PP Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

PP

House of Cards, Ciro e o Centrão

Por Wanfil em Política

20 de julho de 2018

Frank Uderwood, de House of Cards: nesse jogo, o mais bobo dá nó em pingo d’água

No seriado americano House of Cards, da Netflix, Frank Underwood (Kevin Space) revela as entranhas do jogo político nos bastidores, os choques de interesses, o instinto predatório, a fogueira das vaidades, os choques de interesses e as artinhas do poder. Nada é por acaso e tudo é calculado.

Tudo parecia encaminhado para a parceria entre Ciro e o Centrão (PP, DEM, SD, PR, PTB e outros partidos menores), até que na véspera – na véspera! – da convenção do PDT, o apoio prometido cai no colo de Geraldo Alckmin, do PSDB. E o clima que seria de festa acabou em velório para os pedetistas.

A aproximação entre partidos tão diferentes foi um teatro – de ambos os lados – que ao fim se mostrou tão maquiavélico quanto Underwood. Expôs Ciro, afastando-o do PSB, valorizou o passe do próprio Centrão, para depois descartar e isolar um adversário que parecia crescer no jogo.

Não tem perdão nem mocinhos e mocinhas. É House of Cards puro.

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Hegemonia moral do PDT é verniz ideológico para acordos eleitoreiros. Só isso!

Por Wanfil em Ideologia

13 de junho de 2018

Ciro Gomes disse na semana passada, em Buenos Aires, que a prioridade de sua pré-campanha à Presidência da República é coligar com PSB e PCdoB. Só depois pensaria sobre uma eventual aliança com DEM e PP, quando “a hegemonia moral e intelectual do rumo estaria afirmada”.

Não é a primeira vez que Ciro cita o conceito de hegemonia moral para justificar coligações inusitadas. Em 2013, se não me falha a memória, entrevistei-o na Tribuna Band News. Quis saber como o ex-governador, já então crítico do PMDB, via a aliança de Cid Gomes com Eunício Oliveira, que ainda não tinham rompido. Ciro explicou que seu irmão tinha a hegemonia moral desse processo, contendo assim a natureza política dos parceiros, se é que vocês me entendem.

Embora Ciro não cite a fonte, a ideia tem semelhança com o pensamento do filósofo marxista italiano Antonio Gramsci. Percebendo que o estabelecimento de ditaduras por meio da revolução armada causava ressentimento na população por causa da violência, Gramsci pregava outro tipo de estratégia, a partir do controle da produção do conhecimento, ocupando espaços em jornais, escolas e universidades, entre outros, de modo a firmar a hegemonia moral e intelectual do partido comunista.

Adaptado aos costumes políticos brasileiros, o conceito passou a dar um verniz ideológico ao clientelismo velho de guerra. O partido de esquerda pode até tapar o nariz e andar com aqueles de quem não gostam, desde que seja para usá-lo como instrumento a serviço de um projeto “moralmente” superior. Por moral, em Gramsci, entenda-se os interesses do partido (seu “imperativo categórico”) na luta pelo poder, e não os preceito judaico-cristãos, tipo não roubar, classificados pejorativamente de moralismo. Coisa que o PT já fez ao unir-se em passado recente, por exemplo, ao mesmo PP do Petrolão.

A ideia de subordinar outras forças políticas acenando com cargos de menor importância na máquina pública tem dado certo no Ceará, onde a maioria dos partidos já se acostumou mesmo ao papel de serviçais, como podemos perceber com o acordão deste ano. No Congresso, porém, o jogo é outro. PP e DEM se afastaram após a declaração de Ciro, que agora corre o risco de perder um precioso tempo de propagada eleitoral.

Por isso agora o PDT corre para dizer que não o que foi dito não foi o que se quis dizer.

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Eleições 2016: O Ceará na primeira eleição pós-impeachment

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

As primeiras impressões a respeito das eleições 2016 no Ceará ainda estão sendo processadas. A troca de ideias e informações ajuda a delinear as formas do quadro político no Estado. Para tanto, é preciso levar em conta o cenário e as circunstâncias que agiram sobre o pleito.

Abaixo, faço considerações sobre alguns resultados que me parecem significativos para a construção desse entendimento.

