Raymundo Faoro Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Raymundo Faoro

Parlamentar usar o nome de Lula ou de Moro é confundir (como sempre) o público com o privado

Por Wanfil em Política

12 de Abril de 2018

Um grupo de parlamentares no Congresso Nacional quer incluir o nome de Lula nos seus próprios nomes para exibi-los no painel de votação. Em resposta, outros ameaçam adotar o sobrenome do juiz Sérgio Moro. É uma reação errada à iniciativa dos apoiadores do ex-presidente preso por corrupção. Perdem a chance de se mostrarem diferentes. É que radicais, ainda que em extremos opostos, se assemelham na forma de agir.

Os dois casos expressam uma incapacidade de distinguir as esferas pública e privada, fenômeno também conhecido como patrimonialismo. Explico: a representação parlamentar não pertence aos seus ocupantes temporários, eleitos pelo povo, mas à República. A manifestação das divergências é garantida pela imunidade parlamentar. Cada um pode defender ou acusar quem bem entender. Agora, usar institucionalmente esses cargos para criar instrumentos de promoção dos seus ídolos ou partidos é confundir a função pública com o interesse particular.

Se a moda pega, nomes de times, artistas, criminosos e escritores, sei lá o que mais, poderão ser adicionados ou subtraídos a cada votação. É uma falta de respeito com a própria liturgia que deveriam preservar. O problema é mais grave do que parece.

Quando o PT chegou ao poder, a falecida ex-primeira dama Marisa Letícia mandou fazer nos jardins do Palácio do Planalto um canteiro de flores vermelhas, em formato de estrela, símbolo do partido, marcando com um símbolo privado a instituição Presidência. Estava ali a expressão de um entendimento sobre o Estado que mais a fundo se estende verbas, estatais, privilégios, cartões corporativos, viagens de jatinho, obras, empreiteiras, bancos, fundos de pensão e por aí vai.

Tudo acaba compreendido como patrimônio dos donos do poder, na clássica definição de Raymundo Faoro. Tudo pertence ao Estado e o Estado pertence ao partido. E quanto maior o Estado e sua burocracia, maior o poder de quem o controla.

Por isso, a polêmica sobre o uso de nomes para fazer dos painéis parlamentares meras placas luminosas de propaganda ideológica pode parecer algo tosco, menor, mas não se enganem: é a expressão da mesma ética e da mesma moral que possibilitaram o mensalão e o petrolão.

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Por que os políticos querem obrigar você a votar?

Por Wanfil em Política

12 de junho de 2015

Depois de aprovar o fim da reeleição, a Câmara dos Deputados agora rejeitou a proposta que acaba com a obrigatoriedade do voto. Os mandatos para o Executivo terão prazo de cinco anos, a partir de 2020. Essas mudanças, que ainda deverão tramitar no Senado, seriam uma resposta à insatisfação geral da população. No fundo, a “reforma” passou de uma oportunidade para alguns ajustes de interesse da própria classe política.

O fim da reeleição reduz o tempo de espera para que potenciais candidatos possam disputar prefeituras, governos e a Presidência. A fila tem que andar.

No caso da manutenção da obrigatoriedade, prevaleceu o interesse dos eleitos em manter o controle sobre seus currais eleitorais. Os eleitores, especialmente nas regiões mais pobres, acabam reféns de uma visão patrimonialista da política, onde a relação entre estado e cidadão não é compreendida como algo técnico, mas sim como um favor mediado por lideranças locais.

Os donos do poder
Raymundo Faoro explica tudo isso em “Os donos do Poder”. Portugal concedia terras e títulos aos donatários no Brasil colônia. A propriedade, portanto, era concessão advinda das relações de amizade e influência. Dessa confusão entre Estado e indivíduos, entre público e privado, criamos uma estrutura baseada na corrupção e na burocracia, degenerando até chegarmos à roubalheira na Petrobras.

Daí que para boa parte dos eleitores o que importa é saber quem trouxe o açude, quem convenceu o prefeito a asfaltar a rua, quem foi ao governo estadual garantir um hospital ou quem teve prestígio à presidente para trazer uma refinaria. Ou pior: quem consegue destravar processos, combinar licitações, conseguir um emprego no governo e por aí vai.

Medo
Para esse sistema funcionar, é fundamental que as pessoas sejam obrigadas a votar. Sem essa obrigação, um grande número de eleitores não compareceria às urnas por puro desinteresse. E deixar uma eleição nas mãos de quem está mais informado e que não depende de favores dá arrepios nos nossos políticos.

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Por que os políticos querem obrigar você a votar?

Por Wanfil em Política

12 de junho de 2015

Depois de aprovar o fim da reeleição, a Câmara dos Deputados agora rejeitou a proposta que acaba com a obrigatoriedade do voto. Os mandatos para o Executivo terão prazo de cinco anos, a partir de 2020. Essas mudanças, que ainda deverão tramitar no Senado, seriam uma resposta à insatisfação geral da população. No fundo, a “reforma” passou de uma oportunidade para alguns ajustes de interesse da própria classe política.

O fim da reeleição reduz o tempo de espera para que potenciais candidatos possam disputar prefeituras, governos e a Presidência. A fila tem que andar.

No caso da manutenção da obrigatoriedade, prevaleceu o interesse dos eleitos em manter o controle sobre seus currais eleitorais. Os eleitores, especialmente nas regiões mais pobres, acabam reféns de uma visão patrimonialista da política, onde a relação entre estado e cidadão não é compreendida como algo técnico, mas sim como um favor mediado por lideranças locais.

Os donos do poder
Raymundo Faoro explica tudo isso em “Os donos do Poder”. Portugal concedia terras e títulos aos donatários no Brasil colônia. A propriedade, portanto, era concessão advinda das relações de amizade e influência. Dessa confusão entre Estado e indivíduos, entre público e privado, criamos uma estrutura baseada na corrupção e na burocracia, degenerando até chegarmos à roubalheira na Petrobras.

Daí que para boa parte dos eleitores o que importa é saber quem trouxe o açude, quem convenceu o prefeito a asfaltar a rua, quem foi ao governo estadual garantir um hospital ou quem teve prestígio à presidente para trazer uma refinaria. Ou pior: quem consegue destravar processos, combinar licitações, conseguir um emprego no governo e por aí vai.

Medo
Para esse sistema funcionar, é fundamental que as pessoas sejam obrigadas a votar. Sem essa obrigação, um grande número de eleitores não compareceria às urnas por puro desinteresse. E deixar uma eleição nas mãos de quem está mais informado e que não depende de favores dá arrepios nos nossos políticos.