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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

refugiados

Fortaleza deve receber refugiados sírios? Fortaleza tem condições para receber refugiados sírios?

Por Wanfil em Fortaleza

14 de setembro de 2015

A imagem de uma criança síria afogada na Turquia causou comoção mundial e colocou em evidência o drama de famílias fugidas da guerra. A cena dói de forma mais aguda porque o pequenino parecia dormir em sua inocência pueril, quando na verdade jazia vítima da estupidez humana.

Tocado pela onda emotiva deflagrada pelo episódio, o prefeito  de Fortaleza, também ele, assim como eu e outros tanto, pai de crianças ainda pequenas, acenou com a possibilidade de receber refugiados da Síria na capital do Ceará. Sobre isso, duas reflexões são necessárias: uma de caráter interno, para correta avaliação das condições para oferecer ajuda; outra de foro externo, de compreensão do processo geopolítico no Oriente Médio. Lembro de uma vez que o ex-presidente Lula se ofereceu para mediar o conflito entre Israel e Palestina, que ninguém fora do Brasil levou a sério, pelo simples fato de faltar aos líderes nacionais o protagonismo que imaginavam ter em sua megalomania.

Condições internas
O impulso solidário é louvável, mas aos gestores, cabe a reflexão sobre as condições políticas, históricas e financeiras para agir no campo das ações internacionais. A intenção de minimizar um pouco que seja o sofrimento de refugiados sírios, em si, é irreparável. Mas viabilizar isso com recursos públicos, requer cuidados extras, a começar pelo fato de que no Brasil e no Ceará crianças e jovens morrem diariamente vítimas da violência crescente nas cidades e nas zonas rurais.

É verdade que a iniciativa da Prefeitura de Fortaleza fala em ação conjunta com a iniciativa privada, mas é evidente que essa entraria como parceira, não como única financiadora de um projeto que, ao final, pode render frutos políticos para a imagem da gestão. Assim, cumpre dizer que doar recursos públicos aos de fora corresponde a deixar de aplicá-los aos próprios necessitados de Fortaleza. Não se trata de mesquinharia, mas de um fato incontornável. Ou há dinheiro de sobra? Ou faltam miseráveis em situação de risco por aqui? É preciso, portanto, dizer ao contribuintes de onde serão retiradas as verbas para a caridade com os refugiados (eles merecem, isso não se discute, e nenhuma criança deveria morrer assim, mas elas morrem aos montes, como resultados de inúmeras injustiças). Certamente, não existem provisões orçamentárias para esse tipo de ação, que exige, desse modo, realocação de recursos.

Condições externas
A respeito do cenário internacional em que se desenrola a tragédia dos sírios, tragédia, repito, que merece repúdio, recebi algumas considerações de Saulo Henrique Alves Tavares, membro da Sociedade Israelita do Ceará, que considero bastante pertinentes e fundamentais para situar a questão.

“Líderes ocidentais, na Europa, Oceania e Américas, se movimentam no sentido de absorver o maior número possível de vítimas da tragédia.  Inclusive o prefeito de Fortaleza, que já ofereceu guarida a um número determinado de refugiados.

Curiosamente, porém, os riquíssimos países produtores de petróleo da região até agora não tomaram nenhuma atitude em prol de seus “irmãos” muçulmanos.

Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Bahrein, Omã, Emirados Árabes e até mesmo o Irã se mantêm hipocritamente silenciosos, indiferentes à crise dos refugiados como que esperando que o Ocidente resolva sozinho o problema.

Numa estranha inversão de valores esses países que teriam, até por afinidade cultural e religiosa, fora suas fortunas em petrodólares, a natural inclinação para dar uma ajuda importantíssima à solução do problema, parecem inertes diante da situação.

Para completar o quadro vemos diariamente a imprensa mundial clamando pela absorção desses refugiados apenas por países ocidentais (já ouvi até um respeitadíssimo comentarista se referir à “divida histórica” da Europa) e esquecendo que os países árabes/islâmicos são os que teriam, em princípio, as condições mais favoráveis para resolver de maneira satisfatória a questão”.

