refinaria Archives - Página 3 de 3 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

refinaria

Depois do leilão do Campo de Libra, nova promessa de refinaria no Ceará não passará de insulto

Por Wanfil em Ceará, Economia

22 de outubro de 2013

Em rede nacional de rádio e televisão, a presidente Dilma informou que o leilão do Campo de Libra foi um sucesso e não foi privatização. O discurso não poderia ser outro, mas a necessidade de falar à nação revela desde logo uma postura defensiva, uma vez que há vários questionamentos sobre o modelo adotado para atrair o capital privado para a exploração da maior reserva de petróleo do país.

Tecnicamente, a substituição do antigo modelo de concessão (não é venda, é concessão), que o partido da presidente apelidou de privatização, pelo de partilha (uma concessão – privatização, no passado – dividida com a Petrobras, que entra na exploração sem precisar pagar), não atraiu muitos investidores. Na verdade, dos 40 possíveis, somente cinco fizeram propostas.

Aí o negócio fica estranho. A Petrobras já tinha direito a 30% do Campo de Libra. Só que as ofertas feitas no leilão cobriam a exploração de 90% da área. Para não pagar mico, a Petrobras comprar os 10% restantes. E aí o que deveria sair de graça para a empresa orgulho nacional, ficou caro.

Agora, mesmo com problemas de caixa e uma dívida de US$ 112,7 bilhões no fim do segundo trimestre (a maior do mundo entre as companhias abertas não financeiras, de acordo com o Bank of America), a Petrobras terá que pagar um bônus de R$ 6 bilhões pela parte que lhe cabe no negócio. Fora o investimento na exploração propriamente dita.

E o que isso tem a ver com o Ceará?

Bom, só a grana do bônus daria para cobrir, na atual cotação do dólar, aproximadamente 25% do investimento previsto para a Refinaria Premium II, prometida aos cearenses por Lula e Dilma. Mas promessa só é dívida para quem é honesto.

Se for prometida novamente nas eleições do ano que vem, a refinaria, que já não viria mesmo nesse governo, deixa de ser um factoide eleitoral para se transformar de uma vez por todas em escárnio e insulto.

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Cadê a refinaria que não está aqui? A Petrobras comeu!

Por Wanfil em Ceará

06 de setembro de 2013

Veja a imagem. Não está vendo a refinaria da Petrobras do Ceará? Pois é.

Veja a imagem. Não está vendo a refinaria da Petrobras no Ceará? Pois é.

E a empresa coreana que faria uma parceria com a Petrobras para construir uma refinaria no ceará desistiu do negócio. O motivo, ninguém sabe. Os coreanos haviam entrado na jogada por intermédio do governador Cid Gomes, depois que a Petrobras o incumbiu de buscar um sócio internacional.

Ainda à procura de uma realização que figure como símbolo da sua gestão, Cid costurou o acordo com os asiáticos. Inclusive, para quem não lembra, foi alegando uma viagem a Seul para acertar detalhes para o projeto, a operação, que Cid viajou durante a Copa das Confederações, em junho passado. O encontro não deu certo e o governador aproveitou para tirar uns dias de férias ali na Europa, enquanto a onda de protestos tomava conta do Brasil.

Enquanto isso, em Pernambuco

Cid agora procura outro parceiro internacional e diz que talvez na China tenha um interessado. Em Pernambuco as coisas são mais fáceis. Lá a Petrobras está construindo uma refinaria com 100% de recursos próprios, depois que a estatal venezuelana PDVSA deu um bolo nos brasileiros. É que falta ao Ceará, o que sobra a Pernambuco: articulação política.

Simplesmente os representantes cearenses não possuem respaldo para cobrar, pressionar, induzir ou articular a refinaria. No máximo, bancada federal e governo estadual conseguem recursos para o Bolsa-família ou emendas para festas religiosas no interior, passagens molhadas, kit sanitários e cisternas. E olhe lá!

