PROS Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

PROS

General Theophilo e Dra. Mayra: críticos do governo estadual assumem secretarias federais da Segurança e da Saúde

Por Wanfil em Política

04 de dezembro de 2018

Gen. Theophilo e Dra. Mayra: principais críticos das políticas de Segurança e Saúde na gestão de Camilo Santana

O General Guilherme Theophilo, candidato ao governo estadual contra o governador reeleito Camilo Santana, foi indicado por Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça, para a Secretaria Nacional de Segurança Pública. Dra. Mayra Pinheiro, candidata ao Senado na chapa de oposição no Ceará, foi convidada pelo futuro ministro da Saúde, Henrique Mandetta, para assumir a Secretaria da Gestão do Trabalho e da Educação da Saúde.

As indicações levaram em conta o critério técnico. Ambos são reconhecidos em suas profissões e já mostraram compromisso com causas públicas. Tanto que apesar de terem disputado eleições pelo PSDB, que não apoiou oficialmente Jair Bolsonaro, foram chamados a participar do novo governo.

Naturalmente, existem implicações políticas nessas indicações. Mais que dois nomes da oposição estadual, Dra. Mayra e General Theophilo foram, nas eleições, os principais críticos da gestão Camilo Santana nas áreas da Saúde e da Segurança.

Há um constrangimento adicional por causa do afastamento da pediatra Dra. Mayra do HGF, após as eleições e depois de 15 anos. A médica acusa o governador de perseguição política.

Apesar das diferenças, consensos de ordem administrativa são perfeitamente possíveis. Todos têm um nome a zelar. O que muda são os caminhos que levam demandas do governo, deputados e prefeitos a Brasília. Não tem mais, por enquanto, o MDB de Eunício, o PT de Dilma ou o PDT de Ciro. Isso não é pouca coisa. Os novos secretários ministeriais são importantes canais de interlocução com as pastas em que atuarão, de importância fundamental no Estado.

E ainda falta definir que espaços na gestão federal terão os diretórios estaduais do PSL, representado no Ceará pelo deputado federal eleito Heitor Freire, e o PROS, do Capitão Wagner, também eleito deputado federal, partidos que apoiaram Bolsonaro desde o primeiro turno.

O eixo do poder, como era de se esperar, começou a girar.

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Eleições Ceará: vitória do acordão e nova chance para a oposição

Por Wanfil em Eleições 2018

08 de outubro de 2018

Divulgação/Facebook

Reeleito com o recorde de 79% dos votos válidos, o governador  Camilo Santana (PT) superou até mesmo a votação dos seus seus padrinhos políticos Cid e Ciro Gomes. Apesar disso, a oposição também conseguiu alguns êxitos que ajudam a compor – lá vem o clichê! – o recado das urnas.

Eduardo Girão, do Pros, surpreendeu ao derrotar Eunício Oliveira (MDB), preside08nte do Senado que contava com o apoio pessoal do governador com a maior votação proporcional do País. Tem mais. Capitão Wagner (Pros) e André Fernandes (PSL) foram respectivamente os deputados federal e estadual mais votados no Ceará.

Como avaliar o bom desempenho de candidatos contrários a um governo com ampla aprovação? “O homem é o homem e suas circunstâncias” disse Ortega Y Gasset. Pois é, o estilo cordato de Camilo se casou perfeitamente com algumas das fragilidades e contradições da nossa cultura política. O pendor para a conciliação encontrou terreno fértil na tradição adesista da política cearense. O avanço sobre grupos regionais sem identidade ideológica clara foi tranquilo. Até lideranças e partidos de oposição mudaram de lado e para aderir em troca de apoio eleitoral, cargos e verbas.

