promessas Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

promessas

O fim de semana em que cearenses ficaram entre facções e convenções

Por Wanfil em Eleições 2018

29 de julho de 2018

Fortaleza foi palco de onda de ataques entre a noite de sexta e a madrugada de domingo (FOTO: Arquivo)

O final de semana no Ceará foi marcado pela realização de convenções e encontros partidários e pelos ataques a ônibus e a prédios públicos e privados, ao que tudo indica, por obra de facções criminosas.

Nada poderia ser mais representativo de uma realidade do que o encontro entre essas agendas. Eleições e segurança, protagonizam o noticiário político desde a disputa de 2006, quando Cid Gomes foi eleito com seu Ronda do Quarteirão.

Nem sempre os ataques ocorrem em sincronia com o calendário eleitoral. Todo ano é a mesma coisa. Mas agora, com a recente onda chamando a atenção do noticiário nacional desde a sexta-feira, o assunto se coloca como imposição dos fatos.

Nos encontros dos partidos de oposição, não faltaram críticas e cobranças. Mais do que normal, é necessário. Foi assim com o PSL e também na convenção do PSDB e Pros. Já na reunião do PT, no sábado, a principal pauta foi a acomodação de aliados na chapa governista.

Nada mais representativo de uma realidade.

(Texto publicado no portal Tribuna do Ceará)

Publicidade

Começou a chuva… de promessas

Por Wanfil em Política

23 de Fevereiro de 2018

Quem acompanha o noticiário já deve ter observado que se intensificaram os anúncios de centenas de milhões e milhões e milhões de reais de verbas federais para o Ceará. A última cifra estava em R$ 1,7 bilhão. Ocasiões sempre festivas que viram palco para apresentar a reaproximação do PT e PDT com o MDB no estado como uma necessidade incontornável, com seus protagonistas colocando o interesse coletivo acima das questões pessoais.

Não custa lembrar, porém, que o governo federal avisou que sem a reforma da Previdência o Orçamento para 2019 sofrerá um corte de R$ 14 bi. Como a votação ficou para depois das eleições, ou mesmo para a próxima gestão, é bem possível que o aperto fiscal comece já neste ano, com os habituais contingenciamentos de gastos.

Como PT e PDT são contra a reforma, atuam, de acordo com o MDB, para comprometer a saúde fiscal do País, dificultando a execução dos que foi anunciado, ou melhor, prometido para estados e municípios.

A união em nome da atração de investimentos e a sublimação das diferenças para superar crises são posturas desejáveis. O problema é quando se manifestam apenas em ano eleitoral, permitindo chuvas de anúncios grandiosos, sem que ninguém lhes testemunhe a colheita.

Por isso, para quem já foi enganado com promessas alvissareiras e redentoras, como a refinaria da Petrobras ou a inauguração da transposição do São Francisco, o melhor mesmo é ver antes para crer depois. 

Publicidade

Zé Mayer, assédios e culpas

Por Wanfil em Crônica

06 de Abril de 2017

O ator José Mayer assediou uma colega de trabalho e caiu em merecida desgraça. Assédio moral e sexual. Em nota, tentou amenizar o ocorrido, mas no fim admitiu a culpa sem contestar o duro relato feito pela vítima. Talvez por isso, a confissão, Mayer tenha sido apenas suspenso em vez de sumariamente demitido. Não sei.

De todo modo, fazendo um paralelo nesse Brasil de tantos escândalos, é muito raro ver figuras públicas assumindo seus erros ou crimes. Na política então, a regra é morrer negando ou fingindo que nada aconteceu.

No Ceará basta lembrar do golpe da refinaria, do hospital no Sertão Central que nunca funcionou, dos tatuzões que enferrujam a céu aberto, exemplos de assédios eleitorais impunes, sem que ninguém seja devidamente responsabilizado por atrasos e prejuízos. Não há pedidos de perdão, sinais de arrependimento ou vergonha.

Em Brasília, mesmo diante do maior escândalo de corrupção e da maior recessão da história nacional, os protagonistas do desastre continuam a fingir que nada fizeram demais.

No caso do ator, a opinião pública o condenou, com toda a razão, sem precisar esperar o “trânsito em julgado” dos tribunais. A confiança foi quebrada e isso não tem perdão. Ano que vem será a chance para  o eleitor mostrar que é tão exigente quanto o telespectador.

