PT Archives - Página 10 de 17 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

PT

As gravações de Sérgio Machado mostram a atualidade de Nelson Rodrigues

Por Wanfil em Corrupção

30 de Maio de 2016

Nunca o Brasil foi tão profundamente rodriguiano como nos dias que vivemos. O instrumento da delação premiada, por exemplo, é a materialização jurídica de uma das tiradas de Nelson Rodrigues: “A fidelidade deveria ser facultativa“. Nosso maior dramaturgo não acreditava na fidelidade como promessa, mas como expressão de cinismo. Por isso também dizia que “só o cúmplice é fiel“. Fiel, porém, aos próprios interesses.

Vejamos o caso das gravações feitas por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, de conversas com Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá. Os trechos vazados mostram que parte do PMDB, frustrada com o fracasso de Dilma e Lula em frear a Lava Jato, tentava desesperadamente transformar o impeachment numa manobra contra a operação. Flagrados, esses medalhões acabaram mais expostos do que nunca. Na verdade, chamaram a atenção para a manutenção dos cuidados necessários para preservar as investigações.

O fato é que a fidelidade prometida pelas conveniências da cumplicidade entre políticos agora é facultativa, diante da ameaça de prisão de alguns. É delicioso imaginar a paranoia, a desconfiança e o medo que hoje atinge os casamentos arranjados entre corruptos, que daqui em diante, ao iniciarem seus namoros ainda nas eleições, levarão consigo, intuitivamente, outra máxima de Nelson Rodrigues: “No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte“. Em politiquês, significa dizer que o aliado de hoje pode ser o delator de amanhã. Assim, nunca mais poderão confiar em ninguém, nem em quem tem o rabo preso e talvez, nem em si mesmos.

Nelson Rodrigues é eterno.

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Amigos petistas vejam o lado bom do impeachment

Por Wanfil em Crônica

12 de Maio de 2016

Faça como Pangloss, mentor de Cândido na sátira O Otimismo, de Voltaire (1759)

Faça como Pangloss, mentor de Cândido na sátira O Otimismo, de Voltaire (1759)

Os eventos, mesmo os mais difíceis, sempre podem ser vistos com otimismo, ensinava Pangloss a Cândido, personagens de Voltaire. “Tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis”, repetia diante dos reveses da vida.

Noto que amigos, conhecidos e até desconhecidos que avisto em minhas redes sociais, estão inconsoláveis com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Alguns por afinidade ideológica, outros por lealdade partidária, uns tantos por necessidade (em geral comissionados e assessores) e vários por simpatia gratuita mesmo. Os motivos variam de acordo com o senso de justiça, ou de urgência, de cada um. Esses também estão, naturalmente, revoltados com Michel Temer, que assume interinamente a Presidência da República.

Comovido com esse sofrimento, aqui estou, solidário, a dizer-lhes: há algo de bom para vocês em tudo isso. Se antes estava difícil pregar contra a corrupção, especialmente após o mensalão e o petrolão, agora já se pode apontar ministros enrolados com a Lava Jato. Se antes o constrangimento de ver uma gestão autoproclamada progressista cortando benefícios como o seguro-desemprego era uma humilhação, agora já é possível acusar de neoliberais (quanta saudade desse xingamento, hein?) os que adotam medidas de restrição para fazer o ajuste que pode colocar a economia de volta nos trilhos. Sem contar o alívio que será cobrar aumento salarial, elevação de gastos sociais e nos investimentos em infraestrutura, tudo isso e muito mais, sem precisar se preocupar em fechar a conta. É o paraíso! É o melhor dos mundos possíveis.

Sem os erros nas últimas eleições, sem a maquiagem nas contas públicas, sem os esquemas turbinados nas estatais e nos fundos de pensão, sem os acordos com as empreiteiras, sem o impeachment, sem Eduardo Cunha e Michel Temer, nada disso seria possível. É bem verdade que, após muito sofrer, Cândido conclui, um tanto cético e pessimista, que “devemos cultivar o nosso jardim”. Mas essa parte, convenhamos, não cabe na narrativa do golpismo.

