São Francisco Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

São Francisco

Camilo finalmente cobra o Governo Federal por transposição: antes tarde do que nunca!

Por Wanfil em Ceará

08 de novembro de 2016

Dilma vistoria transposição atrasada no Ceará

Dilma vistoria transposição no Ceará, em 2014. Na ocasião, a conclusão da obra, prevista para 2010 e depois para 2012, foi adiada para 2015. Seus aliados nunca reclamaram.

O governador Camilo Santana, ainda no PT, responsabilizou publicamente, em entrevista coletiva, o governo Michel Temer (PMDB) pelo atraso das obras de transposição do Rio São Francisco. A cobrança é válida e pertinente, uma vez que a conclusão do projeto foi mais uma vez adiada, agora para o ano que vem, embora os efeitos da seca prolongada se agravem a cada dia.

Está, portanto, certíssimo o governador em expor a situação na sua realidade. Quem tem que resolver o problema é o governo Temer e pronto.

Pena que Camilo, e antes dele Cid Gomes, e a bancada federal cearense, com pouquíssimas exceções, não fizeram essas cobranças públicas quando a transposição atolava no mar de incompetência e suspeitas de corrupção que engolia a obra, sem o peso da crise econômica, das gestões dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff.

Foi preciso esperar o impeachment para que os então governistas do Ceará acordassem para a urgência que o caso pede, denunciando a situação para a população. Em 2014, ano eleitoral, uma exposição dessas poderia ter acelerado o cronograma. Agora a cobrança ficou tão atrasada quanto a obra. Porém, nos dois casos, antes tarde do que nunca.

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Governo Federal libera recursos para a transposição. Ótima notícia, mas é bom permanecer alerta

Por Wanfil em Ceará

23 de dezembro de 2015

Finalmente uma boa notícia do governo federal para o Ceará neste 2015, conforme registrado no site do governo estadual:

O Governo do Ceará, por meio da Secretaria das Cidades, assinou nesta terça-feira (22) o Termo de Compromisso com o Ministério da Integração Nacional, visando o repasse de recursos no valor de R$93.902.137,48 para a implantação, operação e manutenção da infraestrutura de abastecimento de água de comunidades rurais localizadas no Ceará, ao longo dos canais de integração do Rio São Francisco. O compromisso foi firmado durante visita da presidente Dilma Rousseff a Pernambuco.

Como todos sabem, a situação hídrica no estado é alarmante. O volume de água nos reservatórios está em 12,4% de sua capacidade total. Com previsão de mais um ano de estiagem, o empenho para garantir a conclusão da transposição em 2016 é vital para os cearenses e o governo estadual sabe disso.

Ver para crer
Durante a solenidade, o governador do Ceará, Camilo Santana, que pacientemente tem buscado recursos federais cada vez mais escassos por causa da recessão, comemorou:

“Para quem não acreditava, a transposição do rio São Francisco já é uma realidade e será muito importante para nosso estado e para toda Região Nordeste”.

Trata-se, repito, de uma ótima notícia. É um rumo que aponta para uma saída, uma luz no fim do túnel, mas ainda não é uma realidade pronta e acabada. Não há dúvida de que o aporte de água será muito importante para o Ceará e o Nordeste. E realmente muita gente, principalmente no início do empreendimento, não acreditava que a transposição fosse viável. Falava-se até no risco de prejudicar o São Francisco. Isso parece superado, portanto, é importante não confundir esses incrédulos com os que criticam o atraso e as suspeitas de corrupção na obra. A cobrança também é parte importante, pois impele o cobrado a agir.

Portanto, a liberação dos recursos é um alívio, porém, convém não descansar enquanto a transposição não estiver funcionando plenamente, levando água para os cearenses. A história de sua construção mostra que a obra está sujeita a problemas diversos, principalmente de gerenciamento e de custos, que adiantem sua finalização. Com a seca, isso não é mais tolerável. Vamos aguardar mais notícias positivas, alertas para que nada as prejudique.

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PF investiga fraude na transposição do São Francisco. Governadores do Nordeste farão uma carta?

