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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

promessa

Camilo quer apoio de Dilma para a refinaria. Só lembrando: não é favor, é dívida de campanha

Por Wanfil em Política

04 de novembro de 2014

Sobre o encontro entre o governador eleito do Ceará, Camilo Santana, com a presidente Dilma Rousseff, assessoria de comunicação do ex-candidato informa que ele “reforçou o pedido pela instalação da Refinaria [da Petrobras] no Estado”. Em seguida, conforme o release, Camilo falou sobre o empreendimento:

“O governador Cid Gomes já deixou todas as bases prontas para a instalação da Refinaria no Ceará. Com o apoio da presidenta Dilma, vou trabalhar para que o empreendimento se torne realidade e ajude a desenvolver ainda mais o Estado.”

É compreensível o cuidado do novo governador ao abordar a presidente. Mas aqui vai o alerta amigo do Wanfil: polidez demais não deu resultado nos últimos 12 anos. Aliás, quanto mais votos, mais palmas, mais salamaleques e bajulação, mais descaso em troca. O futuro ex-senador Inácio Arruda (PCdoB) não me deixa mentir. Durante todo esse tempo criaram empecilhos e desculpas, fizeram chacota (Sérgio Gabrielli, então presidente da Petrobras, comparou o projeto com uma gravidez para brincar com a “pressa” dos cearenses), transferiram responsabilidades (a culpa seria os entraves burocráticos ambientais no Estado para a liberação do terreno).

É claro que Camilo ainda não assumiu o governo e que tratar do assunto já nesse primeiro encontro é uma forma de lembrar pessoalmente o que foi prometido. Faz muito bem. Ocorre que, sem querer parecer muito pessimista, se a obra não veio no tempo das vacas gordas, agora é que vai ser difícil, com a Petrobras enrolada em problemas financeiros e escândalos de corrupção. Até o momento, ninguém veio a público desmentir a notícia da Reuters sobre o adiamento, mais um!, da obra.

De qualquer modo, é importante mostrar que o Ceará não espera um favor, uma caridade, mas a contrapartida de uma promessa que, se não for cumprida dessa vez, ficará lembrado como o maior estelionato eleitoral de nossa História.

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Refinaria no Ceará adiada logo após a eleição? Não seria a primeira vez…

Por Wanfil em Economia

30 de outubro de 2014

Não é oficial, mas segundo a agência de notícia Reuters, a Petrobras estuda adiar mais uma vez o projeto da refinaria Premium II, no Ceará. Entre os motivos estariam os escândalos de corrupção e problemas de mercado. Pode ser, pode não ser; ninguém confirma, muito menos nega. O fato é que devido ao histórico de adiamentos da obra que nunca saiu do papel (lá se vão quase dez anos), a gente acaba desconfiando, não é mesmo?

Vez por outra, com especial ênfase nos anos eleitorais, os governos federal e estadual realizaram reuniões, assinam documentos, falam em parcerias com o setor privado, tudo para mostrar que algo está sendo feito. Apesar de tanto alarde, o tempo passa e nada de concreto acontece. Nadinha. Chegou a um ponto em que a situação começou a constranger os aliados locais de Lula e Dilma, autores da promessa. A distância entre o que é anunciado e o que (não) é entregue passou a soar como falta de prestígio. Eduardo Campos conseguiu uma refinaria da Petrobras para Pernambuco…

Nesse sentido, desde o ano passado uma caravana organizada pela Assembleia Legislativa, sob a presidência do deputado Zezinho Albuquerque (PROS), percorre cidades do interior para cobrar a refinaria, embora a obra não tenha nada a ver com o legislativo estadual. Ocorre que nas vezes em que Dilma esteve no Ceará durante esse período, ninguém deu um pio, o assunto passou batido e ficou tudo por isso mesmo. Essa postura valente de longe e calada de perto explica em grande medida o descaso do Planalto com o Ceará: base de apoio é dócil, mansa e politicamente irrelevante em Brasília, não é prioridade.

