Reitoria Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Reitoria

UFC divulga nota sobre confusão entre estudantes pró e contra Bolsonaro. Sem perder a ternura, faço uma correção

Por Wanfil em Ideologia

17 de Maio de 2016

A Universidade Federal do Ceará divulgou nota assinada pelo reitor Henry de Holanda Campos e pelo vice-reitor Custódio Almeida, sobre recente confusão ocorrida entre alunos do curso de Letras e um estudante apoiador do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC). Antes que me acusem disso ou daquilo, aviso que não estou entre os que o admiram, tampouco entre os que o odeiam. Acho que o destaque dado a ele e a Jean Wylys (PSOL), seu inverso político, é sinal de profunda ausência de lideranças de qualidade. Falei sobre isso no post O efeito Bolsonaro. No entanto, o que interessa aqui é a nota da Reitoria, especialmente duas passagens que reproduzo abaixo na cor azul, seguidas de singelos comentários meus.

A Reitoria apela para a reinstauração do bom senso e da convivência pacífica entre os que adotam ideologias e comportamentos diferentes. Esperamos que se preserve o respeito mútuo, mesmo quando uma das partes manifesta condenável acolhida a ideias e personagens sabidamente aversos aos nossos valores democráticos e a conquistas institucionais, como o repúdio à prática da tortura.

Muito bem! Só é preciso, para ficar perfeito, uma simples retificação. No lugar de “uma das partes” o correto seria “ambas as partes“. Afinal, se Bolsonaro defende gente como o coronel Ustra, entre aqueles detestam o deputado estão (não só eles, mas sobretudo) bons esquerdistas seguidores de figuras como Ernesto “Che” Guevara, que para a inveja dos torturadores do regime militar, fuzilou e torturou, pessoalmente, muito mais gente (atenção garotada, pesquisar “prisão de La Cabaña” no Google).

Eu, assim como muitos, repudio “Ustras” e “Ches”. Já dizia Kant que só pode ser ético o que é universal, princípio simplificado pela máxima popular da sabedoria nacional “pau que dá em Chico, dá em Francisco”. Muitas vezes radicais imaginam-se muito distantes, sem perceberem que estão mais próximos do que poderiam acreditar, como as pontas de uma ferradura. Compreender isso é fundamental, uma vez que a obrigação do “repúdio à prática de tortura” não pode valer apenas para uns, segundo a ideologia que professam. Para a Reitoria, é importante não deixar a impressão de que toma partido por “uma das partes”, sem atentar para o fato de que as duas celebram, cada uma a seu gosto, “ideias e personagens sabidamente aversos aos nossos valores democráticos”.

Entenda-se, por fim, que não seremos coniventes com a partidarização da Instituição. A Universidade tem objetivos amplos e muito claros, mas nenhum deles contempla a subserviência a ideologias ou a partidos políticos, seja qual for sua tendência.

O que dizer disso? Reitores de diversas universidades federais assinaram uma lista para defender a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição, devidamente utilizada como peça de propaganda eleitoral. Dessa lista constava o nome do professor Henry Campos. “Ah, mas não foi ato institucional, foi posição pessoal”. Pode ser, mas como bem sabem os marqueteiros, nesses casos o peso das assinaturas está diretamente relacionado aos cargos de seus signatários, que são, não custa lembrar, representantes de comunidades feitas também de estudantes e funcionários eleitores de outros candidatos.

Em outro episódio, reitor e vice-reitor divulgaram nota criticando veladamente o impeachment. Fosse uma nota no Facebook, tudo bem, mas uma vez publicada no site da UFC, ganhou sim conotação oficial, colocando o órgão a serviço de um discurso político de tendência inegavelmente governista.

Fui aluno da UFC no curso de História. Nos cursos de “humanas”, todos sabem, a maior parte da comunidade acadêmica não apenas aprova, mas estimula e cobra, subserviência ideológica, eufemisticamente chamada de “consciência de classe”. Esse tipo de aparelhamento, isso sim, está na raiz da “grave deterioração do clima que caracteriza a Universidade”, como diz a nota. Uma última correção: no lugar de “caracteriza a Universidade”, melhor seria “que deveria caracterizar a Universidade”.

