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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

salas comerciais

Governo compra salas sem licitação em Sobral. Daqui pra frente, nada vai ser diferente

Por Wanfil em Ceará

03 de Janeiro de 2014

No que concerne à política, dois fatos fazem 2014 no Ceará parecer velho, quase um “cadáver adiado que procria”, como dizia Fernando Pessoa. São eles a adutora de Itapipoca que não funcionou e agora a compra de um andar inteiro de um prédio de salas comerciais em Sobral, sem licitação. Vistos com atenção, os casos trazem à tona um deja vu de patrimonialismo e compadrio político seculares.

A adutora arruinada

Como todos sabem, 2013 acabou marcado pelo fiasco do vazamento na adutora de Itapipoca. A obra, que custou 18 milhões de reais aos cofres públicos, após reparos de emergência, funciona distante da vazão prevista. O projeto, importante para amenizar os efeitos da seca, virou, literalmente, uma grande e cara gambiarra.

O pior é que, administrativamente, nenhuma providência foi tomada até o momento. Não adianta o governador mergulhar em tanques ou pedir investigação policial para as empresas envolvidas, se simultaneamente optar por passar a mão nas cabeças dos gestores responsáveis pela fiscalização e pelos pagamentos da obra que virou sucata antes de funcionar.

Procura-se para explicações

O secretário de Recursos Hídricos do Ceará, César pinheiro, indicado ao cargo por Eunício Oliveira, e o superintendente da Sohidra, senhor Leão Montezuma, que tem relações estreitíssimas com o ex-prefeito de Sobral, Leônidas Cristino, até agora não se pronunciaram. Por algum bom motivo, Cid Gomes não cobra a dupla publicamente. E assim, apesar de serem legalmente os responsáveis pelo contrato da adutora, continuam firmes em seus cargos, gerenciando obras e recursos públicos. Procurados pela TV Jangadeiro, os dois evitam falar sobre o assunto.

 

César Pinheiro, da SRH,  e Leão Montezuma, da Sohidra. Foto: Governo do Estado

César Pinheiro, da SRH, e Leão Montezuma, da Sohidra . Fotos: Governo do Estado


Desse jeito, fica a impressão de que o governo do Ceará procura, por conveniência, preservar arranjos políticos eleitoreiros em detrimento da competência administrativa.

Um luxo

Como se não bastasse isso, o ano novo já começa com a notícia de que o governo estadual comprou um andar inteiro de um prédio em Sobral para abrigar uma sede regional. Aí, dois detalhes chamam a atenção: primeiro, inexplicavelmente, houve dispensa de licitação; segundo, a obra só ficará pronta no final de 2015, um ano depois de encerrada a gestão Cid Gomes.

Não há como alegar urgência para justificar a compra, que custou R$ 2 milhões ao contribuinte. Fora o condomínio das 18 salas adquiridas numa obra de luxo diretamente junto a uma construtora às vésperas do ano eleitoral. Em entrevista à Veja, em novembro do ano passado, o próprio governador Cid Gomes disse que quantos mais concorrentes em uma licitação, melhor para evitar direcionamentos e sobrevalorizações.

Pois é. Falar é fácil. Nomear apadrinhados políticos de partidos aliados e torrar dinheiro do contribuinte também. Dar explicações e cobrar competência técnica é que parece difícil.

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Governo compra salas sem licitação em Sobral. Daqui pra frente, nada vai ser diferente

Por Wanfil em Ceará

03 de Janeiro de 2014

No que concerne à política, dois fatos fazem 2014 no Ceará parecer velho, quase um “cadáver adiado que procria”, como dizia Fernando Pessoa. São eles a adutora de Itapipoca que não funcionou e agora a compra de um andar inteiro de um prédio de salas comerciais em Sobral, sem licitação. Vistos com atenção, os casos trazem à tona um deja vu de patrimonialismo e compadrio político seculares.

A adutora arruinada

Como todos sabem, 2013 acabou marcado pelo fiasco do vazamento na adutora de Itapipoca. A obra, que custou 18 milhões de reais aos cofres públicos, após reparos de emergência, funciona distante da vazão prevista. O projeto, importante para amenizar os efeitos da seca, virou, literalmente, uma grande e cara gambiarra.

O pior é que, administrativamente, nenhuma providência foi tomada até o momento. Não adianta o governador mergulhar em tanques ou pedir investigação policial para as empresas envolvidas, se simultaneamente optar por passar a mão nas cabeças dos gestores responsáveis pela fiscalização e pelos pagamentos da obra que virou sucata antes de funcionar.

Procura-se para explicações

O secretário de Recursos Hídricos do Ceará, César pinheiro, indicado ao cargo por Eunício Oliveira, e o superintendente da Sohidra, senhor Leão Montezuma, que tem relações estreitíssimas com o ex-prefeito de Sobral, Leônidas Cristino, até agora não se pronunciaram. Por algum bom motivo, Cid Gomes não cobra a dupla publicamente. E assim, apesar de serem legalmente os responsáveis pelo contrato da adutora, continuam firmes em seus cargos, gerenciando obras e recursos públicos. Procurados pela TV Jangadeiro, os dois evitam falar sobre o assunto.

 

César Pinheiro, da SRH,  e Leão Montezuma, da Sohidra. Foto: Governo do Estado

César Pinheiro, da SRH, e Leão Montezuma, da Sohidra . Fotos: Governo do Estado


Desse jeito, fica a impressão de que o governo do Ceará procura, por conveniência, preservar arranjos políticos eleitoreiros em detrimento da competência administrativa.

Um luxo

Como se não bastasse isso, o ano novo já começa com a notícia de que o governo estadual comprou um andar inteiro de um prédio em Sobral para abrigar uma sede regional. Aí, dois detalhes chamam a atenção: primeiro, inexplicavelmente, houve dispensa de licitação; segundo, a obra só ficará pronta no final de 2015, um ano depois de encerrada a gestão Cid Gomes.

Não há como alegar urgência para justificar a compra, que custou R$ 2 milhões ao contribuinte. Fora o condomínio das 18 salas adquiridas numa obra de luxo diretamente junto a uma construtora às vésperas do ano eleitoral. Em entrevista à Veja, em novembro do ano passado, o próprio governador Cid Gomes disse que quantos mais concorrentes em uma licitação, melhor para evitar direcionamentos e sobrevalorizações.

Pois é. Falar é fácil. Nomear apadrinhados políticos de partidos aliados e torrar dinheiro do contribuinte também. Dar explicações e cobrar competência técnica é que parece difícil.