populismo Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

populismo

Lula, o homem que virou “ismo”

Por Wanfil em Política

09 de Abril de 2018

O Lulismo em ação para tentar salvar Lula da prisão – Foto: Agência Brasil

No inusitado comício no dia de sua prisão, o ex-presidente Lula fez uma revelação: Não pararei porque não eu sou mais um ser humano. Eu sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês. A morte de um combatente não para a revolução.

Foi o anúncio da transmutação do indivíduo de carne e osso, por enquanto circunscrito aos limites do cárcere, em expressão metafísica de um ideal confuso, sem postulados claros, representado essencialmente pela imagem do seu próprio criador e, por extensão, pelo desejo de impunidade.

Lula desse modo assumiu de vez como persona o lulismo, expressão que antes identificava o mero culto personalista da esquerda ao chefe máximo. Personalismo que está na raiz de outros “ismos” presentes na cultura política brasileira, como caudilhismo, patrimonialismo, clientelismo, paternalismo, getulismo, sebastianismo (esse importado de Portugal) e populismo, entre outros. No fundo, mais do mesmo, a velha exaltação ao líder infalível, ao escolhido pela História, ao perseguido, ao redentor que se sacrifica em nome do povo, tão cara às ideologias revolucionárias. Como sempre, tudo farsa, manipulação.

Na verdade, o ex-presidente condenado por corrupção tenta mobilizar seguidores a partir de um discurso que se faz de desapego altruísta, mas que é feito primordialmente daquele sentimento bem egoísta de autopreservação a todo custo. Se isso significa expor a massa de manobra a um conflito com a polícia, pouco importa.

Ao proclamar que o pronome pessoal se transformou definitivamente em sufixo, em substantivo abstrato, que o sujeito renasceu como doutrina, ainda que vazia – Lula procura mobilizar apoiadores em atos de uma suposta resistência, para dar aos seus aliados no STF uma desculpa para retomar a discussão sobre a jurisprudência da prisão a partir de condenação em segunda instância e livrá-lo da cadeia.

Resumindo, citando outro “ismo” famoso, é puro casuísmo.

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O 15 de novembro e a República dos erros repetidos

Por Wanfil em História

15 de novembro de 2016

Campos Sales, presidente de 1898 a 1902, saneou as contas públicas com medidas impopulares. Uma lição que não aprendemos ainda.

Campos Sales, presidente de 1898 a 1902, saneou as contas públicas com medidas impopulares. Lição que ainda não aprendemos.

Proclamamos a República em 15 de novembro de 1889. A monarquia estava definitivamente no passado. Deodoro da Fonseca assume a Presidência. Dois anos depois, assume Floriano Peixoto, seguido por Prudente de Morais.

Em 1898, apenas nove anos depois da proclamada a República, Campos Sales é eleito. Acontece que sua chegada à Presidência já não tem o frescor da novidade e da esperança, pelo contrário. Nessa essa época, o Brasil estava em crise, preso a uma monstruosa dívida externa e com profundo déficit nas contas públicas.

Para sanear o caixa, foram adotadas medidas de ajuste, com renegociação da dívida, restrição da política monetária para derrubar a inflação alta, acentuado corte de despesas e aumento de impostos. Desagradou a todos, mas corrigiu, ou pelo menos encaminhou soluções para os erros cometidos por seus antecessores e pelo Império.

O preço político por essas ações foi a impopularidade: Campos Sales deixou o cargo, em 1902, sob vaias.

O 15 de novembro não poderia ser mais atual. A História do Brasil tem sido a alternância de poder entre estatistas perdulários e liberais defensores do rigor fiscal. Os primeiros expandem gastos financiando políticas públicas que muitas vezes representam avanços, mas que degeneram rapidamente em populismo e quebram o País. Os segundos o consertam, caminhando sobre um círculo vicioso que nem a Lei de Responsabilidade Fiscal conseguiu impedir, como vimos nas gestões de Lula e, principalmente, Dilma.

Nessa ciranda do atraso, o gastador irresponsável cai nas graças da população e das corporações, que passam a acreditar que dinheiro público não tem fim, enquanto o gestor responsável é visto como insensível. Daí que a proposta de fixar um teto para os gastos do governo federal é mais criticada em setores politicamente mobilizados do que os anos de déficits que levaram o País à recessão.

Se errando é que se aprende, já está na hora de aprender a lição.

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Se eu quisesse ser popular, seria populista, mas não consigo. Ou: Resposta aos críticos do reajuste das passagens de ônibus

Por Wanfil em Fortaleza

13 de dezembro de 2012

No Brasil, ser populista é ser amado.Todos estendem as mãos à espera de um benefício qualquer, sem se dar conta que pagam por eles.

Recebi algumas críticas sobre o texto em que afirmo que as passagens de ônibus em Fortaleza têm os preços manipulados artificialmente para garantir um discurso político à gestão que termina este ano. Em outras palavras, como os valores cobrados aos usuários não cobrem os custos do serviço, a diferença é coberta com dinheiro público, principalmente com a isenção fiscal do ICMS que incide sobre o diesel. Volto a abordar o tema, buscando compreender esse apego a tudo o que parece concessão, mas que muitas vezes é esperteza.

Populismo é pop

Os governos no Brasil têm essa mania de fazer caridade com o dinheiro alheio. No caso em questão, ficam felizes os passageiros, que pagam menos, e as empresas, que ganham antes de vender. O nome disso é populismo. E todos adoram.

O populismo fiscal e monetário está no DNA de quase todas as políticas ditas sociais e de desenvolvimento em vigor no país. Vai de programas como o Bolsa Família até os empréstimos bilionários do BNDES para alguns escolhidos. O brasileiro é estado-dependente, como ouvi de um amigo recentemente, sem distinção de classe.

