Rio São Francisco Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Rio São Francisco

Lula convida Ciro a visitar transposição para impedir que Temer se aproprie da obra

Por Wanfil em Política

16 de Março de 2017

Temer que aparecer – sozinho! – na foto da transposição – (Beto Barata/Presidência da República)

Lula convidou Dilma Rousseff e Ciro Gomes, que foi ministro da Integração nacional na gestão do petista, para visitar a transposição do Rio São Francisco no próximo domingo, na Paraíba. Pelo menos é o que dizem os principais jornais do país. Seria uma resposta ao presidente Michel Temer, que recentemente foi inspecionar a obra, com direito a discursos na expectativa de mostrar serviço aos nordestinos. Na prática, os ex-aliados disputam sua paternidade.

Aos fatos: o empreendimento saiu do papel na gestão de Lula em 2007, com previsão de ser concluída em 2010, mas atrasou. Dilma o sucedeu, mas não conseguiu terminar a transposição. Aliás, a obra chegou a parar na sua administração. Michel Temer agora corre para destravar entraves burocráticos e problemas financeiros para concluí-la e faturar politicamente com sua inauguração.

Disputas à parte, é evidente que se existe um “pai” para a transposição, esse é Lula. Não há o que discutir. Tudo o que diz respeito a sua execução deve ser atribuído ao petismo, por uma questão de justiça. Tudo! A obra, os custos estratosféricos, as licitações complicadas, as relações com empreiteiras enroladas na Lava-Jato e os atrasos injustificáveis. Temer, na condição de aliado importante, com boa vontade pode figurar como padrinho, para bem ou para o mal.

Não sei o porquê de tanta discussão. Resta saber se Ciro topa ir fazer palanque para o réu Lula, já que os dois são pré-candidatos à Presidência da República.

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Transposição de água não acompanha transposição de votos e verbas

Por Wanfil em Corrupção

20 de Fevereiro de 2017

No sexto ano de seca, todo político no Ceará aproveita qualquer entrevista para mostrar sua solidariedade na torcida para que o volume de chuvas garanta o abastecimento. A maioria prefere fingir não saber que a Transposição do São Francisco está cinco anos atrasada e com o orçamento inicial de 4 bilhões e meio de reais atualizado para… atenção… R$ 9,6 bilhões! Talvez a obra fique pronta no segundo semestre deste ano.

Para que ninguém esqueça, a imprensa é que de vez em quando aborda o assunto. O jornal O Globo desta segunda (20) publicou matéria sobre oito grandes obras investigadas pela Lava-Jato, atrasadas e cujos valores iniciais explodiram de modo obsceno. Entres essas, a Transposição, é claro.

Como a obra não aumentou de tamanho, como os canais continuam a ser feitos de cimento e não de pedras preciosas, fica evidente que as únicas transposições constatadas foram de dinheiro público e de votos. Como todos sabem, a Transposição foi um dos trunfos das propagandas eleitorais desses mesmos políticos (especialmente os do PT, PDT e PMDB) que agora posam rezando por chuva nos jornais.

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Polícia Federal mostra verdadeiro motivo para atrasos na transposição do São Francisco

Por Wanfil em Corrupção

24 de junho de 2016

Dilma em Jati, no Ceará. O governo subestimou a obra e nós subestimamos o governo

Transposição em Jati. Obra subestimada, explica Dilma; orçamento superestimado para desvios, mostra a PF

Na campanha pela reeleição a presidente afastada Dilma Rousseff justificou os constantes atrasos nas obras de transposição do rio São Francisco, previstas inicialmente para ficarem prontas em 2010, dizendo o seguinte: “Houve atraso porque se subestimou a sua complexidade. Éramos bastante inexperientes. O Brasil jamais fez uma obra dessa dimensão”. Isso aconteceu em maio de 2014, na cidade de Jati, aqui no Ceará.

Agora a Polícia Federal informa que outros fatores podem ter contribuído para a demora. É que nesta semana a Operação Turbulência descobriu um esquema de propina usado na compra do avião que matou o candidato à Presidência Eduardo Campos. Uma das empresas fantasmas utilizadas era a Câmara e Vasconcelos, de propriedade do laranja Paulo César Morato, encontrado (misteriosamente ) morto na quarta-feira, que recebeu quase R$ 19 milhões da construtora OAS para obras da transposição. Repito: trata-se de uma EMPRESA DE FACHADA.

