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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

renda

Desemprego explode e entidades silenciam no Ceará

Por Wanfil em Economia

20 de novembro de 2015

Alguns dados recentes sobre a situação do trabalhador brasileiro, divulgados nesta semana, no final do quinta ano da gestão Dilma Rousseff:

IBGE: o número de desempregados aumentou 67,4% em doze meses, maior patamar para outubro desde 2007;

IBGE: o rendimento médio dos trabalhadores caiu 7% em relação a outubro do ano passado;

Caged (Ministério do Trabalho): Fechadas 169 mil vagas em outubro, pior resultado para o mês desde 1992. Só no Ceará foram eliminados 4.787 postos;

Caged (Ministério do Trabalho):  Nos últimos 12 meses, encerrados agora em outubro, foram perdidos pouco mais de 1 milhão e 380 mil de empregos. No acumulado do ano, no Ceará, já são quase 19 mil empregos a menos.

Reação
Diante desse quadro, o que fazem as entidades representativas de trabalhadores e estudantes? Verifiquei alguns sites para conferir a reação das principais delas.

CUT/Ceará: entre as principais ações destacadas estão a promoção a um debate sobre “os desafios do povo negro brasileiro”, uma marcha em defesa da demarcação de terras para índios de 14 etnias cearenses e a denúncia contra o racismo e a violência de gênero em manifestação ocorrida em Brasília. Sobre desemprego e queda de renda dos que ainda estão empregados, nada;

Conlutas/Ceará: em sua página no Facebook, a entidade critica Dilma por quebrar a promessa de não mexer em direitos trabalhistas. Reclama do ministro Levy e procura uma alternativa à “oposição de direita”. Traduzindo: sonham com a volta da Dilma da campanha eleitoral. Sobre desemprego, nada;

UNE: no site nacional da entidade, que foi às ruas pedir o impeachment de Collor no passado, o foco agora é a ocupação de escolas em São Paulo. No Ceará, a UNE não tem página. Pelo menos, não a encontrei. De toda forma, ao que tudo indica, o quadro de desemprego, recessão, crise política e corrupção, não a preocupa, embora, teoricamente, os demais estudantes que não estão pendurados na máquina estudantil ou na pública mesmo, tenham no horizonte de seus planos a busca por um emprego no mercado, cada vez mais fechado.

Conclusão
O trabalhador, especialmente o trabalhador desempregado, está por conta própria. Não há protestos ou pressão. São todos parceiros na construção da atual conjuntura.

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Governo brasileiro mostra como subir na vida com pouco dinheiro – Ou: A arte de iludir

Por Wanfil em Brasil

03 de Maio de 2013

Focalize o ponto no centro da imagem e mova a cbeça para a frete e para atrás. Tudo parece se mover, mas na realidade nada sai do lugar. É ilusionismo, truque comum entre os nossos governantes.

Focalize o ponto no centro e mova a cabeça para a frente e para trás. Tudo parece se mover, mas na verdade nada sai do lugar. É ilusionismo, truque comum entre os nossos governantes.

Como não resolver um problema e ainda assim parecer eficaz? E como elevar a condição social de milhões sem promover o crescimento da economia? A resposta é simples: com ilusionismo retórico. E o melhor exemplo é o alardeado combate a miséria promovido pelo governo Dilma Rousseff.

De acordo com recente pesquisa divulgada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, o sujeito com renda de aproximadamente 500 dólares mensais é oficialmente classificado de “alta classe média”. Com 441 reais por mês no bolso, a pessoa passa a ser considerada, mui graciosamente, membro da “baixa classe média”. Com sorte, com mais 200 reais, perfazendo quase um salário mínimo, ascende para a categoria de “média classe média”.

Truque eleitoral

As autoridades brasileiras estão se especializando na arte de substituir feitos por slogans repletos de termos pomposos, no intuito de esconder o contraste, cada vez mais evidente, entre a magnificência daquilo o que é anunciado e a escassez do que é realizado. É a arte de falar muito para não dizer nada.

Não é preciso ser economista, técnico ou possuir qualquer formação acadêmica para saber que essas estratificações de classe não passam de truque que, somados a outros mais, servirá de estofo para a propaganda para a reeleição de Dilma: “A presidente que acabou com a miséria”.

Autoengano de massas

É comum governos e pessoas superestimarem a si mesmos, destacando exageradamente o que consideram ser aspectos positivos de suas ações, ao mesmo tempo em que minimizam eventuais erros ou fracassos. O problema é cair na tentação esquizofrênica de confundir a realidade com desculpas nascidas para disfarçar a ausência de competência.

