Presidência da República Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Presidência da República

O contraste entre a emoção das eleições nacionais e a apatia no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2018

03 de outubro de 2018

A dinâmica das campanhas e os processos de consolidação de voto nessas eleições refletem a confusão política no Brasil e no Ceará em particular.

A antecipação do chamado voto útil dá o tom na reta final das eleições presidenciais. De um lado o repúdio à corrupção, do outro a possibilidade de colocar pautas laterais no centro do debate, sem precisar atinar para temas como corrupção e recessão.

No meio do caminho ficaram Alckmin (o PSDB não foi mais assimilado pelo eleitor mais à direita), Marina Silva e Ciro Gomes, que por mais que se esforcem, são associados aos governos do PT, quando foram ministros.

No Ceará, curiosamente, o candidato a reeleição Camilo Santana não virou alvo dos eleitores que repudiam o petismo, muito provavelmente por ser mais associado ao grupo liderado por Ciro e Cid Gomes, do que ao próprio partido. De todo modo, o governador sempre foi petista e isso não foi explorado por seus adversários.

Ironicamente, o PT que boicotou a candidatura de Ciro (Lula impediu que partidos de esquerda se coligassem com o PDT) tem tudo para continuar nominalmente no comando do governo estadual, graças ao apoio do grupo de Ciro. Assim, Camilo consegue o voto de eleitores do PDT, mas os petistas priorizam a campanha de Haddad, em detrimento de Ciro. No meio de campo ainda tem o MDB de Eunício Oliveira, publicamente rejeitado por Ciro e pelo PT, mas que concorre com o apoio informal do PDT e do PT. É confuso? Sim. E muito.

Tanta confusão fez a lógica da negação, do voto contra, o combustível das eleições nacionais, e da apatia desolada, sem personalidade, a marca da eleição estadual.

(Texto publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará)

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Eleições de rejeitados

Por Wanfil em Eleições 2018

11 de setembro de 2018

O dado mais interessante levantado pelas pesquisas para as eleições presidenciais é a rejeição. Todos os candidatos com alguma chance de ir ao segundo turno registram, nesses levantamentos, muito mais eleitores que não votariam neles de jeito nenhum do que gente disposta a elegê-los.

Nem Lula, quando figurava como candidato, nem Bolsonaro pós-atentado, escapam a regra. Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad (o substituto petista) não são exceções.

Quando muito, um candidato pode comemorar ser menos rejeitado que o adversário, pouco para quem deseja (e precisa) inspirar liderança.  “Pode ser a diferença entre a vitória e a derrota no segundo turno”, argumentam por aí. Pode sim, claro, mas isso não altera o fato de que os candidatos, por enquanto, geram mais aversão que adesão.

Isso explica porque os presidenciáveis não assumem o papel de puxadores de votos, como em campanhas do passado. Aliás, é o contrário. Os apoios locais é que podem garantir aquele pontinho a mais que poderá fazer toda a diferença.

Se a campanha de Fernando Haddad atacar Ciro Gomes como fez com Marina em 2014, o constrangimento na base aliada estadual será imenso, especialmente para Camilo Santana, que apesar de ser petista, é ligado e foi escolhido como candidato nas eleições passadas pelos Ferreira Gomes, atualmente alojados no PDT.

Apesar das costura bem feita no Ceará é uma aliança tensa por causa das variáveis nacionais. De certo modo, a mesma coisa acontece com os demais candidatos. Os arranjos estaduais contradizem as coligações nacionais, gerando desgastes pra acomodar interesses. Por essas e outras, a desconfiança do eleitor segue maior do que a esperança.

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Ibope mostra Ciro no jogo contra Marina e o PT

Por Wanfil em Eleições 2018

06 de setembro de 2018

Ciro e Haddad disputam o espólio eleitoral de Lula

A pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (5) mostra que Ciro Gomes está no jogo pela Presidência da República. Sempre esteve, pode argumentar o eleitor que acompanha o noticiário político. Sim, é verdade, mas na montanha russa eleitoral em 2018, Ciro agora está num viés de alta, após ter levado algumas rasteiras de Lula e do PT, que atuaram para impedir que partidos de esquerda compusessem aliança com o PDT, desidratando seu tempo de propaganda.

