saúde Archives - Página 2 de 3 - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

saúde

Planos de saúde servem pra quê?

Por Wanfil em Crônica

23 de junho de 2015

Com o caos instalado na saúde pública, milhões de brasileiros são obrigados a contratar planos privados de saúde. Não que as operadoras sejam lá grande coisa: nesse cálculo, o que vale é fugir do pior serviço. Assim, para não correr o risco de depender do SUS, as pessoas aceitam pagar, além dos impostos para os governos, mensalidades que variam de acordo com os planos, mas que invariavelmente comprometem uma parcela considerável do orçamento das famílias.

No Ceará faltam antibióticos nos hospitais públicos. Nos privados antibiótico não falta, mas a ilusão de que planos caríssimos podem ser a salvação contra o pior não resiste, por exemplo, à falta leitos infantis. Não é por acaso que as empresas de home care (atendimento domiciliar) crescem transformando residências em pequenos hospitais, com aluguel de equipamentos e venda de remédios e serviços.

Tenho uma filha “internada” em casa para tratamento contra uma pneumonia, utilizando a estrutura de um home care. Em quatro dias, o gasto será parecido com um mês do plano que pago há muitos anos, mas que me deixou na mão, sem leito. A alternativa, segundo a operadora, seria esperar indefinidamente na enfermaria improvisada de uma emergência. No final do mês, a única certeza relacionada ao plano contratado se confirmará: a mensalidade por um plano com direito a apartamento.

Planos de saúde servem para isso: para trocar o muito ruim pelo menos ruim. A crise na saúde é generalizada e sua metástase já chegou aos planos. Excesso de burocracia, impostos, falta de fiscalização, crise econômica e má gestão em alguns casos, comprometem a qualidade desses serviços. E de tão comum, essa situação virou parte do panorama nacional. Na emergência em que minha filha foi atendida, pais e mães consolavam-se: “Se está assim aqui, imagine no SUS”.

Quando a satisfação de um serviço é medida nestes termos, é a decadência total. Não tem mais cura.

Publicidade

Médico no HGF pede exame para paciente e descobre: “sem resultado por falta de insumo”

Por Wanfil em Ceará

01 de junho de 2015

Um médico amigo enviou-me a imagem de um simples exame de urina, solicitado para um paciente do Hospital Geral de Fortaleza. Confirma aí no que deu:

Exame
Exame de urina sem resultado por falta de insumos não revela doença de paciente no HGF, mas comprova grave infecção na gestão pública cearense

Sem insumos e muito mais
Do ponto de vista técnico, o exame “sem resultado por falta de insumo” deixa os médicos às cegas, em caso de infecção, sem saber que tipo de germe está presente no organismo do paciente e qual o antibiótico ideal para tratar a doença. Um remédio inadequado pode deixar as bactérias mais resistentes ao tratamento.

Por outro lado, em termos de serviço público, o exame mostra que a saúde no Ceará sofre de uma grave infecção causada pelos germes da incompetência administrativa, falta de planejamento e crise financeira. Uma rede incapaz de realizar um exame de urina está falida. Pior: ilude pacientes e expõe médicos a situações juridicamente arriscadas. Certamente existe uma série de explicações para o ocorrido, como “caso isolado”, “problema na licitação”, “atraso momentâneo”, “burocracia nos repasses” e por aí vai. As matérias na imprensa a respeito estão cheias delas, com as mesmas promessas de “normalização dos serviços” para breve. O que sei é que tenho conversado com profissionais da saúde com frequência e os relatos são os mesmo: a penúria e a falta de condições de atendimento se tornaram crônicas. Um desastre assim não se improvisa, como dizia Nelson Rodrigues.

Exemplo de má gestão
A revista Veja publicou em sua edição desta semana que o Ceará se tornou exemplo de má gestão durante os governos de Cid Gomes. Como prova, mostrou obras que já consumiram milhões, mas estão paradas, sem previsão de conclusão, como o VLT, a Linha Leste do Metrô e o Acquario. Outro ponto abordado foram as finanças. Segundo a revista, o governo usou de truques contábeis para dizer que as contas estaduais estavam no azul, quando, na verdade, conforme critérios utilizados pelo Banco Central, estariam no vermelho.