Como a notícia, mesmo não sendo oficial, já repercute no país, cabe ao governador Cid Gomes e ao governador eleito Camilo Santana, além da bancada cearense no Congresso, pedirem um esclarecimento à Petrobras: afinal, vai fazer ou não? E quando? É preciso mostrar ao governo federal que o Ceará não se contenta apenas com Bolsa Família, já que o Estado fez a sua parte para receber a refinaria anunciada. É muito cômodo para Lula e Dilma usar a Petrobras para fins políticos e eleitorais, mas na hora de cumprir a palavra, alegar questões de mercado. Vale lembrar que ninguém está pedindo esmolas ou favores, mas exigindo respeito. Os cearenses são credores de uma promessa que vem sendo feita reiteradamente eleição após eleição, mas que nunca vira realidade.

Promessa é dívida.

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Olha a refinaria do Ceará! Onde? Ali, naquele factoide de ano eleitoral!

Por Wanfil em Ceará

27 de Janeiro de 2014

Há pouco mais de três anos, no final de dezembro de 2010, o ex-presidente Lula veio ao Ceará lançar a pedra fundamental de uma refinaria da Petrobras. Os mais entusiasmados viram no episódio a materialização de um sonho antigo que virou promessa de destaque na campanha nas eleições do próprio Lula e de Dilma Rousseff. Na ocasião, não faltaram pompas e circunstâncias, palanques e aplausos, além das matérias de sempre, dando conta dos bilhões que seriam investidos na construção de uma das maiores siderúrgicas do mundo.

Enquanto esse porvir radiante não chega, nada, nadinha mesmo que se pareça com uma refinaria, aconteceu. Certo mesmo, somente a reedição sistemática da mesma promessa em períodos eleitorais.

Agora… não vai!

Agora o governo do Estado anunciou que a Petrobras deu entrada no pedido de Licença de Instalação para o empreendimento junto à Secretaria do Meio Ambiente. Fica a impressão, portanto, de que agora finalmente a coisa vai, ou como diz o governo estadual, “mais um passo foi dado”. E tome de novo a conversa de que serão tantos bilhões, milhares de empregos, um novo amanhecer…

No mundo real, é o seguinte: o governo federal não consegue nem sequer fazer uma reforma no Aeroporto Pinto Martins. Faltando pouco mais de quatros meses para a Copa do Mundo, o ministro Valmir Lopes, do Tribunal de Contas da União, veio ao Ceará dizer que em virtude disso, os gestores responsáveis poderão ser multados. Ora, esqueceram de avisar ao ministro de que, a essa altura, o próprio TCU está atrasado na fiscalização. Já era! Teremos um puxadinho de lona para receber turistas. Quem multa os aplicadores de multa?

Aliás, aproveitando a deixa, lembro ao distinto TCU que atraso por atraso, existem outros bem mais graves, como a Transposição do Rio São Francisco, que deveria ter sido concluída em 2010 e que ainda está pela metade, custando (ó surpresa!) o dobro da previsão de custos inicial. Mais do que prejuízos financeiros, o problema maior é ver o futuro do Estado comprometido.

Já me comprometi na Tribuna Bandnews, onde tenho uma coluna diária, que toda vez que o governo federal e seus amedrontados parceiros estaduais tentassem emplacar um factoide sobre a refinaria, eu denunciaria a conversa fiada.

Então é o seguinte: se demoraram 12 anos para conseguir uma simples licença ambiental – e dado o perfil de inoperância da gestão Dilma, sobretudo em relação ao Ceará –, não será agora, nem nos próximos quatro anos, em caso de reeleição, que essa dívida será quitada.

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Petrobras amarga déficit, aumenta combustíveis para reduzir prejuízo e Dilma ainda promete refinaria para o Ceará

Por Wanfil em Ceará

30 de novembro de 2013

Prometeram uma vez, duas vezes, três vezes. Fizeram propagandas, divulgaram números, lançaram pedra fundamental… E nada de refinaria da Petrobras no Ceará! A obra nem ao menos está na planilha de investimentos da empresa. Já culparam a burocracia, os índios e os coreanos. Estes, chamados para atuar em parceria com a estatal brasileira, pularam fora. Mas com a aproximação do ano eleitoral, a promessa voltou com ares de grande salto, de “agora vai”, de “deixa comigo”, de “fiquem felizes”.

O presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Zezinho Albuquerque, pré-candidato a uma indicação de Cid para disputar o governo estadual pela sigla de aluguel Pros, visita municípios do interior acompanhado de uma animada comitiva,  tudo custeado com dinheiro público, para “esclarecer” a população sobre a importância da refinaria para a economia do Ceará. Até concurso de redação fizeram, vejam que genial!

Nos discursos, alguns ensaios de cobranças ao governo federal dão o tom de “nos respeitem” aos eventos, divulgados pelos órgãos de comunicação da Assembleia. Mas quando a oportunidade de cobrar os responsáveis pela promessa não cumprida aparece, as críticas são substituídas por efusivos aplausos.

Politicagem

Foi o que aconteceu quando a presidente Dilma esteve no Cerá, no último dia 22. Quem foi lá dizer que a refinaria tem “cheiro de enrolação”, como já disse Ciro Gomes? Quem ousou lembrar que dívida não quitada não pode servir de garantia para novos empréstimos? Ninguém! Todos ficaram mesmo foi felizes, com um misto de exultação e alívio, diante da imperial garantia de Dilma de que a decisão de construir a refinaria é irreversível, porém (sempre tem um porém), sem data para começar. É uma fala que, a rigor, não significa nada, mas que rapidamente foi tomada como sinal de que “agora vai”.

É claro que, tirando o eleitor, não existe otário nessa história. Os profissionais da política sabem que a refinaria não vem, mas se empenham para dar alguma verossimilhança às desculpas oficiais, preparando o terreno para 1) não confessar que os cearenses foram tapeados, 2) repetir, mais uma vez, a promessa, como se fosse generosidade do governo e, claro, dos governistas locais.

Prejuízos

Vejamos agora como essa disposição de voltar a prometer a mesma obra se casa com as notícias da semana.

A balança comercial da Petrobras amargou prejuízo de 14, 4 BILHÕES de DÓLARES, um aumento de 157% em relação ao ano anterior. Quase o custo estimado para a refinaria no Ceará. E agora, o preço dos combustíveis foi reajustado para reduzir o prejuízo 1,8 bilhão de reais MENSAIS, causado pelo uso político (e também numa tentativa desastrada de segurar a inflação) da empresa.

Acredite se quiser

Se na época das vacas gordas, quando o Brasil crescia alguma coisa, sempre em ritmo menor do que os demais emergentes, mas crescia, o empreendimento não saiu do papel; se quando o barril do petróleo era mais valorizado nada se concretizou; se quando a Petrobras não estava com os graves problemas financeiros que agora são de conhecimento geral coisa alguma aconteceu, imagine agora.

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Cadê a refinaria que não está aqui? A Petrobras comeu!

Por Wanfil em Ceará

06 de setembro de 2013

Veja a imagem. Não está vendo a refinaria da Petrobras do Ceará? Pois é.

Veja a imagem. Não está vendo a refinaria da Petrobras no Ceará? Pois é.

E a empresa coreana que faria uma parceria com a Petrobras para construir uma refinaria no ceará desistiu do negócio. O motivo, ninguém sabe. Os coreanos haviam entrado na jogada por intermédio do governador Cid Gomes, depois que a Petrobras o incumbiu de buscar um sócio internacional.

Ainda à procura de uma realização que figure como símbolo da sua gestão, Cid costurou o acordo com os asiáticos. Inclusive, para quem não lembra, foi alegando uma viagem a Seul para acertar detalhes para o projeto, a operação, que Cid viajou durante a Copa das Confederações, em junho passado. O encontro não deu certo e o governador aproveitou para tirar uns dias de férias ali na Europa, enquanto a onda de protestos tomava conta do Brasil.

Enquanto isso, em Pernambuco

Cid agora procura outro parceiro internacional e diz que talvez na China tenha um interessado. Em Pernambuco as coisas são mais fáceis. Lá a Petrobras está construindo uma refinaria com 100% de recursos próprios, depois que a estatal venezuelana PDVSA deu um bolo nos brasileiros. É que falta ao Ceará, o que sobra a Pernambuco: articulação política.