Publicidade

Dilma vem ao Ceará para nada. Resta ver quem serão os figurantes do factoide

Por Wanfil em Política

26 de agosto de 2015

Dilma-metro-Fortaleza-linha-sul-Foto-Roberto-Stuckert-Filho-PR

Dilma no Ceará, em 2013, quando ainda era popular. E agora, quem embarcará com ela no trem da impopularidade? Imagem: efeito sobre foto de divulgação

A presidente Dilma vem ao Ceará na próxima sexta-feira (28). Na agenda, a petista irá a Lavras da Mangabeira (terra do senador Eunício Oliveira, do PMDB) assinar ordem de serviço para trecho da ferrovia transnordestina. Depois, como se fosse prefeita do Brasil, segue para Caucaia, onde entrega algumas unidades do ‘Minha Casa, Minha Vida’. Não há confirmação sobre uma eventual vistoria nas obras da transposição do São Francisco. Por fim, em Fortaleza, ela participa do evento “Dialoga Ceará”.

Mais do mesmo
Na prática, Dilma não fará nada, a exemplo de visitas anteriores. O Minha Casa Minha Vida programa sofreu corte de 5,6 bilhões de reais por causa da crise, sem contar com nos atrasos dos pagamentos às construtoras, que por isso começaram a demitir operários. No Ceará, serão entregues quatrocentas e poucas unidades, muito pouco para um governo que festejava a condição de sétima economia do mundo.

A transnordestina, assim como a transposição, é exemplo de ineficiência, com atrasos sucessivos e aumentos de preços inexplicáveis. E o “Dialoga Ceará” é invenção de marqueteiro na tentativa de mostrar que seu governo não se resume a escândalos de corrupção, caos político e desastre na economia. Como sempre, vai sobrar discurso e faltar ação. Nem a reforma do aeroporto prometida para a Copa o governo conseguiu fazer.

A novidade
Nada disso é novo. Dilma já veio ao Ceará outras vezes fazer promessas e discursos sem nexo. A diferença é a conjuntura desfavorável para a presidente. Processos no TSE e no TCU, ameaça de impeachment, protestos contra o governo, inflação alta, aumentos nas taxas de energia e nos combustíveis, dólar descontrolado, desemprego recorde, redução nos repasses federais para estados e municípios e maior índice de impopularidade da história.

Sem contar o passivo local, como os 650 milhões de reais do tesouro estadual gastos para receber a refinaria prometida aos cearenses, ou a redução de verbas para a saúde, que ampliou a crise no setor.

Trem desgovernado
Antes, quando ainda registrava boas taxas de aprovação, a presidente era seguida por um cortejo de aliados sorridentes, ansiosos por fotografias e incapazes de cobrar-lhe promessas como a refinaria. Eram coadjuvantes dos factoides presidenciais dispostos a tudo para ficar no trem do governismo, quando este andava nos trilhos. Agora, a situação é outra. Cid já saiu do ministério e Ciro tratou de procurar um partido independente, no caso, o PDT.

Será interessante ver quem, livre de obrigações partidárias ou de funções administrativas, ainda se dispõe a ficar no trem desgovernado pilotado por Dilma, na condição de figurante durante as encenações públicas agendadas para a visita.

Publicidade

Depois do PAC, lá vem o PIL: é o marketing de governo tentando sobreviver ao marketing eleitoral

Por Wanfil em Política

10 de junho de 2015

Lembram do PAC? O Programa de Aceleração do Crescimento lançado originalmente em 2007 e relançado diversas vezes pelo governo federal, com a promessa de bilhões e bilhões de reais em obras? Lembram que esse seria o arremate final rumo ao paraíso prometido pela gestão petista? Pois é, submetido ao teste do tempo, o programa de nada serviu para acelerar o crescimento, pelo contrário: a economia foi desacelerando até estagnar em 2014 e para 2015 a única dúvida agora é saber o tamanho da retração.

É preciso reconhecer que, como peça de marketing eleitoral, o PAC foi eficiente, brilhando em três campanhas, com candidatos alardeando mais bilhões e bilhões de reais nisso e naquilo. Deu certo por um tempo, mas não cola mais. Hoje, as principais obras do PAC se dividem nessas entre as que não foram concluídas, as que aumentaram muito de preço, as que nem começaram e as que são objeto de investigações sobre corrupção. A Transposição do São Francisco e as refinarias da Petrobras são alguns exemplos dessa, digamos, marca de ineficiência.