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Dilma fora. E agora Camilo? E agora PT?

Por Wanfil em Política

12 de Maio de 2016

Martelo batido no Senado: Dilma sai de jogo e Michel Temer assume a Presidência da República. Significa dizer, entre muitas outras coisas, que depois da primeira eleição de Collor de Mello, ainda em 1989, quando Tasso Jereissati era governador, o Ceará volta a ter uma gestão estadual de oposição ao governo federal.

Olhar pragmático
Junto com Dilma sai de cena a sua equipe ministerial. São todos agora passado. Promessas não cumpridas e obras atrasadas não dependem mais desse pessoal. Ponto. Caberá pois ao governador Camilo Santana olhar para frente e buscar, junto com a bancada no Congresso, investimentos reais junto ao novo governo. O momento é de adaptação, o que não significar dizer adesão (pelo menos em relação ao governador, já os deputados…).

Convém evitar declarações provocativas ou dúbias. O próprio estilo de Camilo, mais comedido, deve ajudar nesse sentido. Resta então guardar prudência nas ações e discrição nas eleições de outubro. O governador não deverá fazer como seu antecessor Cid Gomes, que se licenciou do cargo para ajudar na eleição de Roberto Cláudio (PDT) em Fortaleza. A menos que queira agravar a indisposição com o PMDB de Eunício Oliveira, arriscando prejudicar qualquer interlocução mais profunda com os ministérios nessa transição.

Relação institucional
O Ceará, não custa lembrar, precisa do governo federal. Em contrapartida, o novo presidente precisa de votos no legislativo. Temer provavelmente deverá entrar em contato com governadores de oposição para dizer que pretende manter uma relação institucional e até propositiva com esses estados, pois o que importa agora é aprovar medidas de recuperação etc. e tal. Será a deixa para construir uma via de acesso ao Planalto para discutir assuntos de interesse da população cearense.

PT na oposição
O PT já avisou que será oposição. Isolado e com todo o desgaste sofrido, a perspectiva do comando nacional da legenda é que prefeituras sejam perdidas em outubro. Em Fortaleza, o partido não decidiu se lançará candidatura própria ou se ficará na sombra de Roberto Cláudio, talvez como o vice da chapa.

PT como aliado?
A essa altura dos acontecimentos é hora de o próprio prefeito (leia-se Cid e Ciro Gomes) avaliar bem se a companhia do PT, apesar do tempo de propaganda que agrega, mais ajuda ou atrapalha. Se não seria melhor ter o PT correndo por fora para bater nos seus adversários… Ao PT, uma candidatura seria uma oportunidade de palanque para uma defesa de sua história. Que estudem as opções.

Incertezas
Ainda é muito cedo para dizer como serão as primeiras semanas da gestão Temer e como elas poderão impactar no Estado. Conseguirá estancar a sangria na economia e até prover alguma recuperação? Impossível dizer. O mercado tem sinalizado positivamente ao impeachment, o que é um indicativo considerável. O certo é que a configuração partidária do poder mudou e que o tempo para se adaptar a esse ambiente em formação é muito curto.

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Camilo faz o primeiro aceno para Temer

Por Wanfil em Política

03 de Maio de 2016

O governador Camilo Santana, do PT, fez na semana o seu primeiro aceno para um futuro sem Dilma Rousseff na Presidência da República. Em solenidade para do programa Garantia Safra realizada no Palácio da Abolição na última segunda-feira (2), Camilo afirmou que buscará manter o diálogo com o governo federal na futura gestão de Michel Temer e que espera que o impeachment não afete obras que dependem de recursos da União para o Ceará.