Somando-se a isso o fato de que o custo da transposição pulou de R$ 4,8 bilhões para R$ 8,2 bilhões na gestão Dilma, fica claro que se por um lado faltou experiência técnica ao governo para o projeto, como afirmou Dilma, por outro sobrou experiência em corrupção.

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A confissão de Dilma no Ceará

Por Wanfil em Ceará

14 de Maio de 2014

Em rápida passagem por Jati, município no interior cearense, a presidente Dilma Rousseff justificou o atraso na transposição do Rio São Francisco dizendo que a complexidade da obra foi subestimada.

Não se trata de reconhecer o atraso, que é evidente por si mesmo, já que a transposição deveria ter ficado pronta em 2012. O que a presidente tenta construir é uma explicação para o problema, sem esbarrar em suspeitas de incompetência e corrupção.

No Século 17, o aristocrata francês François de La Rochefoucauld, grande aforista e inimigo do cardeal Richelieu, dizia o seguinte: “Apenas confessamos os pequenos defeitos para persuadir os outros de que não temos grandes”. A conversa sobre complexidade subestimada é exatamente isso, uma desculpa. No entanto, mesmo nessa condição, o argumento tropeça em pelo menos três pontos:

Primeiro – como diz o ditado, tempo é dinheiro. O atraso não apenas prejudica as vítimas da seca, que contavam com urgência na execução do projeto, mas causa imensos prejuízos financeiros ao país. Com apenas metade da obra concluída, sua previsão orçamentária dobrou, pulando de quatro para oito bilhões de reais;

Segundo – se a presidente reconhece que o prazo foi subestimado, fica então a pergunta: quem errou? A obra, tal como é hoje, foi planejada ainda no governo Lula, seu padrinho político, mais ou menos na época em que Ciro Gomes, contundente defensor da transposição, foi ministro da Integração Nacional, órgão responsável pelo projeto. Vale lembrar ainda que a própria Dilma foi ministra da Casa Civil, com atribuição de acompanhar as grandes obras federais, função pela qual foi chamada por Lula de “mãe do PAC”. Dizer que tudo foi subestimado corresponde a confessar a própria incapacidade para estabelecer (e cumprir) prazos;

Terceiro – se fosse apenas a transposição que estivesse atrasada, daria para engolir esse papo de complexidade, mas não é isso o que acontece. No Ceará, por exemplo, a reforma do Aeroporto Pinto Martins, obra federal para a Copa, está entre as mais atrasadas do país. De resto, o mesmo acontece por todo o país. A lentidão do empreendimento no São Francisco não é, de forma alguma, um desvio acidental ou um imprevisto, mas simplesmente resultado de um padrão gerencial, de um método administrativo de baixa eficiência e custo elevado.

A ex-prefeita Luizianne Lins, também do PT, diante de igual dificuldade no cumprimento de prazos, chegou a declarar que suas obras não teriam mais data certa de entrega, para que a imprensa não ficasse cobrando. Voltando ao presente, de qualquer forma, a transposição está prevista para 2015, depois, claro, as eleições.

Por falar nisso, Dilma agora percorre o Nordeste tentando criar uma agenda positiva para reverter a recente queda nas pesquisas. E assim, a transposição, dívida eleitoral não quitada, volta a ser vendida, mais uma vez, como promessa. Evidentemente, o projeto é complexo e pode atrasar, mas esse alerta nunca foi comunicado ao público na hora de “vender” a imagem da candidata Dilma como gestora infalível. Quem planta, colhe.

O risco agora é subestimar a paciência e a inteligência do eleitor.

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Senador Eunício, a solução para a seca é menos conversa e mais ação: cadê a transposição do São Francisco?

Por Wanfil em Ceará

30 de novembro de 2012

A bancada federal do Ceará está descontente com a presidente Dilma Rousseff, que vetou parte do projeto de lei que muda as regras de distribuição dos royalties do petróleo brasileiro. Os estados produtores também estão inconformados com a perda da receita que agora será dividida com não produtores. Cada parte alega que a verba extra será fundamental para melhorar os serviços públicos em seus estados.

