São Paulo Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

São Paulo

Os 5 mil servidores da Assembleia Legislativa e o alerta de São Paulo: “Nem tudo me convém”

Por Wanfil em Assembleia Legislativa

12 de dezembro de 2016

Excelências, lembrem de São Paulo, o apóstolo, Pintura de Rembrandt.

Excelências, lembrem de São Paulo, o apóstolo. Pintura de Rembrandt.

O Jornal Jangadeiro mostrou na semana passada que a Assembleia Legislativa do Ceará tem cinco mil servidores, o equivalente à população do município de Guaramiranga. Para efeito de comparação, a matéria informa que os gastos anuais da Casa com pessoal pagariam a construção de três grandes hospitais. Confira os vídeos aqui e aqui.

Em nota, a assessoria do presidente da Assembleia, deputado Zezinho Albuquerque, do PDT, justifica a política de, digamos assim, recursos humanos da Casa, afirmando que o gasto com pessoal está abaixo do limite máximo estipulado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Acontece que a questão não é essa. O ponto é saber essa quantidade de servidores é realmente necessária. São Paulo, o apóstolo, já alertava: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém”. Portanto, o fato de haver previsão orçamentária para essas contratações não pode ser interpretado como permissão para o desperdício do dinheiro público.

A distribuição de empregos sem critérios objetivos e transparentes como moeda de troca para favores eleitorais é prática danosa que revela atraso político imenso. a simples suspeita de que isso possa acontecer já deveria mobilizar todos os esforços das autoridades para não deixar dúvida a respeito. Falar em transparência é fácil. Difícil é ser realmente transparente.

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Segurança Pública: bons exemplos não faltam

Por Wanfil em Segurança

23 de Maio de 2013

Aconteceu o indesejável, o tosco, o deplorável: o debate sobre a onda de criminalidade no Ceará perdeu qualquer sentido prático e descambou em baixaria infrutífera. No lugar da lógica, a confusão que turva a realidade. Autoridades, deputados e vereadores, abordam o tema, mas não como objeto de políticas públicas e sim como espetáculo de intrigas, sem que nada seja produzido ajuda para amenizar o problema.

Tudo isso apesar do clamor geral da população, do medo generalizado, das mortes e dos assaltos. O ex-governador Ciro Gomes e a deputada Patrícia Saboya se valem de xingamentos para criticar o vereador Capitão Wagner. Opositores do governo retrucam em linguagem parecida. É um festival de “picareta”, “marginal”, “desocupado”, entre outros adjetivos de igual qualidade. Produz-se assim um fogo sem calor e sem luz, mas que basta para encobrir a realidade e mudar o foco das discussões, enquanto o cidadão continua aí refém dos bandidos.

Direto ao ponto

As brigas que tomam o noticiário, fortes nas aparências mas vazias de conteúdo, contribuem para misturar alhos com bugalhos e diluir responsabilidades. E aí é preciso voltar à realidade: é dever do governo, nesse momento crítico, resgatar a razão e colocar o interesse público de volta no centro do debate. Nesse sentido, esse papel cabe ao próprio governador Cid Gomes. É dele que se espera um sonoro “por que não te calas?” dirigido aos que atrapalham a condução de uma saída para a situação que constrange seu governo e a sociedade.

Apesar de ver equívocos de lado a lado, não tomo partido, nem digo que o governo deva agir contra suas convicções ou que policiais esqueçam suas reivindicações. Agir assim seria repetir a tática dos brigões. Ressalto apenas que uma trégua temporária é uma necessidade diante do quadro crítico na segurança.

Bons exemplos de civilidade e eficácia

O tempo e a energia desperdiçados até agora poderiam ser utilizados na mobilização de uma ampla frente de combate ao crime. Exemplos não faltam, como mostra a série especial Por um Ceará mais Seguro, do Sistema Jangadeiro.

No Rio de Janeiro as Unidades de Polícia Pacificadora ocuparam territórios dominados por traficantes e implantaram um policiamento mais próximo da comunidade. Em entrevista à rádio Tribuna BandNews, o secretário de Segurança do Rio, José Beltrame, explicou que a operação envolveu o Ministério Público, o Judiciário, ONGs e associações de moradores.

