Presidência Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Presidência

O debate Band e a pesquisa Ibope: nunca o segundo turno foi tão ameaçador para Dilma

Por Wanfil em Pesquisa

27 de agosto de 2014

O debate entre presidenciáveis realizado pela Rede Bandeirantes foi um raro momento político: os principais candidatos testavam ali, no calor do momento, alterações estratégicas decorrentes da entrada da candidata Marina Silva (PSB) no páreo, substituindo Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no início da campanha. O impacto dessa mudança repentina foi medido pouco antes do encontro por uma pesquisa Ibope/Estadão/Rede Globo, em que Dilma (PT) aparece com 34%, seguida de Marina com 29%, e de Aécio (PSDB) com 19%.

O debate
Em linhas gerais Marina, já na condição de potencial alvo dos oponentes, procurou se apresentar como estrategista política capaz de mediar conflitos e conciliar interesses, sem abrir mão da ética.

Dilma manteve a aposta no figurino da gerente qualificada abençoada por Lula, lembrando que Marina não possui qualificação administrativa, porém, ao insistir na polarização PT/PSDB, só beneficiou a adversária que se apresenta como alternativa aos dois.

Aécio acrescentou o substantivo “segurança” ao discurso de mudança, classificando como “aventura” a candidatura de Marina, buscando se apresentar oposição sensata e racional. Aposta, portanto, que o fator emocional que alavancou Marina venha a refluir mais adiante.

Segundo turno
Ainda sem saber o que fazer com a ascensão de Marina, Dilma não a confrontou, preferindo esperar um pouco mais para ver no que vai dar. Por sua vez, Aécio procura se diferenciar de Marina, mas com cuidado para não fechar portas para o eleitorado dela caso vá para o segundo turno contra Dilma. Marina escolheu reforçar a ideia de “terceira via”. Foi mais dura com Dilma do que com Aécio, também já de olho em seus eleitores para o segundo turno.

Segundo o Ibope, no segundo turno Dilma perde para Marina (45 a 36) e tem apenas seis pontos de vantagem para Aécio (41 a 35). Além disso, é disparada a candidata com maior rejeição: 36%, contra 18% de Aécio e 10% de Marina. Dilma perde a condição de franca favorita, mesmo com seu enorme tempo de propaganda. Os tucanos torcem para que Marina tenha batido no teto.

Pelo perfil de oposição, a tendência é que no segundo turno boa parte dos eleitores de Aécio votem em Marina. Caso Dilma enfrente Aécio no segundo turno, é presumível que os votos de Marina se dividam entre os que reprovam o governo e os eleitores mais à esquerda que não aceitam o PSDB, deixando a disputa aberta. Assim, Dilma tem que rezar para Aécio passar Marina, mas sem se desgastar com o eleitor dela.

É claro que muita coisa pode acontecer. As estratégias ainda estão sendo recalibradas. Mas o fato é que neste momento o segundo turno apareceu sombrio no horizonte governista.

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O debate Band e a pesquisa Ibope: nunca o segundo turno foi tão ameaçador para Dilma

Por Wanfil em Pesquisa

27 de agosto de 2014

O debate entre presidenciáveis realizado pela Rede Bandeirantes foi um raro momento político: os principais candidatos testavam ali, no calor do momento, alterações estratégicas decorrentes da entrada da candidata Marina Silva (PSB) no páreo, substituindo Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no início da campanha. O impacto dessa mudança repentina foi medido pouco antes do encontro por uma pesquisa Ibope/Estadão/Rede Globo, em que Dilma (PT) aparece com 34%, seguida de Marina com 29%, e de Aécio (PSDB) com 19%.

O debate
Em linhas gerais Marina, já na condição de potencial alvo dos oponentes, procurou se apresentar como estrategista política capaz de mediar conflitos e conciliar interesses, sem abrir mão da ética.

Dilma manteve a aposta no figurino da gerente qualificada abençoada por Lula, lembrando que Marina não possui qualificação administrativa, porém, ao insistir na polarização PT/PSDB, só beneficiou a adversária que se apresenta como alternativa aos dois.

Aécio acrescentou o substantivo “segurança” ao discurso de mudança, classificando como “aventura” a candidatura de Marina, buscando se apresentar oposição sensata e racional. Aposta, portanto, que o fator emocional que alavancou Marina venha a refluir mais adiante.

Segundo turno
Ainda sem saber o que fazer com a ascensão de Marina, Dilma não a confrontou, preferindo esperar um pouco mais para ver no que vai dar. Por sua vez, Aécio procura se diferenciar de Marina, mas com cuidado para não fechar portas para o eleitorado dela caso vá para o segundo turno contra Dilma. Marina escolheu reforçar a ideia de “terceira via”. Foi mais dura com Dilma do que com Aécio, também já de olho em seus eleitores para o segundo turno.

Segundo o Ibope, no segundo turno Dilma perde para Marina (45 a 36) e tem apenas seis pontos de vantagem para Aécio (41 a 35). Além disso, é disparada a candidata com maior rejeição: 36%, contra 18% de Aécio e 10% de Marina. Dilma perde a condição de franca favorita, mesmo com seu enorme tempo de propaganda. Os tucanos torcem para que Marina tenha batido no teto.

Pelo perfil de oposição, a tendência é que no segundo turno boa parte dos eleitores de Aécio votem em Marina. Caso Dilma enfrente Aécio no segundo turno, é presumível que os votos de Marina se dividam entre os que reprovam o governo e os eleitores mais à esquerda que não aceitam o PSDB, deixando a disputa aberta. Assim, Dilma tem que rezar para Aécio passar Marina, mas sem se desgastar com o eleitor dela.

É claro que muita coisa pode acontecer. As estratégias ainda estão sendo recalibradas. Mas o fato é que neste momento o segundo turno apareceu sombrio no horizonte governista.