renúncia Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

renúncia

Tasso, Meireles ou Maia no lugar de Temer: muita especulação e pouco fato

Por Wanfil em Política

30 de Maio de 2017

As especulações sobre uma eventual substituição de Michel Temer na Presidência da República, por via indireta como determina a Constituição, retroalimentam novas especulações que geram mais incertezas.

Naturalmente, sendo uma possibilidade, as conversas acontecem e a expectativa geral procura nomes. Tasso Jereissati, Henrique Meireles ou Rodrigo Maia, entre outros, despontaram como possibilidades. Tasso e Meireles pela experiência administrativa, Maia como o preferido dos deputados federais, apesar (ou por isso mesmo, quem sabe) de figurar como investigado na Lava Jato.

É improvável que Temer, mesmo com todo o desgaste, renuncie (novas denúncias podem aparecer) e qualquer julgamento, seja no TSE ou no Congresso, está sujeito a ritos que podem durar meses e meses.

Mesmo assim, com a queda do presidente virou pauta, declarações de apoio aos nomes apontados ganham espaço. Tasso foi elogiado pelo governador Camilo Santana e pelo ex-governador Ciro G0mes, embora seus respectivos partidos, PT e PDT, defendam eleições diretas, mesmo sem previsão constitucional.

Manifestações de boa convivência à parte, o mais lógico é imaginar que ao PT e ao PDT interessa mesmo a permanência de um Michel Temer enfraquecido no cargo. Estratégia inconfessável publicamente, é claro. Impopular e queimado pela JBS, Temer não poderia ser candidato e seu apoio seria um peso. É o adversário perfeito. Até desviou as atenções do público de Lula para o PMDB. Nesse sentido, qualquer outro nomes representaria uma incógnita. Vai que o sucessor se viabilizasse para 2018, não é mesmo?

O resto é bola rolando. Apostas liberadas.

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Fica, Leonelzinho!

Por Wanfil em Política

19 de junho de 2015

Enrolado com a lei, protagonista de vários escândalos e afastado do cargo por decisão judicial, o vereador de Fortaleza Leonelzinho Alencar, do PT do B, renunciou ao cargo.

Não há mais como voltar a atrás, pois a decisão foi consumada. No entanto, se eu pudesse, se tivesse sido, por algum motivo qualquer, consultado a respeito, diria assim: fica, Leonelzinho! Suponho, entretanto, que o vereador não acataria meu conselho fraterno. É que assim, o parlamentar poderia ser cassado, ficando inelegível por oito anos. Não por acaso, foi o mesmo desfecho do caso envolvendo o vereador ‘Aonde É’, que renunciou no mês passado.

A renúncia não deixa de ser uma espécie de confissão, mas isso pouco importa para os envolvidos. Em casos assim não é a honra dos acusados que está em jogo, o que vale é garantir a possibilidade de uma candidatura nas próximas eleições. São vários os exemplos de políticos que renunciaram para depois voltar ao parlamento, sendo o mais notório o caso de Renan Calheiros, que não só foi eleito novamente, como ainda se tornou presidente do Senado.

Legião
Naquela que considero uma das melhores passagens bíblicas, Jesus pergunta ao demônio que dominava um homem: “Qual é o teu nome?” E o espírito maligno lhe responde: “Legião é o meu nome, porque somos muitos”.

Leonelzinho e ‘Aonde É’ não assombram sozinhos a Câmara de Fortaleza ou a política cearense. Na verdade, eles são muitos. Em todo o país políticos usam desse artifício para escapar de uma punição maior. E ninguém elimina essas brechas porque elas existem para atender a legião. Por que ninguém apresenta um projeto tornando inelegíveis parlamentares investigados por irregularidades no exercício do mandato que renunciam? Porque não lhes interessa, claro.

De resto, os renunciantes sempre contam com a conivência, a displicência e também com a memória curta de seus eleitores.

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A presepada da renúncia que não aconteceu

Por Wanfil em Eleições 2014

05 de Abril de 2014

Cid renunciou a renúncia que poderia ter sido anunciada, mas não foi. Na imprensa, mobilizou atenções; entre aliados, atiçou ambições e medos. Não comoveu o cidadão comum. Sem problemas. É que apesar de tudo ter se dado em razão de projeções eleitoreiras, o destinatário das mensagens encenadas no teatro político, nesse instante, não foi o eleitor, mas a própria comunidade política, seus partidos e lideranças. Os atos públicos, as declarações dúbias, as evasivas e o suspense serviram para dar dramaticidade aos eventos, conferindo ares de verossimilhança às bravatas da hora.