Separar partido e gestão
Não significa dizer que o governador mudou de opinião em relação ao afastamento da presidente. Correligionário de Dilma, por várias vezes Camilo se manifestou contra a saída dela. Significa que, diante do inevitável, é preciso ser pragmático. Assim, Camilo acerta ao tentar separar suas posições partidárias de suas funções administrativas.

Além do mais, os estados brasileiros, em especial os mais pobres, possuem enorme dependência financeira em relação ao governo federal, o que implica em manter, pelo menos uma relação institucional respeitosa com o presidente.

Por último, e não menos importante: no final, o governador é quem será cobrado por resultados, pois é dele a responsabilidade de pagar as contas do estado no final do mês. Essa responsabilidade ameniza qualquer arroubo de natureza política ou ideológica.

Estratégias de convivência
Essa responsabilidade é algo que impõe uma postura bem diferente, por exemplo, da demonstrada por Ciro Gomes, do PDT, que na semana passada chamou publicamente a Michel Temer de “safado” e “conspirador filho da puta”. Esse é outro caminho. Sem cargos e sem obrigações administrativas, de olho em seu próprio projeto eleitoral, Ciro aposta no enfrentamento.

Se essa diferença de estratégias e de objetivos poderá causar problemas na parceria entre o PT estadual e os Ferreira Gomes, isso o tempo logo, logo dirá. Naturalmente, Camilo precisará conversar também com a bancada cearense do PMDB, que por sua vez, é o que se espera, deverá ter a responsabilidade de deixar diferenças e ressentimentos eleitorais de lado nesse momento de crise.

Radicais e moderados
Os aliados de Camilo que apostam na intriga, tanto no PT como no PDT, devem ser evitados nesse momento de crise, em proveito de interlocutores mais sensatos da nova base aliada, que também precisará controlar seus radicais. É uma situação difícil, mas se isso não acontecer, o Ceará ficará novamente excluído das prioridades do governo federal, como aconteceu nos últimos anos.

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O saldo da passagem de Lula pelo Ceará

Por Wanfil em Política

06 de Abril de 2016

Estive afastado do blog por alguns dias e agora, ao retornar, não posso deixar passar em banco o comício que Lula fez no Ceará, contra o impeachment de sua cria política Dilma Rousseff, no último sábado (2). Foi até melhor, pois com a poeira sentada fica mais fácil ver o que aconteceu.

Pois bem, passados quatros dias, qual o saldo do evento? Faço aqui uma listagem:

1 – Lula ainda não é ministro da Casa Civil – Ao dizer que tomaria posse até quinta (7), deu a entender, mais uma vez, que poderia ter informação antecipada sobre decisão do STF. Resultado: a liminar que o impede de assumir não será analisada nesta semana;

2 – O processo de impeachment contra Dilma continua tramitando – Segue conforme o rito definido pelo Supremo, com direito à ampla defesa da presidente na comissão que trata o assunto na Câmara, feita pelo titular da Advocacia Geral da União, José Eduardo Cardozo, revelando que, na prática, o governo sabe que o processo é legal, não obstante o discurso de golpe;

3 – O PDT cearense sumiu do palanque – Pois é. Nem Ciro (que recentemente xingou Lula de “merda”), nem Cid, nem André Figueiredo, muito menos o prefeito Roberto Cláudio quiseram acompanhar Lula na “defesa da democracia”. No palanque restaram Camilo Santana e Luizianne Lins, ambos do próprio PT. A liderança do PDT não foi por quê? Estava muito ocupada? Discorda de algo? Não quer ver a imagem do prefeito ligada a um investigado por corrupção, no caso, Lula? Ninguém sabe. Assim fica difícil convencer o PT a apoiar a reeleição de um pedetista na capital;

4 – A volta da refinaria – No momento mais surreal da passagem, mais revelador de uma moral e de uma forma de fazer política, o ex-presidente disse que retomaria o projeto da refinaria da Petrobras para o Ceará. Isso mesmo, aquele que mudaria a economia do Ceará, que seria um divisor de águas, que estava garantido, que teve pedra fundamental lançada pelo próprio Lula, mas que era desconhecido pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), porque não existia projeto. Golpe mesmo, materializado, consumado, foi este, eleitoreiro, contra os cearenses. A mentira torna-se ainda mais deslavada pelo fato de que a Petrobras foi arruinada pelos governos Lula e Dilma, pelas razões que todos já conhecem agora.