Na verdade, essa disposição para a superação de divergências que noutros países parecem insuperáveis, é uma espécie de tradição brasileira, muito bem demonstrada na obra do historiador Paulo Mercadante, especialmente em “A consciência conservadora no Brasil”. Por um lado, evita conflitos diretos como guerras civis (Mercadante cita como exemplo a Guerra de Secessão americana, no Séc. 19); por outro, enfraquece valores, sempre acabam relativizados em nome do pragmatismo. No fim, as negociatas prevalecem sobre os princípios, que com o tempo, perdem o sentido e viram apenas pretextos para justificar as idas e vindas de grupos políticos para permanecer próximo ao poder. Mercadante viu tudo isso nas articulações de grupos conservadores na início da República no Brasil. Hoje, isso é notório, a esquerda assimilou a prática.

No Ceará, as virtudes da gestão Camilo conseguiram conter e reduzir desgastes causados por seus erros. Isso não é pouco. Mas o acordão que reuniu 24 partidos na sua base eleitoral, reunindo até desafetos recentes, e a cooptação de parte da oposição foram fundamentais para evitar percalços no caminho da reeleição. A oposição, por sua vez, ganhou de eleitores a chance de se reorganizar

Por fim, resta ver para onde soprarão os ventos da eleição presidencial. Isso pode mudar a relação de forças no estado, mas isso fica para outro texto.

(Texto publicado originalmente no Portal Tribuna do Ceará)

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Prefeito diz que solução agora é eleger aliados de quem criou a crise

Por Wanfil em Fortaleza

11 de Março de 2016

Do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), em evento da sigla de aluguel PROS, defendendo que o PT de Camilo Santana (e Dilma Rousseff) apoie sua candidatura à reeleição, segundo matéria de O Povo :

“É muito importante que uma cidade como Fortaleza tenha uma aliança administrativa entre Prefeitura e Governo que possibilite recursos a mais e apoio político a mais para fazer o que a gente deve fazer em época de crise.”

Esse argumento perdeu a validade desde que o governo federal não cumpriu a promessa eleitoreira de construir uma refinaria da Petrobras no Ceará. Nesse caso, a única coisa que essa “aliança administrativa” conseguiu produzir foi o silêncio e a omissão dos governistas cearenses, que evitaram denunciar e cobrar o golpe, fingindo que nada aconteceu.

Por outra ainda, se aliança é garantia de ação, por que então o Hospital de Quixeramobim, inaugurado em 2014, ainda não funciona?

Quando o ex-prefeito Juraci Magalhães governava, dizia justamente o contrário: ter adversários nesses cargos evitaria acomodações e geraria uma disputa para ver quem faria mais. E aí? São ideias adaptáveis, conforme os interesses do momento.

De todo modo, mesmo compreendendo, digamos assim, o apelo eleitoral dessas formulações, o mais incrível agora é ver governistas dizendo que a melhor forma de enfrentar a crise é manter no poder a mesma aliança que a produziu.

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Do PROS ao pó: partido perde nove deputados com janela da infidelidade

Por Wanfil em Partidos

19 de Fevereiro de 2016

O PROS no Ceará virou pó, esmagado pelas circunstâncias eleitorais  do momento. Com a janela da infidelidade aberta (30 dias para que parlamentares mudem de partido sem o risco de perder os mandatos), o Partido Republicano da Ordem Social perderá nove deputados na Assembleia Legislativa, segundo informação do deputado estadual Sérgio Aguiar, ele mesmo membro do bloco que irá para o PDT, seguindo os passos da errática trajetória partidária de Ciro e Cid Gomes.

Criado em 2013 por um desconhecido e obscuro vereador de Planaltina, nos arredores de Brasília, sem nada de substancial a oferecer e programaticamente vazio, o PROS apareceu como saída de emergência para que políticos descontentes com seus partidos pudessem driblar a Justiça Eleitoral, que em 2007 havia decidido que os mandatos pertenciam aos partidos. Em busca de filiados, seus emissários apresentavam-no com o seguinte anúncio: “Insatisfeito com seu partido? Quer sair dele sem perder o mandato? O PROS é a mais nova opção”. E assim, seduzidos por esse pragmatismo sem compromisso ideológico, dissidentes do PSB no Ceará rompidos com o ex-governador pernambucano Eduardo Campos, entraram no PROS. No entanto, a sintonia entre a fome e a vontade de comer durou pouco, pois a executiva estadual (leia-se Cid) não se sentia obrigada a prestar contas com a executiva nacional.