Truque velho
Com a gestão de Dilma Rousseff mergulhada em recordes de impopularidade, a turma da propaganda decidiu então que a saída, na falta do que mostrar, é mudar a cara da promessa lançando o PIL – Programa de Investimento em Logística. Com essa nova palavra mágica o governo promete – surpresa! – investir bilhões e bilhões de reais em obras magnânimas.

Para o Ceará está previsto nada menos do que R$ 1,98 bilhão para o Aeroporto Pinto Martins, o mesmo que deveria ter sido ampliado para a Copa do Mundo e que acabou com um puxadinho de lona e escombros de obra abandonada. Mas as manchetes foram garantidas: “Dilma garante bilhões” e por aí vai. Boa parte da imprensa embarca na conversa, na esperança de ver algo dar certo. Ocorre que o descompasso entre discurso e realidade nos últimos anos, repletos de anúncios desse tipo, desgastou não apenas o programa, mas a credibilidade dos próprios governantes. Quem é que ainda acredita nessas promessas?

Privatização
Faço aqui um adendo sobre o fato de o aeroporto entrar no projeto de concessões anunciado pela presidente. Como todos sabem, privatizações ou, como queiram, a transferência de serviços públicos para a iniciativa privada, foi algo condenada, desde sempre, pelo PT e por Dilma. A contradição não revela um erro de visão do partido, corrigido mediante uma explicação e uma revisão programática. Pelo contrário: suas lideranças dizem que estavam certas quando eram contra e que estão certas quando estão a favor. O que fica revelado, portanto, é uma questão de caráter. A depender das circunstâncias, o que era pecado se transforma em virtude, desde que seja de interesse do partido.

Otimista
O governador Camilo Santana, no compreensível papel de gestor aliado e de político correligionário de Dilma, disse que está muito otimista e satisfeito com as medidas do PIL. Não duvido das boas intenções de ninguém, afinal, os governos precisam mostrar algum serviço, claro. O problema é que se o padrão de execução for o mesmo do PAC, fica difícil manter o otimismo, muito menos a satisfação.

Publicidade

Vice-governadora prevê ano de arrocho no Ceará. Entenda o que isso significa

Por Wanfil em Política

19 de novembro de 2014

Nas campanhas eleitorais a ordem é vender sonhos, expectativas de futuro. Discursos com mais concursos, novos investimentos, números fabulosos, ampliação do assistencialismo (programas sociais, dizem na propaganda), desoneração e corte de impostos para gerar empregos, estimulam os eleitores.

Divulgado o resultado das urnas, os eleitos começam a deslocar o centro da conversa. O que antes era certo e garantido, agora passa a depender de variáveis que não eram mencionadas. Assim, começam a aparecer nas entrevistas termos como “controle”, “estudos”, “planejamento”, “capacidade”, “orçamento”, “repasses”, entre outros.  Os compromissos são reafirmados, mas devidamente acompanhados de alertas condicionantes. Vale ressaltar que no Ceará candidatos de oposição e de situação diziam saber onde conseguir recursos para cumprirem suas promessas. Por isso, qualquer tergiversação nesse sentido configura mudança de postura, para dizer o mínimo.

Nada disso é novidade, nem foi criado em 2014. Por ser comum, não significa que seja ético, pelo contrário, especialmente se levarmos em conta o padrão moral da política brasileira. Dilma não condenou a aumento de juros durante a campanha para três dias depois de reeleita aumentar os juros? O nome disso é trapaça, mas, nesse casos, é igual simulação de pênalti: encerrado o jogo, nada muda o placar. Em casos em que um novo gestor ainda está por assumir o mandato, esse método fica mais fácil de ser operado, pois há um tempo até que o novo governo comece e se adapte ao cotidiano da administração.

No Ceará, a vice-governadora Izolda Cela (Pros), que participa das reuniões da equipe de transição, deu início ao processo de redução de expectativas:

“Nesses dois, três anos mais recentes, o orçamento de estados e municípios têm sofrido apertos, ajustes. A diminuição das transferências do Governo Federal tem sido muito significativa. Então, é claro que uma nova gestão se inicia com todo aquele alerta de atenção, controle, de fazer caixa. Essas são as tarefas que já se anunciam e que são esperadas mesmo para um estado que tem uma estabilidade financeira. (…) Porque aquilo que exigirá mais recursos precisa desse tempo de controle do primeiro ano para acontecer”.