Saldo
Para o Ceará o saldo foi zero. Até o momento, o comício serviu apenas para manter acesa a disposição dos 10% que apoiam a presidente Dilma, contra os 70% que desejam o impeachment da presidente.

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Polêmica sobre golpe é cortina de fumaça para governo não falar de corrupção

Por Wanfil em Política

01 de Abril de 2016

A manifestação contra o impeachment em Fortaleza, que contou com a presença do governador Camilo Santana (PT), seguiu o mesmo roteiro de outras cidades, definido a partir de um comando comum, encenado de cima para baixo, e que pode ser resumido pelo bordão “não vai ter golpe”.

Nada disso é espontâneo. Os manuais de marketing eleitoral ensinam que larga na frente na disputa pela opinião pública o candidato que conseguir pautar o debate com temas e termos de seu interesse. Quem define o assunto e a forma de abordá-lo tem vantagem sobre o oponente. Pois bem, não é difícil perceber que essa estratégia foi transportada para as discussões sobre o impeachment, na medida em que o debate sobre corrupção e incompetência (origem dos protestos contra o governo) deslocou-se para o terreno do bate-boca político em torno de um suposto golpe que estaria em curso.

Assim os apoiadores do impeachment, seja no Congresso Nacional ou nas redes sociais, dedicam boa parte de seu tempo para se justificarem, receosos de serem mal interpretados, argumentando que o afastamento de presidentes é previsto na Constituição. Na sequência desse recuo de seus críticos, o governo, embora acuado por acusações diversas e crimes comprovados, flagrado em grampos e exposto por delações, passa a se apresentar como vítima para, junto com seus simpatizantes, dar lições de moral nos que defendem a operação Lava-Jato e que se valem das conclusões do TCU sobre crimes fiscais embasar o impedimento de Dilma.

O cúmulo se dá quando os que rejeitam o impeachment endossam (de modo consciente ou como massa de manobra) a tese segundo a qual ser contra os desmandos do PT no governo não é ser contra a corrupção, mas ser contra, vejam só, a própria democracia. E qualquer tentativa de rebater o sofisma é prontamente rebatida com um sonoro “não vai ter golpe”.

Essa inversão não é simples de ser feita. Resulta do confronto retórico entre uma força política organizada, coesa e experiente, contra grupos apartidários que atuam de forma improvisada, com os quais a oposição tenta pegar carona. Assim, toda vez que defensores do impeachment tentam explicar que não são golpistas apenas reforçam a polêmica sobre um tema de interesse do governo, enquanto este, por sua vez, escapa do fato óbvio de que, diante de tudo o que se sabe, ele é quem deveria dar explicações.

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Ciro Gomes: “A natureza do PT é ter candidatura própria”

Por Wanfil em Política

28 de Março de 2016

O pré-candidato do PDT à presidência da República concedeu entrevista ao Estadão na última quinta-feira (25), para falar sobre a conjuntura nacional. Destaco aqui um pensamento interessante de Ciro a respeito do PT, já no final da conversa com os repórteres Igor Gadelha e Caio Junqueira.

Estadão – O senhor acredita em um futuro apoio do PT à sua candidatura em 2018 como o presidente do PDT, Carlos Lupi, tem defendido?
Ciro – Só se eu fosse uma criança imbecil iria entrar numa bobagem dessa. A natureza do PT é de ter candidato e não apoiar ninguém.

