PSB Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

PSB

Ibope: a Capital entre o prefeito e o Capitão

Por Wanfil em Pesquisa

15 de setembro de 2016

A segunda pesquisa do Ibope para as eleições em Fortaleza, divulgada ontem pela Verdes Mares, mostra empate técnico, no limite da margem de erro de 3 pontos, entre o prefeito Roberto Cláudio e o deputado estadual Capitão Wagner. Na comparação com o primeiro levantamento, de 22 de agosto, temos a seguinte evolução dos cinco primeiros colocados:

Roberto Cláudio (PDT) – de 29% para 34%
Capitão Wagner (PR) – 21% para 28%
Luizianne Lins (PT) – 18% nas duas pesquisas
Heitor Férrer (PSB) – 9% para 7%
Ronaldo Martins (PRB) – 4% para 3%
Outros (PSOL, PSTU, PHS) – 4% para 1%
Brancos/nulos – 10% para 7%
Não sabe/não respondeu – 5% para 2%

É o seguinte: faltando pouco mais de duas semanas para as eleições, Roberto Cláudio e Capitão Wagner apresentam curvas ascendentes. Luizianne estaciona. Com 40% de rejeição, a petista está próxima do seu teto. Como não cai, tudo indica que é o eleitor cativo do PT. O desempenho dela é o fiel da balança para a provável realização de um segundo turno. Férrer, Martins e indecisos oscilaram negativamente, mas dentro da margem de erro. Desse cenário, podemos concluir:

1 – Os indecisos e eleitores que mudaram de voto se dividiram entre RC e Wagner, com vantagem para o candidato de oposição, que cresceu 7 pontos, contra cinco do prefeito;

2 – Capitão Wagner deixa o empate técnico com Luizianne e marca empate com o prefeito, movimento que acende a luz amarela na campanha do candidato à reeleição;

3 – A dinâmica dos números mostra que Capitão Wagner deve manter a estratégia que alterna criticas a atual gestão e o discurso biográfico para aproximação com o eleitorado. Já Roberto Cláudio precisa desconstruir o rival que o ameaça e que tem a menor rejeição entre os eleitores: 18% contra 24% do prefeito. A questão é como fazer isso. Assessores e comissionados ligados à sua campanha já sinalizam ataques pessoais ao candidato do PR, o que revela um estado de ânimo tenso. Segundo os manuais de marketing eleitoral, bater demais, ou bater errado, pode ser fatal.

A Capital está, nesse momento, entre o prefeito e o Capitão.

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Impressões sobre o primeiro debate em Fortaleza: as estratégias dos favoritos

Por Wanfil em Eleições 2016

25 de agosto de 2016

Candidatos à Prefeitura de Fortaleza fizeram o primeiro debate eleitoral, promovido pela TV Cidade, nesta quarta-feira (24). É comum que eleitores com posição definida entenderem que seus candidatos venceram o debate, mas como o alvo deles é justamente aqueles que ainda irão se decidir, o evento serve para marcar posição e estabelecer uma imagem.

Desse modo, o que se viu foi o seguinte, por ordem de colocação nas pesquisas:

Roberto Cláudio (PDT) – Como era de se esperar, foi o alvo principal, afinal, é o atual prefeito. Enfatizou realizações de sua gestão, usando expressões como “a maior da História de Fortaleza” ou “pela primeira vez” (bem ao estilo Ferreira Gomes), focando na imagem de realizador moderno. Reconheceu problemas na área da Saúde, pontuando em seguida “que nunca se investiu tanto no setor”.

Capitão Wagner (PR) – Procurou ser propositivo, falando em projetos batizados com nomes de apelo popular, como o “Raio Municipal”. Fez críticas ao governo Roberto Cláudio sem ataques pessoais. Trabalha a imagem de candidato equilibrado mais preocupado com as pessoas do que com os adversários. Diversas vezes disse que não queria dividir, mas unir.

Luizianne Lins (PT) – A ex-prefeita partiu para o ataque contra Roberto Cláudio, dizendo que as ações da atual gestão foram planejadas quando ela governou a cidade, inclusive a captação de recursos. Abusou do tom irônico. O objetivo foi polarizar a disputa entre os dois. Provocado, o prefeito respondeu sem perder a calma e chegou a dizer que não iria polemizar, dando a entender que não entraria no jogo proposto pela adversária.

