PT Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

PT

Cid mostra como fazer oposição

Por Wanfil em Política

19 de novembro de 2018

Cid Gomes – (Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil)

Em entrevista ao jornal o Estado de São Paulo, o senador eleito Cid Gomes (PDT) falou sobre a formação de uma frente de partidos que não sejam “nem oposição sistemática nem situação automática”.

Por oposição sistemática, entenda-se PT, que de acordo com Cid, tem “posição histórica” nesse sentido “quando não são eles no governo”. A proposta, resumindo, é criar um centro de oposição responsável, programática e suprapartidária, para fiscalizar e analisar as propostas e projetos do novo governo.

Sobre isso, dois pontos a observar. Primeiro, o PDT continua a bater mais no PT do que em Bolsonaro; segundo, a ideia deveria ser vir de inspiração para a oposição no Ceará, esvaziada na última legislatura pela cooptação descarada promovida pelos aliados PT e PDT (ainda parceiros no estado). De 14 deputados estaduais opositores eleitos na primeira gestão de Camilo Santana (PT), restaram apenas seis nessa condição ao final do mandato. MDB, PR e SD mudaram de lado. Agora, para a segunda gestão, foram eleitos oito para a oposição.

É isso. Sem uma estratégia para sobreviver, sem um plano de atuação que mantenha vivo o debate político, a oposição tende a ser engolida pela agenda oficial. Cid Gomes aponta um caminho para mobilizar atenções no Congresso. Por aqui, a oposição pode propor uma frente parlamentar que não seja “oposição sistemática” e que possa contar, eventualmente, com nomes que não sejam “situação automática”.

Se isso é bom para o Brasil, por que não seria para o Ceará?

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PDT e PT aprovam reforma da Previdência no Ceará. Manterão a coerência em Brasília?

Por Wanfil em Política

09 de novembro de 2018

Companheiros, cadê vocês? (Funcionários públicos do Ceará protestam contra a Reforma da Previdência em 2016) – Foto: Lyvia Rocha / Tribuna do Ceará

Sem alaridos ou polêmicas, passado o período eleitoral, a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou a reforma da Previdência estadual. Entre as mudanças estão a criação do teto para as aposentadorias do funcionalismo e a criação de um sistema complementar privado. A matéria é do interesse do Governo do Estado, administrado por um condomínio partidário liderado por PT, de Camilo Santana, e o PDT dos Ferreira Gomes.

Curiosamente, ao contrário do que acontece quando o assunto é a reforma da Previdência no Congresso Nacional, por aqui não houve protestos de partidos de esquerda e de sindicatos, nem mobilizações contrárias de grande visibilidade, muito pelo contrário, houve uma disposição incomum nessas organizações para a concordância e a compreensão na hora de negociar pontos do projeto. Ótimo.

Para disfarçar, os governistas estaduais e aliados dizem que as propostas estaduais são diferentes das federais, mas não é bem assim. Na essência são parecidas e motivadas por um mesmo princípio: o ajuste das contas públicas. Atualmente, segundo dados da Secretaria do Planejamento, o déficit previdenciário com o funcionalismo será de R$ 1,6 bilhões neste ano.  Não é questão de interpretação, mas de aritmética. O resto é espuma ideológica.

Resta ver agora como a bancada federal do Ceará, especialmente com deputados federais dos partidos que no estado bancaram a reforma da Previdência estadual, vai se posicionar em relação a reforma da Previdência em Brasília. O deputado estadual Renato Roseno, do PSOL, disse ao jornal O Povo que votou contra a matéria porque foi “contra a mesma medida em nível federal”. Essa postura não muda a realidade dos números, mas contempla uma questão de fundo que precisa ser considerada: a coerência entre o discurso e a ação.

Não é possível defender responsabilidade fiscal em casa e pregar o contrário na rua, só para ser contra o governo federal. Partidos que foram favoráveis à reforma previdenciária em nível estadual, juntamente com as entidades que controlam, estão obrigados, pelo menos moralmente, a manter a coerência quando o assunto for discutido na Câmara dos Deputados e no Senado. Não pode haver dois pesos e duas medidas.