Após crescer três pontos em relação à pesquisa Ibope do dia 20 de agosto, Ciro agora aparece empatado com Marina Silva (Rede) na segunda posição, com 12% da preferência. Bolsonaro (PSL) subiu dois pontos e lidera com 22%.

Geraldo Alckmin (PSDB), com 9%; Fernando Haddad (PT), com 6%; e João Amoedo (Novo), com 3%, também subiram dois pontos.

No campo da esquerda, no final de julho Ciro parecia liquidado mais uma vez pelo ex-presidente Lula. Por ironia – a política é terreno fértil para ironias do destino – tudo indica que o presidenciável do PDT acabou, por enquanto, herdando  parte dos votos do ex-presidente, inelegível, e que estão se dispersando.

Não há números para medir a influência da proposta de “limpar o nome” dos eleitores que estão no SPC, mas no Brasil, o peso do populismo fiscal nunca pode ser desconsiderado. E o fato é que até o momento essa foi a proposta que pegou na campanha.

Os riscos

Novamente o maior risco para a candidatura de Ciro está na estratégia eleitoral do PT. Se Lula conseguir transferir parte considerável dos seus votos para Fernando Haddad (o vice dos sonhos de Ciro, lembram?), especialmente no Nordeste, a briga por uma vaga no segundo turno será direta entre os dois.

Há também a possibilidade de Alckmin, que tem o maior tempo de propaganda eleitoral, crescer no Sudeste, atraindo eleitores de centro que poderiam optar por Ciro. Marina, como mostram os números, é adversária direta do PDT.

A disputa está embolada e Ciro, definitivamente, está no jogo. Com tantos candidatos e variáveis atuando, a diferença entre os candidatos que podem avançar na eleição deverá ser apertada. Qualquer erro, poderá ser fatal.

(Texto publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará).

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“A disputa é comigo!”, diz Ciro Gomes sobre Lula e o PT. Bem que eu avisei…

Por Wanfil em Eleições 2018

02 de agosto de 2018

O ex-presidente da República Lula da Silva comandou as articulações para impedir que Ciro Gomes e o PDT conseguissem montar uma coligação com partidos de esquerda, mais precisamente, PSB e PCdoB.

Em entrevista à Globonews, na noite de quarta-feira (1), Ciro disse não entender a razão de ser tratado assim pelo ex-presidente. Tudo leva a crer que Lula não quer arriscar a “hegemonia moral” – para usar uma expressão ao gosto de Ciro – e o controle real sobre a esquerda brasileira.

O próprio Ciro confirma essa linha de análise: “A disputa é comigo. Não querem que eu seja o candidato que vai representar uma renovação do pensamento progressista brasileiro”.

Bem antes da informação de que Lula fechou acordo pela neutralidade do PSB, nesta semana, escrevi aqui no Focus Jangadeiro, no dia 23 de julho passado, o seguinte artigo: O maior inimigo de Ciro é o PT.

Para Lula e o PT, Bolsonaro é o adversário ideal para um eventual segundo turno. Na hipótese de a disputa ser contra Geraldo Alckmin, seria a reedição da polarização com o PSDB. Para isso, claro, é preciso ir ao segundo turno. Nesse caso, o desafio é saber se o candidato que substituirá Lula terá nome e fôlego para representar a esquerda ou se dentro desse campo perderá votos para… Ciro!

Por isso o pedetista virou alvo. Como ele mesmo disse, “cabra marcado pra morrer”.

PS. A conferir, os impactos dessa confrontação direta, aqui no Ceará.

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Ciro perde o Centrão. Veja como isso afeta as eleições no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2018

20 de julho de 2018

A imprensa nacional destaca nesta sexta-feira que o apoio do Centrão (o bloco partidário formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade), depois de quase ter fechado com Ciro Gomes (PDT), vai mesmo para Geraldo Alckmin (PSDB).

