saúde Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

saúde

Pacientes morrem por falta de condições de trabalho nos hospitais do Ceará: tome uma atitude, governador!

Por Wanfil em Saúde

14 de dezembro de 2017

Candidatos à reeleição, Eunício e Camilo pedem dinheiro ao governo Temer para custeio de hospital inaugurado na gestão Cid, enquanto pacientes sofrem sem remédios e cirurgias nos outros hospitais (Foto: divulgação)

O paciente Valcides Pereira, de 58 anos, internado no Hospital de Messejana à espera de um transplante de coração, morreu no dia 7 de dezembro porque faltou material para a realização da cirurgia. O caso ganhou repercussão nacional no jornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo.

Relatos de interrupção de tratamentos, de internações e de realização de cirurgias também foram registrados nos últimos meses em muitos outros hospitais públicos. Entidades como o Conselho de Medicina e o Sindicato dos Médicos já fizeram alertas públicos sobre riscos de morte em razão dessa precariedade crônica.

Recebi ontem pelo Whatsapp a seguinte mensagem um médico, que prefiro não identificar: “Enquanto o Camilo fica no Facebook, vejo pacientes morrendo por falta de tudo, insumos básicos, antibióticos. César Cals, HGF e Messejana nesse estado”.

No início do mês uma médica, que também não identifico para evitar retaliações (essa é uma preocupação constante entre os profissionais de saúde com que falo), me enviou esta outra mensagem: “Falta papel higiênico aqui no hospital. Vários anti-hipertensivos, morfina e Tramal, que são duas medicações importantes para dor forte, também estão faltando”.

Outro relato: “Dá vontade até de largar o trabalho! Mudamos antibióticos o tempo todo, conforme disponibilidade na farmácia. Exames então? Suspeita de infarto não tem dosagem de troponina, uma enzima cardíaca que altera na condição”.

A Secretaria da Saúde diz contra todas as evidências que são problemas pontuais e culpa fornecedores. É sempre a mesma conversa sem jamais reconhecer erros próprios. Ninguém é responsabilizado pelas licitações sem parâmetros de segurança para atrasos e desabastecimento (se fornecedores falham, pacientes estão condenados? Não existem alternativas para compras de emergência? O controle é feito apenas de um mês para o outro?); ninguém é cobrado pelo controle de estoque desse material. DE QUE SERVE O ISGH? Não seria a entidade, contratada a peso de ouro, responsável pela administração e distribuição dos insumos para os hospitais? Nada se faz.

Fica tudo por isso mesmo. Pior: pela ótica de nossos governantes está tudo muito bem, obrigado. Tanto que o secretário da Saúde, Henrique Javi (coincidentemente ex-presidente do ISGH), foi homenageado em novembro na Câmara Municipal de Fortaleza, pelos serviços realizados, apesar da profunda crise no setor. É inacreditável.

Ontem o governador Camilo e seu novo aliado Eunício Oliveira conseguiram a liberação de R$ 30 milhões para o custeio de atividades no Hospital de Quixeramobim, obra eleitoreira inaugurada em 2014 e que não funciona por falta de verbas. Notícia importante, sim, mas reveladora de uma situação constrangedora: autoridades concentram esforços para cobrir falhas de planejamento nas gestões de Cid e Dilma, enquanto pacientes morrem agora em hospitais de referência por falta de remédios e insumos. Médicos, enfermeiros e técnicos sofrem com o estresse no trabalho. Sem contar que colocar mais dinheiro nas mãos de quem não consegue suprir o básico, é temerário. Ia esquecendo: o governo estadual fez palanque festivo recentemente para anunciar a assinatura de autorização para a construção de um hospital regional em Limoeiro do Norte. A ideia de expandir uma rede com problemas de funcionamento não parece sensata.

A essa altura não adianta esperar mais do que desculpas esfarrapadas por parte da Secretaria ou do secretário. Cabe ao governador, candidato à reeleição, tomar uma providência.

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Camilo, RC e Eunício confraternizam enquanto Estado vive crise na saúde

Por Wanfil em Sem categoria

17 de novembro de 2017

O governador Camilo Santana, o prefeito Roberto Cláudio e o senador Eunício Oliveira trocaram afagos durante solenidade de lançamento do programa “Juntos por Fortaleza”, nesta sexta-feira.