Tapeação

Promessa que ajudou a reeleger Cid Gomes e a eleger Dilma Rousseff, a refinaria não veio e os cearenses foram enganados, essa é a verdade. O resto é factóide.

Para não admitir a tapeação e empurrar o compromisso com a barriga, foi anunciado que o terreno da obra será cercado ainda este ano. É o segundo passo visível da promessa não cumprida, junto com a pedra fundamental “inaugurada” por Lula em 2010. Um prodígio! Para 2014, está prevista a terraplanagem do terreno. Já vejo as maquetes eletrônicas na propaganda eleitoral.

Esperança

A refinaria é um sonho antigo e legítimo, que já ensejou muitos esforços e investimentos para fazer do Ceará um estado apto a recebê-lo. O Complexo Portuário do Pecém é um exemplo disso. Mas de lá pra cá, nada avançou, infelizmente, e é muito difícil acreditar que algo sairá do papel agora que Petrobras anda com o caixa esvaziado e apresenta déficit em sua balança comercial.

Resta uma última esperança. É que o deputado estadual Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, anda cobrando a construção da refinaria em reuniões com vereadores e prefeitos de cidades do interior. Dilma e Graça Foster não perdem por esperar.

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Seca de água, seca de ações. E uma sugestão ao deputados estaduais

Por Wanfil em Ceará, Política

05 de agosto de 2013

Meu comentário desta segunda na coluna Política, da rádio Tribuna BandNews FM (101.7).

A Assembleia Legislativa do Ceará tem se esforçado numa campanha para cobrar do Governo Federal a construção de uma refinaria da Petrobras no estado. Ocorre que, apesar da boa intenção, não é prerrogativa dos parlamentos estaduais cobrar ou fiscalizar a União. Para isso existe o Congresso Nacional. O assunto, portanto, deveria ser tratado pela bancada federal do Ceará em Brasília, incluindo aí os nossos senadores, que não gostam muito de falar no assunto.

Mas aproveitando esse ímpeto de cobrança, existe outra causa que poderia ser objeto de uma campanha bem mais adequada para as funções dos deputados estaduais. É que na própria Assembleia Legislativa, a Comissão Especial de Acompanhamento da Problemática da Estiagem e Perspectivas de Chuvas do Ceará tem feito um trabalho que merece todo o apoio da casa e dos cearenses.

A Comissão divulgou recentemente relatório mostrando que já existem municípios em situação de colapso no abastecimento d’água e que a expectativa para o segundo semestre deste ano é de assustar, com o agravamento da situação, especialmente a partir de setembro. E diante desse quadro, também ficou constatada a falta de ações eficazes dos governos estadual e federal, como baixa quantidade de poços perfurados, ausência de adutoras e carros pipa com água imprópria para o consumo humano.

Em suma, muita promessa foi feita, mas pouco se realizou. Daí que a Presidência da Assembleia poderia muito bem iniciar uma campanha, nos mesmos moldes da que foi feita para a refinaria, com propaganda na TV e no rádio, e caravanas pelo interior, para cobrar do governo estadual medidas contra a seca.

Além de ser do interesse do Estado, cada deputado sabe que o Legislativo acaba sendo cobrado pela população no lugar do Executivo. É na visita às suas bases eleitorais, que eles escutam o lamento e a insatisfação dos que sofrem com a estiagem. Vamos lá senhores, coragem! Levem ao governo a cobrança que todos fazem.

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Refinaria no Ceará: novas formas para uma velha promessa

Por Wanfil em Ceará, Política

13 de junho de 2013

O desejo de ver instalada uma refinaria no Ceará é uma aspiração legítima, oportuna e viável, todos sabem. Especialmente quando o Estado fez investimentos que o colocam em condições de recebê-la, como, por exemplo, na área portuária. E mais ainda quando essa aspiração se torna promessa de campanha dos vencedores da eleição presidencial, casos de Lula e Dilma. Nesse processo, a obra se torna uma dívida para o governo que assume, com o povo cearense no papel de credor.