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Após ataques ao PT, Cid procura Tasso

Por Wanfil em Política

07 de novembro de 2018

A escolha do substituto de Eunício Oliveira (MDB) na presidência do Senado, em fevereiro do ano que vem, já movimenta os bastidores da política em Brasília. Um dos nomes bem cotados entre senadores consultados pela imprensa é o do senador Tasso Jereissati (PSDB), em razão do perfil moderado, com credibilidade política e junto ao mercado e independente, seja em relação a oposição ou ao governo.

O Senado, diferentemente das assembleia legislativas, onde os governos estaduais praticamente nomeiam seus presidentes, possui uma dinâmica própria, que exige negociação e diálogo. Até agora Tasso não falou em candidatura. É cedo e o momento é de avaliação, de estudo, mas a lembrança espontânea indica que o tucano se mantém como uma das lideranças da Casa.

De certo modo, esse processo serve também de amostra para novos posicionamentos políticos que se desenham entre os partidos, com inevitáveis reflexos no Ceará.

O senador eleito Cid Gomes (PDT) procurou e foi recebido por Tasso na semana passada, informação revelada pelo portal Focus.Jor. Dias depois, Carlos Lupi, presidente do PDT, confirmou que uma frente de partidos de oposição pode apoiar o tucano para a presidência do Senado. Se isso ajuda ou atrapalha, ainda é cedo para dizer, mas o fato é que essa frente exclui o PT, que por sua vez apoia Renan Calheiros (MDB).

A busca de reaproximação com Tasso, mesmo que não resulte em aliança formal, revela mais uma vez o pragmatismo com que Ciro e Cid conduzem seu projeto político. Quando a Era Lula começou, ainda na campanha de 2006, Tasso foi isolado por ser oposição ao PT. Agora que o ciclo petista se encerrou, os irmãos, atualmente no PDT, voltam a procurar o ex-aliado. Pode ser a senha para, mais adiante, tentar pelo menos a neutralidade do PSDB em Fortaleza nas eleições municipais de 2020, com a estratégia de reduzir espaços da oposição. Se vai dar certo, só o tempo dirá.

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Quando o ministro Sérgio Moro vier ao Ceará…

Por Wanfil em Política

05 de novembro de 2018

Alvo de críticas de Camilo Santana, Sérgio Moro comandará o Ministério da Justiça e da Segurança Pública. (José Cruz/Agência Brasil)

Em julho deste ano, logos após a frustrada tentativa de soltar o ex-presidente Lula com uma canetada monocrática durante plantão judiciário no TRF-4, governadores do Nordeste – entre os quais, Camilo Santana – assinaram uma carta com críticas ao juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, a quem acusavam de “inaceitável parcialidade”, “desprezo pela organização hierárquica do Judiciário” e perseguição.

Sobre isso, um dia depois (10 de julho), fiz o seguinte comentário na Tribuna Band News Fortaleza (101.7): “Não é de interesse do Ceará que sua maior autoridade, em nome de interesses particulares, questione a lisura do poder judiciário“, lembrando que um colegiado na segunda instância confirmara a condenação de Lula, com base nos autos e nas provas colhidas nas investigações do MP e da PF. No mesmo comentário, alertei: “O PT, por sua vez, deveria poupar seus governadores desse constrangimento desnecessário, já que isso não muda o fato de Lula estar preso. O cargo de governador, afinal, não pertence a instâncias partidárias”.

Pois é. Quatro meses depois Sérgio Moro foi anunciado como futuro ministro da Justiça, na gestão do presidente eleito Jair Bolsonaro. A partir do ano que vem, qualquer apoio federal ao Ceará para a área da segurança pública terá que articulada junto ao ex-juiz da Lava Jato.

É claro que todos estamos sujeitos a contestações e críticas, mas a estratégia de centralizar críticas na figura de Moro não surtiu efeito e agora pode se mostrar particularmente constrangedora, já que o governador cearense tem repetido que uma melhora na segurança depende substancialmente de iniciativas federais. Do ponto de vista dos governadores lulistas, melhor teria sido acionar correligionários e parlamentares contra os adversários do partido e jamais usar o peso dos seus cargos executivos para entrar nessa seara.