Heitor Férrer (PSB) – Começou bem, especialmente ao falar de saúde como prioridade. Depois foi mais comedido, como quem pretende comer pelas beiradas. No final, disse que irá reduzir em 50% os fotossensores na capital, visando provavelmente o eleitor de classe média, onde obteve melhor votação nas últimas eleições.

Ronaldo Martins (PRB) – Falou como pastor e insistiu na tecla de que suas propostas foram registradas em cartório. Desenvolto na gesticulação, parece seguir a estratégia de usar a disputa para ficar conhecido.

Tin Gomes (PHS) – Coadjuvante, foi basicamente neutro. Se trabalha como força de apoio para outra candidatura, só adiante isso se revelará.

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Debate Jangadeiro: as estratégias na reta final

Por Wanfil em Eleições 2014

02 de outubro de 2014

Debate JangadeiroO debate realizado pelo Sistema Jangadeiro refletiu o clima desse final de campanha. Via de regra, ocasiões específicas costumam reproduzir o panorama geral na qual estão inseridas. Se uma campanha ataca um oponente de forma dura, qualquer debate que aconteça sob o efeito dessa ação será igualmente conflituoso; se o embate acontece quando os ânimos estão mais comedidos, a tendência é que seja menos agressivo. É uma tautologia, é verdade, mas serve para mostrar que nada é improvisado e os movimentos são calculados antes de qualquer execução.

O momento mais agudo da campanha para o governo do Ceará aconteceu entre o final da semana passada e o início desta, com o surgimento do escândalo dos “banheiros fantasmas” e a consequente troca de acusações entre Eunício Oliveira, do PMDB, e Camilo Santana, do PT, que lideram as pesquisas. Com o fim da propaganda eleitoral no rádio e televisão, a intensidade dessa etapa foi reduzida, pelo menos publicamente.

Assim, como o debate do Sistema Jangadeiro foi último confronto direto entre os candidatos nessa campanha, a maior preocupação dos participantes foi não errar.

Favoritos reforçam discursos
Os favoritos trataram de reforçar suas estratégias de comunicação. Camilo Santana, do PT, se apresentou como continuidade do projeto liderado pelo governador Cid Gomes. Nessa condição, aproveitou mais uma vez qualquer para apresentar números oficiais cuidadosamente escolhidos, com a intenção de mostrar que a atual administração é um sucesso absoluto.

Por outro lado, Eunício Oliveira, do PMDB, afirmou que é possível sim melhorar a gestão, principalmente nas áreas em que o governo é mais reprovado pela população, notadamente segurança pública e saúde. Apresentou-se então como gestor experiente e de sucesso nos setores privado e público, capaz de colocar ordem na casa.

Desconstrução
Já Eliane Novais, do PSB, e Ailton Lopes, do Psol, buscaram novamente desconstruir os discursos principais candidatos, no papel de polemizadores do debate. Como a chance de vitória dessas candidaturas é praticamente impossível, a intenção parece ser demarcar espaço como forças de oposição ao futuro governo, ganhe quem ganhar. Política de longo prazo.

Agora é com o eleitor
A bola agora está com o eleitor, que terá três dias para fazer um balanço do que viu na campanha, trocar impressões com outros eleitores, avaliar as posturas candidatos e comparar históricos. Ah, também é a hora das autoridades responsáveis pela lisura do pleito mostrarem serviço para conter eventuais abusos.

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Eliane Novais para o blog: ‘Marina Silva sabe quem são os Ferreira Gomes’

Por Wanfil em Entrevista

18 de agosto de 2014

A morte Eduardo Campos e a confirmação informal de Marina Silva como nova candidata do PSB à Presidência da República deu vazão a inúmeras especulações. Após o choque inicial, os diretórios estaduais da sigla começam a reorganizar suas atividades e a refazer planos.

No Ceará, as diretrizes e a postura de campanha seguem as mesmas, de acordo com a candidata do PSB ao Governo do Estado, Eliane Novais, com quem conversei nesta segunda. A expectativa é que a mudança possa, inclusive, repercutir nas pesquisas.

“O Datafolha já mostra que ela parte com 21%. As pessoas reconheceram que Eduardo era a pessoa que poderia mudar o Brasil e sabem que Marina segue esse projeto. Quando conversamos na Expocrato, na última visita do Eduardo, ela disse que via muito potencial na nossa candidatura. Então, a expectativa é a melhor possível, dentro das circunstâncias, pois nós somos a verdadeira mudança no Ceará. Por isso vamos para o segundo turno”.

