protestos Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

protestos

‘Fora Temer’ inova com possibilidade de dinheiro honesto

Por Wanfil em Brasil

08 de setembro de 2016

O ‘Fora Temer’ em Fortaleza, neste de Sete de Setembro, mostrou que o momento político nacional já está produzindo frutos. Militantes de esquerda já podem voltar a falar contra a corrupção, embora não façam a defesa da Operação Lava Jato, nem portem cartazes de apoio ao juiz Sérgio Moro, o que é sintomático, convenhamos.

Outra novidade é a possibilidade de ganhar dinheiro longe das verbas ministeriais ou sinecuras políticas, como mostra o portal Tribuna do Ceará:

“A escolha da Praia de Iracema para ser o palco da manifestação, segundo os participantes, teve o intuito de mostrar aos moradores da região e turistas a quantidade de pessoas insatisfeitas e contrárias ao governo de Michel Temer. O vendedor ambulante Deoclécio Ferreira, que trabalha há 1 ano na Beira-Mar, disse apoiar o protesto e ainda conseguir tirar lucro nas vendas de água e refrigerante. ‘Estou vendendo mais, faturando’, comemora.”

É isso aí. Faturar sem cobrar propina em licitações viciadas é a melhor forma de evitar as prisões preventivas, as delações premiadas, as condenações por corrupção, a PF, o MP, a Lava Jato e o juiz Sério Moro.

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É Lula… Não tá tranquilo, não tá favorável

Por Wanfil em Política

17 de Março de 2016

Segue o conteúdo da Coluna Política desta quinta-feira (17), que tenho na rádio Tribuna Band News FM (101.7):

Sob o pretexto de enfrenta a crise econômica e reunificar a base aliada, o ex-presidente Lula foi nomeado ministro da Casa Civil. Na prática, Lula quer foro privilegiado para escapar de um provável pedido de prisão e poder político para tentar evitar o impeachment de Dilma.

Muitos analistas lembram que não se deve subestimar o ex-presidente, mas é importante também não subestimar o contexto, para não confundirmos passado e presente.

O Lula presidente deixou o planalto com alta popularidade, o Lula ministro assume com viés de baixa; o Lula presidente tinha a legitimidade das urnas, o Lula ministro tem o endosso dos conchavos de conveniência; o Lula presidente herdou um país com diretrizes econômicas bem definidas; o Lula ministro herda um país sem rumo e que vive uma recessão sem precedentes; Lula presidente tinha o benefício da dúvida, Lula ministro é um suspeito investigado por corrupção.

Essas diferenças, assim como a desconfiança generalizada da população, não podem de forma alguma ser ignoradas.

Os grupos responsáveis pelos protestos de domingo (13), os maiores da história, já falam em voltar às ruas para exigir a saída de Lula. No Ceará, que possui uma das bancadas governistas mais subservientes do País, onde o PIB despencou 3,5% em 2015 e o desemprego bate recorde, coube à iniciativa privada falar pelos cearenses. A Federação das Indústrias do Estado (Fiec) se manifestou no mesmo dia para pedir uma mobilização nacional contra a nomeação do ex-presidente.

Só mesmo o governo federal e seus aliados, por conta do desespero, ainda acreditam em salvadores da pátria.

Abaixo, o áudio da coluna.

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Protestos: fora da desconfiança não há salvação

Por Wanfil em Brasil

14 de Março de 2016

Desde a redemocratização, nos idos dos anos 80 do século passado, os brasileiros já acreditaram em salvadores da pátria e que a esquerda fosse imune à corrupção. Collor e Lula destruíram essas ilusões, causando imensos prejuízos financeiros e traumas morais à nação. A desconfiança nascida da decepção não implica em direcionar gratuitamente as esperanças para outras forças políticas, sejam as linhas auxiliares do petismo ou seus adversários atualmente na oposição. Amadurecer é isso, aprender com a experiência.

Desse modo, as imagens dos protestos contra a presidente Dilma Rousseff e o PT não deixam dúvidas: foram os maiores já realizados contra um governo no Brasil. Protestos legítimos e pacíficos, distantes da ideia de golpe ou de manipulação midiática. Pedem o impeachment não porque Dilma se mostrou incompetente como gestora ou mentirosa como candidata, mas por ser acusada de, no mínimo, conceder com a corrupção, ou de, mais grave ainda, de ter sido eleita por ela.