Simplesmente os representantes cearenses não possuem respaldo para cobrar, pressionar, induzir ou articular a refinaria. No máximo, bancada federal e governo estadual conseguem recursos para o Bolsa-família ou emendas para festas religiosas no interior, passagens molhadas, kit sanitários e cisternas. E olhe lá!

Tapeação

Promessa que ajudou a reeleger Cid Gomes e a eleger Dilma Rousseff, a refinaria não veio e os cearenses foram enganados, essa é a verdade. O resto é factóide.

Para não admitir a tapeação e empurrar o compromisso com a barriga, foi anunciado que o terreno da obra será cercado ainda este ano. É o segundo passo visível da promessa não cumprida, junto com a pedra fundamental “inaugurada” por Lula em 2010. Um prodígio! Para 2014, está prevista a terraplanagem do terreno. Já vejo as maquetes eletrônicas na propaganda eleitoral.

Esperança

A refinaria é um sonho antigo e legítimo, que já ensejou muitos esforços e investimentos para fazer do Ceará um estado apto a recebê-lo. O Complexo Portuário do Pecém é um exemplo disso. Mas de lá pra cá, nada avançou, infelizmente, e é muito difícil acreditar que algo sairá do papel agora que Petrobras anda com o caixa esvaziado e apresenta déficit em sua balança comercial.

Resta uma última esperança. É que o deputado estadual Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, anda cobrando a construção da refinaria em reuniões com vereadores e prefeitos de cidades do interior. Dilma e Graça Foster não perdem por esperar.

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Refinaria no Ceará: novas formas para uma velha promessa

Por Wanfil em Ceará, Política

13 de junho de 2013

O desejo de ver instalada uma refinaria no Ceará é uma aspiração legítima, oportuna e viável, todos sabem. Especialmente quando o Estado fez investimentos que o colocam em condições de recebê-la, como, por exemplo, na área portuária. E mais ainda quando essa aspiração se torna promessa de campanha dos vencedores da eleição presidencial, casos de Lula e Dilma. Nesse processo, a obra se torna uma dívida para o governo que assume, com o povo cearense no papel de credor.

Ocorre que essa promessa tem sido devidamente renovada eleição após eleição e nada de refinaria. A fiadora da obra é a Petrobras, empresa mista controlada pelo governo, e que endossou as promessas de Lula e Dilma. No entanto, o início da construção é permanentemente adiado, de forma que fica cada vez mais difícil convencer o mais ingênuo e crédulo eleitor de que ele não foi enganado e de que ainda deve acreditar em novas promessas feitas por quem não cumpriu a palavra.

Factóides

Assim, aos que se beneficiaram dessa promissão com votações recordes, e diante da constatação de que o empreendimento até agora não passa de conversa, resta o seguinte desfio: Como salvar as aparências e ainda renovar as esperanças no compromisso de construir a refinaria? A resposta é  simples: criando factóides que tenham um mínimo de verossimilhança com o que possa parecer uma solução, ainda que nada seja resolvido. No caso em questão, duas ações simultâneas cumprem essa tarefa.

Primeiro, aliados do governo federal no estado montam uma campanha devidamente custeada com dinheiro público para “pressionar” a presidente Dilma. Os sócios locais da promessa não cumprida então reaparecem como valentes defensores dos interesses do Estado.

Em seguida, a Petrobras anuncia a parceria com uma empresa sul-coreana para viabilizar a construção da refinaria. Na verdade, não é mais do que uma carta de intenções para a realização de estudos sobre uma possível parceria, com vistas a um empreendimento de menor capacidade produtiva ao que foi anunciado no passado. Leia mais

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Deputados estaduais querem mobilização por refinaria no Ceará: ora senhores, cobrem Lula e Dilma!

Por Wanfil em Ceará

14 de Maio de 2013

É perfeitamente natural e desejável um governo ter a aspiração de ter uma refinaria de petróleo no Ceará. Foi com esse objetivo que muitas obras de infraestrutura foram desenvolvidas, a começar pelo Porto do Pecém.