Sobre o PSB estadual, perguntei se a ausência de Eduardo Campos, que era presidente nacional do partido, mudava alguma coisa em relação ao Ceará, uma vez que Marina Silva e Ciro Gomes foram ministros no governo do ex-presidente Lula, e se isso poderia acenar para uma reaproximação no futuro. Como todos sabem, os Ferreira Gomes deixaram o PSB em 2013 para apoiar a reeleição de Dilma Rousseff, após romper com Eduardo Campos, que defendia candidatura própria defendido, em processo turbulento. Eliane foi taxativa na resposta:

“Não há essa possibilidade! Somos oposição no Ceará e isso não muda. Marina sabem quem eles são. Desde que romperam com o Eduardo, os Ferreira Gomes passaram a ser vistos como adversários pelo PSB e pela coligação. Continuamos com a mesma postura de sempre. Olha, ainda bem que o Eduardo botou esse pessoal pra fora. Imagina como ia ser?”.

No terreno movediço das hipóteses, de acordo com o jornal Valor Econômico, comenta-se nos bastidores de Brasília que se tivesse ficado no PSB, Ciro poderia ser o novo candidato do partido. É também impossível saber agora se e quanto Marina poderá impulsionar a candidatura de Eliane Novais. Como dizem os historiadores, não existe a História do que poderia ter sido, mas somente aquela que se realiza de fato. Assim, aguardemos.

Leia também: Mas afinal, o que seria essa terceira via de Marina?

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Mas afinal, o que seria essa terceira via de Marina?

Por Wanfil em Ideologia

18 de agosto de 2014

A terceira via, de Anthony Giddens, foi a base de um novo pensamento de esquerda. Não basta criar um slogan, é preciso ter substância.

Não basta criar um slogan, é preciso ter substância.

Com a morte de Eduardo Campos, a vice da chapa, Marina Silva, deve mesmo ser confirmada como candidata à Presidência da República pelo PSB. Em pesquisa do instituto  Datafolha, encomendada pelo jornal Folha de São Paulo, ela aparece empatada com Aécio Neves (PSDB) em simulação de primeiro e com Dilma Rousseff (PT) no segundo. Naturalmente, a comoção com a tragédia ajudou a candidata, já bem conhecida do eleitor. O que não falta é análise sobre esses números.

Todavia, o que interessa aqui é uma questão tida como acessória por muitos, mas que vejo como essencial: o conteúdo. Marina assume agora a imagem de ‘terceira via’ pregada por Eduardo Campos, apresentada como alternativa à polarização entre PT e PSDB. Mas qual a substância desse posicionamento? O que seria essa ‘terceira via’ , fora a condição óbvia de uma opção a mais nas urnas?

A expressão ‘terceira via’ não é novidade. Nasceu com o Partido Trabalhista da Inglaterra no final dos anos 80 e início dos 90 do século passado. Basicamente, foi a reformulação de teses de esquerda pela social-democracia europeia, para enfrentar o domínio filosófico e eleitoral dos liberais, que dominava o cenário político com os republicanos liderados por Ronald Reagan nos EUA e os conservadores de Margareth Thatcher na Inglaterra. A reação foi o surgimento da esquerda ‘ligth’, ou ‘soft’, ou ainda ‘rosa’, que procurava conjugar progressismo com economia de mercado, sem reduzir o poder do Estado.

Li há muitos anos o livrinho A terceira via, do sociólogo Anthony Giddens, um dos principais nomes dessa corrente, ministro do premiê britânico Tony Blair, seu maior expoente ao lado de Bill Clinton nos EUA, seguido por Nelson Mandela na África do Sul e Fernando Henrique Cardoso no Brasil. (Carlos Menem tentou surfar nessa onda, mas a dolarização da Argentina expôs seu caudilhismo). Era a nova esquerda procurando se reinventar. Para isso, precisou incorporar (e explicar teoricamente, com fundamentação) preceitos do liberalismo. A esquerda jurássica protestou, vendo na terceira via, com razão, a capitulação das fracassadas economias planificadas. Adeus, Marx! A meu ver, a tese de Giddens foi uma forma envergonhada que esquerdistas moderados encontraram para dizer que existe valor social no capitalismo, sem precisar se converter ao liberalismo.

