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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

propaganda

Gastos públicos superam receitas no Ceará: assunto desgastante para candidatos, mas fundamental para eleitores

Por Wanfil em Política

03 de julho de 2017

A realidade do corte de gastos não combina com a ficção das promessas eleitorais

Fazer promessas e atiçar expectativas estimula a disposição de quem ouve o canto da sereia. Verificar se existem condições materiais para tantas aspirações costuma ser o inverso emocional dessa condição: desestimula o interlocutor. E se o assunto é eleição, dizer não pode ser fatal.

Pois bem. O Boletim de Conjuntura divulgado na semana passada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), mostra que as despesas do governo do Estado cresceram 1,3% no primeiro trimestre de 2017, enquanto as receitas caíram 4,2%. Ou seja, as contas públicas estaduais, em que pese a boa e justa reputação de equilíbrio, ensejam cuidados pois estão no limite nesse momento de crise.

Dificilmente a realidade fiscal é debatida por candidatos. O tema árido, chato e, na atual conjuntura, de natureza frustrante, já que a contenção de gastos se impõe como necessidade, contrastando com as demandas eleitorais de aliados e de grupos de interesse por ampliação de despesas. Além do mais, coloca em pauta assuntos potencialmente desgastantes, como déficit previdenciário e limite com pagamento de folha salarial para servidores.

É o tipo de situação que pode colocar décadas de esforço fiscal a perder, condenando o futuro do estado. É quando um governo mostra se o seu compromisso é com o desenvolvimento responsável ou com as conveniências do momento. O mesmo vale para a oposição. Por isso, quando qualquer um dos candidatos prometer isso ou aquilo para este ou aquele setor, este ou aquele grupo, lembre-se: tal investimento deverá corresponder, obrigatoriamente, a cortes em outras áreas. É matemática. O resto, é propaganda. E propaganda, já diz o ditado, é a alma do negócio.

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Muito anúncio, pouco resultado: agora são os iranianos que podem construir uma refinaria no Ceará

Por Wanfil em Ceará

19 de Janeiro de 2017

Lembra dela?

Em viagem oficial ao Oriente Médio nesta semana, o governador Camilo Santana (ainda no PT, apesar do noticiário) conversou com investidores do Irã sobre a instalação de uma refinaria no Ceará.  E Dubai, nos Emirados Árabes, visitou “a maior usina de dessalinização do planeta”, empresa italiana que “demonstrou interesse em instalar unidade no Ceará”.

Em novembro do ano passado Camilo assinou um memorando de estudos para avaliar condições para uma refinaria, desta vez chinesa, aqui no Estado. Não faz muito tempo, o assessor especial para assuntos internacionais do governo cearense, Antonio Balhmann, conversou com fabricantes de tratores na Bielorrússia.

Naturalmente, o governo acerta quando procura investimentos, mas se arrisca ao alimentar expectativas com base em tratativas tão iniciais. Não se trata de ser otimista ou pessimista, mas de guardar prudência para não confundir desejo com realização. É preciso tratar prospecção como prospecção e não como missão cumprida. Nesse sentido, o alarde sobre possibilidades pode gerar ilusões que mais à frente gerem constrangimento. Quanto maior a esperança atiçada, maior pode ser a decepção, como no caso da refinaria da Petrobras que seria construída no Ceará.

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Começam as eleições! Apesar das novas regras, será mais do mesmo

Por Wanfil em Eleições 2016

16 de agosto de 2016

Está aberta, a partir de hoje, a temporada de caça aos votos deste ano. Estão liberados comícios, carreatas, caminhadas, distribuição de material gráfico e os famigerados carros de som. É permitido aos candidatos pedir votos pela internet. Já a propaganda eleitoral “gratuita” de rádio e televisão começará apenas no próximo dia 26.

As grandes novidades destas eleições, definidas pela minirreforma eleitoral aprovada no ano passado, são a proibição para doação de empresas e a redução do tempo total de campanha de 90 para 45 dias. Os programas de rádio e TV também foram diminuídos: de 30 para 10 minutos, com 70 minutos diários para as inserções de 30 ou de 60 segundos (60% reservados para candidatos a prefeito, e 40% para vereadores).

