prefeitos Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

prefeitos

O desafio da reeleição em ano de crise

Por Wanfil em Eleições 2016

26 de Janeiro de 2016

Uma série de pesquisas e informações divulgadas na imprensa nesta semana mostram que o ambiente para prefeitos que desejam a reeleição é dos mais ariscos. De acordo com a Confederação Nacional de Municípios, 76% dos prefeitos poderão disputar um segundo mandato neste ano, com as seguintes circunstâncias:

1) o Ibope informa que 82% dos brasileiros acham que o país está no rumo errado. No Nordeste, são 77%;
2) o Instituto Data Popular afirma que nove entre cada dez brasileiros diminuíram o consumo no ano passado;
3) a Secretaria do Tesouro Nacional revela que a Dívida Pública Federal aumentou 21,7% em 2015;
4) a Confederação Nacional da Indústria registra que a maior preocupação dos brasileiros é a corrupção (65%), seguida por drogas, violência, impunidade e inflação.

Em 2012, voltando aos dados da Confederação Nacional de Municípios, apenas 58% do total de prefeitos que buscaram a reeleição, ou seja, pouco mais da metade, tiveram sucesso na empreitada. E olha que o Brasil vivia a expectativa da Copa do Mundo e a presidente Dilma batia recordes de popularidade.

Aliados em apuros
Pela lógica, sem perspectiva de recuperação da economia, prefeituras falidas, Dilma batendo recordes de impopularidade e noticiário recheado de escândalos que não param, a taxa de recondução em 2016 deverá ser bem menor. Para aliados do governo federal, que garantiram que o Brasil estava no rumo certo, o quadro é pior ainda. Além do mais, o velho truque de prometer obras dando como garantia repasses federais para que funcionem, que fez a festa de muitos prefeitos no passado, agora chega a ser um insulto.

Tentação de mudar
A maior esperança de quem deseja permanecer no cargo é manter coligações grandes para garantir tempo de propaganda, reduzindo o campo para os adversários. Estes, por sua vez, podem não oferecer opções ao gosto do eleitor, como já aconteceu em Fortaleza. De todo modo, quando as coisas vão bem, o eleitor tende a ser conservador, quando vão mal, a solução mais tentadora é trocar de gestores.

Essa é a conjuntura atual. Um impeachment, com um novo governo, pode mudar a configuração partidária no país e talvez até o humor da população, mas tudo não passa de conjecturas impossíveis de se prever. Por enquanto, a única certeza é de que a insatisfação geral prospera, dificultando qualquer discurso que proponha continuidade.

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Seu prefeito quer a volta da CPMF? Diga a ele o que você pensa nas urnas

Por Wanfil em Ceará

13 de novembro de 2015

Cerca de 40 prefeitos de cidades do interior estiveram no Palácio da Abolição, em Fortaleza, em mobilização organizada na manhã de ontem pela Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece). Eles querem a volta da CPMF para cobrir o buraco nos caixas municipais depois que os repasses federais caíram.

A ideia é pressionar a bancada federal para votar a favor da proposta do governo Dilma Rousseff, de modo que, pela previsão da Confederação Nacional dos Municípios, o imposto gere uma receita extra de R$ 14,4 bilhões. Tudo pela saúde, que até o ano passado era cantada em prosa e verso nas propagandas eleitorais.

No mesmo dia, um laudo de perícia criminal feito pela Polícia Federal para a Operação Lava Jato contabiliza R$ 42,8 bilhões de prejuízo no escândalo da Petrobras, dividido nas seguintes categorias: desvios de recursos, superfaturamento de obras e acordos com empreiteiras.

Ou seja, só o roubo na Petrobras é mais que o triplo dos recursos que os prefeitos e o governo federal querem retirar da sociedade via CPMF. Ou seja, querem que as pessoas, que você, pague a conta da corrupção.

Procure saber se o prefeito da sua cidade acha isso correto e defende a volta do imposto. Ano que vem tem eleições municipais, quando o eleitor também poderá dizer o que pensa a respeito.

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Novos governos merecem voto de confiança? Neste blog, não!

Por Wanfil em Política

08 de Janeiro de 2013

Já virou clichê a ideia de que governantes em início de mandato contam com pelo menos um semestre de boa vontade do público, como uma espécie de voto de confiança tácito. Empossados no embalo da vitória nas urnas e com a mensagens das propagandas eleitorais ainda vivas no imaginário popular, as gestões ainda refletem nesse período, as esperanças nele depositadas.

Muitos especialistas garantem que esse é o momento ideal para a administração tomar medidas amargas, como cortes de despesas e enxugamento da máquina, pois a impressão geral é a de que as primeiras ações sejam correções ou preparativos que pavimentem o caminho para o cumprimento das promessas de campanha. A regra não vale em caso de re-eleições ou de eleição de apadrinhados, quando iniciativas de saneamento são proibidas pelo status quo.