Nessa toada, senadores do Ceará se antecipam e fazem planos para os recursos provenientes do petróleo. Para o petista José Pimentel, o dinheiro deve ser aplicado na educação. Já o senador Eunício Oliveira, do PMDB, acredita que a solução para conviver com a seca passa pelos novos critérios de distribuição dos royalties do petróleo.

A mais nova solução para os problemas de sempre

Não faz muito tempo, todo problema não resolvido pelos governos seria solucionado com o advento do pré-sal. Como o buraco para o óleo em mares profundos é, literalmente, mais embaixo, a redenção anunciada não dará resultado no curto prazo. E assim, agora aparece outro apanágio nacional para empurrar promessas com a barriga: os royalties do petróleo.

Eunício Oliveira declarou recentemente a intenção de se candidatar à sucessão de Cid Gomes. Motivado pelo desafio, o senador discursou cobrando soluções para a seca, citando a transposição do Rio São Francisco como uma boa medida a ser efetivada.

Hora de agir

Enquanto a questão do petróleo não é resolvida, o jeito é apelar para a velha conversa utilizada em duas eleições presidenciais, cujo o resultado prático está aí: gente sedenta no Ceará, que sente na pele e no bolso os efeitos da seca, que votou em Eunício, Pimentel e seus aliados para resolverem a questão, muito antes de falarem em royalties.

Portanto, senador, com todo o respeito, não espere por royalties ou por ninguém. Nem cobre seus aliados Lula e Dilma, que o senhor é governista há muito tempo. Para cobrá-los, seria preciso dizer que a presidente e o ex-presidente souberam prometer, mas não fizeram por incompetência ou por negligência. Seria preciso mostrar-se indignado com o descaso e romper, hipótese que não combina com um líder do PMDB.

Sendo assim, é preciso agir. A posição de Vossa Excelência é a de quem deve prestar contas, não a de credor. Nesse sentido, explique aos cearenses: Cadê a transposição do Rio São Francisco?

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Senador Eunício, a solução para a seca é menos conversa e mais ação: cadê a transposição do São Francisco?

Por Wanfil em Ceará

30 de novembro de 2012

A bancada federal do Ceará está descontente com a presidente Dilma Rousseff, que vetou parte do projeto de lei que muda as regras de distribuição dos royalties do petróleo brasileiro. Os estados produtores também estão inconformados com a perda da receita que agora será dividida com não produtores. Cada parte alega que a verba extra será fundamental para melhorar os serviços públicos em seus estados.

Nessa toada, senadores do Ceará se antecipam e fazem planos para os recursos provenientes do petróleo. Para o petista José Pimentel, o dinheiro deve ser aplicado na educação. Já o senador Eunício Oliveira, do PMDB, acredita que a solução para conviver com a seca passa pelos novos critérios de distribuição dos royalties do petróleo.

A mais nova solução para os problemas de sempre

Não faz muito tempo, todo problema não resolvido pelos governos seria solucionado com o advento do pré-sal. Como o buraco para o óleo em mares profundos é, literalmente, mais embaixo, a redenção anunciada não dará resultado no curto prazo. E assim, agora aparece outro apanágio nacional para empurrar promessas com a barriga: os royalties do petróleo.

Eunício Oliveira declarou recentemente a intenção de se candidatar à sucessão de Cid Gomes. Motivado pelo desafio, o senador discursou cobrando soluções para a seca, citando a transposição do Rio São Francisco como uma boa medida a ser efetivada.

Hora de agir

Enquanto a questão do petróleo não é resolvida, o jeito é apelar para a velha conversa utilizada em duas eleições presidenciais, cujo o resultado prático está aí: gente sedenta no Ceará, que sente na pele e no bolso os efeitos da seca, que votou em Eunício, Pimentel e seus aliados para resolverem a questão, muito antes de falarem em royalties.

Portanto, senador, com todo o respeito, não espere por royalties ou por ninguém. Nem cobre seus aliados Lula e Dilma, que o senhor é governista há muito tempo. Para cobrá-los, seria preciso dizer que a presidente e o ex-presidente souberam prometer, mas não fizeram por incompetência ou por negligência. Seria preciso mostrar-se indignado com o descaso e romper, hipótese que não combina com um líder do PMDB.

Sendo assim, é preciso agir. A posição de Vossa Excelência é a de quem deve prestar contas, não a de credor. Nesse sentido, explique aos cearenses: Cadê a transposição do Rio São Francisco?