Resumindo, a terceira via defende o Estado Justaposto (ou Estado Necessário), em contraposição ao Estado Máximo (de esquerda) e ao Estado Mínimo (de direita). Seria a combinação de ortodoxia fiscal com assistência social. Tudo, como sempre é no caso das ideias abstratas, muito bonito. Foi desse papo que nasceu, por exemplo, as políticas compensatórias na Inglaterra, que aplicadas no Brasil deram luz às famosas bolsas assistenciais, que se tornariam depois assistencialistas. A terceira via foi o embrião do Bolsa Família, importado pelo PSDB e copiado pelo PT.

Pois é. Boa parte da galera que bate palmas para Marina vendo ali um ideal consistente, nem sabe que “terceira via”, para ela, é sinônimo de “neoliberalismo”, pois nessa época a candidata do PSB, que na verdade luta para criar um novo partido, a Rede Sustentabilidade, era filiada ao PT.

Como a “terceira via” de Marina pretende enfrentar o dilema de uma economia com baixo crescimento, repique inflacionário, baixa poupança e desequilíbrio fiscal? O que ela propõe de diferente de PT e PSDB? Provavelmente nem a candidata saiba responder essas questões. É preciso apresentar algum estofo teórico para sustentar o discurso. Sem isso, a “terceira via” do PSB não passa de um mote vazio de sentido.

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O PROS é pró, pô! O resto é papo

Por Wanfil em Partidos

02 de outubro de 2013

Tá sem partido? Precisa de uma legenda que se molde às suas necessidades do momento? Seus problemas acabaram!

Tá sem partido? Precisa de uma legenda que se amolde às suas necessidades do momento? Seus problemas acabaram!

Você já ouviu falar no Partido Republicano da Ordem Social, o PROS? Na sopa de letrinhas do partidarismo brasileiro, é mais uma sigla de conveniência, criada na semana passada sabe-se lá por quem para servir sabe-se lá a quais interesses. Certo mesmo é que o PROS será a maior força política do Ceará, no comando do governo estadual, da Prefeitura de Fortaleza e da presidência da Assembleia Legislativa.

Sem saída e sem programa

É que o grupo político liderado pelo governador Cid Gomes não teve alternativa senão desembarcar no PROS, depois que se viu obrigado a sair do PSB. A decisão foi anunciada durante encontro realizado na noite desta terça-feira (1), após uma semana de suspense. Na prática, pelos discursos proferidos na ocasião, o PROS agrada por oferecer segurança jurídica e razoável liberdade de organização no estado, podendo ser construído à imagem e semelhança dos seus novos filiados.

É isso. Por não ter identidade própria, o partido configura uma oportunidade, quase um alento, aos olhos de quem se vê pressionado pela falta de alternativas. É mais ou menos assim: agora que a sigla foi criada, seu programa será construído. Coisas do Brasil.

É pró, é bom!

Diante da incógnita que é essa nova legenda, é certo ainda que o PROS, como explicou o deputado Zezinho Albuquerque, é pró!, condição ideal para quem não abre mão do compromisso de trabalhar pela reeleição da presidente Dilma, como é o caso dos cidistas.

Na verdade, o encontro serviu mesmo para ratificar uma escolha imposta pelas circunstâncias. O anúncio de que o representante e presidente do PROS no Ceará será Danilo Serpa, chefe do Gabinete do Governador, mostra que as articulações já estavam avançadas, acertadas mesmo, desde antes da reunião.

Novo arranjo

O golpe da saída do PSB parece ter sido assimilado pelo governo e a ordem agora é reorganizar os colégios eleitorais em função do novo arranjo partidário. É tudo mudando, para continuar como estava.

Esse foi meu comentário desta quarta-feira na coluna Política da rádio Tribuna BandNews FM 101.7

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Dissidentes do PSB no Ceará ensinam como procurar um novo partido

Por Wanfil em Partidos

27 de setembro de 2013

A segunda reunião para definir o destino do grupo político ligado ao governador Cid Gomes, realizada na noite de ontem com a presença de parlamentares e prefeitos dissidentes do PSB, acabou, mais uma vez, sem definição. Outra reunião ficou acertada para a próxima terça-feira (01/10). O prazo para uma decisão é curto e termina na sexta-feira (04/10) da semana que vem.

Os meios que (des)qualificam o fim

De concreto, Cid adiantou que o grupo seguirá em bloco para uma nova sigla e que o PT não é alternativa viável. Entre as opções em análise estão PP, PDT, PC do B, PSD e o recém-fabricado PROS. A ordem é buscar aquele que ofereça maior segurança contra questionamentos jurídicos e possíveis prejuízos aos aliados que exercem mandato.