Instrumentos descartáveis
Vários partidos já foram usados como instrumentos de ocasião no Ceará, mas o caso do PROS, sigla de aluguel por excelência, escancara de forma inequívoca a essência dessa promiscuidade: o partido serviu momentaneamente, no Ceará, a um projeto de poder baseado nas relações de parentesco e compadrio, de amizade e servilismo.

Se o PDT oferece aos nômades da política cearenses um discurso ideológico, sempre amparado na figura de Leonel Brizola, no PROS isso nunca foi possível, fato que deixou exposto que o negócio do grupo é a instrumentalização dos partidos e da política como meio de vida e de ascensão social. É a consagração do poder pelo poder sem o peso de se ater a valores fixos. Do pó do oportunismo o PROS nasceu, ao pó do oportunismo o PROS retorna: sua utilidade se resume a garantir mais um tempinho de propaganda eleitoral para seus antigos usuários, todos juntos na mesma aliança. Sabe como é, vergonha é perder eleição.

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Ferreira Gomes: partido novo, encenação antiga

Por Wanfil em Política

19 de agosto de 2015

Em mais um capítulo de sua peculiar trajetória política, os Ferreira Gomes devem mesmo sair do PROS para entrar no PDT, sétimo partido a servir de abrigo aos  grupo liderado por Ciro e Cid Gomes.

O encontro que reuniu os ainda filiados do PROS no Ceará, na noite da última segunda-feira, repetiu a encenação que sempre é feita nessas ocasiões, necessária para tornar verossímeis as alegações escolhidas para justificar a mudança, invariavelmente fundadas nos mais belos e nobres propósitos, tudo para disfarçar que são as conveniências eleitorais do momento a razão para essas idas e vindas.

No caso atual, ninguém escondia lá na tal reunião do PROS estadual que a opção pelo  PDT empolga mais pela possibilidade de uma nova candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, em acordo com o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, ex-ministro do trabalho que perdeu o cargo por causa de denúncias de corrupção.

Quando saíram do PSB para ingressarem no PROS, os Ferreira Gomes e seus comandados alegaram compromisso com a reeleição de Dilma. Negavam uma candidatura própria com Eduardo Campos. A petista não será candidata em 2018, mas em meio a atual crise e faltando (em tese) pouco menos de três anos e meio para o fim do mandato da petista, os aliados da presidente no Ceará engrossam as fileiras da oposição e do PMDB, que já anteciparam o debate sucessório, fragilizando ainda mais o governo. Curiosamente, o prefeito Roberto Cláudio, ainda no PROS e com o pé no PDT, diz que antecipar debates eleitorais é um desrespeito com o povo, mas comemora publicamente a possível candidatura de Ciro. Convicções moldadas pelas oportunidades são outra característica de quem está sempre disposto a mudar de partido como quem troca de roupa.

É claro que Ciro Gomes tem o direito de querer ser candidato e que mudar de partido não é crime. Mas a frequência com que isso acontece, sempre em função de candidaturas, é sinal de inconsistência política para liderar nacionalmente uma agremiação política e de intolerância para conviver com as naturais disputas internas que existem em todos os partidos. A sucessão de trocas pode indicar ainda falta de lealdade, o que abre espaço para críticas sobre uma propensão ao oportunismo crônico. De qualquer forma, esse estilo tem funcionado aqui no Ceará. Se irá colar lá fora, é o que veremos. Sabe como é, tudo demais é veneno.