Ocorre que essa promessa tem sido devidamente renovada eleição após eleição e nada de refinaria. A fiadora da obra é a Petrobras, empresa mista controlada pelo governo, e que endossou as promessas de Lula e Dilma. No entanto, o início da construção é permanentemente adiado, de forma que fica cada vez mais difícil convencer o mais ingênuo e crédulo eleitor de que ele não foi enganado e de que ainda deve acreditar em novas promessas feitas por quem não cumpriu a palavra.

Factóides

Assim, aos que se beneficiaram dessa promissão com votações recordes, e diante da constatação de que o empreendimento até agora não passa de conversa, resta o seguinte desfio: Como salvar as aparências e ainda renovar as esperanças no compromisso de construir a refinaria? A resposta é  simples: criando factóides que tenham um mínimo de verossimilhança com o que possa parecer uma solução, ainda que nada seja resolvido. No caso em questão, duas ações simultâneas cumprem essa tarefa.

Primeiro, aliados do governo federal no estado montam uma campanha devidamente custeada com dinheiro público para “pressionar” a presidente Dilma. Os sócios locais da promessa não cumprida então reaparecem como valentes defensores dos interesses do Estado.

Em seguida, a Petrobras anuncia a parceria com uma empresa sul-coreana para viabilizar a construção da refinaria. Na verdade, não é mais do que uma carta de intenções para a realização de estudos sobre uma possível parceria, com vistas a um empreendimento de menor capacidade produtiva ao que foi anunciado no passado. Leia mais

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Deputados estaduais querem mobilização por refinaria no Ceará: ora senhores, cobrem Lula e Dilma!

Por Wanfil em Ceará

14 de Maio de 2013

É perfeitamente natural e desejável um governo ter a aspiração de ter uma refinaria de petróleo no Ceará. Foi com esse objetivo que muitas obras de infraestrutura foram desenvolvidas, a começar pelo Porto do Pecém.

Dadas as condições básicas para tocar o projeto e após idas e vindas, o ex-presidente Lula, ainda na gestão do ex-governador Lúcio Alcântara, veio ao Ceará garantir que a Petrobras materializaria o sonho. O tempo passou e, com todos sabem, o projeto é cronicamente adiado, muito embora em períodos eleitorais a refinaria apareça como realidade inquestionável, favas contadas e, pasmem!, promessa que está sendo cumprida dentro de um cronograma malandro e elástico o suficiente para fazer de uma pedra fundamental (pois é, lançaram a pedra fundamental de uma obra que não existe) a prova máxima de confiança da qual ninguém pode duvidar.

Já escrevi em artigos de jornal que a diferença entre Lula e Zé do Burro, personagem da peça O Pagador de Promessas, é que este levava a sério a palavra empenhada, ainda que isso lhe custasse a vida, enquanto aquele sabe que não precisa se comprometer com as esperanças que vende para ter assegurado a grande maioria dos votos no Ceará.

Tapeação

Diante de todas as provas e evidências de que os cearenses foram tapeados no caso da refinaria, o deputado Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa, anunciou a criação de uma campanha em defesa da refinaria da Petrobras no Ceará.

Desde já, sinto dizer que tudo não passa de encenação para consumo interno, com o objetivo de passar a impressão de que nossos representantes são altivos defensores dos interesses do estado. Tanto é que o objetivo declarado da campanha não é de cobrar que fez a promessa, mas de “mobilizar” a sociedade cearense para a importância do petróleo. Quem precisa disso? Acaso alguém imagina que petróleo é supérfluo?