Considerando os estilos de Sérgio Moro e Camilo Santana, muito dificilmente questões pessoais ou partidárias serão obstáculos para parcerias institucionais. Mas fica a lição: o mundo dá voltas. E será interessante observar como o governador e as autoridades estaduais que apoiam o governo petista receberão o futuro ministro a partir do ano que vem.

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Pós-eleição: Ciro já não vê fascismo e Camilo quer diálogo com Bolsonaro

Por Wanfil em Política

31 de outubro de 2018

Charles Darwin explica: “Só quem se adapta, sobrevive”. Na política, isso pode ser recuo, adesão ou trégua

Só o petismo fanático vai chamar os 60% do povo brasileiro de fascista. Eu não, de forma nenhuma.Ciro Gomes, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo desta quarta-feira.

É o mesmo Ciro que durante a campanha alertava para “o crescimento do fascismo“. Como o suposto fascismo no país pode crescer sem supostos fascistas é um daqueles mistérios que desafiam a lógica comum, mas que podem perfeitamente conviver com a política.

Parece contradição. Na verdade, é contradição. E mesmo assim, eis o segredo, tem lá a sua lógica. De olho em 2020 e depois em 2022, percebendo a onda conservadora, a hora é de trabalhar estratégias de adaptação para sobreviver. Descolar de forma contundente do petismo e assinalar uma trégua temporária com o novo governo federal são ações alinhadas com o mais puro darwinismo político.

Acredito que nós vivemos em uma federação, e que a relação institucional possa existir entre a Presidência da República e os estados brasileirosCamilo Santana, em matéria do jornal O Povo, antes de reunião com secretários na terça-feira.

Faz bem o governador cearense em pedir sobriedade e consciência institucional. É preciso lembrar, porém, que essa é uma via de mão dupla. Camilo deseja manter a frente de governadores do Nordeste, única região onde Fernando Haddad venceu, para conversar com o novo governo.

Em outras ocasiões, esse grupo de governadores do NE, junto com Minas Gerais, que nunca viu nada de errado com as refinarias de Dilma e com a recessão produzida em seu governo, divulgou cartas criticando a gestão Temer e tentou visitar Lula, para produzir factoide eleitoral. É bom evitar esse tipo de engajamento.

É óbvio que os interlocutores no Ceará com o governo federal irão mudar e isso exigirá habilidade e respeito de todos – situação e oposição. Não é preciso elogiar ninguém gratuitamente, mas convém não criar arestas desnecessárias, preservando o aspecto institucional na relação com a União.

A palavra que melhor lhe servirá de norte não é resistência, mas como apontam as palavras de Ciro, adaptação.

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Nem mimimi, nem oba-oba: um conselho a vencidos e vencedores na eleição

Por Wanfil em Eleições 2018

29 de outubro de 2018

(IMAGEM: Esdras Nogueira/Tribuna do Ceará)

Clichês são sínteses superficiais que procuram contornar qualquer aprofundamento sobre o objeto em análise. Agora mesmo todos falam em unificação do Brasil. O momento é de amenizar o clima, de pacificar os ânimos, de darmos as mãos e por aí vai. É um apelo bonito em nome da paz, mas que evita encarar a cisão de valores que separa apoiadores do presidente eleito Jair Bolsonaro, de eleitores do candidato escolhido por Lula, Fernando Haddad.

De todo modo, em certas circunstâncias, o clichê pode ter lá seus minutos de sabedoria. Se por um lado a concordância entre vencedores e derrotados sobre temas como política econômica e segurança pública é impossível, por outro lado o chamado à tolerância é importante alerta para a necessidade de dar tempo ao tempo, para assimilar os novos acontecimentos.

Pedir cautela agora não significa abdicar de convicções e diferenças, mas de entender que nas democracias representativas liberais, a alternância de poder é um pressuposto fundamental. Não é hora para o mimimi de quem não aceita a vontade da maioria dos eleitores que compareceram as urnas, nem de oba-oba dos que venceram a disputa, assumindo desafios monumentais para lá de preocupantes, como a redução nas taxas de homicídios e a volta do crescimento da economia.