Questões como ideologia, valores e princípios ficam, portanto, em segundo plano, diante das conveniências eleitorais do momento, como é muito comum no Brasil e no Ceará em especial, onde manadas de políticos sempre vivem a seguir seus chefes de um lado para o outro. Raro mesmo é ver uma confissão explícita nesse sentido, feita não por um impulso de denúncia, mas pela assimilação do oportunismo como prática normal e perfeitamente aceitável.

Em busca do tempo perdido

A estratégia de alimentar especulações para em seguida, aos poucos, ir desmentindo os boatos, prolongando assim o suspense geral, resulta, por um lado, das dúvidas a respeito das consequências de uma mudança de partido feita às pressas e na última hora, e por outro, da necessidade de ganhar mais tempo para ver como atuam outras forças políticas.

Nova pesquisa

Sobre isso, a nova pesquisa do instituto Ibope sobre a corrida presidencial, divulgada também ontem, pode servir para justificar a saída de Cid e sua turma do PSB, já que Dilma aparece na liderança com 38% das preferências, enquanto Eduardo Campos fica com apenas 5%.

No entanto, isso não basta pra resolver as questões internas que afligem os governistas no Estado. Na verdade, fortalece o PT e o PMDB, aliados de Cid que podem lançar candidaturas próprias e se transformarem em seus maiores adversários. Mas nada é certo ainda.

Com tanta indefinição, resta mesmo esperar cenas dos próximos capítulos.

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PSB no Ceará: Como confiar em quem muda demais?

Por Wanfil em Partidos

25 de setembro de 2013

A reunião da executiva do PSB do Ceará para decidir se o grupo ligado ao governador Cid Gomes sai ou fica na legenda, realizada às pressas na noite de terça, acabou sem definição. Cid, que é o presidente estadual da sigla, afirma que fica no partido se a executiva nacional permitir que seus filiados aqui no estado possam fazer campanha para a reeleição de Dilma Rousseff, do PT. Como é? Declarar apoio a candidatura de outro partido contra o seu próprio, já que o PSB deve ir de Eduardo Campos em 2014, é mais do que pedir para sair. Tem caroço debaixo desse angu.

Mais tempo

A expectativa geral no meio político e na imprensa era a de que Cid anunciasse a saída do partido, uma vez que pairava no ar uma suposta ameaça de intervenção nacional no diretório estadual.

Na verdade, pelas conversas que tive com alguns parlamentares do PSB, é possível dizer Cid tem dois objetivos imediatos. Um é ganhar tempo para articular mais até a quinta-feira, pois as negociações (e as especulações) estão intensas. Há uma dúvida sobre o posicionamento dos demais governadores do PSB, que sofrem pressão do governo federal para não endossar a candidatura própria do partido.

Cid poderia levar um ou outro com ele e assim enfraquecer o palanque de Campos. Outro é enviar um recado para a própria Dilma, valorizando o próprio “sacrifício”, o que aumentaria a necessidade de uma compensação à altura.

O que é um partido?

Como é bastante improvável que Cid permaneça no PSB e acabe orientando seus aliados a migrarem para o tal de PROS, o mais novo partido de aluguel da praça, a reunião pode ser resumida como “a volta dos que não foram”. Iam sair, disseram que ficam, mas deverão partir. A próxima reunião será “a saída dos que não chegaram”. Sim. O grupo político de Cid e Ciro é contumaz praticante da arte de mudar de partido: PDS (hoje DEM), PMDB, PPS (ex-PCB) e PSB.

Em tese, partidos deveriam representar um conjunto de valores e princípios que, reunidos, deveriam embasar uma série de propostas de intervenção na realidade social e econômica de uma sociedade. Assim, mudar de sigla significaria adotar uma nova postura diante do mundo após um profundo exame de consciência. Acontece e pode ser mesmo sinal de evolução de um indivíduo.

Acontece que, na prática, essas agremiações são usadas e descartadas ao sabor das circunstâncias por políticos movidos apenas por um princípio: a sede de poder.

Quem confia em quem muda demais?

É claro que podem existir problemas internos, disputas, essas coisas. Mas a mudança constante revela mesmo a prevalência de projetos particulares sobre os ideais partidários.

Com o tempo, esse excesso retroalimenta a fragilidade do grupo dentro de partidos, pois acaba construindo uma imagem de inconsistência e falta de confiabilidade que desperta a desconfiança de seus correligionários.

