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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

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O sobe e desce no preço da passagem de ônibus em Fortaleza: e o custo da demagogia

Por Wanfil em Fortaleza

20 de Fevereiro de 2013

Não é o valor nomimal da passagem de ônibus em Fortaleza que está em jogo, mas seu valor como peça de propaganda política.

Nunca antes na história do Ceará, o aumento de 20 centavos no preço de um serviço público gerou tamanha confusão. O valor das passagens de ônibus em Fortaleza oscila entre R$ 2,00 e R$ 2,20, ao sabor de seguidas decisões judiciais. As leis de mercado e o bom senso foram substituídos pela burocracia dos trâmites jurídicos e pelo oportunismo da demagogia política.

Valor simbólico

Na capital cearense, o serviço adquiriu valor simbólico como peça de propaganda para a administração da ex-prefeita Luizianne Lins. Carente de realizações e com baixa aprovação popular, a gestão fez da tarifa uma bandeira: seria a menor do Brasil. A mensagem, de inspiração populista, era clara. Os preços deveriam ser regulados conforme a vontade política da prefeita. Não era uma convicção, mas uma conveniência, como hoje se constata.

Foi também explorada a versão de que a redução artificial do preço das passagens era produto da harmoniosa parceria entre entre Luizianne e Cid Gomes, via desconto no ICMS cobrado para as empresas de ônibus, que à época, aceitaram a manipulação política sem reclamar. Todos ganhavam.

Do ponto de vista eleitoral, o truque deu certo e a prefeita foi reeleita, mantendo o apoio para a reeleição do governador. Quites na seara das campanhas, os dois brigaram e o resto todos sabem. A pressão dos custos bateu à porta das empresas que agora se valem da Justiça.

O populismo fiscal como herança

Sem conseguir fazer o sucessor, Luizianne Lins, por ressentimento com o eleitor ou por algum pragmatismo enigmático e oportuno (ou pelos dois motivos), não recorreu de uma ação do sindicato das empresas de ônibus, que pedia o reajuste das passagens. O aumento, no entanto, entraria em vigor quase no início do governo do novo prefeito Roberto Cláudio. Este, por algum estranho motivo (desgastar ainda mais a ex-prefeita, evitar um possível ônus político, quem sabe…), optou por fazer da questão um cavalo de batalha. Leia mais

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Passagens de ônibus congeladas enquanto os custos sobem é populismo feito com o seu dinheiro: Não existe almoço grátis!

Por Wanfil em Economia

11 de dezembro de 2012

Custos sobem, passagens não. Resultado: superlotação, frota reduzida e sucateada, motoristas sobrecarregados. O que o debate não deixa claro é que isso é uma escolha.

A polêmica sobre o reajuste no preço das passagens de ônibus em Fortaleza está de volta. As empresas de ônibus conseguiram uma liminar aumentando o preço das passagens e a prefeitura diz que irá recorrer da decisão.

Há muito tempo essa discussão deixou a racionalidade econômica de lado para se transformar em ativo político-eleitoral da atual gestão. A questão real é saber como e se as tarifas podem e devem ser reajustados, a partir da realidade econômica e social do município. Qualquer que seja a decisão, é preciso ficar claro que existem preços e consequências para ela.

Boas intenções são louváveis, desde que não sejam burras ou ingênuas. Nas economias de mercado, preços sobem por diversas causas, entre as quais: 1) aumento nos custos de produção; 2) aumento da demanda. As únicas coisas que não aumentam de valor são aquelas que ninguém precisa ou quer usar.

Milton Friedman: Nada é de graça, muito menos a suposta caridade oficial.

Leia também: 
Resposta aos críticos do reajuste das passagens de ônibus – Ou: Eu queria ser populista, mas não consigo

O economista americano Milton Friedman (1912-2006), ganhador do Nobel de economia de 1976, cunhou uma frase que se tornou emblemática: “Não existe almoço grátis”. É uma forma simples e didática de explicar que políticas sociais, tais como ensino e transporte públicos, não são gratuitas, pois têm um preço com o qual alguém arca. Nesses casos, a sociedade, por meio do pagamento de impostos.

Quem paga pelo que parece gratuito?