Dadas as condições básicas para tocar o projeto e após idas e vindas, o ex-presidente Lula, ainda na gestão do ex-governador Lúcio Alcântara, veio ao Ceará garantir que a Petrobras materializaria o sonho. O tempo passou e, com todos sabem, o projeto é cronicamente adiado, muito embora em períodos eleitorais a refinaria apareça como realidade inquestionável, favas contadas e, pasmem!, promessa que está sendo cumprida dentro de um cronograma malandro e elástico o suficiente para fazer de uma pedra fundamental (pois é, lançaram a pedra fundamental de uma obra que não existe) a prova máxima de confiança da qual ninguém pode duvidar.

Já escrevi em artigos de jornal que a diferença entre Lula e Zé do Burro, personagem da peça O Pagador de Promessas, é que este levava a sério a palavra empenhada, ainda que isso lhe custasse a vida, enquanto aquele sabe que não precisa se comprometer com as esperanças que vende para ter assegurado a grande maioria dos votos no Ceará.

Tapeação

Diante de todas as provas e evidências de que os cearenses foram tapeados no caso da refinaria, o deputado Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa, anunciou a criação de uma campanha em defesa da refinaria da Petrobras no Ceará.

Desde já, sinto dizer que tudo não passa de encenação para consumo interno, com o objetivo de passar a impressão de que nossos representantes são altivos defensores dos interesses do estado. Tanto é que o objetivo declarado da campanha não é de cobrar que fez a promessa, mas de “mobilizar” a sociedade cearense para a importância do petróleo. Quem precisa disso? Acaso alguém imagina que petróleo é supérfluo?

Sem contar ainda que o assunto não é da esfera do legislativo estadual. Mesmo assim, levando em consideração que o parlamento não faria movimentações como essas sem o aval do governador Cid Gomes, se quisessem mesmo pressionar o governo federal a agir, os representantes cearenses poderiam agir em conjunto e optar por ações mais contundentes. Segue, abaixo, algumas sugestões do blog que certamente teriam muito mais impacto do que conversas comportadas e recados velados:

1) Os deputados estaduais viriam a público dizer em alto e bom som que Lula e Dilma sabem vir ao Ceará pedir votos, mas não cumprem o que prometeram aos cearenses;

2) a bancada federal passaria a votar sistematicamente contra o governo até que a promessa fosse atendida;

3) aliados do governo federal no estado entregariam todos os cargos e;

4) com uma dose extra de maquiavelismo o próprio governador Cid Gomes começaria a elogiar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, estado que aliás tem uma refinaria da Petrobras.

Sem dar nome aos bois, sem cobrar responsabilidades, sem demonstrar que o Ceará tem orgulho e que não aceita ser tratado como pedinte, campanhas como essa da Assembleia Legislativa não passam de factóides destinados a manter as aparências para deixar tudo como está.

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O Ceará e o aumento das esmolas do governo federal – Ou: A mentira da erradicação da extrema pobreza

Por Wanfil em Ceará

18 de Março de 2013

Escolha a pílula azul e continue sonhando com um país onde a miséria foi erradicada com algumas canetadas. Opte pela vermelha e veja como a realidade é mais complicada. Foto: Imagem do filme Matrix.

Escolha a pílula azul e continue sonhando com um país onde a miséria foi erradicada com algumas canetadas. Opte pela vermelha e veja como a realidade é mais complicada. Foto: Imagem do filme Matrix.

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) ampliou a cobertura de mais uma bolsa. Agora, o Benefício para Superação da Extrema Pobreza (BSP) a famílias com renda inferior a 70 reais por pessoa e com filhos com até seis anos, será pago também as que têm filhos com até 15 anos. Só no Ceará 240 mil pessoas receberão ajuda para superar a extrema pobreza, número que faz do estado um dos que mais recebem recursos com esse fim.