O PDT oficializa, também nesta sexta, o nome de Ciro na disputa presidencial e ainda tenta costurar alianças com o PSB e o PCdoB, siglas que, por outro lado, sofrem pressão do PT – leia-se Lula – para não apoiar o pedetista.

Como essas movimentações interferem na política cearenses. Olhando de cima, nada muda na gigantesca aliança que reúne PDT, PSB, DEM e MDB para tentar a reeleição de Camilo Santana (PT), mas se observarmos mais de perto, o balanço interno dos pesos de cada um muda.

Leia mais aqui.

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Pesquisa Datafolha: Lula na frente, Bolsonaro empatado com Marina e Ciro Gomes muito atrás

Por Wanfil em Pesquisa

26 de junho de 2017

Lula, Marina e Bolsonaro se distanciam de Ciro. Ainda falta muito, as imagens do futuro ainda estão sem foco, mas expectativas fazem parte do jogo

A pesquisa Datafolha publicada nesta segunda pelo jornal Folha de São Paulo mostra os seguintes números para o primeiro turno da disputa presidencial do próximo ano:

30% – Lula (PT) – (tinha 22% em dezembro/2016)
16% – Bolsonaro (PSC) – (tinha 5%, subiu 11 pontos)
15% – Marina (Rede) – (liderava com 24% no mesmo período)
8%  – Geraldo Alckmin (PSDB) – (tinha 14%)
5%  – Ciro Gomes (PDT) – (com 7%, estava à frente de Bolsonaro)
2%  – Luciana Genro (PSOL) – (manteve os 2%)

Com João Doria
Em outro cenário, com João Doria como candidato do PSDB, as coisas não mudam muito. O prefeito paulistano, menos conhecido e sem recall de outras eleições presidenciais, aparece com 10%.

Sem Lula
Se a disputa se der apenas entre nomes não citados na Lava Jato, Marina assume a dianteira com 27%, seguida por Bolsonaro (18%), Doria (14%) e Ciro (12%).

Observações
Pesquisas feitas a mais de um ano para as eleições falam mais do presente do que do futuro. Outros nomes e fatos poderão surgir e a dinâmica típica dos processos eleitorais ainda não interfere nas decisões. De todo modo, é possível perceber algumas tendências:

1 – O PT não tem nome alternativo a Lula. Outro problema para o ex-presidente – além da possibilidade de ser preso – é a alta rejeição de 46% dos eleitores;

2 – Sem Lula e o PT, Marina surge como opção de esquerda mais conhecida. Ciro cresce, mas ainda fica longe dela. No entanto, pelo menos entraria na briga;

3 – Doria mostra potencial de crescimento muito superior ao de Alckmin;

4 – Bolsonaro já se consolida como fenômeno pré-eleitoral. Ciro já disse que o deputado divide os votos anti-PT, o que seria bom para candidatos de esquerda. Faz sentido;

5 – a candidatura de Ciro ainda não decolou, apesar de seus esforços midiáticos, com declarações fortes e críticas direcionadas, por exemplo, a Doria. Não funcionou. Como já foi candidato outras vezes, é adversário de um governo impopular e tem recall, era de se esperar melhor desempenho do ex-governador;

6 – no que diz respeito ao Ceará, a candidatura de Ciro é fundamental para manter aliados locais em torno de um projeto de poder viável e com a possibilidade de transferência de votos. Mas, para isso acontecer, é preciso que sua candidatura tenha o mínimo de competitividade, pois a maioria dos eleitores, por pragmatismo, tende a restringir suas opções entre aqueles que têm reais chances de vitória.

No momento, as expectativas não parecem promissoras, mas, como diz o clichê, ainda é muito cedo e tudo pode acontecer.

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Datafolha 2018: brancos, nulos e indecisos lideram; Bolsonaro bate Ciro

Por Wanfil em Pesquisa

18 de julho de 2016

Pesquisa Datafolha divulgada no final de semana para o jornal Folha de São Paulo mostra que a soma das intenções para votos brancos, nulos e indecisos, variando entre 25% e 27% a depender do cenário, supera os percentuais alcançados pelos principais nomes que aprecem como possíveis candidatos para a disputa presidencial de 2018.