Quem discorda?
É uma leitura que considero correta. Servir de linha auxiliar a projeto de terceiros é algo raro de se ver no petismo. Embora o ex-governador fale do cenário nacional, essa percepção serve para outras instâncias do partido, como percebemos nas declarações da ex-prefeita Luizianne Lins em defesa de candidatura própria do PT em Fortaleza.

O partido até poderá apoiar a reeleição de Roberto Cláudio, do PDT, por causa de fatores ligados à crise política, mas se o fizer, será contrariando sua própria natureza.

A quem interessar, aqui está a íntegra da entrevista.

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Por que Cid e Ciro ainda defendem Dilma? O que há para “temer”?

Por Wanfil em Política

19 de Março de 2016

Cid Gomes deu uma entrevista coletiva na Assembleia Legislativa ontem (sexta) para fazer uma defesa meio envergonhada da presidente Dilma (“Eu não estou satisfeito com a Dilma, mas ela foi eleita”) – e para criticar de modo estranho o PMDB (“Está no poder desde sempre, porque aquilo é a sobrevivência deles”). Estranho porque, afinal, ter a política como meio de vida não deveria ser algo estranho ao ex-governador. Estranho porque o PMDB fez parte de seu governo por sete anos. De todo modo, é o mesmo discurso de seu irmão Ciro Gomes.

Minoria
A essa altura, poucos fora do PT e de seus satélites ainda se mostram aliados incondicionais de Dilma e Lula. Especialmente por estarmos em ano eleitoral. Mais raro ainda são manifestações públicas nesse sentido. Cid e Ciro falam, gritam, ponderam e reclamam, mas pregam no vazio, porque a população não endossa seus argumentos porque rejeita a presidente. Os governistas são minoria indiscutível e constrangedora. Os protestos de domingo, 13 de março, contra o governo, reuniram, segundo a Secretaria de Segurança (gestão do PT) cerca de 40 mil pessoas. As manifestações a favor do governo, realizadas na sexta, 18 de março, mesmo com o apoio de entidades aparelhadas, levaram às ruas 6 mil pessoas segundo a PM. Só mesmo muita torcida para ver nessa surra um fôlego para Dilma.

Temer
Diante disso tudo, porque Cid e Ciro insistem? Porque estão desolados com a possibilidade, cada vez mais real, de o vice Michel Temer, que não quer ver os dois nem pelas costas, vir a assumir a Presidência da República. Existe a possibilidade de cassação no TSE, mas é um processo lento, com previsão de desfecho para o final do ano – se houver desfecho. Até lá, as portas do Palácio do Planalto estarão fechadas para os irmãos, sem a menor chance de abertura. Pior ainda: seu ex-aliado e hoje desafeto Eunício Oliveira, do PMDB, será o homem forte do governo federal no Ceará. Pior ainda (para a dupla e seus aliados locais): antes das eleições de outubro. O cálculo é político e o choro é livre.

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É Lula… Não tá tranquilo, não tá favorável

Por Wanfil em Política

17 de Março de 2016

Segue o conteúdo da Coluna Política desta quinta-feira (17), que tenho na rádio Tribuna Band News FM (101.7):

Sob o pretexto de enfrenta a crise econômica e reunificar a base aliada, o ex-presidente Lula foi nomeado ministro da Casa Civil. Na prática, Lula quer foro privilegiado para escapar de um provável pedido de prisão e poder político para tentar evitar o impeachment de Dilma.

Muitos analistas lembram que não se deve subestimar o ex-presidente, mas é importante também não subestimar o contexto, para não confundirmos passado e presente.

O Lula presidente deixou o planalto com alta popularidade, o Lula ministro assume com viés de baixa; o Lula presidente tinha a legitimidade das urnas, o Lula ministro tem o endosso dos conchavos de conveniência; o Lula presidente herdou um país com diretrizes econômicas bem definidas; o Lula ministro herda um país sem rumo e que vive uma recessão sem precedentes; Lula presidente tinha o benefício da dúvida, Lula ministro é um suspeito investigado por corrupção.