Primeiras considerações (clique nos links para ler os textos)

1 – Fortaleza: a disputa continua, mas já existem um derrotado e um vencedor

2 – Sobral e o preço de uma hegemonia

3 – Barbalha e o escândalo da compra de votos

4 – Massapê e Tauá, casos de família

5 – Quixadá como alento para o PT

6 – Crato frustra o PSDB

Outras considerações

As análises não se encerram aqui. Outras cidades ou disputas importantes merecem um olhar mais de perto. Nos próximos dias, mais resultados e o segundo turno em Fortaleza e Caucaia serão avaliados aqui no blog. Conto com sua divulgação nos seus municípios.

Abraço,

Wanderley Filho.

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Eleições 2016: Massapê e Tauá, casos de família

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

Em Massapê, Jacques Albuquerque, do PMDB, será o novo prefeito, com 53,92% dos votos, substituindo o atual gestor, Antônio José, do PP, que não conseguiu a reeleição.

O curioso é que Jacques é tio de Antônio, que por sua vez, é filho de Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, muito próximo a Cid Gomes. Pelo cargo que exerce, pelo papel central dentro do grupo político de Cid e Ciro, a derrota chama a atenção.

Em Tauá, a candidata Patrícia, do PMB,  foi derrotada por Carlos Windson, do PR, por 50,14% a 49,86%. Resultado apertado que surpreendeu, afinal, Patrícia Aguiar é casada com Domingos Filho, ex-presidente da AL, ex-vice-governador e atual conselheiro do TCM, e o filho, o deputado federal Domingos Neto, que se manteve ao lado de Dilma até o fim.

Se os Ferreira Gomes continuam hegemônicos em casa, alguns aliados começam a perder espaços para adversários nas suas, afinal, Jacques e Carlos contaram com o apoio do senador Eunício Oliveira, do PMDB, adversário e desafeto de Cid e Ciro.

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Eleições 2016: Crato frustra o PSDB

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

As eleições no Crato constituem provavelmente a maior derrota do PSDB no Ceará. Não que a disputa estivesse fácil, mas é que a expectativa de eleger Samuel Araripe, um dos remanescentes da época em que a sigla foi a maior do Estado, era grande.

As pesquisas mostravam uma corrida eleitoral emparelhada, algumas com ligeira vantagem para Samuel, que já foi prefeito do município. Projeções não confirmadas pelas urnas: Zé Ailton, do PP, venceu com 58,78% dos votos válidos.  O candidato do PSDB ficou em segundo38,38%.

O alento para os tucanos é que a sigla voltou a crescer. Fez 13 prefeituras em 2012, e agora, conquistou 16. Pouco para quem já foi hegemônico, mas é melhor do que encolher.

 

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E agora, José?

Por Wanfil em Partidos

28 de Abril de 2016

Deputados estaduais do Partido Progressista no Ceará criticam a intervenção do diretório nacional no comando estadual da legenda e acusam o deputado federal Adail Carneiro, que assumiu o controle do partido no lugar de Zé Linhares, de ter traído correligionários e aliados ao votar pelo impeachment de Dilma em troca do cargo, depois de ter garantido que votaria contra o afastamento. Adail afirma que tentou manter a palavra, mas se viu obrigado a mudar de posição, seguindo orientação da cúpula do PP.

Descontentamento
Quem puxou o coro dos descontentes do o deputado Fernando Hugo, destacado crítico do que ele chama “desgoverno do PT”, e que já foi do PSDB, do Solidariedade e recentemente filiou0-se ao PP, para compor a base estadual de apoio ao governo do… PT! Bom, eles que são do mesmo partido, que se entendam.

Super sincero
O que chamou mesmo a atenção foram as críticas feitas pelo presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, que apesar de ser do PDT, pediu desculpas a vereadores, prefeitos e deputados que entraram no PP a seu pedido. Por alguma razão, um pedetista, que até pouco tempo atrás era do PROS e antes do PSB, negociou filiações para o PP no Ceará. Zezinho disse ainda que usará de todos os meios legais para reverter a substituição de Zé Linhares por Adail Carneiro. Hã? Como assim? Quer dizer que o PDT tem que aprovar as decisões do PP?

É muito raro, quiçá inédito por aqui, ver alguém de um partido interferir publicamente dessa forma em questões internas de outro partido. Nem pra disfarçar…

Cartéis do voto
Fica claro que na atual conjuntura partidos (a maioria, pelo menos) não passam de instâncias burocráticas para homologar candidaturas, garantir tempo de propaganda e formalizar a fusão de projetos de poder com interesses pessoais. Por isso é comum ver lideranças políticas escalando prepostos, parentes, filhos e cônjuges em partidos diferentes, em consórcios que loteiam currais eleitorais. Não por acaso são contra o voto distrital.