Tradução do Wanfil
Obviamente, a fala de Izolda é marcada por um habilidoso uso de eufemismos típicos da política. Por isso, faço aqui uma tradução livre do politiquês economicista para o português sem subterfúgio:

“Durante o governo Dilma a economia parou e isso reduziu os repasses federais para os estados e municípios. Assim, como a receita do Ceará não basta para bancar projetos que contavam com o aumento desses repasses, o jeito agora é cortar gastos para poupar e tentar terminar o que está em andamento. Então, em 2016, se der, a gente vê os novos projetos e ações”.

Convenhamos, não é o tipo de coisa que governistas digam durante a campanha, nem mesmo de forma cifrada. Desse jeito, não daria para “continuar mudando”. Sabe como é, vergonha é perder eleição.

Publicidade

Dilma e Cid na Ilha da Fantasia

Por Wanfil em Ceará

20 de Março de 2014

No seriado "Ilha da Fantasia" o truque consistia na doce ilusão de que os problemas não existiam, só as soluções.

Ilha da Fantasia: o paraíso onde os problemas. como mágicas, pareciam não mais existir.

A visita da presidente Dilma Rousseff ao Ceará, nesta quarta-feira (19) – dia de São José! –, foi marcada pelo otimismo desenfreado e pelos anúncios maravilhosos de sempre.

O governador Cid Gomes disse que a construção de adutoras emergenciais de engate rápido feitas com aço importado (ufa!), mostra que o governo estadual agiu de forma preventiva contra a seca, embora a lógica mais elementar sugira que ações de prevenção servem justamente para evitar ações emergenciais. Tivessem ficado prontas antes, as tais adutoras não precisariam agora ser feitas às carreiras, não é? Mas vamos em frente.

Dilma não ficou por baixo, é claro, que chefe é chefe. Entregou algumas máquinas para prefeituras e prometeu verbas, igualzinho ao que já havia feito em abril do ano passado, sem que nada tenha mudado de lá para cá. E “inaugurou” mais um trecho do Eixão das Águas. Não, a obra não foi concluída. Para efeito de comparação, se fosse um prédio, teria sido a inauguração de um andar. Que importa isso? O que vale mesmo é a festa.

No fim, foi tudo supimpa! Os cearenses ficaram sabendo que a seca já não é mais um problema grave e urgente, pois graças aos programas dos governos federal e estadual, não há mais com o que se preocupar. Pelo menos isso é o que o eleitor mais desavisado pode ter entendido ao ouvir discursos tão bacanas. E com tantos seguranças protegendo nossas autoridades, ninguém lembrou que o Ceará se tornou um dos estados mais violentos do Brasil nessa quadra administrada pela parceria Dilma/Cid. Mas esse é outro assunto, deixa pra lá.

Nos momentos de maior ternura, por assim dizer, o presidente da Associação dos Prefeitos e Prefeituras do Ceará, Expedito Leite, empolgado com tantas maravilhas, disse que Cid é o maior gestor da história do Estado. Este retribuiu o elogio com um gracejo, afirmando que realmente é o governador mais alto em estatura física que já houve. E nesse clima de “missão cumprida” e afeto, Dilma disse – sem errar o nome – que o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, é a pessoa mais alegre que ela já conhecera.

Fantasy Island

Olha, tanta alegria assim me fez lembrar de um antigo seriado de televisão dos anos 80 chamado “Ilha da Fantasia” (Fantasy Island). Lá, o Sr. Roarke (Ricardo Montalban) e seu amigo Tattoo (Hervé Villachaize) recebiam convidados endinheirados num resort de luxo, onde a ilusão se confundia com a realidade. Mas, mesmo na ficção, no final de cada episódio a realidade sempre prevalecia sobre a ilusão. A moral da história era simples. Todo truque, por mais que dure, um dia acaba.

O Ceará desta quarta-feira mais pareceu uma ilha repleta de soluções do que um Estado em dificuldades, com quase todos os seus municípios em estado de emergência. Ocorre que apesar dos discursos fantasiosos que marcaram a visita presidencial, longe dos palanques e das comitivas, a realidade prevalece implacável: nada pode mudar o fato de que a seca castiga como nunca o Ceará e que Dilma não cumpriu a promessa de concluir a transposição do Rio São Francisco. Pelo contrário! Atrasou a obra como ninguém. O resto é papo furado! E ninguém pode se dizer mais surpreso com a lentidão desse padrão gerencial, pois nem sequer uma reforma no aeroporto de Fortaleza para a Copa do Mundo o governo federal conseguiu fazer.