Sem contar ainda que o assunto não é da esfera do legislativo estadual. Mesmo assim, levando em consideração que o parlamento não faria movimentações como essas sem o aval do governador Cid Gomes, se quisessem mesmo pressionar o governo federal a agir, os representantes cearenses poderiam agir em conjunto e optar por ações mais contundentes. Segue, abaixo, algumas sugestões do blog que certamente teriam muito mais impacto do que conversas comportadas e recados velados:

1) Os deputados estaduais viriam a público dizer em alto e bom som que Lula e Dilma sabem vir ao Ceará pedir votos, mas não cumprem o que prometeram aos cearenses;

2) a bancada federal passaria a votar sistematicamente contra o governo até que a promessa fosse atendida;

3) aliados do governo federal no estado entregariam todos os cargos e;

4) com uma dose extra de maquiavelismo o próprio governador Cid Gomes começaria a elogiar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, estado que aliás tem uma refinaria da Petrobras.

Sem dar nome aos bois, sem cobrar responsabilidades, sem demonstrar que o Ceará tem orgulho e que não aceita ser tratado como pedinte, campanhas como essa da Assembleia Legislativa não passam de factóides destinados a manter as aparências para deixar tudo como está.

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Dilma bate recorde de aprovação? Agora é que o Ceará fica sem nada mesmo

Por Wanfil em Ceará

20 de Março de 2013

Diante de um governo federal com popularidade recorde, a maioria das forças estaduais se rende ao pragmatismo da subserviência.

Diante de um governo federal com popularidade recorde, a maioria das forças estaduais se rende ao pragmatismo da subserviência.

O Ibope divulgou nova pesquisa mostrando que o governo da presidente Dilma é aprovado por 63% dos brasileiros. No nordeste, esse número sobe para 85%. É um recorde que explica muito sobre a dinâmica da política feita no Ceará nos últimos anos.

Governismo profissional

Um dos efeitos mais evidentes é o fato de que todos por aqui, com raríssimas exceções, querem ser aliados do governo federal, independente de eventuais diferenças locais, de escrúpulos morais ou ideológicos. Aliás, o segredo é ser, quando menos, amoral e apartidário. De resto, no Brasil, é muito mais fácil e cômodo ser eleito a qualquer cargo quando se está nas fileiras do governismo.

Como consequência dessa disposição adesista, a nova oposição, sem o esteio de estratégias de ocupação de espaços na sociedade civil e longe das benesses oficiais, enfraqueceu a ponto de virar espécie em risco de extinção. E assim nessa toada, conseguimos a proeza de ter uma das bancadas federais mais obedientes vontades do poder central, sem que isso se traduza em prestígio político. Pelo contrário, quanto mais se mostram servis, mais são desprezados.

Cadê a refinaria, senhores governistas?

Prova disso é a surrada promessa da refinaria que a Petrobras construiria no Ceará. Trata-se do mais acintoso estelionato eleitoral já visto no estado, sobre o qual não se ouve uma miserável crítica das nossas autoridades, que teimam em citar a obra inexistente como prova de compromisso e de força política.

Aliás, por falar nisso, a Petrobras divulgou seu plano de negócios até 2017. Sobre novas refinarias, está lá o seguinte (grifos meus):

A carteira em implantação prevê investimentos de US$ 43,2 bilhões no Abastecimento, sendo os principais projetos a Refinaria Abreu e Lima e a primeira fase do Comperj. (…) Os investimentos em expansão da capacidade de refino da carteira em avaliação avançaram na maturidade da fase de elaboração dos seus respectivos projetos. Atualmente, passam por otimização buscando o alinhamento com métricas internacionais.

Traduzindo: a refinaria prometida aos cearenses não sairá do papel.

Servidão voluntária

Com o Executivo estadual a coisa não é muito diferente. O governador Cid Gomes abriu uma dissidência interna no PSB para minar a pré-candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República, o que facilita o projeto de reeleição de Dilma. Entre o correligionário e a presidente popular, fez-se uma escolha, digamos assim, pragmática. É um estilo político que garante sucesso no curto prazo, mas que com o tempo gera desconfiança, tanto que o grupo do governador não consegue se estabelecer como liderança nacional em partido algum.

