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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

protesto

Enquanto impasse no Cocó não é resolvido, manifestantes fazem a festa

Por Wanfil em Fortaleza

24 de setembro de 2013

Nem só de greve de fome vive uma causa ambiental. O vídeo abaixo tem circulado nas redes sociais e mostra manifestantes acampados no Parque do Cocó dançando numa “rave”, que é uma espécie de festa embalada por música eletrônica – o que na minha época de faculdade, Rosa da Fonseca (a senhora de camiseta branca e militante do anarquismo) chamaria de “lixo cultural imperialista”.

Nas imagens, impressiona a disposição do grupo em manter firme a sua fé. Além das barracas e das faixas, é possível ver mesas de plástico (produto feito a partir do petróleo e não biodegradável), caixas de isopor, um tabagista (supondo que seja tabaco) e um som que contrasta com as notas harmônicas do cantar do grilos e o coaxar dos sapos.

Portanto, não vai aqui nenhuma crítica quanto ao direito de festejar. Não falo nem mesmo em poluição sonora, que isso seria especular. Fico preocupado é com os animais daquele templo da natureza, de insetos a mamíferos, de peixes a crustáceos, expostos às batidas eletrônicas. Não quero nem pensar se algum acasalamento (dos animais nativos) não tiver se consumado por conta do evento.

Os manifestantes estão acampados no parque há mais de dois meses. Acredito que suas intenções sejam as melhores. Assim, pelo bem do debate construtivo e para estimular a democracia dançante, recomendo aos defensores do viaduto – que se identificam com a hastag “ViadutoSim” – promoverem também uma rave, talvez  no lado oposto do parque, para delimitar espaços. Certamente ninguém se incomodará, a não ser seus moradores naturais. Como dizia Kant, só pode ser ético o que é universal. O direito de fazer rave no Cocó agora está consolidado para todos (ou para todos e todas, como diriam os nossos ecologistas progressistas).

 

http://www.youtube.com/watch?v=o7IdhmjqB9U

 

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Na Tribuna BandNews FM: Que tal um plebiscito local sobre a saúde?

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

04 de julho de 2013

Minha coluna desta quinta na Tribuna BandNews FM – 101.7.

Médicos protestam em Fortaleza por melhores condições de trabalho. Quem conhece um, sabe o que eles passam. Foto: Tribuna do Ceará

Médicos protestam em Fortaleza por melhores condições de trabalho, enquanto políticos propõem um plebiscito para a obra do Acquário. Foto: Tribuna do Ceará

Agora, de repente, é grande a quantidade de governantes e parlamentares que enxergam nas consultas populares a solução para os males do Brasil. É evidente que se trata de uma reação aos protestos que cobram mais ética e eficiência nos gastos públicos, é o esboço improvisado de uma resposta que possa vir a acalmar a indignação geral contra a corrupção e a incompetência.

Nesse espírito, foi aprovado ontem, com folga, na Câmara Municipal de Fortaleza, o requerimento que pede regime de urgência no projeto de um plebiscito para saber se a população aprova ou rejeita o projeto do aquário do Ceará, do governo estadual.

A iniciativa, aliás, conta com o apoio do governador Cid Gomes, mas a questão é bem mais complicada do que parece.

A Lei Orgânica do município não exige que o tema do plebiscito seja trabalhado em campanha de esclarecimento, nem determina que a questão seja apresentada de forma clara e objetiva, como acontece com as constituições estadual e federal (ver mais no post A moda plebiscitária chegou ao Ceará).

Por se tratar de um assunto que envolve temas complexas, como legislação ambiental e economia, sobre as quais nem os próprios vereadores chegaram a um acordo, são muitas as dúvidas que ainda devem ser esclarecidas.

Enquanto isso, no mesmo dia em que o plebiscito era discutido na câmara, médicos fizeram um protesto em frente ao Palácio da Abolição pedindo melhores condições de trabalho. Quem conhece um médico, tem um parente nessa área, sabe o que eles passam, quando tentam socorrer as pessoas improvisando macas, sem remédios para ministrar, sem explicações para oferecer aos acompanhantes, sem material hospitalar.

Sobre isso, não há quem peça um plebiscito, porque todos sabem que serão reprovados em qualquer consulta. Porque isso depende exclusivamente da qualidade do trabalho de quem administra a área e de quem deve fiscalizar a aplicação dos recursos: justamente, os governantes e os parlamentares.

Mais fácil é fazer plebiscito sobre um tema que não queime o filme de ninguém. Dá a impressão de que algo está sendo feito, enquanto tudo continua como sempre foi.