No fundo, todos acham que ganham quando o governo é obrigado a arcar com uma ou outra despesa. Como governo não produz riqueza, o resultado é que temos que sustentá-lo com uma carga tributária obscena  na casa de 35% do PIB. Brasileiro é esperto. Aceita que 50% do preço de um sabonete seja tributo, para ter a autoridade de cobrar isenção fiscal para empresas de ônibus, garantindo assim o preço baixo das tarifas.

Pão e circo nunca é de graça

Se eu tivesse dito que a ideia de ajustar preços aos custos é um absurdo, que dinheiro público serve para corrigir injustiças, essas coisas, seria aplaudido por minha sensibilidade. Se eu “denunciasse” ainda que empresas de transporte querem mesmo é lucrar, aí seria ovacionado em desfile apoteótico. Mas eu não consigo. Chato e ranzinza, lembro que toda conta tem que fechar. Sem lucro, evidentemente, ninguém trabalha (você trabalharia?). Como recursos de outros impostos são direcionados para suprir essa premissa, o que parece barato, no final das contas, é caro. A conta não fecha.

Pessoalmente, não ganho nada com isso. Não tenho procuração para falar em nome de empresas ou sindicatos. Escrevo sobre o assunto porque o considero, tal como é posto, uma tapeação. Políticos é que sabem pedir dinheiro junto à empresas de transporte para fazer campanhas eleitorais. Populistas, que prometem pão e circo sem custo, enquanto tiram com uma mão o que dão com a outra. Esses são amados. Eu, com minha desconfiança crônica, não. Se ao menos eu nada dissesse… Mas como gosto da crítica, seria um péssimo populista. Diria sem pestanejar: Sabe o dinheiro que falta para prestar melhores serviços? Está ali, no preço baixo daquela tarifa!

Encerro com um trecho do famoso Juízo anatômico dos achaques que padecia o corpo da República em todos os membros, do poeta Gregório de Mattos, escrito ainda no século 17:

Valha-nos Deus, o que custa
 O que El-Rei nos dá de graça.

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Se eu quisesse ser popular, seria populista, mas não consigo. Ou: Resposta aos críticos do reajuste das passagens de ônibus

Por Wanfil em Fortaleza

13 de dezembro de 2012

No Brasil, ser populista é ser amado.Todos estendem as mãos à espera de um benefício qualquer, sem se dar conta que pagam por eles.

Recebi algumas críticas sobre o texto em que afirmo que as passagens de ônibus em Fortaleza têm os preços manipulados artificialmente para garantir um discurso político à gestão que termina este ano. Em outras palavras, como os valores cobrados aos usuários não cobrem os custos do serviço, a diferença é coberta com dinheiro público, principalmente com a isenção fiscal do ICMS que incide sobre o diesel. Volto a abordar o tema, buscando compreender esse apego a tudo o que parece concessão, mas que muitas vezes é esperteza.

Populismo é pop

Os governos no Brasil têm essa mania de fazer caridade com o dinheiro alheio. No caso em questão, ficam felizes os passageiros, que pagam menos, e as empresas, que ganham antes de vender. O nome disso é populismo. E todos adoram.

O populismo fiscal e monetário está no DNA de quase todas as políticas ditas sociais e de desenvolvimento em vigor no país. Vai de programas como o Bolsa Família até os empréstimos bilionários do BNDES para alguns escolhidos. O brasileiro é estado-dependente, como ouvi de um amigo recentemente, sem distinção de classe.

No fundo, todos acham que ganham quando o governo é obrigado a arcar com uma ou outra despesa. Como governo não produz riqueza, o resultado é que temos que sustentá-lo com uma carga tributária obscena  na casa de 35% do PIB. Brasileiro é esperto. Aceita que 50% do preço de um sabonete seja tributo, para ter a autoridade de cobrar isenção fiscal para empresas de ônibus, garantindo assim o preço baixo das tarifas.

Pão e circo nunca é de graça

Se eu tivesse dito que a ideia de ajustar preços aos custos é um absurdo, que dinheiro público serve para corrigir injustiças, essas coisas, seria aplaudido por minha sensibilidade. Se eu “denunciasse” ainda que empresas de transporte querem mesmo é lucrar, aí seria ovacionado em desfile apoteótico. Mas eu não consigo. Chato e ranzinza, lembro que toda conta tem que fechar. Sem lucro, evidentemente, ninguém trabalha (você trabalharia?). Como recursos de outros impostos são direcionados para suprir essa premissa, o que parece barato, no final das contas, é caro. A conta não fecha.

Pessoalmente, não ganho nada com isso. Não tenho procuração para falar em nome de empresas ou sindicatos. Escrevo sobre o assunto porque o considero, tal como é posto, uma tapeação. Políticos é que sabem pedir dinheiro junto à empresas de transporte para fazer campanhas eleitorais. Populistas, que prometem pão e circo sem custo, enquanto tiram com uma mão o que dão com a outra. Esses são amados. Eu, com minha desconfiança crônica, não. Se ao menos eu nada dissesse… Mas como gosto da crítica, seria um péssimo populista. Diria sem pestanejar: Sabe o dinheiro que falta para prestar melhores serviços? Está ali, no preço baixo daquela tarifa!

Encerro com um trecho do famoso Juízo anatômico dos achaques que padecia o corpo da República em todos os membros, do poeta Gregório de Mattos, escrito ainda no século 17:

Valha-nos Deus, o que custa
 O que El-Rei nos dá de graça.