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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

presidente

Pesquisas lavam as mãos e agora é com você eleitor: Eunício ou Camilo? Aécio ou Dilma?

Por Wanfil em Pesquisa

26 de outubro de 2014

Diversos institutos de pesquisa divulgaram levantamentos na véspera das eleições mostrando um situação de absoluta incerteza quanto ao resultado final para o governo do Ceará e para a Presidência da República. Alguns institutos divergem e outros mudam cenários numa dança de números que acrescenta mais emoção a esta que já pode ser considerada a mais disputada de todas as eleições.

No Ceará
Para o governo estadual, o Datafolha, contratado pelo jornal O Povo, mostra números que pulverizam o favoritismo do petista Camilo Santana em relação ao peemedebista Eunício Oliveira apontado, em seu levantamento anterior. Já no Ibope, contratado pela TV Verdes Mares, tudo segue indefinido, em situação de empate técnico.

No dia 16 de outubro o Ibope mostrava Camilo com 51% e Eunício com 49; no dia 25 o placar é de 52% a 48%. A variação, portanto, se dá dentro da margem de erro, que é de três pontos percentuais.

O Datafolha realizou mais pesquisas, mostrando uma movimentação intensa do eleitorado. No dia 15 Camilo tinha 53%, saltou para 57% no dia 22, quando muitos passaram a acreditar que não havia mais como o adversário reagir, mas agora no dia 25 o petista cai cinco pontos e aparece com 52%. Já Eunício, que tinha 47% no dia 15 e 43% no dia 22, ressurge como surpresa no sábado que precede a eleição, com 48%.

O Ibope mostra estabilidade, mas a distância entre seus levantamentos pode ter deixado de captar eventuais subidas e descidas nesse meio tempo. O Datafolha preocupa mais os governistas, na medida em que aponta uma forte tendência de crescimento de Eunício e de descida de Camilo, bem acima da margem de erro de dois pontos percentuais: a diferença que era de 14 pontos caiu para 4! O que poucos dias atrás parecia definido, agora é dúvida. Se o Datafolha realmente captou uma onda pró-Eunício, somente no final do dia saberemos.

No Brasil
Para as eleições presidenciais, tudo é suspense. Pesquisas mostrando Aécio ou Dilma na frente, não faltam, basta ver o noticiário. No geral, a tendência do início da semana, quando Dilma apareceu à frente no Ibope e Datafolha, se inverteu e Aécio aparece agora em ascendência, voltando a empatar o jogo. Percebe-se medo entre os que desejam a reeleição da presidente e esperança entre os que preferem Aécio.

A disputa de de tal forma intensa que, tudo indica, a mínima diferença metodológica já altera o resultado dessas amostragens. Os institutos estão sob severa crítica. O fato é que numa eleição disputada voto a voto, a imponderabilidade aumenta demais.

Fatores como a regionalização da abstenção ou a definição de última hora dos indecisos (ou então, uma opção de quem se dizia decidido mas que depois resolve votar nulo, ou o nulo que decide por um dos candidatos), qualquer movimento desses podem fazer a diferença. A rigor, diante dessa dança de números e alternância de tendências, a única pesquisa realmente exata será feita neste domingo: a das urnas!

 

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Dilma para Roberto Cláudio: “Olha aqui, meu filho!”

Por Wanfil em Brasil, Política

25 de junho de 2013

Governadores e prefeitos reunidos com a presidente. Muita pose e pouca ação. Divulgação.

Governadores e prefeitos reunidos com a presidente. Muita pose e pouca ação. Divulgação.

O jornal O Globo publicou matéria sobre os bastidores da reunião entre a presidente Dilma, governadores e prefeitos, realizada na segunda-feira, por um pacto de melhoria dos serviços público. Segue em azul reprodução de trecho em que o prefeito de Fortaleza é citado (grifos meus):

Quando o prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio (PSB), reclamou da dificuldade de os municípios reduzirem as tarifas de ônibus, foi enquadrado com muita irritação por Dilma.

Olha aqui, meu filho! Eu conheço muito bem todos esses números! — interrompeu a presidente, de dedo em riste na direção do prefeito.

Comentário

Que dias confusos. Um pacto não pode ser imposto com irritação, apesar da gravidade do momento. Trata-se, pois, de um acordo. Roberto Cláudio não merecia ser tratado, pelo que se lê, como um subalterno inconveniente, um intrometido que não sabe o próprio lugar.

Além de sujeito cordado e educado, o prefeito é também uma figura institucional. Não pode ser levado na base do “meu filho”, especialmente em encontro oficial. Ali, na condição de autoridade constituída, Roberto Cláudio representa não um aliado qualquer, mas o povo de Fortaleza. Respeito no trato é o mínimo que se espera de outra autoridade, especialmente de uma que está em apuros. Ainda que as circunstâncias do momento possam servir de atenuante, não justificam a deselegância.

Dilma merecia ouvir, em resposta, a seguinte constatação: “Presidente, se a senhora sabe de tudo, não precisamos estar aqui. Com todo o respeito, tenho muito trabalho a fazer na minha cidade”. Mas isso falo eu, que não devo nada a Sua Excelência, que escrevo movido pelo orgulho ferido de cidadão indignado com o descaso e o desdém com os quais o Ceará vem sendo tratado nos últimos anos, na base de promessas que nunca são cumpridas, como a refinaria, afinal, o voto aqui é fácil.

Por outro lado, é bem verdade que quem muito se sujeita, acaba menosprezado. E isso explica, em parte, a postura da presidente. Como se diz por aí, é o encontro da fome com a vontade de comer.

