer que durante dois dias a nomeação de Ciro ofuscou a troca de comando em outra pasta, a da Segurança, a mais desgastada da atual gestão. No lugar de Francisco Bezerra, assume Servilho Paiva, que já atuava como coordenador geral de disciplina na própria Secretaria de Segurança.

Essa troca de nomes, por si só, não resolve problemas, claro, mas abre espaço para possíveis ajustes, o que gera mais expectativas. Resta agora torcer para que os novos secretários tenham autonomia para resolver ou pelo menos amenizar os efeitos daquilo o que deu errado. O tempo de que eles dispõem é pequeno, mas a cobrança será grande como nunca.

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Nepotismo esclarecido

Por Wanfil em Ceará

09 de setembro de 2013

Ciro Gomes é o novo secretário de Saúde do Ceará. Apesar de ser irmão do governador Cid Gomes, o caso não configura nepotismo. É algo estranho, pois a nomeação de parentes de um governante para cargos públicos é crime, como disposto na Súmula Vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal.

Acontece que o próprio STF entendeu que, no caso de funções eminentemente políticas, a contratação de parentes é permitida. A questão foi definida em 2009, justamente por causa da nomeação de Ivo Gomes, outro irmão do governador do Ceará, para cargo de confiança. Família unida é assim mesmo, reza a tradição brasileira.

O precedente

Ninguém questiona a competência dos irmãos do governador. O problema é o precedente que brecha cria, já que, na prática, dá margem para que prefeitos nomeiem seus parentes, valendo-se exatamente desses cargos políticos, mais precisamente, de secretários. Até em Fortaleza isso acontece, com o prefeito Roberto Cláudio também indicando um irmão para a sua equipe. Tudo legal, evidentemente. É impressionante como sempre se dá um jeitinho para que tudo permaneça como sempre foi.

Na Europa do Século XVIII, o modelo que mesclava o poder absoluto dos reis com algumas ideias reformistas ficou conhecido como despotismo esclarecido. No Brasil, com a ajuda do nosso querido Ceará, criou-se, em pleno Século XXI, o nepotismo esclarecido. O sujeito nomeia a parentada, mas com a devida ressalva de que é tudo gente boa e da mais alta competência.

Pouco tempo e muita cobrança

Deixando essa questão um pouco de lado e olhando para a conveniência política da escolha de Ciro para a Saúde, trata-se uma opção arriscada, dado o perfil polêmico do ex-governador. É o tipo de aliado normalmente escalado para atuar na linha de frente em casos de crises, para o confronto de ideias.

De todo modo, é possível dizer que durante dois dias a nomeação de Ciro ofuscou a troca de comando em outra pasta, a da Segurança, a mais desgastada da atual gestão. No lugar de Francisco Bezerra, assume Servilho Paiva, que já atuava como coordenador geral de disciplina na própria Secretaria de Segurança.

Essa troca de nomes, por si só, não resolve problemas, claro, mas abre espaço para possíveis ajustes, o que gera mais expectativas. Resta agora torcer para que os novos secretários tenham autonomia para resolver ou pelo menos amenizar os efeitos daquilo o que deu errado. O tempo de que eles dispõem é pequeno, mas a cobrança será grande como nunca.