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Ivo não vê a verba e vira ‘ex’

Por Wanfil em Política

17 de julho de 2015

No livros de alfabetização é famosa a frase ‘Ivo viu a uva’. Na pedagogia política da gestão Camilo Santana (PT), o secretário das Cidades Ivo Gomes, irmão mais novo de Ciro e Cid Gomes, deixou o cargo por não aceitar a repetir uma nova cartilha: ‘Ivo não viu a verba’.

Em outras palavras, Ivo não gostou de ver recursos de sua pasta contingenciados, conforme informado à imprensa por nota.

E agora? E agora, nada. Pelo menos por enquanto. Apesar de vestígios de ressentimento e decepção, Camilo segue aliado de Cid e o resto é especulação. E Ivo? Volta para a Assembleia Legislativa como deputado estadual da sigla de aluguel PROS. Para o futuro, seu nome é cogitado como possível candidato a prefeito de Sobral.

De todo modo, a saída, da forma como se deu, provoca impressões. Nelson Rodrigues dizia assim: “Não há ninguém mais vago, mais irrelevante, mais contínuo do que o ex-ministro”. Evidentemente, a lógica vale também para ex-secretários. Não se trata de um agravo à pessoa, ao sujeito em si, mas de uma alusão ao prefixo “ex”. Nessa condição, não existem deferências ou homenagens: é o vazio do ‘deixar de ser’. Ficam as lembranças daquilo o que poderia ter sido…

A lógica rodriguiana vale também para ex-maridos, com a diferença de que ex-secretários podem dar a volta por cima nas próximas eleições, caso vençam. Se derrotados, a irrelevância torna-se praticamente irreversível, tal qual acontece com os ex-maridos.

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Entenda por que sair do PROS é tão difícil para os cidistas

Por Wanfil em Partidos

13 de julho de 2015

A turma do PROS no Ceará marcou reunião nesta segunda-feira para definir seu rumo. É que o grupo liderado por Cid e Ciro Gomes quer deixar o partido, em razão de conflitos entre a executiva nacional e a comissão provisória do partido no estado. Em jogo, a autonomia para definir coligações para as próximas eleições, conforme exposto no próprio estatuto do PROS:

Art. 60 – Compreende ato de infidelidade partidária, sujeito às sanções disciplinares e legais:
II – apoiar candidato de outro partido ou de outra coligação em eleições que o partido
participe, sem autorização expressa da Executiva Nacional.

Captaram? As parcerias locais estão sujeitas a aprovação de instância partidária superior. E como a relação é de desconfiança mútua, ninguém sabe no que pode dar.

Difícil separação
Na verdade, Cid Gomes e o presidente nacional do PROS, Eurípedes Júnior, nunca se deram bem. Então, por que não se separam? Simples. Para entender o impasse, basta ver as coisas como elas são: o PROS é um partido de aluguel sem substância, ideologia, história ou credibilidade. Porém, tem dono. E aí mora o problema. Ao se mudarem para a nova casa em 2013, os inquilinos cearenses pensaram poder agir sem precisar dar satisfações aos proprietários do partido, que por sua vez, não gostaram dessa postura. Uma das queixas é que Cid negociava cargos federais, inclusive ministérios, sem consultar o partido. Cid dizia que a cota era pessoal. Deu no que deu.

Assim, com o conflito hierárquico estabelecido, os locadores querem romper o contrato de aluguel, mas não conseguem, pois o locatário não abre mão de cobrar a multa pela rescisão. Ou seja, buscar na justiça os cargos dos parlamentares eleitos com a chancela do partido em 2014, uma vez que o STF considera que estes pertencem às siglas, em caso de eleições proporcionais. Ocorre que, para piorar, nem os eleitos em disputas majoritárias estão a salvo.

Além de perder os mandatos, a patota do Pros no Ceará corre o risco de ver o comando nacional agir à revelia de seus interesses paroquiais. Por exemplo: vai que o partido decida fazer uma coligação em apoio a um candidato do PMDB para a Prefeitura de Fortaleza. Já imaginaram? Talvez por isso Roberto Cláudio esteja de malas prontas para mudar de partido, independente do que for decidido pelos demais. Tudo combinado, é claro, mas demasiado constrangedor.