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Domingos Filho sai do PMDB – Ou: Meu partido é um coração partido

Por Wanfil em Política

17 de setembro de 2013

Cazuza: "Ideologia, eu quero uma pra viver". A não ser que você seja uma liderança partidária...

Cazuza: “Ideologia, eu quero uma pra viver”. A não ser que você seja uma liderança partidária…

O vice-governador Domingos Filho decidiu sair do PMDB para buscar abrigo em um novo partido que, de acordo com o noticiário, será escolhido conforme a orientação do governador Cid Gomes. Nada a ver, portanto, com convicções ideológicas ou com lealdade a princípios, mas somente com as conveniências par a próxima eleição.

Nada disso representa constrangimento algum para a maioria dos políticos, pois eles sabem – e tiram proveito disso – que o brasileiro não vota em partido ou em programa partidário; sabem que o brasileiro vive da eterna busca por um salvador da pátria, pelo líder carismático, seduzido pela promessa redentora e a ilusões fáceis, sempre esperançosos da caridade governamental.

Domingos Filho saiu do PMDB porque seu projeto pessoal não converge com o projeto pessoal de Eunício Oliveira, candidato de si mesmo à governo do Ceará, contra quem quer que seja o escolhido de Cid (incluindo nessa lista de possíveis candidatos o próprio Domingos Filho).

Partido do coração

Uma pesquisa do Ibope divulgada no começo do ano mostrava que 56% dos brasileiros não têm preferência por partido algum (imagino que após os protestos de junho esse número tenha aumentado). Em 1988, esse índice  era de 38%. Foi nessa época, há 24 anos, que o cantor e compositor Cazuza gravou a música IdeologiaMeu partido / É um coração partido / E as ilusões / Estão todas perdidas / Os meus sonhos / Foram todos vendidos / Tão barato / Que eu nem acredito / Ah! eu nem acredito…

Nesse tempo, muitos intelectuais ainda acreditavam que existiam partidos que, por causa da ideologia professada, seriam puros por natureza. Hoje como sabemos, o ceticismo de Cazuza estava certo.

Decepção

O número de pessoas que não acreditam em partidos no Brasil cresceu e agora expressa a maioria porque aos otários do passado, somaram-se os cínicos (no sentido filosófico da expressão) e incrédulos em geral do presente. Nos dias que correm, o otimista político não passa de um militante a serviço de algum projeto eleitoral.

No Ceará, não é diferente. O PMDB é o que é no resto do, uma colcha de retalhos feita de interesses paroquiais; o PSDB cresceu e depois murchou na mesma ordem em que chegou e saiu do poder; o PSB trilha o mesmo caminho dos tucanos, subjugado por uma família de políticos; o PT desistiu de seu projeto para aderir ao coro dos contentes. Sem contar as siglas de aluguel.

Na mesma canção, Cazuza dizia: “Ideologia, eu quero uma pra viver!”. Era o apelo derradeiro à esperança. Se pudessem responder na mesma moeda, a maioria dos líderes partidários cantariam alegremente: “Ideologia, eu não preciso de uma para vencer”.

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Cid Gomes e o socialismo caviar do PSB cearense

Por Wanfil em Ceará, Ideologia

14 de agosto de 2013

Durante alguns anos guardei alguma desconfiança sobre a adesão de Cid e Ciro Gomes à social democracia e depois ao socialismo. Seria convicção ou conveniência? Mas nada como a prova do tempo para esclarecer certas dúvidas. Hoje tenho certeza absoluta que se trata dos mais genuíno socialismo, não apenas como ideal utópico, mas como prática experimentada na vida cotidiana.

Não há líder socialista no mundo que, uma vez no poder, ao mesmo tempo em que critica a burguesia e os capitalistas e jura fidelidade aos pobres, adere sem crise de consciência aos hábitos de consumo e ao estilo de vida dessas mesmas elites.

Mansões, joias, carros de luxo, viagens em jatos, hotéis caríssimos, roupas de marca, entre outros mimos, estão na lista dos desejos que invariavelmente, excetuando-se talvez o atual presidente do Uruguai, faz a alegria desses combatentes da exclusão e da desigualdade social.

Assim, não há surpresa em saber que o Governo do Estado do Ceará firmou contrato de um ano com um buffet, ao custo de quase três milhões e meio de reais, para despesas com comidas para festas e solenidades, o que equivale a aproximadamente R$ 10 mil reais por dia.