Prestígio mesmo, só tem o juiz federal Sérgio Moro, que comanda e personifica a Operação Lava Jato, que em nota resumiu bem esse estado de espírito: “Importante que as autoridades eleitas e os partidos ouçam a voz das ruas e igualmente se comprometam com o combate à corrupção, reforçando nossas instituições e cortando, sem exceção, na própria carne, pois atualmente trata-se de iniciativa quase que exclusiva das instâncias de controle”.

O recado é claro: se engana quem pensa que o impeachment encerra ou tira força da Lava Jato, pois os brasileiros, que aprenderam a desconfiar de todos os políticos e de todos os partidos, cobrarão a continuidade da Operação. Nessa todos confiam, até mesmo os corruptos investigados, que andam apavorados com a possibilidade de serem presos. Assim, governantes e candidatos que não se comprometerem com as investigações contra a corrupção, que chamarem de golpismo a aplicação da lei, serão definitivamente desmoralizados. A esperança agora está na desconfiança crônica do povo contra seus representantes. Amadurecimento.

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Muito além dos protestos

Por Wanfil em Política

17 de agosto de 2015

Mais uma vez centenas de milhares de pessoas protestaram contra o governo Dilma em todo o país. Não obstante as polêmicas sobre o tamanho da mobilização – se maiores, iguais ou menores do que as anteriores –, o que importa para os agentes políticos no Brasil é o fato de que essas multidões que saíram às ruas são uma pequena amostra da insatisfação geral registrada por pesquisas de opinião, e que mostra que o problema, para o governo, vai muito além do tamanho ou das camadas sociais ali representadas, notadamente de classe média, chegando a dois pontos elementares: a quebra na relação de confiança entre sociedade e governo e a persistência com que os protestos se repetem, que indica um estado de ânimo disposto a se prolongar no tempo.

Processo
Como esta foi a terceira manifestação somente em 2015 – sempre com boa presença de público –, fica cada vez mais evidente que não se trata de um fenômeno pontual ou restrito, mas de um sentimento constante que se irradia por todo o país, um processo contínuo que se desenvolve sem contrapontos capazes de contê-lo.

O máximo que o governo conseguiu até aqui para mostrar alguma reação foi o apoio provisório do senador Renan Calheiros (PMDB), conchavo que fez do alagoano um dos alvos nos protestos de domingo. Quando o apoio a uma gestão é prejudicial à imagem de alguém como Renan, é sinal de que se chegou ao fundo do poço.

Instinto de sobrevivência
Em ambientes assim, com o governo desacreditado, o instinto de autopreservação de políticos em geral é buscar distância dele e evitar críticas aos movimentos de contestação, ou até mesmo apoiá-los. No que diz respeito a aliados, não se trata de um movimento brusco, feito às pressas, pois o governo ainda tem as suas armas, especialmente no que diz respeito a cargos e verbas.

Por isso, tudo é feito por etapas. As declarações de apoio começam a ficar mais raras, depois críticas começam a aparecer, entremeadas com sugestões ambíguas, e por fim o silêncio passa a predominar.

Em meados de julho passado, governadores do Nordeste em busca de verbas para amenizar os efeitos do ajuste fiscal, assinaram uma carta contra o impeachment de Dilma. O que dizem agora? O tema definitivamente se consolidou como pauta dos manifestantes. Até o momento, nenhum dos signatários veio a público repudiar os protestos. Inteligentes, não darão murro em ponta de faca. Pelo menos, não de graça.

Collor
As primeiras denúncias de corrupção contra o governo do ex-presidente Collor surgiram no início de seu mandato, em junho de 1990. O impeachment foi aprovado em setembro de 1992. Não quer dizer que a história irá se repetir (os protestos naquele período começaram mais tarde), mas é o parâmetro mais próximo que se tem a servir de referência para comprar com a situação política atual. E isso, por si só, diz muito.

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Dilma e o jogo do contente: “Valeu a pena”

Por Wanfil em Brasil

17 de Março de 2015

Pollyanna acredita que os protestos contra o seu governo provam que ela é boa.