A notícia parece ser alvissareira, mas é bom ter cuidado, afinal, a simples existência dessa necessidade nos leva a uma conclusão incontornável: no Ceará, mesmo com os seguidos aumentos na arrecadação de impostos e com o crescimento econômico superior à média nacional, a extrema pobreza não recua, pelo contrário, é preciso apelar ao reforço adicional do governo federal para enfrentá-la.

Dependência

Para definir um parâmetro de referência para a pobreza extrema, o Brasil segue o critério utilizado pelo Banco Mundial, que é o de renda per capita de até U$ 1 por dia. Daí o valor de R$ 70,00.

O problema é que a ampliação do BSP não corresponde a uma redução na quantidade de pessoas atendidas pelo Bolsa Família. A doação de dinheiro aos miseráveis, naturalmente, reduz a miséria, ainda que temporariamente. É bom, mas seria melhor se os beneficiários não ficassem eternamente dependentes do governo.

Ensinar a pescar

No final de 2011, entrevistei o economista Carlos Manso, do Laboratório de Estudos da Pobreza da Universidade Federal do Ceará. Na ocasião, ele foi didático ao explicar os limites desses programas assistencialistas: “A geração de riquezas é como encher um açude com peixes: se as pessoas não souberem ou não tiverem condições de pescar, apenas os que já pescavam antes é que irão se beneficiar, aumentando a desigualdade”. Com efeito, só é possível erradicar pobreza e miséria com a geração e a distribuição eficaz de riqueza. E a chave para a distribuição adequada não são as bolsas, diz Carlos Manso, mas o acesso à educação de qualidade, no que concordo plenamente. É justamente o que não aconte, seja no Brasil ou no Ceará.

Canetada

Com o BSP, o sujeito passa a garantir renda de 70 reais por mês e o governo, numa canetada, altera a classificação econômica desse indivíduo no cadastro do ministério. Será o fim da pobreza extrema sem o fim dos extremamente pobres. Seremos a primeira economia do mundo a acabar com a miséria sem criar riqueza. Um feito que será devidamente explorado pelos marqueteiros da presidente em sua campanha à reeleição.

No entanto, se a extrema pobreza estivesse mesmo diminuindo (não confundir transferência de renda das classes médias para os mais pobres com geração de riqueza), as bolsas não precisariam ser ampliadas. Essa contradição elementar bastaria como antídoto para engodos e truques dessa natureza.

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Novos governos merecem voto de confiança? Neste blog, não!

Por Wanfil em Política

08 de Janeiro de 2013

Já virou clichê a ideia de que governantes em início de mandato contam com pelo menos um semestre de boa vontade do público, como uma espécie de voto de confiança tácito. Empossados no embalo da vitória nas urnas e com a mensagens das propagandas eleitorais ainda vivas no imaginário popular, as gestões ainda refletem nesse período, as esperanças nele depositadas.

Muitos especialistas garantem que esse é o momento ideal para a administração tomar medidas amargas, como cortes de despesas e enxugamento da máquina, pois a impressão geral é a de que as primeiras ações sejam correções ou preparativos que pavimentem o caminho para o cumprimento das promessas de campanha. A regra não vale em caso de re-eleições ou de eleição de apadrinhados, quando iniciativas de saneamento são proibidas pelo status quo.

De todo jeito, qualquer que seja o caso, partidos e agentes políticos sabem como atuar para capitalizar esse momento de expectativa.

Logo de cara, é preciso dizer que a composição do novo secretariado foi feita com base nos critérios mais sublimes e com total desapego, como forma de disfarçar o fisiologismo, o loteamento de cargos para garantir apoio político e a criação de cabides de emprego para aliados.

Como as últimas eleições foram municipais, o passo seguinte é o anúncio de um programa novo ou de uma ação impactante para alguma área sensível ao público. Isso ajuda a construir uma imagem positiva e dinâmica do gestor.