Muito provavelmente o governador não acompanha essas miudezas, mas é evidente que quem autoriza esses contratos respeita uma concepção de poder. O gabinete do governador pode até dispor dos devidos meios para promover eventos requintados, tudo dentro da lei, no entanto, são gastos que chocam pelos contrastes que suscitam: o Estado que banca jantares refinados, festas suntuosas, viagens turísticas e shows milionários é o mesmo onde a penúria e a necessidade extrema castigam as vítimas da seca.

Ser perdulário com o dinheiro alheio não é pensar grande, como imaginam os nossos governantes, é sinal de miudeza, de deslumbre que encobre um mal disfarçado complexo de inferioridade. Esse estado psicológico, bem como a prática de ceder aos encantos do consumo de bens e serviços de alto padrão e valor às custas de terceiros foi maravilhosamente demonstrado por George Orwell em A Revolução dos Bichos, quando os porcos lideram uma revolta contra os humanos, para depois tomar-lhes o lugar na sede da fazenda, deixando os companheiros do passado na pobreza de sempre.

No campo dos simbolismos ideológicos, portanto, o governo socialista que hoje comanda o Ceará, ao esbanjar verbas oficiais com caviar e camarão, iguarias típicas das aspiração mais aristocráticas, confirma a sua natureza, com a peculiaridade de que, no ideário igualitarista do PSB cearense, o progressismo começa pela cozinha.

O apóstolo São Paulo ensinou: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”. A lição deveria servir também para gestores do dinheiro público.

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Cid Gomes e o socialismo caviar do PSB cearense

Por Wanfil em Ceará, Ideologia

14 de agosto de 2013

Durante alguns anos guardei alguma desconfiança sobre a adesão de Cid e Ciro Gomes à social democracia e depois ao socialismo. Seria convicção ou conveniência? Mas nada como a prova do tempo para esclarecer certas dúvidas. Hoje tenho certeza absoluta que se trata dos mais genuíno socialismo, não apenas como ideal utópico, mas como prática experimentada na vida cotidiana.

Não há líder socialista no mundo que, uma vez no poder, ao mesmo tempo em que critica a burguesia e os capitalistas e jura fidelidade aos pobres, adere sem crise de consciência aos hábitos de consumo e ao estilo de vida dessas mesmas elites.

Mansões, joias, carros de luxo, viagens em jatos, hotéis caríssimos, roupas de marca, entre outros mimos, estão na lista dos desejos que invariavelmente, excetuando-se talvez o atual presidente do Uruguai, faz a alegria desses combatentes da exclusão e da desigualdade social.

Assim, não há surpresa em saber que o Governo do Estado do Ceará firmou contrato de um ano com um buffet, ao custo de quase três milhões e meio de reais, para despesas com comidas para festas e solenidades, o que equivale a aproximadamente R$ 10 mil reais por dia.

Muito provavelmente o governador não acompanha essas miudezas, mas é evidente que quem autoriza esses contratos respeita uma concepção de poder. O gabinete do governador pode até dispor dos devidos meios para promover eventos requintados, tudo dentro da lei, no entanto, são gastos que chocam pelos contrastes que suscitam: o Estado que banca jantares refinados, festas suntuosas, viagens turísticas e shows milionários é o mesmo onde a penúria e a necessidade extrema castigam as vítimas da seca.

Ser perdulário com o dinheiro alheio não é pensar grande, como imaginam os nossos governantes, é sinal de miudeza, de deslumbre que encobre um mal disfarçado complexo de inferioridade. Esse estado psicológico, bem como a prática de ceder aos encantos do consumo de bens e serviços de alto padrão e valor às custas de terceiros foi maravilhosamente demonstrado por George Orwell em A Revolução dos Bichos, quando os porcos lideram uma revolta contra os humanos, para depois tomar-lhes o lugar na sede da fazenda, deixando os companheiros do passado na pobreza de sempre.

No campo dos simbolismos ideológicos, portanto, o governo socialista que hoje comanda o Ceará, ao esbanjar verbas oficiais com caviar e camarão, iguarias típicas das aspiração mais aristocráticas, confirma a sua natureza, com a peculiaridade de que, no ideário igualitarista do PSB cearense, o progressismo começa pela cozinha.

O apóstolo São Paulo ensinou: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”. A lição deveria servir também para gestores do dinheiro público.