Lendo bem o exame de urina do paciente no HGF, a denúncia faz todo sentido.

leia tudo sobre

Publicidade

Ceará suplica e Ministério da Saúde libera uns trocados

Por Wanfil em Ceará

28 de Maio de 2015

Para conseguir manter a estrutura da saúde pública no Ceará, que foi ampliada nos últimos anos sem que houvesse recursos próprios suficientes, situação agravada ainda pela queda nos repasses federais, o governador Camilo Santana, do PT, e o prefeito de fortaleza, Roberto Cláudio, do Pros, foram à Brasília pedir ajuda ao ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Conseguiram R$ 25,7 milhões, que serão divididos entre o Governo do Estado, a Prefeitura de Fortaleza e mais 25 municípios do interior. Obviamente, esse montante é insuficiente. Só para efeito de comparação, se esse dinheiro fosse destinado somente para a capital, daria para bancar apenas um mês os gastos do IJF.

Política do “salve-se quem puder”
Isso não invalida o esforço do governador e do prefeito, que estão no papel de gestores. Aliás, não deveria nem ser necessário que eles fossem bater à porta da presidente Dilma e do Ministério da Saúde para pedir mais recursos. Depois das imagens de pacientes amontoados nos corredores dos hospitais do Ceará, que repercutiram nacionalmente, a ajuda tinha que ser oferecida espontaneamente.

Mas como o governo federal tem seus próprios problemas de caixa, a situação fica assim: leva alguns trocados quem perturbar mais. Isso não é planejamento, não é aliança estratégia, programa de governo, método de gestão, nada disso. É o improviso do salve-se quem puder. E é exatamente por isso, pela falta de competência e de visão das autoridades, especialmente na última década, que chegamos a esse ponto.

Publicidade

Dilma diz que irá avaliar crise da saúde e Camilo fica satisfeito. Preparem os bolsos!

Por Wanfil em Ceará

20 de Maio de 2015

Dilma Rousseff recebe Camilo Santana estão satisfeito. Você está? / Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

Olha como Dilma Rousseff e Camilo Santana estão satisfeitos. E você, também está? / Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

Leio no site do Governo do Ceará que o governador Camilo Santana, do PT, saiu satisfeito da reunião que teve nesta quarta-feira (20) com a presidente Dilma Rousseff, também do PT, para discutir a crise da saúde no Ceará.

Qual o motivo dessa satisfação? “Ela compreendeu os números da saúde do Ceará e recomendou que a Casa Civil e o Ministério fizessem uma avaliação”, explicou Camilo. O problema é que isso não tem efeito prático nenhum. Pelo contrário. Façamos algumas considerações.

Essa papo de avaliação é conversa mole. Primeiro, Aloísio Mercadante, ministro da Casa Civil, não apita nada. É um zumbi no Planalto, agora que a articulação política está com o vice-presidente Michel Temer, do PMDB. Segundo, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse na semana passada que o Ceará recebe o suficiente para dar um atendimento de qualidade à população. Terceiro, a presidente Dilma pretende fazer um corte no orçamento entre 70 e 80 bilhões de reais. Portanto, se depender desse trio, mais verbas, nem sonhando!

Como diante disso Camilo se mostrou satisfeito, é provável que todos tenham achado muito sensata a ideia do cearense de estudar uma nova fonte de financiamento para a saúde, inspirada na extinta CPMF. É assim: Dilma gasta mal o dinheiro dos pagadores de impostos, desrespeita a Lei de Responsabilidade Fiscal, cria um déficit recorde e depois lança um pacote de cortes que atinge a saúde pública em todo o país. Tudo com o apoio do governo local, que nos últimos oito anos gastou mal o dinheiro que tinha para a área e fez da Secretaria da Saúde moeda de troca para contemplar o apoio político do PC do B. Depois, com a crise estourando nos hospitais, criam mais um imposto para espetar no bolso dos brasileiros.