Confira o áudio:

[haiku url=”http://tribunadoceara.uol.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/07/POLITICA-WANDERLEY-FILHO-0407_214.mp3″]

 

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O que eu vi na manifestação do Fortaleza Apavorada

Por Wanfil em Segurança

13 de junho de 2013

Grupo Fortaleza Apavorada mobiliza multidão em frente ao Palácio da Abolição. Foto: Wanderley Filho

Grupo Fortaleza Apavorada mobiliza multidão em frente ao Palácio da Abolição. Foto: Wanderley Filho

O movimento Fortaleza Apavorada, criado no mundo virtual da internet, se materializou em protesto que reuniu milhares de pessoas contra a onda de violência no Ceará, realizado em frente ao Palácio da Abolição, sede do governo estadual, em Fortaleza.

Horas antes, o secretário de segurança, Francisco Bezerra, havia dito em entrevista coletiva que o grupo poderia estar sendo usado com fins políticos, tese que o governo insiste em repetir. Afirmou ainda que tanto ele como o governador Cid Gomes apoiariam o movimento se fosse algo bem intencionado.

Bom, eu estive presente no local e o que vi foi uma manifestação ordeira e pacífica, destituída de intenções que não as anunciadas desde o início. As pessoas lá reunidas estavam sintonizadas no desejo de anunciar o legítimo descontentamento com os alarmantes índices de violência do estado. Não havia bandeiras ideológicas ou partidárias, tão comuns em manifestações organizadas por governos, sindicatos e outras entidades. Aliás, supreende como uma ação feita sem o apoio dessas estruturas tenha conseguido mobilizar tanta gente e gerar tamanha repercussão.

Não conheço os organizadores do movimento e não falo em nome de ninguém. Falo apenas do que vi: homens, mulheres, jovens, velhos, professores, alunos, artistas, gente comum que se dispôs a comparecer ao protesto num dia de semana, doando seu próprio tempo em nome de uma causa coletiva.

Naturalmente,  o direito à critica foi exercido. Palavras de ordem e faixas cobraram respostas do governador do Estado para o problema da insegurança, mas sem agressões ou ofensas. Uma veradeira aula de cidadania.

Infelizmente, nenhuma autoridade se ofereceu para receber representantes do fortaleza apavorada. O máximo que se viu foram agentes do governo filmando os manifestantes. Cid gomes não estava no palácio em função de outros compromissos marcados, quanta coincidência!, para o momento do protesto. Mas o recado foi dado.

Agora, resta torcer para prevalecer o bom senso. Que o alardeado receio do governo de que o movimento seja aparelhado por grupos políticos siva alerta aos seus organizadores. E que o governo, por sua vez, possa refletir sobre o protesto de forma serena, sem rancor ou arrogância. É hora de desarmar os espíritos em nome de uma solução ou pelo menos de novas propostas para a área de segurança. A disposição para o diálogo pode gerar resultados construtivos, sintonizando finalmente a gestão com o anseios populares.

É revigorante ver que ainda existem pessoas dispostas a agir, dentro da lei e da ordem, pelo bem comum.

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Governo divulga nota desastrada sobre o Fortaleza Apavorada

Por Wanfil em Segurança

11 de junho de 2013

Sobre a nota oficial do governo do Ceará a respeito da manifestação organizada pelo grupo Fortaleza Apavorada contra a violência, marcada para a próxima quinta (13), em frente ao Palácio da Abolição, cabem algumas considerações.

O texto é assinado por Danilo Serpa, chefe do Gabinete do Governador, a mais  nova autoridade em segurança do Ceará. Diz a nota: “Chegou ao conhecimento deste Gabinete que grupos partidários e marginais de uma milícia que está sendo combatida dentro do organismo policial, pretendem se infiltrar na manifestação com o intuito de provocar violência e gerar repressão que escandalize a opinião pública”.

Pergunta 1: Como foi obtida essa informação e quem são esses marginais? Sem isso, a disposição manifesta de reprimi-los mediante uso da força se transforma em ameaça genérica e difusa. Se o governo não sabe quem são, a conclusão é que todos os que lá estiverem serão suspeitos em potencial. Se sabe, e se fazem parte de milícia, já deveriam estar presos.

Continua o Sr. Serpa: “Aproveitamos para pedir aos participantes do movimento que evitem trazer crianças para a manifestação e não aceitem provocações de indivíduos infiltrados”.

Pergunta 2: E se os milicianos, que segundo o governo estão soltos para criar pânico na cidade, resolverem agir durante a Copa das Confederações, infiltrando-se entre os torcedores, o conselho de não levar crianças ao Castelão deve ser considerado?

Tiro no pé

Há algo de estranho no ar. Muito se fala em possíveis interesses partidários no Fortaleza Apavorada, mas não há provas até o momento de que o movimento não seja uma reação espontânea ao quadro de violência que assusta os cidadãos cearenses.