Pollyanna acredita que os protestos contra o seu governo provam que ela é boa.

Os últimos dias foram marcados por manifestações a favor e contra o governo federal. As diferenças de tamanho, formato e cores entre as duas correntes são reveladoras do momento político que o país vive.  Pela manutenção do status quo foram às ruas, vestidos de vermelho, cerca de 30 mil pessoas, boa parte militantes de entidades governistas como CUT, UNE e MST, fartamente financiadas com dinheiro público. Já os protestos que cobram mudanças no governo e até o impeachment da presidente reuniram dois milhões e duzentos mil brasileiros, vestidos de verde e amarelo, a maioria convocada pela internet.

A presidente Dilma falou sobre as multidões nas ruas: “Nunca mais no Brasil nós vamos ver pessoas, ao manifestarem sua opinião, seja contra quem quer que seja, inclusive a Presidência da República, sofrerem quaisquer consequências. (…) Valeu a pena lutar pela liberdade. Valeu a pena lutar pela democracia. Este país está mais forte que nunca”.

Pela fala, os protestos esculhambando o governo fizeram Dilma sentir orgulho de seu passado, como se fossem um legado de sua militância na guerrilha. Se Pollyana (a famosa personagem criada por Eleanor H. Porter) fazia o “jogo do contente” para manter o otimismo diante de situações adversas, a presidente exagera na dose para surgir heroicamente alheia à natureza dos acontecimentos. Em vez de autocrítica, elogios a si mesma.

Por último, uma correção: Dilma lutou contra a ditadura, é fato. Sua atuação se deu em organizações revolucionárias como a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), o Comando de Libertação Nacional (COLINA) e Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Esses grupos pregavam a substituição do regime militar por uma “ditadura do proletariado”. Isso não invalida que depois Dilma tenha aderido aos pressupostos democráticos, o que constitui inegável avanço, porém, naquele período, ela e seus companheiros não lutaram pela democracia. Mas o que é o rigor da História para quem é alheio ao presente?

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Dilma repete Collor e potencializa protestos. Tiro no pé!

Por Wanfil em Política

09 de Março de 2015

Dilma pede paciência ao povo. Collor pediu para não ficar só e a resposta foi o povo impaciente nas ruas num domingo.

Dilma pede paciência ao povo. Collor pediu para não ficar só e a resposta foi o povo impaciente nas ruas num domingo. Lula também não quis esperar.

O pronunciamento da presidente Dilma feito neste domingo (8), Dia das Mulheres, não amenizou ânimos ou plantou esperanças, pelo contrário, serviu mesmo foi de catalisador para uma onda de críticas nas redes sociais, que por sua vez reforçaram as convocações para os protestos contra o governo marcados para o próximo domingo, dia 15, em diversas capitais.

Não é para menos. Dilma tentou fazer do pacote de maldades na economia uma prova de competência administrativa e do estelionato eleitoral uma virtude incompreendida pela maioria. Não colou, claro. Como confessar inépcia seria também desastroso para a presidente, melhor seria ter guardado silêncio, até porque o noticiário estava centrado na lista de parlamentares envolvidos no escândalo da Petrobras. Com o discurso, Dilma voltou a protagonizar a decepção geral e a atiçar a indignação do público contra sua própria gestão.

Duas falas da presidente chamaram minha atenção:

– Não é a primeira vez que o Brasil passa por isso;
Peço a vocês que nos unamos e que confiem na condução deste processo pelo governo, pelo Congresso, e por todas as forças vivas do nosso país – e uma delas é você!

Lembram outro chamado de um presidente fragilizado, com acentuada queda de popularidade e sem apoio político, antes de completar a metade do mandato: Fernando Collor de Mello. De fato não é a primeira vez que o Brasil passa por isso. Relembremos.

No dia 21 de junho de 1992, o “caçador de marajás”, acuado por denúncias de corrupção (em níveis muito inferiores aos que temos hoje) e desgastado por uma crise econômica, suplicou à nação em pronunciamento oficial:

– Não me deixem só. Eu preciso de vocês.