No plano individual, qualquer um que fuja do mundo real para buscar abrigo no mundo dos desejos acaba por prejudicar  a si mesmo, quando muito, aos seus familiares. No entanto, numa inversão psicótica da relação entre causa e efeito, quando o engodo é praticado por governos no Brasil, no lugar do natural descrédito, os responsáveis são agraciados com altos índices de popularidade, num fenômeno que demonstra no Brasil um desejo generalizado pelo autoengano.

Por isso, vemos prosperar por aí a ideia de que há autossuficiente de petróleo, ou que a energia é barata, que o Brasil é mais rico que a Inglaterra, que a miséria está em vias de acabar, que a classe média não para de crescer alucinadamente, etc., etc.

E assim, descobrimos que um cidadão, trocando o desemprego (nunca tantos empregos foram criados, diz a propaganda), por uma vaga de gari ou de motorista de ônibus, salta instantaneamente da condição de miserável para a de classe média, enquanto o PIB continua, estranhamente, estagnado.

Discernimento torto

Para encerrar, uma frase do poeta Henry W. Longfellow, seguida de uma reflexão minha:

Julgamos a nós mesmos pelo que nos sentimos capazes de fazer, enquanto os outros nos julgam pelo que já fizemos.

Por aqui, na ânsia de ser o que ainda não somos, julgamos os governos pelo que eles dizem ser capazes de fazer e não pelo que eles fazem, ou deixam de fazer.

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Pesquisa comprova: Bolsa Família é alívio e não solução para a pobreza

Por Wanfil em Brasil

12 de Janeiro de 2013

Programas de transferência de renda foram distorcidos no Brasil: uma boa ideia que degenerou em moeda eleitoral.

O Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) divulgou um estudo sobre os resultados dos programas de transferência de renda nos governos Lula e Dilma. Em síntese, a conclusão é que o Bolsa Família (que já foi Fome Zero) conseguiu reduzir a desigualdade entre ricos e pobres (que continua grande), mas não aumentou as oportunidades de inclusão dos mais necessitados no mercado de trabalho.

A pesquisa revela ainda que, sem medidas adequadas, o nível de emprego elevado não constitui melhoria sustentável. De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo, o documento mostra que “de cada dez postos de trabalho que surgem no mercado formal, nove têm remuneração inferior a três salários mínimos”.

De acordo com o texto do Cebrap, os avanços verificados até agora “não terão sustentabilidade se não forem acompanhados de uma política industrial capaz de absorver trabalhadores mais qualificados e propiciar elevações reais da renda.

Distorções

A solução é acabar o Bolsa Família? Não, é claro. Ainda existe uma carência tão profunda que essa possibilidade faz tremer os mais humildes. Na verdade, eles se tornaram reféns dessa falta de mobilidade social.

Programas de transferência de renda como o Bolsa Família, em tese, deveriam ser uma etapa passageira dentro de um planejamento de longo prazo para reduzir a pobreza, distribuir renda e gerar riqueza. Leia mais

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Pesquisa comprova: Bolsa Família é alívio e não solução para a pobreza

Por Wanfil em Brasil

12 de Janeiro de 2013

Programas de transferência de renda foram distorcidos no Brasil: uma boa ideia que degenerou em moeda eleitoral.

O Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) divulgou um estudo sobre os resultados dos programas de transferência de renda nos governos Lula e Dilma. Em síntese, a conclusão é que o Bolsa Família (que já foi Fome Zero) conseguiu reduzir a desigualdade entre ricos e pobres (que continua grande), mas não aumentou as oportunidades de inclusão dos mais necessitados no mercado de trabalho.

A pesquisa revela ainda que, sem medidas adequadas, o nível de emprego elevado não constitui melhoria sustentável. De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo, o documento mostra que “de cada dez postos de trabalho que surgem no mercado formal, nove têm remuneração inferior a três salários mínimos”.

De acordo com o texto do Cebrap, os avanços verificados até agora “não terão sustentabilidade se não forem acompanhados de uma política industrial capaz de absorver trabalhadores mais qualificados e propiciar elevações reais da renda.

Distorções

A solução é acabar o Bolsa Família? Não, é claro. Ainda existe uma carência tão profunda que essa possibilidade faz tremer os mais humildes. Na verdade, eles se tornaram reféns dessa falta de mobilidade social.

Programas de transferência de renda como o Bolsa Família, em tese, deveriam ser uma etapa passageira dentro de um planejamento de longo prazo para reduzir a pobreza, distribuir renda e gerar riqueza. (mais…)