O verdadeiro dono
Zezinho é ligado a Cid Gomes e controlava o PP através de Zé Linhares. Mesmo sendo do PDT, atraiu deputados para o PP na condição de articulador político dos Ferreira Gomes. Condição perdida, pois quem controla o PP é Ciro Nogueira, presidente Nacional da sigla e que apoia o impeachment, fato devidamente demonstrado pela  nomeação de Adail Carneiro no diretório estadual.

Essas frustrações não chegam a ser novidade para o grupo político liderado por Cid e Ciro. Foi a mesma coisa com o PSB de Eduardo Campos, o PPS de Roberto Freire e o PROS de Eurípedes Júnior, de onde saíram brigados. É o preço de não conseguir se fixar em sigla alguma. Parecem donos, mas não passam de inquilinos. A novidade agora é que o impeachment pode reduzir ainda mais as opções partidárias para a divisão governista.

Parodiando Drummond, fica a pergunta: E agora José? Está sem discurso, está sem PP, e tudo fugiu, e tudo mofou. E agora, José?

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E agora, José?

Por Wanfil em Partidos

28 de Abril de 2016

Deputados estaduais do Partido Progressista no Ceará criticam a intervenção do diretório nacional no comando estadual da legenda e acusam o deputado federal Adail Carneiro, que assumiu o controle do partido no lugar de Zé Linhares, de ter traído correligionários e aliados ao votar pelo impeachment de Dilma em troca do cargo, depois de ter garantido que votaria contra o afastamento. Adail afirma que tentou manter a palavra, mas se viu obrigado a mudar de posição, seguindo orientação da cúpula do PP.

Descontentamento
Quem puxou o coro dos descontentes do o deputado Fernando Hugo, destacado crítico do que ele chama “desgoverno do PT”, e que já foi do PSDB, do Solidariedade e recentemente filiou0-se ao PP, para compor a base estadual de apoio ao governo do… PT! Bom, eles que são do mesmo partido, que se entendam.

Super sincero
O que chamou mesmo a atenção foram as críticas feitas pelo presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, que apesar de ser do PDT, pediu desculpas a vereadores, prefeitos e deputados que entraram no PP a seu pedido. Por alguma razão, um pedetista, que até pouco tempo atrás era do PROS e antes do PSB, negociou filiações para o PP no Ceará. Zezinho disse ainda que usará de todos os meios legais para reverter a substituição de Zé Linhares por Adail Carneiro. Hã? Como assim? Quer dizer que o PDT tem que aprovar as decisões do PP?

É muito raro, quiçá inédito por aqui, ver alguém de um partido interferir publicamente dessa forma em questões internas de outro partido. Nem pra disfarçar…

Cartéis do voto
Fica claro que na atual conjuntura partidos (a maioria, pelo menos) não passam de instâncias burocráticas para homologar candidaturas, garantir tempo de propaganda e formalizar a fusão de projetos de poder com interesses pessoais. Por isso é comum ver lideranças políticas escalando prepostos, parentes, filhos e cônjuges em partidos diferentes, em consórcios que loteiam currais eleitorais. Não por acaso são contra o voto distrital.

O verdadeiro dono
Zezinho é ligado a Cid Gomes e controlava o PP através de Zé Linhares. Mesmo sendo do PDT, atraiu deputados para o PP na condição de articulador político dos Ferreira Gomes. Condição perdida, pois quem controla o PP é Ciro Nogueira, presidente Nacional da sigla e que apoia o impeachment, fato devidamente demonstrado pela  nomeação de Adail Carneiro no diretório estadual.

Essas frustrações não chegam a ser novidade para o grupo político liderado por Cid e Ciro. Foi a mesma coisa com o PSB de Eduardo Campos, o PPS de Roberto Freire e o PROS de Eurípedes Júnior, de onde saíram brigados. É o preço de não conseguir se fixar em sigla alguma. Parecem donos, mas não passam de inquilinos. A novidade agora é que o impeachment pode reduzir ainda mais as opções partidárias para a divisão governista.

Parodiando Drummond, fica a pergunta: E agora José? Está sem discurso, está sem PP, e tudo fugiu, e tudo mofou. E agora, José?