Por Wanfil em Política

11 de dezembro de 2015

Brasília - DF, 08/12/2015. Presidenta Dilma Rousseff durante reunião com Governadores no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Quando querem, governadores do NE sabem se mobilizar, como na reunião em defesa de Dilma Rousseff . Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Batizada de Vidas Secas – Sinhá Vitória, uma operação da Polícia Federal investiga empresas de fachada que teriam sido usadas para desviar R$ 200 milhões, em dois dos 14 lotes da transposição do rio São Francisco, nos trechos entre Pernambuco e Paraíba. Foram cumpridos 32 mandados judiciais nos Estados de Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e na cidade de Brasília.

Na última terça-feira (8), oito dos nove governadores do Nordeste, entre os quais Camilo Santana, aliado do governo federal e correligionário da petista Dilma Rousseff, publicaram um documento chamado de “Carta da Legalidade”, contra o pedido de impeachment da presidente.

A dedicação é tanta, que no Ceará o governo publicou a carta em sua página oficial, paga com dinheiro público arrecadado junto a população que desaprova Dilma.

Agora, diante da suspeitas de roubo na transposição, com o Nordeste em suplício por causa da seca, resta aguardar uma carta dos governadores em apoio à investigação, pedindo, inclusive, urgência e punição para os responsáveis. Além de cobrar o governo federal, responsável pelas contratações e pelos reiterados atrasados na obra, cuja previsão de custo saltou de 4 bilhões reais para oito.

Afinal, quando querem, os excelentíssimos sabem se mobilizar em defesa da “legalidade”.

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Camilo, ouça o Barão de Itararé: “De onde menos se espera, é que não vem nada mesmo”

Por Wanfil em Ceará

22 de Maio de 2015

Uma comitiva formada por doze deputados estaduais e o governador Camilo Santana visitou, nesta sexta-feira, as obras do Cinturão das Águas, na região do Cariri, no Sul do Ceará. Com o quadro de seca cada vez mais grave, é fundamental conferir de perto o andamento desse projeto, última esperança para cidades que já estão sem água pelo interior do Estado. Pelo menos é um modo de chamar a atenção e mostrar a expectativa pelo empreendimento.

Cinturão só com Transposição
A previsão é que a obra fique pronta até o segundo semestre de 2016. O problema é que, para funcionar, o Cinturão das Águas necessita antes da conclusão da transposição do rio São Francisco, que deveria ter ficado pronta lá em 2010, quando não havia crise econômica e as contas públicas ainda eram razoáveis. A transposição foi depois adiada para 2012, 2014, 2016…

Pressão limitada
Assim, por precaução, o governador Camilo Santana disse assim durante a visita: “Vamos ver se a gente consegue pressionar para que o prazo seja cumprido”. É isso aí, como não dá para confiar na palavra empenhada por Dilma na campanha eleitoral, tem que marcar colado mesmo. Mas aí o governador, ainda que se reconheça a disposição em cobrar a gestão federal, esbarra nos limites da sua condição de aliado, que o impede de ir às últimas consequências.

A lição de Itararé
Como agora a prioridade da União não é a saúde, o combate à seca ou a educação, mas o corte de gastos por causa da crise criada pelos erros do próprio governo, é melhor nossas autoridades estaduais não se iludirem (e ao público) com a frágil esperança de que prazos sejam cumpridos, investimentos realizados ou repasses corrigidos. Como já dizia o Barão de Itararé, “de onde menos se espera, é que não vem nada mesmo”.

Cinturão das Águas depende da transposição do São Francisco. Melhor esperar sentado a seca acabar.

O Cinturão das Águas aguarda a transposição do rio São Francisco, adiada desde 2010. Melhor esperar sentado a seca acabar sozinha.

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Dona Maria da Conceição: “Eu acho que nós vamos morrer de sede ou de fome”

Por Wanfil em Ceará

27 de Março de 2013

Senso de urgência: As vítimas da seca são prioridade somente em tempo de eleição.

Senso de urgência: As vítimas da seca são prioridade somente em tempo de eleição.

Dia 2 de setembro de 2010 – A propaganda eleitoral da candidata Dilma Rousseff apresenta, a partir dos seis minutos de exibição, o testemunho do operário Ivanilson Torres, direto da transposição do Rio São Francisco: Com essa obra aqui, a gente vai ter água pros animais, vai ter água pra beber, água pra tomar banho, e também poder plantar alguma coisa. Eu quero parabenizar o nosso presidente… né? E quero dizer que Deus continue abençoando ele, dando força, porque é um orgulho. É um orgulho… [começa a chorar] É um orgulho pra nós aqui! Senhor Presidente, que Deus te abençoe e lhe dê graça pro senhor continuar trabalhando, porque o teu povo precisa disso, essa obra”. Para conferir o vídeo original, clique aqui.