Nada muda a verdade de que a segurança hídrica do Ceará, ou seja, sua capacidade de armazenamento d’água, da qual se vangloriaram a presidente e o governador, atende mesmo pelo nome de Açude Castanhão, obra feita por gestões passadas.

No mundo real, a turma da Dilma mais uma vez veio ao Ceará dourar a pílula, buscando fazer de atos pequenos, como a entrega de equipamentos agrícolas e cisternas apelidados de kit seca, coisa grandiosa digna de uma estadista. No mundo real, a visita de Dilma mais pareceu campanha eleitoral.

Vergonha agora não é mais acreditar nessa conversa fiada. Vergonha é ainda ter quem se dê ao ridículo de aplaudir a fantasia. Leia mais

Publicidade

Rainha do camarote: visita de Dilma não agrega valor ao Ceará

Por Wanfil em Ceará

22 de novembro de 2013

Nada mais parecido do que um camarote e um palanque. A diferença é quem paga a conta. Imagem: Montagem sobre fotos.

Nada mais parecido do que um camarote e um palanque. A diferença é quem paga a conta. Imagem: Montagem sobre fotos.

Muita encenação e pouca realização. Esse é o legado da quarta passagem da presidente Dilma Rousseff pelo Ceará, em visita realizada nesta sexta-feira (22). Boas intenções podem até sobrar, mas inaugurações de grandes obras que é bom…

Oficialmente, a presidente veio ao estado para anunciar novos investimentos em mobilidade urbana, assinar uma ordem de serviço para a Linha Leste do metrô de Fortaleza e um protocolo de intenções para a criação de uma reserva que deverá receber os índios que vivem no local onde – dizem… – será construída a refinaria da Petrobras, aquela que Lula já inaugurou mas que nunca saiu do papel.

Para se ter uma ideia do valor real dessa agenda, basta ver um notícia do dia 27 de fevereiro de 2012, publicada no site da Agência Brasil, órgão de comunicação do governo federal (grifo meu):

Dilma visita obras no Ceará e anuncia investimentos em projetos urbanos – A presidenta Dilma Rousseff viaja hoje (27) para o Ceará, onde vai anunciar investimentos e visitar obras de mobilidade urbana e saneamento. O primeiro compromisso da presidenta é o anúncio de mais recursos para o metrô de Fortaleza, que deverão ser investidos na Linha Leste, que liga a capital a cidades da região metropolitana.

Um ano e nove meses depois, qualquer coincidência com a visita de hoje  não é mera coincidência. É repetição intencional para dar a impressão de que algo está sendo feito. Para a conversa colar, Dilma conta com o apoio de toda a base governista no Ceará, com a fraqueza da oposição e com a disposição da imprensa de dar manchete para os números prometidos. A refinaria da Petrobras a curto ou médio prazo é uma MENTIRA eleitoreira cuja assinatura do tal protocolo de intenções servirá para dar verossimilhança à cascata de que em um eventual segundo mandato da presidente, a promessa será finalmente cumprida.

O truque consiste em agregar valor ao evento, para usar uma expressão da moda, com penduricalhos e simbolismos.

Do camarote para o palanque

Como agregar valor a um evento político sem substância no mundo real? Basta transpor para a política os mandamentos do famoso Rei do Camarote, afinal, eventos oficiais cuidadosamente pensados para funcionar como palanques de campanha eleitoral antecipada são uma espécie de camarote político. Na essência, a coisa não muda muito. Vejamos como ficariam quatro pontos colocados pelo tal Rei do Camarote:

1) No camarote: vestir as melhores grifes.
No palanque: grife pega bem em eventos fechados, mas em aparições públicas, é melhor evitar a ostentação, que não combina com populismo. De qualquer forma, imagem é tudo e fica a cargo de profissionais caríssimos (o custo com cabelo e maquiagem da presidente, por exemplo, pode chegar a 3 mil reais);

2) No camarote: convidar celebridades e mulheres bonitas para agregar valor.
No palanque: essas figuras são substituídas por políticos locais de maior visibilidade, lideranças empresariais e da sociedade civil organizada;

3) No camarote: divulgar fotos e vídeos na internet.
No palanque: vale a mesma regra, com a vantagem de que a presidente tem  equipes próprias para fazer o serviço, além de de poder contar com veículos e jornalistas alinhados com o seu, digamos, projeto;

4) No camarote: ter a melhor champanhe.
No palanque: o apelo lúdico da balada política fica por conta de alguma inauguração qualquer, coisa de prefeito mesmo, para fazer aquela foto bacana (na agenda presidencial no Ceará consta a inauguração de uma simples Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no município de Horizonte).