A alternância no poder, com respeito aos espaços políticos da oposição, é uma das principais características da democracia. Aceitar a importância disso não impede o debate aberto sobre os graves problemas da nação, mas ajuda a encaminhá-los de forma racional, compreendendo que os ciclos de poder são naturais e que uma nova etapa se inicia. A eleição de Bolsonaro encerra um ciclo no governo federal iniciado em 2002 com a eleição de Lula, que por sua vez interrompeu outro ciclo comandado por Fernando Henrique Cardoso. É assim que funciona.

O momento agora, de parte a parte – perdão pelo clichê – é de amenizar os discursos eleitorais, de modo que as forças políticas possam  e organizar o planejamento para o próximo ciclo.

(Texto escrito originalmente para a cobertura especial do portal Tribuna do Ceará)

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Sem os Ferreira Gomes, Fernando Haddad veste azul no Ceará, mas o vermelho o persegue

Por Wanfil em Eleições 2018

22 de outubro de 2018

A semiótica me fascina e muitas vezes, como é comum em quem a aprecia, quando vejo uma imagem, fico a procurar signos e significantes organizados em sistemas deliberadamente produzidos ou criados ao sabor do acaso. Vejam essa foto de Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, em passagem pelo Ceará no último sábado (20).

Fernando Haddad, de azul, destoa em meio ao “mar vermelho” (FOTO: Ricardo Stuckert/Divulgação)


Azul X vermelho

Como todos sabem, o PT mudou a identidade visual da campanha para o segundo turno, adotando as cores utilizadas pela campanha do adversário, Jair Bolsonaro (PSL), na esperança de conquistar indecisos e moderados.

Pois bem, como é possível constatar na foto, por mais que Haddad tente escapar do vermelho, o vermelho insiste em segui-lo. O que é um pontinho azul em meio a uma multidão de bandeiras e camisas vermelhas na Praça do Ferreira? É Fernando Haddad.

Cadê os Ferreira Gomes?
Outra significação possível de extrair, não apenas dessa imagem, como de outras produzidas durante os eventos de sábado, é uma espécie de solidão, mesmo em meio a tanta gente.  Ciro e Cid Gomes (atualmente no PDT) – líderes do maior grupo político do Ceará e aliados dos governos petistas nas gestões de Lula e Dilma – definitivamente pularam fora da campanha.

Cid ainda distribuiu adesivos de Haddad em Sobral, pedindo votos para, palavras dele, “o menos ruim”. Isso uma semana após ter dito que o PT merecia perder a eleição. A ausência dos Ferreira Gomes preenche uma lacuna, como dizia Stanislaw Ponte Preta.

Antipetismo e autopreservação
Matutar com imagens é bom para estimular conexões. Foi então que li, no mesmo dia, números de uma pesquisa do Datafolha mostrando que o antipetismo é realmente a maior força destas eleições. Basta ver que apenas 1% dos eleitores de Bolsonaro votam nele por rejeitarem Fernando Haddad. Outros 69% são declaradamente contrários ao PT ou a valores relacionados por eles ao petismo, como corrupção.

Esta não é a primeira eleição que Lula e o PT atrapalharam a campanha de Ciro Gomes. Das outras vezes, os Ferreira Gomes não romperam por puro pragmatismo: os petistas tinham alta popularidade e controle da máquina federal. Agora o sinal mudou. Ciro e Cid são hábeis leitores dos movimentos políticos e muito antes de qualquer pesquisa já sentiram as mudanças de humor no eleitorado. Por isso, não foi só por ressentimento que se afastaram do partido, sem tirar nem sequer uma foto com Haddad no Ceará. É também, e principalmente, por senso de autopreservação.

Realmente uma imagem pode dizer mais que mil palavras.

(Texto publicado originalmente para o Portal Jangadeiro – especial eleições)

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Camilo nega rompimento, mas endossa fala de Cid: “Eu também sempre fui um crítico”

Por Wanfil em Eleições 2018

17 de outubro de 2018

(FOTO: Divulgação/Facebook/Camilo Santana)

Buscando conter o estrago dos ataques que Cid Gomes fez ao PT em reunião pró-Haddad, na última segunda-feira (15), em Fortaleza, o governador Camilo Santana disse que a seu ver não existe possibilidade de rompimento do PT com o PDT no Ceará.