Questão de ética
No estatuto do Pros há uma pérola que ilustra à perfeição em que base contratos de locação partidária são feitos. No mesmo Artigo 60, já mencionado, o item VI define como ato de infidelidade partidária a seguinte conduta: “Negociar a legenda com autoridades políticas em evidente prejuízo do partido”. De onde se conclui que, sendo lucrativo para o partido, não há problema em negociar a legenda.

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Três razões para Cid e sua turma não irem para o PDT

Por Wanfil em Partidos

08 de julho de 2015

A longa estrada da peregrinação partidária de cidistas e ciristas chegou a uma encruzilhada: para onde forem, correm o risco de contradição.

A longa peregrinação partidária do grupo chegou a uma encruzilhada: para onde for, corre o risco de contradição

O grupo político liderado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes está de malas prontas para mais uma troca de partido, dessa vez do Pros para o PDT. As conversas estão em andamento. No entanto, a mudança agora pode representar um duro golpe no discurso que sempre ornamenta tantas idas e vindas, pelo qual essa, digamos, dinâmica partidária, está amparada na ética e na coerência política ou ideológica.

Assim, listo abaixo algumas passagens noticiadas pela imprensa que provam o que digo. Basta fazer a correlação.

1) O partido que pode abrigar os Ferreira Gomes e companhia tem votado reiteradas vezes contra o governo Dilma no Congresso, como mostra o texto do jornalista Josias de Souza para o UOL: PDT é infiel a Dilma, mas quer manter ministério – A bancada de 19 deputados do PDT votou 100% unida contra o Planalto. Imaginou-se que, por coerência, o diretório pedetista discutiria a hipótese de romper com o governo. Mas o assunto nem sequer foi incluído na pauta. O PDT não cogita desocupar o Ministério do Trabalho.

2) Cid reprova os que são da base aliada e votam contra o governo, fato registrado por veículos da imprensa nacional, como o Jornal do Brasil: “Larguem o osso, saiam do governo”, diz Cid a ‘oportunistas’ – “Partidos de oposição têm o dever de fazer oposição. Partidos de situação têm o dever de ser situação ou então larguem o osso, saiam do governo”, afirmou [Cid].

3) Ciro defende que parceria com Dilma é questão de lealdade, conforme matéria veiculada pelo jornal O Globo: Cid Gomes afirma que ele e irmão podem deixar o PSB – Porque se o cara é candidato contra a reeleição da Dilma [nesse caso, trata-se de Eduardo Campos, falecido depois durante a campanha presidencial), primeiro ele tem que sair do governo. Sou um velho que cultiva lealdade, coerência, decência — afirmou [Ciro Gomes].

Perguntas
Ir para um partido que vota contra o governo e “não larga o osso”, agindo, de acordo com o que vai acima, como “oportunista”, é decisão de quem cultiva a “decência” na política?

Caso a mudança seja confirmada, o que fará o grupo quando tiver que escolher entre a lealdade ao partido e a lealdade ao governo?

Encruzilhada
Pois é. De tanto dar voltas de partido em partido, sempre alegando os mais belos e puros propósitos, porém, deixando um rastro de descontentes, ciristas e cidistas acabaram numa encruzilhada: restando-lhes poucas opções na prateleira partidária, fica difícil mudar novamente de sigla sem correr o risco de ver desmoralizado o próprio discurso que busca justificar sua longa peregrinação.

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Pros e PT disputam coordenação da bancada federal mais fraca da história do Ceará

Por Wanfil em Política

07 de Abril de 2015

Registro de reunião recente da bancada federal do Ceará

Registro de reunião recente  do rebanho federal do Ceará

A bancada federal do Ceará na Câmara dos Deputados é composta por 22 deputados. Com poucas exceções, a ampla maioria é governista. Pois bem. A bancada deve se reunir nesta terça para avaliar a disputa entre o atual coordenador do grupo, deputado Antônio Balhman, do Pros, e o petista José Airton Cirilo.