A obra, que promete levar água para 12 milhões de pessoas, como todos sabem, não ficou pronta. Aliás, está mais do que atrasada, dobrou de valor e é alvo de investigações de desvios de verba. Dilma foi eleita.

Dia 26 de março de 2013 – O Jornal Jangadeiro exibe a série especial Vidas Secas. Na matéria do dia, duas senhoras que vivem no semi-árido cearense são ouvidas. A dona de casa Josilene Duarte relata, aos 38 segundos de vídeo, a realidade que vive: “Está sendo difícil, viu. Porque nós estamos praticamente tirando [comida] da boca pra poder comprar água pra nós, fora essa água aqui [do carro-pipa].

No final, a partir de 1 minuto e 56 segundos, a aposentada Maria da Conceição lamenta: “Eu era moça, bem novinha. Aí nós viemos da Itapipoca pra cá, pra nós não morrer de sede e de fome. E agora tamo aqui… Eu acho que nós vamos morrer de sede ou de fome.

Confira a matéria:

 

O contraste entre o testemunho da propaganda eleitoral, peça de tom paternalista na qual o choro do operário sugere um dever de subserviente gratidão, e as entrevistadas da matéria jornalística que revela as agruras da seca no Nordeste, não pode ser mais revelador. De um lado, o anúncio de novos amanhãs retumbantes, do outro, a velha realidade de descaso e abandono.

A diferença entre pedir favor e cobrar dívidas

O governador Cid Gomes pretende tratar com a presidente Dilma sobre ações de combate aos efeitos da estiagem. Há o risco iminente de colapso no abastecimento de água em grandes cidades do interior. Apesar da urgência do problema, Dilma conversará com o governador somente depois do feriado da Semana Santa, como se aquelas senhoras que temem a ameaça da sede e da fome pudessem esperar. Como se milhões não estivessem na mesma situação delas.

É o seguinte: catástrofes naturais costumam a causar comoção pública porque são repentinas e impactantes. Já a seca mata lenta e silenciosamente, característica incapaz de fazer brotar em nossos digníssimos gestores o sentimento de urgência que deveria angustiá-los nesse momento. Como isso não acontece, as pessoas sofrem e morrem longe, sem direito a vez e voz.

Não falo de obras de prevenção, que isso é outro assunto, mas de ações imediatas. Em Itapajé, cidade onde a reportagem foi feita, há um açude cuja construção foi concluída em janeiro passado, mas está vazio, pois o rio que o abasteceria secou. Portanto, não adianta prometer barragens, cisternas e coisas do tipo. É preciso água!

Seca de coragem

É bom lembrar que  Cid não tem que pedir favor à presidente Dilma, que em 2010 soube vir ao Ceará pedir votos. Trata-se de COBRAR medidas de curto prazo, uma vez que as promessas feitas não foram cumpridas. O velho ACM era assim, um aliado útil, desde que a sua Bahia não ficasse em segundo plano. Portanto, é hora do governador esquecer os salamaleques eleitorais e falar grosso com a presidente.

Mas Cid não tem que fazer isso sozinho. Onde estão os senadores do Ceará? Por que não denunciam tamanho descaso? E os deputados federais, por que não cobram o governo federal? Porque não param de votar qualquer medida, especialmente as de interesse da presidente, até que algo de efetivo seja feito? Se pelo menos houvesse uma oposição para denunciar essa pasmaceira… Não é de admirar que a mulher seja popular: falta brio para cobrarem as obrigações inerentes ao cargo e as promessas que ela fez.

Como eu disse em minha coluna na rádio Tribuna Band News, a seca é um fenômeno natural e previsível, mas a falta de ações concretas e emergenciais é falha dos governantes e das autoridades que nos representam.

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Dona Maria da Conceição: “Eu acho que nós vamos morrer de sede ou de fome”

Por Wanfil em Ceará

27 de Março de 2013

Senso de urgência: As vítimas da seca são prioridade somente em tempo de eleição.

Senso de urgência: As vítimas da seca são prioridade somente em tempo de eleição.