É ou não é um pedido de união e confiança semelhante ao feito por Dilma, 23 anos depois? Ainda em 1992, no dia 13 de agosto, Collor discursou pedindo novamente a ajuda dos brasileiros:

Que saiam no próximo domingo de casa com alguma das peças de roupa nas cores da nossa bandeira. Que exponham nas janelas, que exponham nas suas janelas toalhas, panos, o que tiver nas cores da nossa bandeira.

A fala ajudou a mobilizar a população, que saiu às ruas no dia 16 de agosto, um domingo, em protestos por todo o país, vestida de preto. Depois veio o impeachment.

Qualquer semelhança….

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Olha os protestos contra o aumento nas passagens de ônibus! Por que não protestam contra a corrupção?

Por Wanfil em Movimentos Sociais

16 de Janeiro de 2015

Alguns grupos têm feito protestos em diversas capitais brasileiras contra aumentos nas passagens de ônibus. Por algum motivo, parecem acreditar que tudo pode subir – combustível, salários, energia, inflação e impostos -, menos os preços do transporte coletivo, que devem permanecer em estado de congelamento. Qual a lógica dessa indignação seletiva?

Para responder essa questão é preciso verificar quem está a protestar. Em Fortaleza, onde a passagem subiu de R$ 2,20 para R$ 2,40, as manifestações foram organizadas por um tal Levante Popular da Juventude, junto com o MST (o que isso tem a ver com reforma agrária?) e de um troço chamado Motu (Movimento Organizado dos Trabalhadores e Trabalhadoras Urbanos).

O MST dispensa apresentações: é ligado ao PT e financiado com dinheiro público há anos. O Levante, pelas informações oferecidas em seu site, é um mistério: ninguém sabe quem comanda a entidade, muito menos quem paga a conta, mas quer transformar a sociedade sem criticar o governo federal, fato que já revela muita coisa. Já o Motu se define como “Organização Popular Anticapitalista, feminista, em constante luta pelo socialismo”. Onde está escrito isso? Ora, no Facebook da entidade! Sabe como é, a luta anticapitalista não dispensa algumas conquistas do capitalismo. (Cartão de crédito é outra coisa que ainda estou pra ver um revolucionário dispensar).

Esses grupelhos tem em comum o perfil esquerdista, com suas frases feitas que emulam um espírito crítico, mas que no fundo disfarçam seu peleguismo. São militantes profissionais a serviço do projeto de poder em curso no Brasil. No fundo, querem mudar o foco das atenções, concentradas em escândalos de corrupção e no pacote de maldades de dona Dilma. Aproveitam o reajuste nas passagens, algo natural, para passar a impressão de que o grande problema  no Brasil fosse esse; como se não estivéssemos com a economia estagnada, como se não fossem assassinados 50 mil brasileiros por ano.

Por que não protestam contra a roubalheira na Petrobras ou contra o choque fiscal do governo federal? Por que não protestam contra o aumento de impostos, cobrando do governo o fim dos ministérios inúteis? Se dizem lutar contra o capitalismo, por que não protestaram contra a nomeação de Joaquim Levy? Não se sentiram traídos? Ora, a explicação é simples: é porque fazem parte do consórcio que reelegeu Dilma. A causa de um é a causa do outro: fazem e acontecem, culpam adversários pelos próprios erros, roubam e deixam roubar, para depois escolherem algum tema e posarem de criaturas preocupadas com a justiça social.

Pela natureza do protesto é que se conhece a intenção de seus promotores.

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Os black blocs amarelaram e os vermelhos esverdearam

Por Wanfil em Brasil

13 de junho de 2014

A Copa do Mundo do começou e dentro de campo a seleção brasileira fez a sua parte, estreando com vitória. Do lado de fora, a expectativa ficou por conta dos protestos organizados pelos chamados black blocs, radicais que atacam prédios, policiais, jornalistas e interditam ruas, em nome de causas anticapitalistas e anti-sistema, essas coisas. E o que se viu, no entanto, foi o yellow da torcida brasileira ofuscar as cores de grupinhos que andavam se achando.

Fora dos estádios foram registrados alguns protestos violentos, inclusive aqui em Fortaleza, mas com muito menos gente e impacto do que nas manifestações ocorridas durante a Copa das Confederações, no ano passado. O povo deixou os radicais patetas sozinhos nas ruas, brincando de revolução. Sem um movimento alheio para se infiltrarem, os black blocs não passam de um refugo ideológico insignificante. Logo eles, que se imaginavam a vanguarda de um novo tempo. É que nas suas cabeças perturbadas, o rabo é que balança o cachorro.