Se o dólar, o petróleo, os insumos, a inflação e a carga tributária subiram, é óbvio que os custos de operação das empresas de transporte coletivo também subiram. E como isso não é repassado às passagens? Simples. O poder público cobre a diferença. Ou seja, o contribuinte. No Ceará, por meio de subsídios, moradores de todos os municípios pagam para manter o valor das tarifas da capital artificialmente baixas. Isso é justo? O sujeito mora em Russas ou Barbalha e o dinheiro de seus impostos é usado para baratear um serviço em Fortaleza. E o pior é que o serviço é ruim, com superlotação e sucateamento dos veículos.

Segundo as empresas de transporte, neste ano não houve reunião para debater o assunto. Em outras palavras, a prefeitura não disse como irá cobrir a necessidade de aumento, pois perdeu a eleição e espera que o ônus do aumento recaia sobre a nova gestão.

Não digo que seja errado a manutenção dessa política. Se a gestão e os cidadãos consideram que essa é uma prioridade, em detrimento de outras áreas, de outros investimentos, que assim seja. Mas o que tem que ficar claro é que essa política é uma escolha, com suas naturais consequências. O transporte público é bom em Fortaleza? Não? Por quê? Eis o debate, cujo preço das passagens é uma das partes.

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Passagens de ônibus congeladas enquanto os custos sobem é populismo feito com o seu dinheiro: Não existe almoço grátis!

Por Wanfil em Economia

11 de dezembro de 2012

Custos sobem, passagens não. Resultado: superlotação, frota reduzida e sucateada, motoristas sobrecarregados. O que o debate não deixa claro é que isso é uma escolha.

A polêmica sobre o reajuste no preço das passagens de ônibus em Fortaleza está de volta. As empresas de ônibus conseguiram uma liminar aumentando o preço das passagens e a prefeitura diz que irá recorrer da decisão.

Há muito tempo essa discussão deixou a racionalidade econômica de lado para se transformar em ativo político-eleitoral da atual gestão. A questão real é saber como e se as tarifas podem e devem ser reajustados, a partir da realidade econômica e social do município. Qualquer que seja a decisão, é preciso ficar claro que existem preços e consequências para ela.

Boas intenções são louváveis, desde que não sejam burras ou ingênuas. Nas economias de mercado, preços sobem por diversas causas, entre as quais: 1) aumento nos custos de produção; 2) aumento da demanda. As únicas coisas que não aumentam de valor são aquelas que ninguém precisa ou quer usar.

Milton Friedman: Nada é de graça, muito menos a suposta caridade oficial.

Leia também: 
Resposta aos críticos do reajuste das passagens de ônibus – Ou: Eu queria ser populista, mas não consigo

O economista americano Milton Friedman (1912-2006), ganhador do Nobel de economia de 1976, cunhou uma frase que se tornou emblemática: “Não existe almoço grátis”. É uma forma simples e didática de explicar que políticas sociais, tais como ensino e transporte públicos, não são gratuitas, pois têm um preço com o qual alguém arca. Nesses casos, a sociedade, por meio do pagamento de impostos.

Quem paga pelo que parece gratuito?

Se o dólar, o petróleo, os insumos, a inflação e a carga tributária subiram, é óbvio que os custos de operação das empresas de transporte coletivo também subiram. E como isso não é repassado às passagens? Simples. O poder público cobre a diferença. Ou seja, o contribuinte. No Ceará, por meio de subsídios, moradores de todos os municípios pagam para manter o valor das tarifas da capital artificialmente baixas. Isso é justo? O sujeito mora em Russas ou Barbalha e o dinheiro de seus impostos é usado para baratear um serviço em Fortaleza. E o pior é que o serviço é ruim, com superlotação e sucateamento dos veículos.

Segundo as empresas de transporte, neste ano não houve reunião para debater o assunto. Em outras palavras, a prefeitura não disse como irá cobrir a necessidade de aumento, pois perdeu a eleição e espera que o ônus do aumento recaia sobre a nova gestão.

Não digo que seja errado a manutenção dessa política. Se a gestão e os cidadãos consideram que essa é uma prioridade, em detrimento de outras áreas, de outros investimentos, que assim seja. Mas o que tem que ficar claro é que essa política é uma escolha, com suas naturais consequências. O transporte público é bom em Fortaleza? Não? Por quê? Eis o debate, cujo preço das passagens é uma das partes.