Lula e Aécio
Em seguida, no cenário com Marina (17%) e Aécio (14%), Lula aparece com até 22% das intenções. No entanto, o ex-presidente tem a maior rejeição (46%) e perde em todas as simulações de 2º turno (até para Geraldo Alckmin). Aécio é o segundo mais rejeitado, com 29%, índice alto, porém bem abaixo do petista.

Ciro e Bolsonaro
A surpresa é ver Ciro Gomes (PDT), aparecer com 6%, atrás de Jair Bolsonaro (PSC), que 7%. Como a margem de erro é de 2%, os dois estão tecnicamente empatados. Surpresa porque Ciro já é conhecido do eleitorado de outras disputas. Por outro lado, sua rejeição é baixa, de 13%, contra 19% de Bolsonaro.

Conclusão
Os brasileiros estão à procura de um candidato novo. Conjuntura ideal para surpresas, boas ou ruins.

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Governo brasileiro mostra como subir na vida com pouco dinheiro – Ou: A arte de iludir

Por Wanfil em Brasil

03 de Maio de 2013

Focalize o ponto no centro da imagem e mova a cbeça para a frete e para atrás. Tudo parece se mover, mas na realidade nada sai do lugar. É ilusionismo, truque comum entre os nossos governantes.

Focalize o ponto no centro e mova a cabeça para a frente e para trás. Tudo parece se mover, mas na verdade nada sai do lugar. É ilusionismo, truque comum entre os nossos governantes.

Como não resolver um problema e ainda assim parecer eficaz? E como elevar a condição social de milhões sem promover o crescimento da economia? A resposta é simples: com ilusionismo retórico. E o melhor exemplo é o alardeado combate a miséria promovido pelo governo Dilma Rousseff.

De acordo com recente pesquisa divulgada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, o sujeito com renda de aproximadamente 500 dólares mensais é oficialmente classificado de “alta classe média”. Com 441 reais por mês no bolso, a pessoa passa a ser considerada, mui graciosamente, membro da “baixa classe média”. Com sorte, com mais 200 reais, perfazendo quase um salário mínimo, ascende para a categoria de “média classe média”.

Truque eleitoral

As autoridades brasileiras estão se especializando na arte de substituir feitos por slogans repletos de termos pomposos, no intuito de esconder o contraste, cada vez mais evidente, entre a magnificência daquilo o que é anunciado e a escassez do que é realizado. É a arte de falar muito para não dizer nada.

Não é preciso ser economista, técnico ou possuir qualquer formação acadêmica para saber que essas estratificações de classe não passam de truque que, somados a outros mais, servirá de estofo para a propaganda para a reeleição de Dilma: “A presidente que acabou com a miséria”.

Autoengano de massas

É comum governos e pessoas superestimarem a si mesmos, destacando exageradamente o que consideram ser aspectos positivos de suas ações, ao mesmo tempo em que minimizam eventuais erros ou fracassos. O problema é cair na tentação esquizofrênica de confundir a realidade com desculpas nascidas para disfarçar a ausência de competência.

No plano individual, qualquer um que fuja do mundo real para buscar abrigo no mundo dos desejos acaba por prejudicar  a si mesmo, quando muito, aos seus familiares. No entanto, numa inversão psicótica da relação entre causa e efeito, quando o engodo é praticado por governos no Brasil, no lugar do natural descrédito, os responsáveis são agraciados com altos índices de popularidade, num fenômeno que demonstra no Brasil um desejo generalizado pelo autoengano.

Por isso, vemos prosperar por aí a ideia de que há autossuficiente de petróleo, ou que a energia é barata, que o Brasil é mais rico que a Inglaterra, que a miséria está em vias de acabar, que a classe média não para de crescer alucinadamente, etc., etc.

E assim, descobrimos que um cidadão, trocando o desemprego (nunca tantos empregos foram criados, diz a propaganda), por uma vaga de gari ou de motorista de ônibus, salta instantaneamente da condição de miserável para a de classe média, enquanto o PIB continua, estranhamente, estagnado.