Dia 2 de setembro de 2010 – A propaganda eleitoral da candidata Dilma Rousseff apresenta, a partir dos seis minutos de exibição, o testemunho do operário Ivanilson Torres, direto da transposição do Rio São Francisco: Com essa obra aqui, a gente vai ter água pros animais, vai ter água pra beber, água pra tomar banho, e também poder plantar alguma coisa. Eu quero parabenizar o nosso presidente… né? E quero dizer que Deus continue abençoando ele, dando força, porque é um orgulho. É um orgulho… [começa a chorar] É um orgulho pra nós aqui! Senhor Presidente, que Deus te abençoe e lhe dê graça pro senhor continuar trabalhando, porque o teu povo precisa disso, essa obra”. Para conferir o vídeo original, clique aqui.

A obra, que promete levar água para 12 milhões de pessoas, como todos sabem, não ficou pronta. Aliás, está mais do que atrasada, dobrou de valor e é alvo de investigações de desvios de verba. Dilma foi eleita.

Dia 26 de março de 2013 – O Jornal Jangadeiro exibe a série especial Vidas Secas. Na matéria do dia, duas senhoras que vivem no semi-árido cearense são ouvidas. A dona de casa Josilene Duarte relata, aos 38 segundos de vídeo, a realidade que vive: “Está sendo difícil, viu. Porque nós estamos praticamente tirando [comida] da boca pra poder comprar água pra nós, fora essa água aqui [do carro-pipa].

No final, a partir de 1 minuto e 56 segundos, a aposentada Maria da Conceição lamenta: “Eu era moça, bem novinha. Aí nós viemos da Itapipoca pra cá, pra nós não morrer de sede e de fome. E agora tamo aqui… Eu acho que nós vamos morrer de sede ou de fome.

Confira a matéria:

 

O contraste entre o testemunho da propaganda eleitoral, peça de tom paternalista na qual o choro do operário sugere um dever de subserviente gratidão, e as entrevistadas da matéria jornalística que revela as agruras da seca no Nordeste, não pode ser mais revelador. De um lado, o anúncio de novos amanhãs retumbantes, do outro, a velha realidade de descaso e abandono.

A diferença entre pedir favor e cobrar dívidas

O governador Cid Gomes pretende tratar com a presidente Dilma sobre ações de combate aos efeitos da estiagem. Há o risco iminente de colapso no abastecimento de água em grandes cidades do interior. Apesar da urgência do problema, Dilma conversará com o governador somente depois do feriado da Semana Santa, como se aquelas senhoras que temem a ameaça da sede e da fome pudessem esperar. Como se milhões não estivessem na mesma situação delas.

É o seguinte: catástrofes naturais costumam a causar comoção pública porque são repentinas e impactantes. Já a seca mata lenta e silenciosamente, característica incapaz de fazer brotar em nossos digníssimos gestores o sentimento de urgência que deveria angustiá-los nesse momento. Como isso não acontece, as pessoas sofrem e morrem longe, sem direito a vez e voz.

Não falo de obras de prevenção, que isso é outro assunto, mas de ações imediatas. Em Itapajé, cidade onde a reportagem foi feita, há um açude cuja construção foi concluída em janeiro passado, mas está vazio, pois o rio que o abasteceria secou. Portanto, não adianta prometer barragens, cisternas e coisas do tipo. É preciso água!

Seca de coragem

É bom lembrar que  Cid não tem que pedir favor à presidente Dilma, que em 2010 soube vir ao Ceará pedir votos. Trata-se de COBRAR medidas de curto prazo, uma vez que as promessas feitas não foram cumpridas. O velho ACM era assim, um aliado útil, desde que a sua Bahia não ficasse em segundo plano. Portanto, é hora do governador esquecer os salamaleques eleitorais e falar grosso com a presidente.

Mas Cid não tem que fazer isso sozinho. Onde estão os senadores do Ceará? Por que não denunciam tamanho descaso? E os deputados federais, por que não cobram o governo federal? Porque não param de votar qualquer medida, especialmente as de interesse da presidente, até que algo de efetivo seja feito? Se pelo menos houvesse uma oposição para denunciar essa pasmaceira… Não é de admirar que a mulher seja popular: falta brio para cobrarem as obrigações inerentes ao cargo e as promessas que ela fez.

Como eu disse em minha coluna na rádio Tribuna Band News, a seca é um fenômeno natural e previsível, mas a falta de ações concretas e emergenciais é falha dos governantes e das autoridades que nos representam.