A bancada que não bota banca
Em tese, uma bancada bem coordenada tem maior poder de articulação para negociar projetos e programas de interesse do povo do Ceará, do que parlamentares dispersos.

Na prática, a atual bancada federal do Ceará se notabilizou pela obediência cega ao Palácio do Planalto, muitas vezes em detrimento das necessidades do Estado.

O que fizeram sobre o golpe da refinaria aplicado por Lula e Dilma? Nada. A maioria não votou uma única vez contra o governo (com raras exceções, é bom lembrar) para pressioná-lo a compensar o prejuízo e o engodo impostos aos cearenses. E qual o feito recente de maior repercussão da bancada do Ceará na Câmara? A salva de palmas ao ex-ministro Cid Gomes, no dia em que ele foi prestar esclarecimentos sobre a polêmica declaração a respeito de achacadores na base aliada e acabou demitido por Eduardo Cunha, do PMDB. Pronto. O resto são emendas individuais e troca de apoio eleitoral.

A disputa entre PT e Pros
Isso não quer dizer que a disputa pela coordenação do grupo seja totalmente irrelevante, já que o que está em jogo é o comando político da aliança entre o Pros e o PT no Ceará. O Pros tem maioria na bancada, mas o PT tem o Palácio da Abolição. Aliados no campo estadual, porém, adversários em vários municípios – inclusive em Fortaleza –, as siglas começam a se posicionar de olho nas eleições do ano que vem. Tem tiver mais força emplaca o coordenador.

De resto, para a população, tanto faz Antônio Balhman ou José Airton Cirilo. No que diz respeito a postura da bancada, é tudo igual.

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Câmara de Fortaleza acata indicação do Pros (Cid) para a presidência da Casa: é barba, cabelo e bigode

Por Wanfil em Política

18 de novembro de 2014

As articulações para a eleição do novo presidente da Câmara de Vereadores de Fortaleza, no próximo dia 2 de dezembro, revelam que partidos políticos não passam de abrigos para projetos particulares. Também mostram quem é que manda de fato no pedaço. Ações, todos sabem, valem mais do que palavras.

Ao que tudo indica, salvo uma improvável manobra de última hora, o vereador Salmito Filho, do Pros, secretário municipal do Turismo, será o eleito. Na sexta-feira, o vereador Elpídio Nogueira, que também é do Pros, desistiu de concorrer ao cargo. Na segunda, foi a vez do vereador José do Carmo (PSL), abrir mão da disputa, abrindo caminho para a construção de uma chapa única.

Salmito tem toda legitimidade para voltar ao comando da Câmara, que já presidiu entre 2009 e 2010, quanto era do PT. Acontece que a forma como esse processo foi conduzido deixa a impressão de que o Executivo municipal ultrapassou os limites da autonomia entre os poderes, afinal, o prefeito Roberto Cláudio indicou um membro do seu secretariado para assumir a presidência do Legislativo, que tem, entre suas prerrogativas, fiscalizar o governo. Mal comparando, é como se Dilma escolhesse, sem mais nem menos, o ministro Aloísio Mercadante para presidir a Câmara dos Deputados, passando por cima dos partidos e dos demais postulantes que já vinham trabalhando pelo cargo. Lá, isso nunca aconteceria, mas por aqui as coisas são mais provincianas. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Na verdade, na hierarquia de poder hoje estabelecida no Ceará, a escolha de Salmito pelo Pros foi mera formalidade para dar ares de autonomia a uma indicação feita por Roberto Cláudio, conferindo ao prefeito um papel de liderança que, no fundo, não existe, já que é Cid Gomes quem dá a palavra final. Ou alguém imagina esse tipo de decisão sendo tomada à revelia do governador ou contra a sua vontade?