Publicidade

A Saúde no chão: quem são os culpados?

Por Wanfil em Ceará

11 de Maio de 2015

As más notícias e as denúncias sobre o sistema de saúde pública do Ceará se acumulam em velocidade atordoante. Logo de cara, basta dizer que a secretaria está sem secretário: Carlile Lavor pediu demissão há uma semana e o governo procura um substituto. É a expressão política e administrativa de uma realidade que se impõe como desgraça sobre a população. Vejamos os pontos abaixo.

O Sindicato dos Médicos divulga diariamente boletins com o número de pacientes atendidos em corredores nas emergências dos hospitais de Fortaleza. Sempre na casa das centenas. A diretoria do HGF ameaçou suspender cirurgias eletivas por falta de insumos básicos, como seringas e antibióticos (médicos receberam em maio, o salário de fevereiro). Em Juazeiro do Norte, a Justiça determinou uma intervenção no setor para apurar possíveis irregularidades em licitações. Os hospitais regionais não funcionam como deveriam, isso quando funcionam (prefeitos são unânimes em dizer que não há como os municípios custearem esses equipamentos). A quantidade de leitos do SUS diminuiu. As UPAS estão lotadas de pacientes que não conseguem vagas no hospitais. No IJF, pacientes são atendidos no chão – isso mesmo, no chão! O hospital nega a falta de macas, assim como a Secretaria da Saúde nega a crise, que para o resto dos cearenses é real e inegável. Diante desse quadro desolador, emergencial e desesperador, cabe perguntar: quem são os culpados por tudo isso?

Vamos começar pelo óbvio: não são os pacientes que insistem em ficar doentes, nem os médicos que trabalham sem condições adequadas. (Aqui vale um adendo. Lembram do programa Mais Médicos? Pois é. Tudo lorota para dar a impressão de que o problema era a má vontade dos médicos).

Agora vamos aos suspeitos:

1) Governador Camilo Santana (PT) – Pelo cargo que ocupa é o nome a ser cobrado. No entanto, convenhamos, Santana está apenas no quinto mês de seu mandato. Parafraseando Nelson Rodrigues, crises assim não se improvisam, são produzidas por anos de desacertos. Apesar disso, mesmo tendo herdado o abacaxi, Camilo não pode alegar inocência, afinal, é aliado da gestão passada, elogiada como referência na saúde durante sua campanha eleitoral;

2) Ex-secretário Carlile Lavor – Vale o mesmo raciocínio, com a diferença de que o ex-titular da área pode alegar que assumiu sem saber que a situação estava tão ruim. Mesmo assim, por ter desistido poucos meses depois, também não pode alegar inocência. No mínimo, contribuiu para agravar o quadro com uma crise política;

3) Ex-governador Cid Gomes – principal suspeito. Governador por dois mandatos, precedeu a atual gestão. É responsável pelo atual desenho da estrutura da saúde no Ceará, com investimentos elevados na construção de hospitais regionais e unidades menores de atendimento pelo interior, que supostamente desafogariam os hospitais da capital. Não deu certo. De todo modo, todos os avanços desse modelo alegados pela propaganda eleitoral de Camilo Santana foram atribuídos a Cid. Se ele agora não funciona, é razoável que se faça a mesma deferência;

4) Ex-secretário Ciro Gomes – Sem entender da área, Ciro assumiu a pasta da saúde no final do segundo mandato de Cid na condição de irmão do governador e de liderança com “costas largas”, conforme ele mesmo se definiu. Se Cid foi o responsável maior pelas ações de saúde, como foi dito na propaganda de Camilo, Ciro foi seu principal aliado na hora de maquiar problemas que já começavam a estourar no ano passado. Conseguiu disfarçar o quadro até depois das eleições;

5) Prefeitos – Estão mais para vítimas do que para culpados. Como a maioria é governista e passou os últimos anos elogiando a política de saúde implementada pela gestão Cid Gomes, carrega consigo o feito de cavar a própria sepultura, pois precisam explicar aos seus eleitores agora, porque as coisas chegaram a esse ponto, se eles diziam que estava tudo melhorando. Essa condição não serve, entretanto, para a capital Fortaleza, que possui realidade orçamentária distinta;

6) Presidente Dilma Rousseff – é a principal responsável pelo corte de verbas que sufoca estados e municípios hoje, por causa do ajuste fiscal executado para cobrir cobrir o rombo nas contas públicas causados pelos erros da própria presidente. Não figura como suspeita, pois é notoriamente culpada. Resta ver quem foram seus cúmplices no desmantelamento do sistema de saúde brasileiro.

