reciprocidade Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

reciprocidade

Questão de reciproCIDade

Por Wanfil em Eleições 2014

12 de Maio de 2014

Durante encontro do PMDB em Crateús, no final de semana, Eunício Oliveira disse que esperava reciprocidade de Cid Gomes. A qualidade de recíproco pressupõe relação de igualdade, desde que haja acordo nos termos da equação. E parece que, no presente caso, não há.

Para o senador, o apoio dado a Cid Gomes (ex-PSB e atual Pros) nas duas vezes em que este foi eleito governador, merece uma retribuição: agora que é pré-candidato ao Palácio da Abolição, a parceria se manteria invertendo posições. A falta de contrapartida corresponderia, portanto, a uma deslealdade.

Já para o governador, o apoio prestado ao peemedebista em sua eleição para o Senado Federal quitou a dívida eleitoral pendente entre os dois.

Toda essa conversa também é um jogo de empurra, com cada uma das partes buscando atribuir para a outra a responsabilidade pelo rompimento. E aí, por falta de provas, resta ao distinto público escolher a versão que mais lhe agrada.

Disso tudo, duas coisas merecem ser pontuadas:

1) a discussão sobre quem deve apoio a quem apenas mostra a natureza real de uma aliança feita da junção ocasional de projetos pessoais que, no fundo, cedo ou tarde se mostrariam mesmo inconciliáveis;

2) as recentes declarações de lado a lado explicitam que o acordo selado entre as principais lideranças do Ceará na atualidade se baseou na velha troca de favores.

Não existe aí um rompimento de fundo moral, administrativo ou ideológico. Dado o padrão ético da política brasileira, nada disso é novidade.

O fato é que, quando lhes foi conveniente, PMDB e Ferreira Gomes (qualquer que seja o partido em que estejam), souberam tirar proveito eleitoral da aliança. Agora que estão separados, Eunício ensaia um discurso moderadamente crítico, o que é legítimo, principalmente quando o desgaste e o choque de visões acontece ao longo da gestão. Caso contrário, quando essas divergências surgem de repente e às vésperas de uma nova eleição, fica parecendo oportunismo.

Assim, por exemplo, quando Eunício afirma que é possível resolver a crise na segurança pública, é preciso lembrar que o conceito reciprocidade em alianças governistas não se resume à distribuição de cargos ou de apoios eleitorais, mas também no compartilhamento de responsabilidades, no que diz respeito ao conjunto da obra. Se a gestão acerta, acertam todos, se falha, falham igualmente todos.

Nessa situação de fiel ex-aliado, a credibilidade de eventuais críticas precisa do apoio de um devido mea culpa. Afinal, acertos e erros devem ser repartidos entre os que endossaram as mesmas promessas. Nada pessoal. É só  uma mera questão de reciprocidade.

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Gestão Roberto Cláudio completa 100 dias: eu cobro assim como sou cobrado

Por Wanfil em Fortaleza

04 de Abril de 2013

Comigo é assim: cobro na mesma medida em que sou cobrado. A mim não é dado o direito de ignorar ou atrasar prazos. Portanto...

Comigo é assim: cobro na mesma medida em que sou cobrado. A mim não é dado o direito de ignorar ou atrasar prazos. Portanto…

Dias atrás, no post Governar é diferente de fazer campanha, registrei a perceptível mudança na estratégia de comunicação da Prefeitura de Fortaleza: “o ímpeto midiático dos primeiros dias da nova gestão arrefeceu”.

Na ocasião, ainda fiz um alerta: “O risco é justamente gerar mais expectativas, quando o momento é de baixá-las, mostrando que as promessas demandam tempo para serem cumpridas”.

Água na fervura

Parece que não sou o único a pensar assim. Tanto é que agora no começo de abril, em entrevista gravada ao programa Ideia Jangadeiro, o prefeito Roberto Cláudio aproveitou a marca de 100 dias (a ser completada no próximo dia 10) à frente do Paço Municipal, para falar sobre a gestão e botar água na fervura.

Como eu disse em minha coluna diária na Tribuna BandNews, é o trabalho de trazer o debate político, contaminado pela emoção da disputa eleitoral, para a realidade da administração. Se durante a campanha a ordem é gerar expectativas; depois da posse, o negócio é amoldá-las aos limites do orçamento.

Estrategicamente, para evitar qualquer impressão de paralisia operacional, a prefeitura elegeu a saúde, área de grande apelo e castigada nos últimos anos, como prioridade. Para outras demandas, Roberto Cláudio pontuou  que tudo a seu tempo e  que o prazo para atendê-las é de quatro anos.