No mesmo horário, funcionários do Hospital do Coração, em Messejana, protestavam contra o atraso nos salários. Durante a semana, entidades como o Conselho Regional de Medicina e o Sindicato dos Médicos do Ceará denunciaram a falta de remédios e insumos cirúrgicos em diversos hospitais estaduais e da capital.

É claro que ninguém deve criticar quando autoridades deixam diferenças partidárias de lado para cumprir suas obrigações em benefício da população. É desejável a separação entre questões políticas e funções administrativas ou representativas. Agora, é diferente quando essas diferenças são ignoradas em razão de projetos particulares, de natureza eleitoral, deixando em segundo plano os problemas reais da população. Quando projetos que ainda estão no papel recebem mais atenção do que crises como a que temos nos hospitais, é sinal de que alguma coisa está fora da ordem, numa inversão de prioridades entre gestão e eleição.

Nesse exato instante, doentes correm o risco de morrer por falta de condições mínimas de atendimento. Se isso não for uma urgência, nada mais será. Em nota à imprensa, a Secretaria da Saúde justificou o caos jogando a culpa em fornecedores e na burocracia. Repete assim o padrão de desculpas já bem estabelecido na área da Segurança: nunca, jamais admitir erro algum; sempre sustentar que somente as melhores medidas são tomadas; jamais tentar explicas como é que apesar de tantos acertos, os resultados continuam desastrosos.

Sem solução para os problemas do presente, importantes autoridades se reúnem para celebrar novas promessas para o futuro. É o cartão de visitas do acordão entre PT, PMDB e PDT.

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Negócios da China

Por Wanfil em Ceará

20 de setembro de 2017

Os chineses estudam construir uma refinaria no Ceará; os chineses avaliam financiar a saúde pública estadual (o que ganharão com isso?); os chineses estão de olho na geração de energia por essas bandas; os chineses podem concluir o aquário que já consumiu R$ 130 milhões dos contribuintes cearenses; os chineses descobriram o Ceará. É o que anuncia, dia sim, dia não, o governo do Estado.

Tomara que tudo dê tudo certo, é claro. Ser otimista nunca é demais, embora a experiência recente recomende prudência. As promessas de saltos desenvolvimentistas já tiveram como protagonistas a parceria entre os governos estadual e federal na era petista, a inigualável competência gerencial da mãe do PAC e a Petrobras pré-Lava-Jato. Como a realidade não correspondeu às expectativas geradas de quatro em quatro anos, a solução é fugir reciclar as esperanças acenando com novas possibilidades e novos protagonistas. Agora, no Ceará, a solução vem da China.

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Médicos desafiam Prefeitura de Fortaleza a liberar imagens de postos de saúde para o público

Por Wanfil em Fortaleza

04 de julho de 2016

No mês passado a Prefeitura de Fortaleza comemorou a exibição de uma matéria em noticiário nacional da Rede Globo sobre a adoção do ponto biométrico e de câmeras nos postos de saúde para fiscalizar o trabalho dos médicos. A hashtag usada na página do Facebook da PMF foi #‎PrefeituraQueFazAcontecer‬.

Pois bem, agora o Sindicato dos Médicos do Ceará, a Associação Médica Cearense e o Conselho Regional de Medicina do Estado querem que a prefeitura libere essas imagens de monitoramento para que a população possa ver quem é que deixa ou não deixa as coisas acontecerem. (Confira a nota dos médicos).

Parece bacana. Quanto mais transparência, melhor. Se existem médicos que burlam o trabalho, é justo que a fiscalização seja feita, aliás, é obrigação de qualquer prefeitura. Infelizmente, isso acontece e, no fundo, quem trabalha mesmo até agradece. Mas é justo também que as condições de trabalho desses profissionais sejam acompanhadas pelo público. Além dos postos, as emergências do IJF e do HGF também poderiam ser monitoradas por todos.

Pensando bem, candidatos a prefeituras poderiam incluir esse ideia como proposta eleitoral. Já existe quem mostre obra em tempo real. Novidade mesmo seria ver um gestor disposto a expor pela internet, sem a ajuda de marqueteiros, como são prestados os serviços aos cidadãos nas unidades de saúde do município.