7) Bancadas estadual e federal cearense: a pior representação federal da história, com uma ou duas exceções, se notabilizou pela omissão e a capacidade de aplaudir governadores e presidentes, cobrindo-os de elogios e prometendo aos eleitores dias de fartura. A representação estadual mais submissa ao Executivo de que se tem notícia (novamente com raras exceções) foi pródiga em elogiar sem fiscalizar. O resultado é esse que temos agora. São incapazes de cobrar ou denunciar qualquer problema, quiçá de reconhecer que o problema existe.

8) Todos juntos: pelo tamanho, intensidade e gravidade, o mais justo, a meu ver, é  reunir os suspeitos acima e considerá-los, juntos, responsáveis pelo colapso na saúde do Ceará, variando aí apenas o tamanho da responsabilidade de cada um, com a verificação de atenuantes e agravantes.

Na prática, o grupo político que deixou o Ceará com os piores índices de violência da história, é o mesmo que deixou a saúde assim, literalmente no chão, conforme fotos dos IJF que circulam desde o domingo nas redes sociais. Encerro por aqui. Olhem a imagem e tirem suas conclusões:

A saúde no chão: pacientes no IJF
A saúde no chão: pacientes no IJF
Publicidade

Queda na pressão de Cid faz subir pressão de cidistas

Por Wanfil em Política

23 de junho de 2014

Cid Gomes passa mal em convenção do PDT e é amparado por aliados - Foto: Tribuna do Ceará

Cid Gomes passa mal em convenção do PDT e é amparado por aliados – Foto: Tribuna do Ceará

O governador Cid Gomes passou mal e chegou a desmaiar durante convenção estadual do PDT, realizada em Fortaleza neste domingo (22). Segundo boletim médico do HGF, a causa foi uma “hipotensão postural”. Felizmente, apesar do susto, o governador recebeu alta no mesmo dia e se recupera em casa.

No entanto, a pressão política entre os liderados do governador só aumenta. É que acaba no próximo dia 30 de junho o prazo para que os partidos definam seus candidatos. E nesse momento, o grupo político liderado por Cid vive a tensão de ainda não saber quem será o candidato oficial à sucessão. Tempo é que não faltou, mas após duas gestões, a indefinição acaba sugerindo duas possibilidades: a) um erro de estratégia; b) uma crise que se prolonga por ainda haver arestas a serem aparadas entre os próprios aliados. Mas esse não é o único problema que faz subir a pressão dos governistas no Ceará.

Estresse
Recentemente, Cid viveu dias de muito estresse por causa de divergências com a direção nacional do Pros, seu atual partido. Isso lhe consumiu energia, capital político e tempo. Tem ainda a pré-candidatura de Eunício Oliveira (PMDB) ao governo estadual. A movimentação junto à base aliada no Estado e a desenvoltura nas articulações com o comando do PMDB e do PT em Brasília, fazem do ex-aliado o maior risco ao projeto de poder dos Ferreira Gomes.

Outro fator de risco para a pressão política entre os cidistas é que apesar da agenda de inaugurações e dos investimentos em publicidade, o governo se ressente com a falta de bons indicadores na área da segurança pública, fato que naturalmente vem sendo explorado por adversários e mina a credibilidade da gestão, como indicam as pesquisas.

E, para completar, não é de hoje que o governador apresenta problemas de saúde em público. Em abril, ele chegou a se licenciar do cargo para um tratamento misterioso, após ter passado mal em Limoeiro do Norte. Também com problemas de pressão arterial, Cid já havia sido internado em 2012.