Pronto! A diferença entre o rei e a rainha do camarote é quem paga a conta de cada um.

Mundo real

No universo dos fatos concretos, as obras do aeroporto de Fortaleza e a transposição do Rio São Francisco (que deveria ter sido concluída no ano passado) continuam atrasadíssimas.

Publicidade

Dilma no Ceará: chuva de anúncios, escassez de realizações

Por Wanfil em Política

02 de Abril de 2013

A agenda oficial da Presidência da República informa os seguintes compromissos de Dilma Rousseff no Ceará, nesta terça-feira:

1) 17ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE);

2) Cerimônia de entrega de máquinas retroescavadeiras e motoniveladoras;

3) Cerimônia de inauguração da Escola Estadual de Educação Profissional Jaime de Oliveira e de entrega de 14 ônibus escolares no âmbito do Programa Caminho da Escola.

Na reunião na Sudene, da qual participaram governadores dos estados do Nordeste, a maior novidade foi o anúncio de um programa de recomposição do rebanho morto em decorrência da seca. À imprensa não foram informados valores, prazos ou maiores detalhes a respeito. Mas as manchetes positivas já estão garantidas.

De resto, o governo se comprometeu a prorrogar o pagamento programas de complementação de renda e anunciou a liberação de verbas para a região. Dizer o quê? Essa é a parte fácil. A questão mesmo é ver as coisas saírem do papel como deveriam.

Agenda eleitoral

Dilma veio ao Ceará participar de uma reunião técnica e aproveitou para anunciar verbas, dar lições aos governantes do passado, entregar tratores e inaugurar uma escola, feitos dignos de uma prefeita, não de uma presidente. Nas cerimônias, é claro, não faltaram salamaleques, fotos e sorrisos.

O governdor Cid Gomes chegou a dizer que nunca antes uma gestão foi tão ágil como o atual. Isso me faz lembrar da transposição do Rio São Francisco, obra que a presidente e seu antecessor prometeram, mas não entregaram. Os aliados se calam em sinal de obediência e a oposição se acovarda diante da exploração eleitoreira da miséria no Nordeste.

Sim, a agenda presidencial no Ceará foi calculada mirando as eleições de 2014, com o claro objetivo de 1) promover a imagem de Dilma como gestora atuante, malgrado a falta de realizações impactantes na região; 2) divulgar um discurso de defesa contra um eventual desgaste mediante o agravamento da seca, 3) mobilizar aliados, para evitar vácuo de liderança em ano pré-eleitoral.

Na prática, é a estratégia de vender esperanças enquanto se distribui migalhas, de transformar atos de pequeno porte em indispensáveis instrumentos de combate à seca. O fato é que a realidade de quem sofre com a estiagem não muda um milímetro.

Dimensões da seca

Não sendo mais possível reduzir os efeitos da seca para a economia e para o sertanejo, a prioridade agora é reduzir os efeitos de seca na candidatura oficial. Infelizmente, a viagem de Dilma ao Ceará foi infértil como a terra seca do semiárido. Para esta, a volta da chuva é a única esperança. Para o governo, o truque é fazer chover promessas até outubro do ano que vem. Como diz a presidente, “conviver com a seca tem várias dimensões”.

 

PS. O governador Cid Gomes voltou a prometer a refinaria da Petrobras no Ceará, que será “o maior investimento do século” no estado, cerca de 11 bilhões de reais. Na plateia, a presidente da estatal, que vive dias de dificuldade por causa de perdas financeiras e ingerências políticas. No plano de investimentos da Petrobras até 2017, não há previsão para a refinaria do Ceara.

Publicidade

Dona Maria da Conceição: “Eu acho que nós vamos morrer de sede ou de fome”

Por Wanfil em Ceará

27 de Março de 2013

Senso de urgência: As vítimas da seca são prioridade somente em tempo de eleição.

Senso de urgência: As vítimas da seca são prioridade somente em tempo de eleição.

Dia 2 de setembro de 2010 – A propaganda eleitoral da candidata Dilma Rousseff apresenta, a partir dos seis minutos de exibição, o testemunho do operário Ivanilson Torres, direto da transposição do Rio São Francisco: Com essa obra aqui, a gente vai ter água pros animais, vai ter água pra beber, água pra tomar banho, e também poder plantar alguma coisa. Eu quero parabenizar o nosso presidente… né? E quero dizer que Deus continue abençoando ele, dando força, porque é um orgulho. É um orgulho… [começa a chorar] É um orgulho pra nós aqui! Senhor Presidente, que Deus te abençoe e lhe dê graça pro senhor continuar trabalhando, porque o teu povo precisa disso, essa obra”. Para conferir o vídeo original, clique aqui.