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Fortaleza deve receber refugiados sírios? Fortaleza tem condições para receber refugiados sírios?

Por Wanfil em Fortaleza

14 de setembro de 2015

A imagem de uma criança síria afogada na Turquia causou comoção mundial e colocou em evidência o drama de famílias fugidas da guerra. A cena dói de forma mais aguda porque o pequenino parecia dormir em sua inocência pueril, quando na verdade jazia vítima da estupidez humana.

Tocado pela onda emotiva deflagrada pelo episódio, o prefeito  de Fortaleza, também ele, assim como eu e outros tanto, pai de crianças ainda pequenas, acenou com a possibilidade de receber refugiados da Síria na capital do Ceará. Sobre isso, duas reflexões são necessárias: uma de caráter interno, para correta avaliação das condições para oferecer ajuda; outra de foro externo, de compreensão do processo geopolítico no Oriente Médio. Lembro de uma vez que o ex-presidente Lula se ofereceu para mediar o conflito entre Israel e Palestina, que ninguém fora do Brasil levou a sério, pelo simples fato de faltar aos líderes nacionais o protagonismo que imaginavam ter em sua megalomania.

Condições internas
O impulso solidário é louvável, mas aos gestores, cabe a reflexão sobre as condições políticas, históricas e financeiras para agir no campo das ações internacionais. A intenção de minimizar um pouco que seja o sofrimento de refugiados sírios, em si, é irreparável. Mas viabilizar isso com recursos públicos, requer cuidados extras, a começar pelo fato de que no Brasil e no Ceará crianças e jovens morrem diariamente vítimas da violência crescente nas cidades e nas zonas rurais.

É verdade que a iniciativa da Prefeitura de Fortaleza fala em ação conjunta com a iniciativa privada, mas é evidente que essa entraria como parceira, não como única financiadora de um projeto que, ao final, pode render frutos políticos para a imagem da gestão. Assim, cumpre dizer que doar recursos públicos aos de fora corresponde a deixar de aplicá-los aos próprios necessitados de Fortaleza. Não se trata de mesquinharia, mas de um fato incontornável. Ou há dinheiro de sobra? Ou faltam miseráveis em situação de risco por aqui? É preciso, portanto, dizer ao contribuintes de onde serão retiradas as verbas para a caridade com os refugiados (eles merecem, isso não se discute, e nenhuma criança deveria morrer assim, mas elas morrem aos montes, como resultados de inúmeras injustiças). Certamente, não existem provisões orçamentárias para esse tipo de ação, que exige, desse modo, realocação de recursos.

Condições externas
A respeito do cenário internacional em que se desenrola a tragédia dos sírios, tragédia, repito, que merece repúdio, recebi algumas considerações de Saulo Henrique Alves Tavares, membro da Sociedade Israelita do Ceará, que considero bastante pertinentes e fundamentais para situar a questão.

“Líderes ocidentais, na Europa, Oceania e Américas, se movimentam no sentido de absorver o maior número possível de vítimas da tragédia.  Inclusive o prefeito de Fortaleza, que já ofereceu guarida a um número determinado de refugiados.

Curiosamente, porém, os riquíssimos países produtores de petróleo da região até agora não tomaram nenhuma atitude em prol de seus “irmãos” muçulmanos.

Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Bahrein, Omã, Emirados Árabes e até mesmo o Irã se mantêm hipocritamente silenciosos, indiferentes à crise dos refugiados como que esperando que o Ocidente resolva sozinho o problema.

Numa estranha inversão de valores esses países que teriam, até por afinidade cultural e religiosa, fora suas fortunas em petrodólares, a natural inclinação para dar uma ajuda importantíssima à solução do problema, parecem inertes diante da situação.

Para completar o quadro vemos diariamente a imprensa mundial clamando pela absorção desses refugiados apenas por países ocidentais (já ouvi até um respeitadíssimo comentarista se referir à “divida histórica” da Europa) e esquecendo que os países árabes/islâmicos são os que teriam, em princípio, as condições mais favoráveis para resolver de maneira satisfatória a questão”.