A semana do “pode ser que eu renuncie/não renuncio mais” entra como presepada no rodapé da História do Ceará. Foram dias perdidos para a administração, que agora segue em modo de piloto automático. Algo muito parecido com um reality show, com direito a indiretas, mal estar do governador, arroubos de seu irmão, palpites de parlamentares subalternos, sem que nada de importante fosse realmente discutido.

Projetos pessoais

O Ceará segue ao sabor de projetos pessoais reunidos numa aliança de conveniência entre Pros, PT e PMDB.

O projeto pessoal de Cid Gomes (que na verdade é um projeto de família) necessita, pelas atuais circunstâncias, de alguém de sobrenome diferente, mas suficientemente submisso para não escapar-lhe ao controle. O plano esbarrou no projeto pessoal do vice-governador Domingos Filho, que se negou a renunciar. Por não ser de confiança dos Ferreira Gomes, a desincompatibilização de Cid ficou impedida, sob pena de perder o comando da máquina para Domingos.

O PMDB é representado pelo projeto pessoal do senador Eunício Oliveira, pré-candidato ao governo estadual, e o PT caminha a reboque do projeto pessoal de José Guimarães, que sonha ser senador. Pros e PMDB querem o tempo de propaganda do PT, fiel da balança na rixa entre Cid e Eunício. O problema é que, nesse feudo vermelho, o senhor dos vassalos é Lula.

O futuro político é incerto, o que significa dizer que o ambiente continua favorável para mais confusões inúteis.

Sem rumo

Infelizmente, no jogo da sucessão, buscar propostas de soluções para os problemas que afligem a população não passa de detalhe a ser contornado mais à frente, com promessas bacanas boladas por marqueteiros caros. O importante é tramar em busca do poder.

Nessa toada, desperdiçamos uma boa oportunidade de falar sobre o Ceará. Qual o melhor rumo para desenvolver suas potencialidades? Ninguém diz. Rigor fiscal, atração de investimentos, políticas compensatórias e universalização da educação primária são conquistas antigas, de 15, 20 anos atrás, constantemente rebatizadas e reformadas para serem vendidas como novidades, mas que já dera o que tinham que dar. Qual o próximo passo? Como atrair novos investimentos? Como depender menos do governo federal? Qual o papel estratégico da educação para aprimorar nossa mão de obra?

São questões sem resposta porque nossas lideranças preferem dedicar tempo, dinheiro e energia em presepadas políticas. Para onde quer que eu olhe, vejo apenas presepeiros.

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Sucessão estadual: o poder em polvorosa e a lição de Maquiavel que Cid ignorou

Por Wanfil em Eleições 2014

04 de Abril de 2014

Maquiavel: Seu amigo gostaria de estar no seu lugar? Sim? Então, cuidado com ele.

Maquiavel: Seu amigo gostaria de estar no seu lugar? Sim? Então, cuidado!

O clima político no Ceará é de tensão, desconfiança e incerteza, enquanto todos esperam a definição sobre a renúncia do governador Cid Gomes, em atendimento as exigências da legislação eleitoral, caso deseje disputar um cargo ou abrir caminho para que seu irmão Ciro possa se candidatar ao Senado.

Para se ter uma ideia sobre a intensidade da pressão exercida por aliados, correligionários e apadrinhados (a patota instalada nos órgãos da administração estadual anda aflita sem saber  o dia de amanhã e angustiada com a possibilidade de ser substituída por uma nova turma), Cid Gomes chegou a passar mal durante discurso na inauguração de uma policlínica em Limoeiro do Norte, na noite de quinta-feira (3). Felizmente não foi nada grave e o governador, socorrido de helicóptero para o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), recebeu alta ainda na madrugada.

Peço licença para dois breves comentários: 1) não tinha médico na policlínica? 2) ainda bem que não chovia na capital. Já imaginou o teto do HGF desabando com o governador internado? Pronto, volto ao tema central do post: eleições.

Na última hora

É público que Cid desejava terminar o mandato e depois ir para os EUA. Imagina poder fazer um sucessor de sua confiança. Bem ao seu estilo, não preparou nomes e deixou sua indicação para a última hora. Acabou engolido pelas circunstâncias.

Agora, em meio a um festival de especulações de toda ordem, o futuro político do grupo que hoje comanda o Ceará é um tremendo ponto de interrogação, que nem mesmo uma renúncia é capaz de clarear (afinal, os partidos só irão se posicionar oficialmente em junho, nas convenções). 

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come

Enquanto outros governadores, como Eduardo Campos, em Pernambuco, ou Antonio Anastasia, em Minas, já renunciaram com relativa tranquilidade, mostrando que possuem inequívoco comando na condução desses processos, no Ceará tudo é incógnita e confusão, sinal de que a liderança age reativamente ao sabor de eventos recentes, na base do improviso e do susto.