De todo jeito, qualquer que seja o caso, partidos e agentes políticos sabem como atuar para capitalizar esse momento de expectativa.

Logo de cara, é preciso dizer que a composição do novo secretariado foi feita com base nos critérios mais sublimes e com total desapego, como forma de disfarçar o fisiologismo, o loteamento de cargos para garantir apoio político e a criação de cabides de emprego para aliados.

Como as últimas eleições foram municipais, o passo seguinte é o anúncio de um programa novo ou de uma ação impactante para alguma área sensível ao público. Isso ajuda a construir uma imagem positiva e dinâmica do gestor.

Em seguida, é preciso dizer que a situação não está fácil. Se o novo governo for aliado do antigo, é so culpar a crise na Europa; se é adversário, pode acusar descalabros, desvios e desperdícios, com a vantagem adicional de não precisar apresentar provas. Essa é a senha para a transformação do marketing eleitoral em marketing governamental, eximindo-se de eventuais contradições. Se tudo está pior, será preciso tempo para arrumar a casa e só depois as promessas feitas ao eleitorado poderão ser executadas. Pronto! O que não for realizado, cairá na conta da gestão anterior. Como os desmontes de prefeituras são uma realidade em algumas cidades, a história ganha verossimilhança em qualquer lugar.

Por isso tudo, por ser um roteiro previsível, filme repetito à exaustão, é que aqui neste blog o bônus dos seis meses de confiança não existe. Pelo contrário. De tanto ver truques retóricos e de propaganda, o que vale neste espaço é o voto de desconfiança, o qual, espero, não seja confirmado. Não se trata de oposição automática, ressentimento ou questão pessoal, posto que vale para toda e qualquer administração que se inicia.

O eleito, nesse caso, os novos prefeitos, são devedores de quem os elegeu. Que façam o que prometeram. Que cumpram seus deveres. Que sejam cobrados desde o primeiro dia de governo, e caso não correspondam, que expliquem – e comprovem – suas limitações.

É como diz o ditado: Gato escaldado tem medo de água fria.

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Novos governos merecem voto de confiança? Neste blog, não!

Por Wanfil em Política

08 de Janeiro de 2013

Já virou clichê a ideia de que governantes em início de mandato contam com pelo menos um semestre de boa vontade do público, como uma espécie de voto de confiança tácito. Empossados no embalo da vitória nas urnas e com a mensagens das propagandas eleitorais ainda vivas no imaginário popular, as gestões ainda refletem nesse período, as esperanças nele depositadas.

Muitos especialistas garantem que esse é o momento ideal para a administração tomar medidas amargas, como cortes de despesas e enxugamento da máquina, pois a impressão geral é a de que as primeiras ações sejam correções ou preparativos que pavimentem o caminho para o cumprimento das promessas de campanha. A regra não vale em caso de re-eleições ou de eleição de apadrinhados, quando iniciativas de saneamento são proibidas pelo status quo.

De todo jeito, qualquer que seja o caso, partidos e agentes políticos sabem como atuar para capitalizar esse momento de expectativa.

Logo de cara, é preciso dizer que a composição do novo secretariado foi feita com base nos critérios mais sublimes e com total desapego, como forma de disfarçar o fisiologismo, o loteamento de cargos para garantir apoio político e a criação de cabides de emprego para aliados.

Como as últimas eleições foram municipais, o passo seguinte é o anúncio de um programa novo ou de uma ação impactante para alguma área sensível ao público. Isso ajuda a construir uma imagem positiva e dinâmica do gestor.

Em seguida, é preciso dizer que a situação não está fácil. Se o novo governo for aliado do antigo, é so culpar a crise na Europa; se é adversário, pode acusar descalabros, desvios e desperdícios, com a vantagem adicional de não precisar apresentar provas. Essa é a senha para a transformação do marketing eleitoral em marketing governamental, eximindo-se de eventuais contradições. Se tudo está pior, será preciso tempo para arrumar a casa e só depois as promessas feitas ao eleitorado poderão ser executadas. Pronto! O que não for realizado, cairá na conta da gestão anterior. Como os desmontes de prefeituras são uma realidade em algumas cidades, a história ganha verossimilhança em qualquer lugar.

Por isso tudo, por ser um roteiro previsível, filme repetito à exaustão, é que aqui neste blog o bônus dos seis meses de confiança não existe. Pelo contrário. De tanto ver truques retóricos e de propaganda, o que vale neste espaço é o voto de desconfiança, o qual, espero, não seja confirmado. Não se trata de oposição automática, ressentimento ou questão pessoal, posto que vale para toda e qualquer administração que se inicia.

O eleito, nesse caso, os novos prefeitos, são devedores de quem os elegeu. Que façam o que prometeram. Que cumpram seus deveres. Que sejam cobrados desde o primeiro dia de governo, e caso não correspondam, que expliquem – e comprovem – suas limitações.

É como diz o ditado: Gato escaldado tem medo de água fria.