São mudanças na forma. Em relação ao financiamento, as limitações impostas deverão ser contornadas pelo uso do caixa 2. Quanto ao conteúdo propriamente dito, mudanças de ocasião deverão ser percebidas, como o sumiço da imagem da presidente afastada Dilma Rousseff nas campanhas de seus aliados. De resto, teremos mais do mesmo: as mesmas promessas, as mesmas brigas, as mesmas frases, as mesmas desculpas, as mesmas músicas, os mesmos santinhos, tudo na esperança de que o eleitor, apesar da crise econômica, política e moral que levou o país ao buraco, seja o mesmo de sempre.

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A alma do negócio

Por Wanfil em Política

10 de Fevereiro de 2016

“A propaganda é a alma do negócio”, reza o ditado. Adaptado às conveniências da política brasileira, o conceito foi alterado com a substituição do termo “propaganda” por “ilusão”: A ilusão é a alma do negócio. Deu certo nos últimos anos para vencer eleições, quando conexões entre promessas e realidade são construídas na base da emoção.

No Ceará o caso mais emblemático de anúncio de intenções vazias foi o golpe da refinaria da Petrobras, que dispensa maiores comentários. Os grupos responsáveis pela presepada estão aí no poder. Mas de tanto usarem o artifício, perderam a mão e exageraram na dose, prometendo crescimento quando já colhiam recessão. Flagrados no truque, insistem na fórmula que tanto sucesso lhes rendeu em passado recente.

Assim, o governo federal agora divulga campanha contra a o mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e vírus zika, com a seguinte mensagem: “um mosquito não é mais forte que um país inteiro”, procurando se valer do apelo à emoção coletiva, ao sentimento patriótico, à luta contra o inimigo comum e outros clichês.  No mundo real, o Comitê Olímpico dos EUA liberou seus atletas que não quiserem participar dos jogos do Rio de Janeiro por causa do vírus zika. Em resposta, as autoridades brasileiras buscaram tranquilizar os americanos, dizendo que “em agosto é baixa a circulação do mosquito”, fator que “reduz muito os riscos de contágio”. Azar de quem mora aqui e precisa passar pelos meses de alta circulação do inseto.

Em outra frente, o Partido dos Trabalhadores levou ao ar desde a noite de terça um comercial em que diz o seguinte: “tá na hora de mudar o enredo. Vamos deixar de lado o pessimismo”. Como se o pessimismo fosse causa e não consequência das crises econômica, moral e política que o país vive; como se não estivessem em dívida e sob suspeitas mil.

O difícil é saber quando a mentira é deliberada ou quando expressa devaneios de quem não quer ver a realidade. O problema aí é que uma dia, cedo ou tarde, toda propaganda tem que prestar contas aos fatos. E esses, por sua vez, insistem em desmoralizar os anúncios de que as coisas não são tão ruins e de que tudo vai melhorar logo, logo, por obra desses mesmo vendedores de ilusões.

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Gestão Roberto Cláudio em Fortaleza: governar é diferente de fazer campanha

Por Wanfil em Fortaleza

23 de Março de 2013

Hora de guardar o megafone - O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra

Hora de guardar o megafone – O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra.

Faltando praticamente uma semana para o prefeito Roberto Cláudio (PSB) completar três meses de governo em Fortaleza, já possível dizer que o ímpeto midiático dos primeiros dias da nova gestão arrefeceu.

Contraste de estilos

Ao ser empossad0, o novo prefeito fez uma série de visitas a postos de saúde, com ampla cobertura da imprensa, para ver a situação dos pacientes que buscam atendimento no serviço municipal.

A postura contrastava com o estilo da ex-prefeita Luizianne Lins, que nos últimos anos se caracterizou pelo isolamento dos gabinetes, talvez por causa da baixa popularidade. Enfim, a construção da imagem de gestor ativo que vai ao encontro das pessoas e não tem medo de encarar problemas parecia a todo vapor.

Ainda na área da saúde, o começo da gestão deu sinais de caminhar para um corajoso acerto de contas: a secretária Socorro martins acusou o desvio de aproximadamente 30 milhões de reais no repasse de recursos do Ministério da Saúde na gestão anterior. Esse seria outro ponto da imagem a ser destacado: a honestidade do líder refletida numa gestão transparente e sem rabo preso.