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A invasão na UFC e uma pergunta simples

Por Wanfil em Ceará

02 de setembro de 2015

Um grupo de jovens que se dizem estudantes, alguns mascarados, invadiu a reitoria da Universidade Federal do Ceará, pichou paredes, expulsou funcionários e quebrou portas. O ato ilegal aconteceu na tarde de ontem, terça-feira (1). A Polícia Federal foi corretamente acionada para conter o surto autoritário do bando.

Os motivos alegados pelo grupelho foram os mesmos de sempre: mais verbas para isso e para aquilo e mais qualidade na educação. Até a manhã desta quarta-feira, a Reitoria continua sitiada pelo devaneio de quatro gatos pingados, de uma minoria barulhenta que já não comove mais ninguém com seu romantismo revolucionário ultrapassado e bocó (Atualização: a patota deixou o local no final dessa mesma manhã, depois que a PF ameaçou prendê-los).

Pelo bem da maioria
Diante disso, a pergunta é simples: uma vez identificados os responsáveis pela depredação do patrimônio público e coerção de funcionários da UFC, sendo mesmo estudantes devidamente matriculados, por que o reitor Henry Campos, no dever de preservar a comunidade acadêmica e seus equipamentos, não os expulsa da instituição, além de ingressar com ações judiciais para cobrar ressarcimento do prejuízo causado aos brasileiros?

Sim, os malucos ficariam em êxtase, apresentando-se como vítimas do sistema capitalista, do neoliberalismo, do imperialismo americanos, da burguesia e moral judaico-cristã, mas pelo menos a maioria dos que desejam estudar de verdade estaria livre desses contratempos e prejuízos.

Solidariedade ideológica 
Uma crise sem precedentes ceifa empregos de cearenses no momento – 10% da mão de obra industrial foi demitida este ano -, a saúde está à beira de um colapso, a insegurança ainda é recorde. Mesmo assim, o deputado estadual Renato Roseno e o vereador de Fortaleza, João Alfredo, ambos do Psol, foram a UFC, em ato de solidariedade ideológica (invariavelmente esses abusos em universidades públicas são perpetrados por militantes de esquerda) participar de uma reunião entre os invasores desordeiros e representantes da Reitoria. Com tanto problema sério para resolver, é lamentável ver parlamentares atuando como babás de idiotas.

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A invasão na UFC e uma pergunta simples

Por Wanfil em Ceará

02 de setembro de 2015

Um grupo de jovens que se dizem estudantes, alguns mascarados, invadiu a reitoria da Universidade Federal do Ceará, pichou paredes, expulsou funcionários e quebrou portas. O ato ilegal aconteceu na tarde de ontem, terça-feira (1). A Polícia Federal foi corretamente acionada para conter o surto autoritário do bando.

Os motivos alegados pelo grupelho foram os mesmos de sempre: mais verbas para isso e para aquilo e mais qualidade na educação. Até a manhã desta quarta-feira, a Reitoria continua sitiada pelo devaneio de quatro gatos pingados, de uma minoria barulhenta que já não comove mais ninguém com seu romantismo revolucionário ultrapassado e bocó (Atualização: a patota deixou o local no final dessa mesma manhã, depois que a PF ameaçou prendê-los).

Pelo bem da maioria
Diante disso, a pergunta é simples: uma vez identificados os responsáveis pela depredação do patrimônio público e coerção de funcionários da UFC, sendo mesmo estudantes devidamente matriculados, por que o reitor Henry Campos, no dever de preservar a comunidade acadêmica e seus equipamentos, não os expulsa da instituição, além de ingressar com ações judiciais para cobrar ressarcimento do prejuízo causado aos brasileiros?

Sim, os malucos ficariam em êxtase, apresentando-se como vítimas do sistema capitalista, do neoliberalismo, do imperialismo americanos, da burguesia e moral judaico-cristã, mas pelo menos a maioria dos que desejam estudar de verdade estaria livre desses contratempos e prejuízos.

Solidariedade ideológica 
Uma crise sem precedentes ceifa empregos de cearenses no momento – 10% da mão de obra industrial foi demitida este ano -, a saúde está à beira de um colapso, a insegurança ainda é recorde. Mesmo assim, o deputado estadual Renato Roseno e o vereador de Fortaleza, João Alfredo, ambos do Psol, foram a UFC, em ato de solidariedade ideológica (invariavelmente esses abusos em universidades públicas são perpetrados por militantes de esquerda) participar de uma reunião entre os invasores desordeiros e representantes da Reitoria. Com tanto problema sério para resolver, é lamentável ver parlamentares atuando como babás de idiotas.