Pai Nosso

Ainda é cedo para avaliações mais profundas sobre o estilo administrativo do novo prefeito, que merece, até o momento, um voto de confiança. Mas, em todo caso, sempre faço valer a lei de reciprocidade que aprendi com a bela oração Pai Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Nesse caso, ressalto a função sintática e moral da conjunção subordinativa comparativa assim como. O ideal de justiça da prece reside no fato de que o pedido de perdão é legitimado pela capacidade de perdoar. Há, portanto, uma condição que legitima a concessão do perdão. Da mesma forma, por analogia, só deve receber o benefício da elasticidade dos prazos quem os estica aos outros.

O governo tem quatro anos para fazer o que foi prometeu? Tecnicamente, sim. Seria até justo, se o contribuinte tivesse, por exemplo, quatros anos para pagar o IPTU, mediante a seguinte argumentação: olha, viajei e ao voltar para casa vi que a situação estava pior do que eu supunha, com as contas em desordem, falta de remédios e de material escolar, de forma que pagarei os impostos somente no ano que vem. Pois é, tem coisas que não dá para negociar.

Eu cobro com a mesma medida com que sou cobrado. Simples assim. Não sendo possível a realização de tudo agora, o mínimo que o governo tem a fazer é apresentar prazos para cada promessinha feita na campanha eleitoral. Se não for assim, as chances de estelionato eleitoral sempre aumentam. Tenhamos fé.

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Gestão Roberto Cláudio completa 100 dias: eu cobro assim como sou cobrado

Por Wanfil em Fortaleza

04 de Abril de 2013

Comigo é assim: cobro na mesma medida em que sou cobrado. A mim não é dado o direito de ignorar ou atrasar prazos. Portanto...

Comigo é assim: cobro na mesma medida em que sou cobrado. A mim não é dado o direito de ignorar ou atrasar prazos. Portanto…

Dias atrás, no post Governar é diferente de fazer campanha, registrei a perceptível mudança na estratégia de comunicação da Prefeitura de Fortaleza: “o ímpeto midiático dos primeiros dias da nova gestão arrefeceu”.

Na ocasião, ainda fiz um alerta: “O risco é justamente gerar mais expectativas, quando o momento é de baixá-las, mostrando que as promessas demandam tempo para serem cumpridas”.

Água na fervura

Parece que não sou o único a pensar assim. Tanto é que agora no começo de abril, em entrevista gravada ao programa Ideia Jangadeiro, o prefeito Roberto Cláudio aproveitou a marca de 100 dias (a ser completada no próximo dia 10) à frente do Paço Municipal, para falar sobre a gestão e botar água na fervura.

Como eu disse em minha coluna diária na Tribuna BandNews, é o trabalho de trazer o debate político, contaminado pela emoção da disputa eleitoral, para a realidade da administração. Se durante a campanha a ordem é gerar expectativas; depois da posse, o negócio é amoldá-las aos limites do orçamento.

Estrategicamente, para evitar qualquer impressão de paralisia operacional, a prefeitura elegeu a saúde, área de grande apelo e castigada nos últimos anos, como prioridade. Para outras demandas, Roberto Cláudio pontuou  que tudo a seu tempo e  que o prazo para atendê-las é de quatro anos.

Pai Nosso

Ainda é cedo para avaliações mais profundas sobre o estilo administrativo do novo prefeito, que merece, até o momento, um voto de confiança. Mas, em todo caso, sempre faço valer a lei de reciprocidade que aprendi com a bela oração Pai Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Nesse caso, ressalto a função sintática e moral da conjunção subordinativa comparativa assim como. O ideal de justiça da prece reside no fato de que o pedido de perdão é legitimado pela capacidade de perdoar. Há, portanto, uma condição que legitima a concessão do perdão. Da mesma forma, por analogia, só deve receber o benefício da elasticidade dos prazos quem os estica aos outros.

O governo tem quatro anos para fazer o que foi prometeu? Tecnicamente, sim. Seria até justo, se o contribuinte tivesse, por exemplo, quatros anos para pagar o IPTU, mediante a seguinte argumentação: olha, viajei e ao voltar para casa vi que a situação estava pior do que eu supunha, com as contas em desordem, falta de remédios e de material escolar, de forma que pagarei os impostos somente no ano que vem. Pois é, tem coisas que não dá para negociar.

Eu cobro com a mesma medida com que sou cobrado. Simples assim. Não sendo possível a realização de tudo agora, o mínimo que o governo tem a fazer é apresentar prazos para cada promessinha feita na campanha eleitoral. Se não for assim, as chances de estelionato eleitoral sempre aumentam. Tenhamos fé.