Sobre as cobranças do senador eleito pelo PDT e seu padrinho político, que deram munição para Jair Bolsonaro (PSL), Camilo Santana afirmou, segundo o jornal Valor Econômico, que o “desabafo” de Cid não é motivo para inviabilizar a aliança, “até porque eu também sempre fui um crítico e dei declarações no sentido de que era importante o PT reconhecer alguns erros que foram cometidos”.

É verdade, porém, o tom dos pedidos de autocrítica do governador nunca foi, evidentemente, hostil. Já a contundência, a forma agressiva e o momento (em pleno segundo turno) escolhido por Cid correspondem sim, no conjunto, a um rompimento. É inegável que a relação entre as direções nacionais do PT e do PDT azedou de vez.

A entrevista foi concedida em Brasília, após reunião para destravar recursos com o senador Eunício Oliveira, do MDB, que acabou derrotado em sua campanha à reeleição, mesmo com o apoio do governador, pois não contou com o engajamento do grupo político liderado por Cid.

Camilo age com cuidado para preservar sua base de apoio, porém, ao dar razão a Cid nesse episódio, afaga o PDT por um lado, mas por outro deixa as lideranças do PT cearense, que optaram por não responder os ataques para não prejudicar Haddad, em posição constrangedora.

O certo é que diante de tantas arestas, quanto mais falam, mais se complicam. A roupa suja entre PT, PDT e MDB no Ceará será lavada depois da eleição.

(Texto produzido para o Portal Tribuna do Ceará)

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Cid mira no PT e acerta em Camilo Santana: “Só foi governador porque o PDT apoiou!”

Por Wanfil em Eleições 2018

16 de outubro de 2018

Cid Gomes cobrou o apoio dado para eleger Camilo Santana (FOTO: Reprodução)

O discurso em que Cid Gomes, senador eleito pelo PDT, esculhamba o PT e os petistas durante evento de apoio a Fernando Haddad, em Fortaleza, ganhou repercussão nacional. A cobertura foca o ressentimento dos pedetistas com Lula e o PT (assunto que tratei em outro artigo no final de semana: PT e PDT se estranham: em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão), deixando escapar um aspecto local de grande relevância para os cearenses. É que ao mirar no PT, Cid humilhou o governador reeleito Camilo Santana, petista e anfitrião do encontro realizado na noite desta segunda-feira (16), no hotel Marina Park.

Depois de dizer que o PT merecia perder por não se desculpar pelas “besteiras” que fez, referência eufemística aos crimes cometidos pelo partido, Cid criticou a natureza hegemônica do petismo e se colocou como contraponto vivo dessa prática: “Nós sempre fomos democratas. Nós nunca quisemos ser hegemônicos. Nós sempre compartilhamos o poder. Quer prova maior? Eu votei no PT em Sobral!”.

Continuando com o que seriam exemplos de renúncia em benefício do PT, disparou:

“O Camilo só foi governador – com todos os méritos que ele tem, porque também não teria escolhido se não tivesse talento, se não tivesse competência, se não fosse amigo do povo – porque o PDT, compreendendo momentos políticos e sem ser partido hegemônico, apoiou a candidatura do Camilo”.

Na verdade, ao cobrar publicamente a eleição e a reeleição de Camilo, diminuindo a autoridade do governador diante da própria base aliada, Cid expressou uma compreensão particular de hegemonia, em que aliados são colocados em cargos eletivos por uma espécie de concessão política do seu grupo familiar. O recado foi claro: quem manda é quem tem voto.

O deputado federal petista José Guimarães disse no Twitter que “acabou a liança no Ceará”. Depois apagou a postagem, mas o registro já estava feito. E Camilo, como reagiu? Cid deixou o palanque sem anunciar formalmente apoio a Haddad. Logo depois o governador foi chamado para discursar e mandou ver:

“Boa noite! Tá um calor danado aqui, não tá. Quem tá com calor aí levanta o braço! (…) Queria cumprimentar e agradecer a presença de todos pedindo uma salva de palmas a todos vocês que estão aqui: prefeitos, prefeitas, vice-prefeitos prefeitos, vereadores, lideranças, deputados estaduais e deputados federais. (…) E queria cumprimentar o nosso senador Cid Ferreira Gomes, o senador mais votado proporcionalmente no País”.