Aplausos e vaias

Isso não significa que os brasileiros tenham esquecido a desconfiança em relação aos seus representantes políticos, deslumbrados com o torneio. Pelo contrário. Como eu disse no post anterior, para desgosto do governo, a Copa se tornou um potente catalisador das insatisfações populares que ensejam um desejo por mudanças, devidamente captado por recentes pesquisas eleitorais. Assim, no estádio Itaquerão (horrível, se comparado ao Castelão, diga-se), a mesma torcida que cantou o Hino Nacional com paixão emocionante, por diversas vezes ecoou uníssona palavrões contra a Fifa e contra a presidente Dilma Rousseff (PT) que disputará a reeleição em outubro próximo. Há, portanto, discernimento nessas manifestações que demarca claramente uma hora para aplaudir e outra para vaiar.

Quebrando a tradição, a presidente da República não discursou, prevendo, com acerto, a monumental vaia que tomaria. Na partida entre Brasil e Croácia, assim como no pronunciamento que fez à nação na terça, Dilma trocou o vermelho característico dos partidos de esquerda pelo verde. Assim como o preto dos radicais, o vermelho das esquerdas anda desbotando nos dias atuais. Quem não se lembra das bandeiras vermelhas sendo expulsas das manifestações de junho do ano passado? Como a eleição está chegando, ele agora dá lugar ao verde (cor utilizada, veja só, pelo matreiro PMDB).

O modo e a hora

Faço aqui um breve desvio. Alguns amigos, sensíveis que são, desaprovaram as ofensas dirigidas à presidente Dilma, por deselegantes e inoportunas. Para eles, nem o modo, nem a hora, foram adequadas, passando uma má impressão para o exterior. Ocorre que esse é um fenômeno sobre o qual não há muito o que se fazer, pois não existe um centro de irradiação. Antes, é um sentimento difuso e generalizado que se manifesta espontaneamente, sem líderes. Nem a oposição ousa tentar conseguir algum proveito direto, sob pena de serem os seus expoentes também vaiados. No fim, vergonha mesmo é roubar, e isso atualmente tem constrangido pouca gente. Ponto. Volto ao tema inicial.

Mais do que uma cor

Nesse jogo de cores e símbolos, sobressaiu-se o amarelo canário da Seleção e da torcida brasileira. Pelo que se viu na abertura da Copa, muito mais do que os tais black blocs ou os vermelhos sustentados com verba pública (tipo MST), serão os torcedores comuns vestidos de amarelo os mais temidos por aqueles que sabem o peso de uma vaia em ano eleitoral. É mais do que uma cor, é um sentimento em evolução.

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Consagração do protesto-arruaça revela profunda crise de autoridade

Por Wanfil em Ceará

23 de Maio de 2014

Fortaleza foi mais uma vez vítima de uma ação violenta promovida por “estudantes” e pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, que tocaram o terror na cidade na tarde desta quinta-feira. As causas? Uns querem passe livre para andar de ônibus, os outros pedem reajuste salarial. Mas grande mesmo foi a ação do sindicato. Os estudantes (queria ver as notas…) foram no embalo.

Qual a diferença entre um sindicato que bloqueia vias públicas, ameaça jornalistas e transeuntes, apedreja carros, ataca prédios e enfrenta a polícia, de uma torcida organizada de futebol que barbariza nos estádios? Apesar dos métodos serem parecidos, há uma diferença que transforma, com razão, “torcedores” arruaceiros em vândalos criminosos, mas que magicamente faz de arruaceiros sindicalizados meros trabalhadores reivindicado melhores dias. Por que isso?

Caldo ideológico
Simples. É que existe uma distinção ideológica segundo a qual tudo o que diz respeito a sindicatos e afins deriva da luta de classes. O Brasil é definitivamente um subproduto cultural do marxismo. Em nome de um entendimento enviesado do que seria a “justiça social”, esses movimentos entendem que estão acima das leis, que são vistas, não raro, como entraves, poias constituídas pelas elites e tal. E assim, o interesse de classe lhes conferiria um senso de justiça telúrico e inquestionável.