Como explicar a popularidade do governo federal no Ceará? Simples, sem opositores e com aliados bem comportados, a distribuição de dinheiro através de programas assistencialistas dá conta do recado. São ações que aliviam a miséria, mas não a eliminam. Politicamente, entretanto, servem para garantir a elevada aprovação da presidente e a subserviência de seus companheiros estaduais. Como dizem, o rio corre para o mar. O risco, nesse caso, é o mar engolir o rio.

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Os Ferreira Gomes no teatro presidencial de 2014

Por Wanfil em Eleições 2014

28 de Fevereiro de 2013

As forças políticas que pretendem disputar a Presidência da República em 2014 já começaram a encenar publicamente o que foi ensaiado nos bastidores dos seus interesses de grupo. Abrem-se as cortinas para o teatro eleitoral. Os primeiros cenários, figurinos e diálogos começam a ser apresentados ao distinto público, mais especificamente, nesse início, aos distintos aliados e financiadores de campanha.

O drama (ou seria comédia? ) que se desenrola é protagonizado por  Marina Silva (Rede Sustentabilidade), Eduardo Campos (PSB), Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Mas existe o elenco de apoio. É nesse grupo que o governador Cid Ferreira Gomes e o ex-ministro Ciro Ferreira Gomes atuam. E apesar de serem do PSB, ao que tudo indica, atuam para fazer brilhar o roteiro da  presidente Dilma Rousseff, que disputa a reeleição. Trata-se de uma aposta, pois política (e eleição), além da arte de representar, também é jogo. Vejamos os atos apresentados recentemente nos palcos da política:

ATO I – A DISSIDÊNCIA
Eduardo Campos como alvo

No dia 24 de fevereiro Ciro Gomes diz em entrevista que o governador de Pernambuco e seu correligionário, Eduardo Campos, assim como Marina Silva e Aécio Neves, não estaria preparado para governar o Brasil. No dia seguinte, Campos rebate dizendo que Ciro é voz isolada no PSB.

Está em curso a construção de um discurso de apoio para a candidata Dilma e a tentativa de fragilizar a candidatura do PSB. Só ela, por dedução lógica a partir do raciocínio de Ciro, estaria preparada para o cargo. Cid, por sua vez, respondea Eduardo Campos dizendo que pode sair do PSB caso haja imposição de uma candidatura própria. Campos, que em 2010 atuou para impedir a candidatura de Ciro, fica na delicada situação de ter que tratar de uma dissidência interna em sua sigla, posição que sugere fragilidade perante financiadores. Para o público, se ele não consegue unir o próprio partido, dificilmente terá força para vencer.

ATO II – A PROMESSA
A volta da refinaria

Dois dias após as declarações de Ciro, o governador Cid Gomes é recebido pela presidente/candidata Dilma. Em seguida, Cid resgata a antiga promessa de construção de uma refinaria da Petrobras no Ceará, apesar de todas as dificuldades financeiras da empresa. Segundo o governador, uma parceria com chineses ou coreanos (falta combinar com eles?) possibilitaria o empreendimento. Se Cid e Ciro, no fundo do coração, realmente acreditam nisso, só eles podem dizer. É mais plausível acreditar que a dupla atua pensando na sobrevivência política de seu próprio grupo, historicamente pouco afeito a compromissos partidários.

De todo modo, a sincronia entre as datas e o apelo eleitoral de uma promessa que há anos gera expectativas concorrem para reforçar a percepção de que há nesses acontecimentos muito mais do que mera coincidência. No plano simbólico, reforça a posição de Cid Gomes como interlocutor preferido de Dilma junto ao PSB. Os demais governadores da sigla percebem que essa é a postura mais adequada para encaminhar seus pleitos junto ao governo federal.

ATO III – O CHEFE
Lula entra em cena

Quatro dias após as declarações de Ciro e 48 horas depois do encontro de Cid e Dilma, o PT realiza em Fortaleza um seminário com a presença do ex-presidente Lula, cujo título denota notório sentido eleitoral: “O Decênio que mudou o Brasil”. A ideia subjacente é comparar o governo petista com o governo tucano, reforçando a estratégia utilizada nas duas eleições de Lula e na de Dilma, que é a de polarizar a disputa entre dois candidatos já no primeiro turno.