Em Pernambuco os elevados índices de homicídios recuaram após uma ação que reuniu governo, Legislativo, Judiciário e sociedade civil. As forças policiais mapearam as regiões mais violentas de Recife e tiraram de circulação os elementos mais perigosos. Depois uma força-tarefa de 14 secretarias atuaram em cima de problemas sociais que fragilizavam essas regiões. (Sobre isso, recomendo o artigo Oito das tantas perguntas sobre a insegurança em Fortaleza, do jornalista Hélcio Brasileiro).

Em São Paulo o governo anunciou um plano de metas vinculado ao pagamento de prêmios aos policiais que conseguirem cumpri-las. Se vai dar certo ou não, isso é uma incógnita, e há quem o critique. Mas o fato é que lá, onde os índices são bem inferiores aos registrados no Ceará, as autoridades vieram a público dar algum encaminhamento à questão.

Trabalho conjunto

Em todos esses casos, o que fica evidente é que os esforços foram coordenados por seus governos estaduais e contaram com a consciência de que algumas situações exigem o pragmatismo da união de competências.

No Ceará, perde-se tempo, perdem-se vidas, perde-se paz. Bem vistos os exemplos acima, o governo cearense e seus aliados tem nas mãos carta branca da sociedade para agir, mas não sabe o que fazer com ela, ocupados que estão em brigas de comadres.

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São Paulo e o Ceará sob o signo da violência, mas quanta diferença!

Por Wanfil em Segurança

26 de Abril de 2013

Estou desde terça-feira em São Paulo, bem momento onde a comoção toma o estado por causa da morte de uma dentista de 47 anos, queimada viva na quinta-feira por um trio de assaltantes porque não tinha dinheiro na conta do banco.

A imprensa, cumprindo seu papel de informar e vigiar, partiu da cobertura do caso isolado, mas que mobiliza a sociedade, para uma investigação sobre os números da violência, constatando que ás taxas de homicídios no estado aumentaram no início de 2013, após anos de intensa redução.

Por causa da reação pública forte e intensa, o governador Geraldo Alckmin veio a público falar sobre os esforços concentrados na resolução do crime e dar uma resposta para a sociedade a respeito dos recentes dados negativos na área de segurança. O governador paulista anunciou então o reforço imediato no contingente das forças policiais do estado. Se dará certo ou não, o tempo dirá, mas o fato é que o governador assumiu a responsabilidade diante do clamor geral e tomou providências.

O contraste com a postura das autoridades e da própria sociedade no Ceará é incontornável. Quem é chamado a dar explicações aos cidadãos no Ceará? Quando muito, um ou outro colunista cobra, muito discretamente, o secretário de Segurança, sem que ninguém atine para o fato óbvio de que ele é subordinado ao governador Cid Gomes. E quem muitas vezes se vê na contingência de falar oficialmente sobre a violência obscena e crescente no estado é o comandante da Polícia Militar, subalterno do secretário. E a opinião pública, que vive a lamentar nas rodas de conversa o medo que sente ao andar nas ruas, é a primeira a aplaudir quando o governo estadual anuncia torneios esportivos ou shows pirotécnicos, como grandes realizações.

Números

As semelhanças entre o clamor por segurança em São Paulo ou no Ceará se assemelham nominalmente, mas se diferenciam também, e muito quanto aos números.

Enquanto em São Paulo, a taxa de homicídios despencou de 44,1 por grupo de 100 mil habitantes em 1999 para 13,9 em 2010, no Ceará, essa taxa saltou, no mesmo período, de 15,6 para 29,7.

No primeiro, os números recuaram quase dois terços, enquanto no segundo praticamente dobraram. Os dados são do Mapa da Violência. O aumento em São Paulo que obriga Alckmin a dar explicações foi registrado na capital, que no último ano subiu de  8,9 para 12 pontos, menos da metade anotada no Ceará.