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Camilo e RC anunciam obras do IJF2: ano eleitoral deve ser apenas coincidência

Por Wanfil em Política

13 de Abril de 2016

Camilo Santana e Roberto Cláudio, governador do Ceará e prefeito de Fortaleza, ambos eleitos com o apoio de Cid Gomes e parceiros inseparáveis nas suas respectivas campanhas, anunciaram em entrevista coletiva as obras para ampliação do Instituto Doutor José Frota, na capital.

Naturalmente, ninguém é contra um empreendimento que pode aumentar o atendimento de um hospital público. Isso não significa, porém, abrir mão do discernimento necessário na hora de observar os devidos cuidados para que o projeto tenha o melhor resultado possível.

É preciso levar em conta se a obra está em consonância com prioridades definidas junto aos profissionais da área, se há condições financeiras para sua manutenção, se o momento é o ideal para contrair novos empréstimos, se os parceiros anunciados estão em condição de arcar com os compromissos assumidos e por aí vai.

Nesse sentido, no presente caso, alguns pontos precisam ser esclarecidos. Como é que o Governo do Estado e o Governo Federal anunciam um novo hospital quando o hospital regional de Quixeramobim, inaugurado há mais de um ano, não funciona por falta de verbas?

Como é que o Governo do Estado e a Prefeitura da capital irão equipar o novo IJF, se médicos reclamam da falta de insumos e remédios? Pela lógica, se não é possível dar conta da estrutura existente, aumentá-la não parece ser a melhor solução para dar mais eficiência aos serviços oferecidos.

Não se está a dizer aqui que o IJF2 tem caráter predominante eleitoreiro, afinal, por coincidência, a obra começa no final do mandato de um provável candidato a reeleição. Trata-se apenas de alertar para o risco de ver tanta ansiedade dos nossos gestores acabar em equívoco, levantando mais um elefante branco no Ceará ou criando um ponto de desequilíbrio financeiro que para funcionar, sugará recursos de outras áreas. E isso, suponho, ninguém quer.

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Hospital Universitário para por falta de verbas: pois é, professor Jesualdo…

Por Wanfil em Ceará

30 de novembro de 2015

Vivendo a maior crise de sua história, o Hospital Universitário Walter Cantídio para atividades por causa da falta de repasses de verbas do governo federal, via SUS. É o que dizem médicos e gestores da instituição, em notas publicadas na imprensa e depoimentos nas rede sociais. Serão suspensos transplantes de rim, pâncreas, fígado e medula óssea. Outros procedimentos serão progressivamente reduzidos.

Às pressas, o reitor da Universidade Federal do Ceará, Henry Campos, foi a Brasília tentar uma saída junto ao secretário superior do Ministério da Educação, Jesualdo Farias, que antecedeu Campos na reitoria da UFC. Aliás, Jesualdo foi um dos 54 reitores (de um total de 58) que em 2014 assinaram um manifesto de apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, que assim justificava o posicionamento do grupo (grifos meus):

“Enquanto educadores, dirigentes universitários eleitos e com mandato, mas sobretudo como cidadãos que desejam ver o país continuar avançando, dirigimo-nos à sociedade brasileira para afirmar, com convicção e com o respeito que merecem todos os candidatos a presidente da República que estamos no rumo certo, portanto, devemos continuar lutando e exigindo a perenidade das políticas e investimentos na educação em todos os níveis”.

A militância eleitoral rendeu a Jesualdo uma indicação para o Ministério da Educação, porém, a UFC e o hospital universitário estão como todos sabem. Confundir o papel de “cidadão” com as responsabilidades de gestor pode dar nisso. Fica pelo menos o registro de que Dilma não afundou o Brasil, a educação e a saúde sozinha.

Cota
Um jornalista do Sistema Jangadeiro me informou há pouco que médicos do HUWC, desses que trabalham longe dos  manifestos eleitorais e que preferem o anonimato, estão fazendo uma cota para pagar, do próprio bolso, os custos para realizar um transplante de fígado, pois o paciente corre sério risco. Essa é a situação. Médicos demonizados como culpados pela crise na saúde durante a campanha eleitoral, acusados de ser contra o programa “Mais Médicos” só por birra. Médicos que agora são criticados pela reitoria por ameaçarem suspender cirurgias por falta de condições de trabalho e de respeito aos pacientes.

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Luizianne rebate críticas de Ivo Gomes à gestão Camilo: “Por que o Ciro não resolveu?”