Essas diferenças, assim como a desconfiança generalizada da população, não podem de forma alguma ser ignoradas.

Os grupos responsáveis pelos protestos de domingo (13), os maiores da história, já falam em voltar às ruas para exigir a saída de Lula. No Ceará, que possui uma das bancadas governistas mais subservientes do País, onde o PIB despencou 3,5% em 2015 e o desemprego bate recorde, coube à iniciativa privada falar pelos cearenses. A Federação das Indústrias do Estado (Fiec) se manifestou no mesmo dia para pedir uma mobilização nacional contra a nomeação do ex-presidente.

Só mesmo o governo federal e seus aliados, por conta do desespero, ainda acreditam em salvadores da pátria.

Abaixo, o áudio da coluna.

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Prefeito diz que solução agora é eleger aliados de quem criou a crise

Por Wanfil em Fortaleza

11 de Março de 2016

Do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), em evento da sigla de aluguel PROS, defendendo que o PT de Camilo Santana (e Dilma Rousseff) apoie sua candidatura à reeleição, segundo matéria de O Povo :

“É muito importante que uma cidade como Fortaleza tenha uma aliança administrativa entre Prefeitura e Governo que possibilite recursos a mais e apoio político a mais para fazer o que a gente deve fazer em época de crise.”

Esse argumento perdeu a validade desde que o governo federal não cumpriu a promessa eleitoreira de construir uma refinaria da Petrobras no Ceará. Nesse caso, a única coisa que essa “aliança administrativa” conseguiu produzir foi o silêncio e a omissão dos governistas cearenses, que evitaram denunciar e cobrar o golpe, fingindo que nada aconteceu.

Por outra ainda, se aliança é garantia de ação, por que então o Hospital de Quixeramobim, inaugurado em 2014, ainda não funciona?

Quando o ex-prefeito Juraci Magalhães governava, dizia justamente o contrário: ter adversários nesses cargos evitaria acomodações e geraria uma disputa para ver quem faria mais. E aí? São ideias adaptáveis, conforme os interesses do momento.

De todo modo, mesmo compreendendo, digamos assim, o apelo eleitoral dessas formulações, o mais incrível agora é ver governistas dizendo que a melhor forma de enfrentar a crise é manter no poder a mesma aliança que a produziu.

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Prefeito diz que solução agora é eleger aliados de quem criou a crise

Por Wanfil em Fortaleza

11 de Março de 2016

Do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), em evento da sigla de aluguel PROS, defendendo que o PT de Camilo Santana (e Dilma Rousseff) apoie sua candidatura à reeleição, segundo matéria de O Povo :

“É muito importante que uma cidade como Fortaleza tenha uma aliança administrativa entre Prefeitura e Governo que possibilite recursos a mais e apoio político a mais para fazer o que a gente deve fazer em época de crise.”

Esse argumento perdeu a validade desde que o governo federal não cumpriu a promessa eleitoreira de construir uma refinaria da Petrobras no Ceará. Nesse caso, a única coisa que essa “aliança administrativa” conseguiu produzir foi o silêncio e a omissão dos governistas cearenses, que evitaram denunciar e cobrar o golpe, fingindo que nada aconteceu.

Por outra ainda, se aliança é garantia de ação, por que então o Hospital de Quixeramobim, inaugurado em 2014, ainda não funciona?

Quando o ex-prefeito Juraci Magalhães governava, dizia justamente o contrário: ter adversários nesses cargos evitaria acomodações e geraria uma disputa para ver quem faria mais. E aí? São ideias adaptáveis, conforme os interesses do momento.

De todo modo, mesmo compreendendo, digamos assim, o apelo eleitoral dessas formulações, o mais incrível agora é ver governistas dizendo que a melhor forma de enfrentar a crise é manter no poder a mesma aliança que a produziu.