Discernimento torto

Para encerrar, uma frase do poeta Henry W. Longfellow, seguida de uma reflexão minha:

Julgamos a nós mesmos pelo que nos sentimos capazes de fazer, enquanto os outros nos julgam pelo que já fizemos.

Por aqui, na ânsia de ser o que ainda não somos, julgamos os governos pelo que eles dizem ser capazes de fazer e não pelo que eles fazem, ou deixam de fazer.

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Governo brasileiro mostra como subir na vida com pouco dinheiro – Ou: A arte de iludir

Por Wanfil em Brasil

03 de Maio de 2013

Focalize o ponto no centro da imagem e mova a cbeça para a frete e para atrás. Tudo parece se mover, mas na realidade nada sai do lugar. É ilusionismo, truque comum entre os nossos governantes.

Focalize o ponto no centro e mova a cabeça para a frente e para trás. Tudo parece se mover, mas na verdade nada sai do lugar. É ilusionismo, truque comum entre os nossos governantes.

Como não resolver um problema e ainda assim parecer eficaz? E como elevar a condição social de milhões sem promover o crescimento da economia? A resposta é simples: com ilusionismo retórico. E o melhor exemplo é o alardeado combate a miséria promovido pelo governo Dilma Rousseff.

De acordo com recente pesquisa divulgada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, o sujeito com renda de aproximadamente 500 dólares mensais é oficialmente classificado de “alta classe média”. Com 441 reais por mês no bolso, a pessoa passa a ser considerada, mui graciosamente, membro da “baixa classe média”. Com sorte, com mais 200 reais, perfazendo quase um salário mínimo, ascende para a categoria de “média classe média”.

Truque eleitoral

As autoridades brasileiras estão se especializando na arte de substituir feitos por slogans repletos de termos pomposos, no intuito de esconder o contraste, cada vez mais evidente, entre a magnificência daquilo o que é anunciado e a escassez do que é realizado. É a arte de falar muito para não dizer nada.

Não é preciso ser economista, técnico ou possuir qualquer formação acadêmica para saber que essas estratificações de classe não passam de truque que, somados a outros mais, servirá de estofo para a propaganda para a reeleição de Dilma: “A presidente que acabou com a miséria”.

Autoengano de massas

É comum governos e pessoas superestimarem a si mesmos, destacando exageradamente o que consideram ser aspectos positivos de suas ações, ao mesmo tempo em que minimizam eventuais erros ou fracassos. O problema é cair na tentação esquizofrênica de confundir a realidade com desculpas nascidas para disfarçar a ausência de competência.

No plano individual, qualquer um que fuja do mundo real para buscar abrigo no mundo dos desejos acaba por prejudicar  a si mesmo, quando muito, aos seus familiares. No entanto, numa inversão psicótica da relação entre causa e efeito, quando o engodo é praticado por governos no Brasil, no lugar do natural descrédito, os responsáveis são agraciados com altos índices de popularidade, num fenômeno que demonstra no Brasil um desejo generalizado pelo autoengano.

Por isso, vemos prosperar por aí a ideia de que há autossuficiente de petróleo, ou que a energia é barata, que o Brasil é mais rico que a Inglaterra, que a miséria está em vias de acabar, que a classe média não para de crescer alucinadamente, etc., etc.

E assim, descobrimos que um cidadão, trocando o desemprego (nunca tantos empregos foram criados, diz a propaganda), por uma vaga de gari ou de motorista de ônibus, salta instantaneamente da condição de miserável para a de classe média, enquanto o PIB continua, estranhamente, estagnado.

Discernimento torto

Para encerrar, uma frase do poeta Henry W. Longfellow, seguida de uma reflexão minha:

Julgamos a nós mesmos pelo que nos sentimos capazes de fazer, enquanto os outros nos julgam pelo que já fizemos.

Por aqui, na ânsia de ser o que ainda não somos, julgamos os governos pelo que eles dizem ser capazes de fazer e não pelo que eles fazem, ou deixam de fazer.