Desse modo, os fatos não deixam dúvida. O grupo político liderado por Cid, hoje instalado no Pros, comandará diretamente em 2015 a Assembleia Legislativa, a Prefeitura de Fortaleza e, muito provavelmente, a Câmara de Fortaleza, último reduto institucional de relevância política que ainda não estava completamente dominado pelos Ferreira Gomes. Não que fosse um espaço de resistência, mas de qualquer modo, nos últimos dois biênios, a Câmara tinha sido presidida pelo PT e depois pelo PMDB, siglas que saem enfraquecidas nessa história. E de modo indireto, o grupo continua no controle do governo do Estado, já que Camilo Santana, apesar de ser petista, foi eleito pelo Pros, que já mostrou seu peso ao indicar três dos cinco nomes para a equipe de transição anunciada pelo governador eleito.

Trata-se de uma hegemonia inédita no Ceará desde a redemocratização. É barba, cabelo e bigode.

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Câmara de Fortaleza acata indicação do Pros (Cid) para a presidência da Casa: é barba, cabelo e bigode

Por Wanfil em Política

18 de novembro de 2014

As articulações para a eleição do novo presidente da Câmara de Vereadores de Fortaleza, no próximo dia 2 de dezembro, revelam que partidos políticos não passam de abrigos para projetos particulares. Também mostram quem é que manda de fato no pedaço. Ações, todos sabem, valem mais do que palavras.

Ao que tudo indica, salvo uma improvável manobra de última hora, o vereador Salmito Filho, do Pros, secretário municipal do Turismo, será o eleito. Na sexta-feira, o vereador Elpídio Nogueira, que também é do Pros, desistiu de concorrer ao cargo. Na segunda, foi a vez do vereador José do Carmo (PSL), abrir mão da disputa, abrindo caminho para a construção de uma chapa única.

Salmito tem toda legitimidade para voltar ao comando da Câmara, que já presidiu entre 2009 e 2010, quanto era do PT. Acontece que a forma como esse processo foi conduzido deixa a impressão de que o Executivo municipal ultrapassou os limites da autonomia entre os poderes, afinal, o prefeito Roberto Cláudio indicou um membro do seu secretariado para assumir a presidência do Legislativo, que tem, entre suas prerrogativas, fiscalizar o governo. Mal comparando, é como se Dilma escolhesse, sem mais nem menos, o ministro Aloísio Mercadante para presidir a Câmara dos Deputados, passando por cima dos partidos e dos demais postulantes que já vinham trabalhando pelo cargo. Lá, isso nunca aconteceria, mas por aqui as coisas são mais provincianas. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Na verdade, na hierarquia de poder hoje estabelecida no Ceará, a escolha de Salmito pelo Pros foi mera formalidade para dar ares de autonomia a uma indicação feita por Roberto Cláudio, conferindo ao prefeito um papel de liderança que, no fundo, não existe, já que é Cid Gomes quem dá a palavra final. Ou alguém imagina esse tipo de decisão sendo tomada à revelia do governador ou contra a sua vontade?

Desse modo, os fatos não deixam dúvida. O grupo político liderado por Cid, hoje instalado no Pros, comandará diretamente em 2015 a Assembleia Legislativa, a Prefeitura de Fortaleza e, muito provavelmente, a Câmara de Fortaleza, último reduto institucional de relevância política que ainda não estava completamente dominado pelos Ferreira Gomes. Não que fosse um espaço de resistência, mas de qualquer modo, nos últimos dois biênios, a Câmara tinha sido presidida pelo PT e depois pelo PMDB, siglas que saem enfraquecidas nessa história. E de modo indireto, o grupo continua no controle do governo do Estado, já que Camilo Santana, apesar de ser petista, foi eleito pelo Pros, que já mostrou seu peso ao indicar três dos cinco nomes para a equipe de transição anunciada pelo governador eleito.

Trata-se de uma hegemonia inédita no Ceará desde a redemocratização. É barba, cabelo e bigode.