Quadrilha Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Quadrilha

PT apanha de Ciro e não reage: por quê?

Por Wanfil em Partidos

12 de Março de 2019

O PT do Ceará é Lula. Para Ciro, do PDT, aliado estadual dos petistas, Lula se corrompeu e o PT nacional é uma quadrilha. (Foto: PT/Ceará)

Ciro Gomes continua a bater forte na direção nacional do Partido dos Trabalhadores. Dessa vez, em entrevista ao jornal Valor Econômico, a principal liderança do PDT no Ceará disse que:

1) a cúpula do PT é uma “organização criminosa”;
2) Gleisi Hoffmann, presidente nacional do partido, é “a chefe” da “quadrilha”;
3) “Lula virou um caudilho sul-americano corrompido”;
4) “Só um petista doente não lembra que o desemprego, quando ela [Dilma] assumiu era 4% e quando saiu, era 14%”;
5) “estou fora” do Lula livre.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa, disse que o partido vai se reunir para decidir se processa Ciro Gomes, pois assim “está ficando complicado“.

E o que disse o PT do Ceará até o momento? Nada. O que dizem suas principais lideranças – (Guimarães, Luizianne, Acrísio Sena, Guilherme Sampaio, Camilo (?) – a respeito do aliado estadual? Nadinha. Os lulistas, onde estão? Optam pelo silêncio, como se não soubessem de nada, mas como dizem por aí, quem cala, consente.

Se pensarmos bem, o constrangimento não se restringe aos petistas. Se a cúpula do PT é uma quadrilha, como diz Ciro, e se as lideranças petistas no estado são alinhadas com essa cúpula e com Lula, já não se trata de mera diferença de opinião, de divergência programática ou coisa que o valha, mas de incompatibilidade moral. O ponto é que, se é assim, se concorda com Ciro, como pode o PDT estar junto com o PT no Ceará?

Leia mais no blog: Ciro Gomes ocupa vazio deixado por Fernando Haddad

Atualização: Ainda no final da tarde de ontem (12), Gleisi Hoffmann foi ao Twitter chamar Ciro de coronel ressentido. No Ceará, silêncio.

Publicidade

No PDT, Cid fala grosso com o PMDB. Mas será que o PDT, hoje, é melhor que o PMDB?

Por Wanfil em Partidos

19 de outubro de 2015

Atenção cidistas e ciristas de todo o Ceará: aliado de Dilma é, queira ou não, aliado de Temer. O resto é firula - Foto: Site da Executiva Nacional do PDT

Aliado de Dilma é, queira ou não, aliado de Temer. O resto é firula – Foto: site da Executiva Nacional do PDT

Em solenidade de filiação ao PDT, no último final de semana, o ex-governador e ex-ministro Cid Gomes não poupou críticas à cúpula dirigente do PMDB, chegando a classificar o vice-presidente da República, Michel temer, de chefe de quadrilha.

Com base nesse discurso, fica a impressão de que bastará ao próximo presidente se afastar do PMDB para que as relações de poder sejam menos promíscuas e as coisas, ao final, melhorem. Acontece que nem tudo é tão simples assim.

Michel temer não é um novato na cena política, pelo contrário. Foi presidente da Câmara dos Deputados por três vezes. Na primeira, inclusive, eleito com o apoio de FHC. Depois, com a derrota dos tucanos, o peemedebista se chegou ao PT e, nas duas vezes em que foi eleito como companheiro de chapa de Dilma, contou no Ceará com o apoio – veja só – de Cid Gomes. Este, por sua vez, foi eleito governador em 2010 tendo como vice o deputado estadual Domingos Filho, então filiado ao velho PMDB de guerra, que apoiou a gestão Cid por sete anos, vindo a romper apenas por questões eleitorais, não de conduta.

Hoje, a própria Dilma tem como maior aliado contra um impeachment o presidente do Senado, Renan Calheiros, medalhão do… PMDB! Ou seja, na prática, aliados da presidente são aliados do PMDB, queiram ou não queiram, digam o que disserem. O resto é firula e confete.

No fundo, PDT e PMDB, atualmente, possuem muitas semelhanças, para desgosto dos saudosistas de Leonel Brizola. São partidos governistas que só votam com o Planalto quando lhes interessa e que cobram ministérios para continuar na base. O que vai mudar aí é o tamanho de cada um.

Por fim, uma recordação que deveria inspirar cautela aos pedetistas mais afoitos. Em 2011, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, deixou o Ministério do Trabalho acusado de corrupção. Até onde sei nada foi provado, mas se é assim, Michel Temer também nunca foi condenado a nada. Aliás, se isso valesse como critério, Temer não precisou renunciar dos cargos que ocupou. Fica difícil.