Mais uma vez é possível ver que a peça apresenta alegorias de valor simbólico. A escolha da capital cearense como a primeira das dez onde o seminário será realizado, logo após a sucessão de notícias que mostram o engajamento de Ciro e Cid com o projeto nacional do PT, é mais um recado aos adversários que desejam polarizar a campanha: a prioridade agora são os aliados de 2014.

FINAL – …
Reticências para 2014

“As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho”, já dizia Mário Quintana. É isso aí. Não dá para prever o final desse teatro, afinal, muita coisa pode mudar. A crítica, nesse caso, pode avaliar apenas o momento, pois esse é um roteiro que ainda está sendo escrito a muitas mãos. Antecipar o resultado é torcida. Esse é um capítulo que será concluído apenas em 2014.

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Refinaria não vem e cearenses são tapeados mais uma vez

Por Wanfil em Noticiário

26 de junho de 2012

A notícia que se repete ano após ano: Refinaria do Ceará não consta no plano de investimentos da Petrobras. Alguma novidade? Não. Mais uma vez o plano de negócios da empresa não faz previsão, até 2016, para a construção da refinaria “Premium 2” no Ceará.

Factoide

Desculpas não faltam: burocracia estatal, crise internacional, complexidade técnica, tudo muito difícil, mas nada que impeça, por exemplo, as obras superfaturadas da refinaria Abreu e Lima, no vizinho Pernambuco. É constrangedor observar como o ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, político matreiro disfarçado de técnico, usou a estatal para criar um factoide eleitoreiro dessa dimensão.

Se a refinaria não era uma certeza, então que não fosse prometida, especialmente em troca de votos. Não tenho dúvida de que na próxima campanha presidencial – e estadual – o empreendimento constará como promessa encaminhada, em vias de execução para transformar a realidade, gerar empregos e mudar radicalmente a realidade. Tudo estelionato eleitoral.

Filme repetido

Em 2010, faltando apenas dois dias para o fim de seu segundo mandato, ex-presidente Lula esteve no Ceará para lançar a pedra fundamental da refinaria cujas obras não existem. É um acinte, mas não faltaram louvores e manchetes favoráveis para a promessa não cumprida, nem sequer iniciada, muito menos com orçamento previsto.

Um ano antes, escrevi um artigo para o jornal O Estado com o seguinte título: A refinaria não vem para o Ceará. O que mais falta acontecer para isso ficar claro? Reproduzo um trecho, em azul:

O caso da prometida refinaria de petróleo para o Ceará já não pode ser visto apenas como uma certeza constantemente adiada por causa de contratempos técnicos. Não cola mais. (…) Nunca um governo tão carente de realizações concretas foi tão popular. E o segredo não é apenas  o populismo assistencialista. Falta cobrança. A oposição é fraca a ponto de não conseguir explorar uma realidade que salta aos olhos. A base aliada de Lula no Ceará sabe bater palmas como poucas, mas seu entusiasmo febril é inversamente proporcional aos investimentos. Sobra discurso e falta ação. O resultado colhido é mais desprezo e mais promessas.

Pois é. Não mudo uma vírgula do que disse no passado. Só o que muda constantemente é a data para o início das obras da refinaria.

Cobrar a promessa ou denunciar o embuste

O fato é que o governo federal percebeu que para conseguir votações expressivas no Ceará basta o bolsa família. Enquanto que para outros estados, mais exigentes, são necessárias ações de maior substância. No ano passado, o governador Cid Gomes denunciou, com razão, a situação das estradas federais no estado. Fez bem e o ministro, enrolado com corrupção, caiu. É hora de fazer o mesmo em relação a Petrobras, que sistematicamente exclui o Ceará em seu plano de investimentos. É preciso denunciar o embuste, explicando aos cearenses que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma souberam vir aqui pedir votos, mas que na hora de entregar o que prometeram, deixam a Petrobras tergiversar.