Quantas vezes o MST jã não invadiu órgãos públicos cobrando repasse de verbas para assentamentos, sem prestar conta de como gastam esses recurso? E todos acham isso justíssimo. E ninguém toma providência para não parecer – cruz, credo! – de direita! Cotas raciais estabeleceram critérios legais de distinção pela cor e tudo é muito lindo. E como em nome de uma causa justa tudo é permitido, por que não impedir outras pessoas de ir e vir? Por que não apedrejar portas de jornais, como fez esse mesmo sindicato com o Diário do Nordeste em 2012? Aliás, por que não agredir profissionais da imprensa que estão registrando o vandalismo sem endossá-lo?

Quantos desses “manifestantes” foram presos ou pelo menos multados por seus atos de afronta à lei? Nenhum, pois na cabeça da maioria, eles não cometeram crimes, apenas… protestaram. De tanto adular o coitadismo dos movimentos sociais (que não representam a sociedade civil coisa nenhuma, mas sim interesses próprios e particulares), o poder público e a sociedade agora são reféns dessas, digamos, reivindicações truculentas.

Pega fogo, cabaré!
Se por um lado a base para a disseminação da violência desvairada como método válido de protesto para alguns grupos (só para alguns) é o refugo ideológico do marxismo, é preciso reconhecer que as velhas práticas da política brasileira, especialmente a corrupção e a impunidade, também agem para desgastar a tessitura das instituições, das autoridades e da própria ordem legal. Afinal, porque exigir compostura somente de vândalos, sem estender essa cobrança aos governantes? Ora, que se danem então, conclui o sujeito comum. “Pega fogo, cabaré”, diria um cearense mais exaltado.

Sim, é inegável o sentimento generalizado de descontentamento entre os brasileiros com os rumos do país. O cidadão comum saturou, chegou ao seu limite. Tanto que o inimaginável aconteceu: a Copa do Mundo da Fifa, que pretendia ser vitrine de um sucesso de um Brasil que não existe (a tal potência mais rica do que a Inglaterra), acabou virando vidraça. E disso se aproveitam diferentes grupos de arruaceiros, que acreditam que podem impor suas próprias regras aos demais, como se não existissem leis garantindo o direito à greve e a liberdade para protestar. É mais um passo rumo à degradação e não há quem saiba mais aonde poderemos chegar.

Crise de autoridade
Não, leis não faltam. Na verdade, sobram leis. O que falta é autoridade política, moral e institucional de quem deveria zelar pela ordem institucional no país e no Ceará. Como estão todos, ou quase todos, desmoralizados e desacreditados, aos poucos, e às vésperas da Copa, a desordem vai imperando.

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Eles votaram contra a redução da maioridade penal

Por Wanfil em Segurança

21 de Fevereiro de 2014

Senadores José Pimentel (PT-CE)) e Inácio Arruda (PCdoB - CE). Fotos: Agência Senado.

Senadores José Pimentel (PT-CE)) e Inácio Arruda (PCdoB – CE). Fotos: Agência Senado.

Por onze votos a oito, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) rejeitou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 33/2012, que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas e terrorismo. Para os demais crimes continuaria valendo a inimputabilidade penal do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A decisão foi comemorada por militantes dos direitos humanos.

Bancada cearense
Entre os membros da comissão que foram CONTRA a redução, estão os representantes do Ceará José Pimentel (PT) e Inácio Arruda (PC do B). Para os Excelentíssimos, fica tudo como está: o marmanjo que possui discernimento entre o certo e o errado, que pode votar, estudar e trabalhar, caso cometa um crime e depois ainda o repita reiteradas vezes, será tratado como vítima da sociedade, merecedor das brandas e breves restrições previstas no ECA.

Ônus
Certamente os onze que rejeitaram a proposta o fizeram por convicção. No entanto, ter posição significa, para o bem e para o mal, agradar a uns e desagradar a outros.  Nesse caso, diante da violência que avança e da convocação de adolescentes para o crime (justamente por causa das brechas legais), o risco é grande.