Assim, se Carlos Lupi é o modelo de retidão que o PDT tem a oferecer aos cearenses e brasileiros para enfrentar o PMDB, melhor tomar mais cuidado antes de falar em quadrilha.

(Transcrição de minha coluna na rádio Tribuna Band News na segunda-feira).

Só para lembrar
Confira aqui a satisfação do PDT com a companhia de Michel Temer, no ano passado:  Michel Temer anuncia nesta segunda no Rio o seu apoio a Lupi.

Publicidade

Quadrilha eleitoral

Por Wanfil em Política

24 de Fevereiro de 2014

O poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, é de uma atualidade e de uma amplitude próprias dos grandes escritores. Em diversas situações podemos fazer alusões e paralelos com o ritmo dos pares que se fazem e se desfazem no texto do poeta:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Pedindo desde já perdão por misturar arte com política, especialmente arte de qualidade com política ruim, o poema me fez lembrar as relações estremecidas na imensa base do governo estadual no Ceará. É só trocar o “amor” por “apoio”. Vejamos.

Cid apoiava Luizianne, que apoiava Pimentel, que apoiava Eunício, que apoiava Cid. Juntos, todos apoiavam Lula, que elegeu Dilma, garantindo tratar-se de grande gestora. Cid e Luizianne romperam. Eunício e Pimentel nunca foram mesmo muito próximos e Inácio foi descartado. Cid agora procura um nome que ainda não entrou nessa história.

Na mesma toada, Luizianne avisa que Eunício será traído por Cid. Em resposta, Cid jura que nunca traiu ninguém e sempre cumpriu acordos, que é um modo de dizer que não deve a quem agora lhe cobra.  Guimarães coloca o PT cearense a serviço do candidato que Cid escolher, pois espera, em retribuição, contar com seu apoio para o Senado.

Fisiologismo
O que vale no poema como ponto de apoio para a crônica política é o seguinte: ninguém é de ninguém. Quando um grupo político cresce demais, na base da cooptação, reduzindo assim a oposição a um ou outro nome isolado, a unidade desse grupo passa a correr riscos de implosão quando seu idealizador não pode mais se reeleger, pois o amálgama de sua coesão é o fisiologismo.

Política é assim: sem o perigo da ameaça externa, o caminho que resta para alcançar o poder é a disputa interna. O que está em jogo, para essa turma, é saber quem comandará a banca que distribui cargos e verbas.

Dicionário
No poema, a palavra ‘quadrilha‘ é relacionada à dança caracterizada por grupos de quatro ou mais pares, originária da Europa. O significado de ‘quadrilha’ como  grupo de ladrões ou malfeitores, neste texto, é apenas coincidência.

Publicidade

Quadrilha eleitoral

Por Wanfil em Política

24 de Fevereiro de 2014

O poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, é de uma atualidade e de uma amplitude próprias dos grandes escritores. Em diversas situações podemos fazer alusões e paralelos com o ritmo dos pares que se fazem e se desfazem no texto do poeta:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Pedindo desde já perdão por misturar arte com política, especialmente arte de qualidade com política ruim, o poema me fez lembrar as relações estremecidas na imensa base do governo estadual no Ceará. É só trocar o “amor” por “apoio”. Vejamos.

Cid apoiava Luizianne, que apoiava Pimentel, que apoiava Eunício, que apoiava Cid. Juntos, todos apoiavam Lula, que elegeu Dilma, garantindo tratar-se de grande gestora. Cid e Luizianne romperam. Eunício e Pimentel nunca foram mesmo muito próximos e Inácio foi descartado. Cid agora procura um nome que ainda não entrou nessa história.

Na mesma toada, Luizianne avisa que Eunício será traído por Cid. Em resposta, Cid jura que nunca traiu ninguém e sempre cumpriu acordos, que é um modo de dizer que não deve a quem agora lhe cobra.  Guimarães coloca o PT cearense a serviço do candidato que Cid escolher, pois espera, em retribuição, contar com seu apoio para o Senado.

Fisiologismo
O que vale no poema como ponto de apoio para a crônica política é o seguinte: ninguém é de ninguém. Quando um grupo político cresce demais, na base da cooptação, reduzindo assim a oposição a um ou outro nome isolado, a unidade desse grupo passa a correr riscos de implosão quando seu idealizador não pode mais se reeleger, pois o amálgama de sua coesão é o fisiologismo.

Política é assim: sem o perigo da ameaça externa, o caminho que resta para alcançar o poder é a disputa interna. O que está em jogo, para essa turma, é saber quem comandará a banca que distribui cargos e verbas.

Dicionário
No poema, a palavra ‘quadrilha‘ é relacionada à dança caracterizada por grupos de quatro ou mais pares, originária da Europa. O significado de ‘quadrilha’ como  grupo de ladrões ou malfeitores, neste texto, é apenas coincidência.