Igual, mas diferente

Não obstante a procura de causas gerais que possam explicar um fenômeno verificável em regiões distintas, que é o aumento da violência, existem diferenças substanciais a serem anotadas, pois os efeitos desse fenômeno se apresentam de forma mais branda ou mais intensa a depender o local em que se manifesta, indicando que também existem fatores específicos atuando nesse contexto. Dito de outra forma, as partes não podem ser igualmente tomadas pelo todo.

Assim, se em São Paulo, a sociedade demonstra uma tolerância bem menor com a violência e isso pressiona o governo, no Ceará, há uma passividade que permite ao governo fingir de conta que o problema não é com ele. Disso resulta que, mesmo se tratando da mesma questão, os resultados são tão diferentes. Sem pressão, sem cobrança, demonstrada sobretudo nas urnas e nas pesquisas de popularidade, nada muda.

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São Paulo e o Ceará sob o signo da violência, mas quanta diferença!

Por Wanfil em Segurança

26 de Abril de 2013

Estou desde terça-feira em São Paulo, bem momento onde a comoção toma o estado por causa da morte de uma dentista de 47 anos, queimada viva na quinta-feira por um trio de assaltantes porque não tinha dinheiro na conta do banco.

A imprensa, cumprindo seu papel de informar e vigiar, partiu da cobertura do caso isolado, mas que mobiliza a sociedade, para uma investigação sobre os números da violência, constatando que ás taxas de homicídios no estado aumentaram no início de 2013, após anos de intensa redução.

Por causa da reação pública forte e intensa, o governador Geraldo Alckmin veio a público falar sobre os esforços concentrados na resolução do crime e dar uma resposta para a sociedade a respeito dos recentes dados negativos na área de segurança. O governador paulista anunciou então o reforço imediato no contingente das forças policiais do estado. Se dará certo ou não, o tempo dirá, mas o fato é que o governador assumiu a responsabilidade diante do clamor geral e tomou providências.

O contraste com a postura das autoridades e da própria sociedade no Ceará é incontornável. Quem é chamado a dar explicações aos cidadãos no Ceará? Quando muito, um ou outro colunista cobra, muito discretamente, o secretário de Segurança, sem que ninguém atine para o fato óbvio de que ele é subordinado ao governador Cid Gomes. E quem muitas vezes se vê na contingência de falar oficialmente sobre a violência obscena e crescente no estado é o comandante da Polícia Militar, subalterno do secretário. E a opinião pública, que vive a lamentar nas rodas de conversa o medo que sente ao andar nas ruas, é a primeira a aplaudir quando o governo estadual anuncia torneios esportivos ou shows pirotécnicos, como grandes realizações.

Números

As semelhanças entre o clamor por segurança em São Paulo ou no Ceará se assemelham nominalmente, mas se diferenciam também, e muito quanto aos números.

Enquanto em São Paulo, a taxa de homicídios despencou de 44,1 por grupo de 100 mil habitantes em 1999 para 13,9 em 2010, no Ceará, essa taxa saltou, no mesmo período, de 15,6 para 29,7.

No primeiro, os números recuaram quase dois terços, enquanto no segundo praticamente dobraram. Os dados são do Mapa da Violência. O aumento em São Paulo que obriga Alckmin a dar explicações foi registrado na capital, que no último ano subiu de  8,9 para 12 pontos, menos da metade anotada no Ceará.

Igual, mas diferente

Não obstante a procura de causas gerais que possam explicar um fenômeno verificável em regiões distintas, que é o aumento da violência, existem diferenças substanciais a serem anotadas, pois os efeitos desse fenômeno se apresentam de forma mais branda ou mais intensa a depender o local em que se manifesta, indicando que também existem fatores específicos atuando nesse contexto. Dito de outra forma, as partes não podem ser igualmente tomadas pelo todo.

Assim, se em São Paulo, a sociedade demonstra uma tolerância bem menor com a violência e isso pressiona o governo, no Ceará, há uma passividade que permite ao governo fingir de conta que o problema não é com ele. Disso resulta que, mesmo se tratando da mesma questão, os resultados são tão diferentes. Sem pressão, sem cobrança, demonstrada sobretudo nas urnas e nas pesquisas de popularidade, nada muda.