Por aqui, sempre que eleitores cearenses bem informados souberem de um crime hediondo cometido por um sociopata de 16 ou 17 anos, certamente lembrarão que, graças à contribuição de Pimentel e Inácio, os bandidos estarão de volta às ruas em breve, com a certeza de que passarão apenas alguns meses cumprindo medidas socioeducativas ou, como eles mesmos dizem no jargão da malandragem, na “engorda”. Menor não é preso, é apreendido.

Segurança na Copa, insegurança cozinha
Um dia depois da votação da PEC 33/2012, na quinta-feira (20), o governo federal anunciou um corte de 22,5% nos orçamentos de segurança em 2014. Entretanto, manteve a previsão de gastar 1,9 bilhão de reais com segurança destinada à Copa do Mundo, especialmente contra os prováveis protestos que acontecerão.

Fortaleza já é conhecida como uma das cidades mais violentas do mundo. O interior, notadamente nas regiões do Norte e do Nordeste, está entregue à própria sorte. Os presídios se transformaram em centrais de planejamento do crime. Oficialmente, são registrados  no Brasil 50 mil homicídios por ano. Mas o problema, para as autoridades, são os manifestantes (não confundir com os black blocs do PSOL) que protestam contra o desperdício e a corrupção.

Ficamos assim: segurança na Copa e insegurança em nossa própria cozinha, onde a violência, o crime e a impunidade crescem ano após ano. É esse desastre que os líderes governistas no Ceará chamam de aliança vitoriosa.

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Eles votaram contra a redução da maioridade penal

Por Wanfil em Segurança

21 de Fevereiro de 2014

Senadores José Pimentel (PT-CE)) e Inácio Arruda (PCdoB - CE). Fotos: Agência Senado.

Senadores José Pimentel (PT-CE)) e Inácio Arruda (PCdoB – CE). Fotos: Agência Senado.

Por onze votos a oito, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) rejeitou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 33/2012, que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas e terrorismo. Para os demais crimes continuaria valendo a inimputabilidade penal do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A decisão foi comemorada por militantes dos direitos humanos.

Bancada cearense
Entre os membros da comissão que foram CONTRA a redução, estão os representantes do Ceará José Pimentel (PT) e Inácio Arruda (PC do B). Para os Excelentíssimos, fica tudo como está: o marmanjo que possui discernimento entre o certo e o errado, que pode votar, estudar e trabalhar, caso cometa um crime e depois ainda o repita reiteradas vezes, será tratado como vítima da sociedade, merecedor das brandas e breves restrições previstas no ECA.

Ônus
Certamente os onze que rejeitaram a proposta o fizeram por convicção. No entanto, ter posição significa, para o bem e para o mal, agradar a uns e desagradar a outros.  Nesse caso, diante da violência que avança e da convocação de adolescentes para o crime (justamente por causa das brechas legais), o risco é grande.

Por aqui, sempre que eleitores cearenses bem informados souberem de um crime hediondo cometido por um sociopata de 16 ou 17 anos, certamente lembrarão que, graças à contribuição de Pimentel e Inácio, os bandidos estarão de volta às ruas em breve, com a certeza de que passarão apenas alguns meses cumprindo medidas socioeducativas ou, como eles mesmos dizem no jargão da malandragem, na “engorda”. Menor não é preso, é apreendido.

Segurança na Copa, insegurança cozinha
Um dia depois da votação da PEC 33/2012, na quinta-feira (20), o governo federal anunciou um corte de 22,5% nos orçamentos de segurança em 2014. Entretanto, manteve a previsão de gastar 1,9 bilhão de reais com segurança destinada à Copa do Mundo, especialmente contra os prováveis protestos que acontecerão.

Fortaleza já é conhecida como uma das cidades mais violentas do mundo. O interior, notadamente nas regiões do Norte e do Nordeste, está entregue à própria sorte. Os presídios se transformaram em centrais de planejamento do crime. Oficialmente, são registrados  no Brasil 50 mil homicídios por ano. Mas o problema, para as autoridades, são os manifestantes (não confundir com os black blocs do PSOL) que protestam contra o desperdício e a corrupção.

Ficamos assim: segurança na Copa e insegurança em nossa própria cozinha, onde a violência, o crime e a impunidade crescem ano após ano. É esse desastre que os líderes governistas no Ceará chamam de aliança vitoriosa.