Por Wanfil em Política

26 de outubro de 2015

A deputada federal Luizianne Lins, ex-prefeita de Fortaleza, falou em entrevista concedida à rádio Tribuna Band News FM (101.7) sobre as críticas feitas pelo deputado estadual Ivo Gomes, do Pros, na última quinta-feira (22), sobre a situação do Hospital Regional de Quixeramobim: “Eu não engulo a desculpa de que o governo não tem dinheiro para o custeio. Tem que se virar! Porque tem dinheiro sim! Eu sei que tem”.

No sábado, durante evento na região do Cariri, o governador, claro, não quis polemizar e disse não comentaria o caso. Até o momento, passados quatro dias, o próprio PT fez ouvidos moucos ao carão de Ivo, silêncio agora quebrado por Luizianne (grifos meus):

A pergunta é: se tem dinheiro para saúde, por que Ciro Gomes, irmão mais velho de Ivo Gomes, (…) quando foi secretário da Saúde não resolveu o problema? (…) É muito bom você jogar nas costas do outros. O deputado Ivo Gomes detonava a gestão da educação pública em Fortaleza, foi secretário municipal [da Educação], entrou calado e saiu mudo! (…) Pra mim ele não tem legitimidade para falar, nunca resolveram problema de nada, adoram falar e saem dos cargos. O Ivo passou pela Secretaria Municipal de Educação e já foi para Secretaria [estadual] das Cidades e também saiu. Aí quando sai fica falando dos outros. Vamos aprender, gente, a se controlar e parar de falar o que não é capaz de fazer.

O PT sempre se destacou pelo sentimento de grupo. Ao mesmo tempo em que a sigla se divide em debates internos, com suas correntes, na hora de se defender de ameaças externas, o conjunto prevalecia. Mesmo agora, com o partido alquebrado por denúncias de corrupção, todo petista ainda defende (ou pelo menos preserva) a figura de Lula, por se tratar de um símbolo de unidade que ainda lhes resta.

Talvez Camilo, tido como cidista, não seja visto internamente como um petista legítimo. Ou então a relação de dependência com a família Ferreira Gomes tenha se intensificado tanto nesse momento de crise, que o partido se sinta constrangido de para reagir. Aliás, no sábado, lá estava Cid ao lado de Camilo, mostrando que está tudo em ordem, na velha tática do bate e assopra.

De resto, é sintomático que venha a ser Luizianne, rompida com Cid e adversária de Roberto Cláudio (PDT), prefeito de Fortaleza que não poupa críticas à Luizianne e aliado de Camilo, a única liderança partidária que venha a público defender a gestão estadual. Algo está fora da ordem.

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De Ivo Gomes para o Governo do Ceará: “TEM QUE SE VIRAR! PORQUE TEM DINHEIRO SIM!”

Por Wanfil em Política

23 de outubro de 2015

Na sessão da Assembleia Legislativa que aprovou um empréstimo de US$ 123 milhões do BID para a construção de novos hospitais no Ceará, realizada ontem, quinta-feira, o deputado Ivo Gomes, do PROS, levantou o debate sobre o financiamento para a saúde no Estado (grifos meus):

Eu não engulo a desculpa de que o governo não tem dinheiro para o custeio. Tem que se virar! Porque tem dinheiro sim! Eu sei que tem, eu sei que tem. O Ceará sabe que tem. Todo mundo sabe que tem. Se não tem dinheiro pra tudo, que se hierarquize as prioridades e a prioridade hoje, no Ceará, é resolver o problema na saúde, especialmente na atenção secundária e terciária, de alta complexidade, que é o propósito desses hospitais, tanto o de Quixeramobim, que não tem justificativa, repito, pra ele tá fechado ainda. Não me venha nenhum líder do governo querer me explicar que não tem dinheiro, porque eu sei que tem! Tá indo pra superávit, não sei o quê, pá, pá, pá. Enquanto tá lá o hospital fechado, equipado e com gente selecionada. Só falta abrir, vontade de abrir”.

Conflito de versões
Ivo é da base aliada do governador Camilo Santana, foi secretário das Cidades na atual gestão e é irmão de Cid e Ciro Gomes. Se fosse um opositor qualquer, seria o caso de dar um desconto, afinal, adversários não ficam imediatamente a par de todas as informações sobre as finanças estaduais. Mas sendo Ivo quem é a questão muda de figura, pois o governo tem dito reiteradamente que o problema da saúde no Ceará é de falta de recursos, que Camilo chama de “subfinanciamento”, conforme podemos conferir nessa matéria da Agência Brasil: Subfinanciamento gera crise na saúde, afirma governador do Ceará.