Doença não tem hora
De tudo isso, fica a impressão de que a rotina crescente de cobranças, dificuldades, intrigas, indefinições e disputas, acabam somatizando fisicamente e o corpo pede assim uma pausa. No entanto, por causa do calendário eleitoral e da opção por deixar tudo para última hora, isso não poderá acontecer nesta semana, quando a demanda pela liderança política do governador é intensamente exigida para costurar apoios e segurar descontentamentos. Qualquer repouso para convalescer que seja indicado a Cid terá esperar para depois, a não ser que a situação seja mais grave e exija cuidados maiores.

O fato é que as condições de saúde de Cid entram agora como um elemento a mais de suspense na reta final para a consolidação das chapas que disputarão as eleições e para o cenário político do Ceará.

Publicidade

Ainda o Ibope: Cearenses reprovam ações dos governos federal e estadual, mas Dilma cresce e Cid cai. Por quê?

Por Wanfil em Pesquisa

16 de dezembro de 2013

Os números da pesquisa Ibope/CNI divulgados na última sexta-feira (13), mostram que as percepções dos cearenses em relação aos serviços do governos  federal e estadual se assemelham no alto índice de descontentamento, mas destoam na avaliação dos governos que os patrocinam. Enquanto a popularidade do federal cresce, a do estadual diminui, embora ambos tenham desempenhos semelhantes por área de atuação. Como isso é possível? Vamos, antes, aos números.

Governo Federal

Nada menos do que 72% dos cearenses reprovam o governo federal nas áreas da Segurança Pública e da Saúde. A única área da gestão Dilma a conseguir aprovação superior à metade dos entrevistados no Estado foram as ações de combate à pobreza, com 58% de aceitação. Traduzindo: Bolsa Família, nada mais.

Curiosamente, a imagem do governo federal tem, no Ceará, um dos seus melhores desempenhos, com 59% entre bom e ótimo.

Fato: os cearenses não fazem ligação entre causa e efeito, entre obra (ações reprovadas) e autor (governo Dilma).

Governo Estadual

Já em relação à gestão Cid Gomes, o descontentamento do público com os serviços de Segurança e Saúde, consideradas as áreas de pior desempenho do governo estadual por 55% e 61% da população, respectivamente, ajudaram a derrubar a aprovação da gestão local para 38%.

Fato: nesse caso, os cearenses fazem a ligação de causa e efeito, ou seja, debitam na conta do governo estadual a frustração que experimentam com o serviço público.

 Conclusões

A falta de um oposição local e a total subserviência da bancada federal são fatores que contribuem para descolar Dilma dos fracassos de seu governo. Sem críticas e cobranças, a presidente acaba ligada somente aos programas assistencialistas que ajudam a aliviar (mas não a superar) a pobreza. Daí ser desnecessário cumprir promessas como refinaria ou transposição do São Francisco.

Para Cid, a situação muda. A proximidade das pessoas com o cotidiano da gestão, a expectativa elevada, a cobertura da imprensa nacional e ainda as críticas de seus poucos opositores (que não conseguem, apesar disso, aparecer como alternativas eleitorais ao governo estadual), desgasta a administração estadual. Mesmo assim, não há grupo político, até o momento, que ameace o projeto em curso.

A solução, por incrível que pareça, é colar ainda mais a imagem do governo estadual ao governo federal. É nesse sobreposição de ilusões que mora a esperança de ofuscar o descontentamento geral com o trabalho desenvolvido por essas duas esferas administrativas. É surreal ter gestões com ações reprovadas nas áreas mais sensíveis como favoritas para as próximas eleições.

Nunca antes nesse país se viveu tanto sob o estigma da adesão incondicional aos governos de plantão.