Em seguida, é preciso dizer que a situação não está fácil. Se o novo governo for aliado do antigo, é so culpar a crise na Europa; se é adversário, pode acusar descalabros, desvios e desperdícios, com a vantagem adicional de não precisar apresentar provas. Essa é a senha para a transformação do marketing eleitoral em marketing governamental, eximindo-se de eventuais contradições. Se tudo está pior, será preciso tempo para arrumar a casa e só depois as promessas feitas ao eleitorado poderão ser executadas. Pronto! O que não for realizado, cairá na conta da gestão anterior. Como os desmontes de prefeituras são uma realidade em algumas cidades, a história ganha verossimilhança em qualquer lugar.

Por isso tudo, por ser um roteiro previsível, filme repetito à exaustão, é que aqui neste blog o bônus dos seis meses de confiança não existe. Pelo contrário. De tanto ver truques retóricos e de propaganda, o que vale neste espaço é o voto de desconfiança, o qual, espero, não seja confirmado. Não se trata de oposição automática, ressentimento ou questão pessoal, posto que vale para toda e qualquer administração que se inicia.

O eleito, nesse caso, os novos prefeitos, são devedores de quem os elegeu. Que façam o que prometeram. Que cumpram seus deveres. Que sejam cobrados desde o primeiro dia de governo, e caso não correspondam, que expliquem – e comprovem – suas limitações.

É como diz o ditado: Gato escaldado tem medo de água fria.

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Refinaria não vem e cearenses são tapeados mais uma vez

Por Wanfil em Noticiário

26 de junho de 2012

A notícia que se repete ano após ano: Refinaria do Ceará não consta no plano de investimentos da Petrobras. Alguma novidade? Não. Mais uma vez o plano de negócios da empresa não faz previsão, até 2016, para a construção da refinaria “Premium 2” no Ceará.

Factoide

Desculpas não faltam: burocracia estatal, crise internacional, complexidade técnica, tudo muito difícil, mas nada que impeça, por exemplo, as obras superfaturadas da refinaria Abreu e Lima, no vizinho Pernambuco. É constrangedor observar como o ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, político matreiro disfarçado de técnico, usou a estatal para criar um factoide eleitoreiro dessa dimensão.

Se a refinaria não era uma certeza, então que não fosse prometida, especialmente em troca de votos. Não tenho dúvida de que na próxima campanha presidencial – e estadual – o empreendimento constará como promessa encaminhada, em vias de execução para transformar a realidade, gerar empregos e mudar radicalmente a realidade. Tudo estelionato eleitoral.

Filme repetido

Em 2010, faltando apenas dois dias para o fim de seu segundo mandato, ex-presidente Lula esteve no Ceará para lançar a pedra fundamental da refinaria cujas obras não existem. É um acinte, mas não faltaram louvores e manchetes favoráveis para a promessa não cumprida, nem sequer iniciada, muito menos com orçamento previsto.

Um ano antes, escrevi um artigo para o jornal O Estado com o seguinte título: A refinaria não vem para o Ceará. O que mais falta acontecer para isso ficar claro? Reproduzo um trecho, em azul:

O caso da prometida refinaria de petróleo para o Ceará já não pode ser visto apenas como uma certeza constantemente adiada por causa de contratempos técnicos. Não cola mais. (…) Nunca um governo tão carente de realizações concretas foi tão popular. E o segredo não é apenas  o populismo assistencialista. Falta cobrança. A oposição é fraca a ponto de não conseguir explorar uma realidade que salta aos olhos. A base aliada de Lula no Ceará sabe bater palmas como poucas, mas seu entusiasmo febril é inversamente proporcional aos investimentos. Sobra discurso e falta ação. O resultado colhido é mais desprezo e mais promessas.

Pois é. Não mudo uma vírgula do que disse no passado. Só o que muda constantemente é a data para o início das obras da refinaria.

Cobrar a promessa ou denunciar o embuste

O fato é que o governo federal percebeu que para conseguir votações expressivas no Ceará basta o bolsa família. Enquanto que para outros estados, mais exigentes, são necessárias ações de maior substância. No ano passado, o governador Cid Gomes denunciou, com razão, a situação das estradas federais no estado. Fez bem e o ministro, enrolado com corrupção, caiu. É hora de fazer o mesmo em relação a Petrobras, que sistematicamente exclui o Ceará em seu plano de investimentos. É preciso denunciar o embuste, explicando aos cearenses que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma souberam vir aqui pedir votos, mas que na hora de entregar o que prometeram, deixam a Petrobras tergiversar.