Hospital da discórdia
O hospital citado por Ivo foi inaugurado no final da gestão Cid Gomes, em Quixeramobim, mas até hoje não funciona. Para a oposição é prova de que o Estado não suportaria novos hospitais, uma vez que não consegue nem sequer dar conta dos que já existem. Faz sentido, mas deixo isso para outro texto.

É preciso deixar claro que Camilo nunca responsabilizou a gestão Cid pelo problema, pelo contrário, sempre destacou que uma de suas causas é a redução dos repasses federais. De todo modo, a obra é estadual. Se funcionasse, seria alardeada como fruto da capacidade empreendedora do ex-governador. Como não opera, ficou como herança maldita para o governo seguinte. No mínimo, faltou o devido planejamento, afinal, o hospital foi inaugurado sem que estivessem plenamente garantidos os recursos para o seu funcionamento.

Tom de cobrança
Talvez por isso Ivo Gomes tenha usado o “tem que se virar!”, com a entonação de de um credor que cobra uma dívida. Pelo modo que que a situação foi abordada, fica a impressão de que, no entendimento do deputado, a obrigação de Camilo é resolver as pendências deixadas por Cid sem reclamar de ninguém. Pode não ter sido a intenção, mas não é comum ver um aliado no legislativo falando assim com o governo.

A oposição, claro, cravou: tem ou não tem dinheiro?

Dilma como exemplo
Por fim, um ponto merece ser destacado. Segundo Ivo Gomes, há dinheiro sim, mas este é usado para fazer superávit, a economia feita para pagar os juros da dívida.

Ora, sugerir o uso desse superávit para cobrir gastos de custeio não previstos no orçamento é aconselhar o governo estadual a repetir o que fez a presidente Dilma Rouseff (imaginando-se muito esperta e perspicaz), com o resultado que todos já conhecemos: rombo nas contas públicas e recessão.

Se essa é a saída para “se virar”, faz muito bem Camilo Santana em não ceder à tentação do populismo fiscal. Dinheiro não aguenta abuso. Principalmente dinheiro dos outros, ou seja, o nosso dinheiro gerido pelo governo.

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Por que Camilo procura na oposição nomes para a Saúde?

Por Wanfil em Ceará

29 de junho de 2015

Além de uma crise sem precedentes na área da Saúde, o governador Camilo Santana recebeu ainda como herança de seu aliado Cid Gomes, o modelo administrativo da saúde pública no Ceará. Assim, boa parte dos recursos para o setor é destinada ao ISGH, entidade que cresceu na condição de parceira do governo estadual e da Prefeitura de Fortaleza sob o comando de Henrique Javi, hoje secretário interino da pasta. Resumindo: os contratos são firmados por gestores públicos que, antes disso, trabalhavam para a contratada. Tem cara de conflito de interesses, cheiro de conflito de interesses, jeito de conflito de interesses, mas segundo os envolvidos, não é nada disso. Então, tá.

De todo modo, foi nesse contexto que o petista Camilo Santana optou por procurar, desde o início de seu mandato, alguém de fora do staff cidista ou da aliança que o elegeu para comandar a pasta da Saúde. Nomeou o médico Carlile Lavor, referência internacional, ex-presidente do PSDB estadual, que ficou no cargo poucos meses. Ao sair, Carlile alegou dificuldades para redesenhar o modelo vigente. A oposição passou a cobrar explicações e o Ministério Público Federal recomendou que os contratos com o ISGH fossem auditados.

Pois bem. Um mês e meio após a saída de Carlile, o governador busca na pessoa do médico Carlos Roberto Martins, o Dr. Cabeto, cardiologista respeitadíssimo e profissional competente, o nome para dar respaldo à Secretaria da Saúde. Segundo o noticiário, Cabeto, que é filiado ao PSDB, não toparia ser secretário, mas aceitaria colaborar com outra função.

Tanto Carlile como Cabeto são quadros técnicos de qualidade indiscutível. Porém, é impossível dissociá-los da condição políticas que ambos assumiram. Ambos são do PSDB, sigla de oposição ao governo Camilo. Mesmo que assuma como adjunto, Cabeto, até pelo peso do nome, seria novamente alguém de fora a figurar no comando da área.