Por aqui, os donos do poder estão atônitos, emparedados por aliados. Obcecados em sufocar ameaças externas de uma frágil oposição, não deram a devida importância ao perigo interno representado pelo senador Eunício Oliveira (favorito nas pesquisas) e pelo vice-governador Domingos Filhos (um não cidista que assume o governo caso Cid renuncie).

Maquiavel

No clássico O Príncipe, Nicolau Maquiavel ensinava (citode memória – faz tempo que li…) que o rei deve avaliar até mesmo o mais querido amigo com a seguinte indagação íntima: “Ele gostaria de estar no meu lugar”?  Se o rei, pensando com os próprios botões, entendesse que sim (o amigo sempre negaria e juraria lealdade, claro), seria então bom tomar cuidado com ele, pois a ambição não conhece limites e não respeita ninguém. Ora, se isso vale para quem é próximo, imagine então para aliados unidos pelos laços do fisiologismo. Deu no que deu.

Não deixa de ser surpreendente esse, digamos, descuido. Se não leram Maquiavel, a Cid e Ciro não falta experiência no assunto, adquirida na atuação em diversos partidos, com inúmeros ex-aliados.

Cid Gomes agora luta desesperadamente para não perder o controle do processo eleitoral. Quem diria.

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Sucessão estadual: o poder em polvorosa e a lição de Maquiavel que Cid ignorou

Por Wanfil em Eleições 2014

04 de Abril de 2014

Maquiavel: Seu amigo gostaria de estar no seu lugar? Sim? Então, cuidado com ele.

Maquiavel: Seu amigo gostaria de estar no seu lugar? Sim? Então, cuidado!

O clima político no Ceará é de tensão, desconfiança e incerteza, enquanto todos esperam a definição sobre a renúncia do governador Cid Gomes, em atendimento as exigências da legislação eleitoral, caso deseje disputar um cargo ou abrir caminho para que seu irmão Ciro possa se candidatar ao Senado.

Para se ter uma ideia sobre a intensidade da pressão exercida por aliados, correligionários e apadrinhados (a patota instalada nos órgãos da administração estadual anda aflita sem saber  o dia de amanhã e angustiada com a possibilidade de ser substituída por uma nova turma), Cid Gomes chegou a passar mal durante discurso na inauguração de uma policlínica em Limoeiro do Norte, na noite de quinta-feira (3). Felizmente não foi nada grave e o governador, socorrido de helicóptero para o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), recebeu alta ainda na madrugada.

Peço licença para dois breves comentários: 1) não tinha médico na policlínica? 2) ainda bem que não chovia na capital. Já imaginou o teto do HGF desabando com o governador internado? Pronto, volto ao tema central do post: eleições.

Na última hora

É público que Cid desejava terminar o mandato e depois ir para os EUA. Imagina poder fazer um sucessor de sua confiança. Bem ao seu estilo, não preparou nomes e deixou sua indicação para a última hora. Acabou engolido pelas circunstâncias.

Agora, em meio a um festival de especulações de toda ordem, o futuro político do grupo que hoje comanda o Ceará é um tremendo ponto de interrogação, que nem mesmo uma renúncia é capaz de clarear (afinal, os partidos só irão se posicionar oficialmente em junho, nas convenções). 

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come

Enquanto outros governadores, como Eduardo Campos, em Pernambuco, ou Antonio Anastasia, em Minas, já renunciaram com relativa tranquilidade, mostrando que possuem inequívoco comando na condução desses processos, no Ceará tudo é incógnita e confusão, sinal de que a liderança age reativamente ao sabor de eventos recentes, na base do improviso e do susto.

Por aqui, os donos do poder estão atônitos, emparedados por aliados. Obcecados em sufocar ameaças externas de uma frágil oposição, não deram a devida importância ao perigo interno representado pelo senador Eunício Oliveira (favorito nas pesquisas) e pelo vice-governador Domingos Filhos (um não cidista que assume o governo caso Cid renuncie).

Maquiavel

No clássico O Príncipe, Nicolau Maquiavel ensinava (citode memória – faz tempo que li…) que o rei deve avaliar até mesmo o mais querido amigo com a seguinte indagação íntima: “Ele gostaria de estar no meu lugar”?  Se o rei, pensando com os próprios botões, entendesse que sim (o amigo sempre negaria e juraria lealdade, claro), seria então bom tomar cuidado com ele, pois a ambição não conhece limites e não respeita ninguém. Ora, se isso vale para quem é próximo, imagine então para aliados unidos pelos laços do fisiologismo. Deu no que deu.

Não deixa de ser surpreendente esse, digamos, descuido. Se não leram Maquiavel, a Cid e Ciro não falta experiência no assunto, adquirida na atuação em diversos partidos, com inúmeros ex-aliados.

Cid Gomes agora luta desesperadamente para não perder o controle do processo eleitoral. Quem diria.