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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

salário

Muito além do aumento dos salários dos vereadores: a hipocrisia disfarçada de cidadania

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores, Opinião pública, Política

04 de julho de 2012

Em Raízes do Brasil (1936), Sérgio Buarque de Holanda já mostrava a dificuldade do brasileiro em distinguir entre o público e o privado, criando privilégios, jeitinhos e tolerando a corrupção. É um clássico que mostra como o Brasil se sabota.

Os vereadores de Fortaleza aumentaram os próprios salários em 28%. Todos reclamaram e viram no episódio mais uma demonstração de privilégio da classe política, de locupletação particular com o dinheiro público, em suma, de uma tremenda injustiça com o contribuinte, que para ter seus vencimentos reajustados com base nis índices de inflação já sofrem um bocado.

No entanto, quando todo mundo concorda com algo e nada acontece para mudar ou impedir o objeto da insatisfação é sinal de que há algo errado mesmo é com quem reclama da situação. Como pode? Se ninguém, absolutamente ninguém, é a favor da forma como os parlamentares definem os valores dos seus próprios contracheques, como essa prática não só se perpetua, mas se dissemina por todo o país?

Algumas reflexões preliminares podem ser úteis para uma melhor avaliação do fenômeno. Se os vereadores tivessem aprovado 60% de aumento, conforme o projeto original, em vez de 28%, o que teria acontecido? Nada. Nada, nada, nada. Em uma semana todos esqueceriam, que é o que vai acontecer. Fiquei surpreso mesmo foi com a redução do índice. E se fossem deputados estaduais, federais ou senadores a se autoconceder aumentos, o que aconteceria? Muita reclamação, mas de objetivo, novamente nada. O perigo é a população confundir o Legislativo – fundamental para a democracia – com os legisladores que lá estão. Os espíritos autoritários adoram essa confusão, tendência muito presente em diversos países da América Latina.

Público e privado

Prosseguindo com as especulações, se fossem magistrados, governadores, ou presidentes gozando de privilégios inimagináveis aos cidadãos comuns, da mesma forma nada aconteceria. A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, nunca prestou contas de como gastou o cartão corporativo a que tinha direito em seu primeiro mandato. O governador Cid Gomes foi ao exterior em viagem oficial, levando parentes para fazer turismo. Nos dois casos, ficou tudo por isso mesmo. O que seria intolerável em outras sociedades aqui no Brasil é visto como uma inconveniência sem maiores consequências. No fundo, apesar dos protestos que afetam indignação, os brasileiros toleram essas práticas porque compartilham de sua essência: a confusão entre o público e o provado, tão bem demonstrada por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil. Leia mais

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Em defesa do aumento: Vereadores, unidos, jamais serão vencidos!

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

28 de junho de 2012

Sem os nossos vereadores, não teríamos o Dia do Saci ou o Dia do Abraço – Foto: Divulgação Cmfor

Como é que é? Essas redes sociais não têm jeito, não. A novidade agora é um monte de anônimos – provavelmente contribuintes que vivem a reclamar de pagar impostos – protestando contra a proposta de aumento salarial de 60% para os vereadores de Fortaleza, que passariam a receber pouco mais de 15 mil reais por mês. É muita ingratidão com esses abnegados servidores.

Policiais correm o risco de prisão por terem cruzado os braços pedindo aumento. Professores apanharam da Guarda Municipal em frente a Câmara de Vereadores da Capital pelo mesmo motivo. Nas duas ocasiões, a população se mostrou solidária com essas categorias. Mas quando o aumento é para os nobres parlamentares, todos reclamam. Isso só pode ser implicância.

Tudo bem, é meio estranho que uma determinada categoria tenha o poder de se autoconceder aumentos, calculados pelos índices mais convenientes e custeados com o nosso dinheirinho. Como não precisam pedir aumento aos seus patrões – o povo – fica a impressão de privilégio. Curiosamente, esses reajustes autoconcedidos sempre chamam a atenção pelos percentuais aplicados. Fazer o quê? A vida está difícil, a inflação assusta e agradar cabos eleitorais custa caro. Para compensar o desgaste, os pobres parlamentares dificilmente propõem menos de 50% de aumento salarial. Existem, pasmem, criaturas insensíveis que defendem a indexação dos vencimentos de um vereador, deputados estaduais e federais, e até senadores, pelo salário mínimo. O percentual de reajuste de autoridades não poderia ser maior do que o concedido aos pobres. Um acinte!

Por isso, imbuído do maravilhoso sentimento da solidariedade, sugiro aos nossos vereadores que façam uma greve. Isso mesmo! Parem de trabalhar para que a população perceba como os senhores são indispensáveis. Quero ver só esses contribuintes que vivem a reclamar o que farão sem poder assistir uma sessão na TV Câmara. Já imaginaram? Sem os vereadores, não teríamos o Dia do Saci ou o Dia do Abraço, por exemplo.

Eu gostaria de dar essa sugestão ao próprio vereador em quem votei nas últimas eleições, se eu me lembrasse dele. Mas você que me compreende pode fazer isso com o seu representante. Ou você também não lembra em quem votou? É muita ingratidão.

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Em defesa do aumento: Vereadores, unidos, jamais serão vencidos!

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

28 de junho de 2012

Sem os nossos vereadores, não teríamos o Dia do Saci ou o Dia do Abraço – Foto: Divulgação Cmfor

Como é que é? Essas redes sociais não têm jeito, não. A novidade agora é um monte de anônimos – provavelmente contribuintes que vivem a reclamar de pagar impostos – protestando contra a proposta de aumento salarial de 60% para os vereadores de Fortaleza, que passariam a receber pouco mais de 15 mil reais por mês. É muita ingratidão com esses abnegados servidores.

Policiais correm o risco de prisão por terem cruzado os braços pedindo aumento. Professores apanharam da Guarda Municipal em frente a Câmara de Vereadores da Capital pelo mesmo motivo. Nas duas ocasiões, a população se mostrou solidária com essas categorias. Mas quando o aumento é para os nobres parlamentares, todos reclamam. Isso só pode ser implicância.

Tudo bem, é meio estranho que uma determinada categoria tenha o poder de se autoconceder aumentos, calculados pelos índices mais convenientes e custeados com o nosso dinheirinho. Como não precisam pedir aumento aos seus patrões – o povo – fica a impressão de privilégio. Curiosamente, esses reajustes autoconcedidos sempre chamam a atenção pelos percentuais aplicados. Fazer o quê? A vida está difícil, a inflação assusta e agradar cabos eleitorais custa caro. Para compensar o desgaste, os pobres parlamentares dificilmente propõem menos de 50% de aumento salarial. Existem, pasmem, criaturas insensíveis que defendem a indexação dos vencimentos de um vereador, deputados estaduais e federais, e até senadores, pelo salário mínimo. O percentual de reajuste de autoridades não poderia ser maior do que o concedido aos pobres. Um acinte!

Por isso, imbuído do maravilhoso sentimento da solidariedade, sugiro aos nossos vereadores que façam uma greve. Isso mesmo! Parem de trabalhar para que a população perceba como os senhores são indispensáveis. Quero ver só esses contribuintes que vivem a reclamar o que farão sem poder assistir uma sessão na TV Câmara. Já imaginaram? Sem os vereadores, não teríamos o Dia do Saci ou o Dia do Abraço, por exemplo.

Eu gostaria de dar essa sugestão ao próprio vereador em quem votei nas últimas eleições, se eu me lembrasse dele. Mas você que me compreende pode fazer isso com o seu representante. Ou você também não lembra em quem votou? É muita ingratidão.