Não existe ninguém com currículo e que seja de confiança entre os governistas? Sei não, fica estranho. Parece que o governador, por alguma razão não explicitada, prefere pinçar das hostes oposicionistas o perfil ideal para mudar os rumos da saúde no Ceará. Por que será, hein?

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Planos de saúde servem pra quê?

Por Wanfil em Crônica

23 de junho de 2015

Com o caos instalado na saúde pública, milhões de brasileiros são obrigados a contratar planos privados de saúde. Não que as operadoras sejam lá grande coisa: nesse cálculo, o que vale é fugir do pior serviço. Assim, para não correr o risco de depender do SUS, as pessoas aceitam pagar, além dos impostos para os governos, mensalidades que variam de acordo com os planos, mas que invariavelmente comprometem uma parcela considerável do orçamento das famílias.

No Ceará faltam antibióticos nos hospitais públicos. Nos privados antibiótico não falta, mas a ilusão de que planos caríssimos podem ser a salvação contra o pior não resiste, por exemplo, à falta leitos infantis. Não é por acaso que as empresas de home care (atendimento domiciliar) crescem transformando residências em pequenos hospitais, com aluguel de equipamentos e venda de remédios e serviços.

Tenho uma filha “internada” em casa para tratamento contra uma pneumonia, utilizando a estrutura de um home care. Em quatro dias, o gasto será parecido com um mês do plano que pago há muitos anos, mas que me deixou na mão, sem leito. A alternativa, segundo a operadora, seria esperar indefinidamente na enfermaria improvisada de uma emergência. No final do mês, a única certeza relacionada ao plano contratado se confirmará: a mensalidade por um plano com direito a apartamento.

Planos de saúde servem para isso: para trocar o muito ruim pelo menos ruim. A crise na saúde é generalizada e sua metástase já chegou aos planos. Excesso de burocracia, impostos, falta de fiscalização, crise econômica e má gestão em alguns casos, comprometem a qualidade desses serviços. E de tão comum, essa situação virou parte do panorama nacional. Na emergência em que minha filha foi atendida, pais e mães consolavam-se: “Se está assim aqui, imagine no SUS”.

Quando a satisfação de um serviço é medida nestes termos, é a decadência total. Não tem mais cura.

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Planos de saúde servem pra quê?

Por Wanfil em Crônica

23 de junho de 2015

Com o caos instalado na saúde pública, milhões de brasileiros são obrigados a contratar planos privados de saúde. Não que as operadoras sejam lá grande coisa: nesse cálculo, o que vale é fugir do pior serviço. Assim, para não correr o risco de depender do SUS, as pessoas aceitam pagar, além dos impostos para os governos, mensalidades que variam de acordo com os planos, mas que invariavelmente comprometem uma parcela considerável do orçamento das famílias.

No Ceará faltam antibióticos nos hospitais públicos. Nos privados antibiótico não falta, mas a ilusão de que planos caríssimos podem ser a salvação contra o pior não resiste, por exemplo, à falta leitos infantis. Não é por acaso que as empresas de home care (atendimento domiciliar) crescem transformando residências em pequenos hospitais, com aluguel de equipamentos e venda de remédios e serviços.

Tenho uma filha “internada” em casa para tratamento contra uma pneumonia, utilizando a estrutura de um home care. Em quatro dias, o gasto será parecido com um mês do plano que pago há muitos anos, mas que me deixou na mão, sem leito. A alternativa, segundo a operadora, seria esperar indefinidamente na enfermaria improvisada de uma emergência. No final do mês, a única certeza relacionada ao plano contratado se confirmará: a mensalidade por um plano com direito a apartamento.

Planos de saúde servem para isso: para trocar o muito ruim pelo menos ruim. A crise na saúde é generalizada e sua metástase já chegou aos planos. Excesso de burocracia, impostos, falta de fiscalização, crise econômica e má gestão em alguns casos, comprometem a qualidade desses serviços. E de tão comum, essa situação virou parte do panorama nacional. Na emergência em que minha filha foi atendida, pais e mães consolavam-se: “Se está assim aqui, imagine no SUS”.

Quando a satisfação de um serviço é medida nestes termos, é a decadência total. Não tem mais cura.