Muitos podem pensar que estou exagerando, uma vez que a instalação de uma refinaria é algo realmente demorada, coisa e tal. Publico então um vídeo institucional do próprio Governo do Ceará. Nele não constam dúvidas ou empecilhos, só vantagens maravilhosas de uma realidade indiscutível. Quem um dia acreditou no que aparece no vídeo, sinto muito dizer, foi enganado.

 

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Refinaria não vem e cearenses são tapeados mais uma vez

Por Wanfil em Noticiário

26 de junho de 2012

A notícia que se repete ano após ano: Refinaria do Ceará não consta no plano de investimentos da Petrobras. Alguma novidade? Não. Mais uma vez o plano de negócios da empresa não faz previsão, até 2016, para a construção da refinaria “Premium 2” no Ceará.

Factoide

Desculpas não faltam: burocracia estatal, crise internacional, complexidade técnica, tudo muito difícil, mas nada que impeça, por exemplo, as obras superfaturadas da refinaria Abreu e Lima, no vizinho Pernambuco. É constrangedor observar como o ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, político matreiro disfarçado de técnico, usou a estatal para criar um factoide eleitoreiro dessa dimensão.

Se a refinaria não era uma certeza, então que não fosse prometida, especialmente em troca de votos. Não tenho dúvida de que na próxima campanha presidencial – e estadual – o empreendimento constará como promessa encaminhada, em vias de execução para transformar a realidade, gerar empregos e mudar radicalmente a realidade. Tudo estelionato eleitoral.

Filme repetido

Em 2010, faltando apenas dois dias para o fim de seu segundo mandato, ex-presidente Lula esteve no Ceará para lançar a pedra fundamental da refinaria cujas obras não existem. É um acinte, mas não faltaram louvores e manchetes favoráveis para a promessa não cumprida, nem sequer iniciada, muito menos com orçamento previsto.

Um ano antes, escrevi um artigo para o jornal O Estado com o seguinte título: A refinaria não vem para o Ceará. O que mais falta acontecer para isso ficar claro? Reproduzo um trecho, em azul:

O caso da prometida refinaria de petróleo para o Ceará já não pode ser visto apenas como uma certeza constantemente adiada por causa de contratempos técnicos. Não cola mais. (…) Nunca um governo tão carente de realizações concretas foi tão popular. E o segredo não é apenas  o populismo assistencialista. Falta cobrança. A oposição é fraca a ponto de não conseguir explorar uma realidade que salta aos olhos. A base aliada de Lula no Ceará sabe bater palmas como poucas, mas seu entusiasmo febril é inversamente proporcional aos investimentos. Sobra discurso e falta ação. O resultado colhido é mais desprezo e mais promessas.

Pois é. Não mudo uma vírgula do que disse no passado. Só o que muda constantemente é a data para o início das obras da refinaria.

Cobrar a promessa ou denunciar o embuste

O fato é que o governo federal percebeu que para conseguir votações expressivas no Ceará basta o bolsa família. Enquanto que para outros estados, mais exigentes, são necessárias ações de maior substância. No ano passado, o governador Cid Gomes denunciou, com razão, a situação das estradas federais no estado. Fez bem e o ministro, enrolado com corrupção, caiu. É hora de fazer o mesmo em relação a Petrobras, que sistematicamente exclui o Ceará em seu plano de investimentos. É preciso denunciar o embuste, explicando aos cearenses que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma souberam vir aqui pedir votos, mas que na hora de entregar o que prometeram, deixam a Petrobras tergiversar.

Muitos podem pensar que estou exagerando, uma vez que a instalação de uma refinaria é algo realmente demorada, coisa e tal. Publico então um vídeo institucional do próprio Governo do Ceará. Nele não constam dúvidas ou empecilhos, só vantagens maravilhosas de uma realidade indiscutível. Quem um dia acreditou no que aparece no vídeo, sinto muito dizer, foi enganado.