A obra, que promete levar água para 12 milhões de pessoas, como todos sabem, não ficou pronta. Aliás, está mais do que atrasada, dobrou de valor e é alvo de investigações de desvios de verba. Dilma foi eleita.

Dia 26 de março de 2013 – O Jornal Jangadeiro exibe a série especial Vidas Secas. Na matéria do dia, duas senhoras que vivem no semi-árido cearense são ouvidas. A dona de casa Josilene Duarte relata, aos 38 segundos de vídeo, a realidade que vive: “Está sendo difícil, viu. Porque nós estamos praticamente tirando [comida] da boca pra poder comprar água pra nós, fora essa água aqui [do carro-pipa].

No final, a partir de 1 minuto e 56 segundos, a aposentada Maria da Conceição lamenta: “Eu era moça, bem novinha. Aí nós viemos da Itapipoca pra cá, pra nós não morrer de sede e de fome. E agora tamo aqui… Eu acho que nós vamos morrer de sede ou de fome.

Confira a matéria:

 

O contraste entre o testemunho da propaganda eleitoral, peça de tom paternalista na qual o choro do operário sugere um dever de subserviente gratidão, e as entrevistadas da matéria jornalística que revela as agruras da seca no Nordeste, não pode ser mais revelador. De um lado, o anúncio de novos amanhãs retumbantes, do outro, a velha realidade de descaso e abandono.

A diferença entre pedir favor e cobrar dívidas

O governador Cid Gomes pretende tratar com a presidente Dilma sobre ações de combate aos efeitos da estiagem. Há o risco iminente de colapso no abastecimento de água em grandes cidades do interior. Apesar da urgência do problema, Dilma conversará com o governador somente depois do feriado da Semana Santa, como se aquelas senhoras que temem a ameaça da sede e da fome pudessem esperar. Como se milhões não estivessem na mesma situação delas.

É o seguinte: catástrofes naturais costumam a causar comoção pública porque são repentinas e impactantes. Já a seca mata lenta e silenciosamente, característica incapaz de fazer brotar em nossos digníssimos gestores o sentimento de urgência que deveria angustiá-los nesse momento. Como isso não acontece, as pessoas sofrem e morrem longe, sem direito a vez e voz.

Não falo de obras de prevenção, que isso é outro assunto, mas de ações imediatas. Em Itapajé, cidade onde a reportagem foi feita, há um açude cuja construção foi concluída em janeiro passado, mas está vazio, pois o rio que o abasteceria secou. Portanto, não adianta prometer barragens, cisternas e coisas do tipo. É preciso água!

Seca de coragem

É bom lembrar que  Cid não tem que pedir favor à presidente Dilma, que em 2010 soube vir ao Ceará pedir votos. Trata-se de COBRAR medidas de curto prazo, uma vez que as promessas feitas não foram cumpridas. O velho ACM era assim, um aliado útil, desde que a sua Bahia não ficasse em segundo plano. Portanto, é hora do governador esquecer os salamaleques eleitorais e falar grosso com a presidente.

Mas Cid não tem que fazer isso sozinho. Onde estão os senadores do Ceará? Por que não denunciam tamanho descaso? E os deputados federais, por que não cobram o governo federal? Porque não param de votar qualquer medida, especialmente as de interesse da presidente, até que algo de efetivo seja feito? Se pelo menos houvesse uma oposição para denunciar essa pasmaceira… Não é de admirar que a mulher seja popular: falta brio para cobrarem as obrigações inerentes ao cargo e as promessas que ela fez.

Como eu disse em minha coluna na rádio Tribuna Band News, a seca é um fenômeno natural e previsível, mas a falta de ações concretas e emergenciais é falha dos governantes e das autoridades que nos representam.

Publicidade

Dona Maria da Conceição: “Eu acho que nós vamos morrer de sede ou de fome”

Por Wanfil em Ceará

27 de Março de 2013

Senso de urgência: As vítimas da seca são prioridade somente em tempo de eleição.

Senso de urgência: As vítimas da seca são prioridade somente em tempo de eleição.