Muitos podem pensar que estou exagerando, uma vez que a instalação de uma refinaria é algo realmente demorada, coisa e tal. Publico então um vídeo institucional do próprio Governo do Ceará. Nele não constam dúvidas ou empecilhos, só vantagens maravilhosas de uma realidade indiscutível. Quem um dia acreditou no que aparece no vídeo, sinto muito dizer, foi enganado.

 

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Refinaria não vem e cearenses são tapeados mais uma vez

Por Wanfil em Noticiário

26 de junho de 2012

A notícia que se repete ano após ano: Refinaria do Ceará não consta no plano de investimentos da Petrobras. Alguma novidade? Não. Mais uma vez o plano de negócios da empresa não faz previsão, até 2016, para a construção da refinaria “Premium 2” no Ceará.

Factoide

Desculpas não faltam: burocracia estatal, crise internacional, complexidade técnica, tudo muito difícil, mas nada que impeça, por exemplo, as obras superfaturadas da refinaria Abreu e Lima, no vizinho Pernambuco. É constrangedor observar como o ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, político matreiro disfarçado de técnico, usou a estatal para criar um factoide eleitoreiro dessa dimensão.

Se a refinaria não era uma certeza, então que não fosse prometida, especialmente em troca de votos. Não tenho dúvida de que na próxima campanha presidencial – e estadual – o empreendimento constará como promessa encaminhada, em vias de execução para transformar a realidade, gerar empregos e mudar radicalmente a realidade. Tudo estelionato eleitoral.

Filme repetido

Em 2010, faltando apenas dois dias para o fim de seu segundo mandato, ex-presidente Lula esteve no Ceará para lançar a pedra fundamental da refinaria cujas obras não existem. É um acinte, mas não faltaram louvores e manchetes favoráveis para a promessa não cumprida, nem sequer iniciada, muito menos com orçamento previsto.

Um ano antes, escrevi um artigo para o jornal O Estado com o seguinte título: A refinaria não vem para o Ceará. O que mais falta acontecer para isso ficar claro? Reproduzo um trecho, em azul:

O caso da prometida refinaria de petróleo para o Ceará já não pode ser visto apenas como uma certeza constantemente adiada por causa de contratempos técnicos. Não cola mais. (…) Nunca um governo tão carente de realizações concretas foi tão popular. E o segredo não é apenas  o populismo assistencialista. Falta cobrança. A oposição é fraca a ponto de não conseguir explorar uma realidade que salta aos olhos. A base aliada de Lula no Ceará sabe bater palmas como poucas, mas seu entusiasmo febril é inversamente proporcional aos investimentos. Sobra discurso e falta ação. O resultado colhido é mais desprezo e mais promessas.

Pois é. Não mudo uma vírgula do que disse no passado. Só o que muda constantemente é a data para o início das obras da refinaria.

Cobrar a promessa ou denunciar o embuste

O fato é que o governo federal percebeu que para conseguir votações expressivas no Ceará basta o bolsa família. Enquanto que para outros estados, mais exigentes, são necessárias ações de maior substância. No ano passado, o governador Cid Gomes denunciou, com razão, a situação das estradas federais no estado. Fez bem e o ministro, enrolado com corrupção, caiu. É hora de fazer o mesmo em relação a Petrobras, que sistematicamente exclui o Ceará em seu plano de investimentos. É preciso denunciar o embuste, explicando aos cearenses que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma souberam vir aqui pedir votos, mas que na hora de entregar o que prometeram, deixam a Petrobras tergiversar.

Muitos podem pensar que estou exagerando, uma vez que a instalação de uma refinaria é algo realmente demorada, coisa e tal. Publico então um vídeo institucional do próprio Governo do Ceará. Nele não constam dúvidas ou empecilhos, só vantagens maravilhosas de uma realidade indiscutível. Quem um dia acreditou no que aparece no vídeo, sinto muito dizer, foi enganado.