A nota oficial carece, naturalmente, da chancela de alguma autoridade da área de segurança. A divulgação das informações que “chegaram ao conhecimento do Gabinete”, vagas e imprecisas, não ajudam a resolver nada, nem tranquilizam a população, pelo contrário, reforçam o clima de tensão que alimenta a insatisfação geral com o avanço da violência. Pior ainda: se houver algum confronto, se algum inocente sair ferido, a nota serve de recibo para que se acuse o governo incompetência pela incapacidade de garantir a segurança dos manifestantes.

O que poderia ser uma ótima oportunidade para o governo trabalhar canais de diálogo, virou um tiro no pé, que ao final chama mais atenção ainda para o protesto. Seria muito mais eficaz anunciar que o governador estaria aberto para receber os organizadores do movimento, pois toda ajuda é seria bem vinda, etc. e tal. Isso ajudaria a desarmar os espíritos e ganharia a simpatia de todos que querem uma saída para a situação difícil que vivemos.

Contradição

A nota se vale do fantasma sem rosto de uma suposta milícia para reafirmar a tese de que o maior problema de segurança no Ceará não são os bandidos ou a gestão, mas uma intriga política dentro da polícia. É uma contradição, pois aliados do governo impediram a criação de uma CPI na Câmara do Vereadores de Fortaleza para investigar, justamente, essas milícias. Na Assembleia, a ideia também foi abortada, embora a denúncia seja do próprio governo que tem maioria na Casa.

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Governo divulga nota desastrada sobre o Fortaleza Apavorada

Por Wanfil em Segurança

11 de junho de 2013

Sobre a nota oficial do governo do Ceará a respeito da manifestação organizada pelo grupo Fortaleza Apavorada contra a violência, marcada para a próxima quinta (13), em frente ao Palácio da Abolição, cabem algumas considerações.

O texto é assinado por Danilo Serpa, chefe do Gabinete do Governador, a mais  nova autoridade em segurança do Ceará. Diz a nota: “Chegou ao conhecimento deste Gabinete que grupos partidários e marginais de uma milícia que está sendo combatida dentro do organismo policial, pretendem se infiltrar na manifestação com o intuito de provocar violência e gerar repressão que escandalize a opinião pública”.

Pergunta 1: Como foi obtida essa informação e quem são esses marginais? Sem isso, a disposição manifesta de reprimi-los mediante uso da força se transforma em ameaça genérica e difusa. Se o governo não sabe quem são, a conclusão é que todos os que lá estiverem serão suspeitos em potencial. Se sabe, e se fazem parte de milícia, já deveriam estar presos.

Continua o Sr. Serpa: “Aproveitamos para pedir aos participantes do movimento que evitem trazer crianças para a manifestação e não aceitem provocações de indivíduos infiltrados”.

Pergunta 2: E se os milicianos, que segundo o governo estão soltos para criar pânico na cidade, resolverem agir durante a Copa das Confederações, infiltrando-se entre os torcedores, o conselho de não levar crianças ao Castelão deve ser considerado?

Tiro no pé

Há algo de estranho no ar. Muito se fala em possíveis interesses partidários no Fortaleza Apavorada, mas não há provas até o momento de que o movimento não seja uma reação espontânea ao quadro de violência que assusta os cidadãos cearenses.

A nota oficial carece, naturalmente, da chancela de alguma autoridade da área de segurança. A divulgação das informações que “chegaram ao conhecimento do Gabinete”, vagas e imprecisas, não ajudam a resolver nada, nem tranquilizam a população, pelo contrário, reforçam o clima de tensão que alimenta a insatisfação geral com o avanço da violência. Pior ainda: se houver algum confronto, se algum inocente sair ferido, a nota serve de recibo para que se acuse o governo incompetência pela incapacidade de garantir a segurança dos manifestantes.

O que poderia ser uma ótima oportunidade para o governo trabalhar canais de diálogo, virou um tiro no pé, que ao final chama mais atenção ainda para o protesto. Seria muito mais eficaz anunciar que o governador estaria aberto para receber os organizadores do movimento, pois toda ajuda é seria bem vinda, etc. e tal. Isso ajudaria a desarmar os espíritos e ganharia a simpatia de todos que querem uma saída para a situação difícil que vivemos.

Contradição

A nota se vale do fantasma sem rosto de uma suposta milícia para reafirmar a tese de que o maior problema de segurança no Ceará não são os bandidos ou a gestão, mas uma intriga política dentro da polícia. É uma contradição, pois aliados do governo impediram a criação de uma CPI na Câmara do Vereadores de Fortaleza para investigar, justamente, essas milícias. Na Assembleia, a ideia também foi abortada, embora a denúncia seja do próprio governo que tem maioria na Casa.