No entanto, passados mais alguns dias, esse furor midiático e voluntarista do início foi cedendo espaço para a cautela. O prefeito não visita mais postos com seu séquito de vereadores ávidos por fotografias. A secretária não tocou mais no assunto do suposto desvio, como se nada houvesse acontecido.

Nem tudo é imagem

Gestores públicos de primeira viagem, via de regra, assumem mandatos no Poder Executivo preocupados em criar uma marca administrativa que os singularize, especialmente nos casos em que paira no ar a sombra de um padrinho político. MAis do que uma marca, é preciso provar que o gestor tem uma identidade própria.

O perigo é deixar o clima do marketing eleitoral, onde a regra é prometer fervorosamente novos amanhãs, contaminar a rotina administrativa. Se a disputa nas urnas tiver sido dura, como foi em Fortaleza, há o risco de incorrer em contradição na mensagem que se quer passar ao público, como a manutenção de um discurso de ruptura facilmente desmentido pela cooptação da base parlamentar que serviu a gestão anterior.

O risco de cair nessas armadilhas é justamente o de gerar mais expectativas, quando o momento é o de baixá-las, mostrando que as promessas demandam tempo para serem cumpridas. Estrategicamente, eventuais dados podem ser divulgados, sem alarde justiceiro, como prova de que o desafio exigirá grandes sacrifícios e tal, mas nada que comprometa alianças ou que exija ações imediatas de reparação.

Choque de realidade

Tudo ainda é muito novo em relação ao governo Roberto Cláudio. A mudança de postura verificada não significa necessariamente um recuo, mas pode ser um ajuste. O choque de realidade, onde as contas não fecham, o caixa é insuficiente, os custos são elevados e os problemas se multiplicam em velocidade alucinante, parece ter sido o suficiente para conter qualquer propensão ao discurso fácil.

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Guia para os que amam a propaganda eleitoral gratuita – cinco passos

Por Wanfil em Crônica, Eleições 2012

23 de agosto de 2012

Só o eleitor é quem pode dar qualidade à propaganda eleitoral que assiste. Mas não é fácil.

O texto Dez sugestões de atividades para a hora da propaganda eleitoral gratuita, carinhosamente dedicado aos que a rejeitam, repercutiu bastante nas redes sociais e causou certa preocupação entre os que defendem incondicionalmente o horário eleitoral gratuito.

Alguns, limitando a leitura apenas ao título do post (hábito pouco aconselhável), confundiram artigo opinativo com matéria jornalística institucional. Erro compreensível, já que as paixões afloram a ansiedade. Outros expuseram contrapontos interessantes, argumentando que a propaganda eleitoral tem valor como instrumento de avaliação objetiva – e até de conscientização cívica!

Opinião pessoal e intransferível

Ainda no texto anterior, citei de passagem, e sem criticar, os que assistem ao horário eleitoral com satisfação, lembrando inclusive que há os que enxergam até certo humor nele. Agora, pensando especificamente no grupo dos que entendem a propaganda eleitoral na mídia eletrônica como peça sine qua non da democracia, resolvi elaborar um guia para que essa experiência seja a mais positiva possível. Não se trata de presunção, claro. Seria se eu me considerasse perfeitamente qualificado para desvendar todos os truques criados e executados por tarimbados profissionais do marketing político, coisa que, pelo que vi nas redes sociais, sobra aos montes por aí. Portanto, o guia é tão somente um exercício de reflexão. Não é matéria jornalística, mas uma mera OPINIÃO PESSOAL deste autor.

Dados os devidos esclarecimento, com vocês, meu Guia para Assistir a Propaganda Eleitoral Gratuita:

1 – Assista aos programas – Se você realmente considera o horário eleitoral algo fundamental, pouco importando a qualidade do que veiculam nele, um direito que se funde com uma obrigação, mantenha a disciplina e não o perca por nada neste mundo. Nada de dar opinião baseado no que ouviu dizer. Para ter autoridade ao cobrar os outros, é preciso ser, antes de tudo, exemplo;

2- Pesquise o passado do candidato – Uma das regras da propaganda política é “contar” a história do candidato, apresentá-lo ao eleitor, enfatizando certas passagens e omitindo outras. Na última campanha presidencial, José Serra era um pobre vendedor de frutas e Dilma Rousseff uma freira de convento. Manipulações para encaixar o sujeito no personagem político fabricdo a partir de pesquisas de opinião. Assim, procure você mesmo saber sobre esses homens e mulheres que pedem o seu voto.