Dia 2 de setembro de 2010 – A propaganda eleitoral da candidata Dilma Rousseff apresenta, a partir dos seis minutos de exibição, o testemunho do operário Ivanilson Torres, direto da transposição do Rio São Francisco: Com essa obra aqui, a gente vai ter água pros animais, vai ter água pra beber, água pra tomar banho, e também poder plantar alguma coisa. Eu quero parabenizar o nosso presidente… né? E quero dizer que Deus continue abençoando ele, dando força, porque é um orgulho. É um orgulho… [começa a chorar] É um orgulho pra nós aqui! Senhor Presidente, que Deus te abençoe e lhe dê graça pro senhor continuar trabalhando, porque o teu povo precisa disso, essa obra”. Para conferir o vídeo original, clique aqui.

A obra, que promete levar água para 12 milhões de pessoas, como todos sabem, não ficou pronta. Aliás, está mais do que atrasada, dobrou de valor e é alvo de investigações de desvios de verba. Dilma foi eleita.

Dia 26 de março de 2013 – O Jornal Jangadeiro exibe a série especial Vidas Secas. Na matéria do dia, duas senhoras que vivem no semi-árido cearense são ouvidas. A dona de casa Josilene Duarte relata, aos 38 segundos de vídeo, a realidade que vive: “Está sendo difícil, viu. Porque nós estamos praticamente tirando [comida] da boca pra poder comprar água pra nós, fora essa água aqui [do carro-pipa].

No final, a partir de 1 minuto e 56 segundos, a aposentada Maria da Conceição lamenta: “Eu era moça, bem novinha. Aí nós viemos da Itapipoca pra cá, pra nós não morrer de sede e de fome. E agora tamo aqui… Eu acho que nós vamos morrer de sede ou de fome.

Confira a matéria:

 

O contraste entre o testemunho da propaganda eleitoral, peça de tom paternalista na qual o choro do operário sugere um dever de subserviente gratidão, e as entrevistadas da matéria jornalística que revela as agruras da seca no Nordeste, não pode ser mais revelador. De um lado, o anúncio de novos amanhãs retumbantes, do outro, a velha realidade de descaso e abandono.

A diferença entre pedir favor e cobrar dívidas

O governador Cid Gomes pretende tratar com a presidente Dilma sobre ações de combate aos efeitos da estiagem. Há o risco iminente de colapso no abastecimento de água em grandes cidades do interior. Apesar da urgência do problema, Dilma conversará com o governador somente depois do feriado da Semana Santa, como se aquelas senhoras que temem a ameaça da sede e da fome pudessem esperar. Como se milhões não estivessem na mesma situação delas.

É o seguinte: catástrofes naturais costumam a causar comoção pública porque são repentinas e impactantes. Já a seca mata lenta e silenciosamente, característica incapaz de fazer brotar em nossos digníssimos gestores o sentimento de urgência que deveria angustiá-los nesse momento. Como isso não acontece, as pessoas sofrem e morrem longe, sem direito a vez e voz.

Não falo de obras de prevenção, que isso é outro assunto, mas de ações imediatas. Em Itapajé, cidade onde a reportagem foi feita, há um açude cuja construção foi concluída em janeiro passado, mas está vazio, pois o rio que o abasteceria secou. Portanto, não adianta prometer barragens, cisternas e coisas do tipo. É preciso água!

Seca de coragem

É bom lembrar que  Cid não tem que pedir favor à presidente Dilma, que em 2010 soube vir ao Ceará pedir votos. Trata-se de COBRAR medidas de curto prazo, uma vez que as promessas feitas não foram cumpridas. O velho ACM era assim, um aliado útil, desde que a sua Bahia não ficasse em segundo plano. Portanto, é hora do governador esquecer os salamaleques eleitorais e falar grosso com a presidente.

Mas Cid não tem que fazer isso sozinho. Onde estão os senadores do Ceará? Por que não denunciam tamanho descaso? E os deputados federais, por que não cobram o governo federal? Porque não param de votar qualquer medida, especialmente as de interesse da presidente, até que algo de efetivo seja feito? Se pelo menos houvesse uma oposição para denunciar essa pasmaceira… Não é de admirar que a mulher seja popular: falta brio para cobrarem as obrigações inerentes ao cargo e as promessas que ela fez.

Como eu disse em minha coluna na rádio Tribuna Band News, a seca é um fenômeno natural e previsível, mas a falta de ações concretas e emergenciais é falha dos governantes e das autoridades que nos representam.