Publicidade

Ibope: Cid é aprovado pelos cearenses com nota 5,2; mas governo é reprovado com 3,8

Por Wanfil em Pesquisa

14 de dezembro de 2013

O Ibope divulgou pesquisa de opinião nesta sexta-feira (13) para avaliar a popularidade do governo federal e dos governos estaduais em todo o Brasil. O levantamento foi encomendado pela Confederação Nacional da Indústria e tem margem de erros de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Raio X no Ceará

No Ceará, o resultado foi o seguinte: 52% dos entrevistados aprovam a maneira de Cid Gomes governar e 48% confiam no governador, mas o índice dos que consideram governo bom cai para 34% e para 4% entre os que o entendem como ótimo. Com efeito, existe muita gente que gosta do governador mas que avaliam a gestão como regular (34%), além dos que a consideram ruim (9%) ou péssima (11%). Levando em conta a anemia e a desorganização da oposição, é uma situação pouco confortável.

De qualquer modo, como podemos ver, o governador Cid Gomes é maior do que seu próprio governo. Existe aí um fenômeno de dissociação que é algo comum nesse tipo de pesquisa. O brasileiro costuma a ser mais benevolente com as pessoas e mais rigorosos com os governos. É como o professor que simpatiza com o aluno, mas que apesar disso não pode aprová-lo.

Assim, na avaliação dos cearenses, o que temos, em termo mais populares, é mais ou menos isso: metade dos cearenses gostam da imagem pública do indivíduo Cid Gomes e o consideram mesmo um bom sujeito, mas somente 38% estão satisfeitos com seu governo.

No contexto, desempenho é mediano

Apesar de não ser uma grande aprovação, é preciso situar esse desempenho no contexto geral do país. Comparado a outros estados, o Ceará fica na 10ª posição, o que, convenhamos, não é ruim. Pelo contrário, se considerarmos que este ano foi marcado politicamente pelos protestos de junho, quando os brasileiros foram às ruas dizer que não confiam em seus representantes.

No entanto, se a base de comparação for o governo de Pernambuco, de Eduardo Campos (PSB), ou o desempenho local do governo federal, aí a coisa muda de figura.

A gestão de Campos é aprovada por 58% dos pernambucanos, uma vantagem de 20 pontos para o ex-aliado Cid, hoje no Pros. Já 59% dos cearenses aprovam a gestão da presidente Dilma (nacionalmente, esse número cai para 43%). São 21 pontos percentuais de diferença para o governo estadual.

O peso da Segurança e Saúde

A explicação para isso pode estar em dois setores sensíveis para a população. Segundo o Ibope, o Ceará apresenta o segundo maior percentual de moradores que escolheram a Segurança Pública como área de pior desempenho em seu estado, com 55%, seguida de 38% que acham que o combate às drogas é a maior falha do governo. É um desgaste considerável.

Papara os cearenses, pior do que a insegurança só mesmo o serviço estadual de saúde, apontado como ponto fraco da gestão por 61% dos entrevistados.

No geral, independente de qual é a pior área, saúde e segurança no estado são reprovadas por 72% da população. É muito.

 Conclusão

Os números da pesquisa Ibope jogam luzes sobre recentes decisões administrativas e políticas do governador Cid Gomes.

Primeiro, a popularidade maior do governo Dilma no Ceará (superando o governo estadual) explica em boa medida a “lealdade” no apoio à reeleição da petista, em detrimento das pretensões de Eduardo Campos. O pernambucano não transfere votos no Ceará, ao contrário da presidente, além, claro, do tradicional apelo da máquina.

Segundo, as mudanças nas pastas da Segurança e da Saúde, com Ciro Gomes atuando como consultor na primeira e depois assumindo a segunda, mostra claramente que o sinal vermelho acendeu neste semestre.

A sorte da gestão Cid é não ter, como foi dito, uma oposição de peso, organizada, pois as fissuras que podem abalar as estruturas do seu apoio popular estão aí. Por enquanto, a pesquisa mostra que as pessoas até entendem que existe boa intenção nas ações do governo, mas começam a mostrar que não há como ficar satisfeito quando os resultados não aparecem.

Publicidade

Médicos cubanos: remédio eficaz para a saúde ou placebo político?