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Renan Calheiros na luta contra o preconceito

Por Wanfil em Política

01 de Fevereiro de 2013

Retorno triunfante: Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

O senador Renan Calheiros, que dispensa apresentações, foi eleito – com folga – presidente do Senado Federal. No entanto, há um clima de constrangimento no ar, como se o alagoano fosse o primeiro político sem escrúpulos a ocupar cargo de tamanha importância. Não é, claro. Basta dizer que ele sucede a José Sarney. Qual a novidade?

Os mais pudicos poderão objetar: Wanfil, a diferença é que a presença de Renan não salva nem mesmo as aparências do decoro, uma vez que ele já renunciou para não ser cassado. Ora, eu respondo que essa talvez seja a virtude da eleição de Calheiros.

A política no Brasil é isso, uma atividade que afasta os homens sérios e atrai os de caráter duvidoso. Renan é o desprezo pelas aparências hipócritas, é a nossa alma política sem maquiagens. É a celebração das habilidades mais valorizadas no trato das questões de interesse público, como a capacidade de atiçar interesses e direcioná-los aos interesses de qualquer governo.

Rejeitar Renan na condição de presidente do Senado é preconceito contra políticos que, mesmo enrolados, não desistem de ocupar seus espaços sendo o que são. Ele é o homem certo no lugar certo, é o governista profissional, o craque dos arranjos espertos, da sedução do poder, dos favores especiais, da manipulação de vaidades. Renan Calheiros é o tipo que saiu do armário. “Fui pego, mas não fujo”.  Destemido, infla o peito e diz: “Vocês vão ter que me engolir”.

Quantos Renans enrustidos não andam por aí, eminências pardas que vivem nas sombras por temerem os jornais? Onde estão os responsáveis pelos escândalos dos banheiros fantasmas, no Ceará? O que aconteceu com a turma dos consignados? Andam por aí, ocupando cargos públicos, mas silenciosos, chateados por serem importunados, quando apenas fizeram o que tantos outros fazem. Esses agora podem inspirar-se em Renan Calheiros!

Renan Calheiros é um basta no furor moralizante do julgamento do mensalão. “Aqui, não!”. Renan Calheiros é a redenção de quem andava preocupado com os limites morais da opinião pública.

O pior é que nós todos somos um pouco Renan. Sim. Os Renans são eleitos, e no poder, se associam entre si e ao presidente da República. Como se dessem um grito de liberadade, os senadores eleitos por nós elegeram Renan Calheiros a quintenssência da legislatura no Senado.

Deixemos o preconceito de lado e aceitemos a nossa condição de povo que se submete aos caprichos de gente como o senador Renan Calheiros, o nosso perfeito espelho. É assim que somos enquanto nação.  Parafraseando a propaganda do governo federal: Brasil, um país de todos; Brasil, uma país de Renans. Finalmente assumimos a nossa decadência.

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Renan Calheiros na luta contra o preconceito

Por Wanfil em Política

01 de Fevereiro de 2013

Retorno triunfante: Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

O senador Renan Calheiros, que dispensa apresentações, foi eleito – com folga – presidente do Senado Federal. No entanto, há um clima de constrangimento no ar, como se o alagoano fosse o primeiro político sem escrúpulos a ocupar cargo de tamanha importância. Não é, claro. Basta dizer que ele sucede a José Sarney. Qual a novidade?

Os mais pudicos poderão objetar: Wanfil, a diferença é que a presença de Renan não salva nem mesmo as aparências do decoro, uma vez que ele já renunciou para não ser cassado. Ora, eu respondo que essa talvez seja a virtude da eleição de Calheiros.

A política no Brasil é isso, uma atividade que afasta os homens sérios e atrai os de caráter duvidoso. Renan é o desprezo pelas aparências hipócritas, é a nossa alma política sem maquiagens. É a celebração das habilidades mais valorizadas no trato das questões de interesse público, como a capacidade de atiçar interesses e direcioná-los aos interesses de qualquer governo.

Rejeitar Renan na condição de presidente do Senado é preconceito contra políticos que, mesmo enrolados, não desistem de ocupar seus espaços sendo o que são. Ele é o homem certo no lugar certo, é o governista profissional, o craque dos arranjos espertos, da sedução do poder, dos favores especiais, da manipulação de vaidades. Renan Calheiros é o tipo que saiu do armário. “Fui pego, mas não fujo”.  Destemido, infla o peito e diz: “Vocês vão ter que me engolir”.

Quantos Renans enrustidos não andam por aí, eminências pardas que vivem nas sombras por temerem os jornais? Onde estão os responsáveis pelos escândalos dos banheiros fantasmas, no Ceará? O que aconteceu com a turma dos consignados? Andam por aí, ocupando cargos públicos, mas silenciosos, chateados por serem importunados, quando apenas fizeram o que tantos outros fazem. Esses agora podem inspirar-se em Renan Calheiros!

Renan Calheiros é um basta no furor moralizante do julgamento do mensalão. “Aqui, não!”. Renan Calheiros é a redenção de quem andava preocupado com os limites morais da opinião pública.

O pior é que nós todos somos um pouco Renan. Sim. Os Renans são eleitos, e no poder, se associam entre si e ao presidente da República. Como se dessem um grito de liberadade, os senadores eleitos por nós elegeram Renan Calheiros a quintenssência da legislatura no Senado.

Deixemos o preconceito de lado e aceitemos a nossa condição de povo que se submete aos caprichos de gente como o senador Renan Calheiros, o nosso perfeito espelho. É assim que somos enquanto nação.  Parafraseando a propaganda do governo federal: Brasil, um país de todos; Brasil, uma país de Renans. Finalmente assumimos a nossa decadência.