Já imaginou alguém fazendo o mesmo quando Cid era governador? O fato é que agora Camilo terá que decidir entre PT e PDT. Não precisa romper, mas um posicionamento é inevitável. O governador, ao seu estilo conciliador, disse entender Cid, ressaltando que o momento é de união. Não é, definitivamente, o que Cid pensa sobre a relação entre seus partidos. Fingir que nada aconteceu, dizer que nem concorda e nem discorda, fragiliza a posição de quem precisa mostrar, por força do cargo, liderança e brilho próprio.

(Texto publicado originalmente no Portal Tribuna do Ceará)

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PT e PDT se estranham: em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão

Por Wanfil em Eleições 2018

13 de outubro de 2018

PT (?) e PDT – (FOTO: Divulgação)

O PT sabotou a candidatura de Ciro Gomes, atualmente no PDT, no início do ano, quando os partidos montavam suas coligações. Agora o PDT e o próprio Ciro Gomes, de férias na Europa, lavam as mãos no segundo turno e declaram um distante “apoio crítico”.

Magoados, petistas graúdos vazaram para o jornal o Estado de São Paulo que o PDT teria condicionado o engajamento na campanha de Fernando Haddad a cargos: três ministérios, o BNB e a presidência do Senado para Cid Gomes. O pedido teria sido negado.

Os pedetistas negam. O deputado federal pelo Ceará André Figueiredo disse ao portal Focus.jor que a informação é falsa, acusando ainda o PT de ser irresponsável  e safado. Isso bem no momento em que o governador Camilo Santana, petista que não se veste de vermelho, tenta motivar sua base aliada na campanha de Haddad. Base que é majoritariamente composta, não custa lembrar, por prefeitos e parlamentares do… PDT!

PT e PDT precisam discutir a relação o quanto antes, mas isso acaba sendo dificultado pela iminente derrota do candidato petista, caso estejam corretas as pesquisas, que mostram ampla vantagem para Jair Bolsonaro, do PSL. Nesse ambiente, ressentimentos guardados começam a aflorar com mais força.

Em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão. Na política, em casa sem expectativa de poder, todos brigam e todos têm razão.

(Texto publicado originalmente para o Portal Tribuna do Ceará)

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PT e PDT se estranham: em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão

Por Wanfil em Eleições 2018

13 de outubro de 2018

PT (?) e PDT – (FOTO: Divulgação)

O PT sabotou a candidatura de Ciro Gomes, atualmente no PDT, no início do ano, quando os partidos montavam suas coligações. Agora o PDT e o próprio Ciro Gomes, de férias na Europa, lavam as mãos no segundo turno e declaram um distante “apoio crítico”.

Magoados, petistas graúdos vazaram para o jornal o Estado de São Paulo que o PDT teria condicionado o engajamento na campanha de Fernando Haddad a cargos: três ministérios, o BNB e a presidência do Senado para Cid Gomes. O pedido teria sido negado.

Os pedetistas negam. O deputado federal pelo Ceará André Figueiredo disse ao portal Focus.jor que a informação é falsa, acusando ainda o PT de ser irresponsável  e safado. Isso bem no momento em que o governador Camilo Santana, petista que não se veste de vermelho, tenta motivar sua base aliada na campanha de Haddad. Base que é majoritariamente composta, não custa lembrar, por prefeitos e parlamentares do… PDT!

PT e PDT precisam discutir a relação o quanto antes, mas isso acaba sendo dificultado pela iminente derrota do candidato petista, caso estejam corretas as pesquisas, que mostram ampla vantagem para Jair Bolsonaro, do PSL. Nesse ambiente, ressentimentos guardados começam a aflorar com mais força.

Em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão. Na política, em casa sem expectativa de poder, todos brigam e todos têm razão.

(Texto publicado originalmente para o Portal Tribuna do Ceará)