Por Wanfil em Brasil, Ceará

28 de agosto de 2013

Devido ao programa Mais Médicos, o debate sobre saúde pública no Brasil foi deslocado momentaneamente das questões de ordem administrativa, para o exame acalorado, com certo viés ideológico, sobre a postura ética dos profissionais brasileiros de medicina.

Temos, como é de conhecimento geral, uma política de saúde cara e ruim. E sabemos disso não por causa das propagandas dos governos, onde hospitais são verdadeiras maravilhas repletas de profissionais felizes e pacientes gratos, mas pela experiência direta de quem precisa de atendimento em unidades públicas. Não é por acaso que os políticos mais poderosos, especialmente os que gostam de fazer proselitismo elogiando o SUS, correm para o hospital Sírio Libanês, em São Paulo, ao sinal de qualquer enfermidade.

Por isso, quando o assunto é saúde, eu nunca acredito no que um governo diz. Nenhum. Assim, segundo o governo federal, o serviço público de saúde é ruim no Brasil porque os médicos que não querem trabalhar nas cidades e nas regiões mais pobres e distantes do país. Pois é, não tem nada a ver com desperdício, incompetência administrativa e corrupção. Os médicos dizem que o problema é falta de estrutura, salários atrasados e calotes. Eu acredito nos médicos. Alguns preferem acreditar no políticos que só conhecem o Sírio Libanês.

Tiro no pé

Acontece que as associações de médicos, na melhor tradição sindical brasileira, puseram seu próprio discurso a perder, quando passaram a hostilizar os médicos cubanos “importados” para suprir a carência nesses lugares, digamos, inóspitos. Um vídeo gravado no aeroporto de Fortaleza mostra médicos brasileiros ofendendo médicos cubanos. São cenas constrangedoras que mais contribuíram para legitimar a obscena convocação de médicos estrangeiros sem exames de qualificação e “contratados” junto a uma ditadura.

Os médicos poderiam criar uma lista pública de municípios que não cumprem os contratos com os profissionais da categoria ou abrir um escritório de apoio aos estrangeiros em parceria com os dissidentes cubanos de Miami, de forma a mostrar que o núcleo da questão não é a nacionalidade ou uma reserva de mercado, mas medicina.

Dispensar esses médicos importados dos exames de conhecimentos é uma irresponsabilidade com os pacientes, claro, mas a culpa é do governo brasileiro. Os cubanos, coitados, vivem numa ditadura sanguinária ganhando 50 dólares mensais. Pare eles, ser explorados no Brasil rende mais do que ser explorado na fazenda de Fidel e Raul Castro.

Publicidade

Na Tribuna BandNews FM: Que tal um plebiscito local sobre a saúde?

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

04 de julho de 2013

Minha coluna desta quinta na Tribuna BandNews FM – 101.7.

Médicos protestam em Fortaleza por melhores condições de trabalho. Quem conhece um, sabe o que eles passam. Foto: Tribuna do Ceará

Médicos protestam em Fortaleza por melhores condições de trabalho, enquanto políticos propõem um plebiscito para a obra do Acquário. Foto: Tribuna do Ceará

Agora, de repente, é grande a quantidade de governantes e parlamentares que enxergam nas consultas populares a solução para os males do Brasil. É evidente que se trata de uma reação aos protestos que cobram mais ética e eficiência nos gastos públicos, é o esboço improvisado de uma resposta que possa vir a acalmar a indignação geral contra a corrupção e a incompetência.

Nesse espírito, foi aprovado ontem, com folga, na Câmara Municipal de Fortaleza, o requerimento que pede regime de urgência no projeto de um plebiscito para saber se a população aprova ou rejeita o projeto do aquário do Ceará, do governo estadual.

A iniciativa, aliás, conta com o apoio do governador Cid Gomes, mas a questão é bem mais complicada do que parece.

A Lei Orgânica do município não exige que o tema do plebiscito seja trabalhado em campanha de esclarecimento, nem determina que a questão seja apresentada de forma clara e objetiva, como acontece com as constituições estadual e federal (ver mais no post A moda plebiscitária chegou ao Ceará).