O candidato surgiu como? Onde atuava antes? É criação de terceiros ou é uma liderança legítima e autônoma? Diante de acusações, ele tira tudo a limpo ou tergiversa e se faz de desentendido? Ele dirigiu alguma ONG? Quem eram seus financiadores? (Não se surpreenda se você descobrir multinacionais e bancos sustentando anticapitalistas). O candidato é um governista inveterado ou um oposicionista crônico? (Posturas que mostram mostra oportunismo de um lado e inflexibilidade do outro). Com quem ele andou nos últimos anos? É leal? Em suma, tenha curiosidade e não se contente com apresentações oficiais; Leia mais

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Guia para os que amam a propaganda eleitoral gratuita – cinco passos

Por Wanfil em Crônica, Eleições 2012

23 de agosto de 2012

Só o eleitor é quem pode dar qualidade à propaganda eleitoral que assiste. Mas não é fácil.

O texto Dez sugestões de atividades para a hora da propaganda eleitoral gratuita, carinhosamente dedicado aos que a rejeitam, repercutiu bastante nas redes sociais e causou certa preocupação entre os que defendem incondicionalmente o horário eleitoral gratuito.

Alguns, limitando a leitura apenas ao título do post (hábito pouco aconselhável), confundiram artigo opinativo com matéria jornalística institucional. Erro compreensível, já que as paixões afloram a ansiedade. Outros expuseram contrapontos interessantes, argumentando que a propaganda eleitoral tem valor como instrumento de avaliação objetiva – e até de conscientização cívica!

Opinião pessoal e intransferível

Ainda no texto anterior, citei de passagem, e sem criticar, os que assistem ao horário eleitoral com satisfação, lembrando inclusive que há os que enxergam até certo humor nele. Agora, pensando especificamente no grupo dos que entendem a propaganda eleitoral na mídia eletrônica como peça sine qua non da democracia, resolvi elaborar um guia para que essa experiência seja a mais positiva possível. Não se trata de presunção, claro. Seria se eu me considerasse perfeitamente qualificado para desvendar todos os truques criados e executados por tarimbados profissionais do marketing político, coisa que, pelo que vi nas redes sociais, sobra aos montes por aí. Portanto, o guia é tão somente um exercício de reflexão. Não é matéria jornalística, mas uma mera OPINIÃO PESSOAL deste autor.

Dados os devidos esclarecimento, com vocês, meu Guia para Assistir a Propaganda Eleitoral Gratuita:

1 – Assista aos programas – Se você realmente considera o horário eleitoral algo fundamental, pouco importando a qualidade do que veiculam nele, um direito que se funde com uma obrigação, mantenha a disciplina e não o perca por nada neste mundo. Nada de dar opinião baseado no que ouviu dizer. Para ter autoridade ao cobrar os outros, é preciso ser, antes de tudo, exemplo;

2- Pesquise o passado do candidato – Uma das regras da propaganda política é “contar” a história do candidato, apresentá-lo ao eleitor, enfatizando certas passagens e omitindo outras. Na última campanha presidencial, José Serra era um pobre vendedor de frutas e Dilma Rousseff uma freira de convento. Manipulações para encaixar o sujeito no personagem político fabricdo a partir de pesquisas de opinião. Assim, procure você mesmo saber sobre esses homens e mulheres que pedem o seu voto.

O candidato surgiu como? Onde atuava antes? É criação de terceiros ou é uma liderança legítima e autônoma? Diante de acusações, ele tira tudo a limpo ou tergiversa e se faz de desentendido? Ele dirigiu alguma ONG? Quem eram seus financiadores? (Não se surpreenda se você descobrir multinacionais e bancos sustentando anticapitalistas). O candidato é um governista inveterado ou um oposicionista crônico? (Posturas que mostram mostra oportunismo de um lado e inflexibilidade do outro). Com quem ele andou nos últimos anos? É leal? Em suma, tenha curiosidade e não se contente com apresentações oficiais; (mais…)