Por se tratar de um assunto que envolve temas complexas, como legislação ambiental e economia, sobre as quais nem os próprios vereadores chegaram a um acordo, são muitas as dúvidas que ainda devem ser esclarecidas.

Enquanto isso, no mesmo dia em que o plebiscito era discutido na câmara, médicos fizeram um protesto em frente ao Palácio da Abolição pedindo melhores condições de trabalho. Quem conhece um médico, tem um parente nessa área, sabe o que eles passam, quando tentam socorrer as pessoas improvisando macas, sem remédios para ministrar, sem explicações para oferecer aos acompanhantes, sem material hospitalar.

Sobre isso, não há quem peça um plebiscito, porque todos sabem que serão reprovados em qualquer consulta. Porque isso depende exclusivamente da qualidade do trabalho de quem administra a área e de quem deve fiscalizar a aplicação dos recursos: justamente, os governantes e os parlamentares.

Mais fácil é fazer plebiscito sobre um tema que não queime o filme de ninguém. Dá a impressão de que algo está sendo feito, enquanto tudo continua como sempre foi.

Confira o áudio:

[haiku url=”http://tribunadoceara.uol.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/07/POLITICA-WANDERLEY-FILHO-0407_214.mp3″]

 

Publicidade

Na Tribuna BandNews FM: Que tal um plebiscito local sobre a saúde?

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

04 de julho de 2013

Minha coluna desta quinta na Tribuna BandNews FM – 101.7.

Médicos protestam em Fortaleza por melhores condições de trabalho. Quem conhece um, sabe o que eles passam. Foto: Tribuna do Ceará

Médicos protestam em Fortaleza por melhores condições de trabalho, enquanto políticos propõem um plebiscito para a obra do Acquário. Foto: Tribuna do Ceará

Agora, de repente, é grande a quantidade de governantes e parlamentares que enxergam nas consultas populares a solução para os males do Brasil. É evidente que se trata de uma reação aos protestos que cobram mais ética e eficiência nos gastos públicos, é o esboço improvisado de uma resposta que possa vir a acalmar a indignação geral contra a corrupção e a incompetência.

Nesse espírito, foi aprovado ontem, com folga, na Câmara Municipal de Fortaleza, o requerimento que pede regime de urgência no projeto de um plebiscito para saber se a população aprova ou rejeita o projeto do aquário do Ceará, do governo estadual.

A iniciativa, aliás, conta com o apoio do governador Cid Gomes, mas a questão é bem mais complicada do que parece.

A Lei Orgânica do município não exige que o tema do plebiscito seja trabalhado em campanha de esclarecimento, nem determina que a questão seja apresentada de forma clara e objetiva, como acontece com as constituições estadual e federal (ver mais no post A moda plebiscitária chegou ao Ceará).

Por se tratar de um assunto que envolve temas complexas, como legislação ambiental e economia, sobre as quais nem os próprios vereadores chegaram a um acordo, são muitas as dúvidas que ainda devem ser esclarecidas.

Enquanto isso, no mesmo dia em que o plebiscito era discutido na câmara, médicos fizeram um protesto em frente ao Palácio da Abolição pedindo melhores condições de trabalho. Quem conhece um médico, tem um parente nessa área, sabe o que eles passam, quando tentam socorrer as pessoas improvisando macas, sem remédios para ministrar, sem explicações para oferecer aos acompanhantes, sem material hospitalar.

Sobre isso, não há quem peça um plebiscito, porque todos sabem que serão reprovados em qualquer consulta. Porque isso depende exclusivamente da qualidade do trabalho de quem administra a área e de quem deve fiscalizar a aplicação dos recursos: justamente, os governantes e os parlamentares.

Mais fácil é fazer plebiscito sobre um tema que não queime o filme de ninguém. Dá a impressão de que algo está sendo feito, enquanto tudo continua como sempre foi.

Confira o áudio:

[haiku url=”http://tribunadoceara.uol.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/07/POLITICA-WANDERLEY-FILHO-0407_214.mp3″]